As pequenas coisas que fazem o dia-a-dia

Parte 1

Na manhã seguinte, Riza encontrou Roy na cozinha, sozinho, preparando o café. Ele ainda estava de pijama, enquanto ela já estava vestindo sua camisa preta e a calça de sua farda.

- "Bom dia Riza, dormiu bem?"

-"Bom dia. Dormi muito bem sim, obrigada. Seus pais ainda não se levantaram?"

-"Depois daquela dança...Acho difícil que eles levantem cedo, creio que dormiram meio tarde." Roy sorriu para ela, com um ar bem maroto. Riza revirou os olhos enquanto sorria também.

-"Mas não se preocupe. Eu não cozinho tão bem quanto o meu pai, mas ninguém reclamou ainda."

- "Eu não estava pensando nisso. Estou acostumada a preparar meu próprio café."

- "Gosta de panquecas?"

-"Ahn, gosto, mas eu..." Riza se aproximou de Roy, na intenção de ajudá-lo

-"Ah, nada disso. Pode sentar-se e esperar ficar pronto. Eu cozinho, você come."

-"Mas eu posso ajudá-lo ao menos, não é certo que você faça tudo sozinho. Além disso, eu não quero dar trabalho."

-"É, você poderia me ajudar, mas no momento eu não quero. Já estou terminando... E você não está dando trabalho algum."

Riza ficou ligeiramente constrangida, mas não estava achando ruim ser tão bem tratada. De fato, estava começando a se acostumar com o modo informal que estava predominando ali. Sentou-se, pegando um dos "infames biscoitinhos", torcendo para que Roy não dissesse nada que a fizesse engasgar novamente. Ele já havia colocado a mesa, só faltava às panquecas e o café, que terminava de passar.

Riza comia os biscoitinhos com um pouco de chá, enquanto observava Roy, a forma como ele despejava a massa das panquecas na frigideira, como a virava, até com certa habilidade. Nunca pensou nele cozinhando. De fato, eram raríssimas as oportunidades de vê-lo fora do contexto militar, ele ou qualquer outro colega. Conheciam-se há anos, mas de fato, não sabiam muito sobre suas vidas no intimo. Até o momento, ele estava superando qualquer expectativa acerca dele que ela tivesse.

-"Muito bem, senhorita Hawkeye, espero que esteja ao seu gosto."

Roy se aproximou de Riza, servindo algumas panquecas a ela, para então, se dirigir ao seu próprio lugar, não muito distante dela.

-"Obrigada. A aparência está ótima..."

-"Hunn. Hunnnn. Nossa, que delicioso."

- "Gostou de verdade?"

-"Claro, se estivesse ruim, eu deixaria isso bem evidente."

-"Obrigado Riza. Eu admiro muito essa sua característica."

Os dois ficaram se olhando, enquanto comiam. Às vezes, davam pequenos sorrisos. O momento de flerte só foi quebrado pela chegada dos pais de Roy.

-"Céus, eu perdi a hora."

-"Bom dia, pai"

Roy sorria de forma marota. Estava achando muito divertida a aparência de seu pai, todo amarrotado, com o cabelo desgrenhado e tão destraido, que nem percebeu os dois sentados, já tomando o café da manhã.

-"Ah, Roy, ahn...Bom dia. Você preparou o café? Ótimo. Ah, bom dia Riza!"

-"Bom dia"

-"Bom dia! Ah, sabia que estava sentindo cheirinho de café. Ah, que maravilha, você fez panquecas!" Lillian chegou sorridente, dando um beijo gostoso na face de Roy, antes de sentar-se e começar a tomar seu café.

-"Então, vocês vão para a cidade? Eu vou terminar aqui e depois me arrumar. Se quiserem, saímos juntos." Lillian falava enquanto passava um creme de chocolate sobre a panqueca.

-"Eu não sei. Quais são seus planos Riza?"

-"Eu preciso comprar umas coisas para mim. Eu irei quando estiverem prontos."

-"Ah, perfeito, aproveitem para dar uma volta pela cidade."

-"Acho que vamos dar um longo passeio. Têm uns lugares que desejo ver."

Roy ficou pensativo, lembrando-se de sua infância, dos lugares que gostava.

-"Ahn, Roy, esqueci de perguntar ontem. Como está aquele seu amigo? Eu não pude fazer muito, precisava ter visto ele."

-"Está se recuperando a cada dia. Tenho certeza que em breve ele será re-integrado."

-"Isso é ótimo, fico contente em saber isso!"

Riza olhou para Roy, com ar interrogativo, e depois com uma expressão que indicava que sabia de quem se travava. Roy, por sua vez, limitou-se a confirmar com a cabeça.

Lillian e Christian observavam os dois, e depois olharam uma para o outro, com uma expressão cúmplice.

-"Se me dão licença, eu vou terminar de me arrumar, para não atrasá-la Lillian." Riza levantou-se. Roy fez o mesmo.

-"Com licença, eu também vou."

-"Mas ela está praticamente pronta. Eu tenho impressão de que está quente lá fora para colocar aquela jaqueta"

-"Ela vai pegar as armas. Ela não vai a lugar algum sem elas." Roy disse, saindo da cozinha, seguindo Riza, que já estava a sua frente.

-"Ele disse "Armas"?"

-"Claro Chris! O que você pensou? Ela não é alquimista."

Christian ficou com a expressão espantada por uns instantes, para depois, voltar a olhar a esposa, com um leve sorriso.

-"Ela é perfeita para o Roy, não acha?"

-"Não sou eu quem tem de achar Chris, é ele. Mas você tem razão, ela é perfeita."


Antes de ir para seu quarto, Roy parou na sala. Pegou o telefone, discou o número rapidamente e ficou esperando que atendessem, com um ar de entediado, as pernas cruzadas na frente uma da outra.

-"Bom dia terceira sargento Finn. General Mustang. Quero falar com o meu gabinete, por favor."

-"Desculpe-me senhor, mas como fala de uma linha residencial, na região leste, eu preciso confirmar..."

-"Ah Grace, assim você me ofende. Não reconhece mais a minha voz? Faça esse favor para mim, eu não posso esperar por toda essa burocracia." Roy falava com a voz mais sexy que ele era capaz de fazer. Até seu famoso sorriso charmoso surgiu em sua face.

-"Ahn...Está bem senhor, só um momento que eu vou transferir."

A voz da sargento estava derretida. Roy apenas continuou sorrindo. Esse truque nunca falhava.

Esperou alguns minutos até que Fuery atendeu.

-"Olá Fuery, como estão às coisas por aí?"

-"General? Senhor, estávamos preocupados. A Capitã está com o senhor? Ela saiu para procurá-lo e até agora não apareceu."

-"Ela está comigo. Estamos no leste, eu vim resolver uns assuntos, e ela me acompanhou."

-"Ah, senhor, que alivio. Aqui está tudo bem."

-"Ahn, Fuery, Hayate está ai com você?" Roy falou, observando Riza, que descia as escadas, já pronta para sair.

-"Está sim, senhor. Ele está sentindo falta da capitã"

-"Imagino. Cuidem de tudo por ai até o nosso retorno. Eu vou passar para Hawkeye."

-"Sim senhor."

Roy tapou o telefone com a mão.

