Pessoal vou deixar aqui o link de um outro vídeo, muito bonito, sobre essa fanfic também. Aviso: contém spoilers.

Link: watch?v=_37L1zlpGR8 (é o primeiro vídeo)


- Capítulo três -

- Você dirige quatro horas para vir aqui quase todos os dias? – Emma perguntou enquanto se sentava perto da linha que demarcava o limite de Storybrooke.

- Três. – Regina respondeu inclinando-se para trás e apoiando o corpo nas palmas das mãos.

Emma soltou um riso abafado, recebendo de troco um sorriso da mulher do outro lado.

- O que?

- Você é a responsável pelo aquecimento global e pelas placas de limite de velocidade.

Regina revirou os olhos e mostrou os dentes para a loira.

- Vamos lá, você não se cansa de dirigir?

- Talvez eu passe mais noites em casa, então. – a morena ameaçou severamente.

Emma jogou os braços para o alto em rendição.

- É legal... Eu quero dizer... Você vir aqui.

Ela notou o sorriso discreto e hesitante da mulher mais velha, e olhou para baixo em uma tentativa de esconder o seu próprio largo sorriso. Ela levantou a mão contra a barreira e olhou para cima quando Regina colocou sua mão contra a dela olhando-a fixamente.

- Quando eu quebrar essa barreira, eu vou pagar pela gasolina.

Regina riu, um som agradável aos ouvidos da loira.

- Tenho a sensação de que seus esforços serão reduzidos, em uma tentativa de poupar sua carteira.

- Hei, eu sou a xerife. – Emma a lembrou.

- E sou eu quem paga seu salário. – Regina destacou. – Acredito que sua mãe não tenha feito mudanças significativas, além de transformar a cidade em algo do século passado.

- Me conte sobre isso. – a loira resmungou.

Devagar elas afastaram as mãos, o conhecido formigamento da magia amortecido pela própria magia de Emma. Regina olhou para sua mão, respirou profundamente ouvindo o zumbido da barreira dispersar-se quase imediatamente após suas mãos se separarem. Ela arriscou uma olhada para o outro lado, fitando o horizonte com um olhar sonhador.

- Hei. – Emma disse delicadamente sentindo a mudança de humor da mulher mais velha. Sua mão moveu-se em uma tentativa de repousar sobre o joelho de Regina, mas Emma parou a tempo, puxando-a de volta. – Eu tenho um plano.

Os olhos de Regina brilharam de esperança.

- Oh?


Ainda que um tanto confusa do porque Emma havia resolvido encontrar-se às seis horas levando uma cesta de comida, Regina encontrava-se pronta para esticar seu cobertor ao lado da linha quando notou o carro da xerife aproximando-se.

A loira parecia nervosa, mas caminhava com confiança, suas mãos enfiadas nos bolsos de trás da calça jeans.

- Qual é o seu grande plano, xerife? – Regina lançou um olhar para a barreira, ela ainda parecia bem sólida.

Os olhos de Emma brilharam com determinação.

- Você está ocupada?

- Como disse? – Regina perguntou confusa. – Você me pediu para vir até aqui, se lembra?

Emma suspirou revirando os olhos mentalmente.

- Se você não estiver muito ocupada, eu pensei que nós poderíamos nos sentar juntas, comer alguma coisa, escutar música, e você sabe, conversar sobre o que gostamos eu não gostamos.

- Um encontro? – Regina segurou-se para não rir da descrição detalhada da loira.

Ela acenou animadamente.

- Só vamos chamar assim se você quiser.

A morena sorriu para a cesta de piquenique que segurava, finalmente entendendo.

- Suponho que eu não tenha nada melhor para fazer.

- Não pule de alegria ainda. – Emma retrucou com sarcasmo. Ela moveu a cabeça para o lado. – Eu sei de um bom restaurante.

- Ah, você sabe? – Regina deixou escapar uma risada abafada. – Imagino que tenha sido difícil conseguir uma reserva.

Emma sorriu ironicamente caminhando alguns passos em direção à floresta e então esperando por Regina.

- Conheço uma pessoa que conhece outra pessoa.

- Nós vamos caminhar agora? – Regina falou com impaciência. – Não é uma boa primeira impressão para o nosso encontro.

- Eu pensei que podíamos pegar uma das rotas mais "Conto de Fadas". Com que frequência você tem a chance de ver um velho carvalho caído? – Emma apontou para a árvore mencionada.

