E aqui vai o terceiro capítulo, que foi escrito movido a jazz; em minha opinião, a melhor trilha sonora para quem deseja vingança... Nossa, Margarida, que coisa mais trágica e com um quê de revolta! Sim, minhas caras amigas, este será o tom dominante deste capítulo... A inspiração? Embora minha irmã tenha achado que se tratava de Kill Bill, ledo engano... A personagem que me inspirou na criação de Elizabeth é a que Natalie Portman interpreta no filme "V de Vingança" (muuuuito bom, pena que não lembre o nome dela agora!).
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CAPÍTULO III
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Espertos rondam o homem
Um tipo comum
Tesouro dos jornais
Sem limite algum
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O dia seguinte é sempre o pior de todos, embora alguns digam que depois de uma noite de choro e tempestade, venha o riso e o sol a brilhar pela manhã. Durante muito tempo, Elizabeth chegou a acreditar nisso. Hoje, sabe que não passa de uma bobagem contada às crianças para que elas acreditem que o mundo é cor de rosa, e cheio de pessoas sorridentes e muito felizes.
Os olhos negros estavam vermelhos e muito inchados de tanto chorar. Mas isso tinha ficado para trás.
A sua vingança poderia até ser tardia, mas nem por isso menos dolorosa para Máscara da Morte. Se ele sabia como ser cruel com suas vítimas ela saberia ser mil vezes pior com ele.
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-Cara, até que enfim! – gritava Edward de dentro do carro, estacionado em frente ao prédio onde Antoine morava – Tem noção de quanto tempo eu estou te esperando?
-Desculpa, eu não ouvi o despertador e acordei atrasado! – o rapaz respondeu, entrando no carro e jogando sua pasta e livros no banco de trás, ainda ajeitando os cabelos sobre seus ombros.
-Nossa, Antoine! O que você andou fazendo durante a noite?
-Por que pergunta?
-Por quê? Não se olhou no espelho antes de sair?
Virando o espelho retrovisor para o amigo, Edward apontou o rosto de Antoine. O rapaz olhou seu reflexo e tomou um susto: que olheiras monstruosas eram aquelas?
-Ai, caramba, nem tinha visto... Você tem corretivo aí, no seu porta-luvas?
-Antoine! Eu sou muito macho, tá me estranhando?
-Um grande careta, isso sim... Deixa, eu tenho na minha pasta, mas vou ver isso no banheiro da faculdade... Anda logo, nós estamos atrasados!
-Pois não, moça!
Pouco depois, os dois rapazes saltavam do carro no estacionamento da faculdade, carregando de qualquer jeito pastas, livros e pilhas de processos que deveriam analisar para uma prova.
Ofegantes, entraram correndo na sala de aula, onde o professor já iniciava com a matéria no slide show, uma jovem de cabeça baixa estava sentada na mesa do canto, escrevendo alguma coisa no livro negro de faltas e ocorrências.
-Muito bonito, senhores Edward e Antoine, isso são horas de chegar à aula? Já havia pedido à senhorita Elizabeth que incluísse seus nomes na lista de faltas do dia!
-Desculpe, senhor Mendonza, mas é que o trânsito estava péssimo, né Antoine! Antoine? – Edward cutucou o amigo – Antoine?
O rapaz não ouviu, estava de olhos vidrados na nova assistente de seu professor. Era ela mesma, Elizabeth Montgomery! Sem conseguir desviar sua atenção da jovem, ele não ouviu Edward o chamar por cerca de dez vezes e foi se sentar em seu lugar.
Não deixou de notar que, a todo momento, Elizabeth levantava a gola da blusa, que já era alta, como se quisesse esconder algo.
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Estava extremamente irritado, soltando fogo pelas ventas e descontando sua raiva em qualquer um que cruzasse seu caminho. Maldição! Como podia perder dois de seus homens assim, sem mais nem menos?
A ousadia do tal Afrodite já tinha ido longe demais... E ele, Máscara da Morte, tinha decidido se dedicar a descobrir quem era o criminoso e matá-lo, com suas próprias mãos se fosse necessário.
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-Daqui a pouco a senhorita Elizabeth vai precisar tomar soro e se hidratar! – brincou Edward, cutucando Antoine.
-O que disse?
-Larga mão de ficar secando a moça e presta atenção na aula, seu desorientado! O professor já chamou sue nome umas quinze vezes e nada de você responder!
Antoine virou-se para o professor, viu o senhor Mendonza de braços cruzados, olhando para si. Aprumando-se na cadeira, o rapaz pediu desculpas e afundou sua atenção em um livro.
Notando ser o centro das atenções do estudante, Elizabeth fechou a cara e continuou a fazer anotações no livro de faltas. Bufou, praguejando contar o rapaz, certamente seria mais um a querer debochar por conta do que fizera no julgamento de Máscara da Morte.
Cerca de duas horas depois, o sinal que indicava o final da aula soou. O professor juntou suas coisas e saiu depressa, tinha uma reunião com o reitor da universidade. Antoine cochichou alguma coisa para Edward, que saiu sozinho da sala.
Elizabeth ficou para trás arrumando a mesa e guardando suas coisas, não percebeu que não estava sozinha.
