3º- final de semana
-K-chan, Sakura-chan, finalmente desempacotei a última caixa!- disse Sango, passando a mão por baixo da franja, secando a testa do suor, estando exausta e tirou da caixa de papelão um vaso de porcelana.
O colocou ao lado da TV de 29 polegadas e de tela plana e se sentou no confortável sofá para descansar. Era sábado de manhã e nem queria pensar na segunda, quando logo de cara começaria a trabalhar.
-tia Sango-chan, você está bem?- disse Rin, se aproximando de Sango, olhando-a atentamente com os orbes violeta e segurando nas mãos um ursinho de pelúcia. Sango olhou para a pequena garota e sorriu. Pegou-a e a pôs sentada em seu colo e disse:
-estou sim, Rin.- deu um beijo na testa da menina e essa correu para o andar de cima, indo brincar no espaçoso quarto.
-Sango-chan, você está bem? –perguntou Kagome, aparecendo na porta da cozinha e entrando na sala, limpando as mãos no avental que vestia, e pegando um pequeno papel ao lado da Tv e lendo este em seguida.
-estou sim, Kagome.- Kagome arregalou os olhos e sorriu, ainda observando o papel.- o que há, K-chan? Você ficou feliz de repente!
-eu sou muito sortuda Sango-chan! Sabe a casa do chefe do Hikari? (fez que sim) é a casa vizinha!
-que bom!
-é. Vou terminar o almoço.- quando Kagome ia para a cozinha, Sakura desce do andar de cima, com uma saia azul marinho que batia nos seus joelhos e uma blusa preta de alças finas. Os cabelos estavam presos em um rabo de cavalo frouxo e trazia Rin pela mão.
-aonde vai, Sakura? Ainda temos muita coisa para arrumar. E não temos comida pro jantar, teremos de...
-eu estou indo providenciar isso agora, vou ao supermercado, aqui perto, nem preciso ir de carro.
-e vai levar Rin junto?- disse Sango surpresa. Sakura nunca levava Rin ao supermercado. Rin adorava pedir doces e Sakura não queria que a filha se viciasse nesses.
-eu só vou levar Rin para matriculá-la na escola. Não vou demorar. Sango, você está bem?
-Hai, por que todos perguntam isso?
-nada, você só parece cansada. Ja ne, minna - disse, pegando sua bolsa e saindo com a garotinha, que sorria.
Na verdade, o que Sango tinha não era cansaço, mas sim não conseguia parar de pensar no Houshi. Ele era um Hentai, tarado, mas algo nele a atraía.
-Okaa-san, compra esse chocolate para mim? Onegai!- disse Rin. A mãe já a havia matriculado em uma escola e agora estavam em um supermercado próximo a casa delas.
-Rin, sabe que se eu comprar esse, vai ser o único.- a garota fez que sim com a cabeça e a mãe pegou a barra de chocolate e a pôs no carrinho de compra. Umas duas horas depois estavam voltando para casa.
-Rin! Volte aqui e pare de correr no meio da rua!- disse Sakura, ao ver a filha disparar pela rua. Rin viu um carro correndo muito indo na sua direção e ficou estática. Sakura correu até ela e a pegou no colo, saindo correndo com ela para o outro lado da causada. O carro parou a poucos milímetros de onde a pequena menina estava, freando bruscamente.
-você é maluca de deixar sua filha andando no meio da rua?- disse o youkai que saiu do carro. Possuía cabelos prateados, olhos dourados e era bem forte, além de ter uma expressão fria. Sua voz saiu calma e rude, e ainda fria.
Sakura olhou-o com um olhar mortal. Desde que havia sido abandonada por um homem, aprendera a nunca mais a confiar em um, somente em Miroku e odiava quando era tratada como sexo frágil por um, ou então que eles lhes dessem ordens e era exatamente isso que estava acontecendo.