- Isso depende de com que frequência nos passaremos a visitar esse tal restaurante que você tanto fala. – Regina brincou.

Emma sorriu, incapaz de esconder o vermelhidão que tomava conta de suas bochechas.

- Depende do que você trouxe, eu ouvi falar que o cheff é o melhor em quilômetros.

- Reparando que somos só eu e você, eu acredito que sim.

- Você me ensina?

- Eu não estou disposta a perder nenhum dos meus eletrodomésticos.

Emma olhou desconfiada para ela enquanto Regina abria um largo sorriso, ela já tinha ouvido falar sobre os dotes de Emma na cozinha.

- Henry. – confessou a mulher mais velha.

- Nunca mais vou cozinhar para ele de novo. – Emma murmurou.

- Melhor assim. – Regina assegurou-se.

Ela estreitou os olhos quando chegaram a uma clareira onde havia um toco de árvore bem no centro. Ele estava dividido ao meio pela barreira que separava a cidade, e na metade que ficava para o lado de Emma, ela podia ver parte de um vaso de flores posicionado no centro do toco, sendo também dividido pela barreira. Ela virou a cabeça para Emma, que apenas deu de ombros e ofereceu um pequeno sorriso.

- Bem vinda ao Chez Forêt.

Elas caminharam em direção ao toco enquanto Emma retirava o celular do bolso e colocava para tocar uma lista de músicas clássicas que ela havia baixado especialmente para aquele momento. Ela gesticulou para o lado do toco de Regina.

- Madame.

- Sem cadeiras.

A loira correu uma mão pelos cabelos, preocupada que Regina pudesse não gostar daquele fato.

- Estilo japonês?

Ela se sentou de pernas cruzadas do seu lado do toco, satisfeita ao ver Regina esticar seu cobertor, do outro lado, e fazer o mesmo.

- Eu tenho que dizer que nunca estive em um restaurante Francês inspirado na cultura asiática.

Emma deu risada antes de se inclinar para a sua própria bolsa e retirar de lá uma vela cortada ao meio, posicionando o objeto, gentilmente contra a borda. Ela ascendeu a vela, e rapidamente o ar ao redor delas se encheu com o cheiro de canela e maçã.

- O menu é limitado, mas se sinta a vontade para pedir o que quiser.

Regina retirou o plástico que cobria uma lasanha deliciosa, pousou um pão com alho sobre o toco de árvore, e também uma garrafa de água.

- Aaaaah, eu queria pedir isso. – Emma choramingou com os olhos fixos na comida de Regina, enquanto retirava de sua sacola um simples pedaço de sanduíche.

- Talvez um dia você possa. – Regina disse em silêncio, seu olhar significativo fitou a mulher do outro lado.

Emma ofereceu um sorriso pequeno e triste, antes de rapidamente escondê-lo e puxar uma taça de plástico e derramar o suco de uva de uma pequena caixa, dentro dela. Regina riu alto quando viu a mulher retirar o canudinho da caixa e colocar dentro da taça de plástico.

- Quanta classe.

Emma sorriu, levantando a taça e brindando para Regina, tomando um pequeno gole em seguida.

Elas decorreram facilmente por uma conversa. Emma começou a contar histórias sobre o namoro de Leroy com uma das fadas, de Henry e seus passatempos, no entanto ela adorava voltar ao tópico sobre Page, o crush de Henry, e o quanto o garoto ficava com as orelhas vermelhas toda a vez que ela estava por perto, e como ela havia começado a correr todas as manhãs para matar o tempo, enquanto as pessoas achavam que ela estava apenas sendo uma xerife consciente.

Regina a deliciou com histórias sobre a cidade, e das vezes em que ela ficava acordada, após os seus encontros na barreira, assim que o sol se punha, se sentando na varanda e observando o dia e a noite se misturarem brevemente, com a luz dos carros passando lá embaixo. Ela falou sobre um café que frequentava e de como o balconista, mais do que uma vez, deixou o telefone do seu celular no copo de café dela.

Regina ficou satisfeita ao ver Emma ficar tensa quando ouviu a história, dando um significado todo especial aos seus olhos verdes, que brilhavam de ciúmes, tristeza e raiva. A morena moveu a mão para mais perto de Emma, esperando tranquilizá-la, dizendo que na próxima vez tomaria o café lá e depositaria o copo na frente dele, mas teve que retirar a mão por causa da mágica da barreira que se chocou contra ela e derrubou o vaso de flores.

