O elemento surpresa
Fiz todas as minhas tarefas correndo de manhã porque estava morrendo de fome. Não jantei ontem por causa do acidente com Enya. Só realmente fui me preocupar com fome depois que vi que ela estava bem. Logo encontrei Potter e Lupin na mesa do café.
- Está de bom humor hoje? Porque ontem, estava insuportável...- Potter nem me deu bom dia.
- Sim estou Potter, hoje estou.- Fiz uma pausa.- Você tem noção que aquela garota era para estar morta à uma hora dessas?- Talvez ele entenda se eu colocar as coisas desse jeito...
- Não seja tão dramático Black, foram só alguns arranhões. Ela nem ao menos quebrou algum osso. Coisa que já aconteceu comigo.- No momento em que ele falou isso, eu me toquei de que é verdade, era para ela estar fraturada. Antes que eu pudesse responder, Dumbledore veio nos fazer um comunicado:
- Queridos alunos, o atual professor de Astrologia de vocês vai precisar sair de licença até o final deste ano letivo. Seu substituto será o centauro Alih. Não se assustem, ele é mais educado do que muitos seres de duas pernas.- O centauro que entrou no salão não era o que eu encontrei na floresta, mas ainda assim não era uma imagem muito agradável. Ele talvez soubesse quem era o tal centauro e pudesse me dizer algo mais sobre a voz.
- Esse centauro vai intimidar os alunos, já está me intimidando...- Lupin ficou meio assustado com a criatura.
- Bem meu amigo, eles fogem de você uma vez ao mês. Então, você é o único nesse salão que não devia temê-lo.
- Ha ha, muito engraçado.
--x--x--
Depois da aula de Transfiguração, e do implacável relatório da McGonagall, tínhamos aula de Astrologia. Iríamos logo saber como que esse centauro dava aulas.
- Animados para a aula com o cérebro de cavalo?- Potter já animado.
- Sim, estamos. Até porque deve ser bem diferente do nosso pacato e sistemático antigo professor. Deve ter tido que tirar licença porque começou a fazer as coisas automaticamente erradas e entrou em curto!- Rabicho já disse isso enquanto chegava para a aula.
- Essa foi boa!- Todos nós estávamos rindo quando entramos na sala.- Vamos ficar naquele canto da sala, venham...- fomos interrompidos pelo centauro.
- Organizem-se em duplas. Para que todos saibam, aqui estamos com a Sonserina, Grifinória e Corvinal.
- A Lufa-Lufa não vem professor?- perguntou Phileas.
- Não comigo. A aula deles é com outro professor.
- E aí Lupin, vai fazer comigo? – Tenho que arranjar uma dupla antes que eu sobre.
- Não Black, me desculpe. James ia fazer dupla com Lílian, mas o Ranhoso já vai fazer. Nem tente o Pettigreew porque ele vai fazer com os amigos dele da Sonserina.
- Ok, eu faço sozinho então- Já tinha optado por isso, mas esperei em pé o tumulto passar e ver onde iria sobrar uma carteira. Mas não sobrou nenhuma. Como?
- Sr. Black, há uma carteira no fundo da sala, com aquela menina de óculos.- Era Enya. Odiava quando todo mundo fazia algazarra a meu respeito, como já a estavam fazendo por causa da ordem do professor.
- Boa sorte!- Tanto Potter quanto Phileas me falaram a mesma coisa até eu chegar na carteira.
- Ora, quem diria. Você como minha dupla. Quanta sorte já te desejaram?
- Bastante, mas não preciso dela porque somos amigos. Você só é hostil com estranhos.
- Engraçado, acho que nem todos sabem que nós somos...- A porta da sala de aula foi aberta de forma abrupta, chamando a atenção de todos. Um rapaz alto de cabelo loiro, um pouco comprido, vestido com roupas pretas e com os óculos presos na gola da blusa veio acompanhado de Dumbledore que tratou logo de acalmar a turma.
- Sem mais sustos. Este é Dior, ele chegou um pouco atrasado em relação a vocês porque veio de muito longe. Nós já mostramos parte da escola para ele e o seu dormitório. Por sinal, ele já foi selecionado e está na Grifinória. Bem Alih, não quero mais atrapalhar a sua aula. Tenham um bom dia e bons estudos.
