Disclaimer: Os personagens da série Twilight não me pertencem, e essa fanfic é somente para uso de entretenimento e sem qualquer fim lucrativo. Os direitos dos personagens pertencem a Tia Steph e ao pessoal dela lá.
NOTA: Contém spoiler de todos os livros da série Twilight.
Capítulo III – Mente fechada
Aborrecida. Era exatamente assim que me sentia quando acordei no dia seguinte. Pouco me importei com minha mãe me chamando cedo para ir caçar. Eu não estava com fome, ou melhor, sede. O que eu queria mesmo era dormir como se no mundo não houvesse o amanhã. Quando estou chateada, eu gosto de dormir. Na minha família eu sou a única que durmo, então se eu quero um momento de paz e tranqüilidade longe de todo mundo, o único jeito é me deixar levar por um sono profundo. Porém mesmo contra todas as minhas vontades, me levantei.
Meu terceiro dia de escola. E eu podia apostar a minha mesada que seria um terceiro dia de briga com o meu pai. Edward Cullen é simplesmente impossível. Fui para o meu banheiro e tomei o banho mais lento que consegui, me arrumei calmamente e desci. Não tinha ninguém na sala. Olhei mais atentamente e vi que estava errada, meu pai estava ao piano. Ele não tocava nada, apenas fitava as teclas concentrado. Eu pensei em dizer bom dia, mas antes que eu dissesse qualquer coisa ele levantou a cabeça e sorriu para mim. Como sempre.
- Bom dia para você também.
- Eu sei falar sabia? – eu perguntei sorrindo – Cadê todo mundo?
- Carlisle e Esme foram a cidade, ela está empolgadíssima com a chegada de Jacob, você sabe como ela gosta de cozinhar. Sua mãe, Alice e Jasper foram caçar. – papai terminou a frase tocando algumas notas no piano. Queria disfarçar alguma coisa? Só ele para pensar em me enrolar!
- Você não foi junto por quê? Eu posso apostar a minha...
- Você já apostou sua mesada assim que acordou. – ele disse me interrompendo.
- Aff! Mal acordei e você já estava me espionando pai! Isso não é justo! – eu estava realmente aborrecida, estava possessa de raiva aquela altura.
- Não foi minha culpa. – ele disse realmente parecendo culpado – Só você estava em casa, e quando você está nervosa seus pensamentos parecem berros.
Estreitei meus olhos para ele, mas evitei pensar em qualquer coisa ofensiva, afinal de contas eu ainda tenho amor a minha vida. Não se deve aborrecer um vampiro adulto de manhã, aliás, não se deve aborrecer vampiro nenhum a hora nenhuma.
- Acho que precisamos ter uma conversa séria. – ele disse me encarando.
- Então foi por isso que você despachou a mamãe! – eu disse acusadora. – Nada de conversas sérias até a chegada da minha mãe, você conhece as regras.
- Deixe de bobagens Reneesme.
Minha mãe estabeleceu uma regra para as conversas sérias com meu pai. Ela nunca achou justo que eu não pudesse pensar em paz antes de me justificar por qualquer coisa que tivesse feito. Então, sempre que tínhamos uma conversa séria, mamãe me colocava sob seu escudo de proteção mental e assim eu podia confessar e me justificar por minhas travessuras. Segundo minha mãe, essa era uma maneira de estabelecer laços de confiança entre nós sem a intervenção do dom do meu pai. Assim, eles decidiam qual seria o meu castigo durante a conversa, mesmo que meu pai pudesse vasculhar a minha mente depois que o escudo fosse retirado.
Agora, meu pai "o esperto" queria driblar a regra. Eu não ia dar esse mole para ele. Nada de conversas até que a mamãe volte. E ponto final.
- Não sei o porquê de toda essa agressividade. – meu pai disse me olhando chateado.
- Jura que você não sabe? Ah pai! Que tal uma trégua? Depois você pode brigar e berrar comigo a vontade.
