Opostos

Bleach não me pertence. Pertence ao Kubo Tite, né.

Capítulo 03 - O jovem Médium

Eram pouco menos que 9 horas da manhã. Logo o sinal alertaria à todos, principalmente aos mais atrasados, de que não havia tempo sobrando e os portões da escola simplesmente se fechariam. Em um beco sem saída, utilizado como depósito de lixo de um restaurante, três sombras estavam paradas, conversando algo em um tom baixo. Os dois maiores pareciam ouvir e obedecer atentamente ao terceiro. Este, por fim, murmurou algo final para ambos, vendo-os desaparecer imediatamente de seu campo de visão tediosamente, e então saiu do beco, com uma mochila nas costas.

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Hinamori desenhava distraidamente no seu caderno, enquanto todos os colegas conversavam, agitados. Estavam na metade da primeira aula e o professor ainda não aparecera. Ela se preocupou e quase saiu para investigar e ver se o homem estava em perigo, mas ouviu os colegas comentarem como era comum que o sensei faltasse e que não estavam surpresos.

Em um canto ao fundo, vários alunos sentavam-se em círculo, conversando. Rukia estava com os braços cruzados, fazendo-se de interessada e animada, mas na verdade não prestava muita atenção no que diziam. Queria completar sua missão o mais rápido possível e passar já duas semanas naquele mundo humano a deixava aflita. Quando conseguiriam uma boa pista sobre o causador de tudo aquilo?

Ichigo estava sentado ao seu lado, com uma cara impaciente. Aparentemente a colega não lhe bateria hoje. Havia tentado descobrir o que exatamente um ser como ela estava ali, mas sempre levava um chute. Voltara para casa com o rosto inchado três vezes só naquela semana! Bufou e decidiu que ficaria quieto, não insistiria mais no assunto.

"Teve aquela vez que o sensei chegou faltando 5 minutos para o próximo horário! E ainda quis nos dar aula!" - Um garoto de cabelos castanhos falou.

"Aquele dia foi terrível. Nem me lembre." - Uma outra aluna de cabelos negros e curtos completou, cruzando os braços.

"Mas pelo menos tivemos 45 minutos livres, certo?"

Rukia piscou diante da garota ruiva. Ela lhe olhava diretamente, com as bochechas levemente coradas, como se quisesse que ela participasse da conversa. Apenas assentiu, observando-a atentamente. Seus cabelos eram longos e lisos e ela possuía um busto realmente avantajado. A Kuchiki sabia que não deveria, mas não conseguiu deixar de se sentir envergonhada com o tamanho dos seus e cruzou os braços na altura dos seios. Não se lembrava do nome dela.

"E você Kuchiki-san?" - A ruiva falou mais uma vez, juntando os dedos de maneira tímida. - "Como era sua vida antes de se mudar pra cá?"

Rukia sorriu e arrumou-se na carteira, pensando como sentia falta do paraíso. Apesar de que ver o irmão usar um avental de flores todos os dias lhe rendia uma ótima diversão.

"Era bem simples. Eu não saía de casa e ficava sempre estudando." "A vida dos humanos." - Completou em pensamento.

"Não se sentia entediada?"

"Orihime, ela leva a vida de estudante a sério. Você também deveria." - A morena de cabelos curtos falou, dando um leve soco na cabeça da ruiva.

Ichigo silenciosamente se levantou e saiu da sala. Andou lentamente pelos corredores, sentindo uma presença estranha. Conseguia ver, encostar e lidar com espíritos e descobriu que com outros seres supernaturais também. Afinal, sua colega de sala era um anjo! E aquela presença que passara pela porta da sua sala, emanando uma aura negra e um forte cheio de enxofre que parecia que somente ele notara com certeza era diferente de um fantasma.

Acelerou o passo ao sentir que a presença estava mais próxima e subiu as escadas rapidamente até o terraço. Abriu a porta com cuidado e avistou o céu azul, com poucas nuvens. Adoraria tirar um cochilo ali se não fosse pela tensão que sentia. Olhou em todos os lados e cantos, respirou fundo e nada. Não sentia mais a presença do misterioso ser.


Inoue Orihime era uma menina bem distraída e dificilmente se concentrava realmente nas aulas. Conseguia passar de ano, mas sua mente sempre voava para coisas mais engraçadas e divertidas, como os barulhos do jardim ou como seria se o professor se vestisse de palhaço. Não podia evitar. Amava coisas divertidas e relacionadas à comédia. Quem a conhecia de relance juraria que ela era a típica garota feliz sem problemas na vida. Era gostaria que fosse realmente assim, mas o buraco em seu coração não desapareceria tão fácil.

