Conversas alheias

Caius pov

Sim, quando se trata de Giullia sou o homem mais inseguro que já andou sobre a terra. Minha decisão foi repentina e incontrolável e antes que meus irmãos pudessem fazer qualquer coisa a respeito eu já estava deixando a Itália em direção a América. Encontra-la me esperando na porta da casa dos Cullen foi um alivio além da compreensão mortal, mas não me deixava nem um pouco confortável com a idéia dela estar próxima de Carlisle. Felizmente ela não se opôs quando eu disse que pretendia leva-la pra casa ainda naquela noite.

Fiquei particularmente satisfeito em saber que eu na era o único que desprezava a proximidade entre ela e Carlisle Cullen. A esposa do doutor estava tão satisfeita quanto eu, mas Esme Cullen era uma dama e por tanto, incapaz de expressar sua insegurança livremente. Jasper Cullen cuidou das passagens aéreas para mim e minha família, e também providenciou um passaporte falso e com a minha aparência eu poderia me passar por um albino facilmente. Bella providenciou lentes de contato para mim e algumas roupas que me dariam um aspecto mais "normal". Todos estavam extremamente empenhados em se livrar da presença Volturi.

Tratei de me arrumar em um dos quartos da casa e assim que o maldito cão fedorento entrou na casa pude sentir seu cheiro desagradável. Após minha troca de roupas decidi caminhar furtivamente pela casa e parei a uma boa distancia de onde Esme e Giullia estavam, aparentemente, conversando como duas rivais em reconhecimento. Aquilo despertou meu interesse e eu me mantive ligado ao dialogo, cuidando para que ninguém percebesse minha presença.

OH YEAH, I´LL TELL YOU SOMETHING

I THINK YOU´LL UNDERSTAND

WHEN I SAY THAT SOMETHING

I WANNA HOLD YOUR HAND

I WANNA HOLD YOUR HAND

I WANNA HOLD YOUR HAND

- Sei que está aliviada com a minha partida. – Giullia disse com calma e serenidade, como se estivesse elogiando a casa ou falando sobre o tempo – Eu não a culpo por isso e até mesmo entendo o seu ponto de vista, mas quero que entenda que nunca ouve nada entre Carlisle e eu, nada além de amizade e respeito.

- Não é necessário me dar explicações, senhora Volturi. – Esme respondeu, tentando se manter tão calma quanto Giullia, mas seus sentimentos a denunciavam terrivelmente – Confio no meu marido.

- É claro que confia. Quem não confiaria no doutor Cullen? – Giullia falou com humor, mas eu quase pude sentir uma pitada de sarcasmo nas palavras dela – É em mim que você não confia. Em mim e no que meu marido pode fazer caso desconfie de alguma coisa. – certo, ela estava muito mais analítica do que havia sido em décadas e eu me sentia um louco desequilibrado – O que eu gostaria de deixar bem claro é que eu não amo Carlisle, como pensei amar um dia. – aquilo provocou duas reações em mim, a primeira foi o ciúme instantâneo de saber que ela teve sentimentos pelo doutor enquanto eu me esforçava para conquista-la, a segunda foi alivio de saber que eu não era mais ameaçado por ele. Creio que Esme deve ter sentido a mesma coisa.

- Mas não pensou duas vezes antes de vir até aqui para vê-lo, mesmo quando sabe de tudo o que já sofremos por causa da sua família. – Esme respondeu evasiva, estava desconfortável na presença de uma fêmea que demonstrava tanta segurança. Não a culpo, eu também estava.

- E eu sei que teria feito a mesma coisa pelo bem de seus filhos. – Giullia respondeu com graça, sem demonstrar-se ofendida. – Caius sabia da minha vinda e me deu permissão para sair da Torre, coisa que eu na fazia dês da ultima vez que estivemos aqui. Ele está tão inseguro quanto você, simplesmente porque não se deu conta de que depois dos últimos seis anos, em espacial dês da chegada de Adélia, à quase um ano, eu não consigo cogitar a hipótese de deixá-lo.

- Quer dizer que a senhora demorou mais de um século para descobrir que ama o seu marido? – Esme perguntou descrente, enquanto eu me interessava cada vez mais pela conversa.

