Música do capítulo: Ice Queen - Within Temptation
"On cold wings she's coming
(Com asas geladas ela está vindo)
You better keep moving
(Melhor continuar correndo)
When she embraces, your heart turns to stone
(Quando ela te abraça, seu coração vira pedra)
She comes at night when you are all alone
(Ela vem à noite quando você está sozinho)
And when she whispers, your blood shall run cold
(e quando ela sussurra, seu sangue congela)
You better hide before she finds you
(Melhor se esconder antes que ela te ache)
Whenever she is raging
(Não importa quando ela está com raiva)
She takes a life away
(Ela tira vidas)
Haven't you seen?
(Você não vê?)"
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Já fazia um mês desde que Hinata se mudara para Sakai e as coisas não estavam indo muito bem.
A saúde de Harumi estava estável, mas as duas brigavam a todo instante por causa da aparência de Hinata, que tentava se controlar, para não explodir e acabar magoando a mãe dizendo coisas desnecessárias. Na escola a situação ficava a cada dia mais insuportável. A Hyuuga era fria e distante. Os populares tinham inventado apelidos e não cansavam de usá-los, mesmo que a garota apenas os ignorasse.
Havia algumas pessoas que tinham medo, outros nojo ou ainda desprezo. Alguns pensavam que ela era uma bruxa. Hinata apenas fingia que não ouvia os comentários e continuava a se sentar debaixo da cerejeira que encontrara no primeiro dia de aula, escrevendo suas musicas ou apenas desenhando.
Ela era uma aluna exemplar: inteligente, educada, tinha ótimas notas e tratava todos os professores e funcionários com respeito; tudo isso só fazia com que Neji se irritasse ainda mais. Ela parecia não ter defeitos, a não ser pela aparência gótica. Hinata, aos olhos do primo, era uma criança desprotegida. Mesmo com toda aquela frieza, ele via a dor e a tristeza que ela carregava consigo. Ela odiava tudo naquele lugar: as pessoas, a escola, a cidade, a fazenda... Parecia que tudo fazia com que ela se sentisse ainda mais deprimida. Neji não sabia por que, mas sentia o dever de protegê-la. Mesmo que ela não quisesse sua ajuda.
-x-
Hinata e Neji estavam a caminho da escola e o silêncio preenchia a caminhonete. O rapaz não agüentava mais e resolveu se pronunciar.
-Estive pensando no que você me disse sobre amizade. Descobri que está certa. – Hinata se surpreendeu em vê-lo falando com ela e admitindo estar errado. Ele não a dirigia a palavra há um mês. – As pessoas daquela escola são falsas e hipócritas. Eu só queria ser notado e ter amigos, mas acho que estava errado sobre isso. – disse ele olhando para frente
-Não estava errado. – disse ela depois de alguns segundos em silencio. – Você só queria ser importante para alguém, ser visto e admirado. Você apenas escolheu as pessoas erradas. – Neji olhou-a surpreso e depois voltou a olhar para a estrada.
-Como foi que soube de tudo isso sobre mim? Nunca conversamos... – ela o interrompeu
-Sou uma pessoa quieta Neji. – disse ela – Mas também sou observadora. – continuou – Ninguém que se sente feliz é tão sério o tempo todo. Você nunca sorri. – completou olhando dentro dos olhos do moreno.
Ele não disse mais nada pelo resto da viagem.
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-Eu não tenho treino de basquete hoje, então vou sair mais cedo. – a avisou enquanto saiam do carro no estacionamento da escola.
-Eu tenho aula de desenho até mais tarde – respondeu – Como faço para chegar até a casa?
-Posso te esperar – respondeu o rapaz simplesmente.
-Não quero te incomodar. Você pode ir pra casa, eu pego um ônibus ou qualquer coisa assim. É só me explicar como faço pra chegar antes de anoitecer. – respondeu enquanto iam para o armário de Hinata.
-Tem algum feitiço para fazer antes do anoitecer bruxinha? – se intrometeu Uchiha Sasuke.
Capitão do time de basquete e namorado da capitã das cheerleaders. O armário de Sasuke era bem ao lado do de Hinata, então ela tinha que agüentar as piadinhas e os beijos mais nojentos que ela já tinha visto. Todos os dias. Mas não hoje. Hinata acordara irritada e ele pagaria.
A garota de cabelos azulados olhou dentro dos orbes negros do Uchiha - chegando a ver a possível alma do rapaz, de uma maneira tão profunda que ele sentiu um arrepio na espinha – e disse:
-Sim, Sasuke-kun. Andei estudando a religião Wicca nesse ultimo mês e acredito que após estudar tão fundo e duro já está na hora de começar a praticar. – seus olhos azuis pálidos estavam frios e cravados nos do Uchiha. A voz dela era baixa e tinha uma ponta de ameaça. Sasuke sentiu o sangue gelar e colocou-se na frente de Sakura com o intuito de protegê-la. – Acredito que já tenha visto a Bruxa de Blair, certo, Sasuke-kun? – ela estava se aproximando dele. Parou tão perto que podia ouvir o seu coração batendo em um ritmo descompassado e acelerado. – Então tome cuidado essa noite, porque aquelas histórias do filme, não são apenas histórias. – Ela sorriu. Um sorriso irônico e sádico, depois depositou um selinho nos lábios de Sasuke e saiu andando em direção a sala de sua primeira aula.
