Capítulo Dois – Farah Gryffin
Os dois grifinórios pararam para ver o sol se pondo no horizonte. O céu estava em cores quentes, uma mistura de vermelho com rosa. Era bonito de se ver, de um lado o quente do dia, do outro o manto negro da noite que se estendia para englobar todo o espaço. Aquele primeiro dia de aula havia sido cansativo, muitas aulas em horários próximos e dezenas de deveres de casa para fazer.
- É impressionante. – Rufus disse após o último raio solar sumir e a lua cheia aparecer detrás das nuvens, jogando uma luz prateada sobre os recortes naturais dos terrenos de Hogwarts.
- Muito. – James concordou, ajeitando a mochila e subindo os degraus da escadaria de pedra sem pressa. Eles estavam voltando da aula de Trato das Criaturas Mágicas. – Mas claro que assistir isso com você estraga o clima, nada contra.
Eles riram.
- Aposto que seria bem melhor se eu virasse Julianne Fudge. – Rufus abriu a pesada porta de carvalho e agradeceu pelo calor dos archotes já acesos nas paredes.
- Com certeza. – James esboçou um sorriso satisfeito ao lembrar-se da conversa que tivera com a menina durante a manhã. Ainda encontrara com ela durante a tarde, mas havia trocado apenas cumprimentos por que ele havia se atrasado para aula e ela estava rodeada do grupo de amigas.
- Sabe de uma coisa? Eu acho que você deveria logo chegar mais junto dela, James. – Rufus disse enquanto eles se encaminhavam para os andares superiores. O jantar ainda estava longe e ambos estavam suados e esgotados. – Todo mundo sabe que você arrasta a asa pra ela, e acho que ela pra você também. Então pra que ficar enrolando?
- A pressa é inimiga da perfeição, Rufus. – James respondeu ajeitando os óculos, sorrindo sabiamente. – E eu quero que tudo seja perfeito com ela.
O outro apenas o olhou com descrença. James ficava realmente idiota quando o assunto se tratava da Sonserina. Ele mesmo tinha consciência de que se ela lhe pedisse para comer vidro ele faria isso com todo o prazer, e ainda declamando algum poema bem meloso durante o ato.
Os dois entraram na Sala Comunal da Grifinória. O local estava cheio, mas muitos alunos ainda estavam pelo castelo por que boa parte das poltronas e mesas estavam vazias. Eles acenaram para alguns conhecidos e subiram para o dormitório.
- Hei, você viu? – Rufus perguntou quando os dois jogavam as mochilas em um canto qualquer.
- Vi o quê? – James perguntou despindo o uniforme. O suor já o incomodava.
- Gryffin. – Rufus disse pegando uma toalha felpuda e colocando sobre os ombros. – Ela estava lá embaixo. Lendo.
- Sério? – James franziu o cenho, tentando se lembrar dela, mas em vão. – Não vi.
- Estava afastada. Perto da janela oeste. – Rufus disse descendo as escadas junto com o outro para o banheiro. – Parecia bem alheia a qualquer pessoa ali.
- Hum, deve ser um dom. – James opinou sem interesse. Sabia que tinha que falar com a outra, até mesmo para prestar condolências por Angelus, um assunto que vinha tentando evitar pensar a qualquer custo. A idéia de que o outro havia morrido não estava conseguindo ser processada. Mas ainda assim, estava relutante em fazer aquilo.
Rufus apenas deu ombros e entrou num Box. Às vezes a falta de tato de James o deixava aborrecido. Parecia que tudo o que não se tratava dele era desprezível. Tentou afogar esses pensamentos, afinal, Potter era seu melhor amigo.
- Vou descer logo, tenho que falar com a minha irmã. – Rufus avisou, abrindo a porta e saindo.
Os dois estavam no dormitório, cada um jogado em sua cama, enquanto debatiam táticas de Quadribol e tentavam driblar a fome que apertava a cada hora que passava. Felizmente o jantar seria dali à uma hora.
- Certo. – James bocejou, anotando algumas coisas numa espécie de prancheta. Por fim terminou e se levantou num salto, quanto mais cedo formasse o time de Quadribol, mais rápido poderiam começar a treinar para o campeonato. Com um pergaminho em mãos ele ajeitou o suéter com o símbolo da Grifinória e desceu as escadas, pulando de dois em dois degraus.