- Não se importe Dumbledore, tenha um bom dia também.
- Vá fazer dupla com ele. Afinal, ele é seu colega agora – Enya falou baixinho, já que todos estavam quietos.
- Bem, acho que você tem razão, vou lá.- Me levantei e me sentei do lado do aluno novo. Notei que muitas garotas estavam trocando bilhetinhos enfeitiçados pra lá e pra cá. Tudo por causa do garoto novo, que pelo alvoroço, caiu nas graças de todas.
- Olá? Posso fazer dupla com você?
- Sim, claro.
- Você estudava em que escola?- Perguntei isso porque não é normal alunos novos no quinto ano.
- Eu sempre estudei em casa, mas agora com os N., achei melhor começar a estudar no colégio. Afinal, tenho que saber o que eles cobram. Mas para entrar aqui eu fiz vários testes, tanto teóricos quanto práticos, que estavam bem difíceis por sinal.
- Aqui é uma boa escola, em todos os sentidos. Do estudo ao acolhimento, você vai notar isso. Bem, acho que eu cometi um grave erro, eu não me apresentei. Meu nome é Sirius.
- Sem querer ofender, mas me sinto melhor em saber que não sou o único com um nome diferente.
- Eu entendi, não se preocupe. Essa aula vai acabar daqui a alguns minutos. E aí teremos um intervalo longo, o almoço. Aí dá pra te mostrar a parte do colégio que você não viu.
- Eu vi a torre da Grifinória, o salão e o pátio de entrada.
- Ainda tem muita coisa para te mostrar, não vou conseguir mostrar tudo hoje. Mas até sábado eu garanto! Por falar em sábado, geralmente os alunos vão até uma cidade vizinha, Hogsmead nesse dia. Eu não vou porque estou de castigo.
- Castigo?
- É...nada demais.- e ouviu-se a última fala do professor.
- Vejo você semana que vem! Tenham um bom almoço.
- Bem vamos almoçar e depois eu te mostro o colégio.
Fomos almoçar, ele começou a se soltar mais, falar mais de casa, de amigos que ele tem e coisas do tipo. Dior é bem legal, falou com todo mundo que eu conheço. Ficou um tempo pelo salão antes de sairmos ao tour de Hogwarts.
Enquanto andávamos , ele estranhou o tamanho da escola. Como nunca tinha freqüentado nenhuma outra, estranhou um pouco. Estava indo mostrar pra ele a biblioteca, mesmo que não seja um dos meus lugares preferidos, estranhamente só aos sábados que ela me é agradável, eu tinha que mostrá-la a ele.
- Aquela área lá trás é proibida?
- Sim, é sim. Nem tente pegar aqueles livros porque eles são enfeitiçados e começam a gritar, um horror...
- Já tentou pelo visto?
- Lógico, tem poucas coisas nessa escola que eu ainda não fiz. Estou aqui desde os onze anos. Aprontei de tudo já.
- Eu me divertia muito na casa do meu tio. Ela era feita na encosta de uma montanha, o jardim acompanhava o relevo e tinha vários ambientes. Enfeitiçava insetos e plantas aos montes. Teve um dia que eu aumentei em 20 vezes o tamanho de uma planta carnívora, meu tio quase me matou, depois de quase virar almoço da planta.
- Rapazes, se querem conversar, conversem no pátio. A biblioteca é um lugar de meditação.- A Madame Pince interrompeu Dior, dando a suas boas vindas, à sua maneira.
Enquanto saíamos da biblioteca, vi que Enya estava vindo em nossa direção. Eu não sei o que ele vai pensar disso, depois de conhecer Potter e Phileas, não quero que ele fique falando nada de mim nem dela. Vou fingir que não vi e deixar pra lá.
Ela veio caminhando normalmente, passou por mim dando uma leve olhada, pra mim, pro Dior e seguiu seu caminho normalmente. Mas o que aconteceu foi a reação do Dior quando ele a viu. Ele tava conversando e parou de repente, ficou de boca aberta. Não sei se ele a reconheceu, ou o que seja. Mas foi patético, e mais patético ainda porque foi com a Enya, se fosse com a Mirabella, tudo bem, mas com a ENYA?
