Apenas faça, Potter
Título: Apenas faça, Potter
Classificação: M
Shipper: Harry Potter and Severus Snape (Adogooo!)
Aviso: Harry Potter não me pertence, é tudo da Jk. Eu não ganho nada com essa fic. Só um sorriso feliz a cada review, então ajude-me a encontrar a felicidade!
Aviso 2: Palavrões, sexo, homossexualismo. Quem costuma ler minhas fics, sabem que é minha marca registrada. Estão avisados.
Aviso 3: A ideia dessa fic surgiu do nada. Bem, eu me peguei questionando como seria se Harry e Snape não tivessem todo aquele problema da inimizade de Snape e James. Severus poderia gostar de Harry? Eles se dariam bem? Eu sempre achei que eles tinham muito em comum, e eu sempre gostei muito dos dois. O resultado ao imaginá-los sem as intrigas dos marotos e sem a marca profunda da guerra na alma de Snape e de tudo que ele foi obrigado a fazer para se tornar um comensal de confiança, está aqui, nessa fic, que ignora o fim do sétimo livro. Algumas coisas, na verdade. Espero que vocês consigam acompanhar minha visão.
Capítulo dois:
O ensopado não parecia mais tão saboroso. Seu apetite ameaçava despedir-se a qualquer momento agora, tudo por causa dos olhares que queimavam sua pele e pareciam perfurar o mais profundo de seus órgãos. Severus deixou os talheres de lado e finalmente ergueu o olhar para o indivíduo que ousara se meter entre seu jantar e ele.
Ele prendeu a respiração, percebendo que o ato era recíproco. Não entendeu a razão de seu coração ter se acelerado daquela forma e a repentina ardência na tatuagem bizarra e estranhamente ofuscada que tinha em seu braço. Tinha a estranha sensação de que o conhecia de algum lugar, mas afastou a ideia. Se o conhecesse, provavelmente teria sido procurado há anos atrás, quando acordou perdido sem lembrar de nada, com apenas uma carta de si mesmo para clarear seus pensamentos.
E também, se o conhecesse, o moço provavelmente já teria se aproximado para cumprimentá-lo. Não, Severus precisava afastar a ideia de que algum dia alguém iria procurá-lo, há muito tentara se conformar de que o único amor que deveria ter tido na vida seria de sua família, aquela que morreu no mesmo acidente onde começou a perder a memória, lentamente, tornando o possível para que se preparasse ao dia em que não mais se lembraria de seu próprio nome.
Severus suspirou ao pensar que deveria ter sido uma pessoa muito ruim para que ninguém viesse atrás dele. Nenhuma aliança de casamento, nenhuma foto, nenhum sinal além de um bilhete que nem continha uma assinatura de verdade. Ele desviou seus olhos dos olhos verdes cautelosos, e encarou o ensopado de galinha, forçando sua mão a recolher o talher e seu corpo aceitar a comida necessária para sua sustentação, uma comida que parecia muito mais saborosa antes.
Obrigou-se a não olhar mais naquela direção, mas as encaradas pareciam cada vez mais insistentes e a sopa já estava fria. Desistiu de vez e empurrou o prato para longe, desesperado para ir embora, mas não querendo parecer abalado. Por Deus, ele já superara coisas muito piores que simples encaradas de seus clientes.
- Você é gay?
- O quê?
Severus franziu o cenho para a garçonete atrevida.
- Eu perguntei se você é gay, ou se acha que pode ter sido um na sua vida antiga.
Ele apertou ainda mais os olhos, tentando repreendê-la, mas isso nunca funcionava com Lucy.
- Você é louca?
Lucy riu, olhando ao redor antes de puxar uma cadeira e se sentar ao lado de Snape.
- Aquele moço não pára de encarar você. Ele está na segunda garfada de torta em quinze minutos! A terceira, se considerarmos aquela que ele derrubou na roupa por estar distraído demais.
Severus olhou de relance para o rapaz de olhos verdes que continuava a encará-los. Um garfo pairava no ar, preso por uma mão relaxada. Severus podia ver de onde estava o chocolate pingando na toalha. A visão lhe deu vontade de rir, mas ele esforçou-se para parecer desinteressado.
- E daí?
- E daíííííííííííííí… Não passou pela sua cabeça que você pode tê-lo conhecido de algum lugar antes do acidente? Que vocês podem até ter tido alguma coisa? Sinceramente, Severus, a julgar pelo jeito que ele encara você, isso é bem provável.
- Você tem uma imaginação e tanto – ele repreendeu. – E se eu fosse você me levantava, seu chefe está entrando.
Lucy girou os olhos.
- Como você poderia…
Porém, no instante seguinte ela estava de pé, sem a expressão de divertimento ou tédio no rosto.
- Você é um bruxo! – ela sussurrou baixinho. – Quer que eu faça um pacote para você levar?
- Seria ótimo. Comer na privacidade de meus aposentos, não vejo a hora. Por favor, Lucy, e pegue uma daquelas tortas também, ela me parece bastante atrativa.
