Capítulo Dois – Irritação

Já era de manhã, quando a kunoichi bruscamente acordou. Havia barulhos vindos do outro lado de sua porta, batidas rápidas e fracas na madeira do portal. Após abrir os olhos e balançar de leve a cabeça, a garota se levantou, amaldiçoando quem quer que estivesse do outro lado da porta. Esquecendo-se que usava apenas um pijama e ainda meio cambaleante, ela girou a maçaneta, abrindo apenas uma fresta, para depois espiar quem ali estava. A garota ficou surpresa, era alguém que ela não imaginaria estar ali, principalmente tão cedo.

...

Shikamaru havia deitado cedo naquela noite e dormido rapidamente. Não queria nem pensar no quão problemático seria explicar à garota o que acontecera momentos antes. Porém, para sua infelicidade, recebera um recado de que deveria acordar extremamente cedo – por volta das sete horas –, para ser levado por algum ninja ao lugar onde seria feita a tal festa. Ao acordar com o barulho irritante de seu despertador, parou por alguns segundos, lembrando-se do por que ainda mantinha os olhos abertos. Desativou o alarme, soltando um longo suspiro, e se encaminhou para o armário onde ficavam suas roupas cotidianas.

– SHIKAMARU! – a voz forte de sua mãe ressoou pelo aposento – Venha logo, ele já chegou.

"Tsh, quem será? Precisavam vir tão cedo, afinal...?

Um tanto mal humorado, ele acabou de se vestir apressadamente, prendendo os cabelos no já conhecido penteado, uma espécie de rabo de cavalo para cima. Saiu com o passo arrastado do quarto, com as mãos nos bolsos da calça.

– Yare, yare... Já estou aqui... – falou com a voz lenta, soltando um grave bocejo logo após.

– Oe, Oe, Shikamaru! Como consegue dormir tanto, 'tte bayo? Vamos logo, o Kakashi-sensei estará nos esperando lá, com aquela garota de Suna...

O coração do garoto palpitou de maneira desconfortável e ele parou de ouvir. Garota de Suna? Obviamente, só poderia ser ela. Então, veriam-se novamente assim, tão cedo? Ele nem tivera tempo de pensar no que dizer a ela. Supondo que a jovem o deixasse falar, é claro. Apesar de seus receios, não pôde deixar de sentir uma agitação no estômago... Sua problemática fazia falta, afinal de contas.

– E depois, vamos ter que arrumar tudo! Vai ser muito bom! Imagina só, vários caras fortes de Suna, esperando por uma luta e... Shikamaru, está me ouvindo? – Naruto olhava com irritação para o outro, seus olhos azuis flamejando.

– Ahn? Ah, é, isso vai ser um saco... – o ninja suspirou novamente, mas falhou ao tentar esconder a agitação em sua voz.

– Ei, ei... Me diz uma coisa? Você e aquela garota... Estão saindo? – o loiro lhe lançou um olhar maldoso, com um sorriso infantil brincando nos lábios.

Shikamaru hesitou. Deveria abrir o jogo, dizer que sim e que não era nada demais? Se bem que... Era melhor conversar com Temari antes de tomar essa atitude, por que talvez... Talvez ela nem o quisesse mais. Esse pensamento fez com que o coração do shinobi sentisse uma repentina pontada de dor, a qual se propagou até rosto.

– Oe, foi brincadeira, sabe? Não precisa ficar bravo... – voltou a falar o portador da Kyuubi, com uma expressão assustada. Nunca vira seu amigo daquela maneira.

O ninja das sombras balançou a cabeça negativamente.

– Não é nada disso. Eu... Não estou saindo com ela. Enfim, não tínhamos que ir? – ele tratou de colocar na face sua expressão entediada, para tranquilizar ao outro, o que de fato funcionou.

– Claro, claro, vamos logo. Já sabe onde vai ser? – Naruto simplesmente não conseguia se manter calado.

– No centro de Konoha, imagino... Numa das ruas principais. – o garoto deduziu rapidamente, enquanto se punha a andar para fora de sua casa.

– Aham, exatamente. Pelo que a baa-chan disse, vamos ter várias barracas de comida! – ele exclamou, parecendo encantado com a idéia.

– Uau... – retrucou o garoto, com um sarcasmo pronunciado – Será que podemos ir mais rápido? Feh, quero acabar logo com isso.