- Quem era aquela garota? Ela me parece um pouco familiar...- Ele ainda estava desviando das cabeças para vê-la na biblioteca.- Você a conhece?
- Conheço de nome, Enya, mas ela na...
- Ela tem alguma coisa de diferente do resto das meninas. Tem algo nela que me chama a atenção, a beleza talvez.
- Beleza? Você não está com os seus óculos , por isso que achou ela bonita.
- Você não sabe o que é beleza de verdade Black. Um exemplo bem ilustrativo do que não é beleza verdadeira é uma tal de Mirabella. Ela, e o grupo dela, que nenhuma menina desse tipo anda sozinha, veio puxar assunto comigo. Mas ela já veio me convidar para ir a Hogsmead com ela, e perguntou se eu tinha namorada. Quando saiu ainda me deu um beijo na bochecha. Ela pode até ser um pouco bonita por fora, mas esse tipo de beleza, além de não durar muito, é falsa.
- Bem, Dior, eu não penso assim. Agora, vamos parar com esse assunto porque eu não gosto muito de falar dele.- Phileas estava passando quando disse isso.
- Tudo bem, Black.
- Você sabe meu sobrenome?- Não tinha dito. Vai que ele conhece minha família?
- Sim, e não tive nenhum preconceito. Até porque nossa família e nossos amigos não refletem totalmente quem somos.- Depois que encerramos a conversa, ele foi para sala comunal e eu fui me encontrar com os marotos perto do lago.
- E aí Black, como é o sangue novo?- Rabicho foi logo perguntando.
- Ele é legal, disse que estudou em casa e só veio pro colégio por causa dos N..
- Nerd então, né? – Potter ficava brincando com um pomo de papel.
- Até que é bem engraçado e sociável para um nerd. Já fez sucesso com as garotas. Você acredita que a Mirabella já pediu para sair com ele?
- Acho que você não está mais com essa bola toda meu amigo...hehe!- o grupo todo riu de mim.
- Mas eu ainda não falei o pior, ele se encantou pela Enya!
- Aquela que se machucou toda na árvore?
- É, essa mesmo.
- Bem, deu pra notar que o gosto dele não é muito bom. O que já é uma vantagem pra você. A não ser que ele consiga administrar muitas ao mesmo tempo...
- Ridículo, simplesmente ridículo, Potter.
--x--x--
O resto da semana passou rápido. Já tinha me acostumado às detenções de todo o santo dia, exceto fins de semana. Dior se enturmou rápido com o resto do quinto ano. Passava todo o dia na biblioteca e logo consegui um cartão de lá. Pelo que me pareceu, tudo que ele sabe aprendeu com livros e treinamento próprio. A biblioteca então era como um quarto de brinquedos pra ele.
Como de costume, via todos indo embora no sábado. Mas nem me senti tão mal dessa vez. Vou aproveitar que ninguém está na escola para poder falar com Enya. Afinal, o Dior deve ter ido com a Mirabella para Hogsmead. Eu não acreditei naquele papo dele de beleza verdadeira. Pelo amor de Deus, dar um bolo na Mirabella é coisa de idiota!
ENYA'S POV
Sábado, finalmente sábado. O único dia em que a biblioteca fica vazia, praticamente exclusiva para mim. Tenho um fascínio enorme por livros, sempre foram os meus maiores companheiros, desde que eu era pequena. Meus pais nunca tiveram tempo para mim, e nunca mais pararam em casa desde que minha mãe decidiu guerrear com os anões. Nunca entendi muito bem porque meu povo sempre teve tantas desavenças com os povos das minas. Se dependesse de meus pais, teria de ficar enclausurada na Floresta de Lothlórien, sob a proteção do infalível Haldir. Ele é um ótimo estrategista e muito atencioso, mas em pouco tempo descobri todos os seus esquemas e seus respectivos pontos fracos. Com mais ou menos a inteligência de uma criança de 8 anos humana, eu já saía dos domínios de Lothlórien facilmente.
