Capitulo novo! Boa leitura! =P
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Passaram-se algumas semanas desde a cena da pizza. Jared e ele estavam se dando muito melhor. Já tinham gravado as cenas do primeiro episódio, o Piloto, e agora só aguardavam a aprovação para a séria continuar. Sentia um frio na barriga ao pensar que tudo poderia ser cancelado, e que teria que voltar para casa. Justo agora que tinha se acostumado com todo mundo. Principalmente com Jared. Seria triste voltar pra casa e se afastar de alguém que achou incrível. Mas resolveu não pensar nisso.
Entrou no estúdio. Todos combinaram de se reunir lá. Era hoje que saia o "resultado" de seu trabalho. Se tivesse conseguido interpretar um Dean Winchester de verdade, sabia que a série iria continuar. Afinal, o personagem era incrível. A história era incrível. Desde a primeira vez que leu o roteiro, sabia que queria fazer parte do elenco. Mesmo que no início tenha sido escalado para fazer o papel de Sam Winchester. Recebera um telefonema em que Eric dizia que tinham achado outro cara para fazer Sam. Mas que ele estava escalado como Dean. Não podia mentir que no início sentiu um pouco de raiva. Afinal, alguém se mostrou melhor que ele em algum papel. Mas ao ver Jared interpretando Sam, entendeu na hora. Na primeira vez que encenaram Sam e Dean, percebeu que Jared era perfeito como Sam, e tinha acreditado que era perfeito como Dean. Pelo menos queria acreditar nisso.
As pessoas ao notarem que ele havia chego, lhe deram uma cadeira, ao lado de Jared. Sorriu para ele e sentou-se.
- Nervoso? – Jared perguntou.
- Claro que não. – Abriu um sorriso. E sabia que Jared tinha entendido. Ele estava morrendo de medo. Jared concordou com a cabeça.
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E ficaram em silêncio por algum tempo. As pessoas a sua volta estavam realmente nervosas. Eric Kripke estava branco como um fantasma. Parecia que o cara ia ter um ataque de pânico. Mas mesmo assim, ele tentava passar confiança para todos. Principalmente para seus dois protagonistas.
- Não se preocupem. Vocês foram ótimos! Não conseguiria caras melhores! Acreditem!
Eles só riam. O que falar de um cara como Eric, elogiando eles e tentando passar pensamentos positivos, mas com aquela cara de pânico? Não podiam negar que a cena estava hilária.
O telefone de Eric tocou. Silêncio absoluto no estúdio, mesmo sem serem solicitados a fazê-lo.
Jared sentiu as mãos suarem. E sentiu que balançava as pernas como se estivesse em um terremoto. Sentiu uma batidinha no braço. Jensen o olhava com uma cara de preocupação. Pelo menos foi o que entendeu, porque o cara continuava sorrindo, por mais tímido que aquele sorriso fosse. Sim, ele também estava nervoso.
- Aham. Claro. – Foram as suas primeiras palavras. Ele olhou para as pessoas a sua volta. Tinha uma assistente segurando um terço. Eric riu por dentro, mas também queria estar com um. – Pode passar o telefone para ele. – Mais silêncio.
Que agonia! Aquele silêncio era torturante. Sentia que agora até sua cadeira tremia junto com ele. Porém a mão de Jensen continuava em seu braço.
- Sim senhor. E então, o que achou dos nossos garotos? – tinha uma voz sorridente e confiante. Bem diferente da cara. – Sim, são incríveis. E os personagens parecem até que foram feito para eles.
Jared sentiu o rosto queimar. Todos olhavam para eles agora. Tinha uma assistente com um terço. Ela olhava para eles com um sorriso enorme no rosto, e os olhos cheios de lágrimas. Se conhecesse mais aquela pessoa diria que era uma cara de orgulho. Orgulho deles dois. Sentia a orelha pegando fogo.
- Nossa, muita coisa. Muitas idéias. Fiz um resumo de como seria a primeira temporada. Recebeu? – Eric se sentou. Não conseguia mais sustentar seu peso com as pernas bambas como estavam. – E o que achou?
Meus Deus! Que desespero. Ele próprio só sabia o básico sobre a série. Torcia de verdade para que aquela pessoa do outro lado do telefone gostasse. Porque já tinha se apegado com a história e principalmente com seu personagem, Sam.