-o louco é você! Sai por aí dirigindo a alta velocidade, sem ver nada na sua frente!- gritou ela. Olhou-o mais atentamente com os olhos violeta e pode reconhece-lo. Aonde o vira? Acabou lembrando-se da cena:
Flashback
Quando estavam saindo, Sakura viu Miroku perto do carro dele, conversando com um youkai lindo, de olhos dourados, cabelos prateados e duas manchas roxas nas bochechas.
-Sesshoumaru, tenho uma ótima notícia. Minha amiga veio de uma outra cidade e ela e as amigas duas amigas dela aceitaram trabalhar na empresa e de sua secretária!
Sakura balançou a cabeça, desviando seu olhar para o seu carro e colocou a franja atrás da orelha direita e ajeitou os longos cabelos ruivos, presos em um rabo de cavalo.
Fim flashback
"Claro! Ele era o youkai que estava com o mi-kun! Qual o nome dele mesmo? É... Sesshoumaru". Lançou-lhe mais um olhar raivoso e entrou na própria casa, ainda com a criança nos braços. Ao vê-la fazer isso, Sesshoumaru observou-a atentamente, vendo como era jovem para já ter uma filha, mas logo entrou no carro, e guiou esse até a garagem da casa vizinha ao prédio dela.
Dentro do aeroporto, Inuyasha olhava para os lados. Estava em Kyoto, e observava para ver se via o empresário com quem faria negócios. Estreitou os orbes dourados e bufou, quando não localizou a pessoa.
-com licença...
Disse uma voz fina de mulher, tocando-lhe o ombro.
Ele se virou e viu uma linda mulher, de aparentemente uns 27 anos de idade, corpo de belas curvas, olhos vermelhos... Arregalou os próprios orbes ao dizer:
-Kagura?
-isso mesmo Inuyasha.
Ele observou-a. Parecia uma executiva. Os cabelos, presos em um coque simples; usava um conjunto respeitável, uma blusa branca delicada sem detalhes e um casaquinho cinza. Uma saia colada que batia em seus joelhos. Uma leve maquiagem, para não ser reparada.
-eu sou a representante da empre...
Mas parou de falar e se virou, ao ouvir uma voz infantil chamar-lhe.
-okaa-san!
-Shippou, eu disse para me esperar lá!
Um menino de oito anos correu até ela, e ela o pegou pela mão.
-Inuyasha, este é Shippou, se lembra dele?
-é o seu filho? Lembro que da última vez que o vi, foi no aniversário dele de três anos, como você cresceu!
-eu não me lembro do senhor!
-não me chame de senhor, me chame de Inuyasha.
-ta bom, Inuyasha.
-mas Kagura, você é a representante da empresa com quem eu vou negociar?
-Hai.
-nossa, faz tempo mesmo que não nos vemos. Lembro que você era a recepcionista da minha empresa, antes de se mudar para cá.
-pois eh. As coisas mudam.
-e aquela sua 'quedinha' pelo Miroku? Já passou?
-claro que sim! Aquilo era coisa de juventude. Eu tinha 20 anos. Já amadureci.
Kagura levou-o até o local da transição.
-ai que ódio!- Sango pode ouvir Sakura dizer, antes de bater a porta a ponto de quebrá-la, embora isso não tenha acontecido.
-o que ouve?
-um idiota que estava passando pela rua e quase atropelou a Rin.
A menina desceu do colo da mãe e disse:
-ah, okaa-san. O moço até que era bonitinho.
A mãe olhou escandalizada para a filha e disse:
-vê se isso é coisa para uma menina de seis anos falar? Com quem aprendeu esse tipo de coisas?
-com a...
A menina ia falar, mas ao ver o gesto negativo e exasperado de Sango, disse:
-foi na escola okaa-san.
Sakura olhou para Sango, que baixou as mãos rapidamente e disse, raivosa:
-que tipo de coisas anda ensinando para a minha filha sua maluca desnaturada?
-bem... Sabe, her...
-nani!
-Rin-chan, acho melhor ir para o quarto!- disse Sango, e a menina, sem pestanejar ao ver o estado da mãe foi.
-pare de enrolar e conte logo Sango!
