Cap. 3 – Sweet Changes

Enquanto Kamus desligava o chuveiro, Miro puxou o corpo de Shaka com cuidado para fora do box. O indiano parecia uma boneca de trapos. Miro pressionou dois dedos no pescoço de Shaka na esperança de encontrar algum sinal de pulso.

"Miro, o que está fazendo?" Miro sentiu a mão de Kamus nas suas costas, em um gesto de conforto. " Não adianta mais, ele está..."

"Vivo!" O loiro gritou antes que Kamus pudesse terminar a frase. Podia sentir a pulsação do indiano, mesmo que muito fraca. Se tivessem demorado mais um pouco já estaria morto com certeza, mas ainda havia uma chance. Só tinham que agir rápido.

"O que?" Miro sentiu o francês se afastar, visivelmente chocado. Não parou para pensar se isso era mais um ponto para incriminar o francês, agora o que importava era salvar o indiano.

"Kamus, liga pra uma ambulância, rápido!" O francês não demorou a atender ao pedido, logo estava com o celular na mão passando as coordenadas para que encontrassem a casa. Não restava mais nada a fazer além de esperar.

Miro checava a respiração de Shaka, como se aquilo fosse impedir que indiano parasse de respirar. Sabia que não podia fazer nada pelo loiro, mas não o deixaria jogado no chão do banheiro como um objeto qualquer.

Enquanto segurava o indiano pode ver Kamus andando de um lado ao outro, revistando a casa. Pode ver vultos de cabelo vermelho descendo e subindo as escadas, pode ouvir as exclamações frustradas do outro detetive quando não achava nada e alguns minutos depois, o francês finalmente voltou para o banheiro com uma caixa enfeitada nas mãos.

"Que isso?" Parecia um caixa de bombons, daqueles bem caros, diga-se de passagem.

"Bombons, encontrei na cozinha." Kamus abriu a caixa. "Mas o importante não é isso. Olha o que eu achei no fundo da caixa." Entregou a Miro dois envelopes vermelhos.

Um deles era mais leve, parecia ter apenas uma folha de papel, enquanto que o outro era mais pesado. Pela forma que marcava parecia ter algum tipo de pingente dentro. Miro olhou interrogativo para o ruivo e por fim abriu os envelopes, o mais leve primeiro. Dentro dele havia uma única foto, idêntica a que fora encontrada na casa de Mu, mas dessa vez dois rostos estavam riscados em vermelho.

No outro envelope encontrou uma pequena espada de metal. Olhou para a peça, havia algo escrito em letras bem finas na lâmina. Estreitou os olhos para tentar ver melhor.

"Excalibur" Ouviu a voz do francês. "É o que está escrito..."

Nesse minuto puderam ouvir o som das sirenes se aproximando, finalmente a ambulância havia chegado.

"Finalmente!" Miro não pode deixar de falar, enquanto Kamus descia as escadas para abrir a porta. Em poucos minutos os paramédicos estavam colocando a maca com o corpo do indiano dentro da ambulância. Um loirinho de olhos azuis foi até os investigadores. Miro teve a sensação de conhecer aquele garoto de algum lugar, tinha uma vaga lembrança daquela cara de pato e jeito de andar.

"Precisamos que alguém nos acompanhe até o hospital, pra preencher a papelada e tal..." Miro pode notar que o loirinho não tirava os olhos de Kamus. Como se aquele pivete algum dia fosse ter uma chance com o mestre do gelo. Esboçou um sorriso de canto ao imaginar o loirinho desesperado implorando pelo amor do pingüim.

"Tudo bem, eu vou..." O francês tirou Miro de seus pensamentos.

"Que?" Sua voz saiu mais chocada do que pretendia. Era impressão sua ou o loirinho estava sorrindo de uma maneira estranha. Não, precisava retomar o foco, estava ali para desvendar crimes, não ter ataques de ciúmes pra cima do ruivo. Espera, ciúmes? Fora isso mesmo que pensara? Era só o que faltava.

"Vamos indo Hyoga...[1]" Mais uma vez a voz fria de Kamus tirou Miro da sua guerra interna. Espera, ele disse Hyoga? Esse loirinho metido a paramédico era a criança infeliz que ficava perseguindo Kamus quando eram adolescentes? Sabia que aquele olhar esbugalhado era familiar. Aquela cidade era pequena mesmo, e Miro não estava gostando nem um pouco.

"Miro, você leva essa caixa para a delegacia, oui?"

