Capítulo 3- Ab abrupto (De repente)

O Conde de Sawyer estava impressionado com tanta beleza e juventude na mulher que finalmente via pela primeira vez, sua noiva. O rosto dela era delicado. Os olhos expressivos, cor de âmbar, com cílios longos e negros. A boca carnuda, vermelha e convidativa. Os cabelos debaixo do véu imaculadamente branco eram escuros, algumas mechas escapavam do penteado.

- Milady... – disse ele num tom de voz muito baixo. – Precisamos nos casar, o padre está lá embaixo nos esperando, então se fizer a gentileza de me acompanhar...

Ela não disse nada, apenas cobriu o rosto novamente com o véu e estendeu sua mão pequena a ele. O coração do conde acelerou. Ele realmente não esperava encontrar uma noiva tão linda e dócil esperando por ele. Talvez a serva estivesse certa sobre ela estar assustada com o casamento, por isso não descera. Sawyer compreendeu então que tudo o que diziam sobre ela ser uma bruxa era uma mentira arquitetada para manter os caçadores de dote longe do reino.

El viento salvaje era um reino muito grande e muito rico, estava apenas sendo mal administrado. Com o desaparecimento de Lorde Daniel Cortez, e a decisão do rei de casar a viúva novamente, se todos soubessem que Ana-Lucia era um anjo, não uma bruxa, todos os nobres cavalheiros, solteiros e disponíveis de todos os reinos iriam querer se casar com ela e ser o novo senhor daquelas terras. O conde de Sawyer sentiu-se então abençoado. Já há algum tempo que ele vinha invejando o irmão mais velho por ter seu próprio feudo para comandar. Agora ele também era senhor de suas próprias terras, e ainda ganhara uma linda esposa. O que mais ele poderia querer? Já podia imaginar a cara de abobalhado que os irmãos fariam quando vissem a beleza que ele agora conduzia ao salão principal do castelo onde o casamento seria realizado.

Juliet mal pôde acreditar quando Lady Ana-Lucia deixou-se ser conduzida pelo noivo sem criar problemas, sem discutir, sem refutar. Aquilo era muito estranho. Se conhecia bem sua senhora, sabia que ela deveria estar planejando algo. Curiosa pelo desfecho daquela situação, Juliet desceu as escadas logo atrás do conde.

No salão, os cavaleiros da comitiva do conde Sawyer estavam esperando, de pé, segurando seus elmos com o braço direito. Dentre eles, estava o cavaleiro alto e loiro que ela vira por duas vezes naquele mesmo dia. O homem não parava de olhar para ela e Juliet desviou o olhar, tímida.

- Aqui está a noiva, padre.- Sawyer anunciou. – Trate de realizar a cerimônia.

O padre então abriu o livro sagrado e começou seu discurso, todo em latim. Ana-Lucia colocou-se ao lado do noivo, no altar e sentiu as mãos suarem embaixo das luvas de renda. O altar estava todo enfeitado com flores e cortinas. A lady não se lembrava de ter tido isso em seu primeiro casamento. Daniel era um homem prático, como ele costumava dizer, e não quis adornos no casamento. O padre foi chamado num dia qualquer, numa hora qualquer e presidiu a cerimônia que não durou mais de dez minutos. Apenas seus pais estiveram presentes à cerimônia e Ana-Lucia lembrava-se de que sua mãe chorara a cerimônia inteira, mas não de emoção pela felicidade da filha, mas porque ela previra o quanto Ana seria infeliz naquele casamento, e de fato ela foi, viveu no inferno por quase dois anos.

Através do véu, Ana-Lucia observou seu noivo. Sim, ele era lindo e exatamente como Juliet o descrevera. Quando ele apareceu para buscá-la em seu quarto, Ana já estava se preparando para lançar seu punhal sobre ele, porém, quando o viu ela ficou simplesmente extasiada e não foi capaz de se mover do lugar. Ficou hipnotizada pelos olhos cor de anil, pelos cabelos dourados como o trigo na primavera. Aquele homem emanava uma aura de segurança que ela jamais sentira em nenhum outro homem, nem mesmo seu pai. Mas Ana-Lucia não podia se esquecer de que não deveria ficar encantada por ele desse jeito, toda aquela beleza exterior não significava que ele não fosse diferente dos outros homens. Talvez por ser tão belo ele pudesse ser mais terrível que todos, mais terrível do que Daniel.