Sempre viveu com o irmão mais velho, já que ambos fugiram de casa quando Inoue era apenas um bebê. Seu irmão lhe dizia que eles a espancavam muito e já haviam tentado matá-la mais de duas vezes. Os dois conseguiam viver bem juntos, dividindo despesas e atividades domésticas. Até no dia em que seu irmão é atropelado e ela é deixada sozinha no mundo, sem ninguém para recorrer nos momentos difíceis. Adorava a felicidade porque se esquecia momentaneamente de todas as coisas ruins que povoavam sua mente, como se nunca existissem.

Estava contando atentamente os minutos que faltavam para o intervalo, quando sentiu uma enorme tristeza. Se lembrou do seu irmão, do dia que ele morrera. Sentiu uma vontade imensa de chorar. Por que estava sozinha? Sentia falta dele! Não era necessária ali, afinal, todos possuíam suas famílias e estavam completos. Menos ela. Deitou a cabeça na carteira, sentindo uma enorme dor em todo o seu corpo.

Á sua frente, Ichigo a olhava pasmo. Rukia e Hinamori também. Uma enorme sombra negra envolvia a menina lentamente, à medida que a expressão da mesma se tornava mais e mais fechada. Aquela misteriosa sombra era um demônio bem fraco, mas traiçoeiro que se alimentava das fraquezas dos outros. Lentamente a nuvem entorno da Inoue sumiu e ela ficou imóvel na carteira, deitada, segurando fortemente sua lapiseira.

"SENSEI!" - Rukia gritou, levantando-se de repente, assustando os outros colegas. - "A Inoue-san está passando muito mal, posso levá-la pra enfermaria?"

O professor observou a baixinha atentamente e depois à Inoue. Ela não se mechia na carteira. Assentiu, temeroso de que fosse algo grave a para sua surpresa a Kuchiki não só conseguiu levantá-la como também a arrastou habilmente para fora da sala, colocando a ruiva em suas costas.

Rukia não seguiu para a enfermaria. Correu até um corredor que teve certeza de que não passaria ninguém pelos próximos minutos e colocou a garota no chão, examinando seu pulso e olhos. Ela estava viva, mas possuía uma feição angustiada, como se fosse morrer a qualquer instante. Mordeu a ponta do dedo, hesitante. Exorcisar uma pessoa era difícil e degastante. Se aparecessem mais demônios como aquele, estariam encrencados. Mas também não podia deixar a menina desfalecida daquele jeito!

Se assustou quando o sinal tocou. Olhou para os lados rapidamente e correu para o terraço, para que os outros alunos não a vissem. Quando Rukia chegou lá, colocou Inoue deitada no chão em uma parte bem ensolarada. No mesmo instante a menina começou a gritar e a se contorcer com ambas as mãos no rosto, assustando a Kuchiki.

"Rukia-san!" - Hinamori abriu a porta correndo, parando ao ver Inoue gritando. Olhou para um dos lados, era difícil de presenciar uma cena como aquela.

"Parece que o sol afeta o demônio que a possuiu. Mas não sei se isso pode ser bom ou ruim para a Inoue-san."

"Temos que purificá-la logo."

Rukia assentiu, voltando a observar a Inoue. Momo observou o céu silenciosamente, pensando no melhor meio de livrar a menina daquele mal. Antes que pudesse formular algo na mente, a ruiva se levantou em um salto, com os olhos arregalados e chorando. Mantinha as mãos na altura do rosto e direcionava o olhar para as duas paradas na sua frente.

"Ku..Kuchiki-san?"

Ambas arregalaram os olhos.

"Aqui está muito quente. Tem muita luz... EU ODEIO TUDO ISSO!" - Inoue gritou, tampando os ouvidos com as mãos e se abaixando, gritando alto.

A porta do terraço se abriu e mais uma vez estudantes adentraram ali correndo. Ichigo e outros colegas observavam a menina pasmos. A garota de cabelos curtos que antes conversava com o grupo tentou se aproximar da Inoue, mas foi impedida pelo Kurosaki. Ele vira aquela sombra estranha e sentia uma presença estranha na colega de classe. A mesma que tentara perseguir mais cedo.

"Por que estão aparecendo cada vez mais pessoas?" - Inoue murmurou, olhando horrorizada os colegas. - "Vocês vieram rir de mim! Parem com isso! SAIAM DE PERTO DE MIM!"