Uma vez que Emma recolheu o vaso e o colocou de volta no lugar, um silêncio solene tomou conta delas. Os mesmos pensamentos corriam por suas mentes. Por quanto tempo elas poderiam continuar nisso? Quanto tempo até as duas se cansarem, Regina já sem disposição para fazer a viagem de três horas, Emma aceitando seu destino e parando com as tentativas de sair dali? Nenhuma delas sabia a resposta para cada pergunta, pelo menos não tanto quanto sabiam sobre as respostam que lhe diziam respeito.

- Você quer dançar?

Regina ergueu a cabeça, distraída de seus pensamentos. Ela abriu a boca, com a expressão totalmente confusa, enquanto Emma se levantava do chão e procurava em sua playlist até encontrar uma música suave, embalada pela voz de Heather Nova.

Ela esperou Regina levantar também, e então chegou quase impossivelmente perto da barreira, segurando as duas palmas da mão contra a linha fina. Ela estremeceu, pulando um centímetro para trás, olhando nos olhos fixos de Regina.

- Tenha cuidado.

Regina se aproximou da barreira, quase tocando a ponta dos seus pés nos da xerife, e muito devagar pressionando a palma das suas mãos contra as dela. Elas sentiram aquele formigamento familiar, mas não deram para trás, como se fazer aquele inofensivo gesto fosse uma forma de rebelião que ninguém as pudesse impedi-las de continuar.

Emma começou a balançar de um lado para o outro, no ritmo da música. Ela cometeu o erro de dar um passo para mais perto, imediatamente arremessando ela e Regina alguns metros para trás.

Emma grunhiu em frustração, levando a mão ao cabelo. Regina simplesmente caminhou de volta para a barreira, suas palmas já pressionadas contra a linha, esperando para que Emma fizesse o mesmo. Quando a loira, finalmente, se libertou da raiva chutando uma pedra para longe, ela retornou para Regina, pressionando suas mãos contra as da mulher, mais gentilmente dessa vez. Novamente ela tentou dar um passo.

- Não. – Regina sussurrou.

- Mas isso não é dançar. – Emma replicou, desapontada.

Regina sorriu com os olhos, um sorriso triste que alimentava uma esperança que aos poucos parecia diminuir mais.

- Mas já é o suficiente.


- É melhor que você esteja pegando o meu melhor lado.

- Cale a boca.

Emma mostrou a língua, voltando a se sentar apoiada nos cotovelos. Regina estava sentada de frente para ela com uma lanterna ao seu lado para enfrentar a noite que se aproximava, enquanto seu nariz pairava por cima do caderno de desenhos que ela mantinha apoiado nas pernas enquanto desenhava. Um olhar de completa concentração em seu rosto fez com que a loira desse um sorriso largo.

- Eu estou sentada nessa posição há horas. – Emma reclamou.

- Então se deite. Eu não preciso mais que você faça pose. – Regina respondeu, secamente levantando o rosto para olhar a xerife, e então voltar a desenhar.

Emma não seguiu o seu conselho, apenas em caso de a morena estar ficando brava. Ao invés disso ela se apoiou apenas em um cotovelo, com a outra mão agitando a lanterna para acrescentar ao brilho que vinha da lanterna de Regina e dos faróis do seu carro, antes de silenciosamente fitar as estrelas acima.


A loira e a morena caminharam para a floresta, tendo se encontrado na hora marcada, as duas em posse de uma cabana.

- Eu mudei de ideia. – Regina admitiu enquanto montavam acampamento. – Eu não quero fazer isso.

- Por que não?

- Eu odeio acampar.

- Você já acampou alguma vez? Sem contar as vezes em que nós dormimos na rua, literalmente? – Emma apontou.

- Não. – os olhos dela brilharam desafiadoramente.

- Vai ser como daquela vez que nós duas pegamos no sono, exceto que agora estaremos mais confortáveis. – Emma derrubou sua barraca, sacola e cadeira uma vez que atingiram uma clareira, e começou a montar a barraca.

Regina puxou uma cadeira e observou Emma trabalhar, apreciando a flexibilidade dos músculos da loira enquanto ela colocava os postes juntos.

- Dá pra você parar de ficar aí de boca aberta e começar a trabalhar? – Emma provocou, ainda de costas para a prefeita.

- Eu não estava de boca aberta. – Regina respondeu, suas bochechas corando.