A cerimônia finalmente chegou ao seu ápice. O padre fez a pergunta crucial em latim, inglês e por último indagou em espanhol se James Shephard, o conde de Sawyer aceitava Lady Ana-Lucia Cortez como sua legítima esposa para amá-la, e honrá-la na saúde e na doença, até que a morte os separasse.

- Eu aceito.- respondeu ele tentando fitar os olhos cor de âmbar de sua noiva através do véu.

Em seguida, o padre repetiu a pergunta novamente nos três idiomas, apenas acrescentando amar e obedecer ao seu marido e senhor. Todos os olhares se voltaram para a noiva, esperando pela resposta dela.

Juliet ficou tensa, imaginando que seria ali, naquele exato momento em que Lady Ana-Lucia mostraria suas garras e seu punhal. Mas não foi o que aconteceu. Ela simplesmente continuou quieta, sem dar resposta nenhuma. Sawyer esperou.

Um burburinho começou no salão, o que deixou o conde muito irritado. Imediatamente, ele fez com que todos se calassem, dizendo:

- O rei me deu plenos poderes para tomar esse castelo e casar-me com esta senhora, por acaso alguém se opõe a este matrimônio, indo contra a autoridade do rei?

O burburinho cessou por completo. O padre se adiantou:

- Deseja que eu repita a pergunta para noiva, milorde?

- Não será necessário.- disse o conde. – Já que a noiva não quer falar, consideremos o silêncio dela como um sim.

"Que arrogante!"- Ana-Lucia pensou. "Igual a todos os homens! Mas ele pagará por sua impertinência! Mais tarde".

- Bem, se é assim... – começou a dizer o padre, visivelmente temendo o conde. – Eu os declaro marido e mulher, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Amém!

O padre fez o sinal da cruz sob o rosto do casal e autorizou que as alianças fossem trocadas. Ansioso, Sawyer segurou a mão de Ana-Lucia e colocou o anel de compromisso no dedo dela. Ana, porém, quando chegou sua vez não fez o mesmo, permanecendo estática. O conde tentou não se aborrecer com aquilo e colocou o anel no próprio dedo, um pouco frustrado era verdade, mas aliviado de que a vontade do rei já tinha sido cumprida. Sem poder esperar mais, ele retirou o véu que cobria o rosto dela e um sonoro som de surpresa se fez ouvir no salão. Os caveleiros de Shephard estavam completamente encantados pela beleza de Lady Ana-Lucia.

Satisfeito com o efeito que isso causou nos homens, Sawyer inclinou o rosto diante da dama e beijou seus lábios, muito delicadamente, quase sem tocá-los. Ela deu um passo atrás demonstrando apreensão. Mas isso não importava porque ele iria conquistá-la ainda esta noite. Ele tinha agora todo o poder que sempre desejou diante de suas mãos.

- Todos dêem as boas vindas à Lorde Sawyer, o novo senhor de El viento salvaje.- anunciou Goodwin.

As pessoas se inclinaram em reverências a seu novo senhor, mas Ana-Lucia não os seguiu, pelo contrário, permaneceu de pé fitando seu marido com determinação. Foi a partir desse momento que Sawyer soube que não estava lidando com uma criatura dócil e submissa como ele imaginara.

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Foi dado início à festa de casamento. Os habitantes do castelo pareciam felizes em ter um pouco de diversão. A impressão que o conde tinha era de que não havia diversão no castelo há muito tempo.

Os cavaleiros da comitiva de Sawyer ainda pareciam extasiados com a beleza de sua nova senhora e não paravam de fazer galanteios a ela. Sawyer observava o comportamento de sua esposa, ela comia em silêncio, muito pouco, parecia estar sem apetite. Lady Ana-Lucia tinha modos refinados e parecia escolher muito bem cada movimento que fazia. Totalmente o contrário do que ele ouvira dizer sobre ela, de que além de bruxa, era uma mulher mal cuidada e glutona que não gostava de higiene.

