Olá, pessoal. Primeiramente quero agradecer a todos os leitores que resolveram me dar uma chance, e dizer que fiquei muito feliz e motivada pelos tão doces elogios presentes nos reviews.

Eu queria esperar o retorno de todos os leitores para poder postar o terceiro capítulo, porque eu geralmente espero um tempo para saber se todos vão comentar antes de ter certeza que vou postar. Porém, irei já adiantando este, já que é curtinho (mais ou menos) e provavelmente vou demorar um bocadinho para escrever o próximo e é claro que irei justificar.

Estou apertadíssima com meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na escola Técnica na qual estudo, e se eu não agilizar, estarei complemente fodida! E não é no bom sentido! Além do mais, irei fazer o ENEM e descobri hj tbm que o vestibular da facul que quero entrar será pouco depois do ENEM e terei que me descolar até a cidade para fazer a prova (sim amigos, irei fazer o ENEM e o Vestibular. Em algum deles tenho que passar). Então vou ter que dar uma estacionadinha nas fics por um tempinho.

Não vou sumir, estarei aqui todos os dias para checar de alguém deu ou respondeu algum review, e sempre que eu tiver um tempinho, irei escrever um bocadinho. Porém tenho 3 fics, duas só no Nyah! E tenho que atualizar mais uma, então Sophie vai ficar pelo menos umas 2 semanas sem atualizar, no mínimo.

Perdoem-me pelo texto ENORME. Eu sou uma tagarela mesmo. Bom, vamos ao capítulo, não é? Espero que não tenha ficado exageradamente meloso, que não tenha soado falso. Se ficou, não se acanhem para dizerem o que acham que pode ser melhorado nos reviews.

Boa Leitura.

xxx

Jensen entrou lentamente em sua casa, segurando o bebê-conforto cor-de-rosa onde repousava uma graciosa menininha com apenas 20 dias de vida. O loiro trancou a porta da frente fazendo o mínimo de ruído possível, para não acordá-la, e subiu cuidadosamente a escadaria que levava até seu quarto. Ele poderia levá-la até o quarto dela e repousá-la delicadamente dentro do berço, mas queria olhar para a garota, ficar pertinho dela, e ao mesmo tempo estar no conforto de sua cama.

Ackles se lembrava muito bem da sensação que teve quando seu pai lhe passou a oportunidade de poder adotar uma filha ainda muito pequena, ser o primeiro na fila de espera para a adoção. O loiro nem queria ouvir todos os prós e contras do pai a respeito daquela decisão, quis aceitar logo de imediato, porque para ele não importava se a garota seria branca, negra, asiática ou deficiente. Ora, se quando uma mãe espera um filho no ventre não sabe em quais condições sua cria irá vir ao mundo, por que então ele iria ficar escolhendo como se fosse um cachorrinho num pet-shop?

Logo vieram as visitas da assistente social, um pouco de burocracia, mas nada longo ou preocupante demais, já que Jensen foi o primeiro a querer adotá-la, e ainda tinha Beaver como diretor do orfanato. E, assim que foi liberada a guarda para o loiro, a família toda se reuniu para preparar a casa para a chegada do novo membro.

Depois de uma longa discussão, Roger conseguiu convencer o filho a deixá-lo pagar tudo o que fosse necessário para a chegada de sua neta: pintura do quarto, berço, decoração, brinquedos... O mais novo argumentava que seu pai poderia sim, dar uma ajuda, mas pagar tudo era um extremo absurdo, porém Roger era tão teimoso quanto o filho, e acabou por convencê-lo.

Donna e Mackenzie o ajudaram animadamente a escolher o que lhe seria necessário. No começo ele achou que era apenas escolher o que precisava, só que cor-de-rosa. Maldito engano. Donna fez aquele "ritual" três vezes, era experiente; sabia que um produto antes de bonito teria que ter qualidade, e isso nem sempre significava ser o mais caro. Já a mais nova tinha uma filosofia parecida com a sua, porém pior, pois, além de apontar para tudo o que era rosa, fazia questão de escolher o mais "fofo", "meigo", "chique", e todos os adjetivos de embrulhar o estômago. O loiro com certeza se lembraria de não deixar a filha tempo demais perto da tia, ou acabaria tendo uma patricinha em casa.