- Ok, Regina. – a loira deu risada, colocando os postes dentro do tecido da tenda que servia para aquela finalidade. Ela tentou trabalhar rapidamente, impaciente para observar as tentativas de levantar barraca de Regina. Ver a morena em um ambiente não familiar para ela, sempre fazia a loira rir de maldade. Havia algo no jeito afobado da mulher que a fazia querer rir e se sentir mal ao mesmo tempo.

- Pronto.

Emma se virou sem acreditar, e sem sombra de dúvida, a pequena barraca de duas pessoas de Regina já estava armada e pregada seguramente no chão.

- Como você fez isso? Você usou magia?

A morena revirou os olhos.

- Quantas vezes eu preciso repetir que não tenho mais magia?

- Não tem chance de você ter conseguido armar a barraca antes de mim. – Emma apontou para a barraca de um jeito acusador.

- Competitiva você, não? – Regina perguntou divertidamente, se sentando na cadeira e apontando para a barraca feita pela metade de Emma. – De todo jeito, querida, me mostre como se faz.

Emma inclinou a cabeça com um sorriso petulante.

- A sua é uma daquelas barracas que já vem armada, você só teve que desdobrar.

Regina revirou os olhos novamente.

- Apenas se apresse, Srta. Swan.

Elas deslocaram suas barracas para o mais próximo da barreira que conseguiram, uma fio de eletricidade passou pelo lado de Emma, e suas lanternas encontraram suas luzes no centro da barreira, uma pequena simulação de fogo. As duas deitaram dentro das barracas, com a cabeça para fora da porta.

- Eu ainda não vi aquele desenho que você fez outro dia. – Emma lembrou.

- Eu não terminei.

- Eu quero ver quando você terminar.

- Paciência. – Regina disse, firmemente. Ela abaixou a voz para um sussurro, não sentindo a necessidade de falar alto na quietude da floresta. – Onde Henry acha que você está?

- Ele sabe. – Emma respondeu, desenhando na terra.

- Seus pais?

Emma parou.

- O que tem eles?

- Eles sabem?

- Não. – a loira respondeu depois de hesitar um pouco.

A morena não esperava mais do que isso. Afinal, ela era a Rainha Má, e se Branca de Neve e o Príncipe Encantado soubessem que ela estava chegando tão perto da barreira quase cinco vezes por semana, apenas para ver Emma, eles tomaria suas próprias providências.

- Talvez seja melhor assim. – Regina disse, diminuindo o sentimento de culpa da loira. – Pelo currículo deles, poderiam acabar trancando você em uma torre alta.

Emma deixou escapar uma risada silenciosa.

- Você subiria pelo meu cabelo?

- Se ele alcançasse o meu lado. – Regina brincou.

O sorriso de Emma desapareceu subitamente, e ela desenhou com mais agressividade contra a terra.

- Eu estive praticando...

- Eu sei. – Regina correu para completar.

- Eu estive tentando...

- Emma. – Regina disse mais firmemente, deixando que a loira soubesse que estava tudo bem. – Eu sei.


As noites se tornaram mais frias, e as folhas aos poucos começaram a trocar de cor, o outona ia dando as caras. As noites já não eram mais tão brilhantes quanto a loira e a morena estavam acostumadas, e agora elas se encontravam amontoadas, em seu próprio jeito, por cobertores, suéteres e mais cobertores ao seu redor.

Se encontravam mais nessa posição do que em outra qualquer, muitas vezes chegando a pagarem no sono dessa forma, mas ainda assim continuavam tentando se aproximar mais, geralmente quando uma estava dormindo e a outra acordada, apenas para serem jogadas para longe pela eletricidade.

- Está ficando mais frio. – Regina mencionou eventualmente.

- Eu sei. – Emma respondeu sentada sobre o capô do carro.

A concordância das duas pairou no ar entre elas. O inverno estava se aproximando. Elas já não podiam se ver todos os dias. Elas tinham concordado, durante o verão, de ficarem em casa durante o inverno, mas nenhuma das duas estava certa de poder fazer isso.

Elas ainda permaneciam firmes, Emma em seu carro, Regina inclinada contra a porta, desesperada por achar um jeito de contornar aquela situação.

Elas se encontravam em dias especiais e que prometiam um tempo um pouco mais quente, apesar da neve no chão, mas dado o fato de elas morarem no Maine, não lhes eram providas muitas circunstâncias.