Chegou a Sala e foi chamado por umas cinco pessoas ao mesmo tempo. Sorriu, e abanou as mãos, pedindo educadamente para que cada um esperasse. E a passos largos foi até o mural de avisos, pegando uma tachinha e colocando ali o pergaminho com o horário dos testes de Quadribol e o dia. Mal deu três passos e muitas pessoas voaram para ler o conteúdo.
- James. – Uma voz suave o chamou e ele girou, observando a figura de cabelos loiros e olhos terrivelmente azuis que estava sentada numa poltrona, acariciando um gato branco, enquanto enfeitiçava uma pena para escrever algo que ditava.
Ele se aproximou, enfiando a mãos nos bolsos e ciente do considerável número de pessoas que estavam tentando lhe chamar a atenção para falar alguma coisa. Ele soltou um suspiro, fingindo cansaço, mas estava exultante. Havia sentido falta de toda aquela atenção durante as férias.
- Sammy. – Ele sorriu, abaixando-se para lhe dar um beijo no rosto. – Como foram as férias?
- Maravilhosas. – Ela respondeu abrindo um sorriso que fez alguns garotos prenderem a respiração. James revirou os olhos, mas achou tudo muito cômico, principalmente pelo fato da garota ignorar todos e se fixar nele. – Fui para os Estados Unidos.
- Tirou foto na Estátua? – Ele brincou, ajeitando os óculos enquanto ela dava uma risadinha que arrancou suspiros.
- Não. Mas nem é sobre isso que quero falar com você. – Ela alisou o pêlo do gato e com cuidado o colocou no chão. – Aquele papel era do teste?
- Sim. – James respondeu olhando para o amontoado que ainda se formava na frente do mural. Só esperava que muitos não fossem aparecer por que queria terminar aquela fase o quanto antes para começar os treinos.
- Quando vai ser? – Perguntou, agora entrelaçando os dedos nos cabelos dourados.
- Depois de amanhã, às cinco. – Ele respondeu. Sabia que Samaire Wood não era garota de ficar se acotovelando com outras pessoas para saber de alguma coisa. Ela ia direto a fonte. – Por quê?
Eles se conheciam desde antes de Hogwarts, nunca foram amigos, mas sempre se respeitaram, mantendo um ar de coleguismo estável. Ela era extremamente mimada, mas ele não ligava muito para isso, por que talvez ele próprio fosse. Tinham personalidades até parecidas, só que enquanto ele preferia a agitação e as pessoas, Samaire gostava mais de observar tudo do seu trono.
- Acho que vou fazer. – Ela piscou, falando tudo suavemente e James ficou atônito.
- Como? Você... Jogar Quadribol? – Perguntou tentando não soar debochado, que era o tom que sempre tinha para coisas absurdas como aquelas.
- Seu espanto me comove. – Ela sorriu satisfeita. – Sim. Estou entediada e quero fazer alguma coisa, andei pensando, por que não jogar?
- Samaire... Estamos falando de Quadribol. Não é só ficar voando com a vassoura, você sabe. – James tentou por algum juízo na mente dela. Tinha certeza que a garota só queria isso por capricho, pra dizer que podia fazer qualquer coisa em Hogwarts.
- Sei sim. Esqueceu que meus pais são Oliver Wood e Alícia Spinett? – Ela perguntou tão suave quanto antes, mas um brilho de determinação no olhar.
- Claro que não. – Ele sorriu desculpando-se. Como se ela deixasse alguém esquecer que era filha de dois grandes jogadores de Quadribol. Tudo bem, ele também não deixava que se esquecessem que era filho de Harry Potter e Ginevra Weasley. Era a vida. – É só que... Será estranho ver você jogando Quadribol, apenas isso.
- Pois se acostume. – Ela levantou o rosto para encará-lo diretamente nos olhos. Uma sensação que ele já estava adaptado vindo dela. – Por que eu vou passar no teste.
- Vamos ver. – Ele disse diplomaticamente e acenou se afastando, quando um monte de novatos voou sobre ele para tirar dúvidas sobre o teste. Ele tentou responder a todos calmamente e sem ser rude, mas às vezes aquilo o irritava, principalmente quando alguns vinham fazer perguntas idiotas.
