" Então ela disse que só... " Aioria calou-se ao ver a figura adentrando o salão.

Em alguns poucos segundos de confusão, os outros cavaleiros seguiram o olhar surpreso do leonino, mirando a entrada do recinto de refeições. Ban e Jack eram os mais estarrecidos: como já conheciam o companheiro de Fênix, nunca em suas vidas poderiam acreditar que o "troglodita" seria capaz de estar com uma criança. Quer dizer, a imagem era simplesmente surreal, eles sabiam que Ikki chegara ao Santuário, mas aquele bebê era algo inusitado que os confundiu demais, afinal, aquilo não era o que esperavam, como alguém que está caminhando calmamente e vê um gato pulando à sua frente: ela não esperava pelo gato, então, ao vê-lo, ela não entende nos primeiros momento o que está havendo.

" Será que é tão difícil assim acreditar que eu tenho um filho? " suspirou, empurrando o carrinho salão à dentro.

Foi parar ao lado de Saori, que estava à ponta da grande mesa, sentando-se na cadeira ao lado.

" O que é isso? " Milo perguntou, curioso .

" É um bebê, Milo de Escorpião. " Fênix respondeu cético, ajeitando o menino que não parava de se mexer.

" O que isso significa, Saori? " foi a vez de Saga.

A jovem mirou seus cavaleiros, desde que os revivera ao término da batalha contra Poseidon tornara-se amiga daqueles jovens que davam suas vidas por ela e pela paz na Terra. Apenas desejava tê-los ressuscitado antes, porém com tantos desafios e lutas ficara sem tempo algum para reunir forças e despertá-los, somente efetuando-o depois da última guerra, contra o rei dos mares, a partir da qual, não se manifestaram novas lutas, para seu alívio. Entretanto, aquela sensação de que ainda faltava algo, de que ainda tinham um desafio por vir não a abandonava. Balançou a cabeça, afastando tais pensamentos e sorriu:

" Meus cavaleiros, o que tenho a dizer é que o 'acompanhante' de Ikki de Fênix era seu pequeno filho. Creio que todos aqui já o conheçam." Procurou com os olhos as namoradas de alguns dos guerreiros, lembrando que elas já os namoravam na época em que Ikki ainda freqüentava o Santuário.

" Mas... Ikki? " Jabu estava sem entender coisa alguma, era demais para ele crer naquela história.

" Esmeralda e eu tivemos um filho, entretanto ela faleceu e eu estou agora a cuidar dele." explicou-se rapidamente.

Fizeram um segundo impensado de silêncio, tentando não serem desagradáveis com a perda do outro.

" Que gracinha! Ikki, deixe-me vê-lo. " pediu Valentina. Gostava do jovem de cabelos azuis, tanto que era com ela que ele melhor se dava quando lá ele ficava.

Assentiu com a cabeça, tirando o bebê do carrinho e passando-o para Kamus, que estava sentado ao seu lado. Kamus segurou o pequeno de mal jeito, sem saber o que fazer. Shun olhou o homem com uma carinha de estranhamento, enfiando o dedinho na boca.

" Como ele se chama? " o ariano sorriu.

" Shun. O nome dele é Shun. "

Kamus passou o bebê para Shaka, ao seu lado, que conseguiu segurá-lo mais comodamente, uma vez que já tinha pegado o jeito por causa de Liz, que tomava seu café-da-manhã na mesa das crianças. Shun pareceu gostar do longos cabelos do loiro, tanto que segurou uma mecha em sua mãozinha gorda e levou-a à boca. Shaka abriu os olhos, levado pelo susto.

" Shun! " a voz autoritária de Ikki fez-se ouvir e parece que surtiu efeito, pois o garoto voltou-lhe a cabecinha, tirando o cabelo da boca.

