Espero que gostem! Boa leitura!


As pálpebras pesavam e meu corpo parecia ser feito de gelatina. Lentamente consegui abrir os olhos e fui invadida por uma luz branca intensa, rapidamente tapei meu rosto com um braço e tentei me manter sentada.

Eu estava completamente perdida. O quarto em que eu estava era de um branco imaculado, com um armário e cômoda igualmente brancos, a cama em que eu estava era dura e desconfortável, havia o que parecia ser uma janela que era praticamente do tamanho do palmo da minha mão, era impossível passar por ali. Percebi que minhas roupas já não eram as mesmas, removeram minha calça jeans, camisa e casaco preto por um conjunto horrível de calça de moletom e camisa de manga longa cinzas, com o nome da clínica bordado no lado esquerdo do peito. Nos pés tiraram meu Converse preto e trocaram por um tênis simples genérico branco.

Tentei me lembrar dos últimos momentos antes de me apagarem, o rosto de Renée ainda estava vivo em minhas lembranças, assim como suas palavras e ações. Levantei-me e fui até a porta bege, olhando através da pequena abertura de vidro, onde só se dava para ver outras portas como a minha, umas três exatamente.

- Ei! – tentei gritar, apesar da minha voz estar rouca e minha garganta seca. Bati com os punhos na porta e gritei novamente. – Ei! Olá?! – gemi frustrada e bati novamente.

Continue batendo até uma cabeleira castanho claro surgir. Era a mesma enfermeira que eu havia visto, infelizmente não lembrava seu nome. Ela abriu a porta com uma chave e suspirei aliviada.

- Nós não somos seus empregados pra você ficar batendo na porta desse jeito. – comentou arrogante.

- Então é melhor deixar um sininho da próxima vez. – ironizei com um sorriso forçado.

- Faça graça enquanto há tempo, Isabella. Vamos, está na hora do jantar. – disse me arrastando pelo braço, mal dando tempo de digerir suas palavras.

- Fiquei apagada por quanto tempo? – perguntei, surpresa por já ser noite, sendo que cheguei nesse lugar em uma manhã.

- Você perdeu três refeições, não se preocupe, daqui a pouco o tempo não vai significar nada para você. – ela riu e eu revirei os olhos com sua tentativa falha de me assustar. Passamos por um corredor com dez portas, o que eu acho que eram outros quartos, todos pareciam estar vazios.

Viramos para outro corredor do lado direito, onde tinha uma porta vai e vem e o cheiro de comida ao entrar era enjoativo. O refeitório era espaçoso, branco como parecia ser qualquer ambiente aqui, seis mesas de quatro lugares, e quando eu ia olhar seus ocupantes, a enfermeira rabugenta me levou até uma senhora que estava entregando pratos com comida já pronta.

- Sra. Cope, esta é a nova paciente, Isabella Swan. Ela vai receber o cardápio normal, sem mais nem menos comida. Entendeu? – a enfermeira elevou seu olhar sobre a Sra. Cope, que parecia já ter por volta de seus cinquenta anos, cabelos brancos saindo da touca descartável e um olhar que me lembrava minha vó, subitamente meu coração apertou com a saudade e culpa me envolveu.

- Entendi, Srta. Stanley. – a Sra. Cope me deu um sorriso terno e eu tive que reunir forças para permanecer estável e retribuir com um singelo sorriso. Ela me passou uma bandeja e me livrei das garras da enfermeira Stanley. – Sente-se onde quiser, querida. – assenti e finalmente me virei, corando ao descobrir que todos me olhavam, uns com curiosidade e outros com diversão.

Ergui a cabeça e fui confiante até uma mesa perto da parede, onde uma garota pequena e magra, de cabelo preto curto arrepiado e feições que poderiam ser ainda mais bonitas se aparentasse saúde, estava sentada. Sentei-me na sua frente e dei um meio sorriso de cumprimento, e ela subitamente retribuiu com um largo e brilhante.

- Olá, sou Alice Brandon, na verdade é Mary Alice Brandon, mas prefiro apenas Alice porque eu não gosto do Mary. – falou rapidamente que eu quase fiquei perdida, mas recuperei a postura e tentei sorrir amigável.

- Huh, apenas Bella. – respondi, esperando conseguir fazer uma aliada dentro desse lugar. De repente o sorriso de Alice sumiu e ela ficou completamente imóvel, acho que até parou de respirar. Eu estranhamente fiquei a observando e me assustei quando ela deu um leve gritinho animado e segurou minhas mãos por cima da mesa.

- Nós vamos ser grandes amigas, Bella! Eu vi! – concordei e dei de ombros para sua reação, afinal, eu não estou no meu direito de julgá-la.