Em um desses dias foi que a minha vida mudou completamente. Estava passeando pelos limites da floresta, quando de repente, um homem loiro, com o cabelo desarrumado, usando óculos de meia-lua, apareceu na mina frente sentado no chão. Eu nunca tinha visto uma coisa desse tipo, e aparentemente ele nunca tinha visto uma criança com a orelha levemente pontuda usando longos vestidos. Por sorte de ambos, nenhum gritou. Ele então disse:
- Menina, onde estou? Fiz uma longa viagem com um balão e caí do céu, tão rápido, que você não pode nem me ver lá do céu. – Notei que falava inglês, e que tentava me enganar.
- Eu sei que o senhor não caiu do céu, aparece na minha frente. Siga-me, aqui não é seguro. No caminho invente uma história melhor, ou me conte a verdade.- Assim que chegamos numa gruta formada pela fenda entre duas montanhas, ele começou a falar.
- Está bem menininha, vou lhe contar a verdade. Sou um bruxo que vive na Inglaterra e sou diretor de uma escola de magia e bruxaria, Hogwarts. Há alguns momentos atrás, consegui quebrar a barreira que divide o seu mundo do meu. Essa floresta, no meu mundo, não existe. Não com essas plantas, nem com habitantes. Só uma floresta. Pelos meus estudos, vocês vivem em uma dimensão diferente da minha, e, por algum motivo, eu consegui me adaptar a ela.
- O senhor deve ser muito inteligente para as pessoas do seu mundo. Essa escola em que você é diretor, é segura?- uma chance de sair da floresta estava próxima.
- Sim, ela é muito segura. Tão segura quanto você, que acredita em tudo o que falo e que não vou fazer mal a você.
- Eu sei que falas a verdade, e nunca passou por tua cabeça fazeres alguma maldade comigo
- Se você sabe tanto, descubra meu nome.- Como aquele homem, que já não tinha pouco idade, era tolo.
- Acha que eu não consigo?
- Duvido, nunca ouviu falar de mim, não pronunciei meu nome nem uma só vez. Não carrego nenhum documento.- falou isso mostrando todos os bolsos que tinha.- Então, minha cara, acho muito difícil responder tal enigma.
- Não para mim...- depois que disse isso, fiz ecoar na cabeça dele :
"...meu caro Alvo Percival Wulfrico Brian Dumbledore. Mais conhecido como Alvo Dumbledore."
- Por Merlin! Você...como faz isso?- a cara dele era de total confusão.
- Faço isso desde que nasci. Mas não com todos. É errado ler a mente das pessoas sem a permissão delas, só por ler. Mas o que você está fazendo com esse graveto? – ele tirou a varinha do bolso, mas na época não sabia o que era.
- Foi instintivo... peguei minha varinha, que não é um graveto qualquer.
- O que ela faz?
- Vou te mostrar. Wingardiun Leviosa! – Quando ele falou isso, a pedra à nossa frente passou a levitar sobre o controle da varinha.
- Eu consigo fazer isso, mas sem varinha...- aí várias pedrinhas começaram a levitar, e se moviam como numa dança.
- Interessante. Uma bruxa elfa isolada do mundo mágico. Literalmente perdida numa floresta encantada.
- Mas eu não sei se realmente sou uma bruxa. Temo que seja apenas uma habilidade de uma parte de minha raça, da qual, por coincidência, eu descendo.
- Vamos fazer o teste – Disse isso me passando a varinha – fale a mesma palavra que eu disse, fazendo esse gesto com a varinha – girou o pulso e sacudiu-o.
- Muito bem, vou tentar. Wingardiun Leviosa! – Uma grande árvore a nossa frente foi desenraizada e começou a flutuar.- Consegui! Mas isso realmente prova que sou uma bruxa, como você?
- Sem dúvida alguma, e muito talentosa por sinal. Pode ser considerada como um prodígio! Mover uma árvore desse porte com 10 anos de idade, nem eu mesmo tentei tamanha façanha nessa idade.
- Bem, acho que o senhor cometeu um pequeno engano. Eu tenho 1020 anos,...- Sua cara foi de espanto. Mas ele não era o tipo de humano que se intimidasse com qualquer coisa, mas seu embaraço era evidente.
- Nicolau Flamel a invejaria minha cara, e muito!
- Quem é esse senhor?
- Um amigo meu que você em breve irá conhecer por livros, quando estudar em minha escola.
