N/A: Se tem alguém que acompanha, eu peço desculpas por demorar a postar a continuação, achei que já a tivesse feito. Em breve posto o cap 4.
Obrigada por esperar;
BOA LEITURA.
Capitulo Três: E ela dançava...
Finalmente alcançaram o trono e tão breve o fizera o Segundo Príncipe aparecera, com seus trajes refinados, bordados a ouro combinando com seus cabelos. Encarou Lord Guilford com a ferocidade de um leão, somente desanuviando suas feições ao olhar para a Princesa sentada, sorrindo-lhe de um modo lascivo nojento. E antes que o pior acontecesse Nunnally entrou chamando toda a atenção para si, aproximando-se, tomando o assento.
- Boa Noite a todos os presentes. – ela lhes sorri. – Espero que possam divertir-se nesta noite maravilhosa. Brindemos a liberdade!
Todos ergueram suas taças e brindaram, uma musica suave começou a tocar e o Grande Salão de festas se encheu de sons alegres, risos e conversas.
Guilford ao lado de sua princesa vasculhava o salão, havia algum tempo que não via Schneizel, e seus olhos o avistaram próximo a bancada dos músicos. Um mau agouro mudou as feições do cavaleiro, uma música extremamente romântica começava a tocar e as luzes diminuíram-se. Cornelia podia não ter percebido por estar envolvida em uma conversa com a Imperatriz, mas ele sim notava o avanço daquele homem para o local do trono, seus olhos fixos nas costas nuas de Cornelia. Movido pelo impulso protetor, invadiu a conversa, curvando-se para a princesa.
- Dar-me-ia a honra desta contradança princesa? – e ao terminar seu pedido, uma luz forte atingiu ambos.
O sorriso dela era brilhante, segurando a mão de seu cavaleiro levantou-se, caminhando ao seu lado, seus olhos grudados na lente negra de seus óculos. Guilford apoiou sua mão no ombro da princesa, Schneizel não parava de se aproximar, deslizou então a mão pelas costas dela, sentindo-a curvar-se com seu toque suave e arrepiar quando seus corpos uniram-se.
- Milady. – e a girou graciosamente.
Então, os olhos dela pousaram sobre seu irmão, entendendo o que acontecia, era aquela a hora escolhida por Schneizel para tomar sua mão perante a Nobreza do Império. Olhou assustada para Guilford e ele sorria.
- Não se preocupe, estou aqui. – e lhe acariciou a mão.
Cornelia respirou fundo e fechou os olhos, aproximando mais seu corpo do de Guilford. E ela dançava tão suavemente, mesmo estando sob toda aquela pressão, seus lábios se separaram e aos sussurros ela disse ao pé do ouvido de Guilford.
- Sou tua... – apoiou a cabeça na curva do pescoço dele. – desde sempre.
A mão direita de Guilford abandonou a de Cornelia e segurou o rosto dela, então ele sentiu o toque suave da mão dela sobre a dele, naquele momento Schneizel parou, somente a alguns passos do casal que roubava toda a atenção no Salão. Conde Lloyd ao seu lado comentou esganiçado com sua assistente Cecile Croomy:
- Eu sempre desconfiei destes dois. Hey, não me olhe assim Cecile!
- Então Contenha os seus comentários! – a morena disse cruzando os braços.
Guilford sentia o hálito quente de Cornelia de tão próximos que estavam, ele percebia também a ansiedade dela, os olhos que se fecharam lentamente que de expectativa faziam os cílios tremerem, ela queria ser beijada. Estava a um passo de realizar seu maior desejo quando a voz de Schneizel encheu o Salão com altivez, Princesa e cavaleiro se separaram. Cornelia buscou novamente suporte no rosto firme de Guilford e ele tornou a afirmar.
- Ladies and Gentleman! – ele se aproximou mais, aproveitando o momento. – Gostaria de vossa atenção por alguns instantes. – Houve uma época em que meu falecido Pai, Charles Zi Britannia sonhou com o mundo perfeito. E em sua ganância deturpou o sonho original.
Guilford viu Cornelia rolar seus olhos com descaso. Todos ali presentes prestavam atenção nas palavras firmes e sedutoras do Segundo Príncipe.
- Seu sonho era construir um Império para o herdeiro perfeito. – o sorriso dele era brilhante. – Se o Príncipe mais audacioso, inteligente e analítico concebesse uma criança com a Princesa mais forte, determinada, inteligente e porque não bela. Então Britannia teria o melhor líder que já existiu, um completo sangue puro.
