Disclaimer: Os personagens da Saga pertecem a Stephenie Meyer.
Esta é uma tradução autorizada da fic original em espanhol- Silent Love da Lanenisita, que proíbe qualquer reprodução total ou parcial sem autorização.
A mudança para Edward
Música recomendada: Hero- Mariah Carey
"Existe uma linguagem que vai além das palavras"
Paulo Coelho
Na casa da família Cullen a correria começava muito cedo todos os dias de manhã. Com um beijo delicado de bom dia e um carinho suave na barriga de sua esposa, o Dr. Carlisle Cullen começava assim sua jornada de trabalho.
Com um sorriso no rosto e com bom ânimo mesmo com sua avançada gravidez, Esme saía da cama diretamente para os quartos dos seus pequenos filhos, acordando-os e vestindo-os para os levarem a escola.
Com seus 29 anos, Esme era uma mãe orgulhosa de uma linda menina de 6 anos e um inquieto menininho de 3 e em poucas semanas se juntaria a família uma menina que poderia se chamar Alice. Para seus vizinhos antigos, situados na 5ª Avenida em pleno coração de New York, ter três filhos era algo chocante. Quem em perfeito juízo teria três filhos antes dos 30 anos? Mas nem Esme ou Carlisle se incomodavam com esses comentários. Com a profissão que tinha, Carlisle adorava crianças e Esme nunca se incomodou por ter uma família grande.
Mesmo tendo um excelente cargo-chefe na pediatria no New York Presbyterian Hospital, Dr. Cullen decidiu mudar da Grande Maçã para um lugar mais tranqüilo com sua família. Depois de muito analisar os pós e contras daquela decisão, apoiado por sua família, atravessaram todo o país e fixaram-se na cidade de Forks. Suas vidas eram um pouco mais simples em sua nova casa, Dr. Cullen conseguiu um modesto trabalho no hospital local e sua esposa era voluntária no berçário do hospital por três dias na semana, pelas manhãs enquanto as crianças estavam na escola.
- Levante-se pequena senhorita – sussurrou melodiosamente Esme enquanto abria as cortinas do quarto de Rosalie. A pequena cobriu o rosto e sorriu. Esme sentou-se na cama beijando sua testa quando afastava as cobertas fazendo-lhe cosquinhas.
- Cosquinhas não mãe! – disse entre risos cortados a menina.
- Então se levante!- respondeu sua mãe já em pé – Vou ajudar seu pai com o café. Me ajude com o Edward – pediu a ela.
- Porque eu tenho que fazer isso? – franziu a testa mostrando tédio. Sua mãe afastou de seu rosto algumas mechas loiras e sorriu.
- Porque a mamãe te pediu, então... Vamos! – ajudando ela sair da cama e a colocar as pantufas – Sua roupa está na mesinha perto das bonecas, e seu pai em alguns minutos irá subir pra ajudar seu irmão a se vestir- disse caminhando até o armário e abrindo a gaveta de meias.
Rosalie com relutância concordou e saiu do quarto rumo ao seu irmão. Abriu a porta com força e viu que ele ainda estava preso nos braços de Morpheus*. Seus cabelos acobreados estavam desordenados e suas almofadas do homem aranha estavam no chão perto da mamadeira vazia.
NT: Deus dos sonhos na mitologia grega*.
- Tão grande e ainda tomando mamadeira – resmungou a pequena Rosalie. Caminhando até a janela e abrindo em um rompante as cortinas fazendo que os primeiros raios solares tocassem o rosto adorável do menino fazendo ele imediatamente corar.
Ouviu-se algo abafado e em seguida ele se virou para esconder seu rosto da luz. Sua irmã negou com a cabeça e sem pensar duas vezes subiu em sua cama e começou a pular. O pequeno se mexeu incomodado e pegando um cobertor se cobriu.
- Levanta! Levanta!... Levanta!- gritava sua irmã enquanto pulava com força no colchão.
- Não quero ir pra escola – sussurrou sonolento o pequeno Edward.
- Papai não vai gostar de ouvir isso – disse Rosalie descendo da cama e indo até a porta.
- Não quero ir pra escola – sussurou antes de voltar a dormir.
Em baixo, a atividade era intensa na cozinha, Carlisle preparava o café dos filhos enquanto Esme fazia um pequeno lanche para Edward já que na Escola Pública de Forks eles davam o leite às crianças do jardim da infância; seu pequeno rebelde de olhos verdes era um problema na hora de comer. Tinham tentado de todas as formas fazê-lo tomar leite no copo, mas Edward se recusava a largar a mamadeira. Sua professora Kate, aconselhou que não o forçassem podendo ser pior. Então Esme mandava em sua mochilinha a mamadeira e mais outras guloseimas na forma de 'vermes' de gelatina e chocolates na forma de balão.
O cardápio do café dessa manhã era o preferido de todos: panquecas. Carlisle e Esme eram tão perfeitos nessa tarefa matinal que enquanto ela preparava a mesa e servia, seu esposo subia pra verificar se seus filhos já estavam prontos pra mais um dia escolar. Carlisle entrou primeiro no quarto de Rosalie, encontrando ela quase pronta cantando a música do coelhinho e amarrando seus cadarços. Sorriu enternecido ao ver o quão rápido sua princesa loira tinha aprendido a se vestir sozinha. Caminhando pelo mesmo corredor até o quarto de Edward viu o lugar completamente iluminado e seu pequeno campeão ainda dormindo.
-Vamos pequeno preguiçoso! – disse dando duas palmadas e sentando na cama para tirar seu cobertor que estava enrolando-o da cabeça aos pés.
- Não quero ir pra escola – repetiu o pequeno escondendo o rosto.
- Ah é? E por que isso? – perguntou com um sorriso seu pai.
- Porque tem uma menina que me persegue o dia todo pai – se queixou Edward. Seu pai remexeu seu cabelo e sorriu diante da reclamação do pequeno que franzia a testa e encolhia os ombros – E também, fico chateado. Não tem aventuras como as do homem aranha.
- E como seria se essa aventura acontecesse hoje e você ainda estivesse na cama? Meu campeão não vai querer perder esse acontecimento – o pequeno coçou os olhos e viu o sorriso de seu pai – Nunca se sabe o que vai acontecer em um dia na escola Edward. Então... Pronto pra uma grande aventura? - perguntou seu pai e o pequeno concordou estirando os braços pra ele o ajudar a sair da cama.
- Esse jovenzinho ainda não está pronto? - perguntou Esme ao ver seu filho tirar correndo o pijama. Carlisle, que vinha atrás dele, o levantou e o ajudou a se sentar em uma das cadeiras da mesa. Esme mexendo a cabeça em negativa ria ao ver seus homens brincar com os talheres e guardanapos. Apesar de Carlisle ter 32 anos parecia uma criança fazendo bagunça na mesa e brincando com seus filhos logo cedo de manhã e antes da hora de dormir.