Shaka passou-o para Marisa, também ao seu lado, antes que todos seus fios claros terminassem empapuçados de baba de criança. Marisa ficou receada de o mesmo acontecer com seu precioso e sedoso cabelo, o que a levou a deixá-lo um tanto quanto afastado de si e passá-lo logo para seu namorado, ao seu lado. Shura sorriu ao pegá-lo e admirá-lo, pois ao contrário de Marisa, ele tinha fortes instintos paternos. Talvez estes tenham sido adquiridos depois de saber que a pequena nenenzinha a qual quase matara ser a deusa Athena, ou talvez sempre os tivesse, apenas não tivera muitas chances de demonstrá-los antes. Mesmo assim, os pequenos que treinavam para serem cavaleiros gostavam muito do tio de Capricórnio, que vivia a brincar com eles... Isso quando os pestinhas não davam de atrapalhar demais, pois aí seu sangue espanhol não contribuía em muito...

" Que belo garotão! " passou-o para Afrodite que estava ao seu lado.

" Oh, como é belo! " exclamou. Não gostava muito de crianças, mas aquele ali era muito lindinho, quem sabe não poderia torná-lo alguém fino e elegante como ele?

E assim o menino foi passando de mão em mão, sem fazer drama algum, ao contrário, estava gostando de ser o centro das atenções, rodando por todos os ocupantes da mesa. Sentiu-se muito confortável nos braços do taurino brincalhão que dispensou-lhe caretas bem engraçadas, fazendo-o rir um bocado. Mesmo os que não gostavam ou não tinham habilidades com crianças simpatizaram-se com Shun, ele era a mais nova atração do Santuário. Quando Mu o embalou, ficou completamente relaxado, quase dormira, mas a vontade de apertar os "pontinhos" na testa do jovem foi mais forte. Já com Shina, atual namorada do lobo, ele divertiu-se bastante com o cabelo da mesma cor que o seu e com Marin puderam notar como ela seria uma boa mãe. Já com Hyoga, o neném desatou a chorar sem motivo algum.

" Ah... Er... Tome, Seiya! " tratou de dá-lo para Seiya, que estava ao seu lado e à outra ponta de Saori.

O japonezinho o acalmou em dois tempos, passando-o para a namorada, que o devolveu ao seu pai.

" Como não temos nenhuma maternidade aqui no Santuário, apenas a escolhinha para os menores, Ikki não precisará participar de todos os treinos e, assim, poderá cuidar melhor de Shun. Mas tenho certeza de que todos vocês vão ajudá-lo nessa tarefa. " lançou um olhar mais que intimidador para seus cavaleiros " E, Ikki, pode contar com o que quiser, é só pedir. Como você sabe, os cavaleiros ganham um pequeno salário extra por prestarem pequenos serviços, como encanador, cozinheiro, enfermeiro ou qualquer coisa que nós daqui precisemos, portanto, tenho certeza que acharemos algo adequado para você, sem que precise deixar o menino sozinho. Depois acertaremos todos os detalhes."

Ikki apenas acenou com a cabeça. Durante o café inteiro Shun foi a sensação, além de seu jovem pai, ao qual os amigos cobravam histórias de quando esteve fora. Terminada a refeição, Saori e Ikki acertaram o que faltava, do tipo como funcionava a lavanderia, as compras no mercado, as saídas dos cavaleiros e a entrada de conhecidos, entre outros. Por fim, foram ao shopping para comprar as roupinhas e brinquedos para Shun. Além do Fênix, Saori foi também, a bem da verdade porque estava completamente derretida com a situação, como a maioria das mulheres, e Seiya, que se recusava a deixá-la sozinha.

Assim que chegaram ao estabelecimento, Pégasus parou frente à uma vitrine de jogos eletrônicos, de uns tempos para cá dera para gostar dessas coisas.

" Seiya, quer ficar aí enquanto nós vemos os acessórios para o Shun? " perguntou Saori suavemente.

" Ahn? " voltou o olhar para a namorada " Não, eu vou com vocês. "

Riu internamente, aquele moreninho era muito ciumento e protetor, pois sabia muito bem que ele temia em deixá-la e algum intruso tentar machucá-la. Também, depois de tantos inimigos que tentaram matá-la, não era para menos.

