Cap. 3 - Enquanto ela dormia
Aparatou carregando o corpo da Morena com cuidado, estava em um lugar isolado ao norte da Inglaterra, havia um rio por perto, encostas montanhosas e grandes pinheiros em torno do lugar, era no meio do nada, ninguém os acharia ali, se não quisesse.
Carregava a antiga barraca de família, desde a copa do mundo de quadribol não entrava nela, continuava a ter o mesmo cheiro que Narcisa Malfoy sempre fizera os elfos utilizarem, um cheiro que, para Draco lembrava flores mortas.
Repousou o corpo desacordado de Hermione na suntuosa cama de casal que seus pais faziam questão de ter até durante a viagem, na verdade, a não ser pelo o piso, que era de madeira, aquela barraca era uma copia fiel da mansão onde vivia, só que em uma escala menor. Feito os feitiços de proteção necessários ao redor da barraca, foi cuidar da garota.
Ela estava com uma expressão terrível de sofrimento nas suas faces delicadas, ele sabia que tinha de esfriar seu corpo que agora ardia em febre, e trocar as roupas imundas que vestia, mas tinha vergonha, não queria tocar em seu corpo delicado sem sua autorização, começou então lhe livrando das cordas que ainda prendiam seus braços e pernas, e com um feitiço simples, curou o pequeno arroxeado que eles formaram na pele morena dela.
Com um pano úmido e água morna limpou seu rosto, estivera sofrendo antes mesmo de ser capturada, Draco tinha certeza disso, havia passado apenas dois dias como prisioneira, mas sua pele estava seca e malcuidada cheia de pequenos ferimentos, que as mãos grandes e fortes daquele Loiro que cuidava dela com tanto zelo, limparam com uma delicadeza inesperada.
Quando terminou a morena dera um pequeno suspiro e as expressões de seu rosto ficaram mais amenas do antigo sofrimento que continham, recebendo isso com um sinal de melhora, Draco, um tanto relutante, começou a limpar e cuidar dos ferimentos do corpo de Hermione, com uma delicadeza e ternura tão extremas que, quem o visse não diria que se tratava de um comensal e uma prisioneira e sim de dois amantes. Em menos de vinte minutos Hermione estava deitada na cama trajando roupas limpas e com significativos sinais de melhora, agora, só restava a Draco que o efeito da poção passasse, dois longos e terríveis dias que teria de vê-la deitada na cama como se estivesse morta.
Na primeira noite adormecera na poltrona que colocara diante de Hermione, enquanto olhava para ela, não queria perder nem um momento de sua respiração, nem o menor suspiro nem o menor movimento que fizesse com o corpo. Perguntava-se como os idiotas do Potter e do Weasley haviam permitido que ela participasse da guerra e daquela batalha e nem ao menos protegê-la, como os odiava quando pensava isso!
Durante todo o primeiro dia fez poucas coisas além de observá-la, preparou uma poção revigorante, ela não poderia comer, e estava fraca, a fez beber pondo sua mão na nuca dela e a inclinando para o copo de bebida, mais uma vez se mostrando mais zeloso do que qualquer pessoa pudesse imaginar. Não comera, não tinha fome, enquanto não visse os olhos castanhos, pelo menos mais uma vez.
Não sabia bem quando começara, ou talvez soubesse mas preferisse fingir que não sabia, mas sabia que começara com os olhos castanhos. Foi no terceiro ano que começou, naquela maldita aula com o lobisomem, teria que enfrentar um bicho-papão, pensou que ele teria a forma de seu pai, seria o mais lógico, mas não, o bicho-papão tomara as formas de um par de olhos amendoados, na época julgou que a fera devia estar já muito confusa e ter assumido a forma errada, seu pai tinha olhos tão azuis quanto os seus.
Talvez só tenha descoberto que o bicho-papão estava certo nesse ano, ou um pouco antes, quando descobriu de quem eram aqueles olhos amendoados e descobriu que tinha mais medos dele do que de seu pai. Muito mais medo. Não falava para ninguém a forma de seu bicho-papão, nem enfrentava um a não ser estando sozinho, era ridículo ter como maior medo um olhar castanho, o olhar Dela.
Os olhos dela, tinham um efeito único sobre si, e era isso que lhe dava medo, porque somente olhando aqueles olhos amendoados descobria que era tão fraco quanto qualquer ser humano, que amava, e que amava mais do que seu coração era capaz de controlar, e tinha medo disso, tinha medo de amar, nunca recebera amor, para Draco esse era um sentimento ilusório, que existia para enganar os covardes e ingênuos, mas quando olhou pela primeira vez nos olhos castanhos de Hermione, no Baile de Inverno de seu quarto ano, sentiu todas as coisas que os poetas dizem ser o amor. E sentiu um pouco mais, sentiu que, nada mais no mundo importaria desde que ela vivesse e ele pudesse olhar em seus olhos castanhos.
Demorou a aceitar isso, era difícil amar, não queria amar, não deveria amar, não fazia parte de sua natureza! Tanto que nunca mais voltou a olhar em seus olhos, a não ser no dia anterior, achou que assim conteria o que sentia. Estava enganado. O que sentia só aumentou e hoje tinha aquele tamanho extremo que nem ao menos saberia comparar com algo que conhecesse, a galáxia seria pequena para o tamanho do amor que sentia por ela, e ela nunca saberia disso.
Porque ela o odiava. E ele a amava, se Hermione descobrisse o amor que sentia por ela, o odiaria ainda mais por ousar ter tal sentimento, por isso já havia planejado tudo. Assim que a castanha acordasse ele já teria partido e deixaria tudo pronto para que ela conseguisse se virar, com sorte ao escapar com vida ela não voltaria para a guerra. O que faria com si próprio não sabia, não poderia voltar para aquela prisão que era obrigado a chamar de casa, Hogwarts estava fechada eliminando essa opção, talvez se escondesse até as coisas melhorarem ou talvez voltasse e dissesse que o plano não dera certo e ser castigado por isso, Ele não se importava muito, o importante era ela, a vida dela, os olhos dela.
Mas, é sempre assim quando mais se deseja que uma coisa de certo, mais essa coisa tem chance de dar errado, e aquela noite do primeiro dia em que estava na barraca com Hermione, mudaria os planos de Draco, mudaria sua vida, mudaria seu destino. Para sempre.