Mas ele não conseguia ver nada disso. Só enxergava o quanto ela era adorável e feminina, sem nenhum rastro de agressividade até aquele momento.

- Então não há uma orquestra neste castelo?- o conde indagou ao mordomo quando este se aproximou para continuar com suas adulações.

- Não, senhor. Há muito tempo. Tínhamos uma quando Lorde Manoel era vivo, mas Lorde Daniel não gostava de música então a orquestra foi desfeita.

- Eu irei mudar isso!- disse Sawyer, de repente se sentindo muito inspirado. – Trarei uma orquestra para esse reino, e também o teatro!

Alguns murmúrios de aprovação foram ouvidos no salão.

- Prometo trazer alegria e prosperidade a este reino, contanto que o povo seja fiel a mim!

- Um brinde à Lorde Sawyer!- incitou Goodwin e as pessoas começaram a brindar em honra daquele homem estrangeiro que prometia pão e circo ao povo faminto. Mas como seria quando as pessoas descobrissem que tudo não passou de uma mentira? Que aquele inglês estava ali para explorar o reino tanto quanto seus antecessores o fizeram?

Lady Ana-Lucia estava enjoada, mal agüentava olhar para a comida. Tudo o que queria era recolher-se aos seus aposentos. Estava com raiva de si mesma por ter permitido que ele a beijasse e por ter gostado tanto do contato dos lábios macios com os dela. Não se lembrava de Daniel ter feito isso nenhuma vez. Ele nunca a beijava, apenas ia ao seu quarto e tomava o que ele queria.

Cansada de estar ali no meio daquela festa sem propósito, Ana-Lucia fez um gesto com as mãos chamando sua serva que estava de pé próximo à mesa, esperando por ela.

- Sim, milady?

- Desejo ir aos meus aposentos.

Sawyer voltou-se bruscamente para ela quando a ouviu falar. Era a primeira vez que escutava sua voz. A voz de sua esposa não era de um timbre adocicado e enfadonho como a das moças do reino Shephard, Lady Ana-Lucia possuía um timbre rouco, um tanto grave para uma mulher e falava o inglês com um adorável sotaque espanhol que ela não conseguia disfarçar.

- Estás cansada, minha senhora?- ele se dirigiu a ela e Ana voltou a ter o mesmo arrepio que sentiu quando ele falou com ela pela primeira vez em seu quarto.

- Sim.- ela respondeu sem olhar para ele. – Eu gostaria de ir dormir agora, milorde.

- Eu acho uma boa idéia, milady.- ele disse erguendo-se da cadeira e oferecendo o braço para apoiá-la quando ela levantou-se. Mas Ana-Lucia não esperava pelas próximas palavras dele. – Vá para os nossos aposentos minha senhora e fique pronta para mim.

O corpo inteiro de Ana-Lucia tremeu por baixo do vestido. De repente ela estava em pânico. O mesmo pânico que sentira em sua noite de núpcias com Daniel. Mas também o que ela esperava? Que ele fosse dispensá-la de sua cama? Por mais bondoso que ele pudesse aparentar, era óbvio que queria se deitar com ela aquela noite.

- Vamos senhora, vamos subir!- Juliet a chamou tirando-a de letargia e Ana-Lucia a seguiu.

Quando elas chegaram às escadas, Ana disse à serva com ódio nos olhos:

- Ele não vai me estuprar!

- Acalme-se minha senhora.- pediu Juliet conduzindo-a aos aposentos dela. – Vamos pegar suas coisas.

- Pegar minhas coisas?- ela retrucou.

- Sim, senhora. Pegar suas coisas para levá-las ao quarto de seu marido.

- Mas eu não vou ficar no mesmo quarto que ele!- Ana protestou.

- È melhor não irritá-lo senhora, ele agora é seu marido! Venha, eu vou ajudá-la!