Chegaram à maior loja daquele shopping de itens para bebês. Esta era toda decorada com motivos infantis, próximas ao teto haviam prateleiras com grandes bichos de pelúcia, seus tons eram amarelos e branco e as seções eram bem dividas por sexo e diferença de produtos. Sentiram-se 'perdidos' dentro daquele universo fascinante: não que isto fosse a coisa mais interessante para adultos, mas todos eles ficavam nostalgiados ao verem tantas coisas dedicadas à crianças, já que praticamente não tiveram uma boa infância. Até mesmo Saori, que apesar de sua riqueza, nunca tivera o verdadeiro amor de uma família comum, até seu avô morrera quando ainda era muito nova.

" Aonde vamos primeiro? " Seiya quis saber.

" Que tal começarmos pelas roupas? " a jovem propôs.

Ikki balançou a cabeça afirmativamente.

" Ele é um bebê quietinho. "

" Haha, você é que pensa, Saori! Este aqui é terrível, não consegue ficar no carrinho, só quer colo. " olhou seu filhote, que se remexia inquieto " Acho que está tão distraído com as novidades desse últimos dias que ainda não teve tempo de fazer birra, hehe. "

Ao localizarem a diversa variedade de vestimentas, Saori bem que teve vontade de comprar todas, se não fosse Ikki para negar-lhe. A cada uma que chegavam à conclusão que deveriam comprar, o papai dava-a na mãozinha do menino que a apertava, mordia e só então sorria ou então fazia careta feia, de quem não gosta, chegando a algumas vezes espirrar devido o tecido. Seiya é quem vinha com as hipóteses mais bizarras, como roupinha de marinheiro e ainda queria que ficassem com a boina do conjunto. Na soma total, deram-se: cinco regatinhas, três camisetas, seis bermudas, três calças de moletom, dois macacões, quatro pijaminhas e cinco agasalhos. A maioria era estampada com coisinhas fofas, como animaizinhos, e em cores suaves e apenas algumas eram lisas e de cores fortes.

Após, foram para a seção de calçados, onde Saori pirou novamente. Queria um de cada modelo e Ikki, que custara muito a convencer-se de levar todas aquelas roupas, lamentou-se por não ter ido sozinho. Sim, era realmente verdade que homens não são chegados muito lá a compras. Por fim, compraram três sapatinhos, quatro sandálias e um minúsculo sapato social, para os diversos eventos que ocorriam no Santuário. Então prosseguiram para a ala de brinquedos e, dessa vez, quem surtou foi Shun.

" Nhiii... " balançava-se no carrinho, esticando os bracinhos para frente, numa indicação de que queria agarrar os brinquedos.

" Nãooo, Shun. "

" Deixe, Ikki, não tem problema. " Saori sorriu, pegando um polvo amarelo e mostrando-o ao bebê, que o adorou " Quer levar esse, quer? " falava abobalhada.

" Ihh, estes anos todos de convivência com Seiya te deixaram infantil, Saori. " o moreno debochou, uma vez que somente em raras oportunidades vira a amiga assim.

Saori se recompôs, envergonhada, mas isso não a impediu de continuar com a babação que fizera até agora. Então, depois de um longo tempo e extrema paciência dos dois rapazes, escolheram mais uns quinze brinquedos, além de objetos para decorar seu quarto, como tapetes, abajur, cortinas coloridas entre outros. O mais incrível era ver aqueles dois brutamontes segurando sacolas até embaixo do braço, ou então a fila que se formava atrás daqueles três que esperavam o caixa cobrar todas as compras. Após efetuarem a compra, passaram numa farmacinha e ainda levaram mais uma chupeta e mamadeira, fraldas, cotonetes.

Ao que passavam pela praça de alimentação, para irem embora, deram com uma banca de sorvetes e afins. Shun arregalou os olhinhos e firmou as mãozinhas no balcão, brecando Ikki que o empurrava.

" Larga daí, Shu. "

" Uhnn... Nee, titi... "

" Vamos, Shun. " deu um jeito de mexer-se e avançar.

Entretanto, o neném pareceu não gostar muito da atitude, desabando num choro.

" Uhhnnnn! Unhééééé! "

" Calma, Shu. O que você quer? Quer sorvete? " perguntou Saori, como se ele pudesse realmente compreendê-la.

Ikki o pegou no colo e o colocou na direção da sorveteria, na qual o atendente abriu um sorriso ao ver que seu cliente era aquele ser pequenininho.