Mas o mais emocionante foi ver toda a família reunida para ajudá-lo a colocar todos aqueles apetrechos dentro de sua casa. Ele e o pai montaram o berço, as estantes e o guarda-roupa; a mãe e a irmã organizaram todos os brinquedos, ursinhos e roupas nos móveis depois de prontos. Além, é claro, de Jensen receber um telefonema de Joshua, parabenizando-o pela notícia, e a promessa de que viria a Irving no primeiro feriado prolongado daquele mês para conhecer a sobrinha.

Aquilo fez o loiro refletir bastante. Podiam ter tido seus problemas, todos tinham defeitos praticamente insuportáveis, mas, pelo menos, eram muito unidos. Definitivamente, tinha a melhor família do mundo. Uma família que sempre, mais do que respeitar, apoiava suas escolhas, e isso o deixou aliviado. Sua filha iria crescer em um ambiente cercado de amor e união.

E agora finalmente tinha a menina em casa, junto dele. Como era inédita aquela sensação!

Ackles depositou o bebê-conforto em sua cama de casal e se deitou ao lado, observando o rostinho adormecido que fazia as mais diversas caretas de tempos em tempos, indicando que estava sonhando. Era a face mais linda e angelical que Jensen havia visto em toda a sua vida, e, em sua humilde opinião, não estava exagerando nem um pouco.

A menininha soltou alguns gemidinhos baixos e abriu lentamente os olhos, revelando duas íris intensamente azuis que encontraram de imediato com os orbes de cor verde-esmeralda de Jensen, fazendo-o sorrir ao ver que a pequena o encarava com nítida curiosidade.

– Olá! – ele disse com a voz doce, chamando ainda mais a atenção da menina, que parecia reconhecê-lo. – Seja bem-vinda, meu anjinho! Estamos finalmente em casa!

O loiro acariciou a barriguinha da pequena com a mão, e o bebê segurou com força seu dedo indicador, logo soltando um sorriso espontâneo e sacudindo as perninhas, mas não demasiadamente, já que era novinha demais para tal.

– Parece que temos alguém contente por aqui. – Ackles declarou num tom que ficava cada vez mais derretido. – Tão injusto que tenham te deixado num orfanato... Mas saiba que o fato de sua mãe ter te deixado lá não significa que não é amada. Não sabemos os motivos dela, certo? O que importa é que de hoje em diante eu sou seu pai, e te amo muito, mais do que tudo no mundo. – e acariciou bem de leve a mãozinha que segurava seu indicador. – Muitos dizem que não existe amor à primeira vista, que é impossível amar alguém logo na primeira vez que você olha em seus olhos. Eu mesmo cheguei a pensar assim... E você me provou que eu estava errado.

O bebê parecia prestar atenção em tudo o que Jensen dizia, e, por um momento, ele pôde jurar que ela estava entendendo. O loiro aproximou-se devagar e depositou um leve beijo no topo da cabeça da filha. Em seguida, tirou-a cuidadosamente do bebê-conforto e a ajeitou em seu colo, sacudindo-a lentamente. Ao olhar novamente para os olhos da menina que não parava de encará-lo, não soube exatamente o motivo, mas lembrou-se de um momento em específico. E, mesmo que Ackles não gostasse muito de lembrar, ele sabia muito bem o porquê de coincidir com o melhor momento de sua vida.

[...]

Era um dia tempestuoso, e Jensen, com seus 18 anos, estava deitado em sua cama, com a cabeça afundada no travesseiro para abafar o soluçar descontrolado do choro que o loiro não conseguia conter. Parecia coisa de filme, mas a chuva parecia que havia sido projetada exatamente para aquele momento que ele estava vivendo; como naqueles filmes de romance que ele sempre achava exagerados. Aquele frio estava tomando conta de seu quarto, fazendo piorar cada vez mais a situação.

Simplesmente não podia continuar daquele jeito.