Sai da sala e fui para a cozinha, o lugar mais desabitado da nossa casa. Porém agora que o Jake estava vindo nos visitar, nós íamos estrear a cozinha da casa nova, aposto que a vovó vai trazer todo o tipo de comida possível do supermercado. Pensar que o Jake esta chegando, me fez ficar mais animada, logo eu teria como fugir de toda essa atmosfera de estresse que meu pai esta fazendo o favor de conservar aqui em casa.
Olhei para a geladeira pensando que às vezes seria tão bom gostar de comer comida humana, as coisas seriam tão mais simples. Quando eu era pequena minha dieta era uma mescla de comida normal, humana, e sangue. Eu sempre odiei comida humana, era horrível. Mas meu avô, enquanto médico achava que como eu era meio humana, deveria-me alimentar também como os humanos. Ainda bem que eu cresci e pude provar para ele que isso não era necessário, eu podia viver normalmente só com a nossa dieta vampírica.
Mesmo com a parte da comida humana horrenda, as coisas eram simples. Vovô nos mantinha abastecidos, ou melhor, me mantinha abastecida, com sangue humano na geladeira. Fechei os olhos e inspirei fundo lembrando-me do sabor, mesmo nunca estando na temperatura certa era uma delícia. Beber sangue na mamadeira ou de canudinho é uma idéia bastante esquisita de guloseimas infantis. Balancei a cabeça tentando afastar essas lembranças. Minha família sempre me acostumou a caçar e beber sangue de animais, assim como todos eles, sangue humano é apenas uma lembrança de uma infância muito remota. Ok, nem tão remota assim.
Ouvi alguns passos e palavras na sala, eles deviam ter voltado. É claro que eu poderia ficar enrolando, mas eu não estava a fim de deixar para mais tarde a bronca que se pode levar agora, além do mais eu tinha aula ainda hoje, e deveria me apressar ou chegaria atrasada. Lógico que os outros não estavam com pressa, todos, exceto a mamãe, já repetiram o secundário um milhão de vezes. Só eu tenho essa ansiedade juvenil para viver os acontecimentos da adolescência. Respirei fundo e voltei para a sala.
Tia Alice me olhou meio desfocada, e eu percebi que ela estava tendo uma visão. Fiquei parada pensando se deveria voltar para a cozinha e me manter fora de vista por mais algum tempo. Eu "nublava" as visões da minha tia, e isso a aborrecia, ela nunca me disse isso, mas eu sei que eu a atrapalho muito. Tia Alice só pode prever o futuro de seres humanos e de vampiros, eu não me encaixo em nenhuma dessas categorias. Sou apenas uma "meia" de cada coisa, nem vampira, nem humana. E como eu estava ligada ao destino de todo mundo aqui em casa, as coisas sempre ficavam difíceis para ela.
Quase voltei para a cozinha, mas em um segundo ela se recuperou e sorriu. Eu sorri de volta é claro, é impossível não corresponder a um sorriso da Tia Alice.
- Amanhã vai fazer sol. – ela disse pegando a mão do Tio Jasper e saindo da sala. Eu sabia que não foi só isso que ela viu, não sei como, mas sabia.
- É isso aí - eu disse olhando meus tios saírem pela porta da frente – enfim sós.
- Não quis caçar conosco meu amor. – disse mamãe – Não comeu ontem também. Hoje a noite não pode deixar de ir, ok?
- Papai também não foi. – eu joguei meu olhar para o meu pai e voltei minha atenção sorrindo para minha mãe – Parece que ele queria burlar as regras.
- Como assim, Edward Cullen está burlando as regras?- Adoro quando a mamãe faz cara de "mãe" pro meu pai! É tão divertido!
- Eu não estou burlando nada, só queria conversar com a Nessie, e não queria preocupar você Bella, só isso.
Bem, achei melhor me sentar, essa vai ser aquele tipo de conversa longa. Minha mãe olhou interrogativamente para o meu pai que passou a mão pelo rosto parecendo cansado e aflito.
- Do que você está falando Edward? – perguntou minha mãe, preocupada.
