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Capítulo Três - Tsunade .

Essa enfermeira, cujo nome não me lembro, acreditou rapidinho que eu estava passando mal e extremamente afetada devido ao recebimento das provas finais.

Nem voltei à sala de aula para pegar meu material – afinal se eu o deixasse lá também não teria que fazer o dever de casa. Mas o verdadeiro motivo era que não queria olhar para cara do Naruto, do Sasuke, e de ninguém.

Juro, por Deus. Esse dia está sendo uma bagunça. Acho que hoje levantei com pé esquerdo. Ou será que tudo está de cabeça pra baixo?

Andando para casa, vejo meu lugar preferido, a Petit.

A delicatessen já está aberta, que sorte. Vou lá comprar um chocolatinho.
Esse lugar me traz boas recordações. É toda cor de rosa, com pequenas mesinhas redondas de metal com duas cadeiras. E minha mãe sempre me trazia aqui, nós duas e Yuuki.

Eu comia, uma barra de chocolate com biscoito e ela tomava sorvete de pistache. Minha mãe geralmente não comia nada, parecia que ela se deliciava ao ver eu e minha irmã brigando e comendo.

Tenho certeza. Nós duas éramos suas maiores felicidades.

- Bom dia, Sakura. Não deveria estar na escola? – disse a vendedora, Kurenai. Ela e seu marido, Asuma tinham essa chocolateria/doceria/delicatessen desde sempre. Eles me conheciam, porque, bem, eu venho aqui todo dia.

- É. Mas eu não me indisposta e achei melhor vir pra casa. Tudo bem, com voce? – ela me passou a barra de chocolate que sempre comprava e lhe entreguei umas notas que estavam em meu bolso.

- Está sim. – ela fez uma expressão de quem se lembra alguma e pos a mão na testa – Seu pai esteve aqui! Ele e sua tia! Acabaram de voltar de viagem, e foram para sua casa.

Ah. Mais uma variável na equação do dia ruim.

Tinha me esquecido que papai voltava hoje de sua viagem de trabalho.

Meu pai nunca está em casa. Ele viaja todo mês para vários países a trabalho – bem, eu acho que ele trabalha com informática – e muitas vezes para a Inglaterra, onde nossa tia e única parenta viva mora.

A Tia Tsu. Ela não gosta que a chamemos assim. E nem parece gostar muito de nada. Na verdade o que ela gosta mesmo é de fazer plástica. Ela tem uns cinqüenta anos, mas aparenta trinta. Além de ser uma médica super famosa e administrar, nesse meio tempo, uma academia de artes marciais. E de vez em quando, ela volta ao seu país natal para ver suas sobrinhas fofinhas.

Quando crescer, quero ser meia mulher do que ela é.

- Oh. Que bom. – eu forcei um sorriso. – Até amanhã, Kurenai. - completei com doçura na voz.

Eu saí correndo pelas ruas do bairro e rapidamente vi o sedã preto de meu pai parado em frente a nossa casa – não pensem que nossa casa é pequena. Mas também não é uma mansão.

Eu disparei pelo jardim cheio de flores, as quais Yuuki cuidava como se fossem filhas e nas quais pisei impiedosamente. Que prazer senti ao matar aquelas criaturas inocentes.

O hall de entrada estava repleto de malas, de Tsunade, supus. Encontrei-os no segundo quarto de meu pai.

Quarto é uma hipérbole. É uma dispensa, onde ele esconde seus brinquedinhos de patos. Ele tem uns trezentos bichinhos em forma de pato. Uma verdadeira obsessão. Mas ele não é gay, não. Essa mania ele nunca me explicou sua origem.

- Pai! Tia! – ofeguei e dei um abraço nos dois. Um abraço frouxo, já que não sou boa nesse quesito. Os cabelos platinados da Tsunade nunca brilharam mais.

Eu me sentei entre os brinquedinhos de meu pai junto com os dois, que tomavam chá e escutavam jazz. Aparentemente, meu pai estava mostrando seus novos itens de sua coleção bizarra.

Eles me encaravam com uma expressão confusa nos olhos.

Eram dez da manha e só deveria estar em casa às duas da tarde. Sou péssima com mentiras. O que iria inventar?