- É sim, nenhuma outra séria trabalhou esse tema. – O que era verdade. Eric estava confiante. Na voz pelo menos. – Uma equipe perfeita. Todos colaboraram e estão torcendo muito. As pessoas já se apegaram a seus papéis. Aham!
Eric sorriu. Era um sorriso bom ou ruim? Ele sorria com a voz. Mas o sorriso do rosto era tímido, meio estressado.
- Com certeza. Pode deixar que eu conto. Sim. Sim. Obrigado de novo pela oportunidade. Até mais. – E desligou o telefone.
Tensão. O clima estava tão pesado que mal conseguia respirar. Jensen apertava seu braço com força que estava até doendo. Mas estava mais preocupado com outras coisas.
- E então? – Alguém perguntou.
Eric caminhou calmamente pelo estúdio. Cabeça baixa, sorriso desanimado. Mas dava para ver o esforço que fazia para manter aquele sorriso.
- Eles me deram a resposta. Espero que vocês não se importem.
- Ai meu Deus – disse a assistente do terço. Agora ela chorava de verdade.
- Espero que vocês não se importem, porque vão ter que passar muito tempo ainda aqui no Canadá. – E abriu um sorriso enorme.
As pessoas gritavam, pulavam, se abraçavam. Tinha tanta gente que não conseguiu ver direito, mas achava que a assistente do terço tinha desmaiado. As pessoas estavam loucas. Completamente fora de si. E quando percebeu ele e Jensen eram os únicos ainda sentados. Eles se olharam. Sabia que demorou para Jensen registrar o que tinha acabado de ouvir. Ele próprio não acreditava. Aos poucos, enquanto se olhavam, o sorriso foi se formando. Tanto o seu quando o de Jensen. Quando menos esperavam estavam em pé, se abraçando e pulando, feito duas crianças.
- Não acredito! Cara, não acredito. – E continuavam pulando. As pessoas os cumprimentavam, davam tapinha em suas costas. E quando se soltaram, outras pessoas os abraçavam. Diretores, roteiristas, assistentes, desconhecidos. Estava ficando surdo. Mas não parava de sorrir. Um sorriso que estava até doendo já os cantos da boca, de tão grande que era. Sentiu que estava com os olhos marejados. Sim, estava verdadeiramente feliz e emocionado. Não apenas tinha conseguido um papel de protagonista numa série que tinha tudo para ser um sucesso, como também sentia que já havia se apegado com tanta gente ali que não queria se despedir. Pensou em Jensen. Sorriu ainda mais, se é que era possível.
Olhou para o lado. Algumas pessoas carregavam Eric Kripke nos ombros, como se ele tivesse ganho uma copa do mundo. E com certeza era assim que o cara se sentia. Se tinha alguém apaixonado pela série, como se fosse até um filho, esse alguém era seu criador, Eric. Foi cumprimentar ele. Jensen também foi. Quando Eric os viu, se jogou no chão. Quase caiu. Quase. E correu para os dois, agarrando eles pelo pescoço. E lá estavam de novo, abraçados, pulando como crianças, dessa vez com o criador da série.
- Meu Deus. Meu Deus! – É, o cara estava empolgado. – Vocês são perfeitos. Perfeitos. Obrigado por terem sido perfeitos interpretando meus meninos! – Sim, ele realmente via a série como um filho.
Soltaram-se, e saiu rindo. Mal Eric os soltou e já estava pulando com outro grupinho. Olhou para Jensen. Ele estava gargalhando. Sentiu um frio na barriga. Deu um tapinha nas costas dele.
- Parabéns cara. Por ser o Dean Winchester mais perfeito de todos.
- Parabéns para você também, o Sam Winchester mais perfeito de todos.
Sentiu-se meio sem graça com a observação. Mas ignorou o sentimento. Jensen também dava tapinha em suas costas, estavam abraçados, daquele jeito que homens se abraçam. Riu da situação.
Ia ter uma festa ali, dentro do estúdio mesmo. Não tinha certeza de como montaram uma mesa com um coquetel tão incrível em tão pouco tempo. Todos conversavam muito, trocavam planos e idéias. Todos empolgados com o novo objetivo, tornar Supernatural a melhor série de todas.