- Eu não tenho tanta certeza de que meus pais deixariam eu sair daqui. Para eles, é o lugar mais seguro da face da terra enquanto essa guerra estúpida durar. Mas você pode tentar falar com eles. Estão em minha casa agora, siga-me. Mas não se afaste muito de mim, pode se perder ou ser pego.
- Como quiser...qual seu nome?
- Meu nome é Galadnilien Luthiriel, mas Galadneil em sua língua é a mesma coisa que Enya, mais curto e simples.
- Com o tempo eu aprendo a pronunciá-lo.
Fui guiando Alvo com o máximo de cuidado. Por mais que eu fosse habilidosa em passar pelas armadilhas de Haldir, nunca tinha feito isso acompanhada. Mas tudo correu melhor do que eu esperava. Ao chegarmos perto de Galadhirim, a maior concentração élfica na terra, e minha casa, Dumbledore ficou boquiaberto com tamanha suntuosidade e beleza.
- Realmente, aqui é um lar de reis, reis que...- os guardas do portão principal fecharam a passagem para Alvo.
- Deixe-o passar, istannen mellon. – dirigi-me ao guarda, que finalmente abriu a passagem.
- Mae, cirith nîn aranel Luthiriel.
- Venha Alvo, está tudo bem. – Subimos longas escadarias até chegarmos aos aposentos reais, que eram os mais discretos dentre os demais.
Meus pais não gostaram muito quando falei sobre o conhecido. Deram sermões de que eu não podia ter saído dos limites, o conhecido podia ser um orc, ou um mercenário em busca de minha cabeça.
- Ele pode falar agora, meu pai?
- O que um Edain como você tem para falar comigo?
- Antes de mais nada, peço para não ser interrompido, meu senhor. Isso só demoraria mais para nós dois. De acordo?
- Perfeitamente. – meu pai olhava para minha mãe o tempo todo, para que ela sondasse a mente de Alvo.
- Meu nome é Alvo Dumbledor, eu vivo em uma dimensão diferente da sua. Aparentemente, cronologicamente à frente. Sou diretor de uma escola de magia e bruxaria chamada Hogwarts. Ensino jovens a aprimorarem seus dons especiais. Dons que tanto sua filha quanto sua esposa possuem. Peço a permissão para levar sua filha a Hogwarts, com o objetivo de aprender mais sobre os poderes que ela detêm. Ela está na fase perfeita para começar.
- Infelizmente, não posso permitir. Minha filha deve ter lhe contado de que estamos no meio de uma guerra, e que ela precisa de total segurança.
- Mas minha escola é muito segura, meu senhor. Nem mesmo pessoas de meu mundo conseguem invadi-la. Acho que as chances de alguém dessa dimensão conseguir atravessá-la, ir parar justamente na minha, com o objetivo de machucar sua filha, são praticamente nulas. – O rei Celeborn ficou pensando sobre esse ponto de vista. Realmente era muito melhor ela ficar fora do mundo, do que no próprio mundo.
- Sendo assim, ela pode ir. Mas saiba que vou manter constante vigilância. Farei visitas aleatórias, 3 vezes ao ano. Eu a levarei e buscarei durante o início e término das aulas. E, principalmente, sua saúde e segurança devem ficar intocadas. Mesmo que as criaturas do meu mundo não invadam o seu, duvido que não haja problemas na dimensão em que você vive.
- Perfeitamente.
- Uma última exigência, seu status de nobreza deve ser mantido em total sigilo. Ninguém pode saber que ela é uma princesa, muito menos daqui de Lórien.
- Tudo será feito como o senhor deseja, e nada sobre ela será revelado a ninguém sem confiança.
- Quando ela vai partir?- minha mãe perguntou, um tanto pesarosa com a futura despedida.
- As aulas começam daqui a dois meses. Ensinarei-os a mudar de dimensão. E o resto eu providenciarei.
- Muito obrigada, meus pais! – estava radiante de felicidade naquele instante. - Gerich meleth nîn, ada ar naneth!
Tantas lembranças nesses meus 1026 anos de vida. Mas todas são muito recentes em minha memória. Bem, devo ter perdido uma meia hora olhando para um estante de livros à toa. Às vezes eu até entendo porque me chamam de esquisita, além de ser pelas roupas é claro.
