Pela experiência sexual do Sasuke ser nula, é muito difícil para ele controlar essas coisas, além de ser constrangedor demais para um rapaz. Idate Morino venceu a pesquisa! Obrigada a todos que responderam!


Tsumetai

"Nós estávamos sozinhos e famintos por amor" – (Uchiha Sasuke).

#3

Águas termais tinham, justamente, a propriedade de retirar o cansaço do corpo, no entanto, o excesso de tempo desfrutando das qualidades terapêuticas do onsen trazia consigo efeitos negativos.

O organismo, acostumado com a inércia, acabaria se rebelando e desobedecendo aos comandos com rapidez quando uma pessoa despreparada emergisse da água. Os resultados seriam, em teoria, uma leve tontura e relaxamento – excessivo relaxamento, ao ponto que dormir pareceria a ideia mais maravilhosa já concebida.

Mesmo assim, apesar de todos estes absurdos e o que motivou a Sasuke a sofrê-los – obrigando a Sakura a fazer o mesmo, também, afinal, seria absolutamente estranho e requereria explicações que ele não tinha se ele ficasse e ela partisse –, o Uchiha não imaginou que quando dividisse um futon com ela pela primeira vez eles iriam, definitivamente, apenas dormirem juntos, com toda a inocência que tal palavra abrange.

Não é como se ele pensasse na situação com a frequência de um pervertido, mas também não é como se nunca houvesse levado o caso em pauta. Especialmente na última semana, admitia que chegara a idealizar essa situação com Sakura algumas vezes e o que sua imaginação criava não tinha nada a ver com sua esposa dormitar friamente no lado oposto do futon. Teriam tempo para esse tipo de intimidade ainda, isto era certo, mas saber tal evidência não mirrava o sabor amargo em sua boca.

Com efeito, sequer poderia culpar Sakura por isso. Era inegável que a responsabilidade era toda dele, mesmo que não fosse fazer alguma diferença. Ficaram muito mais do que é recomendável no onsen e Sasuke apenas permitiu-os sair de lá quando se sentia livre de qualquer inquietação vergonhosa – antes visível para qualquer um que encarasse sua toalha branca.

Os sintomas esperados vieram, assomados ao estresse e falta de sono já acumulados nas horas anteriores, cujo o casal se iludiu pensando que havia ido embora.

Não foi difícil de supor, em tal caso, o resultado que viria a seguir.

Quase uma dezena de minutos de depois, ao sair da água, a dupla dirigiu-se ao vestuário e trajou suas respectivas yukatas do melhor modo possível, o que demorou um tempo considerável entremeado de bocejos audíveis e olhos sendo esfregados. Foi com uma mistura de dificuldade e destreza instintiva que amarraram os nós dos obis e mal notaram que estes ficaram ligeiramente frouxos, apesar do esforço.

Na ida para o quarto, assegurando-se de não tropeçar com os tradicionais chinelos de madeira, Sakura apoiou-se por pura preguiça – e um pouco de aproveitamento – em Sasuke para subir as escadas, também permitindo que ele abrisse a porta; ela ainda brincou antes, tentando aliviar a tensão que percebeu rodeá-lo perguntando se, por um acaso, o shinobi não gostaria de levá-la no colo como em filmes e poupá-la do esforço.

— Não — ele respondeu-lhe, encurtando o máximo que podia suas sentenças e destrancando a fechadura.

De imediato, Sakura estranhou a grosseria, mas a princípio não o censurou, o Uchiha parecia inclusive progressivamente mal humorado e quieto. Era de se supor que ele devia estar exausto e, em contrapartida, tranquilo; mas o quadro geral mostrava o extremo oposto do que seria serenidade.

Ela não poderia prever – por mais que o conhecesse – que seu marido estava desgostoso com si mesmo.

Em primeiro lugar, sua mente estava quase sempre fazendo caminhos até Sakura, às vezes ele mal notava, de toda forma, em nenhum momento seu corpo havia reagido tão notavelmente na frente dela – bom, ele também nunca havia encostado nela como fizera, se isso contava como algo. Evidentemente, ele devia estar agradecido pela médica não perceber nada, mas a sensação de gratidão, por alguma razão, não veio.