Lady Ana-Lucia seguiu sua serva para dentro de seu aposento. Ela sabia que se se negasse a ir para os aposentos de seu marido ele viria buscá-la, como tinha feito na hora do casamento. Mas Ana-Lucia não mostrou resistência porque precisava conhecer o inimigo de perto, no entanto, agora que já tinha estado perto dele o bastante para saber que tipo de homem ele era, chegara a hora de agir.

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- Tu não bebestes quase nada em tua própria festa de casamento, meu amigo.- debochou Goodwin quando o conde Sawyer resolveu dar a festa de casamento por encerrada.

- Beber em excesso esta noite é perda de tempo, Goodwin. È óbvio que tu vistes minha noiva.

- Ela se parece com um anjo.- comentou Goodwin bebendo o resto da cerveja que sobrara em seu copo. – Mas ainda penso que ela é uma bruxa!

Sawyer bateu no ombro do amigo.

- Como tu ainda podes pensar dessa maneira depois de tê-la visto?

- È exatamente por isso que penso dessa maneira, amigo. Esta mulher é perigosa, ouve o que estou dizendo, tu vais te apaixonar! E ela acabará contigo!

- Estás bêbado!- disse Sawyer balançando a cabeça negativamente.

Ele chamou outros dois de seus cavaleiros e ordenou que Goodwin fosse levado direto para o quarto. O amigo provavelmente acordaria com uma baita dor de cabeça.

- Milorde deseja mais alguma coisa?- perguntou o mordomo. – Estou indo me recolher.

- Não Linus, pode se recolher. Eu também farei o mesmo.

O mordomo fez uma mesura e retirou-se. Sawyer dispensou seu criado pessoal também, não precisaria dele para se despir esta noite, teria as mãos macias e carinhosas de sua esposa. Era incrível como rejeitara a idéia de casar-se por tanto tempo, agora parecia tão certo dormir todas as noites aconchegado àquele anjo.

Sem perceber, Sawyer estava subindo os degraus da escada de dois em dois para chegar mais rápido aos seus aposentos. Esperava que a criada tivesse levado Ana-Lucia para lá, caso contrário ele iria buscá-la.

O conde entrou no quarto iluminado por velas e encontrou sua esposa à janela novamente. Mas dessa vez não havia o véu. Ela usava uma camisola branca e os longos cabelos negros estavam soltos. Ele finalmente podia vê-los. Uma cortina acetinada que lhe descia pelas costas até a cintura.

- Está uma bela noite, não está?- ele puxou conversa tirando o casaco e ficando apenas com o colete.

Ana-Lucia continuou de costas para ele. Sawyer se aproximou lentamente dela, dizendo:

- Hey, não precisa ter medo minha pequena.

Ele tocou os cabelos dela, acariciando e os afastou para poder tocar os ombros. A pele dela era de um tom moreno vivo, como ele nunca tinha visto em qualquer mulher que já conhecera. Perfeita.

Sawyer sentiu uma vontade incontrolável de tomá-la nos braços e beijá-la. Colocou-se de frente para ela e seus dedos acariciaram-lhe o rosto. Ela tremeu ligeiramente, mas não se moveu. Sawyer viu que ela umedecia instintivamente os lábios e não pôde mais resistir.

Ele aproximou o rosto do dela e por um momento viu dúvida nos olhos claros, mesmo assim Sawyer não pôde parar a si mesmo e tomou os lábios dela nos seus beijando avidamente, não como fizera na cerimônia de casamento, mas com muito mais intensidade, forçando-a entreabrir os lábios. Foi quando sentiu uma pontada no braço. Parecia que algo tinha-lhe rasgado a carne.

Assustado, ele se afastou dela e viu que uma quantidade de sangue razoável manchava a camisola branca dela, e vinha de seu braço que queimava e ardia. Um corte profundo tinha sido feito ali.

- Mas o que... – ele começou a dizer e ela murmurou, com os olhos assustados:

- Desculpe...

- Ès louca, mulher? Que fizeste?- ele bradou contendo o sangramento em seu braço com a mão.

Ana-Lucia ficou parada por alguns segundos, fitando-o e pensando no por quê pedira desculpas a ele. O conde era seu inimigo e ia tentar estuprá-la.