Após uns dez minutos tirando dúvidas e dando conselhos ele pediu licença. Não conseguiria chegar ao Salão Principal sem que fossem com ele para conversar e tampouco ficar sozinho ali sem que alguém se aproximasse para a mesma coisa. Então sua alternativa foi a garota solitária próximo a janela. Ele não a vira desviar os olhos do livro em nenhum momento, mesmo com toda a balbúrdia do local. Percebeu que alguns dos amigos de ano a lançavam olhares, mas ela estava alheia a tudo.
- Gryffin? – Ele finalmente conseguiu se aproximar, parando a uma distância aceitável dela, com a mão enfiada nos bolsos e um sorriso simpático no rosto.
- O que foi? – Ela perguntou depois de alguns momentos, os sinais corporais de James para tentar um contato amigável sendo ignorados já que ela sequer se deu ao trabalho de levantar os olhos para encará-lo. Sua voz era tão suave quanto à de Samaire, mas o timbre era mais firme e menos agudo.
- Eu... Posso falar com você? – Ele perguntou já incerto de como agir. Talvez devesse ter esperado por Rufus para que eles pudessem fazer isso juntos. O amigo parecia ter talento para lidar com situações constragedoras como aquela.
- Já está falando. – Ela retorquiu ainda suavemente, mas uma ponta de ironia foi captada por James, que começou a se sentir realmente incomodado pelo tratamento frio que estava recebendo da garota.
- Poderia olhar pra mim, ao menos? – Perguntou por fim, não estava acostumado as pessoas não estarem olhando para ele enquanto falava. Era como se nem estivesse ali.
Ela soltou um suspiro e lentamente levantou os olhos até encará-lo.
James se sentiu como se tivesse levado um choque. O luar e a chama da lareira lhe davam uma aparência surreal. Ela tinha a tez pálida, os olhos eram tão azuis que chegavam a ser violetas, o rosto era oval, o queixo delicado assim com o nariz que era comprido e arrebitado na ponta lhe dando um ar travesso. A boca era cheia e vermelha e estavam curvadas num sorriso debochado. Seus cabelos caíam sobre os ombros, eram de um acobreado suave e discreto e as pestanas extremamente claras.
- Pronto. – Ela disse. – Melhor pra você?
Ele piscou algumas vezes, se recuperando do choque.
- Sim. – Pigarreou alisando o suéter para se distrair. – Escute... Eu soube do seu irmão.
- Do suicídio e ataque esquizofrênico dele? – Ela perguntou carregada de sarcasmo, arqueando uma das sobrancelhas.
- Angelus não faria nada disso e não era esquizofrênico. – James bradou irritado por ela pensar que ele havia acreditado naquelas mentiras. – Eu o conheci!
- Eu sei. – Ela deu ombros e voltou o olhar para o livro. – Muita gente conheceu, mas isso não foi tão real quanto um pedaço de papel impresso.
Ele mordeu o lábio, inseguro de falar qualquer coisa. O tom de voz dela demonstrava impaciência, mas sobre tudo ironia pesada e frieza.
- Escute... Eu sinto... Muito. De verdade. – Ele falou ao cabo de alguns minutos em silêncio. Olhava para além da janela, tentando ser solidário. – Angelus era um cara muito legal, amava Quadribol e era muito bom jogador. Ele me escreveu falando sobre o Puddlemere e tudo e...
- Chega. – Ela o cortou, se levantando. Seu tom de voz era frio e seu rosto estava sério, mas os olhos brilhantes lhe entregavam a tristeza que corroia dentro dela. – Condolências aceitas, Potter. Não esforce tanto seus neurônios para parecer saudoso.
- Não estava fazendo isso! – Ele retorquiu tentando controlar a irritação.
- Então estava tentando fazer o quê? – Ela perguntou sarcástica. – Trocar figurinhas?
- Não! – Ele respondeu mal-humorado. – Gryffin... Por que você está agindo assim?
- Por que eu não estou pedindo compaixão de ninguém. – Ela respondeu seca. – Guarde a sua pra quem realmente necessitar dela.
Ele abriu a boca para responder, mas a garota já havia se dirigido ao dormitório feminino. Soltou um impropério, encarando alguns alunos que estavam prestando atenção no diálogo e saiu da Sala Comunal.