- Eu não quis dizer antes porque achei que não fosse nada demais. Não queria preocupar ninguém antes de descobrir o que realmente está acontecendo, mas a aproximação de Reneesme com esse garoto William está me preocupando. – meu pai disse para a minha mãe. Odeio quando eles falam de mim como se eu não estivesse ali.
- O que exatamente está acontecendo? – mamãe o olhou aflita.
- Aparentemente eu não consigo ler a mente de Wiliam. – ele disse por fim.
- Como assim você não consegue ler a mente do Will? – perguntei assustada – Ele tem algum tipo de escudo como o da mamãe? – olhei para a minha mãe que também estava espantada.
- Não é um escudo, mas também não sei ainda do que se trata. – papai disse tentando parecer calmo, como se tudo estivesse sob controle – A impressão que eu tenho é como se ele não tivesse nada na cabeça.
Como é que é? Ele não esta falando isso para mim! Will não é nenhum cabeça oca. Meu pai suspirou, aposto que me ouviu reclamando em pensamento. Só então percebi que me deixei levar pela curiosidade e começamos essa conversa sem que a mamãe colocasse o escudo em mim. Antes que eu falasse qualquer coisa minha mãe perguntou.
- O que você quer dizer com isso Edward?
- Estou dizendo que ou ele não pensa, o que eu duvido muito que seja o caso – papai jogou um olhar para mim e continuou – ou ele é a pessoa que melhor sabe mascarar os pensamentos do universo. Sempre que me foco nele, o rapaz esta pensando coisas como músicas repetitivas, alguma piada idiota, ou em uma cor ou parede branca. Isso seja ele conversando, assistindo aula ou distraído.
- Que coisa estranha. – disse a mamãe. – Você tem idéia do que pode ser?
- Eu nunca vi nada parecido em toda a minha existência.
- Bizarro! Will mascara os pensamentos! – eu disse em voz alta o que estava pensando. Não ia adiantar de nada tentar esconder mesmo – Ele precisa me ensinar como se faz isso!
- Nada disso! – disseram meu pai e minha mãe juntos.
- Você não vai chegar nem perto desse garoto enquanto eu não descobrir o que está acontecendo – o tom do papai não era de um simples aviso, aquilo era uma ameaça.
- Will é meu amigo, eu não posso simplesmente ignorá-lo, ele não deixa – eu disse rindo. Podemos dizer que ultimamente eu não ando ligando para as ameaças do meu pai – E não vou tratá-lo mal para depois você descobrir que seu leitor de mentes era que estava com curto circuito e Will não tinha nada a ver com isso.
- Meu bem, - mamãe pegou minha mão – apenas evite ficar sozinha com ele até que nós descubramos o que esta acontecendo. Tudo bem?
Olhei dela para o meu pai e depois para ela de novo, enfim acenei com a cabeça me rendendo. Bufei só para fazer "malcriação", peguei minha mochila e sai de casa.
Tia Alice e tio Jasper já tinham ido para a escola, eu entrei no carro do meu pai e fiquei esperando pela boa vontade dele de aparecer e me levar para escola. Não era preciso ler mentes para saber o que aquele vampiro bonitão lá na sala estava pensando: Alaska!
Papai pensava que podia resolver seus problemas correndo pro Alaska. Eu gosto de lá, todas às vezes, foram poucas, mas ainda assim, que fomos visitar o clã de Tânia, em Denali, foi bastante legal. Tânia fica me bajulando para ver se apaga a má impressão que ficou quando eu quase fui destruída por culpa de uma de suas irmãs, Irina. Eu realmente causei uma revolução no mundo vampírico, eu pensei rindo. A essa altura meus pais já estavam no carro e íamos em direção a escola.
Quando eu nasci, como ninguém sabia o que o bebê monstrinho poderia se tornar, os Volturi a família mais tradicional da nossa raça – são eles também que regem o que podemos chamar de "leis" da nossa espécie – vieram conferir se eu era uma ameaça ao segredo dos vampiros. Ok, na verdade eles vieram dar um fim em mim mesmo, mas minha família conseguiu me salvar. A questão é que a causadora dos Volturi terem vindo até nós foi a Irina por ter contado da minha existência, e foi ela quem acabou sendo destruída também. Ela não merecia esse fim, de jeito nenhum, mas não foi certo ela ter nos acusado. Por isso Tânia acha que fazer minhas vontades e tudo mais pode limpar a barra da família dela, como se ter arriscado a vida ou existência, que seja, ajudando a minha família a me proteger dos Volturi já não fosse o suficiente.