-"Riza? Eu liguei para o quartel, está tudo bem por lá. Fale com o Fuery, enquanto eu me arrumo."

-"Certo."

Roy entregou o telefone para ela e subiu as escadas em direção seu quarto.

-"Fuery? Como está Hayate?"

-"Ele está bem senhora, mas está sentindo a sua falta. Vou colocá-lo próximo ao telefone, só um momento"

-"Pronto senhora."

-"Hayate? Você obedeceu ao Fuery?"

-"Hunf"

-"Bom garoto. Está sentindo a minha falta? Eu estou com saudades de você, meu querido. Obedeça ao Fuery, estarei de volta logo"

-"Hunf"

Então Riza ouviu um barulho, como se Hayate tivesse pulado.

-"Desculpe senhora, ele foi comer."

-"Tudo bem. Vou desligar. Cuidem de tudo por ai, até que regressemos."

-"Sim senhora."

Riza desligou o telefone e ficou esperando por Roy. Ela caminhava pela sala, observando os objetos.

-"Roy está se arrumando?" Lillian chegou de repente, mas não chegou a assustar Riza.

-"Sim, faz algum tempo que ele subiu."

-"Acho melhor você sentar. A menos que ele tenha mudado, por causa da disciplina militar, ele costuma demorar bastante. Era tão engraçado quando ele ia para os encontros. Ele marcava de encontrá-las já calculando o tempo que levaria para se arrumar." Lillian começou a rir. Riza a olhou com ar de interesse.

-"Imagino."

-"Bem, eu vou me arrumar também. Até depois querida."

Lillian foi para seu quarto, deixando Riza sozinha na sala.

Roy desceu após uns 25 minutos. Podia-se sentir no ar a deliciosa fragrância, uma perfeita combinação de sândalo, baunilha, folhas de abacaxi, limão, hortelã, jasmim e noz-moscada, que deixou Riza ligeiramente inebriada. Apesar de ele sempre estar perfumado, era a primeira vez que ela sentia logo quando ele havia acabado de perfumar-se. Ele estava com a barba feita, a face perfeitamente lisa. Vestia uma camisa verde escuro e uma calça de tom caqui.

-"Eu demorei muito?"

-"Não, o normal, pelo que a sua mãe me contou." Riza sorriu, levemente.

-"A minha mãe andou me difamando? Ela não mostrou nenhuma foto minha quando era bebê, não é? Ela tem essa mania."

-"Não, ela não fez isso. Só me disse que costuma demorar para se arrumar. E, toda mãe mostra fotos de seus filhos quando eram bebês, acho que é algo inerente as mães." Riza sorria, vendo a expressão envergonhada e ao mesmo tempo, furiosa de Roy.

-"É, deve ser mesmo. E não só as mães, Maes..." Roy olhou para baixo, e ficou com uma expressão séria.

-"Acho melhor irmos."

-"E a sua mãe?"

-"Ela foi me avisar que vai demorar e que nós devemos ir na frente."

-"Nós podemos esperá-la, não há pressa."

-"Esqueça Riza. Por algum motivo ela quer que nós saiamos primeiro. Não queira vê-la contrariada."

-"Nesse caso, vamos então."

Riza apenas levantou as sobrancelhas. Ela e Roy seguiram para a porta, saindo da casa. Após caminharem por cerca de vinte minutos, estavam no 'centro' de Sussey.

O dia estava quente, com o sol brilhando forte e o céu bem azulado. Graças às montanhas, o calor não era abafado, mas sim agradável.

No centro de Sussey se localizava toda a movimentação da cidade. Havia o posto do exército, o consultório da mãe de Roy, lojas, entre outras repartições comuns as cidades. Apesar de ser o centro, se é que poderia se dizer isso de uma cidade tão pequena, a cidade toda era bem arborizada, o que a enchia de um charme especial. Havia uma praça, onde crianças brincavam, correndo e assustando os pássaros. O centro era muito alegre, contrastando com o silencio das outras regiões, de casas afastadas, cercadas por árvores e montanhas.

Eles caminhavam, observando tudo. Roy olhava com surpresa, muitas coisas haviam mudado, muitas outras não. As pessoas nas ruas os olhavam com curiosidade. Eles faziam um par inusitado, ele com roupas civis e ela com sua farda militar. Nenhum dos dois se incomodou muito com isso, achando até engraçado. Passando próximo a um prédio grande, com um pátio, de onde podiam ouvir vozes e risadas infantis, Roy esboçou um enorme sorriso e sua expressão demonstrava que lembrava-se de algo. Riza o encarou curiosa.

-"Eu estudei aqui."

-"Devia ser o mais popular."

-"Por que diz isso?" Roy a encarava, com um sorriso maroto.

-"Você estava aprendendo alquimia, estou certa?"

-"Sim, minha mãe me ensinava." Ele arqueou as sobrancelhas.

-"Quando eu estava na escola, quem sabia alquimia era muito popular."

Roy ficou decepcionado. Havia pensado que ela diria que ele devia ser popular por que era bonito, inteligente. Sacudiu a cabeça. Deveria ter imaginado mesmo que ela jamais diria tal coisa. Um pensamento lhe passou pela mente, e começou a sorrir.

-"Então... você gosta de alquimistas?"

Roy perguntou com uma voz sexy, e um sorriso sedutor. Riza, por sua vez, tinha um olhar que demonstrava que ela iria entrar na brincadeira, enquanto exibia um sorriso sarcástico, arqueando apenas uma das sobrancelhas.

-"Eu não disse isso."

-"Mas você disse que eles eram populares."

-"Disse."

-"Então você gostava deles?"

-"Não." Riza se continha para não cair na risada, mantendo apenas o sorriso irônico, encarando Roy.

-"Não?"

-"Eles eram populares, mas não quer dizer que eu me interessasse por eles. A maioria não passava de idiotas exibicionistas."

Roy ficou chocado, como se aquilo o atingisse diretamente. Riza o havia pegado.

-"Ah, você tinha inveja!"

-"Por que eu haveria de ter? Eu já sabia montar e desmontar uma arma aos nove anos, aos 12 já era capaz de manejar uma arma de pequeno porte sem sofrer com o coice ao atirar."

Roy estava abismado. Ele jamais daria uma arma para uma criança.

-"Desculpe, mas acho que seus pais não tinham muita noção."

Riza desfez o sorriso.

-"Eu sei o que você está pensando. Mas eu não vejo diferença entre ensinar uma garota a atirar, ou ensinar um garoto a incendiar coisas, ou a tentar quebrar as leis da natureza."

Roy não sabia o que dizer. Poderia dizer que era diferente, que a alquimia servia para mudar coisas, enquanto uma arma apenas servia para ferir ou matar. Que ele não aprendeu apenas a incendiar. Mas, seguindo o raciocínio, não podia negar que Riza estava certa.

-"Desculpe-me. Eu não deveria ter falado dessa maneira sobre os seus pais. E, de certa forma, você está correta."

-"Eu não fiquei ofendida. E você também tem razão. Eu não daria uma arma para uma criança. Eu apenas quis mostrar um outro ponto de vista." Ela sorriu levemente e ele retribuiu da mesma forma.

Riza parou em frente a uma loja de artigos femininos

-"Exatamente do que eu precisava."