Ackles levantou-se e pegou seu walkman, que estava ao lado da televisão de 20 polegadas que tinha no aposento. Logo em seguida, abaixou-se, abriu a porta de vidro do armarinho que sustentava a TV, e pegou um CD aleatoriamente, tirando o objeto com indiferença da capa e colocando para tocar. Logo em seguida, deitou-se na cama e ligou o walkman, passando por todas as faixas sem nem mesmo permitir que os primeiros acordes de alguma música soassem, até que parasse na última. E essa ele permitiu que tocasse, sem nenhum motivo aparente. Afinal, não estava fazendo absolutamente nada coerente mesmo.

Ao ouvir o início da melodia, Jensen ficou estático. Conhecia aquela música, mas não esperava que seria ela a tocar. Ao ouvir os primeiros versos na voz macia, compreensiva e sincera de Michael Jackson, o loiro sentiu um arrepio percorrer-lhe o corpo, fazendo-o prestar total atenção na letra, e, o que mais impressionou, era que a música dizia exatamente o que ele precisava ouvir.

Se escutasse da boca de qualquer pessoa, não daria o menor crédito, mas aquela era uma canção. E, por mais que grandes artistas produzissem as melhores, isso de nada importa, pois o que brilha é a canção e não o artista.

[...]

Ackles voltou para sua atual realidade, sorriu, e olhou para o bebê que o encarava de forma doce, ninando a garota com mais ternura e cantando aquela melodia em sua voz rouca, mas amorosa:

Smile

(Sorria)

Though your heart is aching

(Ainda que seu coração esteja doendo)

Smile

(Sorria)

Even though it's breaking

(Mesmo que ele esteja partido)

When there are clouds in the sky

(Enquanto houver nuvens no céu)

You'll get by

(Você sobreviverá)

If you smile

(Se você sorrir)

With your fear and sorrow

(Com seu medo e tristeza)

Smile and maybe tomorrow

(Sorria e talvez amanhã)

You'll find that life is still worthwhile

(Você descobrirá que a vida ainda vale à pena)

If you just...

(Se você apenas...)

Jensen não conseguiu esconder o sorriso ao ver as pálpebras de sua filha pesarem ao som de sua voz, e isso o fez continuar com um pouco mais de entusiasmo, mas sem perder o carinho em momento algum, certificando-se de que ela estava segura em seus braços:

Light up your face with gladness

(Ilumine seu rosto com alegria)

Hide every trace of sadness

(Esconda todo traço de tristeza)

Although a tear may be ever so near

(Embora uma lágrima possa estar tão perto)

A menina fechou os olhos, entregando-se lentamente ao sono, mas Ackles fez questão de terminar a última estrofe, para que, enquanto ela adormecia, ainda pudesse ouvi-lo cantando...

That's the time you must keep on trying

(Esta é a hora de você continuar tentando)

Smile

(Sorria)

What's the use of crying?

(Para que serve o choro?)

You'll find that life is still worthwhile

(Você descobrirá que a vida ainda vale à pena)

If you just...

(Se você apenas...)

Smile

(Sorrir)

Mesmo não marcando um momento feliz de sua vida, aquela foi a canção que o fez enxugar as lágrimas, lavar o rosto e descer as escadas, buscando superar aquela fase ruim de sua vida; buscando reagir, de alguma maneira. Ao cantá-la para a filha, ele corrigiu o erro de associar a música a um momento triste, tornando-a, naquele instante, a mais doce lembrança que o loiro teria por toda sua vida.

O loiro cuidadosamente retirou um dos braços no auxílio de segurá-la, e o usou para se apoiar melhor na cama e se levantar com cautela. Depois que o fez, voltou a mantê-la em ambos os braços, andando em direção ao berço cor-de-rosa que parecia gritar pela presença da mais nova moradora daquela casa.

Ackles a colocou com o máximo de cuidado possível no berço, retirando os braços um pouco hesitante ao ouvir a pequenina soltar alguns gemidinhos de protesto, como se percebesse sua falta. Mas ela logo voltou a adormecer, retomando a pesada respiração de quem dorme se sentindo segura, protegida.

Jensen ligou a babá eletrônica e se dirigiu lentamente à saída do quarto, lançando um último olhar para a menina antes de desligar a luz e fechar a porta.

– Espero sempre ser o suficiente para te fazer sorrir... Minha amada Sophie.