-não conto nada a ela! Eu somente a ensinei a reconhecer quando os garotos são bonitos!
-e isso é o seu nada? Minha filha tem apenas seis anos Sango, onegai!
-Gomen ne, Sakura-chan.
-o almoço está pronto, minna!- gritou Kagome da cozinha.
-já vamos, K-chan!- gritaram Sango, Sakura e Rin que saiu do quarto correndo.
Elas sentaram-se à mesa de vidro, que ficava na sala de jantar, ao lado da cozinha. Após se alimentarem e escovarem os dentes, todas sentaram no sofá.
Ficaram sentadas lá, até mais ou menos umas 8 da noite e Kagome disse, após desligar a TV, ao ver que nada de bom passava:
-que tal irmos ao cinema?
-por mim ta ótimo.- disse Sango.
-vamos, Okaa-san?- disse Rin, virando os olhos violeta que brilharam com a idéia de ir ao cinema.
-eu não sei, vocês duas, já passamos da idade de ficar indo ao cinema e já está tarde para Rin...
-vamos! - disseram as amigas, infantilmente.
-podemos ver um filme para a Rin-chan - disse Sango.
-ah, tudo be...
-SUGOI!- gritaram as outras duas.
-DAME! Não gritem!
-gomen ne...- disseram as duas, ainda infantis.
-vamos então.
Todas tomaram banho e se arrumaram.
-então, Taisho-sama, assinará o contrato?- disse o empresário, estendendo a folha para Inuyasha.
-Hai.- disse Inuyasha, enquanto assinava o contrato. Poucos minutos depois, saía da sala, acompanhado por Kagura.
-e então Inuyasha, como é a vida em Tóquio? Continua agitada?
-Hai, mas eu gosto. Trabalho bastante.
-e os seus filhos?
-estão bem. Mas andam muito levados, não sei o que há com eles.
-oras, nenhuma criança pode ser tão levada assim!
-você não conhece meus filhos! Da última vez que os viu, o mais velho tinha dois anos.
-tem razão, mas eles não podem ser tão sapecas assim.
-eles não são sapecas! Você sabe que nossa casa é antiga. Ela está na família há umas cinco gerações. Parecem que querem destruir a casa. Ontem mesmo eles quebraram a pia do banheiro.
-bem, quem sabe se conversar com eles...
-a Kaede, a governanta da casa já conversou, mas não adiantou nada. Todas as babás que ficam com eles vão embora, pois eles as estressam por demais. O Miroku disse que arranjou uma nova babá para eles, e eu vou conhece-la segunda-feira. Espero que ela fique.
-Iie, Sakura-chan! Nós queremos ver um filme de terror!- Sango bateu o pé no chão, cruzando os braços como uma criança.
-Sango-chan, terror não é filme para uma criança ver!
-mas Rin-chan também quer ver o filme, não quer?-continuou a morena, para a menina.
-e quem disse que quando eu falei 'criança' me referia a Rin?- ironizou Sakura.
Sango sorriu, aproveitando-se da fala de Sakura.
-bem, se Rin-chan não é o problema, eu é que não irei ser, prometo não me impressionar com o filme.
Sakura ia rebater, quando ouviu uma risada atrás de si. Virou-se raivosa, querendo saber quem ria dela e arregalou os olhos violeta, espreitando-os logo depois em sinal de raiva, ao ver o ser de cabelos prateados novamente.
Ele parou de rir e disse para ela:
-ora, ora, vejamos quem é, a vizinha irresponsável.
-eu não sou irresponsá...- gritou Sakura, embora tenha parado no meio da frase, para estreitar ainda mais os olhos e dizer:- como assim... Vizinha?
-você entendeu muito bem.- ele completou, lançando-lhe um olhar frio, embora ela tenha respondido à altura, lançando-lhe outro olhar tão ou mais frio que o seu.
-com licença...- começou Kagome, chamando a atenção dos dois raivosos.- você por acaso é o senhor Inuyasha?
O olhar de Sesshoumaru tornou-se mais frio ainda, ao ouvir o nome e disse também friamente:
-não. Este é o nome do meu irmão.
