3. Esperanças...
Seja intuição, seja a grande vontade que tudo não passasse de um engano, que fosse tudo um mal entendido, um pesadelo,...qualquer coisa, qualquer possibilidade por mais remota que fosse, valia. E foi em uma intuição, numa dessas possibilidades que Shaun e Sr. Branson se apegaram. Um simples exame de DNA poderia trazer esperanças ou acabar de vez confirmando o que eles não queriam. Simples assim, exceto por eles estarem numa verdadeira 'guerra', onde o pânico, o caos tomou conta. Os profissionais tanto nos necrotérios como nos hospitais estavam demasiadamente ocupados com a grande demanda de gente pedindo ajuda. Logo, conseguir fazer o tal exame naquela loucura toda era praticamente impossível. Mas, nunca fora tão importante ter poder e dinheiro. Tanto Richard Branson, bilionário, como Shaun Monteith, um homem comum, perceberam. O que levaria dias, talvez mais, iria demorar questão de horas. Horas, apenas algumas poucas horas, e os dois iriam saber se foi só intuição ou se o sentimento de irmãos realmente existia.
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"Nós tínhamos que fazer alguma homenagem aqui, em Los Angeles...", comentava Ryan com Brad.
"Concordo. O que você tem em mente?" perguntou Brad.
"Não sei, realmente não sei, estou 'seco', pela primeira vez na minha vida, não tenho idéias... o que você me sugere?"
"Também estou sem idéias... que tal chamarmos todo o elenco pra nos ajudar? Todos são muito amigos, todos amavam aquele desengonçado...", uma pausa, Brad engasgou lembrando das brincadeiras no set, da alegria que Cory contagiava, "... se juntarmos a idéia de cada, acho que vamos conseguir inventar algo bacana, a altura do nosso amigo!".
Ryan concordou: "Vamos combinar de nos encontrarmos num lugar reservado, pra que ninguém nos importune!"
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Horas intermináveis, onde o ponteiro do relógio parecia girar ao contrário... Shaun olhava um corredor por onde viria a resposta pra toda a sua angustia. Demorou uma eternidade, principalmente pra quem estava esperando uma noticia de vida ou morte como os dois estavam, mas chegou, finalmente um envelope lacrado foi entregue a Shaun. Era o resultado do exame de DNA pra confirmar se o corpo identificado como sendo de Cory era realmente ele. O irmão mais velho tremia, suava, não conseguia nem respirar direito...não tinha coragem de abrir o tal envelope.
"Abra filho! Por favor abra!", Sr. Branson implorava ao rapaz.
"Não consigo...e se for confirmado que é o Cory, ...", ele começou a chorar.
"Quer que eu abre?", o empresário também estava nervoso, mas mais ainda ansioso, queria acabar logo com aquele sofrimento de angústia.
"Quero!", mal conseguiu responde o rapaz.
Ele abriu, depois de uma breve leitura, tentando entender aqueles termos médicos, Sr. Richard ergueu os olhos do papel encontrando os aflitos e interrogativos do companheiro.
"E-e-então?", Shaun pediu.
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"Nós podíamos fazer um musical, ao estilo de Glee mesmo, com cada um de vocês cantando umas das músicas que Cory interpretou ao longo das temporadas...", Ryan comentava com sua equipe. Um telefonema e dois minutos depois estavam todos ali, prontamente pra fazer juntos, uma das mais lindas homenagens ao amigo. Atores, produção, companheiros do dia a dia do trabalho, de uma vida!
Enquanto eles discutiam seu projeto, o celular de Brad tocou. Ele pediu licença e foi atender fora da sala em que estavam todos. Brad ficou intrigado com a ligação. "Será que tiveram algum problema?", ele pensou consigo ao ver no visor o nome de Shaun, irmão de Cory.
"Meu Deus... você tem certeza?", Shaun deixou Brad apar da situação em que se encontravam. "Ok, pode deixar, conte com todos!"
Brad saiu correndo de volta pra sala onde estavam todos. Num misto de choro e alegria ele despejou as últimas informações que teve.
"Escutem, vocês não vão acreditar...nem eu estou acreditando...tenho que contar logo senão vou achar que é mentira...meu Deus!". Todos olhavam o produtor intrigados e assustados.
"Fale Brad, o que foi, está ficando louco?", Ryan perguntou ao amigo.
"Se segurem nas cadeiras...aconteceu um milagre! Deus, e que milagre! Sai atender agora uma ligação de Shaun, irmão do nosso Cory, lembram que ele e o Sr. Richard Branson viajaram até Londres pra trazer o corpo do nosso amigo?", aos poucos todos foram imaginando o tal milagre. " Pois bem, eles foram reconhecer o corpo, segundo Shaun ele teve uma intuição que não era seu irmão, então eles solicitaram um exame de DNA pra confirmação. E...?" Brad fez um suspense vendo os rostos de todos já extasiados, torcendo pra que ele dissesse o que eles imaginavam.
"Fale Brad, por favor..." pediam todos.
"... e ..." ele sorriu com seu rosto coberto de lágrimas, "... e não era mesmo! O corpo que havia sido identificado sendo de Cory, era muito parecido com as fotos dos documentos, inclusive portava a carteira dele, mas não era ele. O exame deu negativo!" Brad gritava eufórico.
"Isso quer dizer..." disse Lea chorando.
