Capítulo III – O Jardim

"Flores caem sobre a multidão, ninguém vai dizer que não dava pra sentir num lugar longe daqui no Jardim de Cores perto do Sol". LS Jack – Jardim de cores


Gostava de ficar ali. Era um lugar tranqüilo e trazia boas recordações. Quando era pequena pequena, sua mãe e ela iam muito naquele lugar. Costuma dizer que aquele era seu escondeirijo secreto. Depois que sua mãe morreu, passou alguns anos sem ir ali. Mas ainda adorava aquele lugar. No fundo da casa principal dos Hyuuga, atrás de um muro, havia uma passagem em um terreno que levava à floresta. Era usada antigamente como rota de fuga, quando nas grandes guerras, e era cheia de pedras, galhos de árvores quebrados e, como era fechada (a não ser por uma rachadura no teto que deixava a luz entrar timidamente), o ar era pesado. Mas, ao atravessar a passagem, chegava-se a uma pequena clareira onde tinha um jardim. Ali era seu escondeirijo. O cheiro era de flores da primavera, o calor era bom... Não era um jardim grande, mas no meio havia uma fonte em que ela brincava de ser a fonte dos desejos. E tinha um balanço. Aquele lugar tinha o cheiro de sua mãe. Hoje fazia 9 anos que havia morrido e mesmo que já tivesse passado em seu túmulo, aquele lugar se parecia muito mais com ela. Não sabia porque mas há alguns dias sentia a necessidade de estar ali, como que para conversar com ela. Tinha um poema que ela recitava todas as vezes que estavam lá. Já fazia anos, mas ela ainda lembrava cada estrofe. Era assim:

Não sei, ama, onde era.

Nunca o saberei...

Sei que era Primavera

E o jardim do rei...

(Filha, quem o soubera!...)

Que azul tão azul tinha

Ali o azul do céu!

Se eu não era a rainha,

Porque era tudo meu?

(Filha, quem o adivinha?)

E o jardim tinha flores

De que não me sei lembrar...

Flores de tantas cores...

Penso e fico a chorar...

(Filha, os sonhos são dores...)

Qualquer dia viria

Qualquer coisa fazer

Toda aquela alegria

Mais alegria nascer

(Filha, o resto é morrer...)

Conta-me contos, ama...

Todos os contos são

Esse dia, e jardim e a dama

Que eu fui nessa solidão...

Hinata levantou a cabeça e abriu os olhos. A lembrança da mãe estava tão forte naquele dia. Ninguém sabia daquele lugar, exceto seu pai, mas este havia tantos anos que não ai lá, nem mesmo quando a mãe era viva, que ela tinha plena certeza que naquele lugar ninguém iria achá-la.

E por que aquele dia era diferente? Não era apenas os 9 anos da morte de sua mãe, mas por que Naruto tinha saído da vila na data do aniversário da morte dela. Era incrível essa coincidência. O que ele estaria fazendo agora? Certamente, seu treinamento com Jiraya já devia estar acabando e ele já ia voltar e muito mais forte.

Mas e ela? Como ela estava nesse tempo? O que ela tinha feito? Tinha treinado muito com Neji mas ainda se sentia a mesma idiota de sempre. Nem sabia se estava mais forte. O primo já tinha dito que ela havia melhorado muito suas técnicas mas ela ainda não achava isso. E os treinos com ele eram muito mais escassos, agora que ele era jounin.

Tudo era tão mais complicado agora. Ela não era mais uma garotinha de 12 anos e, no entanto, sempre agia como uma. Principalmente, quando se tratava de Naruto Uzumaki.

Sua tola! Ele nunca prestou atenção em você. O que te faz pensar que depois de todo esse tempo ele vai te reconhecer agora?

É verdade. Devia parar de ter esses pensamentos infantis. Afinal, ela não era mais uma garotinha. E daqui a alguns anos seria líder do clã. Só de ter esse pensamento Hinata sentia-se mal. Ainda faltavam três anos para que isso acontecesse, quando completasse 18 anos, mas não sabia se iria se tornar forte o suficiente para ocupar esse posto. E seu pai era muito exigente quanto a isso.

Seu pai. Quando era criança, antes da mãe morrer, ele não era assim. Nunca fora um homem de grandes demonstrações de carinho, mas não era tão frio como é agora.

Não me lembro de ter visto ele sorrir...

O pai não sorria. Nem com Hanabi, que era inegável ser sua preferida. Talvez se Hanabi tivesse nascido primeiro, as coisas seriam diferentes. Hinata sabia que a irmã possuía muito mais habilidades de luta que ela e que, se fosse Hanabi, o pai não seria tão exigente.

Mas era ela que iria assumir o posto de líder do clã futuramente.