Miro concordou com a cabeça e ficou observando o ruivo entrar na ambulância com Hyoga.

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Sem o francês por perto, Miro voltou a revistar a casa, procurando alguma coisa que o francês tivesse deixado passar. Ainda estava inconformado com a aparição do maldito garoto, mas não podia se desconcentrar agora, tinha trabalho para fazer.

Revirou os quartos, o banheiro, salas, tudo estava em ordem, não havia uma agulha fora do lugar. Finalmente chegou à cozinha, nada demais, apenas os pratos e talheres fora do lugar. Já estava saindo quando algo chamou sua atenção, um papel pardo, um pouco amassado, mas ainda conservava a forma de uma caixa.

Olhando mais de perto parecia a forma exata da caixa de bombons. Abaixou-se e pegou o papel. Em um dos lados havia um nome escrito em uma caligrafia requintada, Shaka e um pouco abaixo um endereço, o endereço da academia do indiano, escrito com outra letra, completamente diferente. Precisava voltar na academia para esclarecer as coisas com o tal Ikki e então voltaria para a delegacia.

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Parou o carro no mesmo lugar de antes e desceu. Dessa vez não iria agüentar os desaforos do moleque e Kamus não estaria ali para repreende-lo. Entrou de maneira teatral, só faltava estar com a arma nas mãos.

"Q...O que você quer aqui agora?" Ikki não parecia nem um pouco intimidado com a presença do detetive, mas isso iria mudar, Miro estava certo disso.

"Mais respeito moleque. Nós encontramos o Shaka..."

"Encontraram? E ele tá bem?" Miro foi cortado pela voz preocupada do japonês. Nem parecia o mesmo rebelde sem causa de minutos atrás. Isso fez com que o grego se acalmasse um pouco, apesar de tudo Ikki parecia gostar muito do indiano[2].

"Não sei..."

"Como assim não sabe?? Você não disse que encontrou ele?" Miro bufou ao ser interrompido mais uma vez. Não podia sentir pena por um minuto que era assim que o outro retribuía. Não seria mais gentil.

"Cala essa boca e me deixa terminar..." Falou novamente irritado. "Encontramos o coitado inconsciente. Kamus está com ele no hospital." Miro viu a preocupação nos olhos do mais novo como uma oportunidade de começar o 'interrogatório'. "E você pode ir lá fazer companhia pro Shaka, se me responder algumas perguntas antes." Adorava esse tipo de joguinho.

Ikki bufou, fez cara feia, mas acabou cedendo.

"Ok, primeira pergunta, você reconhece isso?" Mostrou a caixa de bombons juntamente com o papel pardo.

"Sim... Meu irmão apareceu com essa caixa hoje de manhã." Olhou os objetos de maneira desinteressada. "Ele disse que o imbecil do namorado dele apareceu com isso aí hoje de manhã."

"E qual seria o nome desse tal namorado?" Alguma coisa aí não estava certa. Certamente que o tal namorado não seria o assassino, pela falta de pistas deixadas na casa de Mu ele não parecia o tipo de pessoa que cometeria um erro tão elementar como esse. Mas mesmo assim era melhor interrogar o outro garoto também.

"Você vai bancar o mau policial com ele? Tipo,vai rolar uns socos? Entende.." Miro teve que segurar para não rir da empolgação do garoto.

"Se ele se comportar como você, pode ter certeza que sim..."

"O nome dele é Hyoga." Mais uma vez esse garoto infernal aparecia pra acabar com seu humor. Agora Miro começava a cogitar a possibilidade de praticar um pouco da boa e velha violência. "É paramédico no hospital da cidade. A gente pode ir pra lá, assim você espanca, digo encontra o pato e eu visito o Shaka."

"Maravilha, vamo pra lá então moleque. Te dou uma carona"

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Chegar ao hospital foi a parte fácil, dali em diante precisaram do toda a paciência que não possuíam para encontrar uma alma caridosa disposta a informar para que quarto o indiano fora levado.

O grego podia ter ligado para Kamus e descobrir qual era o quarto do indiano, mas queria chegar de surpresa e ver se conseguia falar com Hyoga antes de contara as novidades ao francês. Não podia entregar o jogo dessa maneira, ainda não apagara as suspeitas sobre o ruivo. Aos poucos o cerco estava se fechando.

Miro estava quase segurando um Ikki irritadíssimo que discutia com uma enfermeira nada solícita quando avistou uma cascata de cabelos avermelhados no corredor.

"Kamus" Miro chamou pelo colega, não agüentava mais brincar de babá no hospital. "Como o Shaka ta?