Enquanto Sakura se deitava no futon, Sasuke apagou todas as luzes, tornando o apartamento escuro, a tênue luz de fora que conseguia penetrar o local iluminava muito pouco da sala e absolutamente nada do quarto. Em silêncio, ele encontrou a singular cama, se aconchegou ali e cobriu-se.

Seu corpo imediatamente apaziguou-se, o Uchiha fechou os olhos, abstraindo-se da tensão que sentia. Daquela situação patética. Nem ele nem ela estavam em condições de mover um músculo e ambos silenciosamente concordavam com isso. O shinobi, de preferência, então, gostaria de apenas pular para o próximo dia, como se o episódio anterior nunca houvesse existido.

— Boa noite, Sasuke-kun — Sakura sussurrou ao seu lado, a voz da mulher parecia a de alguém prestes a se render à vontade da noite. Ele não respondeu a tempo. Resistindo ao sono, ela tentou o diálogo mais uma vez: — Você está chateado com algo?

— Não... — oh, estava. Muito. Não com ela, pelo menos.

As coisas, de alguma forma, não eram para ser assim e, portanto, sentir-se tenso por deixar algo em branco – talvez essa seja uma boa exemplificação – fosse a reação normal para qualquer um em seu lugar. Para dizer a verdade, era mais complexo que isso: seus princípios estavam ofendidos, seu orgulho atingido e sua integridade maculada. Em honestas palavras, não que fosse confessá-las, Sasuke estava mais envergonhado do que qualquer outra coisa.

E não se sentia nem um pouco à vontade para falar sobre isso com sua esposa.

— Sasuke-kun— Sakura chamou-o severamente. O shinobi ouviu um farfalhar suave de panos e depois um toque na manga de seu yukata. Ela parecia mais próxima. — Diga-me o que há.

— Não é nada, durma.

Sakura não desistiu. Acaso ele estava assim por sua causa? Talvez ela não houvesse considerado os sentimentos de Sasuke com delicadeza.

— É nossa primeira noite sozinhos, estou perfeitamente consciente disso. — Uma pausa. — Eu compreendo que você esteja assim por... você deve imaginar, Sasuke-kun. Nós...

Sasuke girou no futon, voltando o rosto para a onde a voz de Sakura soava.

—Não me entenda mal. Isso não tem sentido.

No escuro, ela arregalou os olhos um pouquinho. Seja lá o que fosse, ele continuava agindo suspeito e ela tentaria arrancar a verdade, porque não entendia o comportamento carrancudo, em especial após ser beijada além de suas expectativas não fazia muito tempo. Inevitavelmente, a todo momento a lembrança vinha nítida à sua mente: a mão em seu corpo, os beijos e arranhar suave no pescoço, a textura da língua dele tocando a sua.

Sentia-se desejada e cheia de expectativas, mas com o Uchiha agindo assim a kunoichi punha-se pensativa. Havia decidido não extorquir respostas de Sasuke. No passado, isso lhe pareceria certo. Agora, no entanto, ela tinha direito de saber o que se passava com ele. Não era assim que funcionava um casamento?

Cinicamente, Sakura tentaria outra tática – a de Naruto. O Uchiha era facilmente provocado e sincero quando caçoavam dele, empurrado pela impulsividade. O próprio ato era-lhe insuportável e incômodo, perdendo uma fração de seu autocontrole quase sempre tão estável.

— Então é pior do que pensei… — a kunoichi murmurou, agradecendo por estar escuro. — Você apenas não... quer fazer amor comigo.

Um silêncio breve e estranho veio, a Uchiha quase chamou por ele, mas mordeu a bochecha por dentro, contendo-se, havia sido direta demais? Uma hesitação do rapaz teve sua participação e logo depois surgiu um resmungo.

Há coisas que ele gostaria de manter para si mesmo.

— … tolice. Isso tem menos sentido ainda.

As bochechas de Sakura esquentaram, ela mordeu um pedaço do lençol, sufocando um risinho de satisfação. Isto era o mais próximo que chegaram de uma conversa que envolvia parte física do relacionamento. Sasuke nunca insinuou qualquer coisa perto disso, embora de algum modo – talvez na forma como ele a encarava em alguns momentos e, também, naquela certa intensidade que mencionara – ela soubesse que ele não era de fato frio e indiferente.