" Você quer, filho? " Shun pareceu se animar, parando com o choro e esticando os bracinhos no seu gesto tão característico " Tá bem. Do que você quer? "

O jovem atendente de cabelo castanho claro mostrou para o bebê um caderninho vermelho com as fotos dos possíveis pedidos.

" Temos estes aqui. "

Shun debruçou o rostinho sobre o menu e ficou a passar os dedinhos sobre ele, até que parou num sandae e começou a bater a mãozinha lá.

" Ne! Ne! Ne! "

" Quer este? Um sandae de morango, sem nozes. "

" Sim, senhor. " virou-se e preparou o pedido " Aqui. "

Ikki deixou-o sobre o balcão e devolveu Shun ao carrinho, pagando-o em seguida. Seiya e Saori pediram uma taça de sabor uva, que dividiram romanticamente. Claro que Saori teve que dar a direta, uma vez que Seiya era um tanto desligado para essas coisas. Foram para uma mesa e sentaram-se, Ikki tentando não prestar atenção no casal à sua frente. Assim pôde dar de comer para o menino, que ao mesmo tempo em que sorria, babava o sorvete. Era por esses e outros motivos que Ikki sempre levava junto a flanela com a qual limpava as lambanças do filho.

Admirou seu pequeno filhote, ele era tão perfeito, tão puro, tão lindo. Encheu-se de orgulho ao vê-lo feliz e saudável, desejando somente coisas boas para seu futuro. Queria poder não planejar, já planejara tanto com Esmeralda para no fim se ver frustado, que não queria fazer o mesmo com o filho, mas não podia. Era impossível ver aquele serzinho e não querer imaginá-lo dando seus primeiros passos, entrando pra escolinha, se formando, conseguindo seu primeiro emprego... Se pudesse teria seu futuro todo traçado e sabia que disto já não tinha as rédeas, mas apenas imaginar não custava nada. No fundo, o que mais gostaria é que fosse saudável e feliz, sempre. Só tinha uma coisa que não queria e não permitiria: que ele se tornasse um cavaleiro. Ele vivera na pele o sacrifício de ser um, podia até deixar que ele treinasse com os outros, mas deixar que ele sofresse, se machucasse e não tivesse uma vida normal, isso nunca.

oOoOoOo

Máscara da Morte ia debaixo do sol quente pegar o caminho da casa de Áries e subir para a sua. Pretendia tomar um bom banho, para tirar o suor do corpo que acumulara durante o treino, e depois ir almoçar. Estava quase à frente da casa de Mu quando sentiu um suave toque em seu ombro. Virou-se, surpreso.

" Com licença, senhor. " a jovenzinha sorriu.

Fitou a garota à sua frente: tinha o cabelo azul claro da cor de Afrodite, liso e com uma franja falsa, ultrapassando um pouco os ombros, os olhos grandes num rosa bem claro, igual à boca coberta por um gloss de um tom até mais claro ainda; vestia uma bata branca com diminutos babadinhos nas mangas curtas e na barra, usava um saia de tecido fino que parava há pouco do joelho e era azul um pouco mais escuro que seus fios, com desenhos de peixinhos vermelhos e dourados bordados, calçando uma sandália rasteira com um pequeno salto, em tom canela, se não mais claro. Trazia às mãos, juntas à altura da cintura, alguns livros grossos e em seu cabelo, uma delicada bandana branca cheia de bordados prendia-se no modelo romântico. Tinha o sorriso amistoso e ingênuo:

" O senhor poderia me informar aonde fica a enfermaria? " sua voz era doce e calma.