- Você é um péssimo pai,... Veja, Sakura fica cabulando a aula. E Yuuki nem fala com você. – disse ela sorrindo com os olhos eu dei um sorriso. Era uma critica. E meu pai reparou isso.

- N-não é isso! – disse meu pai envergonhado. Ele era estranhamente puro e gentil. – Ela tem um dom motivo para estar em casa a essa hora. Não é? – ele tentou por um tom de represália na voz e saiu engraçado.

- Eu me senti indisposta e vim pra casa. – menti. Tomara que a Tia não resolva me examinar. – O veio fazer na pequena e perdida Konoha, tia?

- Vim para cá para lhe fazer uma proposta irresistível, Sakura. E outras coisas...

Uma proposta irresistível? Mal posso esperar ela contar.

- Que proposta? – perguntei indiferente.

- Quero que venha morar comigo na Inglaterra por uns tempos. – disse ela. Reparei que aquilo não era um pedido, era mais uma imposição.

- Quando?

- Amanhã se puder.

De repente, me peguei desesperada para abandonar Konoha.

Morar na Inglaterra não é simplesmente ir morar em outro país com outros costumes, com outras línguas. É uma nova chance para mim.
Talvez eu esteja me precipitando. E talvez esteja fazendo a coisa errada. Mas esse dia já estava errado o suficiente – um erro a mais ou um erro a menos, não fará a mínima diferença.

E, além do mais, vida aqui não tem sido grande coisa.

E lá talvez eu consiga ser o que eu realmente quero ser, alguém menos contemplativo.

Mas e o Sasuke? Que eu o esqueça, e ele não sentirá minha falta mesmo.

Meus amigos? Acho que além do Naruto – só de lembrar sinto arrepios -, da Ino e da Hinata, ninguém sentirá minha falta.

Meu ingênuo pai? Ah. Salisbury, cem quilômetros de distancia , não fica muito longe de Londres – e já que passa duzentos dias do ano nessa cidade - talvez eu o vá visitá-lo lá.
Porém.

- AMANHÃ? – exclamei e comecei a girar pateticamente pelo quartinho– Ainda falta uma semana de aula! E tenho que arrumar as malas! E nem sei onde enfiei meu passaporte! Meu Deus.

Meu pai parecia um pouco triste, mas Tsunade estava inegavelmente feliz.

- Ponha suas roupas na mala, e alguns pertences e hoje de tarde venho te buscar.

- Fique calma Sakura. Já está tudo acertado. Já falei com a escola, seu passaporte e passagem, já estão prontos. – meu pai me deu um carinhoso beijinho no cocuruto da cabeça e saiu de seu bizarro quarto.

Parecia que eles já sabiam que eu ia aceitar. E parece que eles planejam essa mudança há tempos.

Eu me levantei, deu um sorrisinho para Tsunade e saí do quarto. Ela ficou lá. Bebericando seu chá de ervas.

Acho que foi uma das ultimas vezes que não a vi trabalhando.

Já passam de meio-dia. Consigo ver o sol brilhando lá no alto pela janela do meu quarto. É até que um lugar bonitinho, talvez sem personalidade. Em suas paredes rosas estão pregadas diversas fotos de diversas partes de minha vida e de pessoas importantes pra mim – até consigo encontrar uma do Sasuke, que acabo de jogar no lixo.

Há um closet que esvaziei, mas era cheio de roupas anteriormente e sapatos – minha única e verdadeira paixão, como bem, como várias mulheres. Uma suíte, pequena, e duas estantes bem altas repletas de livros.

Clássicos, principalmente. Shakespeare, Emily Dickinson, Kafka e Ryunosuke Akutagawa eram meus preferidos.

Gosto estranho o meu, talvez meio "adulto".

- Deveria levar algum desses livros. – disse uma voz atrás de mim. Sobressaltei-me e deixei cair um livro no chão. Romeu e Julieta..
Nunca gostei dessa historia. Eles se... amam demais. E só ficaram juntos pela eternidade porque não tiveram tempo suficiente para brigar e conviver um com o outro. Guardei o livro de volta em seu lugar.

