Olá! Mais um capítulo! Espero que gostem e me digam o que estão achando! Obrigada pelos reviews! Beijos! XD
Cap. 3 – Voltando a viver
No capítulo anterior...
A alma de Ginny desfalecia. Sua dor era imensa. O que seria dela agora? O que faria?
Assim que tudo acabou, todos voltaram para suas casas. Ginny saiu do cemitério amparada por Snape. Quase não conseguia ficar em pé. Queria sumir, encerrar por ali, acabar com tudo. Passou vários dias no quarto, deitada, dormindo quase o tempo todo. Tomava doses perigosas de calmante. Só queria esquecer.
Seu quarto era uma suíte, então Ginny não precisava sair dele nem para tomar banho ou usar o banheiro. E as refeições eram levadas até o quarto pelas empregadas. Quase não comia.
Luna passava por lá quase todos os dias. Mas quase sempre a encontrava dormindo. Entrava no quarto, dava um beijo na amiga, ficava olhando-a um tempo e depois saía. Estava preocupada, mas não podia fazer nada por enquanto. Só esperava que Ginny reagisse logo. Nas raras vezes que a encontrava acordada, não falava nada sobre o crime, apenas sentava na cama ao lado de Ginny e lia um pouco alguns de seus romances favoritos. Luna tinha a voz extremamente suave. Isso acalmava Ginny.
Snape agora era tutor de Ginny até que ela atingisse a maioridade. Cuidou de todos os documentos e agora tomaria conta das inúmeras propriedades e bens da família Weasley. Fez investimentos pensando no futuro e tudo começou a dar lucros. A fortuna de Ginny só aumentava a cada dia. Mas ela nem queria saber disso. Agradecia a Deus por ter seu padrinho pra cuidar de tudo. Ainda bem que era de confiança, pois ela nunca teria cabeça para cuidar de nada. Ainda mais, Ginny era apenas uma menina, havia acabado de completar quinze anos. Não entendia de finanças e nem queria entender por enquanto.
Os dias foram passando e nenhuma pista sobre assassinos. A perícia colheu todo material que pôde. Desde fios de cabelo, fibras de tecidos e impressões digitais. Tudo levava a pessoas conhecidas e fora de suspeita. Nada podia ser feito por enquanto. Suspeitava-se muito de Lúcio Malfoy, um dos traficantes de armas mais poderosos da Inglaterra. Arthur Weasley conseguiu destruir toda a organização de Lúcio. Praticamente todos os integrantes da máfia estavam presos. Até mesmo o filho mais velho de Lúcio estava em uma penitenciária de segurança máxima. Arthur foi reunindo provas e mais provas para incriminar todos. Lúcio só não estava preso porque conseguiu fugir quando sua prisão foi decretada. Para alguns, isso bastava para Lúcio matar Arthur e sua família. Lúcio não era o tipo de pessoa que mandava recado. Ele mandava matar mesmo. Mas, nenhuma prova realmente concreta que ligasse Lúcio ao assassinato da família Weasley foi encontrada.
Mas, mesmo assim, Lúcio era procurado com todas as forças que a polícia conseguia reunir. Agentes secretos foram espalhados por todos os cantos da Inglaterra. Aeroportos eram vigiados. Todas as pistas minuciosamente investigadas. Algumas ligações anônimas eram feitas dizendo que Lúcio havia sido visto tentando deixar o país, ou que estava em algum hotelzinho fuleiro, ou dirigindo pelas estradas estaduais. Todos queriam ajudar, e acabavam ligando pra polícia sempre que viam algum loiro de cabelos compridos vagando por aí. Mas, às vezes acabavam apenas confundindo as investigações. Lúcio era um cara esperto. Não iria ser pego tão facilmente. Pode ser que até tivesse mudado de fisionomia. Cabelos loiros e compridos chamam a atenção e ele sabia muito bem disso. Poderia estar de cabelos curtos, tingidos de preto ou ruivo, com bigode, barba, careca. Muitas opções poderiam ser usadas.
Pelo menos, a polícia sabia que ele não havia deixado a Inglaterra, de acordo com um dos integrantes da organização, preso na última semana, que acabou entregando essa informação. Não era mentira, pela cara de medo do bandido. A polícia até se surpreendeu com o fato daquele "banana" fazer parte da Máfia Malfoy.
Harry esperou passar alguns dias para Ginny descansar e então resolveu visitá-la. Chegou à casa de Snape perto do anoitecer. Ginny estava sentada na cama, acordada. Que bom, Harry pensou. Ginny estava com os olhos fixos em algum ponto na parede. Estava com uma expressão fria, com olheiras e bem mais magra.