Eles foram entrando. A loja era de tamanho médio, tinha um ar bem simpático.

-"Bom dia, em que posso ajudá-los?"

Uma jovem sorridente e que não conseguia tirar os olhos de Roy, veio atendê-los. Riza percebeu os olhares da moça para seu superior e apenas balançou a cabeça, isso sempre acontecia, mesmo quando ele não fazia questão de chamar atenção para si.

-"Eu vou ficar na cidade até domingo, e como sai às pressas, não trouxe bagagem." A voz de Riza era séria. A atendente levou alguns segundo para conseguir parar de olhar para Roy e responder a ela.

-"Ahn, compreendo. Bem, se me acompanhar, podemos ver algo que lhe interesse." A atendente disse, sorrindo para Riza, imaginado o quanto ela era sortuda por namorar um homem como aquele.

-"Eu te espero aqui."

Riza e atendente se dirigiram para uma outra parte da loja. Passando alguns minutos, Riza voltou, sem sua jaqueta, apenas com a blusa preta, estendendo o coldre de sua arma para Roy.

-" Eu preciso que você fique com ela."

-"Acho que você não precisava ter saído com ela."

-"Como você mesmo disse a sua mãe, eu nunca saio sem uma delas."

-"Você ouviu? Ahn...Ah, eu também não saio sem minhas luvas." Roy falou como que querendo se desculpar. Riza não discutiu, voltando para onde estava a atendente.

Após vinte minutos, quando Roy já achava que estava se tornando um especialista em artigos femininos, Riza e a atendente reapareceram. Roy sorriu ao ver que ela não estava usando mais a farda, mais sim uma calça de um tecido leve, azulada, uma blusa amarelada e um tênis baixinho, branco.

-"Você ficou bem assim."

Riza ficou levemente constrangida, mas logo se recuperou.

-"Obrigada."

Ela pegou o coldre das mãos de Roy, vestindo-o. A atendente entregou a Riza um casaquinho, do mesmo tom da blusa, que ela vestiu por cima, escondendo a arma.

-"Eu vou pagar e pegar os pacotes e já podemos ir."

-"Ahn, Riza, eu pago."

-"Não mesmo. Minhas roupas, eu pago."

-"Mas você não teria que comprá-las se não tivesse me acompanhado até aqui. Eu insisto, eu pago." A voz de Roy era determinada. Mas não mais do que a de Riza.

-"Eu o acompanhei por que eu quis. Você não queria que eu viesse, lembra? Eu pago e ponto final. Não quero discutir isso."

Riza saiu, desaparecendo em alguma parte da loja, deixando Roy ligeiramente atônito e sem tempo para argumentar. Que mulher!

Quando voltou, juntamente com a atendente, trazia uns seis pacotes.

-"Espero que tenha gostado e quando estiver em Sussey, não deixe de vir até a nossa loja." A atendente sorria para os dois, imaginando que eles formavam um casal fascinante e divertido.

-"Obrigada, eu gostei muito."

Roy pegou três dos pacotes, que estavam com a atendente, fazendo uma cara de quem não aceitaria brigas para Riza. Ela se limitou a ir até a porta, carregando os outros três pacotes, sem se importar com ele.

-"Voltaremos sim, obrigado."

Saíram da loja e observaram uma movimentação, parecia que estavam organizando uma feira.

-"O que será?"

-"Aniversário da cidade, hoje. Minha mãe comentou, lembra?"

-"Ah, é verdade."

Começaram a caminhar, observando as lojas. Roy continuou caminhando, falando alguma coisa, até que se deu conta de que Riza não estava mais ao seu lado. Olhou para trás, não a encontrando. Quando viu uma enorme placa em madeira e metal de uma das lojas, entendeu o porquê do sumiço repentino dela. Entrando na loja, a viu próxima ao balcão, examinando algo, com estrema atenção e cuidado. Roy sorriu e se aproximou, mas ela não percebeu, estava concentrada examinando o objeto precioso.

-"Han-hun" Roy fez um som com a garganta. Riza se virou, encontrando Roy exibindo um sorriso divertido para ela.

-"Ah,...eu..."

-"Ficou tão empolgada, que esqueceu de mim, Riza?"

-"Desculpe." Ela falou, constrangida.

-"Tudo bem. O que foi que lhe atraiu tanto?"

-"Um novo modelo de 10 mm."

-"E qual é a diferença para as 9 mm que você possui?"

-"Ah Roy! A 10 mm é perfeita! Ela é a junção da precisão e poder da 45, mas sem ser tão pesada, com a velocidade e precisão de trajetória, bem como a maior facilidade de manuseio da 9 mm." Riza tinha um brilho no olhar e sorria ao falar.

-"Interessante. Mas você é capaz de manusear com precisão tanto a Magnun 44, quanto um rifle de cano duplo. Portanto, a facilidade de manuseio não é exatamente um fator importante na escolha dessa arma, não é mesmo?" Roy exibia um pouco de seus conhecimentos acerca de armamentos.

-"Sim, isso é verdade, mas a Magnun 44 é uma arma muito potente, apesar de ser pequena. Não é muito inteligente usá-la em situações em que são exigidos movimentos rápidos. Em uma situação de combate, as chances de erro são maiores. No entanto, com a 10 mm meu desempenho será muito melhor. Minhas reações serão mais rápidas, bem como os disparos, e o poder de penetração das balas é bem maior."

Roy estava achando muito divertida a expressão de contentamento dela. Eram raras as vezes que a via assim. Ela era sempre tão séria, compenetrada.

-"E as balas são menores, assim, no pente cabem mais cartuchos. Não vou ficar sem munição tão rápido."

-"Certo."

Roy decidiu que era hora de parar de dar chance para ela continuar explicando as vantagens do novo armamento. Sendo um militar, ele tinha o mínimo conhecimento sobre armamentos. Mas Riza era especialista, a melhor atiradora do exército de Ametris. Seu conhecimento acerca destas era inigualável. Se ela continuasse falando, ele certamente ficaria entediado. Riza continuava sorrindo e admirando a arma como se esta fosse uma jóia.

-"Você espantou o vendedor para poder namorar a arma melhor?" Roy perguntou rindo.

-"Ouh não. Ele foi providenciar para que eu a teste."

-"Por que será que isso não me surpreende?" Ele revirou os olhos e balançou a cabeça.

Riza apenas sorriu para ele e voltou a mexer na arma.

-"Senhorita? A área de teste está liberada, se me acompanhar, é por aqui."

Um senhor, grisalho, de meia idade, apareceu, saindo de uma porta, nos fundos.

Riza o acompanhou, e Roy apressou-se em pegar os pacotes que ela havia deixado no chão, enquanto examinava a arma, antes de segui-los. Eles passaram por um corredor, chegando à área de testes. Riza se dirigiu a primeira baia, colocando o protetor de ouvidos. Roy ficou atrás dela, de modo a poder ver o teste. Riza pegou a arma, a destravou e apontou. Três tiros. Roy mal viu quando ela deu o primeiro, e logo já estava acabado. No alvo, um tiro na cabeça, um no centro e um mais abaixo.

-"Owow. Realmente é tudo o que você disse."