" Por que gostaria? "

" Bem, havia uma proposta de emprego de meio período para enfermaria e eu fui contratada. Bem, eu deveria começar hoje, mas ainda não sei onde ficam as coisas aqui. "

Máscara da Morte analisou-a, não parecia mentir ou ser perigosa, mas devia ser muito nova para ocupar o cargo. Mas de nada adiantava ela estar lá se Saori estava passeando no shopping. Nisso, lembrou-se do filho de Ikki, ficara desconfortável ao ter de segurar a criança para passá-la à Nachi, que estava ao seu lado. Todavia, não pode deixar de sentir uma estranha sensação, como se quisesse aquilo, como se gostasse de ter o bebê em seus braços, algo parecido com um instinto paterno. Mas negou-se mentalmente, não adiantava ficar imaginado-se com um filho, pois sabia que não o teria. Quer dizer... No fundo, ele não poderia afirmar que era impossível ter um filho, apenas o achava difícil demais no seu caso, até porque não seria um bom pai. E justamente o que desejava em seu íntimo e tentava esconder de si mesmo era a enorme vontade de poder provar, não aos outros, mas a si próprio que seria um bom pai, um bom esposo. Só queria uma chance... Mas não era bom sonhar com isso, chances assim não vinham a ele.Vendo o silêncio do homem, achou que o incomodara por falar demais, corando:

" Perdão, devo estar te atrapalhando. "

"Hn. Venha, eu te levo à enfermaria, depois você conversa com a Saori. " falou, seguindo outro caminho.

A jovem sorriu, acompanhando-o.

" Então, como o senhor se chama? "

" Máscara da Morte. " respondeu, seco.

Arregalou os olhos, assustada, pois para se ter um apelido assim... Mas ele não parecia ser mal e sim um homem sério. Talvez até amargurado. Não devia ficar tirando conclusões precipitadas ou julgar as pessoas sem conhecê-las.

" Eu sou Flora. Prazer em conhecê-lo, senhor Máscara da Morte. "

Estranhou ela não ter se assustado com seu 'nome' e seu jeitão, a maioria das pessoas tremia só de vê-lo.

" Então, o senhor também trabalha aqui no Santuário? "

" Mais que isso garota, sou um cavaleiro de ouro. "

" Um senhor Cavaleiro? " perguntou, surpresa e alegre " E qual constelação o senhor protege? "

" A de Câncer. "

" Câncer? Nossa, o senhor deve ser muito forte. "

Não entendia o entusiasmo da jovem, não com um ser tão desprezível como ele. Havia já um tempo em que não se sentia mais o mesmo cavaleiro orgulhoso e prepotente de antes. Na verdade, agora achava-se um sujeito mesquinho e sem valores, afinal, se até a sua armadura o abandonara uma vez, não deveria mesmo ser lá essas coisas. Estava cansado de ser como era, desde cedo aprendera a ser forte e insensível, para se defender do mundo e daquela estranha vida, mas agora, agora não via mais sentindo nisso. Só queria sentir-se mais leve, ao invés de sentir como se tivesse pedras sobre os ombros, queria... Ao menos poder ter aquele sentimento tão bom que seus amigos chamavam de amor. Mas não conseguia, não ele.

" É aqui. " parou frente à casa que lhes servia de enfermaria.

" Ah, muito obrigada, senhor cavaleiro. " sorriu gentilmente.

" Hn. " virou-se de costas, pronto para ir, quando a escutou falar-lhe " O que foi? "

" Como faço para falar com a senhorita Kido? "

" Quando a encontrar, lhe aviso que tem uma garota querendo lhe falar. "

" Muito obrigada mesmo, senhor. " sorriu sinceramente, aquele homem apesar de rude parecia ser muito bom.

" Até. " virou-se novamente, distanciando-se dela.

" Obrigada! Até mais ver, senhor Máscara da Morte! " acenava-lhe, mesmo que este não a visse mais.

Suspirou, entrando na casa, esperava encontrar mais pessoas como aquele homem naquele lugar no qual pretendia trabalhar.

oOoOoOo

Fechou os olhos, pousando as mãos sobre as pernas descrusadas. Tentava manter-se calmo, mas diante de tanto silêncio, não conseguiu conter os pensamentos, voltando há lembranças das quais gostaria de se esquecer. Sempre dizia a Hyoga que se quisesse ser realmente forte, não deveria se apegar a sentimentos. Talvez fosse verdade, se ele não tivesse amado, talvez nunca tivesse sofrido, se decepcionado. Só que não tivera como resistir àquele sentimento quente e pulsante dentro de si. E por isso se entregara àquela garota mais velha, aquela doce menina que tanto amara.