Entrou no salão principal e procurou Rufus com os olhos, viu que ele estava na mesa da Lufa-Lufa com a irmã e suspirou procurando algum lugar na Grifinória e acenando, tentando ser simpático, com as pessoas que lhe cumprimentavam. Sentou-se no centro da mesa, como sempre, e logo sua irmã veio se juntar a ele. Lily andava como se estivesse dançando balé.
- Que cara foi essa? Comeu feijãozinho sabor vômito de novo? – Ela perguntou cutucando-o, sorrindo.
- Quase isso. – Ele respondeu carrancudo. – A culpa é sua.
- Minha? – Lily arregalou os olhos, confusa. – Mas o que eu fiz dessa vez?
- Aconselhou eu ir falar com Gryffin. – James respondeu ainda mais carrancudo. – Não lembrava de ela ser tão estúpida.
Lily ficou quieta por alguns momentos e então riu.
- O que foi? Ela te azarou? Mandou você ir se catar?
- Mais ou menos a última. – James respondeu revirando os olhos ao ver sua indignação ser motivo de piada para a caçula. – Ela é muito idiota se quer saber. Por isso ninguém gosta dela.
- Eu gosto. – Lily disse apoiando o queixo nas mãos. – Gryffin é fantástica. Você nunca a viu praticando um duelo, aposto como ela consegue te vencer de olhos fechados. E ninguém se mete com ela à toa.
- Nossa, virei fã. – James disse debochadamente, imaginando que sua irmã com certeza estaria fantasiando demais sobre a figura da outra.
- Ah, James. Não seja tão imbecil. – Lily revirou os olhos. – Ficou nervoso só por que ela não pediu seu autógrafo e beijou seus pés quando foi falar com ela?
Ele realmente se perguntava por que não havia matado Lily sem querer quando ela era criança. A irmã era petulante ao extremo. Mas resolveu ignorar o assalto ao seu ego já sofrido por conta da outra e pensou em como se livrar de Gryffin, certamente que depois do tratamento que ela lhe dispensara, não estava lhe apetecendo tentar travar outro diálogo com ela tão cedo.
- Se você a quiser no time, fale com ela. Já que você é fã e tudo mais e parece ser super amiga dela. – James decidiu, satisfeito ao ver as travessas de prata vazias se encherem a sua frente.
- Eu já disse que tentei. – Lily revirou os olhos. – Mas ela não quer. E infelizmente ela não é minha amiga, só me trata bem por que eu sempre a tratei bem também. Coisas de 'poção por poção, varinha por varinha'.
- Então por que ela me sacaneou? – James perguntou indignado. – Eu nunca nem tratei ela mal!
- Ah James... Você ainda pergunta essas coisas? – Lily soltou um suspiro cansado. – Pelo amor de Deus, só o seu peito estufado e o seu ego já tratam mal muitas pessoas. E Gryffin não suporta esse tipo de coisa.
- Hei! Isso não é verdade! – Ele resmungou enquanto enchia o prato e logo franziu o cenho. – E que tipo coisa?
- Todo esse favoritismo e fissuração que as pessoas de Hogwarts têm. – Lily deu ombros também se servindo. – Em parte eu concordo com ela. Você fica muito insuportável quando está rodeado de pessoas que massageiam seu ego enorme.
- Meu ego não é enorme. – Ele retrucou mal-humorado.
- Não mesmo, ele é enormemente gigantesco e monstruoso. – Completou Lily com um sorriso inocente, começando a comer.
James apenas a olhou com indignação e voltou a comer. Não tinha sentido discutir com a irmã. Provavelmente ela era a única pessoa que conseguia lhe vencer em discussões e teimosia. Mas algo lhe dizia que não seria mais a única.
- Gryffin, espere! – James se xingou internamente, mas ainda assim apertou o passo para alcançar a garota quando a vira andando sozinha no corredor.
O jantar ainda não havia terminado, mas ele decidiu subir logo pois acabaria azarando a irmã em pleno salão. Lily estava insuportavelmente implicante com ele naquela noite e Rufus, que se unira aos dois mais tarde, apenas se divertia e incentivava a garota. Os dois pareciam ter um complô para lhe tirar do sério.
- O que é? – Ela perguntou no tom de voz suave de sempre, mas não diminuiu o passo. Muito pelo contrário, continuava andando como se ele nem estivesse ali.