- Acho que não tem mais espaço. – disse apontando para as sete grandes malas pesadas repousando ao lado da minha cama.

- Se deixar alguns sapatos, pode levar alguns livros. – disse ela.

Deixar meus sapatos? Nem sonhando. E aqueles livros me lembravam momentos ruins e cheiravam a naftalina.

- Ou pode comprar novos lá. – disse ela franzindo testa. – Bem, tenho ir que me encontrar com alguns médicos locais. Até mais. Às seis venho te pegar.

Ela saiu do quarto andando rápido.

Eu me deitei na cama e adormeci. Um sono sem sonhos. Os meus preferidos.

O tema mais recorrente em meus sonhos é Ele. Uchiha Sasuke.

Ah não. Que droga.

Um celular está tocando. O meu.

Eu tateio pelos bolsos do uniforme e acho meu pequeno e azul telefone.

- Alô? – disse ainda grogue. Sem resposta. Detesto quando fazem isso.

Até que uma voz delicada soa.

- Sakura-chan... Aqui é a Hinata. – disse ela. Minha melhor amiga.

Sua voz dá um estalo na minha cabeça. Imagina se ela descobrir que eu fiquei com o Naruto. Ela, provavelmente, ficará decepcionada, mais ainda assim será minha amiga.

A Ino disse que ela, numa comparação maldosa, disse que ela parece cachorro. A gente bate, mas ele sempre volta pra pedir carinho. Ela deve bater naquele cachorro que ganhou do ex-namorado. Ela odeia os dois.

- Hinata! Que bom ouvir sua voz. Como vai? – isso soou terrivelmente cruel. Se eu realmente me importasse com ela, talvez não tivesse ficado com o Naruto.

Mas ela já ficou o Sasuke. É verdade. Todas já ficaram com ele, como já disse.

- Bem, bem. – ela soltou um suspiro triste. – Estou com seu material. Mais tarde levo até sua casa.

- Não precisa, Hina. Eu vou viajar e não vou mais voltar à escola... – disse eu em tom de mistério.

- Que ótimo! Assim quem sabe você não para de agarrar garotos indefesos no meio do recreio! - eu podia ouvi-la soluçar – Eu pensei que fosse minha amiga! Você é como todas as outras. Adeus. – eu fiquei escutando aqueles barulhinhos irritantes de quando a ligação é finalizada.

Que perfeito.

Ela havia descoberto. Bem, como Yuuki é cobra criada, ela deve ter espalhado a fofoca para todos os lados.

E como Ino sabe de todas as fofocas, e insensivelmente, deve ter contado para Hinata.

Eu fiquei lá sentada. Eu estava triste? Não.

Eu realmente sou uma péssima amiga.

Até que escutei um barulhinho – risos, acho – vindo do quarto ao lado.

O quarto de Haruno Yuuki.

Que vontade de ir lá meter uns socos na cara de pó compacto dela. (quanta violência -. -).

Mas, como boa idiota que sou, fiquei arrumando uns últimos detalhes.

Já passam das quatro da tarde.

-

São cinco e meia e Tsunade não deve tardar a chegar.

Mas como eu vou levar tantas malas lá pra baixo?

Eu vou acabar rolando as escadas. E não tem como pedir ajuda pra minha irmã.

Não mesmo.

Ela provavelmente vai me mandar pra algum lugar bem bacana e fechar a porta do quarto dela na minha cara. É sempre assim.

Eu arrastei as sete malas – é bem provável que uma mala se perca ou seja extraviada – até o topo das escadas que são em espiral.

Eu levantei uma mala do chão e tomei coragem para descê-las quando a porta do quarto – calabouço seria uma palavra mais apropriada – se a abriu.

Mas Yuuki não saiu de lá.

Saiu coisa pior.

Uchiha Sasuke.

Meu coração parou por um instante. E voltou a bater em ritmo descontrolado.

- Oi. – disse ele. Ele estava falando comigo. Yeah!

E estava só de bermuda. Abdômen interessante, muito interessante, o dele.

(Pára de olhar pra barriga dele, sua retardada! Você não falou que ia esquecê-lo?)
- Olá, Yuuki não falou que traria você – disse eu com minha voz normal de indiferença e como se ele fosse um amigo intimo.