- Hoje não vou levar nada Madame Pince, vim aqui só para devolver o que já li.
- Muito bem minha jovem. O quinto ano realmente é mais puxado, exigem mais concentração e estudo específico. Vá então aproveitar o dia para passear…- fomos conversando até a porta da biblioteca, mas fomos interrompidas:
- Eu adoraria acompanhá-la.- um garoto de olhos claros, cabelos um tanto longos e loiros, quase brancos, me propôs o convite. Antes de reagir, Madame Pince me apresentou-o.
-Enya, este é Dior. Ele é novo na escola, e como você, vive na biblioteca.
- Prazer em conhecê-lo.
- O prazer é todo meu.- Seus olhos permaneceram fixos nos meus olhos, quer dizer nos meus óculos, enquanto ele beijava a minha mão. Esse garoto está agindo de forma muito estranha para um garoto.
- Bem, aproveite a companhia querida. Tenha um bom dia. Tchau!
- Tchau!- Nossas vozes foram uníssonas na despedida.
- Agora que você já mostrou ser educado, vá fazer algo agradável em melhor companhia.- tenho que evitar as pessoas. Das três vezes que comecei a conversar com alguém, um ficou meu amigo, o Sev, o outro fica me esculachando pela escola inteira, o Phileas, e o último tem vergonha de falar comigo, Sirius. A minha escala de erros e acertos está muito baixa pra eu fazer uma quarta tentativa.
- Mas eu estou na melhor companhia que se pode ter nessa escola. Para onde você está indo?
- Não é necessário que você saiba, pois não vai me acompanhar.
- Entenda uma coisa: não quero zombar de você, nem me aproveitar de sua inteligência, nem te apenas conversar. Não acha que está sendo um pouco mal educada? Afinal, sou novo aqui. Não tenho tantos amigos e não sei como as coisas funcionam.
- Está bem, podemos conversar. Estou indo para a árvore perto do lago. Agora, você já se enturmou muito bem. Potter, Phileas e companhia limitada são ótimas amizades para se dar bem socialmente nesse colégio.
- Realmente, eles conhecem todo mundo, e todos os lugares do colégio. Ainda não conheço as passagens secretas...- ele fez uma cara de que acabou de falar algo que não devia.
- Passagens secretas? Como assim?
- Eu não devia ter falado isso. Mas, é, existem passagens secretas em vários lugares. São atalhos bem úteis, pelo que eles falam.
- Eu sei que elas existem, mas não sabia que eles as usavam. Eles estão certos, são muito úteis, quando se pode passar por elas. Há uma no Salgueiro lutador que está praticamente inutilizada.- só eu uso aquela passagem, porque "converso" com o salgueiro. Mas é lógico que eu não vou contar isso para ninguém.
- Bom saber disso.
- Por que você veio falar comigo?- Mudar de assunto drasticamente provoca respostas sinceras, e causa um embaraço muito constrangedor, adorável de se ver.
- Ahn...Bem, eu te vi na biblioteca, vi que você gosta de livros, e durante a semana fiquei te observando na biblioteca, todos os dias. Sempre que lê mexe alguma parte do corpo, ou cruza os pés e fica balançando, ou fica enrolando o próprio cabelo. Vi que você não come muito durante as refeições, e não gosta de suco de abóbora. Anda praticamente sozinha, sem nenhuma amiga. Gosta de todas as aulas e é muito dedicada, mas não participa das atividades em grupo. Os professores nunca a chamam para responder nada e nunca verificam o seu dever. Então se eu presto tanta atenção a uma pessoa, acho normal querer falar com ela.- ele estava tão desconcertado por ter dito tanta coisa, de forma tão rápida.
-Nossa...- ele tem algum problema...- mas eu não sabia que eu chamava tanta atenção assim. Sempre achei que passasse desapercebida.
- Você passa desapercebida pela maioria. – ele parou de andar.- mas eu não sou a maioria.
- Eu percebi isso. Você é mais gentil.
- Só mais gentil?- ele fez a pergunta me levando em direção a parede, mas não notaria o movimento se estivesse olhando para os olhos dele. Duas pedras de água-marinha.
