Cheguei a casa da Ana e ela pediu-me a mim e à Inês para entrarmos no carro, entramos e seguimos em direcção ao aeroporto.

Quando chegamos dirigimo-nos a uma casa gigante, a mais bela que já tinha visto, antes de abrirmos a porta a Ana transformou-se numa adulta de cerca de 22 anos, gritei de susto e a Inês ficou a olhar para ela de boca aberta.

- Já vos explico – decerto percebeu a nossa cara de espanto.

Ela era agora uma jovem adulta de cabelos compridos castanhos claros, de olhos amarelados e pele esbranquiçada. Bastante bonita.

Entrei a murmurar com a Inês.

- O que se passou aqui? – perguntei incrédula

- Não sei – respondeu céptica

Lá dentro constatei que quase todos eram semelhantes com ela, não percebíamos o que se passava. Mandaram-nos sentar no sofá e explicaram-nos.

- Esta é a vossa verdadeira família! – anunciou Ana.

- Nossa família? – perguntamos

- Sim, vocês são gémeas e dentro de dias vão transformar-se em vampiras ou lobas. - declarou

Agora já percebia tudo aquelas pessoas todas que em tempos tinham sido personagens do meu filme preferido "Crepúsculo" eram agora da minha família.

- Esqueçam os nossos nomes da suposta "vida real" e pensem só nos nossos nomes do filme – disse Alice

- Dentro de quantos dias vamos-nos transformar? – perguntou Inês

- No dia do vosso aniversário – respondeu Emmett

- Mas eu já fiz anos! – Declarei

- E eu só faço a 18 de Julho – concluiu Inês.

- Em Portugal sim, para a nossa família vampiro-lobática não, para nós vocês fazem em a 15 de Fevereiro, não se esqueçam que são gémeas apesar de serem falsas. – disse Jacob

- Ou seja falta uma semana – concluiu Edward

- Agora vos explicar-vos quem vos é o que? – disse Ana

- Bem eu sou a vossa bisavó, casei-me com o Chace, temos o Edward, a Alice e a Rosalie como nossos filhos. O Chace e a Rosalie não têm poderes, o Edward lê mentes, a Alice vê o futuro e eu transformo-me no que quiser, somos todos vampiros – afirmou

- Então avozinha, onde esta a cacheira? – gozou Inês

Ambas nos rimos da sua própria piada. Não deram qualquer importância a nos estarmos a rir e continuaram.

- Eu casei com o Emmett que também não tem poderes e é um vampiro. – retorquiu Rosalie

- Eu com o Jasper que tem o poder de mudar os sentimentos das pessoas, também é vampiro. – disse Alice

- Eu casei-me com a Bella que neste momento é vampira e tem o poder do escudo, somos pais da Renesmee que é vossa mãe e do Jesse – anunciou Edward

- Eu sou o Sam, sou irmão do vosso pai Jacob, sou casado com a Emily – concluiu Sam

A nossa mãe era bonita, jovem, ruiva com cabelos encaracolados

- Eu tenho também o poder de mostrar pensamentos apenas com o toque. – explicou a nossa mae

- Agora que já sabem a verdade, vamos voltar para Portugal, amanhã é dia de aulas e têm de dormir – disse Ana

Assim que abandonamos a casa e nos dirigimos ao aeroporto ela voltou a transformar-se na Ana que tão bem conhecíamos.

No avião, a minha irmã anunciou-nos uma coisa.

- Sabem que falo muitas vezes por mail com o André, não sabem? – perguntou-nos com uma voz misteriosa

Ambas abanamos a cabeça em forma de afirmação.

- Ele vai mudar-se amanha para Vendas Novas, eu vou conhece-lo – gritou de alegria

- Tu e ele namoram? – perguntei

- Bem…. Sim, pronto sim – admitiu

Ficava feliz pela minha irmã. Fui o resto da viagem a dormir e quando acordei, já estava em casa.

Os dias passavam depressa, e cada vez mais se aproximava o dia da transformação, falara muitas vezes com a Inês sobre este assunto, ambas tínhamos medo, medo de matar-mos alguém, medo de magoar pessoas inocentes e que amávamos, medo que fosse doloroso…

Todas as noites, tinha pesadelos da forma como iria ser, o sonho era sempre o mesmo, eu a matar a pessoa que mais amava ao cimo da terra.

Era dia 14 de Fevereiro, dia dos namorados último dia de vida como humanas, fomos dar uma volta juntas com os nossos namorados, mas sem nunca referir a nossa verdadeira identidade. Eram bons os momentos que passávamos os quatro juntos, divertidos.

À noite fui jantar a casa do David, os pais e a irmã eram simpáticos e deveras inteligentes.

Era a minha última refeição, bacalhau com natas e doce de ananás, estava delicioso.

Do nada começou a cheirar a algo apetitosamente delicioso, um cheiro maravilhoso nunca antes cheirado, estava obsecada por aquele cheiro magnifico, quando o David se aproximou de mim, percebi que o cheiro era o seu sangue, retirei-me da mesa e segui até á casa de banho, lavei a cara e telefonei á Ana.

- Ana cheira-me a sangue! Ajuda-me – implorei-lhe

- Sentes algum ardor na garganta? – perguntou-me

- Não!

- Aguenta mais um bocado, eu e a Inês já estamos a caminho de Nashville, a transformação dela já está mais avançada que a tua. – explicou

- O quê? Eu estou a transformar-me? Ana eu estou na casa do David, e se mato alguém? – disse com a voz cada vez mais assustada.