Algumas pessoas discutiam a lógica de Schneizel. De certo modo ele estava certo, pois um filho do Império não teria duvidas de que caminhos seguir, nem de qual pátria servir.
- Então meu Pai vigiou seus filhos crescerem, procurando quais seriam os filhos para seguirem seus ideais. Então ele me contou este sonho, dizendo-me que escolheria a mulher perfeita para mim. – Ele sorriu e tomou a mão de Cornelia. – E a mulher a mim prometida foi Cornelia Li Britannia.
Novamente as pessoas voltaram a comentar aquilo, Guilford tremeu, Schneizel conseguira com aquelas palavras conquistar a maioria das pessoas ali. E então seu coração doeu quando o viu puxar Cornelia para mais perto, era hora de agir.
Apoderou-se da cintura dela, puxando-a para si tranquilamente, os dois homens se olharam encarando-se.
- Porque não a deixa decidir? – Guilford perguntou baixinho.
- Me solte Schneizel. – Cornelia pediu em seu tom amargo.
- Não posso, fomos feitos para este propósito. – respondeu com um sorriso.
- Guilford, me tire daqui, sob quaisquer circunstancias, suas ordens são estas. – ela disse de modo que apenas ele escutasse.
- Sim Vossa Alteza. – Guilford golpeou de leve as pernas de Cornelia que cederam sobre os braços de seu cavaleiro. – PRINCESA!
As pessoas se afastaram dos sussurros vinha todo o tido de coisas, uma delas era "Coitada, foi muita emoção." Entrando no jogo Cornelia fechou os olhos e segurou um sorriso. O Segundo Príncipe se curvou sobre ela. Checando sua respiração.
- Deixe Lord Guilford, eu a levarei para...
- Não! – Interveio Nunnally. – Schneizel Onii-san, você acabou de declarar que a tomará para sua noiva se for da vontade dela. Não é sensato. – Ela olhou então para Guilford, que mantinha a princesa sobre seus braços. – Lord Guilford como cavaleiro dela, cuidará disso.
- Sim Vossa Alteza. – Respondeu curvando a cabeça. – Se me permite.
- Leve-a, fique com ela até que ela esteja melhor. – Nunnally sorriu cúmplice.
Guilford carregava Cornelia nos braços, estava corado, pois lembrava-lhe como um homem carregava sua mulher para a noite de núpcias. Desta vez, porém decidiu-se pelo caminho mais rápido, chegando à porta dos aposentos reais. Entrou e os olhos de Cornelia se abriram, para uma gargalhada encher o ar.
- Excelente idéia Guilford. – ela disse ainda nos braços dele. – Eu teria puxado uma espada.
- Certamente que sim Princesa, mas, eu não dispunha de uma no momento.
Eles riram juntos, tranqüilos, e conforme o riso cessava a tensão ia aumentando. Colocou-a no chão, mas ela permaneceu próxima a ele.
- Claridade demais? – ela indagou.
- Ficarei bem.
Cornelia retirou os óculos dele e encontrou os azuis acinzentados dos quais ela se lembrava perfeitamente.
- Enxerga me?
- Com toda a clareza.
- Uma pena ter saído assim, estava confortável como nunca antes, dançando com você. – ela respondeu segurando um de seus cachos.
- Vossa Imperatriz Nunnally disse que você tem uma escolha Princesa.
- Sim, e ela sabe qual é. – disse sentando-se. – Você também.
O silencio era palpável, Guilford mantinha-se estático no meio da sala, Cornelia o olhava esperando alguma reação. Ficaram assim por alguns minutos, olhos nos olhos.
- Guilford?
Ele jogou-se aos pés de Cornelia, segurando a cintura fina com as mãos, seu rosto aninhado no ventre dela. Demorou apenas o tempo de remover suas luvas para que Cornelia acariciasse os cabelos negros dele, desfazendo o laço, soltando-o. Guilford levantou seu rosto, e lhe beijou a primeira parte dela que alcançou; o queixo. As mãos dele percorreram o corpo esguio com destino a nuca, e de repente as posições foram invertidas, Cornelia sentava-se sobre o colo de Guilford, beijavam-se. Como nunca haviam beijado outro alguém antes. E quando o ar se fez necessário se olharam cúmplices. As mãos de Cornelia não demoraram a desfazer o nó da gravata que ela mesma arrumara mais cedo. Jogando a peça desnecessária a qualquer canto, pois se ocupava dos botões. Guilford tateava a pele quente das costas de Cornelia, procurando algo que servisse para abrir aquele vestido. Encontrou um zíper e o desfez velozmente.