Deixei meus olhos vagarem pelo refeitório e fazer o reconhecimento, me surpreendendo por muitos terem uma beleza incrível apesar de serem visivelmente pacientes. Primeiro peguei o vislumbre de um casal muito bonito na mesa da frente e os analisei, a garota era uma loura com o cabelo ondulado e longo, traços belíssimos e olhos azul-escuros, uma camisa com gola branca estava antepondo perfeitamente a camisa com manga cinza, suas mãos estranhamente cobertas por luvas látex e ao lado uma garrafinha de álcool e gel, ela estava me olhando com raiva e levantei uma sobrancelha em desafio, ela respondeu com um bufar e virou o rosto para murmurar algo ao seu parceiro. Este com um porte físico impressionante, parecia ser alto e extremamente musculoso, cabelo curto encaracolado e quase preto, olhos azuis que refletiam inocência e violência simultaneamente, ele sorriu para algo que a loira disse, suas covinhas aparecendo.

A mesa ao lado tinha apenas um ocupante, um garoto alto e em comparação ao cara dos músculos era razoavelmente forte, cabelo cor de mel no comprimento do queixo, olhos castanhos com quantidade considerável de olheiras e um rosto bonito, porém muito abatido. O vislumbre de uma cicatriz em seu pescoço era visível, e eu estremeci em imaginar como ele conseguiu aquilo.

A terceira e última mesa da primeira fileira era composta por um casal também, a garota tinha cabelo louro-avermelhados, muito bonita, quase como uma modelo, mas sua expressão era tão vazia que eu me perguntei se ela estava realmente lá. Já o garoto que estava na mesma mesa parecia o oposto, observando em volta freneticamente com seus olhos castanhos, o cabelo preto estava cortado irregularmente e sua pele morena estava pálida, como se estivesse doente.

A garota que estava na mesa ao lado da nossa parecia estar tremendo, ela era miúda, cabelo castanho-escuro na altura dos ombros, o garfo de plástico na mão dela estava instável e eu quase senti pena por ela, parecendo ser mais nova que eu.

E por último, o garoto que estava na mesa da janela, a primeira coisa que notei foi seu cabelo de uma diferente cor bronze extremamente desalinhado, como se ele não conseguisse parar de passar sua mão por ele, alto, magro, mas musculoso, era tão belo que por um momento parei de respirar apenas para apreciar sua beleza. Ele estava virado para a janela, e pareceu perceber meu olhar, redirecionando sua visão para mim e eu quase me perdi no intenso dos seus olhos verdes. Inesperadamente envergonhada, voltei minha atenção para Alice, esperando que os olhos verdes desviassem de mim e a sensação de formigamento pelo corpo parasse.

- Então, por que você está aqui? – dei um sobressalto pela pergunta de Alice e pigarreei.

- Meus pais queria se ver livres de mim, sabe como é? – respondi com uma risada sem humor no final. Os olhos de Alice ficaram opacos e ela assentiu.

- Sei exatamente como é isso. – falou e voltou sua atenção para a comida, resolvi fazer o mesmo e fiz um esforço extra para engolir a comida insossa.

Provavelmente após vinte minutos de tentar engolir o que eles chamam de comida, Alice me explicou que nós estávamos no terceiro andar, onde fica os nossos quartos e os consultórios do Dr. Cullen, psicólogo clínico, Dra. Jane que é psicanalista e o Dr. Caius, o psiquiatra. O segundo andar era a lavanderia, dispensa e a antiga biblioteca, o primeiro era claro, a recepção e o escritório de Aro Volturi.

- E o que tem no quarto andar? – perguntei curiosa, Alice empalideceu e suas mãos tremeram. – Ei, você está bem? – preocupada com sua reação, cobri minha mão na sua e apertei suavemente. Ela pareceu sair do estupor e respirou fundo várias vezes antes de falar.

- Espero que você nunca descubra o que há lá, Bella. – estremeci com a sinceridade na sua voz e o olhar vago de antes.

A enfermeira Stanley voltou e nos levou para nossos quartos em fila indiana de meninas e meninos, como criancinhas na pré-escola, foi quando eu reparei que na porta dos quartos haviam números, o meu era três, ao lado do meu era da Alice, e o quatro da loura de luva de látex.

Com um suspiro, entrei no meu quarto e olhei para o vidro, congelando ao deparar com olhos verdes no quarto da frente, me obrigando a descontrair, dei de ombros e retribui para o seu olhar um meio sorriso e ele pareceu surpreso, balançando a cabeça suavemente e desaparecendo.

Abri o armário e troquei para o que parecia ser um par de pijamas cinza, deitei na cama e tentei relaxar, os últimos acontecimentos passando em minha mente como um filme deprimente. Mesmo nessas circunstâncias, não mudaria nada, eu ainda faria aquilo com Lauren novamente.