Não satisfeita, contudo, Sakura persistiu.

— Sendo assim, com o que você está chateado?

Deu de ombros.

— Nada em particular. Você está cansada, eu também, se te faz ficar calada eu assumo que a culpa é minha.

Sakura ouviu em silêncio e bocejou. Oh, ele não ia dizer nem sob decreto do Hokage.

— Sasuke-kun, não tem problema se só dormirmos?

Sasuke sorriu laconicamente.

— Não.

Não realmente. E, com sorte, não muito.

Pressentiu a Uchiha se aproximar com o rosto e pairá-lo sobre o seu.

— Obrigada.

Ela errou por quilômetros a sua boca, vindo depositar um beijo acima do supercílio esquerdo do rapaz. Depois disto, a médica se aninhou a Sasuke e ficou quieta. Ele, que não reagiu perante a aproximação dela, ficou sem saber o que fazer com os braços ou com sua tentativa de ignorar algo muito macio pressionado contra o peito. Tentando não se mexer muito, uma mão apoiou a própria cabeça sob o travesseiro. A seguinte conformou-se em seguir caminho e circundar o que ele veio descobrir ser a cintura de Sakura.

Sasuke fechou os olhos. A respiração quentinha da kunoichi vinha em pequenas ondas atingindo a abertura no peito de seu yukata. Neste instante, a nostalgia lembrou ao shinobi que era no mínimo estranho dormir com outra pessoa, desde que era pequeno só o fizera ao lado de Itachi e, desde então, nunca mais compartilhou uma cama com ninguém. Menos ainda alguém que invadia tão sorrateiramente seu espaço pessoal.

Os minutos seguiram-se, possivelmente Sakura já havia adormecido, confiante de que ele nunca lhe faria mal, desarmando-se de todos seus sentidos ninja. Pura em sua fé gratuita. Achegou-se mais na esposa sem notar, o perfume feminino foi tornando-se vago em sua consciência.

Em algum momento perdido de sua memória, também adormeceu.

E sonhou.

Sonhou que tocava o corpo dela, ela brincava com seu nome – Sasuke, não Sasuke-kun –, puxava seu cabelo, despia-se e dizia que o desejava, expondo sua própria vontade; ele a queria tanto ou mais.

No entanto, seu sono estava fadado a não durar muito mais que um par de horas. Tendo-o leve, percebeu Sakura se mexer em seus braços no meio da noite e se virar, o escuro imperava e o sol ainda demoraria algumas poucas voltas de ponteiro no relógio para vir à tona.

Ele tinha certeza que ela estava de costas para si. Dormitando friamente no lado oposto.

Em seu canto, o shinobi recuperou os fragmentos de um sonho que pensou ter tido, algumas imagens vieram, alguns sons. Sasuke. Ele não havia feito mais que tocá-la com a mão e olhar seu corpo. Quão perto da realidade isso seria? Especialista em ilusões, sim, mas agora ele não tinha o poder da distinção. Era quase doloroso. O rapaz balançou a cabeça. Não estava nem um pouco tentado a fazer com que o evento da terma se repetisse.

Sasuke fechou os olhos, portanto, deitando-se de barriga para cima. Regularizou sua respiração e meditou. Pensou em calmaria, isso ajudaria, uma caminhada... cabelo rosa, vento, "Sasuke", árvores, costas nuas, grãos de cevada, um ombro exposto. Era inútil.

Arh — gemeu inconformado. Podia sentir seu sangue concentrar-se para baixo em leves pulsações.

Levou a mão ao rosto, apertando o indicador entre as sobrancelhas. Bastou alguns minutos para Sasuke desistir do plano inicial. Para sua lástima, sua força de vontade não era infinita e sua tentativa de dormir de novo provou-se ser estupidamente inútil.

Quase sorrateiro demais, esticou uma mão e encontrou Sakura ali, não estava muitos centímetros longe. Uma ideia lhe veio à mente quando sentiu os cabelos dela nos dedos, mas a rechaçou. Talvez ele devesse sair dali e dar uma volta pelas varandas do ryokan? O quarto pareceu ficar quente e o Uchiha mais incomodado.

A centelha voltou mais forte e irritante, embaralhando seus pensamentos.