-"Sim, certamente preencheu minhas expectativas. Ela se encaixa perfeitamente na minha mão, o gatilho é tão macio, quase não sinto o coice do tiro!"

Roy se limitou a sorrir, vendo o brilho de contentamento no olhar dela.

Riza colocou a arma e o protetor de volta na bancada da baia e voltaram para a frente da loja, onde o atendente os esperava.

-"Então senhorita, a arma lhe agradou?"

-"Sim, fiquei muito satisfeita com o desempenho dela."

-"O kit vem com dois pentes de projeteis de 11, 66 gramas, um silenciador, e se desejar, podemos incluir a mira."

-"Não gosto de miras em armas de pequeno porte. Mas eu não vou levá-la. Estou sem minha licença."

-"Ah, isso é uma pena. A senhorita merece uma arma como esta. Nunca vi alguém atirar como a senhorita. Essa arma foi feita para seu uso."

-"Eu a levarei." Roy exibiu seu relógio prateado, provando que era um alquimista certificado nacionalmente. Alquimistas nacionais não precisavam de licenças especiais.

-"Ah, um alquimista nacional! Filho da doutora Carnahan?"

-"Sim."

-"O jovem Mustang! Faz muitos anos que não vem à cidade. É praticamente uma lenda aqui. Mas, voltando à arma, essa é uma excelente decisão. Será um belo presente para sua namorada. Vou providenciar para que fique em uma embalagem para presente."

Riza deixou de admirar a arma, virando-se para Roy, totalmente surpresa.

- "Como assim vai comprar a arma? E nós não somos namorados."

-"Ah, desculpe-me pelo mal entendido." Disse o atendente, olhando para ambos, que continuavam se encarando.

-"Eu vou."

-"Eu não posso deixá-lo fazer isso. Não, eu compro quando chegarmos à Central. Por favor, ele não vai levar, não se preocupe em embalar."

-"Eu vou levar sim. Pode embalar."

O atendente decidiu esperar para ver quem teria a palavra final na discussão.

-"Não mesmo. Eu não posso deixar isso. Você não pode comprar para mim."

-"Claro que posso e vou."

-"Não. Eu não deixei você pagar minhas roupas, não vou deixar que pague pela arma, que é bem mais cara e... e menos necessária no momento." Riza não acreditava que havia dito isso. Como podia dizer que a arma era desnecessária. Era a arma que estava esperando há meses, desde que saiu a informação de que seria disponibilizada no mercado.

-"Mas eu quero comprar. Vi como você ficou encantada com ela, seria injusto não leva-la, só por que está sem sua licença aqui. Já que eu posso levar, eu a levarei."

-"Então eu pago."

-"Não."

-"Como não? Por favor, não há o porquê você pagar."

-"Há sim, é um presente."

Roy pensou em complementar dizendo que, como General, ganhava mais e, portanto, não era um problema para ele comprar, mas depois decidiu que não era educado dizer isso.

-"Não posso aceitar."

-"Pode sim. Além disso, quem mais vai usufruir dela serei eu mesmo."

Roy virou na direção do atendente, que esperava pacientemente a resolução do impasse, indicando a ele que poderia colocar a arma na caixa para presente.

-"Como assim? Você nem gosta de armas. Só carrega uma por que faz parte do uniforme e só às usa em certas ocasiões, quando não tem outra escolha."

Roy arregalou os olhos. Lá vinha ela lembrar que ele que não podia usar as chamas com o tempo chuvoso. Depois que o sentimento de inutilidade passou, ele voltou à discussão.

-"Estou defendendo meus próprios interesses. Ao comprar essa arma para você, estarei garantindo a sua maior eficiência em me proteger." Roy exibiu um sorriso triunfante ao ver Riza erguer uma das sobrancelhas. Sabia que ela havia percebido a lógica de seu argumento.

-"Isso é correto, mas ainda sim, eu não posso aceitar. Você é meu oficial superior, não é certo..."

-"Chega Capitã Hawkeye. Essa ridícula discussão acaba aqui. Eu vou comprá-la. E como seu superior, eu ordeno que.."

Roy parou de falar de forma abrupta. Eles ficaram um momento se olhando, ambos constrangidos por terem apelado as questões de patente.

- "Por favor, Riza, eu lhe peço que aceite. Eu sei o quanto é importante para você. É um presente, eu quero comprar isso para você." Roy não falava mais com voz autoritária, mas em um tom suave. Riza pensou um pouco. Ele queria comprar para ela. Ela usaria para protegê-lo. Realmente, não havia razão para não aceitar, eles não precisavam manter essa distancia militar, conheciam-se há muito tempo.

-"Obrigada. Usarei esse presente da melhor forma." Disse sorrindo.

-"Ótimo, que bom que chegaram a um acordo. Foi uma decisão muito sabia. Bem senhor, me acompanhe até o caixa."

Roy seguiu o atendente, enquanto Riza ficou observando as outras armas e artigos relacionados.

No caixa, Roy preenchia o cheque.

-"Deseja que gravemos o nome da senhorita na arma? Levará apenas uns 10 minutos."

-"Sim, por favor. Coloque E. Hawkeye. Riza é um diminutivo de Elizabeth."

-"Belíssimo nome, combina perfeitamente com senhorita. Muito elegante, mas simples, como ela."

-"Tem toda razão." Roy respondeu, sem pensar, terminando de preencher o cheque.

-"Deseja que gravemos uma mensagem no interior na caixa? Já que é um presente."

-"Ah, eu faria isso, mas creio que ela não irá gostar."

-"Aceita um conselho de um senhor que já viu muitas coisas?"

-"Sim, por favor."

-"Coloque a mensagem. E ao escrevê-la, seja você mesmo. Tenho certeza que a senhorita vai gostar assim. Vocês parecem ter uma bela amizade, é raro ver isso."

Roy sorriu concordando.

-"É verdade, não sei o que faria sem o apoio dela." Ficou pensativo por um instante.

-"Poderia me dar um papel para eu escrever a mensagem? Já sei o que escrever."

-"Ah sim, aqui está. Escreva. Enquanto isso, levarei a arma para gravar o nome."

-"Obrigado."

O atendente desapareceu por uma portinha, voltando minutos depois.

-"Terminou a mensagem?"

-"Sim.." Roy entregou o pedaço de papel ao atendente, que sorriu ao ler o conteúdo.

-"Perfeito, a senhorita vai ficar muito contente, tenho certeza. Vou levar para gravar. Em dez minutos deve estar pronto."

-"Ótimo."

Passaram-se 15 minutos e Riza começava a se perguntar o porquê da demora, quando Roy voltou, trazendo uma caixa em madeira avermelhada, envernizada, com um lindo laço de fita azul a envolvendo. Ele se aproximou dela, entregando a caixa.

-"Não vou dizer que espero que goste, por que sei que é o que queria, mas...ahn...espero que divirta-se bastante com ela."

-"Obrigada, eu vou me divertir muito. Devo estar parecendo uma tola, agindo como uma criança que acabou de ganhar um brinquedo novo, não é mesmo?"

-"Não, você não está parecendo uma tola, só está feliz. Eu ficaria da mesma forma se encontrasse um livro raro de alquimia, especialmente de piro-alquimia."

Ambos sorriram levemente e se dirigiram para a saída, se despedindo do atendente.