Enfim, o Alaska é um lugar longe o suficiente para a resolução dos problemas do papai. Mas eu não pretendo ir a lugar nenhum, eu pensei olhando os olhos dele que me observavam pelo retrovisor.
O dia na escola foi a coisa mais parecida com tranqüilo que eu podia pensar. Os deveres foram tranqüilos, o almoço foi tranqüilo, – almocei com a minha família, consegui despistar Will – tudo tranqüilo, nenhuma novidade assustadora como ontem. Exceto pela hora da saída.
Eu achei que poderia sair da escola uma única vez essa semana sem nenhuma novidade, mas os céus não ouvem minhas preces – e seria estranho se o fizessem. Quando estava quase chegando ao estacionamento, atrasada porque minha última aula demorou mais do que o esperado, Will veio correndo na minha direção. Fingi que não tinha reparado nele, mas ele não é o tipo de pessoa fácil de enganar.
- Eeeei!! Nessie me espera. – não tive como ignorar isso. Eu não sou uma pessoa mal educada.
- Ah! Oi Will, nem te vi. – ai como eu sou cínica.
- Tudo indo com o nosso trabalho? – ele disse coçando a parte de trás do cabelo e o despenteando ainda mais, se é que isso fosse possível.
Ãnh? Ah o trabalho de inglês acabei me esquecendo disso. Tantas coisas rondando minha pobre mentezinha.
- Ainda nem comecei a ler. – eu disse sincera. Era cansativo mentir para ele.
- Que bom, porque eu ainda nem te disse com qual romance nós ficamos. – ele disse com um meio sorriso.
- Não? – eu deixei escapar.
- Não né, você quase não me deu atenção hoje. Aconteceu alguma coisa? – ele parecia realmente preocupado.
- Eu só pensei que... – e lá ia eu me cansar inventando alguma coisa – que talvez você quisesse um tempo longe de mim depois da ameaça de morte que te fiz ontem. – eu disse tentando parecer casual, mas não consegui evitar um tremelique.
- Eu sempre quero ficar perto de você. De qualquer maneira. – ele disse parecendo acanhado. O que era aquilo na maçã do rosto Will? Ele estava realmente ficando... Corado?!
Respirei duas vezes obrigando minhas pernas a pararem de tremer. Joguei meus cachos levemente para trás e me concentrei em um ponto fixo. Isso não ajudou muito porque o ponto fixo que eu olhei foi para os olhos de Will, então meu coração deu uma leve desacelerada antes de bater como uma bateria louca.
- De qualquer maneira, - ele disse e eu mudei meu ponto fixo, agora eram seus lábios. Isso não está funcionando, eu vou hiperventilar - nós vamos trabalhar com 1984 de Georg Orwell. Achei que se escolhêssemos Shakespeare seria clichê demais. Ainda mais depois de toda aquela breguice na aula, fiquei pensando...
Eu tinha a vaga idéia de que Will estava falando alguma coisa, mas eu só conseguia prestar a atenção nos movimentos dos seus lábios. Pareciam tão vermelhos, observando-os assim, com mais ardor. Como carmim, e mesmo assim não eram lábios femininos. Por um segundo imaginei poder tocar aqueles lábios, ao menos com os dedos. Já estava levantando a mão quando me obriguei a voltar à realidade. Eu ainda estava no estacionamento e tinha a vaga lembrança que em algum lugar não muito longe dali minha família podia ouvir TODA a nossa conversa. E pior, meu pai podia ouvir TUDO o que eu estava pensando agora.
-... Que tal sábado?
