.
Não traia um coração
.
Avisos: Isso é uma adaptação de livro, sem créditos ou fins lucrativos.
O nome do livro e de quem o escreveu será revelado ao final da postagem do livro.
.
x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x
Capítulo Dois
O miado despertou-o, lady Kagura lhe avisando que não gostava de ficar esperando pelas suas iguarias matinais. Inuyasha Taisho esticou um braço comprido sem abrir os olhos e pegou a bolinha de pêlos desgrenhados, largando-a no centro de seu largo peito.
— Suponho que esteja na hora de levantar, não? — resmungou sonolento para a gata, recebendo mais resposta do que desejava.
— Meu senhor?
Inuyasha crispou-se, tendo esquecido que levara para a cama na véspera mais do que apenas a sua gata de estimação. A meretriz, uma da meia dúzia que acompanhava os soldados em campanha para servi-los, aproximou-se mais e esfregou a perna nua na dele. Inuyasha não estava interessado. A prostituta tinha sido útil na noite anterior, quando ele sentira necessidade, mas era de manhã e ele não gostava de ser importunado quando tinha serviço a fazer.
Sentou-se na cama e deu-lhe uma forte palmada no traseiro, depois acariciou a área latejante para tornar mais suportável a rejeição.
— Suma, mulher.
Ela fez beicinho, mas ele não ficou impressionado. Embora ela talvez fosse a mais bonita do grupo atual, as beldades lhe apareciam com facilidade. Nem se lembrava do nome desta, embora não fosse a primeira vez que aquecia a sua enxerga.
Seu nome era Yura, e tão logo ele achou uma moeda e atirou-a para ela, a moça soube que fora esquecida. Ele não fora. Era impossí vel não pensar nele pelo menos uma centena de vezes ao dia, pois Yura cometera o erro de deixar suas emoções se envolverem com o seu ganha-pão, algo que sabia que não devia fazer, embora já fosse tarde demais. Estava apaixonada, juntamente com todas as outras mulheres que já tinham deitado os olhos nele, inclusive as outras prostitutas, que a desprezavam porque ela era a única que ele mandava chamar. Se soubessem que mandava os escudeiros trazerem "a loura", que sig nificava tão pouco em sua vida que ele nem recordava o seu nome, não sentiriam tanta inveja. Para ele, ela era o que era, uma prostituta, uma conveniência, nada mais.
Yura soltou um suspiro ao vê-lo sair da barraca inteiramente nu para se aliviar. Como a maioria dos homens, não ligava para a própria nudez, contanto que não houvesse damas presentes para se sentirem envergonhadas. Prostitutas não contavam. Yura, porém, imaginava que uma dama não se sentiria muito envergonhada dando uma olhada em Inuyasha Taisho. Poucos homens tinham altura tão imponente e formas tão magníficas. Que Sir Inuyasha evitasse as damas como evitaria uma privada entupida, o azar era delas.
Yura soltou uma exclamação abafada ao se dar conta de que estava perdendo tempo com suas reflexões. Sir Inuyasha podia ter acordado com o seu mau humor matutino habitual, mas se voltasse e a encon trasse ainda na barraca o mau humor poderia virar algo bem mais feio.
Nessa manhã Inuyasha estava, na verdade, no que era para ele um estado de ânimo agradável, um milagre no que dizia respeito a Kohaku Shepherd. Em vez do chute habitual no traseiro para acordá-lo, ganhou uma despenteada nos cabelos ruivos e lady Kagura no colo para ser alimentada.
— Acha que Yura o fez gozar mais do que de costume? — perguntou Kohaku ao outro escudeiro, Haku, que já se ocupava enrolando a sua manta.
O escudeiro mais velho sacudiu a cabeça, vendo Inuyasha se enca minhar para o mato.
— Não, ela sempre dá para ele muito mais do que o resto de nós tem chance de ganhar — respondeu Haku sem rancor.
Eles, como os outros homens, estavam acostumados a ficar invi síveis para as mulheres sempre que Inuyasha estava por perto. E Kohaku, com apenas quatorze anos, ainda não tinha muita experiência no assunto, portanto para ele não fazia diferença.
— Ele só está satisfeito porque este serviço especial está quase acabado — continuou Haku, voltando os olhos cor de turquesa para Kohaku. — O velho Brun, que nos recomendou, disse que não seria um grande desafio, mas você sabe como Inuyasha detesta lidar com damas.
— É, Kouga disse que ele não quis aceitar o serviço.
— Bem, e não aceitou, não exatamente. Pelo menos ainda não pegou o dinheiro de lorde Totosai, ainda que tenha deixado os homens dele virem conosco.
— Eles só serviram para nos atrasar. Mas ainda não entendo por que...
— MexGintaando como mocinhas de novo, não é?
Kohaku enrubesceu e pôs-se rapidamente de pé, mas Haku apenas sorriu quando Kouga e Ginta vieram se juntar a eles. Os dois tinham sido nomeados cavaleiros recentemente, acordo feito por Inuyasha com o último senhor para quem tinham trabalhado, em lugar de pagamento.