Caminharam, passando por várias ruas, observando, mas sem prestar muita atenção, as outras lojas e o movimento, até que este foi se tornando cada vez mais raro. As ruas começaram a dar lugar a caminhos de chão batido, as lojas a pequenas casas.

-"Esse caminho não é o pelo qual nós viemos."

-"Não. É maior, mas mais bonito. Poderemos ver as montanhas mais de perto, e passaremos por um bosque. Por este caminho eu posso lhe mostrar a maior parte das belezas naturais de Sussey."

-"Ah sim."

Caminharam em silêncio por mais alguns minutos, quando avistaram uma série de árvores, das quais caiam flores amareladas, que cobriam o caminho, que seguia ao longo de um rio. À direita, as montanhas, enormes paredes rochosas. As mais altas estavam recobertas pela neve eterna, o que dava um belo contraste com o céu azulado.

-"Eu vinha muito aqui. Gostava por que era muito tranqüilo, podia estudar sem perturbações."

-"Realmente, parece um lugar ótimo para se ficar sentado, apenas contemplando as montanhas."

-"Exatamente. Mas a frente há um pequeno lago. Eu e meus pais vínhamos pescar nos fins de semana. Era muito gostoso, ficávamos o dia inteiro."

-"Agora sei de onde vem seu gosto por pescar."

Riza ficou encantada com a beleza do lugar. Caminharam mais um pouco, passando por uma ponte coberta, que era à entrada do bosque. O caminho estava repleto de folhas e flores caídas, de tons amarelo-avermelhados. Eles estavam caminhando a mais de meia hora, estavam ficando ligeiramente cansados, e Riza estava ficando com calor, por causa do casaquinho que não podia tirar, uma vez que escondia sua arma. À medida que caminhavam, o barulho de água ia se tornando mais forte, até que avistaram o lago, cujas margens davam em parte para o bosque, parte para a montanha. Podia-se ver esta refletida na água e cristalina, e ligeiramente azulada, pelo reflexo do azul do céu.

Sentaram-se em uma rocha, depositando os pacotes no chão, observando o lago e as montanhas.

-"Eu perdi a conta das vezes em que eu fiquei aqui, em baixo de alguma árvore, estudando e acabei adormecendo. Quando era criança, meu pai vinha ao meu encontro, caso eu demorasse e me carregava até em casa. Depois, ele apenas vinha me acordar para irmos para casa."

-"Meus pais também era muito carinhosos comigo. Às vezes, quando penso nisso, fico feliz, por que, depois de tudo pelo que passamos, pelo menos tivemos momentos de felicidade antes."

Roy olhou para ela, que mantinha o olhar fixo no lago. Não parecia triste, nem feliz, parecia normal, mas o tom de sua voz demonstrava certa melancolia.

-"De agora em diante, as coisas serão melhores para todos nós, Riza, eu prometo."

-"Eu sei."

Ficaram sentados, observando a bela paisagem ao seu redor. Passados alguns minutos, Roy tirou os sapatos e as meias, colocando-os ao lado da rocha onde estava sentado. Desabotoou os botões da camisa, abrindo-a. Se levantou, retirando-a e a colocou sobre a rocha. Riza estava destraída, olhando ainda para a paisagem, só voltando a olhar para Roy quando este já estava de costas para ela, desabotoando o botão de sua calça.

Ela ficou chocada, sem entender o que ele pretendia fazer.

-"O...O que...o que está fazendo?"

Ele não virou para olhá-la, mas sorria, imaginando a cara que ela deveria estar fazendo.

-"Está quente. Vou dar um mergulho."

-"Como?"

-"Vou dar um mergulho. Você não vem?"

-"Não! Não, ah...,eu não estou usando roupa de banho. Eu nem comprei isso."

-"Nem eu."

Roy abriu o zíper e deixou a calça escorregar por suas pernas.

Riza ficou sem palavras. Roy começou a caminhar na direção da beira do lago, apenas usando uma boxer preta, que contrastava com a alvura de sua pele.

Riza ficou um tempo chocada, apenas piscando os olhos e com os lábios quase abertos. Mesmo ele estando de costas, ela podia ver o como ele era atlético, com os músculos bem definidos. Depois que o choque inicial passou, ela ficou apenas observando ele mergulhar e depois submergir, sacudindo os cabelos negros, as gotas d'agua escorrendo pelo seu rosto, o que lhe dava uma aparência ainda mais sexy.

-"Mantenha o autocontrole Riza, mantenha o autocontrole. Isso não é nada. É só seu superior, praticamente perfeito, semi-nu, nada de mais. Totalmente normal, não há nada de estranho e fantástico nisso. Mantenha o autocontrole..."

Riza falava para si mesma, tentando parar com os pensamentos que insistiam em aparecer em sua mente, mas foi interrompida pela voz de Roy, que quase gritava de dentro do lago.

-"A água está ótima. Tem certeza que não quer dar um mergulho? Está quente hoje."

Riza sacudiu a cabeça, buscando recuperar seu estado normal, antes de responder. Retirou seu casaquinho, estava ficando vermelha pelo calor.

-"Não. Estou bem aqui. Não estou com vontade de ficar molhada depois."

-"Como preferir."

Roy voltou a mergulhar, nadando, quase desaparecendo no lago. Riza não conseguia parar de sorrir, aquele bosque, o ambiente todo era lindo. Sentia vontade de ficar para sempre em Sussey, sentia como se estivesse em outra realidade, uma realidade bem mais agradável, longe das preocupações.

Roy nadou até o meio do lago e depois voltou para a beira. Começou a caminhar, saindo de dentro do lago, sacudindo mais uma vez os cabelos e depois os ajeitando com uma das mãos. As gotas d'água escorriam pelo seu corpo. Riza voltou a repetir o mantra do autocontrole, enquanto o observava. Não conseguia tirar os olhos do corpo dele, os músculos talhados, o peitoral delineado, lisinho. Ele era perfeito. Os músculos eram definidos, mas não de forma exagerada. Roy mantinha os olhos fixos nela, enquanto caminhava em sua direção. Estava adorando vê-la sorrir, enquanto os olhos percorriam o seu corpo. Subitamente, ao olhar o abdômen dele, o sorriso dela desapareceu.

Roy não deixou de perceber isso. Aproximou-se, pegando a camisa e a vestindo, mesmo estando todo molhado, antes de sentar-se ao lado dela.

-"Riza? O que a está incomodando?"

-"Não é nada. Assim que você estiver seco, acho melhor voltarmos para a casa, seu pai deve estar nos esperando."

-"Você ficou assim por causa disso, não é mesmo?"

Roy falou, levantando a camisa, deixando à mostra a cicatriz da cauterização improvisada que ele fez nos ferimentos causados por Lust.

-"Eu não cumpri com o meu dever direito. Isso não deveria ter acontecido."

-"Riza, olhe para mim."

-"Eu sinto muito. Eu..."

Roy estendeu sua mão na direção do rosto de Riza, segurando-o pelo queixo, delicadamente, fazendo-a olhar para si.

-"O que foi que eu lhe disse sobre não se deixar abater? Riza, você não estava lá, não estava comigo e com o Havoc. Você enfrentou a bruxa maluca depois, sabe que não havia nada a fazer, você viu a dificuldade que foi para acabar com ela."