– É pressa para ver a namorada, haha! – brincou o garoto das orbes azuladas, logo voltando a falar mais seriamente – Claro, vamos acelerar. Tente me acompanhar, 'tte bayo!

"Cara, como ele pode ser tão empolgado? Apesar de que melhorou nesses últimos anos...".

Com este pensamento em mente, Shikamaru acelerou o passo, seguindo Naruto, em sua lateral. Logo, ambos percorriam os telhados de Konoha, saindo das propriedades do clã Nara e ganhando distância dentro da cidade, tentando chegar ao local o mais rápido que pudessem...

...

– Olá, Temari-san! – com um sorriso simpático, um ninja de cabelos prateados a encarava pela fresta da porta, educadamente curioso.

– Hm? Ah, olá, Kakashi. O que faz por aqui tão cedo? – seu tom era um tanto ácido, demonstrando seu desagrado.

– Não sabe? – o homem se inclinou levemente para frente – Tenho que a acompanhar até o local onde deverá fiscalizar o andamento do evento. – resumiu, com um toque de tédio mesclando-se à sua voz.

Temari ponderou durante alguns segundos, o sono ainda lhe atrapalhando. Após se lembrar sobre o que ele falava, irritou-se ao perceber que não fora avisada da vinda dele. Ainda sem abrir totalmente a porta, ela se endireitou e disse, num tom de voz forte:

– Certo, mas... Eu não fui avisada de sua vinda, então espere aí fora enquanto me troco. – ao concluir a fala, pensou ter visto um resquício de malícia no olhar do ninja, que já descia para esperá-la no saguão do hotel, quando ela parou para olhar melhor.

"Esse tarado maldito... Não sei o que tem nesses homens de Konoha e...".

Sua mente rapidamente divagou até Shikamaru. A garota corou, ao se lembrar que apesar da aparência, seu amante não tinha nada de passivo em outros quesitos. Logo após, um gosto amargo veio à sua boca, quando ela se lembrou do que acontecera na noite anterior. Balançando novamente a cabeça, a kunoichi foi trocar de roupa, optando por trocar o kimono habitual por uma saia curta e preta, com uma faixa vermelha escura – a qual tinha longas pontas, que chegavam até o fim da parte traseira das coxas da garota –, amarrada firmemente à sua cintura. Na parte de cima, trajava uma blusa de um roxo muito escuro, quase preto, com mangas curtas e um decote em v. Após isso, colocou a pochete com suas armas na cintura e o leque em suas costas, além da rede em sua panturrilha. Por fim, prendeu seus cabelos em quatro marias-chiquinhas e amarrou a bandana a testa.

Quando chegou ao saguão, não se surpreendeu ao ver o ninja copiador encostado na parede, com seu pequeno livro de capa verde aberto e sendo segurado apenas por uma mão. Não precisou anunciar sua presença, pois assim que pisou próximo a ele, o outro fechou o livro, desviando o olhar deste para a garota. Pareceu agradavelmente surpreso, ao ver as vestes curtas que essa trajava, mas nada disse sobre isso.

– Então está pronta, certo? Siga-me, não é longe daqui. – disse ele, e disparou porta a fora, certamente ansioso para acabar logo com aquilo e retomar sua leitura.

...

– É aqui, Shikamaru! Vamos descer! – gritou o loiro, já se precipitando para a rua logo abaixo deles.

– Yare, yare... Só tem algumas barracas aqui, por que tive que vir? – ele falou, enquanto lançava um rápido olhar para o lugar e notava que o motivo principal de seu interesse ainda não estava ali.

O "esqueleto" do evento já estava montado. As madeiras que sustentariam as barracas já estavam em formação e algumas até cobertas por panos coloridos ou sem cor alguma. No início da rua, porém, havia uma grande faixa, mantida no alto por duas hastes também de madeira, com os seguintes dizeres:

"SEJAM BEM-VINDOS AO FESTIVAL DE CONFRATERNIZAÇÃO KONOHA-SUNA!".

Essas palavras estavam escritas em letras garrafais e de um verde escuro. Fincada ao chão, havia uma placa que restringia a entrada de não-autorizados. Nos tetos das casas, havia fios nos quais seriam colocadas luzes e algumas bandeirolas no todo dos mesmos. Um tanto festivo, um tanto chato, na visão de Shikamaru. O garoto soltou um longo suspirou, aquilo seria, definitivamente, um saco.

– Oe, Kakashi-sensei! – Naruto acenava alegremente para alguém que chegava, acompanhado de uma outra figura, a qual só poderia ser...

