Capítulo 3

A pasmaceira de dias que tinham caído na aldeia da Folha faziam o actual Hokage passar horas a bocejar. Nesse momento um pequeno som de dedos a bater na madeira chegou-lhe aos ouvidos. Pelo bater tímido e pouco ruidoso fê-lo automaticamente saber quem é que estava do outro lado da porta, por isso, cedeu passagem para que a mulher Hyuuga entrasse.

Hinata tornara-se uma mulher muito bonita e a principal companhia de Naruto. Ela tornara-se a sua melhor amiga. A sua personalidade calma, a sua vontade em ajudar, a sua coragem escondida pela timidez e os bons concelhos que dava ao Hokage fizera Naruto aproximar-se dela em todos aqueles anos em que se sentira tão sozinho. Realmente aquela mulher era normalmente a companhia que procurava quando tudo estava uma confusão, quando ele caía num daqueles momentos melancólicos de recordações passadas.

Naquele dia, ele encontrava-se num desses dias. Encostado na sua cadeira de Hokage a olhar pela grande janela da torre para o verde-escuro das árvores de copas grandes que rodeavam Konoha. Ao entrar, Hinata reparou no ar distante de Naruto, poisou um molho de relatórios sobre a secretária e manteve-se um pouco a observar o semblante relaxado e absorto do Hokage.

– Outra vez a pensar no mesmo?

O louro moveu a cabeça. Se fossem outros tempos Naruto sorriria para Hinata e dir-lhe-ia que sim, dizendo também que não era nada de especial e para ela não se preocupar, mas à muito que ele deixara de o fazer, pois ela sabia tudo o que ele sentia. Na realidade era a única que sabia o que ele sentia. Era a única que acompanhava a verdadeira e profunda dor que lhe ruía a alma. A única que não lhe pedia nada em troca. Não pedia atenção, não lhe pedia presença, não lhe cobrava nada. Ao contrario de todos os outros que parecia que queriam sempre qualquer coisa. Esperavam sempre mais dele. Só que ele começava a estar farto de dar tanto e não ter nada para ele.

A única coisa que ele conservava apenas para ele era aqueles momentos melancólicos de recordações. As recordações eram realmente aquelas coisas que mais ninguém podia pedir, a ultima coisa que não lhe podiam exigir.

Suspirou e deixou lentamente o seu mundo, preparando-se para enfrentar os momentos da realidade, da seca de dura realidade.

– Naruto-kun estás bem? – Perguntou Hinata inclinando-se sobre a secretária e aproximando a sua cara da de Naruto inspeccionando com os olhos a face morena do Hokage.

– Estou bem Hinata. – Sorriu Naruto enquanto a rapariga se endireitava.

– Já reservei a estância onde vamos ficar! – Informou a amiga respondendo-lhe ao sorriso com um sorriso.

– Ainda bem. E fica bem longe daqui, não fica?

– Fica num país dominado de "Fim do Mundo". – Informou Hinata. – É muito avançado tecnologicamente.

– Não me interessa o quanto avançado tecnologicamente ele é, desde que seja o suficientemente longe para que de Konoha não me chamem durante as minhas férias apenas por algo insignificante. – Nas últimas férias tinha sido tirado delas apenas porque os pequenos aprendizes de ninjas tinham resolvido incendiar a academia. Algo patético que apenas um grupo de gennins tinha resolvido em cinco minutos, mas tinha sido o pretexto arranjado para trazer o Hokage de volta a Konoha. Desta vez Naruto queria ter a certeza que estava a dias de distância para que os que ficavam a tomar conta de Konoha pensassem duasvezes antes de o chamar.

Assim quatro dias depois o Hokage chegou ao destino das suas férias. Naruto tinha ido com Hinata, e só com ela, passar estas férias. Apesar de querer ter férias também queria uma amiga para companhia, e como não gostava muito da companhia das outras pessoas que lhe pediam tanto, trouxera a tímida, mas corajosa Hinata para o que ele esperava ser uma boa semana de férias.

O "Fim do Mundo" era um país por demais encantador, mas também assustador. Tinham feito uma paragem primeiro na capital e depois seguiriam para o interior turístico. Aqui tinham visto grandes objectos voadores dirigidos por pessoas que tinham ficado a saber que se chamavam carros e que se serviam para transportar pessoas. Tinham aprendido a usar moedas para comprar bilhetes para os comboios em máquinas falantes, e também a atravessar passadeiras com semáforos luminosos.