-"Sim, mas você quase morreu. Eu..."

-"Por favor, eu lhe peço que esqueça. Isso não me incomoda mais. Não há razão para que você fique preocupada. E eu não quero vê-la preocupada."

Ele mantinha o olhar fixo nos olhos castanho-rubi dela, falando com uma voz suave, que demonstrava a sinceridade de suas palavras.

-"Obrigado por tudo que já fez por mim."

Ele continuava olhando-a nos olhos, enquanto arrumava uma mecha dourada, que havia se desprendido da presilha e caia suavemente sobre a face de Riza, colocando-a por trás da orelha.

-"Não precisa me agradecer. Tudo o que eu fiz, fiz por que quis. Nunca foi por obrigação." A voz de Riza era igualmente suave e sincera.

-"Eu sei. Por isso que lhe agradeço."

Roy se aproximou mais, seus rostos quase se tocando, fazendo com que Riza tivesse a sensação de que ele iria beijá-la. Era uma sensação agradável, ao mesmo tempo, aterrorizante.

-"Ahn...eu acho..."

Roy a interrompeu, colocando os dedos sobre os lábios delicados dela.

-"Shii. Não fale nada. Você precisa disso. Eu preciso disso."

Ele passou seus braços ao redor dela, abraçando-a. Seus rostos se tocaram, fazendo com que Riza sentisse um leve arrepio. Roy afastou seu rosto um pouco, olhando para a face surpresa dela. Ela ficava ainda mais bela com esse ar ligeiramente frágil, que dificilmente demonstrava. Fechou os olhos e aproximou seus lábios dos de Riza. A principio ela ficou sem reação. Apesar de ser uma sensação agradável, ela estava constrangida, afinal ele era seu superior. Mas depois fechou os olhos, aproveitando a sensação do toque dos lábios dele.

O beijo foi suave, delicado, uma sucessão de leves toques, que os deixaram inebriados. Roy se afastou um pouco, abrindo os olhos lentamente, e ficou contemplando o rosto de Riza, que mantinha os olhos fechados. Sorriu, para então, beija-la levemente na testa.

Para a surpresa dele, ela, ainda de olhos fechados, passou um de seus braços pelo ombro dele, e a mão que permanecia livre, ela passou por trás da nuca, abraçando-o, e fazendo com que agora ele sentisse um arrepio. Ela aproximou seus lábios do dele e eles voltaram a se beijar, da mesma forma terna. Após alguns minutos, Roy, com certa dificuldade, afastou seus lábios dos de Riza, e escorregou seu rosto pelo pescoço dela, repousando a cabeça em seu ombro. Riza o abraçou com mais força, não se importando com o fato da camisa dele estar úmida.

Ficaram assim por algum tempo, os olhos fechados, apenas sentindo o movimento da respiração de cada um e ouvindo os sons do bosque. O simples fato de estarem abraçados ali lhes davam uma sensação de tranqüilidade, de conforto, que há muito não sentiam. Voltaram à realidade quando Roy se afastou rapidamente de Riza para poder espirar.

-"Droga."

Riza quase gargalhou ao ver a expressão de descontentamento dele, mas depois voltou ao seu modo usual.

-"Acho melhor voltarmos. Creio que você já pode terminar de se vestir. Quando chegarmos, você vai colocar roupas secas, tomar um chá quente e descansar. Você já faltou dois dias, não vou deixar que pegue um resfriado."

-"Sim senhora."

Roy falou como se estivesse se dirigindo a uma oficial superior, enquanto pegava sua calça. Ele se vestiu rapidamente e pegou três pacotes que Riza deixou para ele carregar. Caminharam um pouco, e após subirem por uma colina, estavam na parte de trás do terreno da casa de Roy.

-"Como pode ver, o lago é próximo da minha casa, mas se nós tivéssemos ido por esse caminho primeiro, teríamos demorado mais para chegar ao centro. Por isso, preferir vir por ele na volta."

-"Seus pais souberam escolher bem onde morar."

-"Nossa casa tem uma das melhores vistas de toda Sussey."

Entraram pela porta dos fundos, que dava para a cozinha. Tudo estava em silêncio. Roy foi direto para o quarto, passando pela sala e subindo as escadas. Riza o seguiu, mas estava procurando por Christian, que parecia não estar.

-"Acho que seu pai saiu."

-"Ele só volta as três, está dando aulas naquele colégio que passamos."

-"Aulas? De culinária?"

-"Não, de química. Ele é formado, mas nunca quis ser alquimista. Preferia ser chef."

-"E por que ele foi para a universidade?"

-"Para agradar minha avó. Ela não achava que era "trabalho de um homem" ficar na cozinha. O restaurante, até ele, sempre fora administrado por mulheres. Meu avô era professor na universidade, então, ela queria que o meu pai também o fosse."

-"Isso explica o modo "doce" como a sua mãe se refere a ela." Riza comentou em um tom sarcástico.

-"Exatamente. Minha avó nunca aceitou o casamento deles, mesmo que minha mãe fosse uma médica renomada. Ela não gostou do fato dele ter deixado o restaurante por conta da minha tia, mesmo que sempre tenha sonhado com isso, para se mudar para cá, no meio do nada. Antes ele sendo um chef renomado na cidade Central, do que um professor no interior."

Roy esperou que Riza abrisse a porta de seu quarto e colocou os pacotes sob a cama.

-"Eu vou tomar um banho quente, enquanto você organiza as suas coisas, e depois vou providenciar o almoço para nós. Meu pai certamente supôs que almoçaríamos na cidade, então não deve ter deixado nada preparado."

Roy saiu, indo para seu quarto, deixando Riza organizando suas coisas. Ela organizou as roupas, lingeries, escovas, nas gavetas do armário. Retirou seu coldre, colocando a arma no criado mudo, junto com a outra. Sentou-se na cama, olhando a caixa da arma que ganhara. Pensou em abri-la, admirar mais, mas depois a colocou sobre o outro criado mudo. Levantou-se e saiu do quarto.

Roy saiu do banho sentindo-se renovado, mas ligeiramente sonolento. Nadar sempre o deixava com sono. Vestia uma blusa branca e uma calça de um tecido leve, azul marinho. Quando chegou à cozinha, encontrou Riza mexendo algo em uma panela.

-"O que você está fazendo?"

-"Um strognoff de frango, gosta?"

-"Ahn, sim. Mas não foi isso que eu perguntei, quero saber por que está fazendo isso?"

-"Por que você estava no banho e eu já havia terminado de organizar minhas coisas. Vocês não me deixaram fazer nada desde que cheguei, eu não gosto disso. Não estou acostumada com isso."

-"Não precisava se preocupar, eu teria feito. Você é nossa convidada." Roy se aproximou dela, sorrindo.

-"Precisa de ajuda?"

-"Eu não sou uma eximia cozinheira, mas...bem, acho que está comestível. Poderia provar e ver se está bom de temperos? Eu encontrei o peito de frango já picado na geladeira, espero que seu pai não tivesse outra idéia para ele."

-"Não se preocupe, ele não vai ficar aborrecido."