Ele próprio poderia tê-los feito cavaleiros, mas queria que eles participassem de uma cerimônia e tivessem outras testemunhas além de seus próprios homens. Ambos tinham dezoito anos, Kouga de Totnes mais alto, louro, de olhos cinza-claros e alegres, e Ginta Fitzstephen, de cabelos negros como os de Haku e olhos cor de avelã, as pálpebras caídas, o que sempre lhe dava uma aparência sonolenta. Embora estivessem com Inuyasha e Sir Miroku de Houshi há muito mais tempo do que Kohaku e Haku, os quatro tinham muito em comum. Eram todos bastardos, nascidos na aldeia ou nas cozinhas do castelo e não reconhecidos pelos pais nobres, sem esperança de melhorar o seu destino. Metade semilivre, metade nobre, rejeitados por ambas as classes. Se Inuyasha não lhes tivesse reconhecido o valor e comprado a sua liberdade, ainda seriam servos amarrados às terras pertencentes aos homens que os tinham gerado. Mas os iguais se reconhecem, pois o próprio Inuyasha era um bastardo.
— Estávamos nos perguntando por que Inuyasha se recusou a aceitar de lorde Totosai a primeira metade do dinheiro para este serviço — disse Kohaku em resposta à provocação de Kouga.
— Se pensar no assunto, pequeno Kohaku, a resposta lhe virá.
— A única resposta é que ele talvez não complete o serviço.
— Exatamente — replicou Ginta.
— Mas, por quê?
Ginta soltou uma risadinha abafada.
— Ora, essa resposta não é tão clara. O que você acha, Kouga? Inuyasha simplesmente antipatizou com Totosai ou não acreditou na história de Totosai sobre um noivado desfeito?
Kouga deu de ombros.
— Ele já trabalhou para outros homens com quem não simpati zava. E outros já mentiram, e não fez muita diferença. Dinheiro é dinheiro.
— Então deve ser a natureza do serviço, o fato de envolver uma dama.
— Talvez isso e os outros motivos combinados. Mas se ele já decidiu ou não...
— Mas viemos de tão longe e chegamos — salientou Kohaku. — A esta altura ele já deve ter decidido. E não recusaria quinhentos marcos, não é?
Ninguém respondeu, e Kohaku se virou para ver o que eles obser vavam. Inuyasha se aproximava. Só então o garoto percebeu que ainda estava com lady Kagura no colo, pois só então ela soltou um miado que parecia querer acordar os mortos ou deixar que Inuyasha pensasse que estava morrendo de fome. Nojentinha. Às vezes ele tinha vontade de torcer aquele pescoço magricela, mas Inuyasha arrancaria o couro de qualquer um que tirasse um único de seus curtos pêlos castanhos. Coisa feia. Como um homem podia amar uma coisa tão feia?
— Ainda não deu comida à minha senhora?
— Oh, não, senhor — forçou-se a admitir Kohaku.
— Talvez eu não o tenha despertado adequadamente, não é?
— Eu já estava indo — guinchou Kohaku, protegendo com uma das mãos o traseiro ameaçado até ficar fora do alcance de Inuyasha.
Inuyasha soltou uma risadinha abafada quando Kohaku saiu correndo, depois prosseguiu caminho até sua barraca. Os olhos de Kouga encon traram os de Ginta, e ambos sorriram.
Depois de ouvirem a risadinha de Inuyasha, a voz de Kouga verba lizou o pensamento de ambos:
— Ele já decidiu. Vamos acompanhar a dama até o seu novo marido. Kohaku tinha razão. Quinhentos marcos é demais para se recusar, quando fará a diferença entre ser dono de terras ou não. E terra é só no que ele pensa.
— Então talvez nunca tenha estado indeciso. Talvez não tenha se comprometido só para deixar Totosai nervoso.
— Sim, é possível. Ele antipatizou realmente com o velho senhor. Devíamos ter perguntado a Sir Miroku...
— Perguntado a Sir Miroku o quê?—indagou Miroku brandamen te, às suas costas.
Os três rapazes se viraram para encarar o irmão de criação de Inuyasha, envergonhados, até notarem que os olhos castanho-escuros estavam brejeiros.
Não havia dois homens tão diferentes, em temperamento e apa rência, quanto Inuyasha Taisho e Miroku de Houshi, e no entanto tinham gostado um do outro como irmãos de verdade desde o dia em que se conheceram. Medindo 1,83m, Miroku era mais alto do que a maioria dos homens. Inuyasha superava-o em quinze centímetros, um gigante entre seus pares. Miroku era a noite, com a pele morena e os cabelos castanho-escuros; Inuyasha era a luz do sol, de pele dourada, cabelos dourados. Inuyasha berrava mesmo quando estava de bom humor. Miroku falava tão baixinho que às vezes era preciso se esforçar para ouvi-lo. Miroku ria da piada mais boba. Inuyasha raramente ria.