- Pérola... Posso entrar? – disse, empurrando a porta.
- Harry... – Ginny falou baixinho – Pode entrar, claro...
Harry foi até a cama e beijou a testa de Ginny, sentando-se em uma cadeira ao lado.
- Pérola, você está muito abatida. Não está comendo direito é?
Ginny deu um meio sorriso.
- Estou comendo sim, Harry. E ainda sou obrigada a tomar umas vitaminas que o médico receitou. Impossível ficar desnutrida. – disse, dando um sorriso fraco.
- Que bom, pois saiba que se você passar algum dia sem comer, eu ficarei sabendo! Está me ouvindo mocinha? Fiz amizade com as empregadas da casa. Elas me contarão tudo! – Harry disse, fingindo uma cara de bravo.
- Ah é? Conspiração contra mim? Também quem não ajudaria um moreno lindo de olhos verdes? Não se pode mais confiar nos empregados de hoje em dia. – e riu. Uma risada fraca, mas era uma risada.
Os olhos de Harry iluminaram-se, feliz por ter conseguido animar Ginny. Estava muito preocupado com ela.
- Que bom que está reagindo, Pérola. – Harry disse, dando um lindo sorriso.
- Eu sei que não posso ficar assim pra sempre Harry, mas tenho muito medo.
- Medo do quê?
- Medo de enfrentar o mundo. Medo de me machucar. Medo de sofrer. – os olhos dela encheram-se de lágrimas.
- Pérola... Lembra quando você quis aprender a andar de bicicleta? Você levava altos tombos, que até balançavam o chão. Machucou-se várias vezes! E quando quis aprender a andar de patins, então? Meu Deus, você machucou-se feio! Você lembra disso? – Harry disse, fazendo gestos exagerados.
- Lembro sim Harry, mas o que isso tem a ver? – Ginny não estava entendendo nada.
- Estou querendo dizer que os seus machucados não a impediram de continuar tentando. E, hoje em dia, você sabe andar tanto de patins, quanto de bicicleta. – Harry disse, simplesmente.
- Ah... – Ginny abaixou a cabeça, sorrindo, entendendo o que Harry queria dizer.
- Se você ficar com medo de enfrentar o mundo por medo de se machucar, nunca aprenderá como é. E outra, eu te conheço desde criança. Você sempre foi tímida, quietinha, mas nunca foi medrosa. – Harry disse, segurando a mão de Ginny.
- Eu sei Harry... Mas é que estou com medo desse novo sentimento que está tomando conta do meu coração.
- Que sentimento?
- Ódio.
- Ódio? Porque isso Ginny? De que vai adiantar? – Harry estava surpreso que uma mocinha delicada como aquela sabia o que era ódio.
- Quero vingança Harry. Quero acabar com quem acabou com a minha vida. Eu mataria todos os envolvidos no assassinato da minha família. Sabe o que deu o resultado das autópsias? Que meus pais foram mortos pelas costas!! Foi um nojento covarde que fez isso. – Ginny estava com os punhos apertados e com os olhos enfurecidos.
- Calma Pérola...
- Malditos... – Ginny deu um soco na cama.
- Havia algum empregado na casa? – Harry perguntou.
- Não, era dia de folga de todos eles. Ainda bem – Ginny deu um suspiro.
- Como pode alguém ser tão frio? – Harry disse, balançando a cabeça para os lados.
- Horrível. Passo os meus dias pensando porque o assassino não veio me pegar ainda. Se for vingança contra minha família, porque não a exterminou inteira? Porque me deixou aqui? Só pra sofrer?
- Não fique pensando nisso. Você está protegida aqui. Por favor Pérola, tente tirar esse sentimento do coração. Isso só irá acabar com você. Vingança não trará sua família de volta. – Harry estava sendo duro, mas precisava ajudar Ginny a enxergar a verdade.
- Eu sei disso Harry. Mas o assassino precisa pagar pelo que fez.
- Sim, claro. Você tem toda razão. Mas deixe isso com a polícia. Tente reagir, sair desse quarto. Você precisa respirar um pouco de ar puro. Tomar um pouco de sol. Não se entregue Pérola...
- Vou tentar Harry, vou tentar... – Ginny disse, com a cabeça baixa.
- Eu sei que vai... – Harry disse, levantando da cadeira – Eu preciso ir. Tente ficar bem, minha querida. Eu volto pra vê-la em breve.
- Ok...