Lembrou-se de quando ainda treinava para ser um cavaleiro. Na vila perto do lugar onde treinava, fizera amizade com apenas uma garotinha, Soraya. Fôra meio complicado no começo, ele nunca fôra do tipo falante, mas com o correr das coisas, acabaram se apegando de uma grande amizade. A menininha era dois anos mais velhas, ainda que não parecesse, tinha longas madeixas loiras que terminavam em grandes cachos, os olhos roxos extremamente vivos, quase puxando para o vinho, um narizinho arrebitado como de uma boneca. Quando se descobriram apaixonados, faltava pouco para Kamus regressar ao Santuário. E ele não queria aceitar que estava amando e que dentro em breve teria de renunciar a este sentimento por um bem maior. Porém, não pôde conter aquela sensação e se deixou amar e ser amado. De corpo e alma. Depois de uma noite fria, onde só aquele quarto era quente, um ato se consumiu. E suas conseqüências também.

Pouco se passou, mas de forma abrupta ela lhe foi tirada: sem que soubesse, sua família mudou-se de supetão para outro lugar, do qual ele nunca soube, levando-a junto. Na época não entendera, era muito jovem, mas uma raiva sem tamanho, achando-se traído pela única que amara, apossou-se de seu jovem coração. E, assim, dedicou-se a aprender a não amar, nunca mais, para não ter que sofrer novamente. Tanto que tornara-se a pessoa fria que era para os outros. Entretanto, havia uma chama naquela geleira que despertara nos últimos anos, algo que ele até então desconhecera e, mesmo que esta chama lhe causasse muitos problemas e confusões, adorava saber que ela existia. E esta chama só cabe às famílias, como ele, que agora tinha uma.

Balançou a cabeça ao ouvir o barulho da porta batendo. Abrindo os olhos, encarou a figura à sua frente. O menino vestia uma jaqueta preta com listras brancas nos braços, por cima de uma camisa vinho e calça jeans azul escuro, demarcando ainda mais o corpo magro, além de uma munhequera preta no pulso esquerdo, segurando um caderno e um estojo nas mãos.

" Por que não foi à aula, Sean? "

" Mas, eu fui... "

" Não minta, sua professora já me avisou que você anda cabulando aula. "

" E daí? "

" E daí? " levantou-se, ficando de frente para o seu filho " Como 'e daí'? "

" E daí? Qual é a importância, você nem liga! "

" Não me importo? Pois bem, então vá já para seu quarto, que é lá onde você vai passar as próximas semanas. "

O menino mirou-lhe os olhos roxos vivos cheios de ódio e andou pisando duro até metade do cômodo e, antes de chegar ao seu quarto, voltou-se para seu pai.

" Droga! Você me abandonou durante anos e agora acha que pode mandar em mim! " gritou, entrando no quarto e batendo a porta com força.

Kamus costumava ser calmo e tolerante, mas o garoto tinha uma capacidade incrível para tirar-lhe de seu normal. Ainda mais quando falava coisas como aquela, não o abandonara de propósito. Foi até o quarto de Sean, já irritado, entrando sem nem bater e o encontrou jogado sobre a cama. Segurou-o pelo braço e o puxou para cima, obrigando-o a sentar-se. O menino o olhou assustado, mas mesmo assim tentando esconder e mostrar-lhe apenas uma falsa coragem que criara.

" Você sabe muito bem que eu não sabia que tinha um filho. "

" Ah, não, você era um valeiro de Athena todo poderoso, que combatia os mais terríveis inimigos e não sabia que tinha um filho. " zombou, repleto de ironia.

" Sean, não seja injusto. Acha que se eu soubesse não teria te trazido há mais tempo? Eu já te expliquei várias vezes que sua mãe foi embora sem ao menos falar comigo, não fazia idéia de que ela estava grávida. "

" Hun-hun, e você também nunca soube que ela morreu, não é? "

" Sean... " viu as lágrimas embaçando a visão do filho, que tentava se fazer de forte. Sentou-se na cama, puxando-o para si e amansando a fala " Não, eu não sabia. Também não sabia que seus avós morreram junto com a sua mãe naquele acidente. " entristeceu-se ao falar da morte de Soraya, a única que amara " Não gosto de imaginar o que você passou no orfanato, nem com a morte deles. Acha mesmo que eu gostaria de te ver lá por tanto tempo se já soubesse de você antes? "

" Tanto faz. Me deixa sozinho. " virou o rosto para o lado.