"Isso não é bom." - Rukia pensou, praguejando. - "Saiam daqui! Só estão piorando as coisas!"

"Não vou abandonar a minha amiga assim!" - A morena gritou, ainda sendo segurada por Ichigo.

"Tatsuki, acalma." - Ele falou, se aproximando cauteloso. - "Não é a Inoue que está fazendo isso. Ela está possuída."

Tatsuki e os colegas fitaram o ruivo mais assustados ainda. Inoue continuava a gritar e Momo e Rukia não sabiam o que fazer com todas aquelas pessoas ali.

"Não se aproximem de mim." - Inoue continuou a murmurar, a cabeça baixa. Correu e pulou a sacada do terraço, segurando-se nela para não perder o equilíbrio. - "Saiam daqui! Eu vou me jogar daqui!"

Todos prenderam a respiração, petrificados. Rukia podia muito bem correr até ela e salvá-la, mas como explicar para os colegas depois suas ótimas habilidades atléticas e seu vôo? Humanos normais com certeza não faziam nada do tipo! Olhou para os lados procurando uma saída, mas Ichigo correu e foi mais rápido. Alcançou a mão da ruiva antes que a mesma se jogasse vendo a aproximação do jovem e a fitou nos olhos, colocando uma das mãos na testa da mesma.

"Saia daí."

Inoue arqueou os ombros e perdeu os sentidos, só nao caindo porque Ichigo fora mais rápido e a segurou, tirando-a daquele lugar perigoso. A sombra logo envolveu a menina e a abandonou, abrindo dois olhos brancos e dentes pontiagudos, mostrando-os com ferocidade para o ruivo. Rukia aproveitou a distração de todos na Inoue e materializou um anorme arco prateado e atirou facilmente no demônio, que se desintegrou quase instantaneamente.

Logo Inoue abriu os olhos, confusa, colocando uma das mãos na cabeça, estava doendo. Viu todas aquelas pessoas amontoadas encima de si e soltou um gritinho, sentando-se no chão rapidamente.

"Por que todos estão aqui?"

"Não se lembra?" - Tatsuki arqueou uma sobrancelha. - "Você quase se jogou daqui de cima! Se o Kurosaki não tivesse te segurado..."

Inoue negou levemente com a cabeça. Tentou se lembrar, mas não conseguia. Só sentia a maldita dor de cabeça. Parou o olhar sobre Ichigo e corou, agradecendo-o. O mesmo assentiu com a cabeça e saiu a passos lentos, com ambas as mãos nos bolsos, do terraço. A ruiva ficou a admirá-lo com brilhos nos olhos.


Ichigo se aproximou da torneira e lavou o rosto demoradamente. Perderia o intervalo aquele dia e seu estômago roncava alto. Talvez matasse aula para poder comer. Se sentia zonzo desde que tirara o espírito maligno da colega de classe. Se sentia um pouco cansado, mas nada que o impedisse de agir normalmente durante o dia. Fechou a torneira para que a água refrescante parasse de sair e se virou, vendo Rukia parada com uma das sobrancelhas arqueada.

"Você está bem?"

"Estou. Por que não estaria?"

Rukia se aproximou mais, evidenciando a grande diferença de tamanho de ambos. Estava com as mãos na cintura, em uma pose autoritária.

"Você tirou um demônio do corpo de uma pessoa sem matá-la. Sabe quanta energia é necessária pra fazer isso?"

"Não..."

"Muita, imbecil!" - Rukia gritou, batendo na cabeça do rapaz. - "Até eu ficaria cansada! E você está normal... Ichigo, quem diabos é você?"

Ele a olhou emburrado, analisando o que a menina acabara de falar e então suavizou sua expressão, desviando da Kuchiki e andando pelo corredor. Estava com fome.

"Só alguém que pode ver espíritos."


Hinamori carregava uma montanha de papéis até a sala dos professores. Dava passos pequenos para que não perdesse o equilíbrio e caísse com tudo aquilo, demoraria muito para juntá-los depois. Cada um cumpria sua atividade extra classe designada e ela estava encarregada de ajudar na arrumação da sala naquele dia, afinal, não era membro de nenhum clube ainda. Procurava um que fosse realmente interessante.