- Você parece muito surpresa para alguém que sofreu tanto quanto eu. – Giullia retrucou – Soube como foi transformada e o que passou antes de se tornar a esposa do doutor. A verdade é que não somos diferentes. Caius foi cruel, insensível e carrasco de maneiras que você nem pode imaginar. Por muito tempo a única coisa que tive dele foi à obsessão e a força, tudo muito diferente do que Carlisle sempre designou a você. – aquilo foi como uma faca no meu coração morto. Dolorido e incomodo de assimilar – Eu levei quase dois séculos pra entender que nós havíamos crescido em mundos diferentes e que eu não poderia exigir que ele amasse de acordo com aquilo que eu julgava ser amor. Mesmo porque, eu nunca tinha amado alguém até então. Tudo o que Carlisle representava para mim era uma idealização do homem perfeito, de alguém que eu gostaria de ter como companheiro. Mas depois do que Caius passou por minha causa, das coisas preciosas das quais ele estava disposto a abrir mão para me fazer feliz, eu entendi que ele era tão solitário e desesperado por alegria quanto eu. Quando ele permitiu que eu visse tudo aquilo que ele é, percebi que não havia como não ama-lo e eu teria feito isso mesmo sem Adélia. Ela foi o ultimo e o maior de todos os presentes. Depois dela eu passei a amar Caius irremediavelmente.

- Não precisa dizer essas coisas só pra tentar me deixar mais calma, segura e menos enciumada. – Esme retrucou de maneira um tanto ríspida, mas eu estava deleitado de mais com a declaração de Giullia para dar importância a isso.

- Não estou querendo nada disso. Só deixar bem claro que eu já tenho toda felicidade que sempre desejei e não tenho motivos para querer a sua. Não sou sua inimiga, Esme, e só o serei no dia em que você atentar contra minha família.

- Eu jamais faria isso. – Esme respondeu com vergonha.

- Sei que não, mas nunca se sabe quando outra fêmea vai reparar no quão atraente meu marido é. – Giullia riu sarcasticamente – Assim como Caius, não gosto de competições, a menos que eu tenha certeza de que vou ganhar. – Giullia fez uma longa pausa – Querido, sabia que em muitas culturas é falta de educação ouvir a conversa dos outros? Pode sair agora que ouviu tudo o que lhe interessava e sabe que você é o homem da minha eternidade. – se eu fosse humano eu teria corado, de tão constrangedora que era a situação. Eu não podia ser culpado, ela sabia que aquela era a minha fraqueza.

Caminhei calmamente até onde elas estavam sentadas conversando. Esme, ao invés de se sentir tão constrangida quanto eu, tentava esconder o riso. Giullia me encarou com uma expressão no mínimo debochada no rosto. Ela estava se mostrando diabólica nos últimos tempos e eu não sabia se aquilo me irritava ou me deixava ainda mais excitado. Ela era, no fim das contas, uma menina que demorou quase dois séculos para despertar de um pesadelo e queria ver toda graça da vida, o que incluía rir da minha rabugice e insegurança vez ou outra.

Ela se levantou e veio até mim, graciosa e alegre como uma manhã de primavera. Ela me beijou no rosto e passou a mão pelos meus cabelos, arrumando-os.

- Você está lindo neste terno. – ela disse no meu ouvido – Podemos ir assim que Amadeus descobrir como se coloca uma gravata.

- Então não vamos sair daqui nunca. – respondia sarcástico e em seguida falei bem baixo no ouvido dela – Você me paga por isso quando chegarmos em casa.

- Eu espero que sim. – ela respondeu no mesmo tom e aquilo me deixou louco de vontade de jogá-la sobre a mesa mais próxima e a fazer gemer por algumas horas, mas aquilo não era hora e nem lugar para isso – Vou cobrar isso de você, pode acreditar.

OH, PLEASE SAY TO ME

YOU'LL LET ME BE YOUR MAN

AND PLEASE SAY TO ME

YOU´LL LET ME HOLD YOUR HAND

NOW LET ME HOLD YOUR HAND

I WANNA HOLD YOUR HAND

Amadeus pov

AND WHEN I TOUCH YOU I FEEL HAPPY INSIDE

IT´S SUCH A FEELING

THAT MY LOVE

I CAN´T HIDE

I CAN´T HIDE

I CAN´T HIDE

Depois de meu inesperado momento com Leah, decidi que não estava disposto a voltar para a casa dos Cullen por um tempo. Andei a esmo pela floresta da reserva, sem me preocupar muito com minha própria condição de prisioneiro. Era bom sentir a natureza outra vez sem ter que pensar na vontade de Adélia. Foi então que eu me dei conta do quão insistente era aquele nome na minha cabeça.