Quando Harry saiu, Ginny respira fundo, olha para a porta e pensa em andar um pouco pela casa. Mas, no mesmo momento desiste. Levanta-se da cama e olha pela janela do quarto. Já havia anoitecido. Ginny admira a Lua que não via há alguns dias. Estava cheia e brilhante, iluminando o jardim que estava com as luzes apagadas. Vê Harry dirigindo-se para o portão e indo embora. Lá fora vê algumas folhas voando carregadas pelo vento. Abre a janela e sente o vento bater em seu rosto e levantar seus cabelos. Fecha os olhos e respira fundo. Olha as estrelas e lembra-se de uma história que Molly sempre contava. Molly dizia que, quando alguém morria, virava uma estrela. Coincidentemente, bem acima da casa, havia nove estrelas, bem juntinhas e muito brilhantes. Ginny se espanta ao vê-las e seus olhos enchem-se de lágrimas. Fica um tempo olhando para elas com os olhos arregalados. Sente uma dor aguda ferindo seu coração e começa a chorar intensamente. Precisa apoiar-se na janela para não cair. A dor estava ferindo seu corpo assim como sua alma. Olha pra cima e diz:
- Porque vocês tiveram que virar estrelas? Porque me deixaram aqui? Porque me abandonaram?!?!?!
De repente, uma brisa leve entra pela janela e enche Ginny de paz. Ginny instantaneamente pára de chorar. Olha para as estrelas com os olhos úmidos e diz:
- Mamãe... Papai... Não me abandonem, preciso de vocês. Protejam-me, por favor. Ajudem-me a achar quem fez isso com vocês. Prometo que farei de tudo para que a justiça seja feita.
As nove estrelas brilhavam muito. Ginny não sabe explicar como, mas começa a sentir-se um pouco mais segura. Achou que estava enlouquecendo, mas, mesmo assim, manda um beijo na direção do céu e fecha a janela.
Deita na cama, se cobre e acaba dormindo logo em seguida. Teve alguns sonhos, que voava na direção do céu tentando alcançar as estrelas, mas acaba caindo na Terra novamente. O sonho transformava-se em pesadelo e ela se via correndo atrás do criminoso que matou sua família, mas não consegue ver seu rosto. Até que o assassino dá a volta por ela e a apunhala pelas costas.
Após alguns dias, Ginny conseguiu sair da casa e caminhar um pouco pelo jardim. Estava de mãos dadas com Luna que pulava feito louca. Estava reagindo! Alguns achavam que ela nunca conseguiria, por causa do tempo que passou dentro do quarto. Mas, Ginny começou a mostrar que era forte e que tinha decidido recomeçar sua vida. A ferida em seu coração ainda doía demais e ela acreditava que nunca mais deixaria de doer. Aceitou consultar um psicólogo e a primeira consulta estava marcada para a próxima semana.
No dia marcado, tomou um longo banho. Não sabia o que vestir. Acabou optando por uma calça jeans, camiseta rosa e uma jaquetinha jeans. No pé, calçou um tênis branco bem baixinho. Apenas secou os cabelos e passou um pouco de gloss. Não estava com vontade de se produzir muito. Luna ficou de ir com ela até o consultório. Ginny havia pedido para seu motorista levá-las por estar com muito medo, mas Luna conseguiu convencê-la a ir de táxi.
- Eu estou com você amiga. Sempre estarei, ok? – Luna disse, segurando a mão de Ginny.
- Que bom Luna... – disse Ginny, e sorriu.
As duas desceram na porta do consultório do Dr. Adrian Fleming, um ótimo psicólogo, indicado pelo Dr. Noah.
Luna viu uma banca ao lado do consultório e empurrou Ginny até lá.
- Ai amiga, vou comprar só um mangá do Inuyasha tá? Rapidinho... Vem comigo!
- Ok, ok...
Quando entrou na banca, Ginny viu vários jornais e revistas. A maioria trazia notícias sobre o assassinato de sua família como manchete de primeira página. Ginny não imaginava que o crime era tão comentado. Acabou comprando quase todos os jornais e revistas que viu pela frente. As duas saíram da banca, cada uma com um pacotão de revistas.
- Ué Luna, você disse que ia comprar apenas UM mangá! – disse Ginny rindo da amiga e olhando o enorme pacote que Luna estava carregando, que por pouco não tapava sua visão.
- Ah, sabe como é miga. Achei alguns mangás, umas revistas especiais, uns álbuns de figurinhas... Não resisti, hehe... Ei! Não fala muito não porque você também está cheia de coisas!!! – Luna diz, mostrando a língua e apontando para o pacote de Ginny.
- Isso é matéria informativa, quero ver como estão as investigações. Meu padrinho nunca me diz nada e nem deixa que eu assista TV. Diz que vou ficar nervosa. – Ginny dá um sorriso triste.