Foi com a relutância de um ninja que Sasuke se aproximou da esposa adormecida e cedeu àquele disparate. Sua mente gritava claramente não. Céus, isso não fazia dele um tipo de aproveitador? Tentou não pensar, a tentativa valeu como desculpa para o impulso que tomou no ato seguinte ao virar-se na cama e enlaçar a cintura da médica como antes, embora agora cauteloso, encaixando o próprio quadril ao dela.

O tecido do yukata, feito de material fino, quase parecia inexistir. Uma pulsação mais forte veio e o ex-nukenin arfou. Pressionou de leve e o suficiente aquela parte dolorosa de seu corpo na carne macia de sua esposa, resistindo ao desejo de deslizar a mão cravada na cintura e levá-la até lá, puxando-a para ele – no entanto, não se pode abusar da percepção de uma kunoichi, principalmente levando em conta as suas intenções.

Sujas.

Aquele pingo de calor era preciso, uma necessidade primitiva forte demais para ser suprimida por sua sensatez, justificava, moldando-se a ela com os mínimos movimentos, quase nenhum perceptível. Quem sabe conseguisse pregar o olho até de manhã só por causa do alívio que começava a sentir agora.

Sakura resmungou em sonhos, remexeu-se e quase o matou quando o fez, pressionando seu corpo, mas não ela chegou a acordar. Ele deveria simplesmente imitá-la e adormecer.

Pessoalmente, não dormir e ficar fantasiando com a kunoichi não seria um bom caminho – e não é que sua atual atitude fosse boa. Mentalmente ele xingou, o que demônios ele poderia fazer? Aquela companhia e aquele afeto de antes não eram as únicas coisas suficientes, embora, no passado, o Uchiha se desse por satisfeito com elas, preservando-as em um jeito tétrico de cuidar.

Passou o nariz pela nuca da médica, um tempo depois em um contato sôfrego, sentindo-se inesperadamente relaxado e tranquilo, mesmo que seus pensamentos fervilhassem e fizessem sua cabeça doer. A antiga pureza de intenções não duraria muito tempo, mesmo antes o shinoibi precisou controlar um gesto vago ou outro. Mas ele não poderia decepcionar o clã Uchiha, o fato de ser o último pesava sobre os ombros por toda uma linhagem e História. Reconstruir a honra de sua família deveria começar desde as mínimas coisas
às maiores. Desde Sakura e ao respeito que tinha por ela.

Mas ver a mulher ao seu lado como o que ela realmente era, tento total liberdade para expressá-lo da forma que bem quisesse, era tão novo e complicado que conceitos como civilidade, tradição e uma rigorosa educação deixavam-no confuso.

Ocasionalmente, Sasuke confirmaria – nem sempre de um modo voluntário – o muito que passou a querer Sakura como mais do que a companhia que era, fazendo-o sentir essas coisas intimidantes e surpreendentes pela força contida na novidade que era tudo aquilo. Ela não tinha uma beleza casual, mesmo que ele sempre tenha se dado conta, era assustador como o afetava de sobremaneira nos últimos tempos e quase insuportavelmente nas últimas horas.

Um perigo real em todos os pecados – tanto os dele, quanto os dela.

Então, banhado em arrogância e buscando entender o significado de tudo aquilo, admitiria em segredo que estava um pouco mais apaixonado.

#

O Ryokan Heisui possuía tão grande excelência em manter o silêncio que Sasuke, ao acordar, não soube dizer se ainda era noite ou dia. Notou que a segunda opção era a correta quando abriu os olhos. Estava com os braços esticados displicentemente sobre o futon e seu yukata mostrou-se mais aberto que o ideal. Lembrou-se, então, do quão porcamente amarrou o obi na noite anterior. De novo.

Girou a cabeça sobre o travesseiro, procurando a presença de Sakura, mas, como imaginou, estava sozinho ali. Lançou um olhar para a porta do banheiro, que se encontrava fechada, mas pequenos sons de objetos e uma musiquinha cantada escapavam dela em mínimas notas. Esfregou os olhos; ao menos, a localização da kunoichi já era de seu conhecimento.