- Você e Yuuki não se falam. – disse com um olhar meio triste. – Vai viajar?

Venha comigo!, pensei. Pelo menos ele estava demonstrando interesse? O enigmático Sasuke agindo como alguém normal?

Deveras estranho.

- Vou morar com a minha tia. Na Inglaterra. – eu disse, com o olhar triste.

Ele ficou calado me encarando. E eu encarando seu abdômen.

Suas bochechas se tingiram de vermelho. Ele estava corado? Que graça.

- Sorte sua. Me deixa descer essas malas pra você. Se você liberar a passagem.

Ela estava tão gentil. Será que ele andou bebendo, fumando?

Bêbado ou não, aquelas atitudes me desejaram cancelar essa mudança repentina. Porém, me lembrei daqueles oito anos nos quais ele mal falou comigo. E desejei sair dali correndo.

- Sakura! No que você está pensando? Saia do caminho! – disse ele me chacoalhando. Eu voltei ao foco e vi que ainda estava no mesmo lugar.

Corando furiosamente desci as escadas e o esperei terminar de descer as malas. Coisa que fez rápido.

Após repousar as malas no hall, ele se virou de costas para mim e se pôs a encarar a encarar um quadro, de arte abstrata, pendurado na parede.

Deliberadamente, ignorando minha presença.

Aquilo estava tão estranho. Ele ali, na minha casa. E eu olhando feito uma estupida para suas costas esperando que ele falasse algo.

Deixei ele ali olhando o quadro e subi para o meu quarto para pentear o meu cabelo.

Até ontem eu sabia muito bem como seria o meu hoje.

Levantar, tomar banho, ir pra escola, prestar atenção na aula, voltar pra casa, estudar, ler uns três livros, jantar, estudar mais e dormir.

Um dia extremamente parado e sem graça.

Mas agora... Eu não faço idéia de onde estarei daqui a cinco horas, nem o que farei daqui a cinco minutos.

São mudanças?

Tomara que sejam para melhor.

- Vou subir – disse baixo para ele. Acho que ele não chegou a escutar.
Eu me encaminhei em direção ao banheiro e fiquei passando o pente diversas vezes meus cabelos até caírem em uma linha perfeita na altura da cintura.

Até que o vi recostado no portal com os braços cruzados e uma expressão séria. Eu o

Você é triste. – disse ele em sua voz que pareceu ecooar no vazio de meu quarto.

Eu, triste? Talvez infeliz e um pouco solitária. Mas eu não me incomodo, porque sou eu que me afasto das pessoas.

- Não sou não. E não vejo como poderia saber, já que mal fala comigo. – disse irritada e um pouco mais alto que pretendia.

- Nem quero falar, seria uma perda de tempo. – disse eleele com um meio sorriso.
Estava me... provocando?

- Idem.

- Porém, você é uma garota. E garotas vivem correndo atrás de mim. Você deve estar adorando minha presença aqui. – ele abriu mais o sorriso. Metido. mas era verdade.

- E você adora, tanto é ficou com todas as garotas da escola.– eu larguei o pente com estrépito na pia. Eram ciúmes. - E não estou gostando de sua presença.

Ele abriu os braços e disse:

- Quer que eu vá embora?

- Não. - disse em voz baixa.

O coiso deu um sorriso satisfeito e voltou a se recostar no portal de madeira.

- Me acha feia? – perguntei em um hirto de loucura. Meu coração está batendo em estava ali no meu banheiro e julgava minha beleza.

Era enlouquecedor para meu jovem e apaixonado coração – como sou brega.

Ele abriu a boca para responder, mas acordei de meu surto. E evitei a tragédia. Se ele dissesse que era feia era bem capaz de me jogar pela janela ou me afogar.

- Não responda. – disse apressada. E acabei me virando pra ele.

Sorte que meu banheiro é grande. E ele se encontrava em uma distancia considerável.

- Por que? – perguntou ele

- Não te interessa. – disse deixando o banheiro.

Meu coração já estava se acostumando com a presença dele ali.

Sentei casualmente numa poltrona velha de couro que havia num canto da parede. E peguei um livro que estava largado no chão. Kama Sutra. (O.õ)

Meu Deus. Que horror. Escondi o livro rapidamente. Podia sentir meu rosto em chamas.