A cidade em vez de prédios baixos tinha enormes prédios que competiam em si por quantos mais andares tivessem melhor. Havia grandes televisões espalhadas pelas ruas, gigantes letreiros luminosos, muita, mesmo muita publicidade. As ruas estavam cheias de pessoas vestidas de com fatos justos ao corpo, mas que eram de uma material extremamente elástico. As crianças tinham brinquedos, como piões com asas que subiam muitos metros e emitiam sons e luzes, as meninas até tinham bonecas que apesar de não terem inteligência andavam sozinhas. Aquilo era como se tivesse entrado noutro mundo.

A tecnologia estava presente em todos os aspectos diários daquela sociedade. Mas o que realmente impressionou Naruto, e também Hinata, foi que ninguém usava chakra. Aliás ficou a saber que os polícias tinham armas que facilmente se sobrepunham ao chakra. E sabia isto porque Hinata contratara um grupo de polícias para fazer a escolta do Hokage, pois apesar de Naruto querer esquecer o facto de que era uma pessoa conhecida e de grande importância, a Hyuuga não podia descuidar-se com a segurança. Assim o Hokage seria guiado e escoltado por um grupo pertencente à força de defesa durante os dias em que permanecesse no Fim do Mundo.

Ao contrario da cidade que era cheia de cor e vida, em que a electricidade se sentia nas partículas do ar, a aldeia turística onde ficava a estância onde Naruto e Hinata passariam as férias inspirava tranquilidade, isso não queria dizer que houvesse menos tecnologia, mas pelos menos não existia tanta agitação como na cidade.

Naruto PDV (Ponto de Vista):

Era incrível. Tudo ali me fascinava. Existia tanta coisa curiosa e estranha que nem mesmo o facto de Hinata ter pedido protecção policial me chateava. Queria passar despercebido. Não queria que as pessoas me conhecessem ou me identificassem como alguém importante, mas ela tinha razão quando dizia que tinha de ser cauteloso. Estava tudo bem, desde que não me chateassem.

Andei a inspeccionar o meu quarto. Tinha um enorme televisor em frente da cama, que estava decorado com lençóis e edredão brancos, e tinha um colchão em que através de um instrumento eu podia regular a sua dureza. Regulei aquilo para que o colchão ficasse a parece uma grande nuvem de algodão. As janelas também tinham reguladores automáticos. Se eu fechasse as persianas quase que parece noite dentro daquela divisão. As luzes eram activadas pelo bater das mãos. Até o ar podia ser climatizado. Bastava usar a voz e pedir mais quente ou mais frio.

Estendi-me na cama e soltei um grande suspiro. Estava no fim do mundo. Estava longe do meu país. Mas mesmo assim a dor continuava persistentemente agarrada ao meu peito. Fechei os olhos por um momento e imaginei. Imaginei aquele quarto com ele ao meu lado. Imaginei a descoberta daquele mundo diferente, tão tecnológico, com ele ao meu lado. Imaginei os vários "humm" que ele poderia lançar se estivesse ali comigo.

Lentamente cai no sono. E sonhei com ele. Encontrávamo-nos deitados naquela cama, ele beijava-me, afagava-me os cabelos e acariciava-me a pele. E voltei a acordar, voltei a sentir um mal-estar no estômago, um nó na garganta. Tudo o que sentia por Sasuke estava a ficar mais intenso. Parvo foi aquele que disse que o amor passava com o tempo. Sentei-me na cama.

O sol entrava pela janela. E os meus olhos ficaram presos nas partículas poeirentas que voam no raio que entrava pelas frechas das persianas. Levantei-me. Sabia que havia uma piscina interior algures na estância. Era para onde ia. Precisava de mergulhar os meus pensamentos.

Sasuke PDV:

Era um stress. Era um inferno. Eu por mim não tirava férias. Mas Aika dizia que devíamos ter momentos em família. Dizia que os laços ficavam mais fortes quando se partilhavam momentos. Eu cá não sei se era verdade ou não, afinal a minha família morreu há tanto tempo que eu devia simplesmente ter esquecido como é que se fortaleciam laços numa família. Fazia isto apenas porque ela pedia incessantemente, e claro, porque o meu sogro me andou a atazanar o juízo dizendo que a filha estava sempre fechada em casa, que a única companhia que tinha eram as vizinhas e um filho de quatro anos desajeitado, que por sua vez passava mais tempo dentro de um quarto de hospital que a brincar ao ar livre com os amigos.