Era como se toda minha vida tivesse perdido o sentido de uma vez e no lugar havia a imagem dela, as vontades dela, a felicidade dela. Era irritante, era autoritário e absolutamente necessário. No começo eu encarava aquilo como paternalismo bobo, mas com o passar do tempo ficou evidente que aquilo não tinha nada há ver com o sentimento que eu tinha pelos meus filhos, era algo quase doentio.

De repente eu parei. Adélia estava indo em direção a uma clareira logo adiante de onde eu estava. Aquilo seria normal se eu não tivesse sentido o cheiro de outro lobo misturado ao dela. Permaneci onde estava e ouvi quando eles pararam de correr, sem notar que eu estava próximo. Era Seth, o pirralho, quem estava junto com ela. Apurei meus ouvidos para ouvir qualquer coisa que eu julgasse minimamente importante.

- Acho que já corremos o bastante, Addy. – ele falou recuperando o fôlego, rangi meus dentes ao ouvi-lo chamando-a pelo apelido. – Por que não paramos por aqui um pouco e depois voltamos pra casa dos Cullen?

- Já está cansado? – ela falou naquele comum tom de suplica, aquele que ela usava comigo! – Nem corremos tanto assim e eu não tenho nada pra fazer lá.

- Ta bom, confesso que estou fora de forma. – Seth admitiu sua fraqueza e Adélia pareceu achar aquilo muito engraçado já que estava rindo bastante. – Por que você apanhou dele? – o suor frio desceu pela minha testa com aquela pergunta, o silencio dela não ajudou em nada.

- Por que eu disse que ele era meu. – ela falou constrangida e aquele pirralho riu.

- Acho que nenhum homem gosta de admitir que pertence a alguém, mesmo quando sabe que é verdade. – ele falou debochado e ela riu junto com ele. Uma súbita vontade de arrebentar a cara sorridente daquele pirralho me veio à cabeça, mas me controlei – Se bem que eu não acharia ruim se uma garota dissesse isso pra mim.

- Por quê? – eu podia até imaginar os enormes olhos verdes dela, arregalados daquela maneira tão inocente diante daquele comentário cheio de segundas intenções. Eu ia arrebentar aquele fedelho!

- Porque é assim que as coisas são para nós. Quando nós, lobos, achamos uma "dona" sabemos que nada poderá superar a alegria de encontrá-la. Essa coisa toda de impressão, eu nunca tive, mas quando vi acontecer com o Jake eu pensei que aquilo valia a pena. Amar alguém incondicionalmente e de uma maneira tão plena, nada poderia ser mais intenso, ou me deixar mais vivo do que achar a minha impressão.

- Todo mundo fala dessa "impressão". Eu nunca vi essa coisa. – ele riu ainda mais.

- Acho que é uma coisa que você só descobre quando se apaixona a primeira vez. Mas deve ser fantástico! – Addy riu, imaginei que fosse da cara de retardado dele.

- Então pode se impressionar comigo. Eu deixo. – um rosnado escapou pela minha garganta, felizmente eles não ouviram. Só aquele filho da mãe achou graça.

- Pode apostar que eu me impressionaria, bonitinha. – ELE TAVA PEDINDO PRA MORRER! – Mas você ainda é muito nova. Prometo que namoro você quando estiver do tamanho na Nessie, está bem?

- Você é bobo, Seth. – eu não queria mais ouvir aquilo. Aliás, eu nem mesmo sabia por que eu estava com tanta raiva. Afinal de contas, ela não era a minha impressão, já que fazer sexo com Leah me pareceu algo absolutamente certo no momento, e por tanto Addy podia gostar de quem quisesse. Isso devia ser algo bom, eu poderia me libertar dela um dia, quando ela crescesse e preferisse um certo Seth Clearwater, ao invés de um lobo rabugento que nem eu. É, eu estava feliz com aquilo, ou pelo menos estava mentindo muito bem pra mim mesmo.

Corri para a casa dos Cullen, ignorando tudo ao meu redor, apenas saboreando os efeitos de uma raiva inexplicável. Entrei na casa, ignorando todo e qualquer comentário, sem nem ao menos notar quem estava falando comigo. Subi para o quarto onde eu e Addy estávamos hospedados, peguei o maldito terno reserva que haviam colocado na minha mala e fui para o banheiro. Deixei a água cair livremente sobre mim. Pensei em Leah e no que havíamos feito num momento instintivo e como por conseqüência pensei em Addy e aquele pirralho.