"Isso quer dizer minha doce Lea que ele pode não estar morto, ainda há uma esperança!", Brad abraçou ela. "Shaun ligou pra além de nos contar essa maravilha, também pediu pra todos fazermos uma prece, rezarmos, orarmos, tudo vale disse ele. O que eles conseguiram hoje é obra de Deus, é um milagre, então ele nos pediu pra fazermos uma corrente de orações enquanto ele e o Sr. Branson vão se desdobrar atrás do nosso Franketeen pelos hospitais e necrotérios de lá".
"É pra já, vamos unir nossas religiões, crenças em prol desse milagre", Ryan confirmou.
"Vamos pedir ajuda a todos, vamos usar nossas redes sociais... não precisa explicar muito, apenas pedir as preces de todos, há de sermos ouvidos!" indagou Lea.
E assim eles o fizeram, espalharam aos quatro ventos: "Se você acredita em milagre, por favor nos ajude, faça sua oração!". Uma mensagem dessas vinda dos atores e produção de Glee em meio aos dias sombrios que estavam vivendo, deixou toda a sociedade atordoada, mas todo mundo entendeu. Em minutos a notícia que Cory poderia estar vivo correu por todo o mundo, passou além das fronteiras dos EUA, e uniu o povo Gleek numa única corrente. Crenças diferentes, culturas, religiões, várias idades, vários idiomas, mas a mesma prece! Lea e os outros resolveram usar o próprio set que trabalhavam todos os dias como sua casa, seu ponto de oração, já que cada um deles tinha sua religião. Mas assim que ficaram sabendo, os amigos que moravam com Cory, os músicos da banda em que ele tocava, a Bonnie Dunne, além de outros amigos de Los Angeles, colegas da Fox, bem como toda a diretoria e trabalhadores dali se juntaram a eles para orar. Logo o set ficou pequeno, se mudaram então pra um auditório, o qual também logo ficou pequeno, já que a cada minuto chegava mais e mais gente pra se juntar a corrente. Não tardou pra que a imprensa baixasse lá, trazendo com eles uma segurança reforçada, dada a quantidade de celebridades que estavam dentro daquele auditório. Gente de outros canais, colegas de outras emissoras, gente influente, naquele momento eram mais um na multidão que só crescia. Cory era realmente muito querido! E quem não tinha tanta proximidade com ele, ficou emocionado, envolvido com toda aquela situação, descendo do seu pedestal, dobrando os joelhos pelo tal milagre!
Brad olhava o celular a cada minuto, angustiado, esperando por notícias. Enquanto isso, Shaun e Sr. Branson percorriam os hospitais em busca de Cory. Decidiram começar pelos hospitais atrás dele vivo, pois era o que mais queriam e depois de passarem o dia num dos necrotérios, desejavam não ter que voltar a entrar num lugar daqueles.
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As orações seguiram noite adentro. A mobilização de artistas, das redes sociais, mídia e tv, chamou a atenção do mundo. Nunca se ouvira falar de algo nesse sentido. O mundo não estava perdido. Ainda havia amor e compaixão no coração das pessoas. E a esperança de encontrar um simples mortal vivo que muitas daquelas pessoas nem sequer conheciam era algo irreal, algo que só Deus poderia explicar.
Amanheceu, veio a tarde, e a noite logo apontou. Mesmo com todo o cansaço, a maioria das pessoas não saiu dali, daquele auditório, alguns saíram mas voltaram, a corrente não podia ser quebrada!
"Lea, vem vamos descansar um pouco! Depois você volta amor!", suplicava sua mãe.
"Não mamãe, eu não vou sair daqui!", dizia a moça visivelmente cansada assim como todos seus amigos de elenco, os primeiros e fiéis ali.
De repente o celular de Brad tocou, ele estava quase cochilando em meio sua prece, lhe pregando um susto. Ele saiu do meio de todos, num canto mais reservado pra atender. Mesmo assim, chamou a atenção de todos. Infelizmente não era quem eles esperavam, era o presidente da Fox querendo notícias. Todos ficaram frustrados, mas voltando as orações. Brad ao desligar o celular acabou sem querer tirando o toque, deixando apenas em modo silencioso, logo quando ele tocou novamente, em seguida, ninguém percebeu, apenas ele. Discretamente, ele saiu do auditório. Alguns minutos depois ele voltou, parou na porta, contemplando todos, unidos, juntos, sem distinção, uma das coisas mais lindas que ele já havia visto na vida! Ryan percebeu o amigo parado na porta chorando: "Ele já sabe! Eu conheço ele", disse o criador de Glee chamando a atenção dos demais. Logo todos estavam olhando pro produtor.
"Diga", disse Ryan.
Brad chorava compulsivamente. Num rosto molhado de lágrimas brotou o mais lindo sorriso pra presentear a todos que viraram a noite rezando pelo amigo:
"Nossas preces foram atendidas...eles encontraram Cory...ele está vivo!".
As reações foram das mais diversas, mas todos sem exceção choravam e gritavam de alegria. Sem dúvida, as risadas e os suspiros de alívio foram ouvidos além do oceano, talvez num pequeno hospital no interior de Londres, onde até então um jovem desconhecido gravemente ferido tentava se recuperar. Agora ele não estava mais sozinho, perdido, agora além do irmão e de um amigo, ele tinha junto consigo milhões de preces pedindo pra que ele saísse do coma e voltasse pra junto deles!