Portanto aqui ia a família Uchiha nas suas, minhas, primeiras férias. Não íamos muito longe. Partíamos para sul onde estava mais quente. Reservei uns quartos para nós durante uma semana numa estância bastante prestigiada no país. Segundo sabia, tinha uma pista de esqui artificial, ringues de desportos sobre rodas, parques de diversões, piscinas, spas e praias. Escolhi o melhor e a ideia agradou à minha mulher.

Aqui íamos nós de malas e bagagens, pôr tudo dentro do carro. Por falar nele demorei um ano e meio aprender a trabalhar com esse monte de metal, mas no fim consegui tirar a carta de condução. Todos acharam estranho como é que alguém da minha idade e com a minha inteligência podia ser tão pouco esperto em relação a guiar um carro, mas claro nenhum deles sabe que eu fui um ninja de Konoha, que normalmente trabalhava com chakra e não aparelhos de tecnologia. Obviamente se eu lhes tentasse ensinar alguns jutsus nenhum deles iriam conseguir fazer fosse o que fosse.

Era algo que detestava naquela sociedade era que existia muito facilitismo. As máquinas faziam tudo pelos homens. Enquanto eu treinei dias para aprender a subir a uma árvore para eles bastava comprarem um aparelho qualquer que fizesse isso por eles. Que tipo de lições aprendiam eles? Que escola podiam ter aqui?

Depois de colocar as coisas no porta-bagagem acabei por sentir algo a vibrar no pulso. O meu chefe de departamento estava a telefonar-me. O telemóvel era outro instrumento tecnológico que permitia falar instantaneamente com as pessoas, outro aparelho com o qual eu dificilmente aprendi a funcionar. Todos diziam que não era difícil, mas eu ainda estava habituado aqueles truques de magia. Sabia pelo menos que havia um botão de ligar e outro para desligar.

O telemóvel no pulso continuava a vibrar e elevei-o até perto da minha boca depois de ter carregado no botão verde.

– Agente Uchiha. – Ouvi a voz gritada do chefe.

– Sim, senhor. – Respondi.

– Uchiha, eu sei que está de férias, mas preciso…

– Senhor não posso mesmo ficar sem estes dias, aliás já nem estou na capital. – Menti aproveitando o facto de estar na rua e de haver trânsito para dar a impressão que estava a conduzir.

– Eu sei, eu sei. Mas sei que vai para estância de Aimaru. Vai lá estar um homem muito importante do País do… – nesse momento vi a porta de minha carta abrir-se e uma enorme cabeça de golfinho insuflável sair por ela e a minha atenção passou a ser para ele, deixando de ouvir o que o chefe me pedia. O pequeno Naruto trazia na mão o golfinho de piscina que eu lhe tinha oferecido. Quando ia a descer os poucos degraus que a entrada tinha, pareceu-me escorregar. Dei um salto e rapidamente estava ao pé dele, agarrando-o mesmo antes de cair, por vezes tinha que usar um pouco daquilo ninja que ainda tinha dentro de mim.

O menino olhou para mim, com aqueles olhos escuros e sorriu.

– Papá é herói do Naru. – Beijou-me e correu com o golfinho em cima da cabeça dando pequenos saltos como se me quisesse imitar.

– Eu gostava que falasse com este homem. Que lhe desse as boas vindas, que o fizesse ser bem-vindo no nosso país, compreende Uchiha? Tente ser o mais diplomático que possa. Está a ouvir Uchiha?

– Sim, sim, estou. – Disse retomando a conversa com o meu chefe.

– Você é o nosso melhor agente, é a pessoa indicada. Além disso dizem que ele é um grande ninja, há muitas lendas e histórias que correm por ai sobre ele. Por isso, veja se dispensa um pouco de tempo para o ir cumprimentar.

– Sim, claro chefe. – Segundo o que tinha conseguido apanhar da conversa eu tinha que ir dar as boas-vindas a um homem qualquer. Não era a primeira vez que fazia um trabalho destes, e não era que fosse interferir com as férias, e era um bom pretexto para poder sair de ao pé de Aika se ela começasse a tornar-se sufocante.

– Bom, que posso contar consigo Uchiha. Tenha umas boas férias. Adeus. – Desligou sem mais cerimónias e sem esperar a minha resposta, mas eu não me ofendi, o chefe sempre fora assim, não era defeito era feitio, o homem parecia estar sempre com muita cafeína no sangue.