-desculpe...- disse Kagome prontamente, que ainda estava a observar os olhos frios e dourados de Sesshoumaru.
Sakura não estava raciocinando. Pegou Rin pela mão, vendo que a menina fazia sinais claros de querer falar com Sesshoumaru e disse:
-vamos, Rin.
-mas Okaa-san, eu queria cumprimentar o moço. Você me ensinou que sempre devemos fazer isso e ele não me parece mal...
-só devemos cumprimentar as pessoas que são educadas conosco Rin.
Arrastou a menina até a bilheteria, já tendo visto que a próxima sessão para o filme de terror estava para começar.
-duas entradas, onegai.
Sango e Kagome também compraram as entradas e Sakura não viu Sesshoumaru sorrir, algo que ele raramente fazia e murmurar um: isso vai ser interessante - antes de comprar a entrada para o mesmo filme que elas.
Ao chegar dentro da sessão de cinema, Sesshoumaru olhou envolta. Pode ver, sentadas mais ou menos no meio, com Sango na ponta direita, Kagome ao seu lado, Rin depois e Sakura depois da filha, no meio da fileira. Dirigiu-se para lá e sentou ao lado de Sakura, que nem reparou na sua presença.
Ainda se arrependia mentalmente de ter deixado Rin entrar, mas não o fizera de propósito. Fizera tudo na pressa, e agora se arrependia. As cenas do filme eram de chocar qualquer criança, embora não tivesse reparado que várias dessas estavam espalhadas pela sala de cinema, alegres com o filme. No entanto, podia sentir Rin desconfortavelmente mexendo-se na cadeira ao seu lado.
Até mesmo ela se impressionara um pouco com o filme e podia sentir Sango estremecendo de sua cadeira.
-tudo culpa daquele idiota do Sesshoumaru!
-falou de mim? Eu não me lembro de ter contado-lhe meu nome.
Sakura deu um grito e pulou da cadeira, fazendo Sango, Kagome e Rin se assustarem também e viraram-se para ela.
-Sakura-chan, está tudo bem?
-se impressionou com o filme?
-okaa-san, o que ouve?
-seu...- ofegou Sakura, virando-se lentamente para Sesshoumaru, ainda respirando com dificuldade e sentindo que o coração saltaria do peito.-...Idiota!
Ao verem que Sakura começara a xingar um homem novamente, as três viraram-se para frente novamente, a tempo de ver uma pessoa cortar com um serrote a cabeça de uma mulher, fazendo essa rolar e jorrar muito sangue.
-com que... Intenção você me assusta desse jeito, seu completo... Imbecil?- diz Sakura, pondo a mão no coração na intenção de controlar esse, que ainda batia descontrolado.
-nenhuma, somente queria ver você levar um susto.- disse ele, encostando-se na cadeira e pondo as mãos atrás do corpo, em um movimento relaxado. Voltou a sua posição anterior, e observou Sakura, vendo que esta já estava com os olhos violeta voltados para a tela, com as mãos no pote de pipoca. No entanto, sabia que ela não prestava atenção no filme era só uma intenção de não falar com ele.
-me conte, como descobriu meu nome.- disse ele, mas ela não respondeu.- estou esperando.
Sakura suspirou fundo. Vendo que ele não a deixaria em paz se não falasse com ele, disse:
-Miroku me contou - mentiu. Ele olhou-a curioso e disse, sarcástico:
-não me diga que você é a amiga dele que irá trabalhar no meu escritório de advocacia?
Sakura deu outro pulo na cadeira, no entanto, dessa vez não chamou a atenção das amigas e da filha.
-eu... Havia me esquecido completamente!- disse, de queixo caído.- droga!
Deu um murro na cadeira, sem se importar com a dor nas juntas da mão.
-mas... Isso não muda nada!- ela disse, séria.
-como assim?- Sakura o interrompeu, dizendo:
-fora do emprego, você não passa de meu vizinho chato!
-ora, a chata e irresponsável aqui é você.- disse, divertido.