- Calma miguxa, vai dar tudo certo. Vamos logo para sua consulta.
Sobem as escadas que levam ao consultório do Dr. Adrian. Apertam o interfone, identificam-se e logo entram. A recepcionista pede que Ginny aguarde um pouco na recepção que logo o Dr. Adrian irá chamá-la.
Luna prontamente abre seu pacote e gruda os olhos nos mangás.
Ginny pega alguns jornais e lê algumas notícias. Quase a mesma coisa que já sabia. Que a polícia ainda está investigando o crime, que Malfoy é suspeito e que está sendo procurado e que a polícia acredita estar na pista certa. A notícia diz que tudo leva a crer que Lúcio está escondido em alguma cidadezinha do interior, com identidade falsa. Estava mergulhada na leitura, quando ouve uma voz masculina muito suave chamando seu nome. Levanta os olhos do jornal e encontra um homem sorrindo em pé na porta da sala. Era um homem alto, com cabelos curtos e castanhos, pele bronzeada e incríveis olhos verdes. Usava óculos. Luna, quando o viu, deixou cair a revista e ficou com a boca aberta, admirada.
Aparentava ter uns 40 anos, mas a idade só aumentava seu charme. Tinha olhos incrivelmente acolhedores. Pareceu ser uma ótima pessoa logo de cara. Ginny vai em direção do homem que a cumprimenta gentilmente e a encaminha para dentro da sala, fechando a porta.
Quando a porta é fechada, Luna volta do estado de choque e tenta lembrar do que estava fazendo. Olha para a revista no chão, assusta-se e a pega rapidinho, dizendo:
- Ai me perdoe Inuzinho, é você que eu amo, tudo não passou de um engano. – Fazendo carinho na capa.
A recepcionista a olha meio assustada. Luna percebe que não está sozinha, cora intensamente, abre a revista e se esconde atrás dela.
Dentro da sala do Dr. Adrian, Ginny estava meio paralisada, devido à timidez. Encontrava-se sentada em uma confortável poltrona, mas não estava conseguindo falar. Dr. Adrian esperou alguns segundos para ver se Ginny tomava a iniciativa. Era uma tática dele. Mas, como viu que ela não tomava nenhuma atitude, levantou-se e dirigiu-se até ela. Sentou-se em uma cadeira na sua frente. Sorriu.
Ginny olhou aqueles olhos tão bondosos e começou a chorar. Adrian segurou as mãos dela. Não disse nada, apenas encorajou-a a chorar, apertando suas mãos e ficando em silêncio. Ginny chorou, chorou muito. Desabou. Resolveu lavar a alma. Abraçou Dr. Adrian continuando a chorar. Sentiu-se segura. Depois de alguns minutos chorando, Ginny largou o médico, viu que havia molhado boa parte da camisa dele e pediu desculpas pelo ocorrido.
- Está tudo bem Ginevra... – disse Adrian, entregando uma caixa de lenços a ela.
- Pode me chamar de Ginny, se quiser...
- Claro, Ginny...
- Obrigada, me senti bem fazendo isso.
- Que bom, fico aliviado. Pensei que estivesse assustada com minha cara feia. – Ginny riu - Quer conversar um pouco?
- Quero sim... – disse Ginny, ajeitando-se melhor na cadeira.
Ginny começou a contar um pouco de sua vida, dos entes queridos que havia perdido e a forma como eles morreram. O Dr. disse que sabia um pouco da história pelo que tinha acompanhado nos jornais. Aos poucos, Ginny foi se soltando e conversando muito bem com Dr. Adrian. Quando o fim de sua hora estava chegando, ele disse:
- Ginny, adorei nossa conversa. Só um conselho: tente não tomar muitos calmantes. Eu sei que em algumas ocasiões, remédios são necessários. Mas, tente se acalmar de outras formas. Saia de casa para se distrair. Você disse que ama artes. Vá a museus, exposições. Garanto que você se acalmará e aos poucos perderá seu medo de sair de casa. Espero que você volte para continuarmos nosso papo.
- Obrigada Dr. Adrian. Eu voltarei.
E voltou mesmo. Uma vez por semana estava lá. Aos poucos foi melhorando. Seguiu os conselhos do Dr. Adrian e começou a sair de vez em quando. Ia muito a museus. Aprimorou-se grandemente em seu curso de artes e entrou para a faculdade de Artes Plásticas. Fez cursos com grandes artistas. Pintava telas sensacionais. O ódio em seu coração foi sumindo aos poucos. Voltou a viver.
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Três anos depois...