– Ora, ora. O Nara acordado tão cedo? Impressionante... – Temari usou o tom mais debochado que possuía ao se dirigir ao garoto, com sua voz um tanto alta, devido a certa distância que os separava.

O ninja aguardou a aproximação deles para que pudesse responder. Quando ela entrou perfeitamente em seu foco, porém, ele perdeu a linha de pensamento. A garota estava linda! Trocara as vestes de antes, um tanto conservadoras, por aquelas mais provocantes, que lembravam vagamente as que ela usava anos atrás. Sentiu a área das bochechas quente, estaria corado?

– Shikamaru... ? O que há com você? – Naruto o encarava, agora parecendo seriamente preocupado. Kakashi apenas sorria misteriosamente, por baixo da máscara que sempre usava.

– Feh, não é nada. É só essa problemática que fica me enchendo o saco. – resmungou, com o pior humor possível. Toda a expectativa de encontrá-la se derretera, ao ver que o humor dela não melhorara.

– Certo, então. Deixaremos vocês sozinhos. Vamos, Naruto, você tem que ver a Hokage agora. – disse ele, e deu uma discreta piscadela para Shikamaru, antes de sair correndo.

– Até mais, casalzinho! – debochou o loiro, e saiu atrás de Kakashi.

Um silêncio desagradável tomou conta do local. Como haviam chegado àquele ponto? Ambos olhavam para o chão, sem coragem de se encarar. O comentário do Naruto os deixara envergonhados, um lembrete de que, bem ou mal, ainda estavam juntos.

Shikamaru foi o primeiro a tomar uma ação, algo peculiar, considerando sua personalidade. Mas era sempre assim perto dela. Ele enfiou as mãos nos bolsos e, ligeiramente curvado, pôs-se a olhar o local novamente.

– Então, acha que está bom o suficiente para os "padrões de Suna"? – disse ele, com uma ponta de sarcasmo em sua voz.

Temari demorou alguns segundos para reagir, tentando achar uma resposta para a provocação. Colocou as costas das mãos na cintura e, com um meio sorriso, respondeu:

– Para os níveis de Konoha, está até razoável. Porém, acabamos de começar, não há muito para se ver. Afinal, o que temos de fazer aqui? – queria apenas sair dali, a companhia dele estava a sufocando.

– Pelo que sei, devemos aguardar a equipe que está montando e monitorá-los, sugerindo e etc... Vai ser um saco. – o garoto fechou os olhos alguns segundos, sonolento.

– Dessa vez, sou obrigada a concordar. Vai ser um saco, ainda mais com você aqui... – ela disse, soltando um longo suspiro, suas palavras eram ambíguas. Não que ele a irritasse, mas era insuportável ficar perto dele sem tocá-lo.

Ele não disse nada. Era melhor ignorar o mau humor da garota. Quando acabassem aquilo tudo, provavelmente no horário do almoço, o ninja iria conversar com ela e esclarecer aquela história de uma vez.

– Shikamaru-sama? – uma voz fina chamou, logo atrás deles.

Ao se virarem, constataram sem surpresa que o grupo finalmente chegara. Eram cerca de vinte pessoas, todas trajando kimonos brancos e com expressões curiosas. A pessoa que falara primeiro era uma bela garota, com o longo cabelo castanho pendendo solto até suas costas. Ela fitava Shikamaru com uma expressão próxima a reverência, seus olhos azulados não desviavam um segundo do rosto do garoto. O fato foi notado por Temari, que sentiu uma onda de irritação percorrer todo seu corpo. Então era assim que as garotas o viam? Para seu alívio, porém, ele não parecia se afetar pela beleza da garota. Seu tom era de puro tédio quando voltou a falar, para que todos o ouvissem:

– Bem, é bom que tenham chego. Já sabem o que tem de fazer, então não se demorem. Essa daqui é Sabaku No Temari, irmã do Kazekage e jounin de Suna. Qualquer dúvida, é só perguntar a ela ou a mim. Podem começar.

A garota morena lançou a ele um olhar ressentido por ter sido ignorada. Logo, as pessoas de branco estavam espalhadas por todo o local, montando mais barracas, instalando luzes e enfeitando a rua. Ao perceber que tudo corria bem, o garoto simplesmente sentou-se no chão, encostando as costas na parede de uma casa simplória.