A pequena Rosalie que já estava sentada na mesa esperando o café desaprovava o comportamento do irmão com suas colherinhas plásticas. Mirabolantemente Esme conseguiu levar tudo pra mesa: panquecas e café para Carlisle, mais panquecas e leite quente para Rosalie e uma tigela de cereais com iogurte para Edward.
- Mamãe! Mais uma vez... Vamos chegar... Tarde por causa do... Edward!- murmurou Rosalie com um pedaço de panqueca na boca.
- Não... Fale... De... Boca... Cheia – respondeu seu irmão com pedaços inteiros de cereal na boca sem mastigar e esboçando um grande sorriso.
- Mamãe!- voltou a reclamar Rosalie. Edward lhe mostrou a língua sem que seus pais percebessem causando outra birra de Rosalie.
Escondendo o sorriso enquanto voltava pra mesa, Esme se sentava com a família. Essa era a rotina matinal da casa dos Cullen: o pequeno dorminhoco se queixando de que não queria ir pra escola, uma menina reclamando que chegariam atrasados por culpa do primeiro e os pais rindo ao vê-los discutindo.
Nessa manhã como em todas as outras, Esme teve que terminar de vestir Edward dentro do carro, limpando seu nariz sujo de iogurte e beijando suas bochechas rosadas enquanto arrumava sua mochilinha nas suas costas.
Chegaram a tempo graças aos conhecidos atalhos que Carlisle descobriu recentemente. Entraram quase correndo até encontrarem Carmen, a professora de Rosalie. Ainda a distância e embora muito sonolento Edward notou algo diferente na porta de sua sala. Lembrou das palavras de seu pai:
"Nunca se sabe o que pode acontecer em um dia na escola Edward"
Na porta, um senhor alto e vestido de policial mantinha uma menina com os cachos da cor das bolinhas de chocolate que ele tanto gostava, seus olhos eram profundos e brilhantes e sua pele era quase tão pálida quanto a sua. Quem era essa menina? O que fazia na escola essa manhã? Perguntou-se internamente.
- Bom meus amores, esta tarde... É hora de aprender- disse sua mãe deixando-os um beijo. O pequeno viu sua irmã afastar-se para sua sala e sua professora segurar sua mão.
- Olha Edward... Ela se chama Isabella... E ela é muito especial – escutou ela dizer. Edward ainda confuso com a estranha presença da menina esfregou os olhos com força e olhou o senhor de bigode. A menina o olhava com atenção, como se estive lhe examinando. Edward estreitou um pouco os olhos e em seguida a pequena lhe sorriu. Será que é ela a aventura que papai falou?
O menino sorriu de volta como resposta e se aproximou dela quando o senhor policial a deixou no chão. A pequena tinha um cheiro muito bom, não era como o cheiro da colônia de Rosalie ou o aroma de sua mãe. Era algo diferente... Algo melhor.
Bravamente e decidido segurou sua mão e lhe sussurrou no ouvido que ele e a pequena Bella seriam grandes amigos. Sorriu ao ver como ela concordava timidamente.
- Bom dia professora Kate!- cantarolou um alegre Edward segurando a mão de Bella na sala – Tenho uma nova amiga!
- Sim, estou vendo Edward!- respondeu entusiasmada sua professora. Kate, uma jovem que não passava dos 25 anos e possuidora de olhos celestes cativantes, sorriu para a pequena Bella e se abaixou até sua altura. A menina lhe olhou receosa, mas Edward apertou sua mãozinha e lhe sorriu. Charlie que via a cena com cautela esperava qualquer reação de Isabella, como todo policial devia estava a postos e preparado para qualquer coisa inesperada.
Mas no caso de sua filha, aquilo não era necessário. Contra qualquer previsão Isabella sorriu de imediato para a professora ao vê-la mover as mãos e sinalizar a saudação universal de bom dia.
Charlie ficou impressionado ao ver a destreza com que a jovem fez o sinal, Carmen que estava junto a ele lhe sorriu e sussurrou.
-Já você vai saber sua história. Fique tranqüilo, sua filha esta em boas mãos. – Kate! – a chamou. A jovem se aprumou rapidamente e se aproximou de Carmen e Charlie deixando as crianças sozinhas.
- Bom dia!- estendeu sua mão em saudação a Charlie. Que lhe sorriu em resposta ao gesto.
- Kate, este é o pai da pequena. Seu nome é Charlie e pelo que vejo já lhe apresentaram Isabella – sorriu Carmen ao ver o pequeno Edward olhar fixamente a menina e sorrir de maneira amável.
- Olá Sr. Swan, me alegra muito que tenha decidido trazer Isabella. Percebe-se que ela é uma menina muito...
- Carmen me disse que você é uma fonoaudióloga- subitamente lhe interrompeu e Kate concordou – Nunca mencionou que você sabia libras – sussurrou
- Minha profissão é fonoaudiologia para crianças, mas minha paixão e necessidade sempre foi a comunicação através das libras – respondeu com firmeza a jovem mulher.
- Necessidade? – perguntou desconfiado Charlie enquanto via sua filha conhecendo a sala de mãos dada ao menino de olhos verdes que lhe mostrava cada pequeno canto do lugar: onde guardavam as massinhas de modelar, as mochilas e os livros de colorir.
- Sim, minha irmã Irina também tem surdez congênita – Kate sussurrou com um leve toque de tristeza. Isso fez com que Charlie se voltasse rapidamente para olhar a professora e perceber que escapava uma lágrima de seus olhos.
- Oh! Sinto muito! – desculpou-se Charlie. Olhando para Carmen recordou a razão de suas palavras. Claro que Bells estava em boas mãos, ninguém melhor que Kate entenderia como é viver em mundo silencioso.
- Não tem porque lamentar, você e eu sabemos que esse mundo é algo muito especial e mágico. Às vezes podemos não entendê-lo, mas ele não deixar de ser bonito – Charlie assegurou enquanto Carmen lhe dava um tapinha rápido em suas costas.
- Eu te disse Charlie, agora é melhor eu sair da sala. Tenham um bom primeiro dia- disse enquanto se afastava.
- Conheço seu mundo mais do que qualquer outra professora aqui poderá fazer - falou Kate para Charlie que pela segunda vez procurava sua filha com os olhos, encontrando-a de novo perto da porta da sala envolvida junto de seu novo amiguinho Edward numa bolha de silêncio.
- Me deixe tentar Sr. Swan... Isabella merece a oportunidade que negaram a Irina. Ela é especial, mas não por isso deve ter uma educação diferente. Ela pode ser alcançada, Isabella pode integrar no mundo dos ouvintes. Eu posso ensinar através das libras a ler os lábios e dizer algumas palavras. Com o acompanhamento adequado ela pode até modular sua voz...