- Ai que lindo Harry!!! Obrigada!!! – Ginny disse, ao abrir seu presente de aniversário. Era uma caixa de madeira, com entalhes florais. Dentro, havia uma infinidade de bisnagas de tinta a óleo. Pincéis de todos os tipos e tamanhos. Óleos secantes, solventes. Até uma palheta havia! Tudo lindo. Ginny ficou doida pra começar a usar tudo logo!
- Que isso Pérola, você merece. E outra, dezoito anos só se faz uma vez na vida!
- Pois é, o tempo passou... – disse Ginny, sorrindo. Olha seus dois amigos sentados no sofá a sua frente. Estavam todos mais velhos. Harry cresceu absurdamente. Estava com 1,90m de altura. Seu corpo já era de um homem. Luna não havia crescido muito na altura, apenas alguns centímetros. Mas seu corpo ganhou lindas e delicadas curvas e os seios cresceram e apareceram. Ainda gostava de Animes, mas, não dava mais tantos pitis e nem gastava sua mesada inteira neles.
- Agora vê o meu presente, miga!!! – Luna dá na mão de Ginny um lindo pacote embrulhado com papel de presente cor de rosa com uma linda fita branca.
- Porque será que algo me diz que o presente que Luna comprou pra Pérola é algo de origem oriental? – Harry disse, segurando o queixo – Ah, deve ser porque todos os anos Ginny só ganha esse tipo de coisa da toquinho. – soltando uma gargalhada.
- Ah, cala a boca, quatro olhos! – Luna começou a ficar cor de rosa. – Não vem com essa conversinha. Você sabe o que eu comprei! Foi comigo no shoping, oras bolas! – Luna cruza os braços e faz bico. Harry, quando viu o bico que Luna fez, sentiu o corpo tremer e uma imensa vontade de morder aqueles lábios. Ficou sem graça, sentou-se e ficou quieto. Luna estranha o fato dele não ter retrucado como sempre fazia.
- Crianças, crianças, deixem-me abrir o pacote. – Ginny disse, rindo muito. Os dois ainda não tinham perdido a mania de se provocarem, pensou Ginny.
Ginny realmente achou que fosse algo oriental, como um conjunto de chá, por exemplo. Ela sempre ganhava essas coisas. E adorava. Era tudo sempre muito lindo. Mas, quando abriu, era um iPod. Lindo, na cor preta. Luna já havia colocado vários vídeos e músicas que Ginny gostava na memória.
- Nossa Luna, adorei! Obrigada, querida! – dando um abraço na amiga.
- Vou buscar uns pratos na cozinha pra gente comer o bolo! – disse Ginny.
- Não, não, deixe que eu vou! – disse Luna, adiantando-se – Hoje é seu dia, sossegue aí que eu já volto!
Quando Luna saiu da sala de jantar, Ginny olha para Harry, que ainda estava sentando sem graça no sofá. Diz:
- Você gosta mesmo da Luna, não é Harry? – Ginny disse, de sopetão, assustando a Harry.
- Porque está dizendo isso? – Harry fez-se de desentendido.
- Ora Harry, faça-me o favor. Eu vi o jeito que você olhou pra boca da Luna e quanto isso te deixou sem graça. Eu sempre suspeitei por causa da sua mania de ficar provocando-a o tempo todo. Mas, ultimamente, meu amigo, a frase "I love Luna" está escrita na sua testa. Você bem que tenta disfarçar, talvez pra esconder de si mesmo o quanto gosta dela. Mas, cá entre nós, nenhum de seus namoros dá certo não é? O seu último namoro não sobreviveu duas semanas. Você diverte-se um pouco com as garotas e logo some do mapa. Não consegue prender-se romanticamente.
Harry deu um suspiro, rendendo-se. Ergue os braços na altura do peito.
- Ok... Você venceu. Está ficando insuportável viver sem essa pequena...
- Já tentou falar com ela?
- Não... As minhas poucas tentativas acabaram em discussão.
- Harry, você já é um homem. Completou dezenove anos no mês passado. Faz faculdade, já saiu da casa de seus pais e é independente. Vai esperar o que mais acontecer para dar um jeito na sua vida? – Ginny fala brava.
- E se ela não quiser nada?
- Como vai saber se não perguntar? Lembra da história da bicicleta?
- Eu sei, mas...
- Psiu!
Luna surge na porta. Os dois ficam em silêncio instantaneamente. Luna faz cara de desconfiança.
- Ah, vocês estavam falando de mim não é? – Luna coloca a mão na cintura.
- Claro que não juíza de pebolim! Me dá um prato que eu quero comer esse bolo! – Harry diz, indo na direção de Luna e pegando um prato da mão dela.
- Juíza de pebolim??? Eu te mato quatro olhos!