"Que missão mais estúpida... Não vejo sentido em um Chunnin estar a cargo disso. Acho que é por causa da problemática. Mas por que diabos o Gaara tinha de mandá-la?".

Temari, que estivera calada até ali, resolveu se pôr em movimento. Estava impressionada com o modo que o outro falara. Fora surpreendente vê-lo em ação como comandante. Por algum motivo, queria provar que era melhor que ele naquilo, portanto se empenhou em dar ordens, sendo prontamente obedecida. Era um trabalho enfadonho, mas sabia por que estava ali. Gaara apenas queria a ajudar, dar uma oportunidade para que se vissem, agora que não tinha missões importantes. Sabia que logo se ausentaria por um longo tempo, em alguma missão de fato importante. Porém, de nada adiantara, por que ele... Ele estava a traindo! Com este pensamento, uma onda de raiva lambeu suas entranhas, provocando-lhe pensamentos irrefreáveis. Desde quando aquilo acontecia? Existiriam outras? Aquela morena mesmo... Era realmente bonita e sem dúvida parecia apaixonada por ele. Nesse momento, a razão voltou a ela na forma da voz de um garoto, aparentando a mesma idade que ela.

– Temari-sama? Desculpe-me, mas... Acha que esse enfeite deve ser colocado no teto ou na barraca? – ele disse, sua voz era suave e duvidosa. O que a assustou, porém, é que ele ostentava o mesmo olhar de fascínio que vira na outra garota, para Shikamaru. O que havia com o povo dali, afinal?

– Na barraca, certamente estará melhor. – respondeu quase automaticamente, sentindo algo em suas costas. Virou-se rapidamente, apenas para encontrar o olhar astuto de seu parceiro, fuzilando o seu olhar.

Então ele sentia ciúme, depois do que havia feito? Aquela era a oportunidade perfeita para se vingar. Temari olhou mais atentamente o garoto. Era também razoavelmente bonito, com os cabelos muito negros e os olhos de mesma cor. A pele esbranquiçada era manchada por algumas sardas que cobriam suas bochechas e nariz. Era bonito, de fato... Mas não era o Shikamaru. Desviou-se desse pensamento, ou não conseguiria fazer o que pretendia. Ela abriu o melhor sorriso que possuía, descaracterizando-se totalmente. De costas para o membro do clã Nara, ela colocou as mãos na cintura e disse, numa voz mais alta que o necessário:

– Ou melhor, confio em sua escolha. Um garoto como você parece ter bom gosto. – ela piscou discretamente, fazendo o jovem corar de leve sob as sardas – Virá à festa?

Pareceu que o olhar de Shikamaru em suas costas se intensificou. Ela estava jogando sujo, não parecendo em nada com a garota de sempre. Mas não se importava com aquilo agora, aquilo era apenas uma vingança, não faria nada demais.

– Uhum, obrigado, Temari-sama! – o sardento abriu um grande sorriso, o fascínio em seu olhar apenas se intensificava – Virei sim, com certeza... – ele hesitou por um instante, para depois acrescentar – Você certamente estará aqui, não?

– Claro que estarei... – começou um tanto rudemente, o que fez o outro se retrair. Controlou-se por um segundo e voltou a falar, mais docemente – Afinal, não perderia uma festa com pessoas tão interessantes, heh. Bem, agora volte ao trabalho, ou vão dizer que eu o estou privilegiando. – concluiu, com outro sorriso.

O garoto pareceu desanimar, porém, voltou ao trabalho, sem tirar os olhos da jounin. Aquilo a incomodava, mas era conseqüência de sua própria infantilidade. Outros olhos que não saíam de si eram os de Shikamaru, obviamente reprovadores.

E assim eles passaram a maior parte do dia, comandando e resolvendo os ocasionais problemas que apareciam. Os "fãs" de Shikamaru e Temari apareciam sempre que podiam para lhes pedir opiniões, as quais ambos davam de má vontade. Por fim, quando o Sol já estava em pino e a maior parte das barracas coloridas montadas, as pessoas se uniram novamente, esperando novas ordens.

Shikamaru se levantou, porém, Temari foi mais rápida. Já em pé, ela começou a falar a, ela começou a falar antes que ele sequer abrisse a boca:

adas, as pessoas se uniram novamente, esperando novas ordens. ntes que ele sequer abrisse a boca:

– Bem, fizeram um bom trabalho por hoje. Podem ir almoçar, estão dispensados! – disse e, com isso, a multidão se dispersou. Por último, estavam a garota de olhos azuis e o garoto sardento.