O rapaz espreguiçou-se, sentou-se e olhou ao redor. Não fazia ideia de que horas eram, mas já devia ser mais tarde do que ele usualmente acordava, passando das oito. Havia, também, um leve vazio em seu estômago. Fome. Tirou o lençol de cima do corpo, ajeitou o obi e preparou-se para se levantar quando o canto de seus olhos capturou uma cor chamativa no chão, perto do futon, e o fez parar.

Uma peça de roupa.

Feminina e preta.

Encarou-a.

E Sasuke pegou-a com as pontas dos dedos como se fosse venenosa, erguendo-a na frente dos olhos, arqueando a sobrancelha. Um pequeno laço vermelho numa alça, rendas nas bordas, um tipo estranho de fecho. Céus, ele estava mesmo vivendo com uma mulher. Já vira a peça, mas nunca chegou sequer perto de uma. Estava sendo testado. Esse era o estilo de Sakura? Ele não iria imaginá-la vestindo aquilo. Não iria. Com certeza, não.

Levantou-se com o sutiã na mão, ficando perto da porta do banheiro. Percebeu que Sakura falava sozinha.

Não posso ter deixado cair, sem chance.

Sasuke rolou os olhos e bateu à porta com os nós de dois dedos.

— Sasuke-kun?

— É.

O shinobi percebeu a Uchiha hesitar e se mexer lá dentro, algo caiu no chão.

— Eu... estou indo! — Sakura exclamou, destrancando a porta e olhando para ele com curiosidade, apertando a abertura de cima do roupão que usava. Seu cabelo rosado estava enrolado numa toalha branca e do banheiro vinha um cheiro de banho recém-tomado. — Bom dia. Precisa de algo?

Eu não — ele respondeu-a ironicamente, erguendo com o indicador a peça íntima na altura dos olhos da jovem.

Teria sido interessante gravar o rosto em pânico de Sakura quando ela soltou um guincho assustado e agarrou o sutiã de suas mãos sem dar-lhe chances de dizer algo, fechando a porta do banheiro mais que depressa. Na sua cara. Surpreso, Sasuke olhou para a porta fechada por alguns segundos e esperou ao lado de fora, resmungando sozinho. Que jeito mais estranho de começar o dia.

Estava acostumado com um amanhecer monótono, sempre sem o mínimo ruído enquanto ele preparava o próprio café da manhã. Entretanto, com Sakura tudo caminhava para o entusiasmo, o barulho e o luminoso. Surpreendeu-se sobre o quão fácil parecia ser se habituar com isso. Antes mesmo do namoro, pensava egoistamente que sua rotina seria bagunçada, contudo, com o tempo, era mais como se fosse... compartilhá-la com ela.

O clique da porta voltou a soar.

— Desculpe, Sasuke-kun. Dormiu bem? Pessoalmente, fazia tempo que eu não dormia assim.

Ele não a respondeu. A noite dela foi uma maravilha enquanto a dele um inferno. Reconfortante. Sasuke fez uma careta discreta. Nunca poderia classificar suas horas passadas como uma boa noite de sono. Em si mesmo, ele havia decidido esquecê-las, enterrá-las. Tivera seus curtos momentos razoáveis, mas não convinham como motivo suficiente para recordar de tal capítulo.

— Eu preciso usar o banheiro. — O Uchiha virou-se para a jovem.

A kunoichi assentiu, entrando no local novamente e tirando de lá o yukata que retirara junto com a roupa íntima que usara. O sutiã preto recolhido pelo marido já se encontrava em seu corpo; peça, aliás, que Sasuke não podia ter visto! Pelo menos não ainda. Era uma de suas opções de conjunto que ela deveria usar – segundo Ino, a todo custo – em sua primeira noite com ele.

"Constrangedor…"

Após o shinobi entrar no banheiro, Sakura sentiu-se à vontade para ficar sozinha com seus devaneios. Em verdade, sentia-se muito mais confiante desde que o shinobi lhe contara que a ideia de não fazer amor com ela inconcebível. Em retificação: nas palavras de Sasuke pensar assim era tolice. De toda forma, ouvir algo assim vindo dele era suficiente para fazê-la suspirar ansiosa, colecionando pensamentos pervertidos.

A médica começou a desenrolar a toalha do cabelo para penteá-los quando percebeu que havia deixado o pente no interior do banheiro. Sorte foi Sasuke abri-la em seguida, com uma escova de dente dentro da boca. O toalete estava ligeiramente abafado por causa do banho quente de Sakura de modo que, após ter usado o sanitário, deixou a porta aberta.