- Não quero que minha filha seja discriminada por não ouvir- admitiu um triste Charlie. Kate negou e segurou a mão do chefe Swan.
- Não será discriminada, será se não aprender a se adaptar em uma sociedade como a nossa. Onde as pessoas com capacidades especiais são vistas como estranhos e dignos de pena e não como verdadeiros exemplos de coragem e valor- as palavras de Kate comoveram Charlie que assentia cada afirmação.
- Então... Daremos a Isabella uma chance?- Charlie concordou com algumas dúvidas. Sua pequena lutadora começava aos seus três anos uma grande batalha: adaptar-se ao barulhento mundo em seu mundo de silêncio...
- Você pode pegar uma cadeira e se sentar aqui ao lado. Até Isabella se sentir mais a vontade, vai precisar de sua constante presença, acho que pelos próximos 5 ou 6 dias de aula – Charlie concordou e Kate lhe sorriu – Preciso saber de uma coisa Sr. Swan. O que Isabella sabe dizer em libras?
- Não muito, temos aprendido por um vídeo que coloco durante a noite quando volto da delegacia, mas é muito básico. – Charlie encolheu os ombros e olhou com amor para sua filha – Ela já memorizou, mas algumas ela esquece o significado.
- Já é um bom começo. Você fez um excelente trabalho- lhe parabenizou com um sorriso que provocou Charlie a sorrir levemente.
- Agora enquanto você procura um lugar pra ficar, eu vou falar com as crianças. Obrigada novamente por dar essa oportunidade a Isabella.
- Bella... Acho que gosta quando lhe chamo de Bella. É mais fácil de soletrar... – confessou Charlie.
Kate concordou e se aproximou das crianças. Percebeu que Edward falava alegremente com a pequena Bella, mas ela não lhe respondia. Abaixou-se até a altura dos pequenos e sorriu.
- Como vai Bella? - perguntou sinalizando a professora. Com suas mãozinhas a menina respondeu: Muito bem...
O pequeno Edward intrigado pelos sinais estranhos de sua professora e o sorriso da menina ao seu lado coçou a cabeça em sinal de confusão.
- Professora Kate... Por que esta fazendo isso com suas mãos? – perguntou curioso o pequeno. Sua professora só sorriu e acariciou sua bochecha.
- Minhas crianças – disse enquanto se virava para os pequenos na sala. Estirando seus braços, pegou Bella para logo se levantar. Edward não ficou satisfeito quando teve que soltar a mão de Isabella, mas estando ela nos braços da professora, ele não tinha como pegar sua outra mão e assim sentou-se em sua cadeira para escutar o que ela ia dizer.
Mesmo que a pequena Isabella nunca tenha visto o jovenzinho e ao resto dessas crianças na sala, ela não tinha medo. Mas tinha curiosidade em saber se eram iguais a ela ou aos seus tios na delegacia de policia.
- Eu quero apresentar Isabella Swan, ela é uma pessoinha muito especial – disse para todos quando acariciava seus cabelos e sorria.
- Porque ela é especial professora? É diferente da gente? - perguntou um menino loiro na primeira fila de assentos enquanto brincava com massinhas coloridas. Seu nome era Mike Newton.
- Alguém me diz por que Ângela é especial? – pediu Kate olhando as crianças. Um menino de olhinhos pretos e pele escura levantou a mão.
- Ângela é especial porque usa óculos – respondeu Ben Cheney, o menino que dividia a mesinha com a menina mencionada. A pequena arrumou seus óculos e olhou atenta a menina que estava nos braços da professora.
- Muito bem Ben, Ângela é especial porque usa óculos. Mas... Por que ela usa óculos? –voltou a perguntar a professora.
- Porque sem seus óculos ela não pode ver – respondeu a menina ao lado de Mike, a inquieta Jessica Stanley.
-Tem razão Jessica – sorriu Kate – Ângela precisa de seus óculos para ver, a visão é um dos cinco sentidos das pessoas. Lembram da música dos sentidos? Quais eram as outras partes do corpo que temos sentidos? – um menino de traços asiáticos levantou a mão entusiasmado.
- O nariz, a pele, a língua e as orelhas – disse Eric York mostrando cada parte do corpo enquanto falava.
- Muito bem Eric, vamos falar da última. O que fazemos com as orelhas crianças? –perguntou em voz alta Kate.
- Ouvimos! – disseram todos juntos.
- Muito bom, com as orelhas ouvimos. Mas assim como Ângela não tem olhinhos bons, Isabella não tem suas orelhinhas boas – Kate fez uma pausa para dar um sorriso a pequena Bella – A pequena que esta aqui em meus braços crianças, não pode nos ouvir, ela tem uma capacidade diferente do resto, e isso é o que a faz especial – terminou Kate. Isabella olhava as crianças um pouco triste, ele podiam falar e ouvir... Não eram iguais a ela. Ninguém seria igual a ela.
Edward que estava atento a toda explicação levantou a mão. A pequena viu e voltou a sorrir quando encontrou seu primeiro amigo dessa manhã.
- O que foi Edward? – perguntou Kate enquanto descia Bella de seus braços.
- Porque ela não pode ouvir professora? Ela está doente? Meu papai cura crianças! Ele pode curar Isabella! – Kate respirou fundo e negou tristemente.
- Não Edward, seu papai não pode curar Isabella. Não é como quando temos febre ou resfriado e com um xarope já nos sentimos melhor.
- Então Isabella nunca vai ficar boa? Minha mamãe disse que um dia eu posso deixar de usar óculos – ouviu-se a tímida voz de Ângela no fim da sala.
- Não meus amores. Será muito difícil que ela algum dia escute nossas vozes, assim que para nós falarmos com ela, vamos usar uma linguagem muito especial. Sinais.
- Era isso que você estava fazendo quando Isabella entrou? – perguntou Edward de cabeça inclinada e suas mãos apoiando seu queixo em cima da mesa.
- Sim Edward, Isabella mesmo sendo muito pequena conhece alguns sinais que seu papai lhe ensinou – Kate sorriu na direção de Charlie e ele acenou – Crianças... Vamos cumprimentar o chefe Swan, por favor?
- Bom dia chefe Swan – se escutou o coro de vozes na sala.
- O chefe Swan estará conosco alguns dias acompanhando Isabella, se fizermos que a pequena se sinta bem com a gente ela ficará aqui. Quem quer que Isabella fique? – Edward pulou de sua cadeira rapidamente e levantando suas mãos gritou: EU!
- Muito bem... Quem mais concorda com Edward? – perguntou Kate com um sorriso. Lentamente muitas mãozinhas levantaram inclusive a de Tyler Crowley, um menino distraído que desde que a professora começou a falar não prestava atenção, jogando seu quebra cabeças.