Abaixei a cabeça envergonhada, corando. Acho que ele disse alguma coisa, me perguntou algo. Eu relutava em olhar para ele. Será que meus olhos denunciariam meus pensamentos? Respirei fundo e levantei meu rosto. Procurei por um segundo um lugar para olhar, e pensei que talvez o nariz dele fosse seguro o bastante.
- Nessie!? – ele chamou passando a mão na frente dos meus olhos – Você está ouvindo o que eu estou falando com você?
- Sim, sim. Sábado. – eu tenho certeza que ele disse sábado.
- E então? – Will perguntou. No rastro de seus olhos eu pude ver alguma expectativa. Tudo bem, eu não consegui focar muito tempo só no nariz! E quem iria me culpar?
- E então o que?
- Nossa, hoje você está mesmo em outro mundo. Eu perguntei se sábado nós poderíamos discutir o primeiro capítulo do livro. - ele disse parecendo cansado de ter que repetir isso. Mas ainda assim com um sorriso de tirar o fôlego.
- Nesse sábado? – eu me forcei a respirar e sorri insegura.
- Você já tem algum plano pro sábado?
- Bem... É que sábado... – será que eu devia falar disso com ele? Acho que não teria nenhum problema. Imaginei por um segundo meu pai abrindo a porta de casa e recebendo Will com um aperto de mãos e um tapinha nas costas. Logo a imagem mudou e o tapinha fez Will voar dois quilômetros pelo meio da floresta. Sacudi minha cabeça afastando esses pensamentos malucos. E decidi que eu poderia falar sobre o que eu quisesse, só porque a boca é minha. – Sábado é meu aniversário.
- Seu aniversário? – ele perguntou surpreso. E ficou um minuto em silencio, pensei que aquilo era bastante constrangedor uma vez que eu nunca receberia autorização para convidá-lo para a festa, e parecia que era exatamente isso que ele estava esperando. Mas então, passado o minuto de angustia, Will abriu aquele sorriso dele perfeito, me olhou meio de lado e disse: - Não é certo fazer trabalho no dia do aniversário. O que você quer fazer? Eu faço o que você quiser fazer no seu dia.
Foco Nessie. Não deixe sua mente vaguear sobre esse: "Eu faço o que você quiser fazer no seu dia", não se permita pensar.
- A gente pode falar sobre isso depois? – eu disse olhando para trás fingindo pressa – Minha família está me esperando, acho que me esqueci deles – eu sorri, ele devolveu o sorriso. Fui andando e fiz a besteira de voltar. Peguei a caneta que estava presa no caderno dele e escrevi meu celular na palma da mão esquerda de Will. – Depois a gente combina! – eu sorri lhe dando uma piscadela e sai correndo.
Corri para o carro e entrei sem olhar ninguém. Sentei no meu lugar de costume, na janela atrás do banco do meu pai, e ali bem fiquei quietinha. Ninguém falou comigo no caminho de volta, mas eu podia sentir os olhos do meu pai em mim pelo retrovisor. Eu achei que poderia ter um dia normal, eu realmente achei.
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- Então eu não quero mais. Está decidido.
- Reneesme Carlie Cullen. Não me faça perder as estribeiras. – mamãe disse calmamente com sua voz deliciosamente encantadora. Como alguém assim podia soar ameaçadora? Mas acredite, ela soava.
- Mas mãe...
- Nada de mas. Há quanto tempo sua Tia Alice está preparando a sua festa? Esta tudo certo. – olhei para ela com minha melhor cara de incrédula, foi sempre ela quem odiou festas de aniversário, por que isso agora? – E não me olhe assim. Você sempre gostou de festas. E, além disso, o Jacob está vindo só para isso.
Golpe baixo citar o Jake. Mas isso eu nem ia discutir com ela. Jacob Black é a pessoa mais maravilhosa de todo o mundo, meu melhor amigo. E eu duvido que para ele faça alguma diferença ter festa ou não no meu aniversário. Mas para mim vai fazer diferença ter uma festa que eu não quero.
- Não estou com clima para festa. Eu exijo ser tratada com mais respeito nessa casa! – ouvi meus tios rirem no cômodo ao lado, não havia nada de engraçado aqui. – Eu quero que ele me deixe ser normal! – eu apontei meu dedo acusador para o vampiro de cabelo acobreado sentado perto da janela fingindo me ignorar.