"Ele está em coma, mas os médicos disseram que ele vai ficar bem assim que conseguirem retirar as toxinas do sangue." Respondeu mecanicamente, olhando de forma curiosa para o grego. "O que você está fazendo aqui? Non devia ter voltado para a delegacia?"

"Tive que trazer o fedelho pra ver o Shaka" Apontou para o japonês que ainda discutia com a enfermeira.

"Agora está dando um de bom samaritano, Miro?" Pode perceber todo o sarcasmo na voz do francês.

"Apenas troca de favores. Alías, você sabe onde o Hyoga anda?"

"O que você quer com ele?" Exatamente a reação que o loiro estava prevendo, um misto de curiosidade e espanto. Qualquer outra pessoa não teria notado nada disso, mas Miro ainda conhecia bem o ruivo, mesmo mudado do jeito que estava ainda havia muito do Kamus de 18 anos lá.

"Kamus, a gente precisa conversar. Descobri mais coisas depois que você saiu. Vamos voltar para a delegacia." Não precisava interrogar o loiro agora e pelo jeito nem seria possível. O hospital parecia mergulhado no caos e as ambulâncias não paravam de chegar e sair. Teria que esperar o expediente do loiro acabar e então iria atrás dele.

Falou o quarto do indiano para Ikki e saiu do hospital, seguido por Kamus.

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Na delegacia, os dois investigadores foram até a sala de Miro para discutir os últimos acontecimentos. Havia muita coisa a ser dita.

"Pronto Miro, agora você pode me dizer o que o Hyoga tem a ver com essa história?"

O grego contou toda a história do papel pardo com o endereço da academia e o que o japonês tinha contado. Ao fim da narrativa Kamus estava sério, como de costume, não movera uma sobrancelha sequer.

"Franchement Miro, você non acha que o Hyoga é o assassino? Essa foi a coisa mais absurda que eu já ouvi de você. Por que você implica tanto com o garoto?" Desde que Kamus voltara da França que Miro não o ouvira falar tanto e com tanto raiva.

"Francamente digo eu, eu nunca impliquei com aquele aprendiz de pingüim. Se tem alguém que implica com alguém aqui é você com o coitado do Dite." Miro levantou um pouco a voz, não era de ficar quieto agüentando desaforos.

"Non mude de assunto. Estamos falando da sua hipótese ridícula sobre o assassino. Não quero ouvir o nome desse projeto de travesti, a non ser que você tenha resolvido considerar a possibilidade do seu queridinho ser o responsável por essas mortes." Kamus rebatou da mesma maneira que Miro. As palavras do ruivo estavam carregadas de veneno.

"Não fale do Afrodite dessa maneira." Miro levantou-se da cadeira. Não suportava como Kamus sempre tinha duas pedras nas mãos quando o assunto era Afrodite.

"Non fale nesse tom comigo!" Kamus também estava em pé na frente do loiro. A atmosfera da sala ficava cada vez mais densa com toda a tensão.

"Miro... opa, atrapalhei alguma coisa?" Marin parou na porta observando a cena. A maneira com que os dois se olhavam era de intimidar qualquer um.

"Não... " Miro respondeu, desviando o olhar do ruivo. "Fala Marin."

"O Aioria quer falar com você."

"Já to indo. E essa conversa não acabou Kamus." Saiu da sala atrás da ruiva deixando o francês sozinho.

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Miro entrou na sala de Aioria, ainda levemente irritado.

"Fala tigrão[3], a Marin disse que você queria falar comigo." Tentou dizer no melhor tom brincalhão que conseguiu.

"Queria, mas se for continuar com essa viadagem pode ir saindo." Respondeu no mesmo tom jocoso.

"Não foi isso que você disse ontem a noite..." Começou a rir da cara de desgosto do amigo, com eles era sempre assim, não conseguiam falar sério antes de trocar 'gentilezas' como aquelas. Miro se divertia ainda mais quando descobriu a imaginação visual de Aioria. O pobre coitado não podia ouvir alguma coisa que já começava a imaginar, e sempre eram imagens bem reais para o seu desgosto.

"Porra Miro, agora você chutou o pau da barraca!" Miro não conseguia parar de rir do amigo. "Ta bom, ta bom, vamos parar por aí. Falando sério agora. Já terminei de vasculhar a vida dos seu amiguinhos." Entregou algumas folhas para o grego.

"Maravilha Aioria. " Pegou as folhas que lhe eram oferecidas e começou a ler.