- Então vamos fazer com que Bella se sinta em casa. Edward, ao seu lado tem uma cadeira vazia. Quer que Isabella se sente com você? – o pequeno concordou de maneira eufórica e levou a menina até a mesinha dele onde a deixou muito bem sentada para voltar na frente da sala e dizer:
- Você vai ficar aqui e eu vou cuidar de você – falou lentamente Edward pra ela. Bella só deu uma olhada confusa e logo sorriu.
- Alguém se lembra o que vimos na aula passada? – perguntou Kate em voz alta para chamar atenção das crianças novamente.
- As cores do semáforo! – gritou uma efusiva Jessica
- Excelente. Lembram que cores eram?
- Verde! – respondeu Eric.
- Muito bem. E lembram o que significa essa cor? – Charlie olhava curioso todos na sala.
Mesmo que a maioria das crianças tivessem 4 anos com exceção de sua filha, todos estavam bem adiantados. Eram espertos e muito ativos na sala em diferença com Isabella que se mostrava tímida e confusa. Charlie pensou por um segundo, talvez não fosse uma boa idéia expor Isabella a isso.
- Verde significa avançar - respondeu Ben.
- Muito bem, mas... Como eu sei que significa isso? O semáforo não fala... Como sei que é pra seguir com o carro? – Um silêncio sepulcral se formou na sala, dessa vez nenhuma das crianças tinham resposta.
- Porque é um sinal de trânsito – sussurrou um atrevido Charlie acabando com o silêncio do lugar.
- Muito obrigada chefe Swan. Ele está certo, o semáforo é um sinal. Os sinais nos mostram uma mensagem sem palavras meus lindos, se conhecermos o seu significado entendemos então a mensagem. E isso é justamente o que vamos aprender hoje. Os sinais de uma linguagem especial!
Todos os pequenos olhavam intrigados a professora, todos queriam saber o que aprenderiam hoje, todos estavam atentos e curiosos, todos menos um... Edward.
Desde o momento que Isabella se sentou ao seu lado, Edward sentiu um forte impulso de proteção, como quando sua irmã tentava tirar seus bonecos do homem aranha de seus braços e ele os defendia até com os dentes. Era assim que se sentia com Isabella, certo, ela não era um boneco de seu super-herói favorito, mas o instinto era o mesmo. Proteger a pequenininha de olhinhos de chocolate.
- A linguagem dos sinais meus amores é uma maneira de comunicação das pessoas que não podem ouvir. Sua história é muito antiga e vem de muitos anos atrás...
- Quantos anos atrás? – perguntou Ângela.
- Muitos minha pequenininha, talvez desde antes que os papais de seus avozinhos nasceram.
- Isso é muito tempo – lhe sussurrou Ben que soltou uma bonitinha risada.
- Sim, há muito tempo. Foi inventado para passar uma mensagem pras pessoas como Isabella que não podia escutar. É uma maneira de expressão corporal que usa as mãos e outras partes do corpo para se saber de algo – As crianças olhavam Kate como se um terceiro olho tivesse nascido na sua testa.
- Vamos fazer isso mais fácil. Edward... Você pode cantar a música das vogais que aprendemos na semana passada? – O pequeno assentou e ficou em pé.
- Saiu o A, saiu o A, não sei pra onde vai... Saiu o E, saiu o E, não sei pra onde foi... Saiu o I, saiu o I e eu não percebi... Saiu o O, saiu o O, e quase não voltou... Saiu o U, saiu o U, e o que você me diz*...
NT: Gente, no original fica bem bonitinho porque é uma rima, na tradução fica um pouco sem sentindo (Salió la a, salió la a, no sé a dónde va... Salió la e, salió la e, no sé a dónde fue... Salió la i, salió la i y yo no la sentí...Salió la o, salió la o, y casi no volvió... Salió la u, salió la u, y qué me dices tú...)*
- Muito bem Edward – Kate sorriu satisfeita. Ela nunca pensou que Edward se lembraria da música já que toda a semana passada ele tinha dormido na sala e no tempo em que estava acordado era muito desatento. De seus alunos Edward era o mais especial, muito carinhoso e embora distraído ao seu ver era o mais inteligente. O pequeno voltou pra sua cadeira e sorriu pra Bella, era um sorriso torto que fez os olhos dela brilharem de emoção.
- Bom, Edward nos lembrou as vogais. Mas Isabella não ouviu o que Edward cantou. Como Bella vai aprender quais são as vogais? – perguntou enquanto andava até a cadeira da menina – Com as mãozinhas! Vamos aprender a fazer as vogais com as mãozinhas! Vamos lá pequenos. Todos com as mãos pra frente vamos fazer que Isabella nos ensine as vogais.
Kate se abaixou até a altura de Bella e sorriu. Com sua mão direita em punho fez a letra A e se afastou para ver se Bella seguiria com o resto. Para sua surpresa a pequena Bella lhe sorriu e estendeu sua mão e mostrou-lhe o punho semi fechado formando a letra E.
- Vem comigo? – lhe perguntou em libras a menina que timidamente acenou. Kate a pegou nos braços e a levou outra vez na frente da sala.
- Muito bem crianças. Bella está no comando hoje... Ela vai nos apresentar ao seu mundo. Estão prontos? – um grito ecoou na sala.
Com suas mãozinhas Bella começou a sinalizar as vogais que lembrava do vídeo que seu papai colocava todas as noites. Junto com sua professora e o restante dos coleguinhas fizeram um passeio pelas vogais, fechando o punho para o A, abrindo um pouco para o E, mostrando o mindinho para o I, desenhando um circulo para o O e juntando dois dedos para o U. Charlie olhava sua filha com orgulho, ele era uma campeã sem dúvidas e conseguiria muitas coisas apesar de sua limitação.
- Vocês fizeram tudo certo. Agora... – a voz de Kate foi interrompida pelo alarme que indicava o recreio – Agora vamos à lanchonete em fila para tomar nosso lanche.
- Esta com fome? – perguntou sinalizando comida e a barriga de Bella. Ela afirmou com força e sorriu. Kate a pegou nos braços e a levou até Charlie.
- A lanchonete fica na sala da frente. Vamos com as crianças antes que saiam os maiores e assim ele comerão tranqüilos e não se distraem com eles. Trouxeram alguma coisa especial? – Charlie negou envergonhado – Não tem importância, eu gosto dos bolinhos que a Sra. Cope faz.
Os pequenos estavam prontos para sair da sala e cruzar "o grande pátio" como era conhecida a extensão de mais de 20 metros que os separavam da lanchonete. Sem esquecer da mochilinha que sua mamãe lhe preparou Edward ficou no inicio da fila para ficar mais perto da pequena Bella e segurar sua mão novamente.