Futuramente...

Agora, era melhor mesmo se esforçar pra ficar forte.

x

- Yo Hinata, você demorou!

- Gomenasai, Kiba-kun, mas acabei me atrasando.

- Tudo bem! Mas é melhor ir se preparando. (fazendo pose de luta) Eu não quero ter que machucar você, hein?!

Hinata sorriu. Kiba e Shino eram grandes amigos. Kiba era todo esbaforido, falava demais e sempre se metia em confusão. Nisso lembrava um pouco o Naruto. Shino era mais tranqüilo. Quase nem falava. Na opinião do Kiba, um anti-social. Mas Hinata adorava estar com eles. O pai achava um desperdício ficar treinando com ninjas tão estranhos como eles.

- Uma perda de tempo. Você deveria treinar com Neji que é um dos melhores do clã. (Talvez ele quisesse dizer o melhor do clã, mas o orgulho não permitiria isso).

- Não posso abandonar as missões e eles são meus amigos...

- Você não vai precisar disso quando for a líder do clã.

Na verdade, desde que Hiashi tinha desistido de acompanhar o treinamento da filha, estava convencido de que ela nunca iria se tornar uma grande ninja. Estava decido em tornar a filha uma grande líder, uma administradora dos interesses do clã. O treinamento com Neji, nesse caso, serviria para ela aprender com o gênio a lidar com algumas situações em que ela poderia se deparar sendo líder do clã.

Líder do clã. Hinata odiava tudo isso. Às vezes sentia-se mais inferior que os membros da família secundária, pior do que eles eram tratados. À exceção de Neji, os membros da Bunke eram considerados como sendo apenas meros serviçais, que estavam ali apenas para cumprir ordens e servir os da Souke. Podia imaginar como eles se sentiam e entendia toda a raiva do primo.

Será que ele ainda tem raiva de mim? – pensou

Não sabia o que o primo pensava. Depois do exame chuunin, ele tratava-a bem e agora até conversavam um pouco mais. Mas ele era muito estranho, nunca a olhava nos olhos.

Isso a fez lembrar de uma situação ainda mais estranha que acontecera a alguns dias atrás.

Tinha voltado de uma missão com seu time em um país distante, de uma viagem de mais de três dias, era quase noite já, estava muito cansada. Tudo o que queria era um banho. Mas apesar do cansaço, sabia que aquela noite ainda ia durar muito. Seu pai tinha convidado alguns membros do clã para ir à sua casa, discutir assuntos básicos referentes ao clã, óbvio. Hinata, já chegou da missão? Sente-se aqui. Escute essa conversa. – disse ele. Ela não queria saber nada da conversa, queria tomar banho e dormir! Mas as obrigações do clã primeiro!! Sentou-se, quase dormindo. Não falava uma palavra, sua presença nem era notada, mas tinha que estar ali, por que seu pai ia reclamar se ela não ficasse. Estava tão cansada que nem percebera o primo sentado à sua frente. E dessa vez estava olhando pra ela. "Está cansada?" - movimentou os lábios. "Ele ta falando comigo?"- pensou.Fez que sim com a cabeça. Mas nada podiam fazer. Quando, finalmente, a conversa toda terminou era quase 22h.

- Oyasumi nasai, papai... – disse quase sem voz de tanto sono.

- Oyasumi nasai, Hiashi-sama.

Hiashi (para os dois): - Oyasumi nasai.

Hinata subia as escadas devagar, com as pernas pesadas, como se tivesse 20 sacos de areia amarrados nos pés. (N/A: eu sou hiperbólica) Abriu a porta do quarto, tirou a roupa e entrou no chuveiro. Quando saiu, o sono tinha passado um pouco e agora era a fome que vencia o cansaço.

Quando chegou à cozinha, encontrou Neji.

- Ahh, desculpe-me não sabia que estava aqui.

- Já jantou, Hinata-sama?

- Hã? Ah, não... não

- Vou preparar uma coisa pra você.

- Não, Neji-nii-san, não precisa... eu mesma faço.

- Sente-se. – disse, parecendo não ouvir o que ela tinha dito. – Você está cansada.

Desde quando ele se preocupa com meu cansaço? Mas ele estava lá preparando uma coisa para ela comer. Talvez, Neji-nii-san só se sinta sozinho aqui. E talvez, podiam ser amigos.

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N/A: O poema é de Fernando Pessoa (não me perguntem o título, é alguma coisa do jardim do rei). Oyasumi nasai que dizer Boa Noite (despedida). No próximo capítulo, uma relação diferente. E minha total empolgação para as crianças cresçam... hehe. Vamos ter que esperar.

Sophia.DiLUA -- Eu não quero q vc morra não!! Quero que continue lendo a fic! hehehe