- Seu rosto está vermelho. Minha presença te deixa tão encabulada assim?

- Nãoo. – disse, com calma. – Gosta dela? – perguntei, ele sabia que quem estava falando. Dela

- Não. – disse ele ainda recostado no portal, mas ele estava virado para mim.

Talvez ela não gostasse dele também. Porém, o ego dela é grande demais para perceber que ele não gostava dela também.

- Você gosta de alguém?

- Não. – disse ele. Impassível. – Vai perguntar alguma coisa mais idiota? – disse ele com desprezo.

Como ele é grosso. Mas eu gosto desse seu jeito.

- Não. – disse com a cabeça baixa.

- Vou me divertir às custas da sua irmã mais um pouquinho. – disse ele dando um sorriso pervertido e cruel.

A Yuuki é só um objeto pra ele então. E Sasuke é só um objeto pra ela. Melhor pra mim.

Ops. Até me esqueci que amanhã vou embora.

Eu o vi cruzar o quarto com sua elegância natural e me toquei que não o podia deixar sair assim. Eu não sei quando vou vê-lo novamente.

- Porque brinca com os sentimentos dela? – disse. Algo realmente bem idiota, como a maioria das coisas que falo.

Pelo menos agora ele tinha voltado a me encarar.

- Ela não tem sentimentos. Nem eu. – ele disse e saiu do quarto.

Os não parecem mesmo ter. Nem sentimentos, nem coração.

Yuuki passa boa parte fingindo sentimentos que ela não sente.

Sasuke esconde seus sentimentos.

Mas os dois os têm.

E por algum motivo – que espero descobrir – eles agem assim.

Não vou descobrir hoje nem amanha.

Porque consigo escutar tia Tsunade buzinar freneticamente.

É. Que vergonha.

Uma verdadeira humilhação o que estou pra fazer agora.

É uma necessidade na verdade. Ou algo educado.

Um resto de consideração que sinto por ela que vai está me empurrando a fazer isso.

Agora não dá mais pra fugir. Já bati na porta do quarto de Haruno Yuuki.

Oh. E porta se abre com um rangido. Brincadeira. O quarto dela não é calabouço.

- VOCÊ! – disse ela cuspindo.

Ops. Ela estava com raiva. E havia uma veia saltada em sua testa. Seu rosto estava vermelho

- O que? – disse olhando pros lados

- Você... PISOU EM MINHAS FLORES! – ela berrou.

Eu nem pude pensar.

E escutei o som de sua mão na minha bochecha.

Onde aquele inútil do Uchiha Sasuke está? Foi tudo que pensei na hora.

Um tapa bem dado. Não tanto quanto o soco que de ímpeto dei nela.

- Você merece coisa pior. – disse em um sibilar.

A coitada havia caído de bunda no chão com o impacto do soco. E um filete de sangue escorria de seus lábios. Era penoso ver o choque em seu rosto.

Ela não esperava minha reação. Nem eu. Mas quem era ela pra me dar um tapa na cara?

Não sei o que aqueles amores-perfeitos significavam pra ela, mais eram só flores. Que vão nascer de novo.

- Que isso? – exclamou um Sasuke surgido do nada. Ele agora estava completamente vestido e disparava seus olhos negros de Yuuki, para mim pedindo explicações.

Que eu não dei. Tia Tsunade estava buzinando. Há quase dez minutos.

Disparei pelo corredor, pelas escadas e levei as malas para o carro. Mas tinah deixado a porta de casa aberta.

Fechava a porta quando uma voz me deteve. Uma voz que ecooava em minha mente todo dia.

Da porta eu podia vê-lo parado no ultimo degrau da escada.

- Ei... Adeus. – disse ele, tímido e meio corado.

Eu dei um sorriso simples. Ele deu um também.

Honesto. O primeiro que dei nos últimos anos.

Não houve uma palpitação estranha de meu coração. Eu me sentia serena. Calma.

Sabia que ele não era meu agora. Mas que ele seria, seria.

Fechei a porta e me direcionei ao sedã.

Onde uma Tsunade bem impaciente me esperava.