Ordenados e em fila, cruzaram "o grande pátio" e chegaram a lanchonete aonde a Sra. Cope os esperava com a mesa arrumada. Cada lugar tinha um copo de leite, bolinhos e frutas cortadas. Kate se separou um momento para voltar na sala não sem antes deixá-los localizados e prontos para comer. Bella receosa se sentou nas pernas de seu pai e ficou ali alguns minutos. Edward a olhou e lhe sorriu enquanto deixava em cima da mesa sua mochilinha para tirar dela a mamadeira e as gelatinas.
Bella olhava intrigada o menino de olhos verdes. Porque ele tomava mamadeira se ela não usava fazia tempo? Charlie sinalizou uma bolacha e ela assentiu saindo de seu colo para pegá-la. Charlie lhe ajudou novamente a subir em suas pernas, mas vendo que nenhuma das crianças estavam sentadas nas pernas de seus pais preferiu sentar-se na cadeira ao lado de Edward.
- Quer um pouquinho? – disse Edward tirando a mamadeira da boca e estendendo pra Bella. Bella negou com força e sorriu. Edward franziu a testa em sua recusa.
- Bella deixou a mamadeira tem alguns meses jovenzinho – foi a resposta de Charlie. Edward o olhou envergonhado e lembrou das palavras de sua irmã Rosalie "Já devia ter deixado a mamadeira Edward"
Com pesar Edward tampou o bico a guardou de volta na mochila. Sorriu ao pensar no homem aranha com mamadeira e pensou "Esta certo, os super heróis não tomam mamadeira"
- Quer uma gelatina? – lhe perguntou dessa vez desenhando uma em um guardanapo que pegou na mochilinha. Bella afirmou deixando a bolacha de lado e pegando dois 'verminhos' coloridos. Edward sorriu quando viu Bella saborear seus doces de gelatina e pegou outros dois pra ela.
- Edward e pra mim? – perguntou Jessica franzindo a testa. Ela é a menina de quem ele falava essa manhã ao seu pai. Na hora do recreio ela se sentava com ele que não ficava em paz com ela fazendo milhões de perguntas e comendo suas gelatinas. Edward bufou e concordou relutantemente. Jessica sorriu e pegou três docinhos.
O resto do recreio passou em silêncio. De repente a paz foi interrompida quando Bella perguntava coisas ao seu pai com suas mãos e Charlie lhe respondia da mesma maneira. Edward olhava curioso desejando saber o que significava aqueles sinais. Decidido, fechou sua mochila e a deixou em cima da mesa. Com rapidez se levantou e correu até a porta da lanchonete atravessando o temível espaço de concreto que parecia para ele inofensivo.
Hiperventilando e de bochechas coradas pelo esforço Edward chegou na sala e encontrou sua professora Kate arrumando as massinhas.
- Edward o que esta fazendo aqui? – disse Kate assustada.
- Me ensina... – disse com voz entrecortada – Quero aprender a falar com Isabella...
- Meu anjo... – lhe disse com ternura – Claro que você vai aprender, mas não posso te ensinar tudo em um dia.
- Quero... Quero dizer uma coisa pra Isabella – falou o menino com voz mais composta.
- Ah é? O que você quer dizer a Bella? – perguntou enquanto lhe acariciava a bochecha.
- Quero dizer que gosto muito dela – respondeu firme o pequeno Edward. Os olhos de Kate abriram como pratos e suspirou emocionada ao escutar as palavras do menino. Concordando ela ficou da sua altura.
- Vejamos, faça o mesmo que eu Edward – o menino olhava atento os gestos da professora para memorizar cada movimento. Sua professora repetia cada gesto e ele tentava imitá-la.
E assim passou o resto do recreio para Edward, aprendendo os gestos que marcariam sua vida pra sempre... Amor.
- Chefe Swan, telefone – lhe falou a Sra. Cope mostrando o telefone da lanchonete. Rapidamente ele ficou em pé e se distanciou para atender a chamada deixando Bella sozinha na mesa.
Devido a distração com Edward, a professora não tinha voltado para pegar as crianças antes que os maiores se juntassem a eles causando problemas. Quando o sinal soou Kate se deu conta do erro e com Edward nos braços correu para o pátio. Ao chegar, o lugar estava cheio de gente e os pequenos estavam assustados. A primeira pessoa em que pensou foi Bella e descendo Edward nos braços disse:
- Edward, corra até onde esta Isabella e não saia do seu lado – o pequeno assentiu e correu ao outro extremo da lanchonete procurando a menina. A encontrou com olhos cheios de lágrimas, dois meninos de uns 6 anos estavam em sua mesa e parecia que estavam se divertindo dela.
- Porque não fala menina? O gato comeu sua língua? Posso comer algumas de suas bolachas? É nova aqui? Porque não tem uniforme? – eram tantas as perguntas que borbulhavam da boca dos dois meninos. Edward se aproximou dela e a abraçou forte.
- Já estou aqui... – lhe sussurrou mesmo sabendo que a pequena não lhe ouvia. A escutou soluçar e acarinhou sua cabeça – Já passou... – Edward sorriu e a menina se ajeitou um pouco pra olhá-lo. Ela fungou o nariz – Vou cuidar de você, sou seu super-herói, não é? – A partir daí, implicitamente entre Edward e Bella se formou uma espécie de pacto especial. Ele seria seu super- herói lhe dando proteção e apoio incondicional e ela em troca, lhe daria algo mais importante do que Edward podia oferecer, ela lhe daria seu amor eterno...
- O que essa menina tem? – perguntou um dos meninos que continuava na mesa rompendo a delicada bolha que tinha se formado entre Edward e Bella.
- Tolos... – foi só isso que disse Edward enquanto se afastava segurando a mão da pequena. Kate pegou todos e em ordem os levou para sala. Jurou nunca mais se distrair com algo tão delicado como aquilo, ainda mais com a presença de Isabella como sua nova aluna.
Charlie voltou à sala uns minutos depois, devido à atenção prestada no telefonema da delegacia não percebeu o incidente. Sentou em uma das cadeiras e prestou atenção na turma da professora Kate.
-Bom meus pequenos, tem algo importante que Isabella vai nos mostrar agora. Assim como as vogais tem um sinal, os nomes também têm. Quando queremos nos referir a alguém muito próximo a nós nem sempre vamos conseguir soletrar todas as letras, assim fazemos um sinal particular. Criamos esses sinais baseados em algo especial que essa pessoa tem. O que acham de tentarmos isso aqui na aula? Novamente um coro de sim ecoou na sala.
- Quer começar? – Kate estimulou Bella que negou – Não importa, eu começo. Vejamos. – disse enquanto falava com as crianças – Começaremos pela primeira letra, o A de Ângela. O que mais chama atenção em Ângela?