— Com licença, Sasuke-kun — a jovem pediu, entrando no banheiro. Sasuke se afastou para dá-la espaço, esfregando a escova de um lado para o outro. Viu Sakura remexer na pequena bolsinha que trouxera enquanto ele enxaguava a boca e cuspia água em seguida.

O banheiro era grande o suficiente para não se esfregarem um no outro, mas pequeno o bastante para fazê-los conscientes de que não estavam tão longe assim. Pensando em como aquela cena toda parecia anormalmente cotidiana, Sasuke deu a volta e enxugou o rosto numa toalha, Sakura encontrou o pente e sorriu. Antes de mexer nos cabelos, porém, virou-se para o Uchiha.

— Eu pedi o café da manhã antes de tomar banho. Não devem demorar — ela comentou animada, desfazendo a espécie de turbante na cabeça. A trancinha que Ino fizera havia sido desmanchada, fazendo com que a franja caísse em seus olhos.

Boa parte da umidade do cabelo havia sido sugada pela toalha, mas ainda possuía um aspecto molhado e leve. A atenção de Sasuke, é claro, não estava nesses detalhes específicos. Os fios que grudavam no pescoço e o aroma bom que ela transpirava pareciam mais gritantes.

De soslaio, Sakura percebeu ser observada. Ela sorriu.

— Que foi?

— Nada. — Um dar de ombros.

— Confesse: eu sou bonita, não sou?

— É uma presunçosa.

— Mas bonita, hmn?

Sakura vivia lhe azucrinando com isso, como se achasse divertido o modo como ele fugia de sua pergunta. Sasuke lhe respondia evasivo, incapaz de se expressar abertamente; contudo, ele nunca dissera nada diferente de uma resposta sarcástica, ainda que camuflada de um jeito ou outro.

— Você me pergunta isso mais vezes do que é saudável responder.

A garota soltou um muxoxo, erguendo o pente, mas parando-o no ar.

— Eu gosto de saber, oras.

— Não vou alimentar seu ego.

— Acho que eu não me importaria de ter meu ego inflado. Faz parte. — Sorriu, olhando para a própria aliança. O Uchiha franziu as sobrancelhas ao acompanhar o gesto, pensativo.

Sakura pegou uma mecha do cabelo e penteou-a, repetiu o gesto, e teria feito com o restante das madeixas se Sasuke não houvesse interrompido a tarefa segurando o pulso da kunoichi suavemente.

A jovem o olhou com curiosidade, querendo questioná-lo. Não conseguiu, embora tenha articulado a boca sem emitir um único som. Sua expressão foi nada mais que uma ação emudecida quando o Uchiha a puxou tão lentamente, aproximando e encarando-a; conduzindo-a a ficar entre a pia e a si mesmo.

— Sasuke-kun...

— Isso tudo é — o rapaz começou, olhando para a aliança na mão dela, erguida na altura do peito, repousando ambas as mãos no quadril de Sakura. A pele dela reagiu — ...novo.

E mal sei lidar com isso. Mas o shinobi não disse mais nada.

Ao menos, se ele fizesse alguma idiotice – e tinha quase certeza de que o faria –, Sakura saberia o motivo. Apesar de ser aclamado como um gênio e ter conhecido o mundo, havia tantas coisas a aprender, tanto que ele desconhecia. Não se trata apenas de dormir com ela, seria hipócrita se fosse. Abrange tudo, na realidade: a convivência, a divisão constante, a preocupação, os futuros problemas, construir uma família... a lista nunca terminava.

A responsabilidade de fazê-la feliz ainda pesava sobre os ombros. Às vezes, simplesmente parecia a coisa mais difícil do mundo zelar por alguém além de si próprio.

Pensou ter ouvido Sakura sussurrar "para mim também", mas Sasuke não pôde confirmar, seu pescoço foi envolvido por braços pequenos e sua nuca puxada. A médica ainda precisou colocar-se na ponta dos pés antes de beijá-lo em um toque suave e gentil, que veio e se foi rapidamente. O ex-vingador olhou-a sem se mover, demoradamente, os olhos salteando de uma íris verde à outra, e tornou-se, também, alvo vivo daquele jogo. Algo o impelindo a se aproximar, não o contrário.