- Escute, você me entendeu errado ainda agora. – James começou e esperou, viu que não foi interrompido e resolveu continuar. – Eu não estava tentando demonstrar compaixão nem nada assim. Mal consigo processar que Angelus foi... Ele era um amigo pra mim, não só alguém que estudou em Hogwarts e conseguiu um emprego num clube legal.
Ela continuou com olhar fixo em algum ponto na frente, os passos calmos e sem pressa, mas ele pode ter jurado que sua expressão sarcástica havia se suavizado. Menos mal, ela já o deixava completar grandes sentenças.
- Tudo bem. – Disse por fim, olhando-o de soslaio. – Ele também o considerava um amigo, Potter.
James sorriu, bagunçando os cabelos. Mas então pensou em algo que o havia deixado intrigado e resolveu perguntar já que ela ainda não o tinha enxotado dali ou simplesmente partido.
- Ele... Como ele morreu? – Perguntou vendo-a vacilar no andar e parar.
- Pra que você quer saber isso? – Ela se virou de frente para ele, as sobrancelhas franzidas e uma cara desconfiada.
- Por que eu não acredito no Profeta. – Ele declarou. – Já disse isso.
- Eu sei. – Ela revirou os olhos e disse um tom seco. – Mas do que isso te interessa? Não vai mudar nada na sua vida.
- Custa você simplesmente responder? – James perguntou carrancudo. – Muda sim. Ele era meu amigo, quero saber a verdade.
- Custa, Potter. É pessoal e até onde me consta, você não é da família. – Ela retrucou no tom suave de sempre. – Agora, com licença.
Ele a chamou, mas Farah continuou o caminho, resoluta.
- Mais que merda. – James soltou um suspiro, passando a mão pelos cabelos e voltando a andar em direção a Sala Comunal enquanto tentava entender o comportamento daquela garota. Talvez ela é quem tivesse problemas.
Na verdade, ele estava começando a achar que era melhor que não a convencesse a tentar o teste de Quadribol por que se Farah fosse tão boa assim para entrar no time ele teria que treinar e conviver com ela. E certamente que aquele gênio e aquela atitude o fariam ficar estressado com muita facilidade. E a coisa mais importante que um time tinha que ter, depois do treinamento, era um bom entrosamento. O que estava se mostrando impossível caso ela fizesse parte.
Suspirou entrando na sala comunal e ficou surpreso ao ver Farah encostada na parede, com os braços cruzados e olhando diretamente para ele. Ficou quieto enquanto a acompanhava com olhar vir andando até parar em frente a ele.
- Me desculpe. – Disse séria. Seu tom não mostrava arrependimento nenhum, na verdade, aquele tom suave não mostrava absolutamente nada. Se ela falasse do tempo teria mais emoção do que aquilo.
- Tudo bem. Talvez eu tenha me intrometido demais mesmo. – James tentou relevar a situação, seu ego dando contrações de alegria ao ver que ela pelo menos reconhecera a grosseria com ele.
- Não. Acho que... Você tem razão. – Ela deu ombros, ainda no tom suave. – Bem, não sabemos na verdade. Alguns Aurores estão investigando o caso, a suspeita é que tenha sido alguma azaração de mau-gosto.
- Azaração? – James perguntou chocado.
- É. Pessoas que vão aos jogos e ficam murmurando azarações para tentar fazer os jogadores caírem das vassouras ou então perderem o passe, coisas assim. – Ela revirou os olhos, mas havia um tom amargo na sua voz. – Só que com o tempo ruim, talvez tudo tenha tomado proporções fatais...
- Que absurdo. – Ele murmurou, custando a acreditar.
- Eu sei. – Ela apenas franziu o cenho. – Enfim, pergunta respondida?
- Sim. – James respondeu com um sorriso simpático que foi ignorado de prontidão, por que ela apenas meneou a cabeça e girou sobre os calcanhares indo para o dormitório feminino.
Definitivamente complicada, ele pensou erguendo os olhos para o teto e indo jogar em algum sofá disponível para pensar sobre o assunto.
Talvez devesse mandar uma carta para seu pai e tentar saber de alguma coisa. Vai ver ela tivesse mentido apenas para enganá-lo fingindo ter se redimido. Do jeito que Farah Gryffin estava se mostrando para ele, James não duvidava nada de que fizesse isso sem nenhuma culpa.
N/A: Então, depois de anos, eu achei o arquivo dessa fanfic, reli e resolvi fazer um esforço para continuar. :)