- Seus óculos – respondeu Mike sorridente.
- Muito bem então para Ângela faremos o sinal do A desenhando seus óculos. Vamos... – Isabella foi a primeira a repetir o sinal da professora seguida pelo resto das crianças. Ângela sorriu ao se dar conta que de certa forma seus óculos lhe tornava especial e não uma estranha como pensava.
- Agora vamos com o Mike. Jessica, o que chama atenção em Mike?
- Seu cabelo loiro – respondeu sem dúvidas a pequena.
- Então seu sinal será o seu cabelo – a professora mostrou três dedos fazendo o sinal de M, mostrando sua cabeça referindo-se ao cabelo do menino. E igual com fizeram o sinal de Ângela antes, todos repetiram o gesto.
- Agora... O que chama atenção em Jessica? – perguntou a professora.
- Que fala muito! – respondeu Eric. Todos na sala riram menos Jessica que bufou chateada.
- Jessica tem uma excelente capacidade de expressão e assim vamos destacar. Com o dedo mindinho vamos desenhar um J e faremos a mão assim – a professora abria e fechava os dedos fazendo o gesto que a pequena Stanley falava muito. Bella sorriu divertida e repetiu o gesto.
- Muito bem meus lindos. Agora... O que chama atenção em Edward? – perguntou a professora. De imediato Bella puxou a camisa de Kate chamando sua atenção. Kate voltou e viu a pequena fazer um gesto que a fez sorrir.
- Isabella nos diz que o que mais chama atenção em Edward é seu sorriso. Assim que vamos fazer o E e vamos desenhar um sorriso – A pequena Bella sorriu e fez o sinal que referenciaria a Edward durante toda sua vida, um E sorridente já que o sorriso do seu super- herói tinha alcançado seu coraçãozinho, tinha aquecido sua alma.
- Meus pequeninos, estou muito orgulhosa de vocês. Agora para terminar vamos escolher um sinal para Isabella. O que mais chama atenção em Isabella?
- Que é tímida – sussurrou Mike.
- Que seu papai é um policial – Tyler respondeu rindo.
- Que é bonita – disse firme Edward.
- Temos várias respostas. Mas vamos escolher a última de Edward já que foi Bella quem colocou o sinal dele. Vamos fazer a palma da mão esconder o dedo polegar fazendo assim o B de Bella. Agora vamos passar essa mão no rosto desenhando um circulo. Isso significa bela, um sinônimo de bonita em espanhol. Bella é bela... Não é verdade meninos?
- Sim! – ouviu-se o grito de Edward. Bella sorriu e caminhou para sua cadeira.
Pelo restante da manhã fizeram sinais com o resto das crianças. Um T e um sinal de distraído para Tyler, um E e um sinal de olhos esticados para Eric e um B sinalizando uma covinha que marcava o rosto de Ben quando sorria. Um K e sinal de amor para Kate e um C sinalizando o bigode para Charlie acabando ai o primeiro dia de aventuras na escola para a pequena Bella.
Quando chegou a hora da saída todas as crianças falavam emocionadas aos seus pais a novidade que era a chegada de Isabella. Alguns como a mãe de Ângela recebeu com alegria a notícia vendo que sua filha poderia encontrar em Bella uma amiga especial, outras como a mão de Jessica via em Isabella uma ameaça perigosa de atraso no aprendizado de sua filha. O que uma menina surda fazia em uma escola normal? Ela devia ter educação em casa e não atrasar o resto das crianças normais.
- Meu anjo! Aqui está você! – cantarolou Esme entrando na sala para encontrar Edward. O pequeno estava tão distraído relembrando os sinais que aprendeu no recreio que não reparou na presença de sua mãe. Esme notou a presença da pequena que tinha visto pela manhã com Edward e sorriu ao ver que seu menino tinha uma nova amiga. Quis se aproximar para pegar sua mochila, mas viu que Edward mexia suas mãos tentando dizer algo pra pequena.
- Lhe dê um minuto – lhe sussurrou Kate aproximando-se – Esteve por muitos minutos tentando e agora falta pouco pra conseguir – Esme assentiu confusa. Porque seu filho fazia sinais com suas mãos? Porque a menina o olhava como se o compreendesse? – Isabella tem surdez congênita. Edward só tenta lhe dizer que gosta muito dela – lhe disse Kate respondendo sua pergunta não formulada.
Depois de vários minutos tentando Edward não conseguia lembrar a ordem dos sinais. Esme e Charlie estavam impacientes esperando, mas Kate os tranqüilizava pedindo mais tempo.
Mas tentativas falhas levaram Esme a se aproximar de Edward e lhe falar com carinho.
- Edward... Estão nos esperando para irmos – lhe sussurrou com carinho e o pequeno lhe respondeu com um bufar seco "Não vou".
- Amor, mas amanhã você pode tentar outra vez. Papai está nos esperando – Edward se remexeu incomodado quando sua mão lhe tocou o braço.
- Mamãe só mais uma vez – Esme assentiu com um sorriso vendo seu pequeno colocar novamente suas mãos em posição.
- Eu gosto de você Isabella Swan – disse de maneira perfeita por sinais. Kate sorriu emocionada ao ver como Edward tinha conseguido. Bella deixou cair uma lágrima em sua bochecha.
- Não chore – disse enquanto a abraçava ternamente – Tenho que ir. Amanhã a gente se vê...
Edward se afastou da menina que pegou a mão de seu pai e viu como o super- herói de seu coração partia de mãos dadas com sua mãe.
- Gostou da escola? – perguntou Charlie em libras e sua filha respondeu com a mãozinha feito punho o sinal universal de sim – Quer voltar amanhã? – A menina repetiu o gesto e sorriu.
De volta à delegacia seus tios tinham uma surpresa pra ela. Em uma das paredes do lugar tinham colocado uma ardósia* branca decorada com letras coloridas. Junto dela tinha o mapa do Estado de Washington e uma pequena bandeira dos Estados Unidos dando a sombria delegacia o ar de uma sala de aula.
NT: Pedra vulcânica*
Harry foi o primeiro a pegá-la nos braços e lhe fazer cosquinhas seguido pelo resto dos agentes que queriam saber tudo sobre o primeiro dia na escola da pequena. Charlie lhes contou sobre a história de Kate com sua irmã Irina e em como todos foram amáveis com a pequena Bells. Todos os seus companheiros o encorajou de que deixasse Bells nessa escola, e ter Kate como sua professora podia ser uma benção para Bella e que Charlie não podia deixar de aproveitar essa oportunidade de superação de sua menina.
Depois de uma tarde rápida de trabalho e uma janta de microondas, Charlie levou Bella pra cama um pouco depois das 8 da noite. A jornada do dia seguinte começaria muito cedo e a menina precisava repor as energias.