-se acha isso tudo de mim, porque então continua sentado ao meu lado, acabando com meu final de semana e o meu final de semana?
Sakura se virou para ele, encarando-o seriamente. Sesshoumaru deu de ombros e disse:
-porque é muito divertido irritá-la.
Sakura ia responder, raivosa, quando Rin se levantou da cadeira, sentou em seu colo e disse:
-okaa-san, estou com medo do filme! Vamos embora, onegai!
-claro Rin.- disse Sakura sorrindo docemente para a filha. Virou-se para as amigas e disse:
-Rin precisa ir para casa, vocês vão ficar?
Sango e Kagome trocaram olhares e Sango disse:
-Hai. Depois podemos voltar de ônibus.
-nada disso. Eu posso levar vocês.- disse para Sakura.
-nani? Iie!
-você vai mesmo fazer suas amigas pegarem ônibus há essa hora?
Sakura correu para olhar a hora no relógio de pulso e viu que eram quase 11 da noite.
-grrr. Ele tem razão.- disse, contrariada. Rin estendeu as mãos para ela, pedindo que a pegasse no colo e foi o que Sakura fez, quando Sesshoumaru, sorrindo vitorioso disse:
-ótimo. Vamos?
E eles saíram. Rin lutava para se manter acordada, mas estava ficando difícil, já que o silêncio pairava entre os adultos. Sakura estava ao mesmo tempo constrangida e com raiva por ser levada para casa por um homem, e Sesshoumaru nada falava, pois achava que talvez Sakura já estivesse com raiva –e estava com razão ao achar isso - por ele estar a levando para casa.
Ao chegar no carro de Sesshoumaru, Sakura pôs Rin no banco de trás, e logo a menina dormiu. O caminho foi silencioso, somente podia ouvir-se o barulho da tempestade que começara a cair, assim que saíram do shopping.
Quando chegaram na rua deles, Sesshoumaru parou o carro na frente do prédio de Sakura e ela disse:
-arigatou.- e abriu a porta, pegou Rin no colo, já adormecida e cobriu-a com o próprio casaco, para que não se molhasse com a chuva. Virou-se para o prédio, e Sesshoumaru disse, chamando sua atenção.
-até segunda-feira.
-até.- respondeu Sakura, correndo para dentro do prédio.
Sesshoumaru soltou um mínimo sorriso e disse baixo:
-ela é muito resmungona, mas é uma ótima mãe, além de ser linda.
E guiou seu carro até a garagem da mansão ao lado.
Sakura abriu a porta de entrada e o porteiro comentou, ao vê-la andar em direção ao elevador:
-Acho melhor não usar o elevador.
-doushite?- disse Sakura, mas logo a luz de toda a rua acabou. Murmurou um 'maldição' e ainda com Rin no colo, andou em direção as escadas.
"Ninguém mandou comprar um apartamento no último andar, Sakura".Pensou a mulher, correndo nas escadas, sentindo o frio pela água gelada dominar seu corpo. E por mais incrível que pareça, Rin ainda não havia acordado, embora de vez em quando espirrasse.
-kuso! Agora Rin vai ficar resfriada por minha causa.- Sakura murmurou baixo, embora não fosse nisso que pensasse.
"Ora Sakura, não adianta tentar se enganar. Sabe que está pensando no gato do seu vizinho!" -disse uma vozinha na sua cabeça e ela arregalou os olhos raros, balançando a cabeça negativamente.
"Sua doida! Eu não penso em homens há seis anos!" -retrucou Sakura.
"Isso não a impede de pensar em um agora!" -Sakura ignorou a voz em sua cabeça, embora ainda pensasse em Sesshoumaru.
"Ele pode ter sido um grosso, mas você não pode esquecer o cavalheirismo com que ele lhe tratou ao oferecer-se para trazer você em casa".
"Mas ele tinha que compensar de algum jeito a forma que me tratou antes!".
"Oras, você também foi grossa com ele!".
