Ben e Bran
24 de dezembro.
Era uma vez uma noite de Natal, a neve caía pesada nos arredores do castelo e, por algum motivo desconhecido, os Pritchard ficaram para passar o feriado na escola. Talvez uma segunda lua-de-mel dos progenitores ou uma descoberta de uma pesquisa qualquer de Arwel que exigira uma viagem de emergência. Bran poderia não ser o melhor menino do mundo, mas em datas como essa, sempre gostou de união.
Durante o jantar, passeou por todas as mesas, convidando os remanescentes para se juntarem na mesa da Corvinal quando o jantar acabasse e que tivessem um momento juntos, deixando de lado as desavenças criadas pelos fundadores e levadas adiante pelos alunos.
Após o banquete realizado pelo elfos domésticos que trabalhavam a serviço da escola, alguns alunos optaram por se dirigir aos seus dormitórios, enquanto outros aceitavam o convite de Bran e se aconchegavam à mesa dos ravinos. Havia grifanos, lufanos e sonserinos; todos esquecendo-se das pequenas rixas, afinal, estavam vivendo o espírito de Natal.
Enquanto jogavam conversa fora, Bran avistou um sonserino um tanto quanto isolado na mesa de sua casa. Comprimindo os olhos, tentando enxergar melhor de quem se tratava, constatou que era o aluno transferido de Durmstrang, do quinto ano, que por algum motivo ainda mais desconhecido permanecera em Hogwarts. Pediu licença aos presentes e levantou-se.
- Gwen, já volto. – comunicou a irmã que estava mais próxima. E em seguida encaminhou-se para a mesa das serpentes.
Parou no lado oposto ao garoto e esperou que este notasse sua presença. Quando o aluno novo o viu, levantou-se e aguardou para ver o que Bran falaria, sempre mantendo-se sério e reservado.
- O convite estende-se à você. – estendeu a mão direita na direção do loiro, apresentando-se em seguida. – Pritchard. Bran Pritchard! – apertou a mão do outro assim que ele estendeu a mão.
- Bendjamien Móskowitz. – respondeu-lhe, com o sotaque russo bastante evidente na pronúncia do inglês do garoto. Benjamin manteve a expressão séria, como Bran sempre o vira ao se cruzarem pelos corredores.
- Se quiser vir, será bem-vindo, Benjamin. Venha e divirta-se um pouco com a ralé! – brincou, deixando um pouco do bom senso de lado.
Um tanto quanto cauteloso, Benjamin deu a volta na mesa e postou-se ao lado de Bran. Encaminharam-se juntos para a mesa onde o restante do pessoal se encontrava e o Pritchard tratou de apresentar o russo e Gwendolyn lançou ao rapaz um olhar mais demorado do que o normal. O mais velho tratou de revirar os olhos, divertindo-se com a irmã.
Continuaram conversando, interagindo entre si. Quando o relógio, na torre, bateu doze badaladas, todos começaram a desejar Feliz Natal entre si. Bran voltou-se para Benjamin e deu-lhe mais um aperto de mão.
- Feliz Natal, Moskowitz! – desejou, logo antes de abraçar cada uma das irmãs.
- Feliz Natal, Prritchárrd. – respondeu Benjamin, com o tom de voz comedido.
Ali, naquele momento, nasceu uma amizade que jamais, em momento algum, alguém imaginou que nasceria. Através dessa amizade, foi que as famílias Pritchard e Moskowitz começaram a se interligar. E ninguém nunca entendeu como foi que, em uma noite de Natal, apenas como uma breve troca de palavras e um aperto de mãos, ambos tornaram-se praticamente irmãos. Aquilo era o verdadeiro espírito do Natal.