-Com licença, senhorita?
A jovem de um pulo para trás, até derrubou a pasta que segurava. Antoine, sem jeito, abaixou-se para ajudá-la a recolher os papéis, não tinha a intenção de dar-lhe um susto como aquele.
-Desculpe, senhorita, eu não queria te assustar... Eu só queria te falar uma coisa, sobre...
-Se for sobre o julgamento daquele maldito – ela começou, ríspida – Não tenho nada que ficar aqui, ouvindo seus deboches!
-Mas quem disse que vou debochar da senhorita? Eu queria era te dar os parabéns por sua atitude, não é qualquer um nessa cidade que tem tanta coragem!
Terminando de recolher os papéis, Elizabeth encarou Antoine, com um certo ar de desconfiança e surpresa. E encontrou os belos olhos azuis a lhe sorrir.
-Obrigado... Antoine, não? – ele fez um gesto afirmativo – Além do professor Mendonza, você foi o único a me parabenizar pelo meu gesto. Mas não sei se valeu a pena...
Os olhos negros adquiriram uma sombra de tristeza, Elizabeth pegou sua bolsa e pasta e já ia saindo quando Antoine a segurou pelo braço.
-Não me parece bem... A senhorita não gostaria de falar sobre o que está acontecendo, quem sabe eu poderia ajudar.
-Obrigado, Antoine, mas ninguém pode me ajudar... O que aconteceu é algo que somente eu posso resolver.
Ela soltou-se do rapaz e retomou seu caminho, mas foi interpelada por ele mais uma vez.
-Desculpe insistir, Elizabeth, mas se não quer falar sobre o que te deixa triste, aceite pelo menos um convite para almoçar, quem sabe não te faz sentir melhor...
A jovem suspirou, parecia cansada. Foram alguns longos minutos até ela responder, ajeitando a alça de sua bolsa que estava caindo de seu braço.
-Tudo bem, eu aceito.
Sorrindo para Elizabeth, Antoine pegou a pasta da jovem e saíram da universidade, dirigindo-se a um restaurante próximo.
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Sentaram-se em uma mesa mais afastada do salão, fizeram seus pedidos rapidamente e ficaram conversando amenidades. Estava calor no ambiente, mas Elizabeth não fazia menção de tirar a blusa de gola alta e parecia desconfortável com isso.
Tentando fazer com que a jovem se sentisse bem, Antoine puxava conversa sobre diversos assuntos, fazia brincadeiras entre uma garfada e outra e chegava até a provocar risos discretos em Elizabeth. Porém...
Uma música começou a tocar no local e imediatamente Elizabeth baixou os olhos, suspirando pesadamente. Antoine, que contava uma história engraçada, parou com os gestos que fazia no ar e franziu o cenho, preocupado.
-O que foi? Por que ficou assim, de repente? Não gostou do que...
-Não é você, Antoine... – ela se apressou em explicar, com a voz em tom mais baixo e pesado – É... É esta música... Ela me lembra muito alguém.
-Alguém que te fez algum mal?
-Não, pelo contrário... O Tommy foi um cara incrível, nós nos dávamos muito bem.
-Tommy?
-Thomas, na verdade... Ele foi... Foi um dos homens... Um dos homens que aquele maldito mandou matar.
As lágrimas se formaram nos olhos negros de Elizabeth, ela desviou o olhar, tentando evitar que caíssem por seu rosto. Antoine ficou quieto, sem saber o que fazer ou dizer para quebrar aquele clima pesado e triste.
-Eu... Eu sinto muito. – disse, por fim, sentindo-se um grande idiota.
-Está tudo bem... Eu acho.. Desculpe, Antoine, mas podemos ir embora? Eu quero ir para casa, preciso pensar, sei lá...
-Tudo bem, eu só vou pagar a conta e já vamos.
Rapidamente, Elizabeth pegou duas coisas e foi esperar pelo rapaz na calçada, não queria mais ficar naquele restaurante, ouvindo aquela música. E acabou por se recriminar mentalmente, aquilo só podia ser um castigo por ela estar pensando em se divertir e não em colocar em prática o que planejava contra Máscara da Morte.
Antoine saiu pouco depois, mas a jovem nem deu tempo a ele para se despedir direito, saiu andando e pegou um táxi. O rapaz ficou parado feito poste na rua, praguejando internamente contra si por não fazer absolutamente nada.
Aquilo tinha que acabar!
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Ainda se lembrava de como usá-la, a maneira correta de empunhá-la e como acoplar o silenciador corretamente. A pistola que era de seu pai e que pensou que nunca precisaria usar estava ali, novinha e tinindo.
Mirando um quadro na parede da sala, disparou um único tiro. Sorriu ao notar que havia acertado bem no miolo de uma das flores pintadas, marcando a pintura com um buraco negro e chamuscado.
Não precisava praticar tanto, apenas esperar pelo momento certo de agir. E ela não falharia.
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Fim de capítulo, o que acharam? Bom, a fic está quase no meio, faltam apenas alguns capítulos para o final e no próximo, mais ação e aventura, atos sombrios e segredos que podem fazer um mundo inteiro desmoronar...
Aguardem!