Tão de perto, baixando os olhos até a boca da moça, Sasuke se precipitou para frente, tocou-a e moldou-se com suavidade. Uma ansiedade cresceu por dentro. Aquele tipo de beijo não seria suficiente agora e ambos tinham ciência disso.

Encurralando-a no balcão da pia, o Uchiha movimentou os lábios sobre os de Sakura, que reprimiu um sorriso miúdo. Pousou as mãos sobre as dele, ainda dominantes em seu quadril, deslizando pela extensão dos braços do rapaz, sobre o tecido do yukata. Parou apenas quando ele se afastou brevemente, encarando-a com os olhos semiabertos, pronto para começar uma vez mais.

— Sasuke-kun... — murmurou seu nome, cada sílaba carregada de vontades.

Sakura puxou-o pelos cabelos da nuca, compelido-o a continuar. Ela abraçou seus ombros e se apegou mais ao seu corpo. O shinobi fechou os olhos e encaixou os lábios nos dela, sendo imitado quase de imediato. Transformaram o pequeno roce num beijo sem erros, caminhando para algo impetuoso e beirando à impaciência.

A boca do Uchiha estava refrescante e tinha um leve sabor de hortelã na língua. O corpo de Sakura tornou-se cada vez mais próximo e quente; traçando trilhas nos cabelos do shinobi com os dedos. Mal podiam respirar. As pernas da médica encontraram alguma dificuldade para se manterem estáveis, apoiando-se como podia, amarrotando o tecido do yukata do ex-vingador com a mão, quando o próprio mantinha as suas no mesmo lugar.

Ao experimentar morder o lábio inferior, Sasuke distanciou o rosto da esposa, aproximando a testa da dela em seguida, respirava ofegante e tenso. Suas mãos apertaram a cintura e quadril de Sakura, firmando-se, ela fez uma expressão interrogativa, mas o Uchiha não se explicou, certificando-se apenas de que ela não escorregaria.

No fim, um pequeno impulso fora suficiente para erguê-la e sentá-la sobre o tampo de mármore da pia. A mulher arregalou os olhos e, mais uma vez, Sasuke desenhou os lábios sobre o dela, afastando os joelhos da kunoichi, que vacilou um segundo antes de ceder e relaxar os músculos, envergonhada; o shinobi ocupou o espaço livre entre as pernas penduradas sem nem pensar no assunto, envolvendo as costas da Uchiha com uma mão e com a outra o pescoço delicado.

Ela suspirou sob o beijo e Sasuke abandonou sua boca um pouco depois, cruzando o olhar com Sakura tempo suficiente para afastar o cabelo úmido e cravar-se no pescoço desde a orelha. Era um local especialmente bom de tocar e... podia ser só sua impressão, mas a médica sempre parecia ficar cada vez menos inquieta.

A Uchiha fechou os olhos e sentiu os dedos dele fixarem-se no meio da coxa, exposta pela fenda causada no yukata. Ele não ousou mais. Uma voz no interior dela pedia para que o fizesse.

Sakura baixou as mãos, agarrando-o na cintura; o rapaz, em oposição, mudou os planos e levou as suas até os ombros dela. Lentamente, puxou as mangas do roupão para baixo em ambos os lados. A pele de Sakura aqueceu-se e se arrepiou numa dualidade estranha enquanto os dedos dele percorreram por sua tez, em contato direto, de novo e de novo, e ali permaneceram.

Os antebraços dela impediram que o tecido descesse mais que um pouco e Sasuke estava ocupado demais para notar: deixando uma suave mordida no ombro, indo em seguida para o outro lado do pescoço após um beijo breve, lambeu algumas vezes, chupou uma. A boca entreaberta da kunoichi deixou escapar um gemido tímido e prendeu os lábios para aprisionar qualquer outro que fugisse do controle.