Sakura havia chegado ao 12º andar, que era o seu e pensou:
"Chega de discutir, temos opiniões diferentes e logo acabarei gritando, e acordarei Rin! O que eu estou pensando! Estou ficando maluca e isso é culpa do Sesshoumaru!". E ficou com mais raiva ainda.
Abriu a porta com dificuldade, já que Rin estava pendurada em seu pescoço e só poderia abrir a porta com uma mão.
Levou Rin para o quarto dela e foi para o seu.
"Esse sábado foi muito exaustivo!".
Kagome arregala os olhos, ao ouvir um estalo. Vira-se raivosa.
-Sango! Não faça barulho! Vai acordar a Sakura-chan e se isso acontecer...- sussurrou. Sango, que havia acabado de fechar a porta e tirar os sapatos, jogando esses no chão disse, no mesmo tom que Kagome:
-Gomen ne. E eu sei, ela corta nossas cabeças por termo ido para a balada sem avisar e somente chegado há essa hora.
Sango conferiu no relógio. Eram 3 da manhã. As duas fecham os olhos, quando a luz da lâmpada invade a sala. Abriram os olhos e puderam vez Rin coçando os olhos, de sono, segurando no braço esquerdo um ursinho de pelúcia. As duas suspiraram de alívio e Rin disse, sonolenta:
-o que foi? Por que estão tão aliviadas?
Kagome e Sango trocaram olhares, sorrindo. Rin era mesmo uma menina muito inteligente, herdara isso da mãe. Sango disse a Rin:
-sua mãe não pode saber que chegamos há essa hora.
-okaa-san dorme como uma pedra, Tia Sango-chan.
Kagome e Sango foram para os quartos. Nem poderiam tomar um banho. Trocaram de roupa e foram dormir, após colocarem Rin novamente na cama.
Sango e Kagome acordaram com o som irritante do telefone. Podiam sentir que a cabeça ia explodir, graças a toda a bebida que havia tomado. Não chegaram a ponto de ficarem bêbadas e podiam dirigir normalmente, mas haviam bebido um pouco a mais que o normal. Sango se levantou com a mão na cabeça e foi em direção à sala, aonde o telefone sem fio ainda tocava. Kagome apareceu ao seu lado, também com a mão na têmpora, as duas estavam com dor de cabeça.
Puderam ver Sakura saindo da cozinha, vestida com um avental, andou até o telefone, limpou as mãos no avental e pegou o telefone.
-mushi, mushi?
-Sakura-chan, que bom ouvir sua voz!
-mi-kun!- disse Sakura, animada.- por que está ligando?
-eu tenho que contar a você e suas amigas os detalhes dos novos empregos. E é bom que eu talvez possa ver a Sango.
-por que você não vem almoçar aqui?
-agora?
-é.
-então ta. Eu vou, será que posso levar o meu chefe? Ele está precisando relaxar e ainda terá a chance de falar com a nova diretora de marketing e a nova babá dos filhos.
-claro. Ja ne.
-ja ne Sakura-chan.- e desligou. Rin veio correndo da escada que ficava ao lado da cozinha, que levava há cobertura, onde havia uma pequena piscina para Rin, outra bem mais funda e redonda para elas. Havia um cômodo aonde elas haviam transformado em área de estudo, um banheiro ao lado dessa e aonde deveria existir mais um cômodo, elas mandaram retirar as paredes para ficar uma área de animais, aonde o filhote de labrador delas estava brincando com Rin (toda a área era envolta por uma rede de segurança).
-era o Tio Mi-kun, okaa-san?
-Hai Rin. Ele virá almoçar com a gente, só não quero ver você correndo na escada.
Rin deu pulos de alegria, murmurou um 'Hai' e voltou para a cobertura. Sakura começava a voltar para a cozinha, quando Sango disse:
-quem ele pensa que é para ligar a essa hora da manhã?
Sakura virou-se para Sango, com uma cara interrogativa e perguntou:
-quantas horas pensa que é, Sango-chan?
-quantas horas são?- disse Kagome fechando os olhos e levando a mão à cabeça, sentindo uma pontada nessa.