Ginny pensa: "Ai, vão começar novamente". Resolve deixar os dois discutindo, pega um prato, corta o bolo e come.
No dia seguinte, Ginny resolve dar uma volta pela cidade. Resolve ir dirigindo, sozinha. Dá várias voltas pelo centro. Parou em uma sorveteria e comprou um sorvete de flocos. Senta um pouco em uma praça que havia em frente da sorveteria. Fica olhando o movimento das pessoas indo e vindo. Quando termina o sorvete, entra no carro e dirige mais um pouco. Passou por diversos lugares. Quando avistou uma galeria de artes muito tradicional de Londres, viu um cartaz onde dizia que uma pintora muito famosa estava expondo suas obras. Resolve entrar. Estaciona o carro em frente à galeria. Logo que entra, começa a extasiar-se com a qualidade dos quadros. Eram maravilhosos. Passa um tempo observando cada um deles. Quando foi para outra sala da galeria, viu que ela estava vazia. Ou melhor, quase. Bem em um dos cantos da sala, havia um rapaz olhando um quadro em que estava pintado um lindo rosto. Ginny começou a examinar o rapaz. Ele era muito alto e com um corpo muito bem feito. Tinhas os cabelos loiros bem claros e lisos. Os cabelos eram curtos, bem repicados na nuca. Mas, na frente, eram um pouco compridos, tanto que algumas mexas estavam em cima dos olhos, quase escondendo-os. Estava vestido de preto, com calça social e camisa, com um lindo casaco de couro preto por cima. Ginny nem percebeu, mas ficou olhando fixamente para o rapaz durante alguns segundos. O rapaz estava com as mãos nos bolsos, em uma pose tão sexy que Ginny por pouco não deixa o queixo cair.
- Esse quadro é realmente lindo, não? – o rapaz de repente fala e vira-se para Ginny, revelando os olhos azuis mais lindos e penetrantes que ela já havia visto.
- O que? – Ginny saiu do transe.
- Esse quadro. – o rapaz disse, apontando para o quadro a sua frente - Senti que você estava olhando para cá. Estava observando a pintura também, não é mesmo?
Ginny ficou sem graça. "Como será que ele percebeu, se estava de costas? Será que eu o olhava tão fixamente assim?" – pensou. Não havia olhado um segundo sequer para o quadro. Estava observando cada centímetro do rapaz, isso sim. Mas não poderia confessar isso agora.
- Ah sim, claro. Estava olhando para a pintura. É realmente linda. – Ginny dá o sorrisinho mais amarelo que ela já tinha dado alguma vez.
- Você também é artista? – pergunta o rapaz.
- Ah, não. Eu gosto muito de artes. Fiz vários cursos e agora curso faculdade de Artes Plásticas. Mas estou longe de ser uma artista.
- Hum...
Silêncio...
- E você? É artista? – Ginny resolve prolongar a conversa.
- Que isso, sou nada. Só faço alguns rabiscos. Mas gosto muito de galerias de artes. Ando por todas elas. Prefiro programas mais calmos. Fico longe de badalações.
- Por quê? – Ginny achou que estava sendo meio impertinente, mas a pergunta já havia saído.
- Ah, acho que é porque sou meio tímido. – disse o belo rapaz, sorrindo de uma forma que Ginny pensou que iria desmaiar.
- Eu também prefiro esse tipo de programa.
- Quer me acompanhar e ver os outros quadros, Senhorita... hã, como é seu nome?
- Ah, é Ginevra !
- Ginevra? – o rapaz arregalou os olhos. Não podia ser!
- Sim, porque você assustou? É um nome tão comum... – Ginny não entendeu nada.
- Ah, é verdade. É um nome comum. Tem razão... – o rapaz sorriu aliviado. Ele não seria tão azarado em encontrar bem a Ginevra Weasley, já que existiam tantas garotas com esse nome por aí. Mas, precisava disfarçar porque Ginny olhava-o com um ar de interrogação.
- Desculpe-me, é porque lembrei-me que Ginevra é o nome de uma artista muito famosa e que eu admiro muito. Pensei que estivesse conversando com a própria! – disse o rapaz, cruzando os dedos, esperando que Ginny engolisse aquela desculpa extremamente esfarrapada. Foi a única coisa que ele conseguiu pensar em tão pouco tempo.
- Ah, que isso, eu disse que não sou artista! – Ginny disse, rindo. Ela havia engolido!
- Sabe como é, artistas podem ser modestos e não falar sua identidade. – deu uma piscadela.
- E qual seu nome?
- Sou Draco! Muito prazer! – estendeu a mão e cumprimentou Ginny, que tremeu quando tocou na mão dele.