Arqueou as sobrancelhas e parou de súbito quando sentiu um cheio forte de cigarro. Esse tipo de coisa era proibida na escola! Sabia que alguns professores fumavam, mas somente no terraço e estavam no segundo andar do prédio, de 5. Ouviu passos no corredor e virou o rosto quando o fumante passou ao seu lado. Ele parou, encarando-a indiferentemente e então soltou uma baforada de fumaça no rosto da jovem Deusa, fazendo-a tossir ligeiramente e acabar por largar os papéis no chão.

Momo reclamou, indignada. Mas antes de se abaixar para pegá-los, balançou a mão no ar freneticamente para que espantasse todo aquele cheiro ruim. Cigarro era uma coisa terrível, tirava vidas e adoecia o corpo em questão de segundos, mesmo que fosse em pontos quase imperceptíveis, no início. Não entendia como as pessoas conseguiam ficar viciadas em algo como aquilo!

"É proibido fumar na escola. E na sua idade também."

"Eu não ligo pra leis." - Hitsugaya deu de ombros antes de liberar mais uma vez a fumaça do cigarro toda na direção da Hinamori. Ela fez uma cara de profundo desgosto.

"Isso é falta de educação!"

"E daí?"

Momo bateu o pé no chão, nervosa. Mas como aquele garoto era rebelde! Aproximou-se e rapidamente tomou o cigarro das mãos do mesmo, jogando-o pela janela, não antes de apagar a ponta, para evitar incêndios e coisas do gênero. Toushirou arregalou os olhos, vendo o objeto sendo jogado pela janela lentamente e voltou a fitar a colega, com um olhar determinado.

"Tch. Não joge as coisas dos outros assim!" - Falou baixo, com um tom de voz cheio de raiva, empurrando Momo contra a parede.

"É melhor assim." - A jovem respondeu, receosa.

Toushirou bufou, nervoso e pressionou com mais força a menina contra a parede. Momo se encolheu, pensando em um jeito de escapar sem ter que usar da violência, mas não tinha idéias quando viu o punho fechado do garoto se levantando mais e mais. E ela tinha certeza de que a próxima parada seria diretamente no seu rosto. Fechou os olhos fortemente.

"Ei! Você! O QUE PENSA QUE TÁ FAZENDO?"

Tudo o que Momo viu foi um borrão vermelho correndo em sua direção antes de se chocar contra eles.

Continua.


Yay! Acabei. Mas que dia pra acabar capítulo e postar hein? Em pleno início de terça feira, na madrugada! Mas, eu acabei, revisei e já estou indo postar, oras bolas, não vou esperar até o fim de semana porque vou viajar. Para um lugar SEM tecnologia. Um rancho tão velho que nem a tv funciona direito. Mas eu adoro lá. Enfim.

Época de férias, infelizmente não para todos, vamos aproveitar e ler/escrever bastante enquanto o ano letivo não absorve nossas almas, certo? A minha parte eu já fiz. Agora, façam a de vocês. Gostaram, odiaram? Tal parte ficou ruim? Me digam, por favor. Eu sei que não só as reviews como também os acessos nas fics de Bleach diminuíram, mas façam uma forcinha. Um "Eu li." já me deixa aliviada.

Agora, à quem deixou review no capítulo passado, muito obrigada! Vamos respondê-las devidamente, certo.

TomoyoMomo - Olá! ^^ Pois é, o Shiro-chan tá bem divertido nessa fic, tô amando escrever ele assim. E ele ainda aguarda muitas surpresas, hohoho. Obrigada pela review!

Juliana;) - Você não é a única que adora um Hitsugaya rebelde, haha, vou me divertir muito escrevendo sobre ele durante essa fic. Que bom que você gosta das minhas fics! É a minha maior preocupação! Às vezes eu tenho altos surtos de insegurança e falta de inspiração, fico morrendo de medo dos capítulos saírem ruins. Não tenho em mente um baile a fantasia na fic, quem sabe mais pra frente, mas existe uma imagem muito fofa da Hinamori de anjo e do Hitsugaya de vampiro, já viu? Me inspirei nessa imagem na hora de fazer a fic! Mas o Shiro-chan não é um vampiro... Enfim, muito obrigada pela review! :)

Luna_drv - Nossa, não morra! O terceiro capítulo está feito! E espero que goste desse também! Muito obrigada pela review!

É isso. Só fazendo um pequeno momento merchan, quem tiver Twitter, me sigam e me avisem que são do site que eu sigo devolta! Eu sempre falo das fics lá, quando não falo de outros vícios, mas são tweets completamente otakus.

Reviews, sempre bem vindas. Feliz 2010 pessoal!

Kissus.