- Espera e acalma-te, a Rosalie, o Emmett e o Edward estão a caminho, adeus, boa sorte – concluiu

Desliguei o telemóvel, olhei ao espelho e reparei que certa parte de mim ainda era humana, por isso mordi o meu próprio pulso e bebi do meu sangue, era delicioso, nunca tinha bebido nada tão bom na minha vida, depois salpiquei para a bancada sangue, para parecer que me tinha cortado, limpei a boca e dirigi-me novamente á mesa, todos repararam no meu pulso, e a mãe do David atou um pano ao meu pulso para o sangue parar de escorrer.

Enquanto esperava pela Rosalie, o Emmett e o avô Edward, o David fez uma observação.

- Estas a ficar branca, muito branca – disse com os olhos concentrados em mim.

Não comentei, tentei antes não entrar em pânico, em seguida dei-lhe a minha prenda, era uma moldura com uma fotografia nossa, em seguida ele deu-me a dele, não abri, por ouvir o Mercedes da Rosalie à porta, saí depressa e entrei no carro, quem o conduzia era o avô Edward.

Assim que entrei no carro, ficaram perplexos a olhar para o meu pulso.

- O que foi isso? – perguntou Emmett

- Estava com muita sede de sangue, então para não magoar ninguém, bebi do meu próprio sangue. – expliquei

- Eu não acredito, és louca. Patrícia podes morrer! – gritou Rosalie horrorizada

- Edward o que fazemos? – perguntou Emmett

Dum segundo para o outro, Edward parou o carro.

- Algum de nos tem de injectar imediatamente veneno – declarou

Rosalie e Emmett desviaram o olhar.

- Ok, eu faço! Patrícia confias em mim? – perguntou-me nervoso

Abanei a cabeça, não conseguia esconder o meu nervosismo, mas também não podia morrer além, já não, tinha de arriscar.

- Desculpa se isto correr mal, desculpa – disse entre choros – Adoro-te – concluiu

- Vai correr bem, sei que sim, tu consegues – apaziguou Rosalie

Pegou no meu pulso e começou a injectar o veneno, era doloroso, os meus gritos eram inevitáveis, aquela chama que me invadia a garganta sem me deixar respirar, sentir o sangue e os órgãos a congelar dentro de mim, tudo isso me fazia sofrer muito.

A transformação demorou uma hora, por isso quando chegamos até ao jacto privado no aeroporto de Lisboa já estava transformada num sere sobrenatural, uma vampira.

Estava feliz, o avô Edward tinha conseguido. Eu não morrera naquele pequeno instante da eternidade.

O jacto foi rápido, não demorou muito até chegar-mos a Nashville, a vontade de beber sangue, angustiava-me, a vontade era maior que a responsabilidade.

Por isso quando chegamos lá a Rosalie levou-me até uma floresta, repleta de vida animal, aí apercebi-me da minha velocidade, era espantosa.

- Sentes o cheiro a sangue? – Perguntou Rosalie inalando aquele aroma delicioso.

- Sim – disse deliciada

- É um conjunto de veados, vamos caça-los? – Incentivou-me

- Caça-los? Como? – Perguntei

- Corres, agarra-os, mordes o pescoço do animal e sugas o sangue, são animais simples de apanhar. – explicou calmamente

Começamos a correr o máximo possível, cada uma apanhou um veado, sentamo-nos no chão a alimentarmo-nos. Entretanto ouvi-a a dizer " Como estará a decorrer a transformação da Inês? "

- De certeza que esta a correr tudo bem – disse tentando acalmar

" Como é que ela sabe o que eu estava a pensar? "

- Estas a dizer em voz alta, é normal sabes o que estas a pensar – disse em gozo

- Em voz alta? Eu estava a pensar para mim própria! – Disse-me

Levanto-me e corremos até à mansão da nossa família Cullen Black. Quando lá chegamos a Rosalie explicou ao avô Edward a sua desconfiança. Ela pensava que eu lia mentes.

- Patrícia o que ouves? Explica tudo… - perguntou com atenção e interesse

- Oiço todos a falarem alto dentro de minha cabeça, é complicado de explicar, tendo em conta que vocês não mexem a boca para falarem. – expliquei enquanto chorava assustada.

- Não tenhas medo, em principio deves ler mentes como eu – explicou Edward.

- Como estou fisicamente? – tentei desviar a conversa, dirigindo-me a todos em geral

- Achas que estas preparada para te ver? – perguntou-me a minha adorável mãe hesitando

Abanei a cabeça, então levou-me até uma casa de banho grande, no piso de cima, quando olhei ao espelho, vi uma figura, nada comparada com a minha anterior.

O espelho reflectia-me, agora era uma jovem adolescente de 18 anos, a minha pele era branca como uma parede acabada de pintar, os meus lábios eram agora vermelhos escuros, assim como os olhos, tinha também o cabelo ruivo e encaracolado, igual ao da mãe, bonito e sedoso.

Após ter-me analisado gritei de horror, os meus olhos estavam horríveis.

- Vai passar, dentro de algum tempo, eles ficarão castanhos-escuros quando não tiveres alimentada e castanhos amarelados quando estiveres bem alimentada. – Explicou a mãe

- A Inês? Onde está ela? – perguntei exaltada

- No quarto ao lado – disse-me

Saí da casa de banho e entrei no quarto, ela estava estendida na cama, parecia-se agora comigo, sem contar com a cor de cabelo, a sua continuava loiro, teria de apoia-la quando a transformação estivesse concluída, iria ser doloroso para ela, ver que os seus olhos magníficos, estavam agora horríveis, olhos de assassina.

Passaram duas horas para até a sua transformação estar completa, sem conversas, levei-a a à floresta para a ensinar a caçar.