Shikamaru se irritou mais que o necessário, claramente descontava pelo ciúme que sentia, quando disparou em direção a ela:

– Garota, quem você acha que é? Sou eu quem comanda essa parte aqui. – sua voz estava controlada, mas seus olhos aparentavam uma irritação rara.

Aquilo foi um baque para a controladora do vento. Como ele ousava falar com ela daquela maneira, depois de tudo que ele fizera? A raiva voltou com intensidade dobrada, quando ela replicou acidamente:

– Ponha-se em seu lugar, idiota. Você não é ninguém para me dizer o que fazer. Eu comando tanto quanto você. E até melhor. Os funcionários gostaram muito de mim, como parece ter reparado. – lançou a ele um olhar sarcástico, devido aos vários sentidos de sua frase.

– Reparei o quanto se ofereceu para eles. Não devia atrasar seu trabalho por esse tipo de coisa. – o outro retrucou, já se acalmando. Agora, desejava não ter dito nada.

– Mesmo? Você parece saber bem disso, já que misturou muito bem seu trabalho com relações amorosas, não?

– Temari... Seja razoável! Precisamos conversar sobre isso.

– Eu não tenho nada a falar com você. É apenas um idiota. – ela cuspiu a palavra, com um desprezo renovado. Aquela palavra que antes era quase um apelido carinhoso, agora era novamente uma ofensa.

O garoto não iria mais ficar discutindo. Seria inútil e chato. Ele segurou os braços da garota e a trouxe gentilmente para mais perto, até que ficassem muito próximos. Shikamaru a encarou com firmeza, sua respiração calma resvalava na face alva da jovem. Quando falou, usou um tom de voz baixo e calmo:

– Agora escute. Temari, como pode pensar que eu iria a trair? Será que não demonstrei o que sinto por você?

Ela balançou a cabeça de leve, incapaz de desviar o olhar dele. Sua voz saiu bem mais baixa do que a garota pretendia:

– A questão é o que você sente por ela...

– Será que não entende? Feh... Como é problemática... Temari... – seu olhar se intensificou – Eu...

– Oeeeeeee! Shiiikaaamaruuu! – uma voz feminina e estridente cortou a fala do garoto, fazendo com que eles se separassem com o susto.

– I-Ino? O que está fazendo aqui? – disse Shikamaru, cansado, já prevendo o que viria a seguir.

– Eu vim trazer seu almoço! Algum problema? – a loira olhou para os dois, rapidamente compreendendo – Temari, eu não...

Mas naquele momento, Temari já voltara a si. Uma espécie de fúria gélida se instalou na garota, que disse com uma voz gelada:

– Não precisa dizer nada, eu já entendi. Não vou mais atrapalhar. Até mais, Nara e Yamanaka.

Após concluir sua fala, a garota disparou para cima de um telhado, correndo a toda velocidade que possuía, controlando-se para não destruir nada.

– Shikamaru, eu... Droga, essa garota é uma idiota! Nem ao menos pára para ouvir... – Ino dizia, enquanto cruzava os braços, mas Shikamaru não estava mais ouvindo. Fitava tristemente o lugar onde Temari antes estava.

A garota bufou de impaciência, dizendo num tom irritado:

– Se é tão importante, vá atrás dela! Não sei o que vê nessa garota...

– Dá um tempo, Ino! Eu não vou atrás dela. – carrancudo, ele virou as costas e se encaminhou para a saída dali, pensando em dormir o maior tempo que pudesse.

A loira estava frustrada. Por que os dois eram tão teimosos? Aquilo não passava de uma besteira... E ela temia por Gaara. Deu de ombros e largou o almoço ali mesmo. Com um último pensamento, ela também partiu dali.

"Pelo jeito... Sou em quem vai ter que arrumar as coisas! Não deve ser tão difícil assim...".

Hey. õ/ Eu sei, podem me apedrejar, eu mereço. ;o;' Demorei DEMAIS para postar, mas espero que vocês ainda queiram ler. Mais conflitos entre nosso casal, Temari fazendo ciúme... Hoho, o que acontecerá no dia seguinte? Perdoem-me os erros, fiz na inspiração e às vezes eles passam desapercebidos. D:'

Obrigada a quem não desistiu da fic e quem comentou! E eu vou continuar sim, até o fim.

See ya' soon!