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O dia tinha se passado da mesma maneira de sempre, a não ser pelo fora que Hinata tinha dado em Sasuke de manhã e pela aula de desenho. Fazia pouco mais de um mês que não se divertia tanto quanto quando viu a surpresa nos olhos de Neji e o medo nos olhos da Haruno vaca Sakura – a garota dos cabelos azulados simplesmente odiava aquela vadia. Criatura irritante e intrometida.
Quando saiu da aula de desenho, Neji a esperava na porta. Hinata se surpreendeu, mas não deixou transparecer. Ele nunca fizera aquilo, quando precisava, a esperava no estacionamento ou ela tinha que esperá-lo na quadra.
-Por que não foi pra casa? – perguntou a ele enquanto em direção do estacionamento.
-Disse que podia te esperar – respondeu secamente – Hinata, que história é essa de religião Wicca? É por isso que você lê tanto aquele livro preto? – ele perguntou com uma expressão frustrada. Hinata sorriu. Neji devia ter passado o dia todo tentando entender por que ela falara com Uchiha daquela maneira.
O moreno se distraiu pelo sorriso que a prima mostrara, era um sorriso irônico e cheio de sarcasmo. Definitivamente não combinava com o rosto dela.
-Eu estava um pouco irritada, Neji-kun. Faz um mês que eu escuto todos os xingamentos daquele imbecil. Hoje foi minha vez de brincar. – ela respondeu com um sorriso irônico.
-Sakura ficou morrendo de medo. Ela acha mesmo que você é uma bruxa. – disse Neji
-E quem é que liga pro que a vadiazinha rosa acha? – perguntou Hinata entrando no carro.
-Pelo jeito, você não. – murmurou Neji.
-Escuta Neji – começou Hinata olhando nos olhos do primo. – Eu sei quem eu sou ou não sou então o que as outras pessoas pensam não me importa nem um pouco. As únicas pessoas que tem o direito de dizer alguma coisa sobre mim, são as pessoas que me conhecem de verdade. As pessoas que me conhecem por dentro. E acredite, ninguém daqui. – Ela disse tudo com uma sinceridade que impressionou Neji.
Ele precisava conhecê-la. Precisava descobrir quem era Hyuuga Hinata por baixo daquela máscara que ela usava.
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Era final de tarde e Neji a observava de longe enquanto ela tocava violão encostada em um grande e velho carvalho que havia perto da casa. Quase todo o dia era a mesma coisa: Eles voltavam da escola, ela tomava banho e ia pra perto da arvore. Onde ela tocava algumas notas no instrumento, anotava alguma coisa no caderno e depois começava a chorar compulsivamente. O rapaz nunca sentira tanta necessidade de proteger alguém quanto ele sentia quando a via naquele estado. O rosto da garota se contorcia e ele via que ela estava se dilacerando de dor. Em uma das vezes ele acabou chorando juntamente com ela, de longe.
Dessa vez ela não chorou, não tocou violão, apenas rabiscava alguma coisa em um outro caderno. Neji deduziu que a prima estaria desenhando e uma tremenda curiosidade tomou conta de si. O que a deixou tão concentrada?
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-É melhor começar a se arrumar, porque eu não gosto de chegar atrasado. – ouviu a voz do primo e sentiu uma chama quente se espalhar por todo seu corpo.
Ela olhou pra ele e apenas arqueou uma sobrancelha.
-A festa do Sasuke, é hoje. – disse Neji como se fosse óbvio.
-E o que faz você pensar que eu vou a uma festa dada por Uchiha Sasuke? - perguntou Hinata
-Você precisa sair um pouco, e minha okaa-san não vai me deixar ir se você não for também. – confessou ele com um sorriso meio envergonhado.
-Olha só isso. Hyuuga Neji se aproveitando da priminha pra proveito próprio. Acho que a convivência com a minha pessoa não está te deixando uma pessoa com muitas virtudes. – rebateu ela ironicamente. – Esquece! – respondeu fria, voltando o olhar pro livro que tinha em mãos.
-Ah, qual é Hinata. É só uma festa. Você vai morrer se for? – perguntou ele meio desesperado.
-Morrer não, mas é bem capaz que eu mate alguém se eu for a essa merda. Eu não gosto das pessoas que vão pra lá e essas pessoas não gostam de mim. O que diabos eu iria fazer lá?
-Vai ter bebida – argumentou Neji e viu um sorriso malicioso brotar no rosto da prima. – Você poderia levar seu iPod e seu livro, pegar uma garrafa de vodka ou whisky e ir pro Jardim. – sugeriu a ela - É uma casa enorme. Não precisa ficar no meio de pessoas, o que é uma tortura pra você. – terminou com um pouco de ironia, o que fez a garota arquear uma sobrancelha.