- Bom, Senhorita Ginevra, já que estamos devidamente apresentados, que tal conhecer comigo as outras salas da galeria? – disse Draco, fazendo uma reverência de cavalheiro e estendendo o braço para Ginny segurar. Ginny achou o gesto muito fofo. Aceitou o convite e segurou no braço dele.
- Claro Senhor Draco. – disse Ginny, entrando na brincadeira.
- Muito bem, vou conduzi-la então, nobre senhorita. – fingindo ser um nobre da corte inglesa.
Ginny encantou-se prontamente. Isso a assustou. Desde quando se deixava seduzir assim? Pensou consigo mesma. Mas resolveu relaxar e curtir a noite. Chega de neuras. Pelo menos por hoje.
Os dois caminharam por toda a galeria, conversando e rindo muito. Draco conseguia tirar ótimas gargalhadas de Ginny. Por fim, resolveram sair da galeria e comer alguma coisa em uma lanchonete que havia em frente. Comeram um hot-dog mesmo. Ginny adorou a simplicidade de Draco. Estava encantada com seu jeito divertido e cativante. Ela sentiu-se super à vontade. Seus últimos encontros com garotos da alta sociedade londrina a deixaram enojada. Eles a levavam aos restaurantes mais finos e caros de Londres e a conduziam em carros caríssimos, tentando impressioná-la. Mas, quando abriam a boca, só sabiam falar neles próprios. De como eles eram ricos, lindos e poderosos. Um fracasso. Já Draco era diferente. Era inteligente, engraçado e mais bonito que todos os homens que Ginny havia conhecido... E mal falava nele. Draco também ficou impressionado com Ginny. Tinha certeza que ela era uma garota rica, por causa de suas roupas e modos. Mas era extremamente simples, deliciando-se com um enorme hot-dog. Pegou um guardanapo e limpou uma manchinha de catchup que havia no queixo dela, fazendo-a corar intensamente. Ele achou aquilo lindo. Por fim, Draco pagou os hot-dogs e comprou um pacotinho de balas de goma, que os dois saíram comendo da lanchonete. Começaram a andar pelo calçadão que havia em frente à galeria de artes. Já havia anoitecido e ventava um pouco, fazendo os cabelos dos dois esvoaçarem levemente.
- Quantos anos você tem, Draco? – Ginny pergunta.
- Tenho dezenove. E você? – pergunta, curioso
- Dezoito. Fiz aniversário ontem.
- Ontem? Puxa, e só agora me diz? Preciso te dar um presente então!
- Ah, que isso Draco! Não precisa!
- Ah precisa sim! Deixe-me pensar... – olhou em volta e desanimou-se, pois todas as lojas já estavam fechadas. Teve uma idéia.
- Já sei! Vem comigo! – puxando-a pela mão.
- Ai, devagar!!! – Ginny foi dizendo ao ser puxada.
Draco a levou a uma escadaria que havia atrás da galeria de artes. Era muito alta. Ginny arregalou os olhos.
- Nós vamos subir todos esses degraus? – perguntou assustada.
- Venha, vai ser divertido. Garanto que vai gostar. – disse Draco, puxando-a pela mão e começando a subir.
Demorou um pouco, mas quando chegaram ao final dos degraus, Ginny colocou a mão na boca, extasiada com o que viu.
- Meu Deus...mas isso é... isso é lindo Draco... – estava de boca aberta.
A escadaria dava em uma espécie de mirante de onde se via praticamente a cidade inteira de Londres. Devido à escuridão da noite, só se viam milhares de luzinhas pela cidade toda. E também se tinha uma visão perfeita do céu, sem nenhum prédio ou construção para atrapalhar. Era realmente muito bonito. Ginny não sabia o que dizer ou pensar. Estava impressionada. Ele disse:
- Bom, por enquanto, este é seu presente. Agora, além de mim, você também sabe deste lugar. Quando for possível eu compro um presente de verdade. – tinha a voz rouca e macia, que causava arrepios em Ginny.
- Não haveria presente melhor que essa visão, Draco. Como você conhece esse lugar?
- Eu sempre venho aqui, desde criança. Parece que, a princípio, este lugar era pra ser um observatório de ciências, mas desistiram da obra antes de terminado - disse ele, olhando para aquela imensidão de luzes.
- E você vem sozinho? – Ginny já começou a ter fantasias sobre aquele lugar escuro, deserto, apenas banhado pela luz da Lua. Balançou a cabeça para mandar embora aqueles pensamentos.
- Sim, sozinho. Sempre que quero fugir de algo, venho pra cá. Olho pra tudo isso um bom tempo, até me acalmar. Ajuda muito. – disse ele, com a voz um pouco triste.