– Sasuke ajuda aqui. – Aika trazia as últimas tralhas para levarmos nas férias. Já era tanta coisa que eu começava a questionar-me se caberiam todas dentro do carro, a começar pelo golfinho de Naruto, pois este já estava ao pé do carro a tentar encaixar o insuflável lá dentro. A minha mulher trazia mais dois sacos que me passou prontamente para a mão. Ela já estava grávida de cinco meses e carregar algumas coisas já lhe fazia ter dores de costas.

Uma das coisas que me fizera aceitá-la como mulher fora o seu aspecto. Pode ser doentio, mas eu já não ligava muito aos meus desvarios, muito pelo contrário já me deixava levar por eles. Aika tinha longos cabelos louros entrançados e uns olhos azuis, que não se comparavam em nada com as duas pedras preciosas que Uzumaki Naruto tinha, mas que também tinham chamado a minha atenção.

– Naruto o que é que estás a fazer? Não vais levar essa coisa connosco. – Resmungou Aika ao ver o golfinho dentro do carro. Eu também não queria levar aquele monstro insuflável connosco, mas o meu pequeno tinha demorado tanto tempo a colocar o golfinho no quarto que eu não fui capaz de lhe dizer que não.

– Deixa ir Aika. Não estorva a minha condução. Eu depois desencho quando voltarmos.

– Tu deixa-o fazer sempre o que quer, é por isso que tem pouca educação. Eu não o vi pedir se podia levar o golfinho.

– Deixa-o ir. Se não for em alturas destas, quando é que ele vai usar o golfinho? – Fi-la ver.

– Ah, tu é que sabes. – E continuou o caminho até ao carro.

Naruto PDV:

– Obrigado. – Tinha acabado de pedir uma toalha limpa para poder entrar na piscina de água aquecida. Esperava que eles passassem o meu cartão electrónico, onde ficavam registados todas as coisas que eu pedia para depois pagar mais tarde tudo junto, quando senti um remexer no meu casaco.

Um ser minúsculo agarrou-se ás minhas pernas, escondido debaixo do casaco. Olhei para baixo e vi um rapazinho com uns quatro anos de idade, com uns cabelos escuros, uma pele pálida e uns olhos profundos, fiquei chocado com as aparências que aquele pequeno tinha com Sasuke. Sim, foi logo o primeiro pensamento que tive, que estava a olhar para Sasuke.

– Hei criança que estás a fazer? – Um dos polícias que me acompanhavam aproximou-se.

– Está tudo bem, eu resolvo isto. – Disse dispensando o polícia.

O pequeno tremia agarrando fortemente as minhas calças. Olhava para mim com os olhinhos cheios de água e com uma súplica silenciosa.

– O que se passa pequeno? – Perguntei pousando uma mão nos cabelos macios de criança, tentando acalmá-lo com a minha voz serena.

– Não dizer que Naru está aqui, por favor. – Pediu o pequeno. Agachei-me para que ele pudesse ver a minha cara.

– Eu não digo. – Prometi.

– Naru 'tá a fugir de monstro.

– De um monstro? E onde estão os teus pais. Sabes que eles podem proteger-te do monstro.

– Naru tá à procura do papá herói, mas não encontra. Naru ter de ir. - Nesse momento o pequeno desapareceu a correr. E logo a seguir uma senhora loura, grávida passou por ali.

– Passou aqui uma criança de 4 anos de cabelos escuros e olhos pretos? – Perguntou a uma das pessoas que estava sentada perto da recepção.

– Teve ali a falar com aquele senhor. – Indicou a pessoa questionada. Então a mulher grávida veio ter comigo.

– Sabe de um criança de quatro anos?

– Sim. – Respondi. – Andava a fugir de um monstro.

– De um mostro? Pois, estou a ver. Para onde é que ele foi?

– É a mãe dele?

– Sou.

– Foi por ali. – Apontei a direcção por onde o pequeno tinha desaparecido.

– Senhor Uzumaki Naruto. – Chamou-me o empregado que me entregara a toalha. Virei as costas à senhora grávida. Voltava para me entregar uma chave de cacifo para colocar os meus pertences enquanto estava na piscina e também para me devolver o cartão electrónico das minhas despesas. Quando me voltei de novo a senhora loura e grávida permanecia estatelada com uma cara muito séria a olhar para mim.

– Você é o Uzumaki Naruto?