Ainda apoiando as mãos na cintura do Uchiha, Sakura o puxou mais para perto, fazendo-o se inclinar sobre ela e a pia, tentando aproximá-lo como podia. Desejou usar as pernas e enlaçá-lo, mas não o fez. Quis ela mesma tocá-lo como Sasuke fazia consigo, no entanto, estava tão intenso, um milhão de sensações inexploradas acontecendo – e, Deus, só o fato de algo estar, realmente, acontecendo já parecia grandioso demais – que a kunoichi não se sentia tentada a atrapalhá-lo. Permitir-se-ia ser um pouquinho egoísta.

Induzida pelo toque do Uchiha, Sakura girou a cabeça e encontrou a porta escancarada do banheiro. Mais a frente estava a da entrada do quarto, fechada. A médica logo desviou a atenção daquilo.

Porém, algo externo incomodou sua mente no momento em que seu marido colocou as mãos no cinto de seu roupão, naturalmente numa tentativa de desamarrá-lo. Ela voltou o olhar para a porta e gelou.

— Sa-Sasuke-kun — ela tentou chamá-lo, mas Sasuke não se afastou —, o café da manhã… eles… destrancada…

Um único terrível pensamento pairava sobre ela: as pessoas do hotel poderiam abrir a qualquer momento com as bandejas... e teriam um belo e constrangedor flagra – e a garota não saberia dizer para qual dos dois envolvidos o fardo da vergonha pesaria mais. Mesmo assim, quase se distraiu quando Sasuke arrastou a boca por sua pele, subindo e pairando-a sobre a dela. Sakura ouviu atentamente e tremeu quando uma mentira dançou por sua língua:

— Não tenho fome. — E, em seguida, ele esticou a mão e empurrou a porta para fechá-la.

Mas, no instante momento, no meio do beijo que acabara de começar e a tragara por inteiro, o ex-vingador foi delatado friamente por seu organismo traidor.

Grooin.

Tch.

— … Pffz.

Sakura começou a rir de mansinho, impossibilitando o contato das duas bocas. Sasuke franziu as sobrancelhas e esperou. Céus, vergonhoso. A médica ainda levou segundos numa gargalhada progressiva e alta, fechando os olhos e inclinando a cabeça sobre seu ombro.

— Isso foi sua barriga roncando? Não pensei que viveria para ouvir isso, Sasuke-kun!

#Continua


[Revisado em Dezembro/2017] Não consegui criar onomatopeia melhor (e a japonesa pra isso é muito feia). Sasuke deu uma encoxada na Sakura. E juro que fiquei com vergonha naquela cena, de forma que não dei nenhum detalhe profundo sobre o que ele realmente fez (ah, sim, porque ele fez). Entendedores entenderão. Até logo.

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Comentários (um beijo especial para Vivi, minha leitora mais doida e para Tia Cellinha, que morreu. Beijo para todo mundo, na verdade, sem ciúmes):

Mel Itaik: Felicidade é ler esse comentário. Eu me esforço para trazer algo legal para vocês lerem (e eu também, claro)! Nem te conto quantas vezes eu refaço as ações e falas desses dois para deixá-los mais dentro do mangá que eu consigo. É bom saber que o trabalho vale a pena. Muito obrigada por comentar sempre e me animar!

Guest: Aaaaah, sete dias não é tanto tempo assim, leitora! ehuehuehue

Shooter: Ok, tudo bem sete dias são dolorosos. Adoro pessoas sinceras! É a melhor coisa do mundo, não se preocupe com nada. Eu aprecio. Pois é, o mangá acabou e eu continuo querendo e querendo esses dois como você. heuheuhe, acredite, é uma ótima oportunidade poder escrever essa história também e de fato demora muito para ser produzida (sim, estou me sentindo o último ovo no ninho). Eu imagino que a curiosidade seja uma inimiga, mas toda semana eu estarei aqui com toda certeza. :D Muito obrigada por comentar mesmo não sendo seu costume, saber que você existe e que tem gostado da história já me dá um gás enorme para escrever, então fique despreocupada. Votou bem, Idate ganhou. Eu secretamente estava torcendo por ele exatamente por ele ser galanteador e abusado. Beijo!

Janab: ehuehueh, mulher, se for mais frequente que isso eu vou ter um colapso. Ocupa todo meu tempo livre, mas se eu pudesse eu adoraria postar mais rápido! Na pesquisa quem ganhou foi o Idate, mas foi por pouquinho. Espero que goste desse capítulo também, muito obrigada por sempre comentar!