- Venha. – ela o chamou, pondo-o de pé.
Ele retirou o casaco antes de acompanhá-la, ela já havia sumido pela porta do quarto. Seu desejo não poderia ser maior, encontrar a mulher de seus sonhos vestida apenas com uma pequena calcinha preta. Os cabelos lilases, caindo sobre o ombro, os seios firmes, a cintura fina, pernas delineadas. Ela era o pecado em forma de mulher. A verdade havia de ser dita, ela era a princesa mais bela de toda Britannia.
Não resistiu tocá-la, vendo-a estremecer sob sua mão, e ela o despia, tranquilamente retirou a camisa branca, deixando o peito largo em que tanto se aninhara a mostra, era um falso magro. Os músculos harmoniosamente distribuídos repuxavam a pele mantendo-a firme. Abraçou-a. A sensação dos corpos nus tocando-se era mágica. Cornelia extraiu dele todo o perfume que ele exalava, cheirava a Fougère marine.
Ele sentiu o corpo dela lhe abandonar, ela sentava-se na cama, lasciva. Ele retirou os sapatos e a calça, jogando-se contra a perdição divina que era Cornelia, cobrindo cada parte do corpo dela com beijos apaixonados.
Em pouco tempo os corpos entravam em uma sintonia épica, tornando transcendental a união de corpos amantes. Em um mesmo ritmo num só fôlego. Faziam amor, o mundo não lhes importava, eram apenas homem e mulher, sentindo o que a vida preparara para eles muito antes de se quer pensar em existir. E até então não existiam completamente. Precisavam um do outro para tornar-se inteiros.
Os corpos suados ainda mantinham o vigor, e em um espasmo se completaram. O cansaço dos corpos quase atingia a mente. Em um ultimo suspiro confessaram-se.
- Eu te amo Cornelia.
- Eu te amo Gilbert.
Formavam agora um único ser.
"Eu sinceramente nunca me senti tão homem, como me sentia neste momento. Estou nu, na cama da Segunda Princesa do Sacro Império Britânico, Cornelia Li Britannia. Ela em meus braços dorme tranquilamente agora, um pequeno sorriso pinta sua face. E com nenhuma outra mulher me senti tão completo. O peso da mão dela era real sobre meu abdômen, o cheiro de frésias que chegavam a meu nariz me embriagava. Fazer amor com ela foi a melhor coisa que já fiz em toda a minha vida."
- Princesa? – ele chamou-a ao ver-la sorrir.
O riso aumentou, ele não havia notado, mas corria seus dedos pelo lado da cintura dela lentamente. E ela se afastou, rindo.
- Tem cócegas?
- Por favor, Guilford, não ouse.
- O que aconteceu com o Gilbert?
- Me diga primeiro o que aconteceu com a Cornelia! – ela cruzou os braços sob os seios os elevando.
Guilford jogou um dos lençóis para ela, Cornelia o pegou sem entender, uma duvida pairando ao seu redor.
- Cubra-se, eu não sou de ferro Cornelia.
- Do que tem medo?
- De não me controlar, Francamente Cornelia, já é bem difícil olhar para você vestida e controlar os meus instintos.
- Não quero que os controle.
- Seja razoável.
- Por quê? – ela se aproximou engatinhando. – Não me diga que...
- Cornelia, Eu te amo, mas...
- Gilbert, sem, mas. Somos adultos o suficiente para resolver as coisas de forma analítica. – ela lhe beijou. – Eu já disse, fiz a minha escolha. Você é tudo do que preciso.
Ele suspirou profundamente, e então cedeu as investidas de Cornelia, amavam-se e amantes não se resistem.
Guilford acordou e tateou as cegas por Cornelia, não a encontrava. Levou a mão ao rosto e estava sem seus óculos. "Droga" ele pensou. Respirou fundo e abriu um olho de cada vez, estava na penumbra, era seguro. Olhou pelo quarto, nenhum sinal da Princesa. Sentou-se sentindo o tapete a seus pés. Puxou o lençol para cobrir sua nudez e se aproximou lentamente da porta que dava para a sala, ouvindo.
Nada.
Procurou no banheiro, também estava vazio, encontrou seus óculos sobre o criado mudo ao lado da cama, e um pedaço de papel delicadamente dobrado abaixo deles. O abriu.
"Guilford... Gilbert;
Nunnally chamou-me para uma reunião, sinto deixá-lo assim, fique a vontade para usar o toilet. Estarei na sala do trono.
Cornelia."