- Fugir? – Ginny estranhou.
- Sim, fugir. Mas não são coisas muito boas. Não quero estragar nossa noite. Está maravilhosa demais.
- Sim, está mesmo. – Ginny sorriu, olhando nos olhos de Draco. Sentiu o coração batendo forte.
Ele tirou uma mexa ruiva que estava na frente dos olhos dela. Com as costas do dedo indicador, fez um leve carinho na bochecha dela.
- Vou te ver novamente, Ginevra? – disse ele, fazendo Ginny despertar daquele pequeno momento mágico.
- Sim! – sentiu-se envergonhada por ter sido tão direta na resposta – Quer dizer, se você quiser, Draco.
- Eu quero muito – falou, suavemente.
- Quando?
- Que tal amanhã?
- Amanhã? Mas já? – estava surpresa e lisonjeada ao mesmo tempo por ele querer vê-la tão rápido.
- Você tem compromisso? – ele perguntou, meio receoso.
- Não, eu não tenho. Apenas fiquei... surpresa... Onde nos encontraremos?
- Aqui, o que acha?
- Adoraria...
Os dois desceram as escadas. Ginny nem se sentiu cansada. Estava tão extasiada que podia jurar que pisava em nuvens. Ele acompanhou-a até seu carro.
- Tem certeza que não quer uma carona?
- Não, não, eu moro aqui perto. Prefiro ir caminhando.
- Tudo bem então. Até amanhã Draco.
- Até amanhã Ginevra.
Ginny entrou no carro, esperou Draco virar a esquina e soltou um grito. Estava tão feliz que a qualquer momento iria explodir. Gritou de novo. Logo reparou que um senhor que passava pela rua ficou olhando-a espantado. Ela quase morreu de vergonha, deu a partida e foi pra casa.
Quando entrou e trancou a porta, ouviu uma voz vinda da escuridão.
- Ginny, onde estava? Fiquei preocupado! – Snape surge, usando um roupão cinza.
- Ah, me perdoe padrinho. Não encontrei o senhor em casa quando saí. Fui passear um pouco e perdi a hora. – Ginny quase teve um treco com o susto.
- Tudo bem querida, mas avise-me na próxima vez. Sabe como é, você não tem esse hábito de ficar muito tempo longe de casa.
- Claro padrinho, avisarei. Com licença, vou para o meu quarto. – e retirou-se subindo as escadas.
Subiu quase aos pulinhos de tão feliz que estava, mas disfarçou porque seu padrinho estava olhando-a. Quando fechou a porta, deu um pulo na cama, toda feliz. Essa era a palavra, ela estava feliz. Draco conseguiu deixá-la assim. Resolveu tomar um banho e deitar-se.
No outro lado da cidade, Draco entrava em seu apartamento. Trancou a porta e logo sua cabeça fervilhou. Queria estar com Ginevra novamente, mas tinha medo de Ginevra ser a tal Ginevra da família Weasley. Aquela que seu pai era acusado de ter matado. Há muitos anos não falava mais com seu pai. Foi renegado e abandonado por não querer fazer parte da máfia. Não queria envolver-se com o crime. Seu pai não quis nem saber e expulsou-o de casa. Com a ajuda de sua mãe, conseguiu comprar um apartamento e sustentava-se dando aulas particulares de física e matemática. Não podia ter um emprego muito formal, por medo de ser reconhecido e sofrer preconceito. Não queria de modo algum ser ligado a seu pai e seu irmão. Lúcio Malfoy ainda não havia sido preso e nada foi resolvido sobre o assassinato da família Weasley. Mas Draco achava que seu pai era culpado. Ele resolveu dar uma pesquisada na Internet para ver se encontrava alguma foto de Ginevra em alguma notícia. Mas não conseguiu nada. Na época, como Ginny era menor de idade, a imprensa não podia mostrar seu rosto. E agora, que era maior de idade, a imprensa não se interessava em noticiar mais nada sobre o assunto, por não aparecer mais nenhuma novidade. Draco sabia que deveria perguntar o sobrenome de Ginevra, mas encantou-se tanto com ela que teve medo. Medo de saber a verdade. Mesmo que Ginevra fosse da família Weasley, Draco não tinha culpa de nada. Não tinha culpa de ter um pai criminoso e assassino. Mas não sabia se Ginny levaria a coisa, assim, na esportiva. Não queria ter seu sonho quebrado e nem seu anjo corrompido. Decidiu deixar o tempo passar e depois decidiria o que fazer, torcendo para que sua Ginevra não fosse Ginevra Weasley.
Continua?