- Pelo que pude notar em uma semana, e pela conversa que estamos tendo há uns dez minutos, acho que é uma boa conclusão. Sincera e justa. – Estava a centímetros da parede.- Vamos voltar a caminhar?- saí deslizando pela lateral, ainda bem que consegui.
- Sim, vamos. – Bem, a técnica dele de falar um turbilhão de coisas ao mesmo tempo também é muito boa. Mas até agora não sei porque ele está fazendo tudo isso. Tive a pequena sensação de que ele iria me imprensar na parede até ouvir, ou conseguir, o que queria, literalmente.
SIRIUS'S POV
Cheguei aqui na árvore tem uns 20 minutos, já era para ela estar aqui. Não marcamos um horário, na verdade, ela nem sabe que vou estar aqui. Já sei! Vou subir na árvore, esperar ela chegar e dar um susto nela. Vou ficar na forma de cão. Sou mais rápido e ela não vai notar.
Já dá para ouvir a sua voz, estranhamente alegre e...Com quem ela está falando? Eu não acredito que ela está vindo pra cá com o Ranhoso. Não posso acreditar nisso. O meu plano de assustar foi por água abaixo. E vou ter que ficar horas aqui, ouvindo o papo chato de...Não é o Ranhoso. QUEM É?
- Você tem razão Dior, os livros da seção proibida realmente são muito melhores do que os que nós lemos.
- Minha intuição não falha. Hei, espera aí, quer dizer que você já um deles?
- Sim, já li.- Ela fez uma cara de sapeca, que foi seguida de uma gargalhada encantadora. Mas então quer dizer que o Dior deu um bolo na Mirabella para passar o final de semana com a Enya. Ele realmente é louco. E ela está se mostrando muito diferente da garota certinha que parece ser. Ir ler livros proibidos, além do próprio fato, implica em acordar durante a madrugada para fazer isso. Ouvir essa conversa vai ser interessante.
- Puxa, você não tem cara de quem faz esse tipo de coisa.
- Ficar tomando conclusões precipitadas não é bom, muito menos quando se trata de pessoas. A conclusão que eu tiraria de você não seria nada boa.- Sentaram-se no chão sob a copa da árvore, ela encostada no tronco e ele ao seu lado, mas de frente para ela.
- E qual seria a conclusão que você tiraria de mim? Que eu sou um garoto que quero me gabar, andando só com as pessoas influentes do colégio e que tentaria tirar proveito máximo de cada situação, seja ela qual for?- Nossa, ele fala muita coisa em pouco tempo. Ele está querendo deixá-la confusa ao mesmo tempo que...está seduzindo-a.
- Diria que é por aí mesmo, Dior.- ela já estava desconfortável com a situação.
- Você só esqueceu de uma coisa, Enya. – ele se aproximou mais ainda.
- De que?- ele chegou mais perto e quase sussurrou no ouvido dela.
- De que sou gentil...
Nessa hora eu não sei o que deu em mim. Pulei pra cima dele como se fosse um animal, de fato. Fui muito rápido. Mas estranhamente eles foram mais rápidos que eu. Como pode dois humanos serem mais rápidos que um cão? Enya pulou em cima de Dior, virando suas costas para ele, ao mesmo tempo que me enfeitiçava com Immobilus. Só soube que era esse o feitiço pelo efeito, pos ela o executou sem nem ao menos gesticular a boca.
- Um cachorro numa árvore? Esse tipo de animal devia estar na Floresta Proibida.
- Você tem toda a razão, Dior.- ela me desenfeitiçou.- Ele é muito parecido com Si...- ela não podia revelar meu segredo. E como ela sabia que era eu?- com um sinistro.
- Realmente, as semelhanças são incríveis, mas eu não temo a morte e não sou supersticioso. Se manda cachorro! Passa! – Fiquei firme às ordens dele, nem mexi um músculo. – Anda, ou vai ir à força.
- Não seja agressivo. Afinal, ele é só um animal, com cérebro de um animal. Você sabe o caminho para a Floresta Perdida?- Balancei que não com a cabeça. Ela ia ter que ouvir por esse "cérebro de animal".- Muito bem, vou acompanhá-lo até lá. Dior, vá indo para o Corujal. Depois que eu levar esse cachorrinho até o destino dele, vou mandar uma carta.