Riza estendeu a colher na direção do rosto dele. Ele provou e ela ficou olhando com expectativa. Quando ele levou à mão a boca, fazendo uma careta, Riza ficou desapontada.

-"Está horrível? Desculpe-me, eu acho que exagerei nos temperos."

Roy estava com os olhos fechados. Respirou fundo e abriu os olhos, antes de falar.

-"Não está horrível. Está gostoso." Sua voz estava falhada.

-"Não acredito que está tentando mentir para mim, depois de ter feito essa cara. Não precisa."

-"Riza, eu não estou mentindo."

-"Então por que ficou assim?" Riza estava começando a sentir uma leve irritação.

Roy sorriu para ela, mas de forma embaraçada.

-"Queimei minha língua."

Ela o olhou não acreditando.

- "Como?"

-"Quando eu fui provar. O molho estava fervendo."

-"Ahn. Hum...bem..." Riza não sabia o que dizer. Aquilo era cômico, mas ele deveria estar se sentindo péssimo. Roy respirou fundo mais uma vez e sentou-se. Ela ficou parada, encostada no balcão, olhando para ele.

-"Se estivesse ruim, eu teria dito que o frango estava estragado e teria feito você jogar fora, e aí inventaria uma desculpa, sendo charmoso, para eu fazer outra coisa."

-"Isso não funciona comigo." Riza sorriu ironicamente para ele.

-"Ahn, Riza?"

-"Sim?"

-"Acho melhor você desligar, tenho a impressão que está queimando."

Riza correu para desligar o fogo. O strogonoff estava fervendo, totalmente enfumaçado. Ela começou a mexer e da panela podia-se ouvir os sons que indicavam que o strogonoff havia grudado no fundo.

-"Ah porcaria. Por que quando queremos fazer algo perfeito, ele sai errado?"

Ela olhou para Roy, com um ar aborrecido.

-"Deveria ter deixado você fazer. Agora será obrigado a comer um strogonoff que dever estar com gosto de queimado."

Ela puxou uma cadeira da mesa e sentou-se. Roy sorriu, nunca imaginaria tal situação, estar ali, vendo Riza lutar com a as artes culinárias.

-"Tudo bem. Não estou sentindo cheiro de queimado, e, quando eu provei, mesmo fazendo com que eu me queimasse, parecia ótimo. Se servir de consolo, eu acho que minha mãe não sabe nem ligar o fogão."

Riza sorriu, havia alguém pior que ela.

-"Você preparou uma salada?"

-"Sim. Está na geladeira."

Roy abriu a geladeira, pegando a travessa com a salada multicolorida que Riza havia preparado. Colocou sobre a mesa, e depois pegou uma travessa e dois pratos no armário, bem como talheres na gaveta, colocando-os sobre a mesa também. Pegou a panela do strogonoff e começou a despejar este na travessa de porcelana branca, deixando-o com uma bela aparência.

-"Pronto. Acho que podemos almoçar, estou faminto."

Roy preparou seu prato e começou a comer com vontade, enquanto Riza o fazia calmamente.

-"Sua salada está maravilhosa."

-"Obrigada."

Ficaram em silêncio, absortos em seus pensamentos, por alguns instantes.

-"Por que pratica piro-alquimia?" Riza perguntou, enquanto pegava mais salada.

-"Hum?"

-"Quero dizer, sua mãe é uma alquimista médica. Como começou a praticar alquimia com fogo?"

-"Ah, isso. Bem, não sei explicar. Sempre gostei de ficar olhando as chamas, desde criança. Gastava um monte de palitos de fósforos, observando as três cores da chama, querendo entender a diferença delas, o porquê. Segundo minha mãe, a culpa é do meu pai, ele ficava me ensinando a cozinhar e eu acabava passando muito tempo na cozinha, lidando com o fogo." Roy comeu outra garfada do strogonoff, antes de continuar.

-"Realmente, nunca parei para pensar nisso. Simplesmente gosto. Engraçado é que até pensei em ser médico como a minha mãe, quando era criança. Mas depois, me dediquei a estudar alquimia e acabei revelando uma grande habilidade em controlar chamas. Mas isso não significa que eu saiba fazer apenas isso, conheço outras técnicas, até algumas coisas de alquimia medica. Não haveria sentido saber apenas manipular chamas. Eu quis ser um alquimista para ajudar as pessoas."

Roy ficou pensativo por alguns instantes. Sua expressão mudou. No inicio estava sorridente, lembrando-se de quando começou a aprender alquimia. Mas agora, estava com uma expressão séria, como se algo o incomodasse.

-"Bem, acho que a resposta a isso pode ser encontrada na minha entrada no exército. No dia do meu teste, eu demonstrei habilidades em lidar com o fogo, habilidade que poucos possuem, e por isso fui aceito, uma vez que seria muito útil, especialmente no campo de batalha, o que foi comprovado em Ishbal..." Colocou os talheres sobre o prato, já vazio e ficou em silêncio, com os olhos quase fechados, revivendo as terríveis lembranças da guerra.

-"Eu não devia ter perguntado isso. Foi uma pergunta idiota."

A voz de Riza estava ligeiramente aflita. Ela sentia-se mal, tanto pelas suas próprias lembranças do conflito, como por ter ocasionado a volta destas a mente de Roy.

-"Não, ao contrário, foi uma ótima pergunta. É bom esclarecer que posso fazer mais do que incendiar coisas. A maioria acha que sou um piro-maniaco que tem prazer em matar, como o Climbley."

Roy ficou irritado por causa das lembranças de Ishbal e por ter sido tratado como um grande herói quando voltou. Sua cabeça estava pendida para o lado, apoiando o queixo no punho, sem encarar Riza.

-"Como você pode pensar que eu acho isso? Eu nunca pensei isso, muito menos que você seja como Climbley. Ele é um lunático, que sente prazer em transformar pessoas em bombas. Você não é assim, nunca foi, nem em Ishbal, onde todos nós estivemos a beira da loucura." Riza não conseguiu controlar suas palavras.

-"Eu não disse que você pensa isso. Eu acho que estou cansado de ser o Flame Alchemist, o herói da Rebelião de Ishbal."

-"Ótimo! Por que não pede baixa? Isso não seria mais fácil? Por que não foge de suas obrigações, dos seus medos?"

-"Não vou fazer isso. Até por que não adiantaria. Meus pesadelos não iriam embora, não iria trazer a vida daquelas pessoas de volta."

-"Então pare de sentir pena de si mesmo. Você faz um belo discurso para seus subordinados, mas não segue seus próprios conselhos. Você é o Flame Alchemist e fez coisas das quais não se orgulha, e nada vai poder mudar isso, como você mesmo acabou de dizer. Pare de se apagar as coisas ruins que aconteceram. Você me disse isso hoje! As coisas boas que fez, superam toda a dor e destruição que foi obrigado a causar."

Roy a encarou surpreso. Havia visto o lado emocional dela explodir dessa forma pouquíssimas vezes. Não sabia o que dizer, sua mente fervilhava.

Riza levantou-se, colocando o prato na pia e colocou uma chaleira com água no fogo. Ele acabou levantando-se também, pegando seu prato e as demais travessas, colocando-as na pia. À medida que ela ia lavando a louça, Roy as secava e guardava. O silencio imperava entre eles, ambos remoendo a discussão, as terríveis lembranças.