De acordo com o moreno vários dos garotos da foto tinham passado um tempo fora. Kamus e Afrodite tinham acabado de voltar da França, como já sabia, mas além deles Saga, Kanon e Shura também tinham voltado de uma temporada na Europa.

Shura voltara a quase um mês da Espanha, mas isso não merecia muita atenção, afinal estava atrás de alguém com sotaque francês.

Estranhou quando viu de onde a dupla dinâmica tinha voltado, França. Maravilha, agora tinha dois sádicos de marca maior na lista de suspeitos, finalmente uma boa notícia. Era mais provável que Saga tivesse matado alguém que Kamus. Embora o ruivo tivesse mais sangue frio. De qualquer forma precisava ter uma palavrinha com os gêmeos.

"Valeu Aioria, agora tenho mais dois palhaços na lista."

"Disponha." Aioria respondeu sorrindo, mas logo ficou sério de novo. "Você ta desconfiando do Kamus não é?"

"E tem como não desconfiar? O cara volta da frança depois de sete anos sem dar notícias, bem quando o Mú é assassinado. Sabe tudo de venenos naturais. E ainda por cima conhece o cara que levou os bombons pro Shaka. Você tem que concordar comigo que é no mínimo estranho."

"Miro, você sabe que não são provas concretas. Alem do mais a tal Afrodite também voltou da França por esses dias, e pelo que eu andei pesquisando se formou em biologia. Biologia, botânica..." Aioria parou de falar, Miro não parava de rir. "Ta rindo do que agora inseto?"

"A Afrodite... Tigrão, Afrodite é um homem, ta certo que não se parece muito com um, mas é!"

"Você ta de sacanagem comigo né? Qual é Miro, isso aqui não é homem não!!" Mostrou uma foto recente o sueco que provavelmente tinha achado enquanto fazia suas pesquisas.

"Acredita em mim, é. Mas se você quiser tirar a prova eu consigo um encontro pra vocês dois. Tenho certeza que o Dite vai adorar esse seu jeito másculo." Miro não conseguia parar de rir da cara de inconformado de Aioria.

"Muito bonito, estamos no meio de uma investigação e vocês dois estão se matando de rir." A voz de Kamus cortou as gracinhas dos amigos.

"Qualé Kamus, um pouco de descontração não mata ninguém não." Kamus ignorou o comentário do moreno.

"Miro, temos que achar o Shura."

"O Shura, mas por que?"

"Lembra do pingente que encontramos?" Miro balançou a cabeça afirmativamente. "Então, Lembra que o Shura era fanático por histórias do Rei Arthur, Graal..."

"Caralho, é verdade." Miro bateu na própria testa. "Vamo logo, eu sei onde é a casa dele." Conferiu o endereço nas folhas que Aioria havia lhe entregado e saiu arrastando o francês atrás de si. Como podia ter esquecio daquele detalhe? O espanhol não falava dez palavras sem que houvesse alguma informação sobre espadas no meio!

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[1] Eu não resisto a um pouco de Kamus e Hyoga pra deixar o Miro putinho... é tão divertido... xD

[2]Nhá... não é o que vocês tão pensando seus pervertidos xD.... era pra ser uma relação quase que de pai e filho... e não ponham duplo sentido nisso... (ouviu Gi ¬¬)

[3] Cansei desse negócio de "gatinho"... vamos renovar as coisas aqui...

Hey o/

Bom como sempre to aqui pra agradecer as reviews e tudo o mais

Não resisti.... não foi dessa vez q o shaka foi pro saco...

... essa passou perto, mas eu não ia livrar a barra do Kamus assim... tenho um final em mente pra ele, pra ele e pro Miro xD... Deixa eu parar por aqui se não acabo falando d mais xD

Tenho uma equaçãozinha facil pra vcs... "reviews = inspiração + rapidez na atualização".... Sooo... Reviews please o/

Enfim... era isso...

Te mais

Bjos...

Mademoiselle DeathMask: A minha cabeça vai explodir... meu nariz ta entupido... minha garganta dói u.u

Miro: É isso que dá tomar chuva gripada...

Shaka: Vai dormir horas, ou toma um remédio...

Kamus: Que dormir que nada, você tem que estudar mecânica clássica... larga de vagabundagem e vai pegar o livro òó

Mademoiselle DeathMask: esse apoio todo me deixa tããão feliz... *sarcasmo* ¬¬ *pega o livro e vai estudar...* Atchin...gripe suína pra vcs