Regina não queria que Emma, que nunca tinha se acostumado com o frio, apesar de viver a três anos em Storybrooke, pegasse hipotermia durante seus encontros, e Emma não queria que Regina dirigisse de um lado para o outro nas ruas sinuosas e cobertas de gelo.

Infelizmente para elas, a oportunidade mais próxima que surgiu, assim que a neve caiu lá pela metade de novembro, foi no Natal. A única coisa que as manteve em contato foi o fato de Emma ligar para ela todas as noites, encoberta por Henry, para que pudessem conversar.

Na véspera de Natal, Regina dirigiu as três horas até chegar em Storybrooke, com presentes envoltos em papel colorido e colocados no banco de trás do seu carro, um grande sorriso estampado no rosto a fazendo parecer ainda mais bonita com seu gorro de lã sobre a cabeça e uma jaqueta estofada. Henry com o rosto muito mais maduro aos seus olhos, desceu do carro e ambos, mãe e filho, se aproximaram da barreira para cumprimentar a morena.

Regina se aproximou com um presente para Henry e Emma, ainda maravilhada com seu filho de quatorze anos que se parecia mais e mais com um homem feito, cada vez que ela o via.

- Feliz Natal, mãe. – ele cumprimentou, sua voz um tanto mais grossa.

- Feliz Natal, querido. – ela sorriu e apontou para o pacote em suas mãos. – Eu percebi que não posso lhe dar isso agora...

- Guarde para mim. – Henry disse cortando sua frase, ele virou os olhos para Emma, e a morena notou que ele sabia o que Emma estava tentando realizar.

Ela abriu o presente para ele, satisfeita ao ver a surpresa em seu rosto quando ele deu mais um passo em direção a barreira, já começando a sentir o choque quando Emma o puxou para trás na hora certa. Regina ofereceu a loira um olhar de agradecimento, antes de levantar o presente para o filho, um capacete de equitação, decorado.

- Valeu, mãe! – ele sorriu.

Regina colocou o presente de volta na caixa, contente por ele ter gostado.

O frio impediu que a família ficasse lá fora por muito tempo, apenas tempo suficiente para que Emma e Henry compartilhassem uma caneca de chã quente enquanto Regina acompanhava com uma caneca de cidra de maçã.

Quando Henry se pôs a andar de volta para o carro, Regina e Emma caminharam ao longo da barreira, uma ao lado da outra, conforme flocos suaves de neve começavam a cair.

- Eu tenho uma coisa para você. – Emma admitiu timidamente.

- Eu também.

- Você primeiro.

Regina desembrulhou o presente de Emma com os dedos trêmulos. Ela escorregou a mão por dentro do presente para puxar o desenho que ela havia feito da loira meses atrás, agora protegido por uma moldura elegante. Emma abriu um sorriso imenso ao ver o que Regina havia adicionado ao desenho. Regina estava aninhada nos braços de Emma, suas costas contra o peito da loira.

Regina evitou o olhar de Emma, suas bochechas queimando e preparando-se internamente para o deboche ou provocação de Emma. Depois de um minuto de silencio, onde uma fina camada de neve encobriu a moldura, Regina viu a mão de Emma se mover para o desenho, antes de subitamente conseguir se controlar. A loira cerrava os dentes com força, frustrada pelo fato de não poder tocá-lo. Por que ela não podia segurar a mulher na sua frente do jeito que ela estava fazendo no desenho?

- Você guarda ele para mim? – Emma perguntou com um sorriso molhado por causa das lágrimas que escorriam de seus olhos.

Regina retornou o sorriso, aliviada ao ver sua expressão, concordando com a cabeça e apertando o desenho contra o peito.

Emma enterrou a mão no bolso da jaqueta para puxar de lá uma pequena caixa bem embrulhada em um papel vermelho, decorado com pequenos bonecos de neve. Ela o rasgou rapidamente, deixando que o papel caísse no chão e revelando uma pequena caixa de veludo, daquelas em que se guarda algum tipo de joia. Ela a abriu com dificuldade por causa da mão envolta em uma luva, mas no fim conseguiu segurá-la aberta para que Regina pudesse ver em seu interior. Dentro estava uma corrente de prata autêntica, com um círculo fino como ornamento. O círculo era decorado com milhares de diamantes muito pequenos, se eles eram verdadeiros ou não, Emma não sabia dizer, mas o jeito com que o círculo brilhava contra a luz fez com que ela quisesse comprá-lo.