- Eu não estou te ignorando. Só penso que isso tudo é absolutamente desnecessário. – meu pai disse ainda olhando pela janela.
Minha mãe olhou para ele por um segundo, devia estar imaginando o que não foi dito, devido à resposta dele. Depois resolveu que não era nada, apenas mais uma esquisitice natural da nossa família, e voltou sua atenção para mim.
- Não seja dramática Reneesme. Você esta cursando o colégio como uma menina normal, do jeito que você queria. – Ela disse séria, e depois jogou em mim aquele olhar complacente. Lá vem ela querendo me convencer de alguma coisa. – Nessie, você mais do que ninguém devia ser mais compreensiva.
- Vocês também deviam ser compreensivos comigo. Eu só queria que o papai tivesse mais confiança em mim, só isso. – eu disse triste me sentando no sofá.
- Eii, - papai tocou meu braço no instante em que me sentei – não é uma questão de falta de confiança filha. Eu sei que você não faria nada de errado propositalmente, mas você pode acabar se deixando levar... Só estou cuidando de você.
Eu me aconcheguei no peito dele enquanto ele mexia no meu cabelo. Mamãe veio se sentar ao nosso lado e ficamos assim, por quase um minuto inteiro como a família feliz que sempre fomos. Mas aí tia Alice chegou parecendo uma fada alvorocenta.
- Ok, agora que conseguimos algo parecido com um "final feliz" – ela fez as aspas com os dedos – ninguém vai mais atrapalhar a minha festa! – terminou sorrindo, quase ferozmente vale a pena acrescentar.
- Pensei que era a minha festa. – eu disse ainda aninhada ao meu pai, que sorriu levemente no topo da minha cabeça.
- OK, ok, nossa festa. Tá bom assim para você?
Então foi isso, ficou decidido que no final das contas eu teria sim uma festa de aniversário, que provavelmente seria de proporções gigantescas, como era sempre, para o nosso enorme contingente de convidados que seriam, contando com a gente aqui de casa, ao todo onze pessoas. Nós, Jake e Seth.
Essa seria a menor festa que eu já tive. Normalmente os meus aniversários em Forks reuniam muitos amigos de nossa família, mas considerando o clima aqui de casa nos últimos dias, só o fato de haver festa já era pra lá de suficiente.
Fui para o meu quarto com vontade de me enfiar debaixo de um travesseiro e esquecer o mundo. Mas não foi isso que eu fiz. Não adiantaria nada. Então peguei meu exemplar de 1984 de Georg Orwell e li todo o primeiro capítulo, eu realmente precisava me voltar um pouco mais para os meus trabalhos escolares. Eu podia apostar que Will já tinha lido alguma coisa, nem que fosse uma resenha da internet, só para ter assunto sobre o livro. Antes de pegar num sono profundo naquela noite, minha mente viajou por um rosto simpático e lindo, enfim encontrando um refúgio para os meus problemas em um sono tranquilo.
Continua...
N/B: Gente espero q estejam gostando da fic, a Ox tá totalmente empolgada com ela e eu tbm \o/. A Nessie é bem sortuda hein? Kkkkkk' e o que vc's acham que vaii acontecer?? Continuem acompanhando e comentem, a Autora é muitooo carente kkkk' parei/
Bjus =*
Thay
N/A: É isso. Um milhão e meio de anos depois, cap 3 postado! Espero que vcs tenham gostado! Mas eu soh vou saber disso se alguém me contar, entaum... Apertem aquele botãozinho verde ali embaixo. Vc tah vendo? É bem aqui no fim da página. Então, aperta um botão e deixa um recadinho pra mim, vai? Eu sou carente! [só a título de curiosidade: a Ox q a Thay fala na nota, sou eu! hehe]
Beijos para quem comentou: Aline Cullen; Elen C. ; Mandinha Chan; Thebraziliangirl e a Thay [beta fofa comentadora de fic!]
Super beijos!
Tataya Black
