O sanguessuga saiu primeiro, a testa rígida. O doutor veio por último, para convencê-lo que a culpa não fora dele. Mentira. Nós os seguimos.
Eu não sabia o que pensar. Bella estava sem memória. Ela não podia lembrar-se de nada, de ninguém.
Só perguntava pela mãe, e nem sabia bem quem ela era.
Eu também preferiria ver minha mãe, que falta você faz Sarah.
Fui pra casa e por muito tempo fiquei apenas na forma de lobo, arrasado por Bella.
Tentei me distrair quando não estava com ela, preocupado com minha Bella, pensando nela.
Voltei para a escola da reserva, não que eu estivesse com medo de ficar burro, mas eu precisava da distração. Só que era meio absurdo ficar naquela turma agora.
Parecia que eu tinha repetido uns dois anos, os outros garotos cresciam normalmente, eu me sentia meio careca no meio deles com as enormes cabeleiras, e eu com meu corte de cabelo curto, além das novas formas do meu corpo.
Não sabia o que provocava neles, era o mesmo sentimento que eu sentia antes de virar um lobisomem? Eu parecia um segredo ambulante, o grupo do Sam. Eles tinham medo? Raiva? Talvez admiração... Não isso não.
Os dias passavam devagar, eu ainda tinha que aguentar as bolinhas de papel na minha nuca e as caras de interrogação.
Ás vezes eu não ia à escola e preferia ser apenas o lobo, sumir um pouco, seguir os instintos.
...
Quando tive permissão para vê-la sozinho, ela respirava normalmente.
- Oi Bella. – sorri pra ela.
- James?
- Não... Sou Jacob!
- Eu sou Isabella... Mas acho que já sabe né. – ela corou.
- Parece bem melhor, como está sua cabeça?
Ela passou a mão na faixa branca e disse sem vontade:
- Minhas memórias escaparam por aqui.
- Eu queria ter evitado isso.
- Eu estava com você um pouco antes, não é?
Comigo pensando nele.
- Sim. Você se lembra?
- Meu pai me falou.
Ela tocou outra vez a gaze em sua cabeça. Sem memórias, entendi.
- Eu só conheço os rostos a minha volta como fotos borradas. Como se minha cabeça tivesse registrado, mas é difícil reconhecer porque estão sem foco.
- Onde está Edward, Bella? – forcei o nome a sair pela minha garganta.
- Ele foi fazer uma viagem curta, prometeu que estaria aqui de manhã.
Não tinha medo em sua voz, como da última vez que falara com ele, da última vez que eu o vira com ela.
- O que acha dele?
- Eu não sei como me comportar perto dele.
Argh.
- Ele gosta de mim. Mas parece se sentir culpado por causa disso, Sou uma má pessoa?
- Não, você, é uma menina muito legal.
- Vou anotar isso.
- Você ainda é a mesma.
- Quem é você na minha vida Jake?
- Sou seu melhor amigo. Sabe? Pra qualquer hora.
- Acho que não posso duvidar disso.
- Não, porque é a verdade.
E de repente eu estava me apaixonando de novo por ela, como um recomeço, eu vi alguma chance de fazer acontecer.
- Eu acho que vou deixar você descansar.
- Eu não estou cansada.
- Mas vai ficar. Então não quero que se esforce.
- Quando você volta?
- Quando você quiser.
- Então volta logo.
Eu sorri e segurei sua mão por um instante, depois sai.
O cheiro insuportável me fez sentir náusea. O sanguessuga estava congelado na frente do quarto.
- Estava esperando você sair.
- Desde quando você espera?
- Eu não quero problemas, pelo bem da Bella.
- Bem? Você não percebeu o estado dela? Ela quase morreu pensando que você estava em perigo ou sei lá o que!
- Eu não sabia disso.
- Espero que sua mente não te deixe em paz, canalha.
A expressão de dor estava ali de novo, mas eu não ousei parar.
- O que você sente por ela, é obsessão, não tem nada haver com amor.
- Cale a boca cachorro.
- Eu serei o primeiro a te mandar pro inferno se acontecer alguma coisa de novo com ela.
Duas enfermeiras apareceram e fui expulso dali.