-Certo. – respondeu ela vencida – A bebida ganhou. Mas eu vou vestida à minha maneira e a hora que eu quiser, nós voltamos.
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Quando Neji a viu descer as escadas teve que se segurar pra não demonstrar surpresa. Nunca tinha visto nada tão belo, inocente e perigoso ao mesmo tempo em uma só pessoa. Hinata tinha um corpo perfeito na opinião do moreno, cheio de curvas e carne nos lugares certos e pra contrastar, um rosto delicado com uma feição de inocência. Perigosa.
A garota estava vestida de uma maneira mais light do que estava acostumada, mas estranhamente se sentiu bem daquela maneira. Sentia-se poderosa, e o sentimento só se fez mais presente quando percebeu a reação do primo ao vê-la. Tinha optado por uma combinação clássica e bela. Vermelho e preto.
Hinata tinha encontrado mais cedo um vestido que não usava há muito tempo. Preto de mangas curtas e com renda na barra. Era uma peça um tanto quanto sem graça, mas ela podia incrementá-lo. Escolheu um corset vinho e uma meias-calça preta rasgada. Calçou suas botas de batalha e aplicou uma sombra vinho e batom vermelho. Os cabelos estavam soltos com pequenos cachos emoldurando a delicada face.
Sorriu irônica.
-Quer um babador, priminho? – ah, como essa ironia o irritava. Ela se achava dona de si, mas Neji ia mostrar que não era bem assim.
-Vamos. – respondeu ignorando a brincadeira da prima. – Já deve estar todo mundo na casa do Sasuke. – completou
-Vou pegar minha mochila. – disse a garota enquanto passava pelo primo em direção a sala. – Idiota. – murmurou ao sentir o olhar do garoto em suas costas. Revirou os olhos.
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Hinata ficou pouco surpresa ao ver o tamanho da "casa" de Uchiha Sasuke.
"Um idiota, mimado e prepotente como aquele só poderia ser rico." Pensava a garota enquanto descia do carro e ia pra porta de entrada, onde o mesmo idiota, mimado e prepotente estava juntamente com o protótipo de barbie aspirante à vadia do ano, Haruno Sakura, recebendo os convidados.
Entrou sem cumprimentá-los e ouviu o cabeça de galinha preta reclamar com Neji sobre trazer a "bonequinha de vodu" para a festa. "Idiotas"
A dona dos orbes azul-claros ignorou todos que a olhavam e faziam comentários desagradáveis e foi direto para a mesa de bebidas, pegou uma grande garrafa de whisky e se dirigiu para o jardim.
Já sozinha Hinata colocou os fones de ouvido e pediu companhia à Tarja e se entregou a filosofia wicca.
Tinha passado das três da manhã quando Hinata entrou para procurar Neji para irem pra casa. Estava pouca coisa alterada por causa da bebida, estava acostumada. Mas pelo que viu do lado de dentro da casa, aqueles idiotas bebiam como crianças. Subiu as escadas e nenhuma pista do idiota do primo, até que entrou em um quarto e presenciou uma cena não muito agradável. Mitsashi Tenten chupando Neji.
-Ugh! Nojento. Eca! Vou crescer traumatizada e nunca mais vou tirar essa cena da minha cabeça. – dizia pra si mesma enquanto fechava a porta do quarto.
-Posso ajudá-la a colocar outras imagens em sua cabeça, se você quiser. – ouviu a voz do Uchiha e se virou surpresa.
-Como é? – perguntou ela
-Isso que você ouviu docinho – hein? – Vamos para o meu quarto e eu te mostro que participar é melhor que assistir.
-Não precisa me mostrar nada, Uchiha. – disse com a voz maliciosa – Eu vou te mostrar. – viu o sorriso sacana no rosto idiota do moreno e seguiu-o para um quarto ali perto.
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Sasuke possuía apenas uma cueca boxer preta enquanto Hinata estava nua deitada em sua cama.
Desde que a garota apareceu na escola ele decidiu que iria tê-la gemendo em sua cama, nem que fosse a ultima coisa que ele faria.
Todos viram a maneira com que ela o humilhou na escola. Ameaçando-o e ainda tendo a coragem de beijá-lo na frente da namorada. O que não era um feito tão surpreendente, já que Uchiha Sasuke nunca fora fiel à rosada, mas nunca tinha feito nada na frente dela, por mais que fosse apenas um simples tocar de lábios. Um roçar de lábios que o deixou queimando de tesão.
-Chama meu nome. – sussurrou Sasuke enquanto penetrava dois dedos na Hyuuga. – Quero ouvir você gritando meu nome, docinho.
-Me fode de uma vez, Uchiha filho da puta. - disse a garota enquanto o puxava pra si e mordia o lábio inferior do moreno.
Ele não disse mais nada, apenas a obedeceu. Não sabia por que, mas Hyuuga Hinata mexia com ele mais do que deveria.