Enquanto as luzes se apagavam cedo na casa dos Swan, na casa dos Cullen acontecia algo muito diferente. Sentados na sala Edward comentava emocionado ao seu pai sobre a aventura de hoje, lhe falando de uma menina que não ouvia, mas que ele aprenderia a se comunicar com ela. Seu pai lhe sorria enquanto escutava atento e se lembrava que a pequena menina de quem tanto Edward falava era também sua paciente, a filha do chefe de polícia, a adorável Isabella Swan.
- Edward... Você está me deixando louca! Estou tentando ver os Smurfs e você não me deixa ouvir – gritou irritada Rosalie que estava atenta olhando seu programa favorito na TV da sala.
- Rosalie! – lhe chamou atenção Esme – Não grite com Edward.
- Mamãe, ele não tem feito nada desde que voltou da escola que não seja falar dessa menina. Que Isabella isso, Isabella aquilo... Já estou cansada de saber sobre essa tola menina surda!
- Rosalie! – Desta vez foi Carlisle quem falou – Isso foi muito feio. Desligue por favor, a TV e vá para seu quarto.
- Mas papai o programa não terminou ainda – disse a menina cruzando os braços sobre o peito.
- Não quero saber, terminou pra você. Suba, agora... – Rosalie deu um olhar envenenado aos seus pais e a seu irmão e subiu pisando forte as escadas.
- Muito bem campeão, eu gosto que você tente se comunicar com ela. Isabella é uma menina que mesmo muito pequenininha passou por muita coisa triste e você sendo seu amiguinho vai ajudar muito ela.
- Eu sou seu super-herói papai. – respondeu inflando seu peito e subindo no sofá para ficar mais alto.
- Certo super- herói, esta na hora de ir pra cama. – Carlisle o pegou nos braços e o levou pra seu quarto. Depois de um banho com seu pato de borracha e de colocar o seu pijama Edward caiu num sono profundo.
Na manhã seguinte quando Esme entrou no quarto de Edward notou algumas coisas diferentes das outras manhãs. Primeiro as cortinas já estavam abertas e Edward acordado coçando os olhos e o segundo e mais estranho era que a mamadeira que amanhecia vazia estava intacta. Edward nem tinha chegado perto.
- Oi meu príncipe – sussurrou sua mãe aproximando-se e deixando um beijo em seus cabelos acobreados – Que milagre é esse?
- Quero ir pra escola pra ver Isabella – respondeu com um bocejo.
- Acho que essa menininha merece que hoje eu lhe mande mais gelatinas por fazer meu campeão querer ir pra escola – o pequeno assentiu e com um salto saiu da cama.
Esme lhe ajudou a se vestir e a descer para tomar seu café. Rosalie desceu minutos depois e em silêncio se sentou para o café. Ainda estava chateada e seus pais sabiam disso, mas o caráter de Rosalie era forte e eles não podiam ser fracos com ela ou em alguns anos seriam seus fantoches manejados ao seu gosto.
Terminando seu café Edward pegou sua mochila com seu lanche e percebeu ela pesada. Abrindo–a no chão viu que sua mãe tinha deixado sua mamadeira ali. O pequeno negando com a cabeça a tirou de dentro deixando-a em cima da mesa. Sua mãe lhe olhou espantada e se aproximou.
- O que você tem meu amor? A mamadeira da noite estava cheia também.
- Os super-heróis não tomam mamadeira... E eu sou um – sorriu autoconfiante – E Isabella já não toma mais mamadeira e eu também não vou tomar – sua mãe sorriu negando com a cabeça. Ao que parecia a presença de Isabella na vida do seu filho provocaria mudanças radicais, começando pela mamadeira.
Carlisle levou eles como em todas as manhãs. Ao sair do carro Edward correu até sua sala para verificar um pequeno detalhe. Seu rosto se iluminou quando viu na mesma cadeira a pequena de olhos profundos de chocolate. Sua Isabella tinha voltado mais um dia.
A aula do dia se baseou nos sons que produzimos quando falamos como introdução a terapia de linguagem que Kate desenvolveria com Isabella.
- É muito importante meus lindos que todos aprendamos a falar bem quando estivermos perto de Bella.
- Porque professora Kate? – perguntou Ângela.
- Porque haverá momentos em que Isabella poderá se comunicar por sinais, mas quando não entender o que lhe disserem, ela terá que ler os lábios. Se falarmos muito rápido ou de maneira incorreta ela não vai entender assim vamos aprender a falar muito bem as palavras para que ela nos entenda. Estamos de acordo?
- Sim! – respondeu emocionando Edward ao lado de Bella que tocou sua mão com carinho – Eu vou falar bem pra que você me entenda sempre.
A pequena sorriu e inclinou sua cabeça. Estavam repassando os sons do P, M, K e Q, esses dois últimos eram mais difíceis para as pessoas surdas diferenciar por parecerem com o A e o U.
Mais um dia se passava na escola e com ele vinha a tristeza da despedida de Edward e Bella. E cada vez mais Edward conseguia lhe dizer que gostava muito dela mais rapidamente, tanto que no fim dessa semana Bella devolveu o gesto respondendo que também gostava dele lhe dando depois um abraço.
Os dias começaram a passar naquela sala de aula. Charlie lentamente diminuía suas horas naquela escola até o ponto em que não precisava mais estar junto a Bella na sala, ela por sua vez começava a dar indícios de progresso à medida que sua timidez sumia se comunicando mais facilmente.
A relação de Edward com ela se voltava cada vez mais próxima com os dias. Sentavam-se juntos na sala e também no recreio. Ficavam magicamente dentro de sua bolha silenciosa onde não precisava falar nada pra se dizer tudo. Uma linda relação começava a nascer entre os pequenos.
Em uma manhã de Junho enquanto os Cullen tomavam café, Esme mencionou alguma coisa sobre o aniversário de Edward e este sorriu imaginando como seria a sua festa. Já era um homem crescido e completaria 4 anos. Escutou seus pais falando sobre os convidados quando veio um nome em sua cabeça.
- Bella! Ela tem que vir! – disse mastigando seu cereal. Sua mãe lhe olhou com reprovação o vendo falar de boca cheia e ele lhe sussurrou um tímido pedido de desculpas.
- Vamos convidar todos os seus amiguinhos da sala – comentou Carlisle antes de tomar um gole de seu café.
- Posso convidar as meninas da minha sala? – perguntou Rosalie de maneira tímida. Depois do acontecimento daquela noite, aos poucos a menina se controlava com o que dizia na frente dos seus pais e irmão. Carlisle e Esme conversaram com ela depois dizendo que porque Isabella não podia escutar não a fazia menos do que qualquer um, sendo ela ou Edward ou qualquer criança na escola. Rosalie pediu desculpas aos seus pais prometendo ser mais cuidadosa quando falasse da amiga de Edward.