Eu havia ficado com Leah porque estava com raiva do mundo e pensei que retomar alguns aspectos da minha antiga vida me faria bem. Será que Adélia estava fazendo a mesma coisa? Talvez eu não devesse ter dado aquele tapa nela , ou quem sabe aquilo foi bom para ela aprender que deve ter limites? MALDITA MENINA QUE NÃO SAI DA MINHA CABEÇA!

Saí do banho já devidamente vestido e me deparei com Addy sentada sobre a cama, usando um vestido xadrez de preto com vermelho e sapatos de verniz. Parecia uma boneca viva olhando para mim. Eu a ignorei enquanto calçava meus sapatos.

- Onde você foi? – a voz dela estava com um leve tom de ingenuidade. Aquilo me aborreceu – Procurei você na floresta e não encontrei.

- Fui dar uma volta, mas isso não é da sua conta. – respondi sem olhar na cara dela, peguei o outro sapato e comecei a calçar – Não devia ter saído sozinha.

- Seth foi comigo. Ele é tão bobão e engraçado. – ela riu sonoramente, lembrando dele.

- Então por que não me deixa ir embora e pega ele pra criar? Seria um "Totó" muito melhor do que eu. – ela então fez aquilo que eu não esperada. Se ajoelhou ao meu lado e me deu um beijo estalado na bochecha e abraçou meu pescoço bem forte. Aquilo me deixou confuso.

- Você é mais bobo do que ele. Só você pode ser meu Totó, mas se você precisa de um amigo, o Seth pode ser o "Rex", ai eu teria dois bichinho pra brincar. – de repente me senti alarmado. Ela era uma menina! Só uma menina de sete anos que não via nada de mais em ouvir um panaca qualquer dizer que seria o namorado dela quando ela crescesse. Afinal, por que eu estava com tanta raiva dos dois?

- Não preciso de um amigo, Addy. – respondi totalmente rendido ao carinho despretensioso dela – Desculpe por ter batido em você. – ela me abraçou mais forte e eu me senti bem com aquilo.

- Bom menino! – ela passou a mão pelos meus cabelos, como se estivesse acariciando um cachorro. É incrível como ele consegue me dobrar sempre!

- Vamos logo, Addy. Seu pai deve estar nos esperando pra voltarmos pra casa. – eu a peguei no colo e descemos as escadas. Eu estava mais do que pronto pra deixar a América para sempre e ficar de olho em Adélia.

AND WHEN I TOUCH YOU I FEEL HAPPY INSIDE

IT'S SUCH A FEELING

THAT MY LOVE

I CAN'T HIDE

I CAN'T HIDE

I CAN'T HIDE

Nos despedimos dos Cullen sem muita cerimônia. Sabíamos que não éramos bem vindos, não havia necessidade pra fingir nada. As únicas pessoas de quem eu sentiria falta eram Jacob e sua esposa, por questões obvias de afinidade. Depois de todas as devidas obrigações cumpridas, entramos no carro que nos levaria à Seatle e partimos rapidamente.

Eu tentei ignorar meu enjôo pelo cheiro de Giullia e Caius e a velocidade absurda do veiculo. Nunca me senti tão aliviado como quando entrei com Addy no avião rumo à Itália. Rezei silenciosamente para os meus deuses, pedindo para estar errado quanto à maneira como eu estava interpretando meus sentimentos por Adélia. Implorando para não ter tido uma impressão. Enquanto isso ela dormia no meu colo, indiferente a tudo, segurando minha mão entre as dela.

YEAH YOU GOT THAT SOMETHING

I THINK YOU'LL UNDERSTAND

WHEN I FEEL THAT SOMETHING

I WANNA HOLD YOUR HAND

I WANNA HOLD YOUR HAND

I WANNA HOLD YOUR HAND

Nota da Autora: Demorei mais postei! Desculpe pelo capitulo pequeno (minúsculo pra ser mais exata), mas este é um capitulo de passagem. Quando eu postar o próximo, vocês terão uma Addy já não tão pequena, nem tão inocente, pra desespero dos pais superprotetores e do próprio Amadeus.

Seth vai ter mais destaque na fic, mas vai demorar um pouquinho.

Capitulo dedicado ao Jac Vela-Negra e a Mandy, pessoas que conseguem me fazer trabalhar devido a insistência tão carinhosa XD.

Bjux

Bee

Como de praxe, comentem!