Depois de um tempo procurou por Jensen. Avistou-o em um canto, sentado, comendo uns sanduíches. Ele estava tão compenetrado com isso que nem percebeu quando se aproximou.
- E ai cara, estava pensando em ir pro hotel já. Dia muito agitado e cheio de emoções. Preciso dormir. – Riu.
Jensen concordou. Mas como estava com a boca cheia não respondeu. Sentiu vontade de rir da cara dele, por mais ridículo que seria. Ficou ali, observando o cara se preparar par ir embora. Ele pegou um prato de plástico, colocou alguns sanduíches nele, o cobriu com um guardanapo. Pegou sua mochila, colocou nas costas. Bateu as mãos no bolso para conferir se estava tudo ali.
- Pronto. Podemos ir.
Seguiram para a saída. Despediam-se das pessoas em seu caminho. Sempre com um até logo. O que era incrível. Talvez, se as coisas tivesse dado errado, estaria dizendo "até algum dia." Sorriu. Quando olhou para trás percebeu que Jensen ficara no caminho. Tinha sido agarrado por alguém. Uma mulher baixinha, gordinha, de óculos, com o cabelo cacheado preso num rabo de cavalo. Jensen parecia não saber como agir. Abraçava-se a mulher ou cuidava para não derrubar o prato com os sanduíches? Que cena mais...
Aproximou-se e tirou o prato de sua mão. Sorriu, e teve um sorriso de "Você salvou meu lanche da noite" como resposta. Riu. E então a mulher gordinha viu que ele estava ali. E ele percebeu que ela era a assistente do terço. Em questão de segundos ela soltou Jensen e mudou o alvo para ele. Foi pego tão desprevenido que derrubou o prato. Em frações de segundo viu Jensen se mexer na velocidade da luz e pegar o prato antes que ele caísse no chão. Meu Deus, o cara tinha tara por sanduíches.
- Jared, meu querido! Parabéns. Você é incrível! Que bom que deu tudo certo. Eu sempre soube que daria. Você é um ótimo ator. Você e Jensen. Ah garotos, que bom! Estou tão feliz! Vi vocês gravando juntos. E meu Deus! Que emoção. Se Eric tivesse tido uma resposta negativa eu mesma teria procurado a pessoa do outro lado da linha e ensinado pra ela umas boas lições. Onde já se viu não gostar de vocês? Que absurdo. Vocês são adoráveis, tenho certeza que vocês dois juntos vão fazer dessa série um sucesso! Afinal, vocês são bonitões e as garotas vão surtar e com o tempo...
Por céus. Como aquela mulher falava! Mas percebia o carinho que ela já tinha por eles. Ela já tinha soltado ele, mas continuava falando. E falando. E quando olhou de canto de olho para Jensen, ele estava comendo um dos seus sanduíches. Olhou para a mulher a sua frente, que não parava de falar nem mesmo para respirar.
- Meu Deus. Como fala! – Riu. Porém um riso comportado, não queria ofendê-la. Ela visivelmente gostava deles. – Como é seu nome?
A mulher olhou para ele com um sorriso enorme. – Me chamo Abigail, mas, por favor, me chamem de Abbie. – E sorriu. – Sei que já estão de saída. Só queria lhes cumprimentar. Vocês são incríveis. Mas podem ir para casa. Devem estar cansados. Também, o dia foi corrido e estressante. Amanhã a gente conversa mais. Parabéns de novo garotos. – E se afastou.
Eles aproveitaram a oportunidade e foram embora. Tinha um carro esperando por eles do lado de fora. E o motorista também seria o segurança deles. Sabia que se chamava Clif Kosterman. E o cara era enorme. Não tão alto quanto ele mesmo era, mas Clif era enorme em todos os sentidos. Não teria coragem de provocar o cara.
- Prontos para irem para casa? Ou melhor, para o hotel? – perguntou Clif. O cara usava óculos escuros, e era intimidador de verdade. Mas as palavras dele lhe deram uma idéia. De repente sentiu uma animação e uma energia. A idéia dele era incrível. E estava super empolgado. Foram para o hotel, não sem antes Jensen oferecer seus sanduíches para ele e para Clif. Jared aceitou um, o segurança por sua vez recusou, mas tinha a impressão que ele recusou só por puro profissionalismo. Estava cansado de verdade. Não via a hora de dormir, e amanhã iria por suas idéias em prática. Sorriu.