- Oh, Severus, anos vivendo aqui e você ainda não abandonou esse seu vocabulário pomposo. Eu trago sua torta, apesar de achar que se pedisse para aquele rapaz ele dividiria a dele com você. Ele não a está comendo mesmo.
- Lucy, você é uma adolescente que lê muitos contos românticos. E respondendo sua indignação, meu vasto vocabulário é uma das poucas coisas que ficaram gravadas em meu subconsciente, estou disposto a mantê-lo mesmo isso incomodando você.
- Sev, meu bem, você nunca me incomoda – Lucy bateu as longas pestanas escuras de maneira proposital, rindo quando Severus não agüentou e sorriu, girando os olhos.
Há poucas mesas dali, um novo pedaço de torta manchava a toalha da mesa.
- Vou pegar o seu pacote – Lucy continuou, - antes que ele se obrigue a pedir outra coisa que não vai comer e desperdiçar a maravilhosa comida do Chef.
- Lucy.
Ela se voltou.
- O quê?
- Por que você tem tanta certeza de que eu o conheço da minha vida antes do acidente? Por que ele não estaria simplesmente interessado em mim ao acabar de me ver? Isto é, hipoteticamente aceitando sua sugestão sobre a sexualidade do rapaz.
O que Snape não sabia é que Lucy havia conversado com Potter, e encontrara muitas semelhanças entre o homem que ele descreveu e esse a sua frente. Ela ficara aliviada quando ele lhe dissera que era um homem assustador que sempre usava roupas escuras, pois seu Severus não era assim. É claro que ela queria que ele encontrasse alguém que o ajudasse a se recordar de quem ele era, mas ela tinha medo. Conhecera Severus Snape quando tinha 14 anos e se tornara uma grande amiga do homem solitário. Ficara curiosa, como todos, sobre sua história, mas com o tempo passou a entender a dor que ele sentia ao tentar se recordar de algo. Ao invés de deixar o assunto de lado, Lucy sempre procura uma forma de entrar no assunto deliberadamente, tentando suavizar o que já era por demais doloroso.
Apesar de tudo, eram semelhanças demais…! Severus tinha os cabelos e a altura conforme o descrito pelo jovem. E quatro anos era o tempo que Severus surgira misteriosamente na cidade…
- É um tipo de intuição feminina, você não entenderia.
Piscando para Severus, ela se retirou da mesa e andou rebolando até o balcão.
Por sua vez, Snape estava acostumado com o jeito da adolescente. Ela era excêntrica, esquisita, assanhada, e divertida. Ele simplesmente a adorava.
Tentou não olhar para a mesa do rapaz de olhos verdes outra vez, mas não resistiu no último instante, com sua comida já embrulhada.
Ele não o encarava agora, parecia concentrado em seu café, uma ruga suave entre as sobrancelhas grossas. Será que Lucy podia estar certa? Será que eles se conheciam? Isso explicaria as encaradas. Não necessariamente eles podiam ter tido algo tão… Tão absurdo quanto o palpite atrevido da mulher.
Ele o observou um instante, se perguntando se o acharia atraente. Sem dúvida, era um rapaz cheio de vida com olhos absurdamente lindos e um rosto bonito. Exalava alegria, ingenuidade, e uma sensação de conforto.
Severus quase se deu um tapa ao notar o rumo de seus pensamentos. Ele gostava de sua vida, não queria voltar às dúvidas, à confusão, às indagações... Ele queria apenas viver.
- Boa noite, Lucy. Vai buscar o seu remédio amanhã?
- Mandarei Jack buscar para mim. Boa noite, Severus, durma bem. E não fique preocupado!
A última frase foi dita quase alto demais para que seu chefe ouvisse. Snape saiu rindo ao notar o olhar chocado que a garçonete recebeu de seu patrão. Ele não parou para olhar uma última vez os olhos verdes que se levantaram curiosos e imediatamente procuraram por ele. Tampouco cedeu ao impulso de esfregar o braço onde sua tatuagem queimava.
Ah, eu adoro a Lucy. E eu adoro esse meu Sev. Adoro esse capítulo, enfim. HSIUHSAIUHASUIH O que vocês acharam dessa vez? Estão gostando do rumo dos acontecimentos? Não bringuem comigo pelo tamanho do capítulo, eu não tenho conseguido escrever muito mais do que isso. Quer dizer, eu escrevo, mas aí demoraria mais tempo para postar. Então dá na mesma, né? xD
Quem aí já assistiu a Harry Potter? Juro que eu passo mal a cada vez que o Snape aparece na tela. Oh lá em casa!
Fics novas: Os olhares de Castiel, o sorriso de Misha / Inveja do céu / Dreamer / Nascisismo
Fics atualizadas: Quam ainda não leu há algumas semanas, Amor de resgate. E agora Kids Space também.
Obrigada pelos comentários! Eu adorei! Estou com um tiquinho de pressa agora, mas no próximo capítulo respondo a todos, ok? Até mais!