A caligrafia rebuscada e fina condizia perfeitamente com a mulher que Cornelia era. Abriu então a porta e encontrou o outro cômodo vazio, tudo estava exatamente como haviam deixado. Pegou cada peça de roupa espalhada e entrou no banheiro. Certamente os aposentos de Cornelia eram maiores que muita casa de família. O banheiro era absurdamente grande, com uma banheira que ele julgava caber tranquilamente cinco pessoas, um Box de vidro com uma ducha, o sanitário separado por uma porta, um espelho descabidamente grande e sobre a pia de mármore branco estavam à prova de que Cornelia era vaidosa sim.
Guilford notou muitos cremes para o rosto, hidratante para a pele, shampoos, perfumes e todo o tipo de coisa que mulheres belas como ela certamente usariam.
Cornelia estava debruçada sobre a mesa, onde um enorme mapa era projetado, Claudio S. Darlton falava algo com ela e Nunnally, mas sua cabeça não estava exatamente ali.
Estava dormindo quando o mensageiro da Imperatriz bateu a sua porta, assustada levantou-se e apenas enrolada num lençol fino abriu a porta. Notou o desconforto do rapaz que lhe passou a mensagem. Tomando um banho rápido e vestindo-se com pressa, mal teve tempo de organizar seus cabelos. Mantinha-os então presos pelo laço que prendia os cabelos de Guilford e que ela mesma desfizera. Sorriu.
- Tudo bem Princesa? – perguntou Claudio preocupado.
- Então porque não começamos com uma entrada sorrateira pelo flanco esquerdo, eu poderia... – Cornelia se interrompeu. – O que foi?
- Onee-san, porque entraríamos sorrateiros em uma obra?
Cornelia olhou então para o mapa, aquele era o mapa de uma construção, mais especificamente um centro de reabilitação para os usuários de refrão. Cornelia posicionou na sala, o rabo de cavalo lhe caindo sobre o ombro esquerdo.
- Perdoem-me, ainda tenho táticas de guerra em minha cabeça.
A porta se abriu e por ela entrou o Lord Guilford, vestido com o uniforme militar, os cabelos presos por um laço branco. Ele andou como sempre fazia e se posicionou ao lado de Cornelia.
- Perdoem-me, o meu despertador não quis fazer seu trabalho esta manhã. – comentou com um ligeiro corar em sua face.
- Como soube que estávamos aqui Guilford?
- Claudio, meu dever é saber sempre onde a minha Princesa se encontra.
Cornelia virou-se para evitar os olhos de Nunnally, indo até a mesa de comunicação para olhar os trabalhadores na obra. Mal olhava para a tela, apenas respirava profundamente, não queria parecer boba nem ansiosa.
- Fico feliz que tenha cuidado bem de minha irmã Lord Guilford. – Nunnally disse casualmente. – Ela pode ser uma guerreira forte, mas...
- Nunnally! – repreendeu Cornelia.
- Isso é tudo por hoje, qualquer coisa eu aviso-os! Eu não me lembro de muita coisa, ou melhor, não me lembro de nada mesmo, tudo o que eu julgo lembrar de meu passado, são apenas especulações feitas por mim.
Isto porque eu nem sei quem sou de onde vim ou o que fazia. Acordei uma bela manhã com uma baita dor de cabeça e um branco sólido sobre meu passado.
No primeiro momento, julguei ter sido saqueada, porém, depois de procurar evidencia do roubo no que eu julgava ser meus pertences, eu tinha dinheiro o suficiente para alguém que acorda na sarjeta. Então eu simplesmente havia me esquecido, ou me fizeram esquecer por algum motivo. Havia também em minha posse uma arma bem cuidada, aquilo eu tinha quase certeza de que era meu, realmente meu. Esperei minha memória retornar, na verdade ainda espero, porém nada além do branco sólido, como uma parede habita a minha mente sobre meu passado.
Dei-me um nome, afinal, eu não podia ficar sendo um nada. Zala, não sei bem o porquê, acho que devo ter ouvido em algum lugar e me agradado com a sonoridade. Me envolvi com aventureiros, talvez eu tenha sido uma antes, pois eu me saia bem demais para uma novata. Há algumas coisas que não fugiram de minha mente, acho, porque, bem... tenho algumas habilidades úteis demais que sei que vêem de tempo de treino e aprimoramento. Minha aparência não me ajudou em me dar uma idade, então optei por ter a idade do dia que 'acordei' tenho então 9 anos e um juramento, descobrir de alguma forma quem eu era e porque não tenho memória alguma.