-quase meio-dia. O almoço está quase pronto.
Sango e Kagome trocaram olhares.
-vejo que se divertiram ontem.
E voltou para a cozinha, com Sango e Kagome em seu encalço.
-nani?- disseram as duas.
-ora. Acham que sou burra? Eu sei que vocês chegaram tarde ontem. Vocês normalmente acordam tarde, mas meio dia é exagero.- disse Sakura, dando de ombros, enquanto mexia algo dentro da panela.- devem ter ido para outro lugar depois do filme. Eu não sou a mãe de vocês para recriminá-las, mas só acho que teria sido mais prudente não beberem, a ponto de terem uma ressaca. Sabe Kagome, Miroku disse que vai trazer o chefe dele, que é o pai das crianças de quem cuidará.
-NANI? Itai...- disse, após gritar, sentiu a cabeça latejar mais uma vez.- não posso vê-lo com essa ressaca!
-tomem isso.- disse Sakura, estendendo duas xícaras a elas.- é um chá que minha mãe me ensinou a fazer, melhora a ressaca bastante.
Sango observou o conteúdo do copo. Parecia um chá comum, de cor amendoada. Cheirou. Tinha cheiro de menta e mel. Ela e Kagome os levaram aos lábios, mas cuspiram o pequeno gole que haviam levado à boca, quando sentiram seu gosto:
-que horror!
-as duas bebam já!- ordenou Sakura, pegando um pano e sacando o chão. Ao se levantar, diz:
-ele tem tudo que precisam para curar ressaca! Agora bebam!- disse, fazendo que levaria as mãos aos copos. As duas se apressaram a beber, fazendo um muxoxo a cada gole.
-pronto - disse Kagome, limpando a boca e entregando o copo a Sakura. Sango entregou o copo também, e correu para o banheiro. Kagome olhou para Sakura, de olhos arregalados e essa respondeu:
-fique calma. Ela foi só lavar a boca, embora...
Sango já estava voltando para a cozinha, quando deu meia volta e correu novamente para o banheiro.
-...Embora vocês logo acabem por vomitar também.
-nani?- perguntou Kagome, sentindo o estômago revirar.
-eu disse que o chá fazia bem. Ele faz os sintomas da ressaca irem embora, e o vômito é só um efeito colateral. Só digo algo...- completou Sakura, voltando-se para a entrada da cozinha.-... Depois que vomitar K-chan, beba muita água, depois que vomitar, pois isso causa desidratação.
Sango, que já tinha saído do banheiro após escovar os dentes, olhou feio para Sakura e foi beber água. Kagome, sentindo a bebida da noite anterior voltar queimando para a boca, correu para o banheiro e vomitou toda a bebida e o chá.
Escovou os dentes e foi para a cozinha, aonde encontrou Sakura cortando alguns legumes com digamos, ligeira 'violência'. Kagome podia sentir que a dor de cabeça passava rapidamente.
-Sakura-chan, o tomate não precisa ser morto.- disse, bebendo logo após um copo d'água. Sakura reparou no que estava fazendo e arregalou os olhos. Jogou-o fora e foi para pegar outro, mas Sango se aproximou e disse:
-deixe isso comigo. O que a está deixando tão brava?
Sakura virou-se para a panela, que fervia no fogão.
Inuyasha olhou envolta. Miroku havia lhe dito que iria buscá-lo para levá-lo para conhecer a nova diretora de marketing da empresa e a nova babá de seus filhos. Logo o avistou, acenando freneticamente, chamando muita atenção.
-como é discreto.- disse ironicamente. Caminhou lentamente até ele, que disse:
-ohayo, Inuyasha!
-você é tão discreto Miroku!
-ah, Inuyasha. Você precisa relaxar!
-vamos logo Miroku. Eu ainda vou revisar o –contrato em casa- os dois foram em direção ao carro de Miroku.
-tem mais uma pessoa que vai ir com a gente.
-quem?
-surpresa.
Quando chegaram na rua das três, Inuyasha diz, ainda dentro do carro, sem olhar do lado de fora.