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Duas semanas se passaram desde o sinal positivo para continuarem a gravar Supernatural. Já tinham o roteiro do segundo episódio. Estava super animado. Já decorava suas falas, e quando estava sozinho no hotel, ensaiava. Ás vezes ensaiava com Jared. Era legal fazer isso, já que o clima do episódio vai ser meio pesado.
Naquela tarde, combinaram de ensaiar de novo. E estava em seu quarto de hotel tentando decorar suas últimas falas. Bateram na porta. Pela batida, sabia que era Jared. Eram sempre três batidinhas rápidas, porém altas. Abriu a porta, e acertou. Era Jared.
Já havia se acostumado com o cara. Não ficava mais nervoso, nem nada assim. Na verdade já estavam num ponto que ficavam fazendo brincadeirinhas um com o outro. Lembrava claramente da primeira vez que Jared tirou com a sua cara. Foi exatamente no dia em que receberam a notícia para continuarem as gravações. Estavam dentro do carro, indo em direção ao hotel. Tinha levado um prato de sanduíches para o hotel. Sabia que devia estar parecendo um viciado em sanduíches, mas aquele dia tinha sido horrível e tenso. E quando se sentia nervoso daquela forma, não conseguia comer, por mais fome que sentisse. E depois da notícia, relaxou. Comemorou, pulou, quase foi obrigado a dançar, e depois a fome veio com tudo. Queria chegar no hotel e dormir. Não queria se preocupar em pedir comida na recepção e esperar ela chegar. Então levou um pratinho para o hotel. Dentro do carro, ofereceu um para Jared e Clif, o segurança. Jared aceitou um, Clif recusara. Depois de terminar seu sanduíche, Jared falou:
- Cara, você ta grávido por acaso? Cuida desses sanduíches como se sua vida dependesse deles. – E caiu na gargalhada.
Jensen tinha se sentido constrangido, mas a única coisa que fez foi abrir um sorriso falso e falar:
- Há Há Há. Muito engraçado.
Jared estava rindo da sua cara, mas de um jeito brincalhão e amigável. Depois desse dia era normal tirarem com a cara um do outro. E nessas semanas que passaram quase todo o tempo juntos, inclusive os tempos livres, relaxaram na presença um do outro. Agora era normal ver Jared e não se sentia mais nervoso.
Porém, quando abriu a porta do seu quarto de hotel e viu Jared, todo o nervosismo voltou. Ele estava com um sorriso muito... estranho. Que cara de adolescente que está aprontando. Jensen pensou por um milésimo de segundo que ele podia estar escondendo algo atrás das suas costas e iria jogar na sua cara. Mas não, não era esse tipo de travessura que estava na cara de Jared. Começou a suar.
- E ai Jen. Vai me deixar entrar?
Deu passagem para o grandão. E não pode deixar de sentir um alívio quando ele passou e viu que não escondia nada nas costas.
- Tenho que te contar uma coisa. Muito importante. – Parou e lhe encarou. Aquele sorriso maroto o tempo todo no rosto. Fez silêncio, e cruzou os braços a sua frente. – Eu comprei uma casa.
Jensen escutou e não assimilou. Que bom para ele. Iria sair do hotel. Mas não entendeu como aquela notícia se encaixava com aquela cara de garoto travesso.
- A casa não é tão grande assim. É perfeita na verdade, tem garagem, sala, cozinha, dois banheiros e três quartos. - Parou de falar e abriu mais o sorriso. Jensen continuou em silêncio, como quem pedindo para ele continuar. – Sabe, apesar de a casa ser beeem legal, e a região também ótima, não seria tããão legal morar la sozinho. – Pausa de novo. O sorriso cresceu mais ainda. Sentia um rastro do suor na bochecha. – A casa tem três quartos. Queria que um fosse de hóspede, para quando minha família quisesse vir aqui me visitar e tal. Mas isso faz eu ter um quarto livre. – Jensen começou a entender. Mas estava paralisado. – E como eu sei que você não gosta de morar em hotel, e como a gente se da bem... – Jensen nem respirava. – Cara, bóra morar comigo?
Continua...
Ai está mais um capítulo. Me falem o que tão achando! Deixem reviews! É só um minuto e faz uma escritoa muito feliz e mais inspirada ainda!!