Miroku era um espírito descuidado. Terceiro filho de um modesto barão, não possuía terras, do mesmo modo que Inuyasha, com a diferen ça de que pouco se importava. Ligado à casa de um grande ou pequeno senhor feudal, ou mesmo a nenhuma, seria feliz do mesmo jeito. Pouca diferença fazia para ele. Não tinha ambições, nenhuma compulsão de se fazer conhecido ou de adquirir fortuna e poder. Seus irmãos mais velhos o amavam, portanto sempre teria um lar à espera, se precisasse.
Inuyasha não tinha tal segurança. Seu pai podia ter sido um grande senhor, podia tê-lo tirado da aldeia onde o padrasto o criara durante os primeiros nove anos de sua vida, podia ter providenciado para que fosse educado e treinado para ser cavaleiro, mas Inuyasha o odiava, jamais lhe pediria qualquer coisa, mesmo que sua vida dependesse disso.
Inuyasha não tinha um lar, mas era sua mais ardente ambição suprir esta falta. Sendo sua única meta, era também uma fixação. Só para isso é que trabalhava, alugando seus serviços a qualquer homem, independentemente da tarefa, da dificuldade ou de como se sentisse em relação a ela. Sua ambição não permitia escrúpulos. Conquistara fortalezas para outros senhores feudais, combatera para eles, expulsa ra ladrões de suas cidades e bandidos de suas florestas. Fizesse o que fizesse, jamais falhava. Adquirira uma reputação nesse terreno e por isso não mais se alugava barato, motivo pelo qual lorde Totosai estava disposto a pagar a exorbitante quantia de quinhentos marcos para assegurar que a esposa que desejava lhe fosse entregue.
— Bem?—Miroku abriu um sorriso quando ninguém respondeu à sua pergunta. — Lady Kagura comeu a língua de todos?
Haku foi quem respondeu. A curiosidade de um jovem de quinze anos não dá muita margem a sutilezas.
— Sir Inuyasha conversa com o senhor. O senhor conhece seus pensamentos e sentimentos melhor do que qualquer homem. Foi apenas porque sente uma aversão tão forte por lorde Totosai que ele não aceitou o seu dinheiro para se comprometer com esta incumbên cia?
— Ele não disse ao homem que não o faria.
— Nem tampouco que o faria — replicou Ginta. Miroku achou graça.
— É, eu achei que "veremos" era muito eloqüente, partindo de alguém com a natureza ríspida de Inuyasha.
— Acha que foi por isso que Totosai insistiu para que trouxés semos cinqüenta homens seus?
— Sem dúvida. Homens como ele não são dados a confiar, especialmente quando se trata de algo tão importante para eles. O homem não pode confiar nem nos próprios vassalos, caso contrário não precisaria nos contratar, certo? Se não tivesse sofrido um ataque de gota, estaria aqui em pessoa. Certamente acha que seus homens, superiores em número aos nossos, serão incentivo suficiente para se cumprir a tarefa.
— Então ele não conhece Inuyasha—disse Kouga, com uma risada.
— Não, não conhece — concordou Miroku, sorrindo também.
— Mas o que Inuyasha questionou no homem? — quis saber Ginta — Ele me pareceu bem inofensivo, embora um tanto ardiloso.
— Inofensivo? — Miroku bufou. — Devia ter falado com os seus homens para saber que tipo de homem ele é.
— O senhor falou?
— Não, eu vi o que Inuyasha viu, que era o tipo de lorde Montfort, com quem ambos fomos educados. Montfort nos tomou a ambos como escudeiros, em vez de nos dar a um de seus cavaleiros, e se vocês acham que Inuyasha tem sido um amo difícil, não sabem o que é realmente o inferno. O que Inuyasha pressentiu em Totosai, fazendo-o reagir, foi a pura perversidade.
— Mas, e quanto a esta tarefa? — indagou Haku. — Não é uma coisa incomum, embora nós nunca tenhamos sido contratados antes para levar uma noiva relutante ao seu prometido. Sir Inuyasha estava realmente evitando fazê-lo ou simplesmente hesitava em assegurar a lorde Totosai que o faríamos?
O riso cintilou nos olhos castanhos de Miroku enquanto ele sorria para cada um deles.
— Ora, crianças, se eu lhes contasse, vocês não teriam sobre o que mexntaar!
Kouga e Ginta fizeram cara feia ao serem chamados de crianças, pois Miroku tinha apenas 24 anos. Mas o resmungo de Haku chamou-lhes a atenção para Inuyasha, saindo de sua barraca vestido com a armadura completa.
— Deus nos ajude, Kohaku está muito rápido esta manhã—disse Miroku, parando de achar graça. — Que vergonha, Haku, você me deixar ficar aqui parado em roupas de baixo, tagarelando feito uma mulher! Ande depressa, imbecil, ou ele irá embora sem nós!
O que era uma probabilidade muito forte e teria acontecido se lady Kagura não tivesse desprezado as oferendas de Kohaku e saído em busca de sua própria refeição. Inuyasha não queria correr o risco de a gata não o encontrar, embora o seu destino ficasse a menos de uma hora de distância. Tiveram que esperar até o felino retornar com o seu ratinho e ser instalado na carroça de suprimentos para saborear a sua refeição.
Olá! Sejam bem vindos queridos leitores!
Ana B, Loa e Nane