Ela usou os dentes para arrancar a luva, e então usou a mão para levantar o colar, o deixando pender no ar.

- Eu não sabia se você gostava de ouro, prata ou...

Regina abraçou o desenho para mais perto do peito.

- Coloque para mim?

Emma arrancou a outra luva e lutou para abrir o fecho com as mãos entorpecidas pelo frio. Ela finalmente o colocou ao redor do pescoço, onde ele se acomodou ao lado do seu próprio colar, que possuía um desenho parecido.

- É igual ao seu. – Regina comentou.

- Oh. – Emma moveu a mão para o colar, se sentindo envergonhada. – Eu nem pensei nisso.

Ela enfiou as mãos fundo nos bolsos da jaqueta, enquanto murmurava.

- Eu não achei que você fosse gostar muito de um coração, e nós todos sabemos que um coração pode ser quebrado, e círculos, eles só...

Ela deixou a frase pairar no ar, se sentindo estúpida pelo seu raciocínio.

- Eu sei. – Regina sorriu, tranquilizando-a. Ela apontou para o pescoço da loira. – Eu amei.

Emma enterrou a ponta da bota na neve, nem mesmo olhando para cima enquanto esticava a mão para a borda. Regina retribuiu, mas dentro de alguns instantes, elas sentiram a energia passando por seus corpos, as forçando a se afastarem.

Regina olhou para ela com um ar triste, seguindo para fitar o carro onde seu filho se encontrava sentado. Sem mais uma palavra, ela virou e partiu de volta para o carro, deixando sua cabeça pender deprimente contra o volante apenas quando já se encontrava a cinco quilômetros de distancia de Storybrooke.


Era passado das seis da noite e a tempestade havia acabado com a luz no prédio de Regina. Ela corria freneticamente, retirando do armário a roupa mais quente e atraente que ela pode achar com a luz da vela. A vibração do celular a fez parar o que estava fazendo, e ela cruzou o pequeno quarto para atendê-lo.

Ela respondeu, esperando ouvir a voz de Henry, mas ao invés disso encontro a de Emma.

- Está tudo bem? Henry, ele está b...

- Henry está bem. – a loira confirmou rapidamente.

- Há algum problema?

- É a pior tempestade do século, de acordo com as notícias.

- Não é assim tão ruim. – Regina respondeu automaticamente, até finalmente olhar para fora da janela e ver as luzes da rua piscarem contra a chuva forte, a cima da cidade, nuvens altas e cinzas ameaçavam o topo dos prédios, e a neve caia com tanta força que a cidade parecia coberta por um lençol branco.

- Eu não quero você dirigindo, Regina.

- Emma...

- É muito perigoso. – a loira permaneceu firme em sua afirmação.

- Eu vou dirigir com cuidado.

- Não, não estou abrindo para debate. – Emma discutiu. – Fique em casa.

- Não.

- Regina.

- Emma. – a morena pronunciou seu nome ferozmente, seu tom não transparecia brincadeira. – Eu não vou aí desde o Natal.

- E eu quero ver você no próximo Natal, não visitar uma sepultura no acostamento da estrada.

Regina suspirou em silêncio.

- Por favor. – Emma suplicou. – O tempo está ruim aqui também, eu não quero você dirigindo nessas condições.

A morena bufou com raiva e se largou de costas na cama.

- Tudo bem.

- Obrigada. – Emma suspirou de alívio.

Regina engatinhou para a cabeceira da cama, se enrolando por baixo dos cobertores e mantendo o celular pressionado contra a orelha.

- Como foi o seu dia?

Elas conversaram sem parar por horas, sobre coisas sem muita importância, como por exemplo, o fato de Regina ter comprado um novo estojo de maquiagens, e coisas com muita importância, como o fato de Emma ter conseguido se transportar através de magia até seu escritório, quando estava atrasada para o trabalho. Quando a energia voltou no apartamento de Regina, já era passada da meia noite, e as duas mulheres estavam contentes apenas por estarem ao celular uma com a outra, nenhuma tendo que falar nada a mais, apenas aproveitando a companhia.

Regina finalmente se deu conta da hora, e suspirou tristemente contra o celular, olhando para o desenho que ela mantinha ao lado da cama, ao mesmo tempo em que sussurrava para a loira do outro lado da linha.

- Feliz aniversário, Emma.