-não sabia que ia vir na minha casa.
-elas são suas novas vizinhas.
-Hountou ni? Eu nem sabia que tinha novas vizinhas.
-trabalha demais, não repara em nada.- disse alguém friamente na calçada. Inuyasha olha a pessoa, incrédulo.
-você vai com a gente?
-eu acho que sei o que é.- disse Kagome, arrumando a mesa na sala de jantar.
-nani?- perguntou Sakura, virando-se para a amiga e arregalando os orbes de cor rara.
-Sesshoumaru-sama.
Sakura virou-se de costas para Kagome, com os olhos cuspindo fogo, enquanto Sango e kagome disparavam a rir. Quando conseguiu para um pouco, Sango disse:
-ora Sakura-chan. Ele foi até educado trazendo você e Rin-chan para casa.
-ele é... É...
-lindo.- disse Sango, dando de ombros para Sakura, e acabando por cortar o dedo com a faca.
-bem feito!- disse raivosamente a ruiva.- quem fala demais dá bom dia a cavalo.- Sango mostrou-lhe infantilmente a língua e sakura completou.- ele é um idiota! Isso sim.
-você tem que admitir que ele é bonito, Sakura-chan! –forçou Sango.
-Iie!
-vai, até a K-chan admite!- as duas olharam a terceira, pedindo apoio e Kagome disse:
-Sakura-chan, gomen ne, mas tenho que admitir. Ele é um gato.
Sakura somente deu com os ombros e disse:
-eu não acho.- e abriu o forno, pegando outra panela nele.- o almoço está pronto. Só falta a salada Sango. Você pediu para fazer e até agora, nada.
-está aqui.- disse Sango, entregando-lhe a vasilha com a salada. Kagome pegou e colocou na mesa, dizendo:
-se dependêssemos de você para almoçar Sango-chan, estaríamos fritas. Você demora para fazer a salada o que se demora para fazer um almoço inteiro.
Levaram tudo para a sala de jantar.
-Rin-chan! O almoço!- disse Sakura, indo para o quarto. Todas trocaram de roupa. Agora que Kagome e Sango sabiam que perto de Miroku não se usava saia, elas vestiram calças. Sango vestiu uma calça preta capri, que batia pouco abaixo dos joelhos, com uma blusa de alças grossas dessa mesma cor. Deixou os cabelos soltos.
Kagome vestiu uma calça jeans clara, com uma blusa de mangas curtas vermelha e prendeu os cabelos em um alto rabo de cavalo, Sakura vestiu uma calça jeans escura, uma blusa de alças finas branca e pendeu os cabelos em uma frouxa trança. Sabia que as amigas tinham que conquistar a confiança do novo chefe, Inuyasha e a primeira impressão é a que conta, ou seja, a aparência.
"O meu novo 'chefe' (fez uma careta) não vai vir mesmo" pensou Sakura, sorrindo. Sentou-se na poltrona da sala, relaxando, bem no momento em que o interfone toca. Ela o pegou e antes de falar, disseram:
-Sou eu Miroku. Pode me deixar entrar?
-seja mais educado, seu grosso pervertido!-pode ouvir alguém falar baixo.
-Assim que me deixar falar, eu o deixo entrar.
-bem feito.- pode ouvir outra voz falar, mais fria.
Sakura abriu o portão. Logo que Sango e Kagome saíram dos seus quartos, Alguém bateram na porta.
Sakura andou até a porta e a abriu. Arregalou os olhos. "Ele não pode estar aqui, me atormentando de novo!".
-você?- disse finalmente, enquanto Miroku olhava dela para Sesshoumaru, que sorria de lado.
Oi minna-san!
Aí está o 3º capítulo. Espero que estejam gostando:
Eu queria ter chegado na parte em que elas vão trabalhar, mas assim o cap. Ia ficar muito grandi.
Muitíssimo obrigadu a quem me mandou reviews, (embora eu gostaria de receber mais)
Mandem reviews onegai!!!
Ja ne.