Olhou seu filho, gostaria que ele o entendesse, que o compreendesse. Como é que ele ia saber que a família de sua amada mudara assim tão de repente porque descobriram que ela estava grávida de alguém que lutava desde criança para se tornar um guerreiro? Por mais que lutasse pela salvação do mundo, não deixava de ser um guerreiro, um assassino. E muitas pessoas não gostavam, pior, o temiam. Para elas, ele era como um monstro. E assim o era para a família da pequena Soraya. Que a tiraram da cidade, impediram-na de falar com seu grande amor, pai de seu filho, e criaram o menino até seus seis anos, antes de morrerem num acidente de carro e ele ser mandado para um orfanato. Orfanato no qual ele viveu até os dez anos, passando por altos e muitos baixos, até seu pai descobrir sua existência e levá-lo para morar com ele no Santuário.

Levantou-se, saindo do quarto e fechando a porta suavemente. Sentindo o peito consumir-se em dor e tristeza, por ter odiado sua amada que nunca teve culpa de qualquer coisa, por ter sido tão burro a ponto de não procurá-la mais, não sabendo assim de seu filho, pela sua morte, pelo sofrimento de Sean, por não ter sido útil às duas pessoas que mais precisavam de si.

Continua...

oOoOoOo

Hyaaa! Essa semana eu tava inspirada porque eu fui numa inauguração dotra ala do clube e aí tava lotado de crianças fofinhas:D Só que isso surtiu um efeito negativo: como eu ainda não tinha planejado o que escrever nesse cap., não sabia o que por depois da parte que o Ikki e o Shun deixavam de aparecer e como daquele jeito ia ficar muito curtinhu e encher de baboseira ia ficar sem sentido, eu acabei adiantando alguns fatos. Tipo, a Flora não era pra ter aparecido aqui, e só lá pelo cap. 4 ou 5. Hehe, mas td bem, eu adorei do jeito que ficou:P E isso porque eu falei que ia tentar fazer o tempo passar mais rápido, heh. v

E aí? Gostaram do Sean? Hehe, ele era de outra fic minha, aí eu migrei ele pra cá. Huahua, soh que originalmente ele tinha 16 e não 12. Ah, por falar nisso, fazendo que o Kiki tinha na base dos 8 no anime, ele agora tah entre 13 e 14. Mas isso só na base, porque eu não sei quantos ele tem realmente. E, qnt ao Kamus engravidar uma mulher 2 anos mais velho, foi o seguinte: tipo, o Shura no anime tah com 10 e jah tem a armadura, mas seguindo uma lógica, eles deveriam ter treinado muito mais para se tornarem douradinhos (por isso que eu prefiro a versão de que o Shura tem 13 na verdade), e como os de bronze treinaram durante 6 anos, eles devem ter feito mais que isso, non? Bem, se nisso eu tiver certa, na minha fic o Kamus tava com 14 e ela com 16. Eu sei que é bem pouqinho, mas foi o máximo que eu consegui espichar, se não ele não teria os 26 de agora. Mas isso soh se eu tiver certa.

Mas como eu to morrendo de pressa, as notas finais vão ficar pequenas, certo? Ah, e por isso, to sem tempo de revisar, então perdoe os errinhos básicos que por ventura aí estão.

Shun: Isso mesmo, finalmente cê não vai aloprar com a gente!

Pime: Su é o que você pensa, queridinho.

Shun: o.Õ

Pime "risada maléfica": Hehehe!

Shun: Ai meu deus! O que foi?

Pime: Hehehehe!

Shun: Han?

Pime: Hehehehe

Shun: Ihh, esse negócio não tem fim...

Momento interativo da fic: piadinha do dia:

Por que o Shaka atravessou a rua?

Porque ele queria chegar do outro lado!

Kyakyakyakya:DD

Shun: Nem falo nada. ¬¬

Reviews, please

Matta ne! Tchauzinhu, gente!

09/05