- Fiz o que tinha de ser feito!- ela gritou. – Não vai encostar um dedo em mim, inglês!

- És minha esposa!

Ela cuspiu no chão, grosseira.

- Azar o seu se sou tua esposa! Procure outra para esquentar o teu leito! Não eu!

Ele balançou a cabeça, decepcionado.

- Então o que dizem é verdade? Ès uma bruxa?

- Uma bruxa poderosa que pode acabar contigo num piscar de olhos. Matar-te-ia como matei meu outro marido, portando fica longe do meu caminho!

- Como quiser!- ele resmungou. – Mas não serei ridicularizado por meus cavaleiros. Não sairás desse quarto, embora estejas te negando a mim és minha esposa e todos devem acreditar que nos deitamos juntos esta noite.

- Então não me forçarás?- ela indagou surpresa, ainda segurando o punhal ensangüentado contra os dedos.

- Que tipo de homem a senhora pensa que eu sou?- retrucou ele rasgando um pedaço da própria camisa para estancar o sangue no braço. – Passaremos a noite juntos neste quarto, quer a senhora queria ou não. Nem que eu precise amarrá-la ao pé da cama.

- Me amarrará ao pé da cama para se aproveitar de mim?

- Eu não seria capaz de tomar uma mulher à força, se é com isso que estás preocupada. Principalmente sabendo que a mulher em questão seria capaz de morder-me ou machucar meu órgão sexual. Portanto, fique longe de mim a senhora!- ele advertiu, tirando as botas rapidamente e puxando uma das cobertas da cama para colocar no chão.

- O que está fazendo?

- Ora o que eu estou fazendo? Estou me deitando para dormir, senhora. Devia fazer o mesmo.

- Não tem medo que eu o apunhale pelas costas enquanto dorme, senhor meu marido?- ela indagou, ameaçadora.

- Senhora minha esposa, estarei com meus olhos bem abertos. Sou um soldado, não se engane, é a senhora que precisa ter cuidado!

E com aquelas últimas palavras, ele calou-se. Ana-Lucia ficou algum tempo andando pelo quarto, pensando no que fazer. Aquele homem a confundia. Por que ele não se comportava como todos? Por que não tentou jogá-la na cama, escancarou - lhe as pernas e a possuiu como Daniel fizera? Se ele estava pensando que agindo dessa forma conquistaria a confiança dela estava muito enganado.

Ana-Lucia queria trocar aquela camisola suja de sangue e poder dormir sem preocupações, mas não confiava naquele homem. Imaginava que se pregasse os olhos ele pularia sobre a cama e a machucaria.

Ela resolveu deitar-se com a adaga em punho, se ele se movesse, seria um homem morto.

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Sawyer acordou de repente ouvindo um barulho de choro. Ele tinha pegado no sono depois de se manter acordado por horas esperando algum movimento de sua algoz. Mas quando ouviu o ressonar suave dela na cama, ele conseguiu cochilar um pouco.

No entanto, agora ele a sentia mover-se sobre a cama, chorando e gritando:

- Não, por favor, Vivian, traga ela de volta, traga, por favor...

Ele levantou-se do chão e sentou sobre a cama. Viu que Ana-Lucia tremia e seu rosto estava tomado por lágrimas mesmo com os olhos fechados. Sawyer a trouxe para si e a abraçou forte, dizendo:

- Shiiii...estás sonhando, pequena, vai ficar tudo bem...

- A Vivian... – ela soluçou e abriu os olhos de repente. O brilho cor de âmbar fixou-se no azul dos olhos de Sawyer e mais uma vez ele sentiu a vontade irresistível de beijar sua esposa.

Ela tem um punhal.- disse uma voz em sua mente, mas que ele ignorou quando tomou posse dos lábios dela mais uma vez naquela noite e desta vez não encontrou resistência. Sua boca tomou a da esposa completamente, a língua masculina penetrou no calor macio da boca feminina.

Parecendo surpresa, Ana-Lucia se moveu nos braços dele, mas sua língua encontrou-se com a dele e por alguns instantes o tempo parou para ambos.

Continua...