- Claro que pode convidar princesa – respondeu sua mãe. A menina assentiu e continuou seu café.
Na semana seguinte Esme levou os convites do aniversário pra escola do pequeno Edward que dividiu na sala. Todos pegaram o seu com alegria menos Isabella.
- O que foi Bella? – perguntou lentamente Edward. A pequena que aprendia a ler os lábios entendeu com perfeição a pergunta dele.
- Nunca fui em um aniversário – lhe disse sinalizando para Edward. O pequeno não entendeu o que ela disse e foi chamar a professora.
- O que foi Edward? – aproximou-se a professora enquanto o restante da turma comentava sobre a festa de Edward.
- Ela me disse alguma coisa, mas eu não entendi – lhe disse frustrado. Kate sorriu e perguntou a Bella o que ela tinha dito. Bella repetiu e Kate assentiu tocando sua bochecha.
- Edward, Bella nunca foi a um aniversário. Tem um pouco de medo – Edward estalou sua língua e a abraçou rapidamente. Se separando dela ele falou pra professora.
- Você pode dizer pra ela não ter medo? Eu vou ficar sempre do lado dela... – Kate sorriu ao notar o que significava o sempre na frase de Edward. Sempre que estiver feliz, sempre que estiver triste. Sempre quando conquistar algo, sempre quando alguém quiser que ela se sinta diferente. Kate olhou por um segundo para Edward e viu sua determinação, sim, estava certo... Edward sempre estaria ao lado de Bella.
Era 20 de Junho, aniversário de Edward. A decoração feita por Esme não podia ser diferente do homem aranha, desde as toalhas de mesa, guardanapos, copos e as piñatas*. O teto tinha falsas teias enormes de aranha dando a impressão de que a qualquer momento Peter Park saltaria delas pra lutar contra os malfeitores.
NT: Piñata é um vasilhame de cerâmica que pode ter a forma de uma cabeça de animal ou boneco (a) cheio de doces, que fica suspenso nas festas esperando que o quebrem, é usado nos países de língua hispânica*.
Aos poucos os convidados foram chegando. Edward escolhendo o que queria vestir usava uma roupa formal, um colete e uma gravata borboleta preta dando um toque de elegância com sua camisa branca e sua calça de tecido caro. Parecendo um cavalheirinho daqueles que dão vontade de matar de beijos só de olhar.
A maioria dos presentes que recebeu eram de acordo com o tema da festa. Bonecos do homem aranha, camisas, mochila do personagem. Todos bem parecidos, nada diferente do que ele já tinha em seu quarto. Edward ainda não sabia ver as horas, mas sabia que era tarde e Isabella com seu pai não tinham chegado ainda na festa.
Por um momento temeu que sua menina de olhos castanhos não fosse pra sua festa, medo que foi embora quando ele a viu entrar usando um lindo vestido branco e de cabelos soltos com algumas flores da mesma cor do vestido. No rosto de Edward se escancarou um sorriso e ele correu até a porta, mas foi parado por Jessica que tinha chegado um pouco antes de Bella.
- Olha Edward! – lhe estendeu uma caixa enorme interrompendo seu encontro com a pequena Bella – É o seu presente, feliz aniversário!- O menino enrugou a testa e se afastou rápido de Jessica – Ei! – gritou Jessica.
- Você veio! – disse enquanto com força abraçava Isabella que assentia. Esme que estava perto da porta agradeceu a Charlie por levar Bella e Charlie se desculpou por ter chegado tarde explicando que teve uma emergência na delegacia.
- Se quiser pode deixá-la aqui chefe Swan. Ela estará segura com a gente... Eu pessoalmente cuidarei dela – Charlie relutante aceitou deixar a pequena Bells com Esme, já que ela não deixaria que nada acontecesse com sua filha.
Isabella via mais crianças chegarem com caixas grandes nas mãos e se sentiu envergonhada pelo seu presente ser pequeno, mas era algo que ela tinha levado muitos dias fazendo e tinha posto nele todo o seu coração.
A pequena olhou a casa rapidamente e viu que tinha um espaço interno. Pegou a mão de Edward e cruzaram rápido a sala.
- Essa não é menina surda da escola? – ouviu dizer Lauren, uma das amigas de Rosalie – Não sabia que sua família se juntava com gente estranha – a pequena Rosalie negou e saiu envergonhada da sala até a cozinha.
- Vamos pra onde? – perguntou curioso Edward. Isabella seguiu caminhando até o pátio afastado. O lugar era bonito, tinha um gramado bem cuidado e muitas flores coloridas. Mesmo podendo sujar seu lindo vestido e sem ligar pra isso Bella se sentou na grama.
- O que vamos fazer aqui? – perguntou Edward que sentava de frente pra ela. De um bolsinho de seu vestido na parte de trás Bella tirou um papel bem dobrado e deu a Edward. Ele olhou estranhando um segundo – É meu presente? – Bella concordou quando entendeu o que ele disse.
Com cuidado o menino desdobrou o papel pra ver o que tinha ali. Nele tinha um bonito desenho. De maneira disforme, mas ainda clara se via dois bonecos; uma menina e um menino de mãos dadas, debaixo deles um enorme coração pintado de giz de cera vermelho.
- É eu e você? – perguntou e ela assentiu – Juntos pra sempre – foi sua sentença. Aproximou-se dela pra agradecer, mas sentiu algo diferente das outras vezes em que abraçava o pequeno corpo de Bella. Lembrou de como seu papai fazia com sua mãe quando ela preparava sua comida favorita e tentou imitar.
Se aproximou e no ato mais inocente do mundo encostou seus lábio no dela, assim como fazia seu pai. A pequena se surpreendeu e abriu os olhos como pratos, mas não se afastou. Fração de segundos foi o que durou aquele beijo inocente, mas foi o suficiente para perceber que...
Naquela tarde, um desenho, uma promessa e um beijo marcariam suas vidas para sempre.
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Gente, essa é minha primeira tradução.
Espero que gostem
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Beijos no core
Muito fofo esse mini Edward não? Quem não quer um? Sempre muito protetor com a Bellinha e Rosalie já ciumenta com ela... E quem não lembra do Edward falando português em BD? Imagina como não seria isso em miniatura... Como recordou Nenis.
Bem gente, só pra avisar. No capítulo anterior eu cometi um erro de tradução quando Rosalie foi descrita, não era pra ser "(...) seu cabelo vermelho bonito (...)" e sim seu lindo cabelo loiro lhe caia (...), me passou despercebido e acredito que a Leili também, desculpem por esse erro. Tentei editar, mas o FF é temperamental com isso. Grande beijo e um ótimo Ano Novo para todas!