- Eu vou, mas você tem certeza de que não quer que eu vá com você?
- Não, eu sei me cuidar.
- Percebi isso, foi bom o seu movimento, bem ágil.
- Você é cheio de indiretas, não é mesmo?. – Ela fez a cara dele ficar vermelha. Eu não posso acreditar que ele esteja gostando dela. – Bem, vá indo! – E virou as costas para ele, passando a me acompanhar agora.
Enquanto andávamos até a Floresta, vim pensando no que fiz e no que ia acontecer. Eles iam se beijar? Assim, mal se conheceram e já estão se beijando? E ele é quem está se insinuando, para a Enya? Mas a pior parte de todas é a minha reação. Por que eu fiz isso? Eu só sei que eu não quero as coisas assim, não podem ser desse jeito, ele não pertence ao mundo dela. Eu não poderia deixar que eles se enganassem e que ela sofresse com a realidade futura.
Chegamos há uns 10 metros de nosso suposto destino quando ela começou a falar:
- Ora, Sirius, o que você estava fazendo em cima de uma árvore, cãozinho?
- Eu estava te esperando.- Já disse isso em minha forma normal.- Só queria lhe pregar um susto quando chegasse, mas não deu.
- E aproveitou para ouvir nossa conversa, não é mesmo?
- Eu só ouvi a fofoquinha de vocês porque não é muito comum um cão sair de uma árvore de maneira saltitante e feliz. Não sou um esquilo, Enya.
- Tudo bem. Mas,...porque você atacou o Dior, justamente naquela hora?
- Ah, não sei! Sei que vocês não combinam. Um não tem nada a ver com o outro. Ele é do tipo que tem a garota que quiser na mão. Garanto que ele estava no máximo zombando de você.
- Bem, cabe a mim decidir se ele está zombando de mim ou não. Até porque ele não tem vergonha de fazer as coisas.
- Ele não foi falar com você durante a semana, só hoje que não tem ninguém no colégio.
- Ele pode não ter ido falar porque ainda estava se sentindo estranho no colégio. Mas fiquei realmente impressionada de ver como em tão pouco tempo ele já sabia de hábitos meus muito pessoais. Não acho que uma pessoa se daria ao trabalho de analisar minuciosamente hábitos de alguém só para lhe zombar da cara.
- Só quero deixar claro que a minha intenção não era ouvir nada. Era apenas te dar um susto pois estava esperando-a. Tinha coisas pra te falar que...
- Bem, agora eu não tenho tempo. Tem gente esperando por mim. Se realmente for importante, fale comigo amanhã ou durante a semana.- e foi andando, me dando as costas.
- Não pode ser mais tarde? Lá pelas seis horas da tarde?
- Acho que vou ficar ocupada o dia inteiro!- Ela disse isso com uma voz tão zombeteira que me deu vontade de...
E o meu sábado acabou assim. Tudo se inverteu hoje: Enya zomba de Sirius Black. E de quebra, é perseguida por um míope daltônico. Ele deve estar amaldiçoado com Imperius, porque não tem outra explicação!! Além do que, não consegui falar com Enya hoje. Ele ainda vai me tirar o único dia em que tenho para falar com ela. Enquanto fazia trabalho de Astrologia, só pensava em como meu sábado teria sido divertido se tivesse estado com ela. Amanhã ela não me escapa! Vou ficar de guarda na porta da biblioteca, só esperando-a. Nunca pensei que fosse fazer isso, esperar uma pessoa na porta da biblioteca, arrgh!
NOTAS IMPORTANTES
Significado das palavras:
istannen -- conhecido
mellon -- amigo
Mae -- bem (então)
Cirith -- passar
Nîn -- minha, meu
Aranel -- princesa
Gerich -- vocês
Meleth -- amor
Ada -- pai
Naneth -- mãe
NOTAS PESSOAIS:
Bem leitores,
O capítulo realmente ficou maior do que os outros. Espero que tenham gostado do outro lado da história. Desculpe pela demora...estou enrolada com os meus estudos frenéticos!
Façam seus comentários!
Dasvidania.