Quando a água na chaleira estava prestes a ferver, Riza desligou e pegou umas ervas que estavam em um pote, em um dos armários. Já sabia onde encontrar, havia decorado tudo quando teve de procurar os ingredientes para o almoço.

Terminou de preparar o chá e entregou a Roy. Ele a encarou pela primeira vez desde a discussão. Ela o olhava com os olhos baixos, chateada.

-"Isso é para evitar que fique resfriado."

-"Obrigado." Ele falou, olhando para o liquido fumegante, pensando em dizer alguma coisa. Por fim, enquanto bebia, decidiu que precisava ficar sozinho um pouco.

-"Eu vou para o meu quarto. Esse chá me deixou sonolento." Roy tentava esconder a angustia que estava sentindo.

-"Eu acho que vou para o meu quarto também." Ela falou, sem emoção.

Saíram da cozinha em silêncio, permanecendo assim até chegarem próximos às portas de seus respectivos quartos.

-"Eu vou tomar um banho. Então, pode usar o banheiro primeiro." Riza não conseguia olhá-lo enquanto falava. Não se sentia bem. As lembranças da discussão se mesclavam com as de Ishbal.

-"Certo."

Riza entrou em seu quarto, separando as roupas que vestiria, enquanto esperava por Roy sair do banheiro, para poder tomar seu banho.

Ele demorou-se um pouco. Olhava-se no espelho, estava com uma aparência péssima, abatido. Se perguntava como podia ter ficado assim tão rapidamente. Como um dia perfeito, podia ter se tornado horrível em minutos. Por que ela teve que perguntar aquilo. Pegou sua escova dental no armário, e enquanto fazia a higiene, ponderava que a culpa não era de Riza, não havia sido a intenção dela e foi ele que acabou tocando no assunto de Ishbal. Sentia-se péssimo, não queria ter discutido com ela. Terminou, e jogou uma água no rosto, buscando melhorar sua aparência, mas isso não adiantou. Olhou-se novamente, observando as gotas escorrem por sua face. Estava pálido. Dormir seria o melhor agora.

Quando saiu, encontrou Riza esperando próxima a porta. Ela lhe pareceu abatida, não tanto quanto ele, mas estava com uma expressão péssima também. Ficou um tempo a olhando, pensando em algo para dizer.

-"Desculpe-me Riza. Eu fui um idiota. Eu não queria ter discutido com você. Eu me senti péssimo por causa do que já aconteceu e acabei descontando minhas frustrações em você."

-"Tudo bem. Eu sei como se sente. Essas lembranças também me afetam. Desculpe-me pelo o que eu disse."

-"Não, você estava certa. Vamos esquecer isso. Nós estávamos nos divertindo, você estava merecendo uma folga, e eu não quero que isso estrague tudo."

Ela apenas sorriu levemente como demonstração que de que concordava.

-"Bem, eu vou descansar. Se precisar, me chame."

-"Sim."

Riza entrou no banheiro, enquanto Roy ia para seu quarto, jogando-se na cama.

Ela fechou a porta e ligou a água. Enquanto se despia, observa algumas pequenas cicatrizes em seu corpo, pequenas marcas que não a deixavam esquecer dos horrores da guerra. Entrou no chuveiro, deixando a água quente cair sobre seu corpo, buscando relaxar e esquecer. Quando terminou, correu para o seu quarto, desejando dormir. Esperava acordar sentindo-se melhor.

Deitou-se, fitando o teto por um bom tempo. O sono não chegava, os pensamentos corriam em sua mente. Virou-se para o lado direito, vendo a caixa da arma. Estendeu a mão até ela, pegando-a. Sentou-se e tirando com cuidado a fita que a envolvia. Levantou o lingote, abrindo a caixa, deparando-se com a reluzente 10 mm prateada. Riza ficou contemplando o design da arma quando viu seu nome gravado nela. Correu os dedos pela gravação, sorrindo. Roy pensava em tudo. Depois de alguns minutos contemplando a arma, resolveu ler o que estava escrito na parte interna da tampa da caixa. Havia visto algo escrito em letras douradas, mas, na hora, havia estado mais interessada em ver a nova arma do que ler alguma mensagem do fabricante.

"Valor material algum pode demonstrar o quanto é importante para mim. Obrigado por sempre estar ao meu lado, me ajudando a levantar, quando eu desejei permanecer caído."

Riza leu várias vezes. Sentia-se invadida por uma grande felicidade. Não que ela quisesse reconhecimento, nunca fez pensando nisso. Mas era agradável ler aquilo, especialmente depois do que ocorrera há pouco. Fechou a caixa, colocando-a novamente sobre o criado mudo, antes de deitar-se e adormecer.


Olá a todos, espero que tenham gostado dessa primeira parte.

Primeiro, gostaria de pedir enormes desculpas pela confusão que eu causei. Ontem, fui editar alguns errinhos que encontrei na fic, bem como arrumar umas coisas que agora me pareciam sem sentido. Só que sou uma pessoa muito desastrada, e acabei deletando a fic inteira. Assim, para aqueles que já haviam lido, peço enormes desculpas pelos alertas que por ventura estejam recebendo.

Esse capítulo ficou com mais de 42 paginas no meu word, por isso o dividi em duas partes. Isso aconteceu por que eu achei necessário descrever um dia deles (acho que exagerei nos detalhes né?), para não ficar aquela coisa meio genérica.

Agora vamos a parte técnica: as informações acerca da 10 mm e demais armas citadas, podem ser encontradas na internet ou em bibliotecas, em livros especializados. Não é minha intenção fazer apologia ao uso de armas. Riza é uma militar, altamente treinada e com licença para portá-las.

A referencia ao amigo de Roy que precisou da ajuda de Lillian, pode ser encontrado no mangá, capitulo 39. Como a mãe do Roy, na minha fic, é uma alquimista médica, eu achei que, por mais orgulhoso que ele seja, não deixaria de pedir, por meio de intermediários, ajuda dela para o seu amigo que estava gravemente ferido.

A descrição da fragrância do perfume que Roy usa é baseada na fragrância do perfume "Boss In motion: Blue edition", que eu, particularmente, adoro. Um dos meu perfumes masculinos favoritos.

A cena do lago é inspirada em cenas semelhantes nas fics "A phoenix e a Espada" e "A feiticeira e o Tigre", ambas de Juliane.chan, as quais eu recomendo e a quem eu agradeço pela grande ajuda.

A cena do beijo foi sugerida e esquematizada por Thaty de leo, a qual eu agradeço imensamente pela ajuda, nessa e em outras partes.

Agradeço também a Lady Midii Une-hawkeye pelas criticas e sugestões, que me ajudaram muito ao elaborar as cenas, bem como a Áquila-Marin, por ter betado a fic e me ajudado, lendo os trechos a medida que eu ia escrevendo (nessas horas o msn é fantástico). Agradeço também a Nike, a arthemisys, a Leo001 (o tempo que Roy leva para se arrumar), a Petit Angel.

Agradeço as reviews, na medida do possível, respondi a todos, apenas o e-mail que enviei para Dark-san acabou voltando.

Muito obrigada por terem lido e comentado, espero que continuem a fazê-lo. Grande abraço e até a próxima parte.