– Sou. – Respondi, quase compreendendo o significado de "se olhar matasse…" pois se matasse eu naquele momento teria sido morto. Soube sem palavras que aquela mulher não gostava de mim. Na realidade sentia-lhe o ódio. Será que lhe tinha feito alguma coisa?

– Vá-se embora. – Ordenou-me ela. – Mantenha-se longe da minha família. Principalmente do meu marido, entendeu? Eu nunca irei permitir que ele seja seu. Sua aberração! – Depois de cuspir estas palavras, o polícia que me acompanhava aproximou-se para se certificar se estava tudo bem e ela, lançando um último olhar assustador, foi-se embora.

Não compreendi nada! O que é que eu tinha haver com o marido dela? Eu nunca sequer a tinha visto na minha vida. Ela só podia ser uma louca. Encolhi os ombros. Já tinha sido ameaçado tantas vezes, mais uma, menos uma, não me fazia diferença. Além disso eu tinha ido até ali para relaxar e tentar de parar de pensar, não para pensar ainda mais numa ameaça descabida e idiota de uma loura grávida e maluca. Tinha era pena era do miúdo que tinha uma mãe daquelas.

Sasuke PDV:

– Papá! – Gritou o meu filho mal me encontrou na esplanada. Vinha sozinho. Onde estava a Aika? O menino estava sozinho? – Papá o Naru tem um novo herói! – Saltou para o meu colo.

– Aí tens? – Fingi que estava entusiasmado como ele, enquanto os meus olhos tentavam avistar Aika. Não acreditava que ela o tinha deixado sozinho.

– Sim. Naru conheceu um herói louro.

– E qual é o seu nome?

– Não sei. Mas é o herói louro. Ele escondeu o Naru do monstro. – Falava o pequeno.

– Naruto tens os calções de banho vestidos?

– Sim.

– Queres ir à piscina?

– Quero! – Gritou Naruto contente.

– Sabes onde está a tua mãe?

– Ocupada.

– Está bem. Anda daí. – Agarrei nele ao colo. Não acreditava que Aika tinha deixado Naru sozinho. Mas mais tarde conversaria com ela.

Foi até ao balcão de recepção da piscina pedir toalhas para mim e para o meu filho. Deram-me uma chave de um cacifo para arrumar as minhas roupas enquanto estava na piscina. Entrei para os balneários. Não havia ninguém. Estavam totalmente vazios. Tanto que Naruto começou a gritar para o ar divertindo-se com o eco que ali existia.

Depois de arrumadas as coisas do cacifo, apenas de calções de banho e toalhas aos ombros eu e a minha descendência entramos na enorme divisão que albergava a piscina. Não se via ninguém. Ouvia-se apenas o trabalhar das ventoinhas que retiravam o vapor de água da água quente do interior da divisão.

Naru correu para uma armário onde existiam bolas, pranchas e outras brincadeiras para a piscina. Eu deixei as toalhas em cima de uma das espreguiçadeiras. Reparei que havia uma delas que já tinha uma toalha, mas não via ninguém na piscina, provavelmente tinham-se esquecido dela ali. Resolvi então ir entrando na piscina, enquanto Naruto desarrumava o armário á procura do brinquedo que queria.

Naruto PDV:

O mundo debaixo de água era pacificador. Não sei dizer á quanto tempo estava debaixo de água. Mas já era a algum, quando senti o mundo subaquático ser evadido. A minha meditação sem pensamentos fora destabilizada. Alguém tinha acabado de entrar na piscina. Decidi subir á superfície e respirar, pois até os meus pulmões já pediam.

Subi até que o meu próprio corpo parou. Eu acabara de ver… o que eu acabara de ver?

Sasuke PDV:

Mergulhei. Havia alguém sentado lá em baixo. Não me importei. Afinal a piscina era pública. Continuei a descer. Continuei a nadar. Até que a pessoa se mexeu, provavelmente para ir buscar ar. E então ele parou… eu parei… estávamos frente a frente debaixo de água…

Subimos ambos de maneira brusca até à superfície. Será que era outra ilusão das minhas? Mas naquela altura...

Suguei o ar, quase engasgando-me.

– Sa… Sasuke? – Falou ele tão engasgado quanto eu.

– Naruto! – Sim era ele e não nenhuma das minhas ilusões.

– BANZAI! – Ouvi um grito e depois vi o meu filho passar com um prancha por mim esbarrar contra o louro. – É o herói louro papá! – Disse para mim. – E o Naruto tá aqui papá! – Apontou para si mesmo. Senti o meu coração parar de bater.

Continua…