Capítulo Dois
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- Bella. – A voz profunda de Edward chegou aos seus ouvidos. – Está na hora de irmos.
Ao voltar-se com ele na direção das portas duplas, sentiu o homem agarrar-lhe a mão e perguntar:
- Há alguém de quem queira se despedir?
Com uma resposta brusca na ponta da língua, ela o fitou. Mas, o estremecer do canto de seus lábios e o brilho divertido nos seus olhos a impediram de falar. Ele a estava provocando. Será que escutara os sussurros e as risadas das mulheres? Será que, de algum modo, entendia o quanto o veneno por trás das zombarias maliciosas a magoava?
Ela se inclinou para a frente, esticando intencionalmente o pescoço para poder enxergar as mulheres atrás dele, e respondeu:
- Não. Eu acho que não.
Edward deteve-se para passar o braço ao redor dos ombros tensos de Bella e a puxou para perto de si, antes de voltar sua atenção para as mulheres surpresas.
- Não a culpo por ter bom-senso o suficiente para reconhecer aquelas indignas de seu tempo ou de sua atenção.
Ele ergueu a voz o suficiente para ser escutado, e seu tom de voz tornou-se duro o bastante para ser entendido. Bella não sabia o que a surpreendia, ou a confundia mais: o modo como ele a defendia ou as expressões de choque ou vergonha estampadas no rosto das mulheres.
Após avançar novamente na direção das portas, Edward a fitou mais uma vez, e ela teve a súbita sensação de se afogar naqueles olhos verdes salpicados de dourado. Sem fôlego, a garganta seca, ela se viu tendo dificuldades para engolir.
Pior ainda foi o modo como o seu coração disparou e uma sensação à qual receava dar nome preencheu seu peito.
Não conhecia aquele homem, não confiava nele. Não queria ser sua esposa. Jamais poderia sentir algo por ele. Nada mesmo.
Quando deixaram a capela, Bella desvencilhou-se de seu braço. Precisava manter distância dele. E precisava se lembrar de que ele não passava de um meio de completar sua última tarefa para a rainha.
Edward não pôde deixar de notar a súbita retração da esposa assim que deixaram os olhares das outras mulheres. Ele havia se perguntado por que ela respondera com tanto ardor ao beijo dele e agora sabia que havia sido para o benefício das mulheres... Não para o dele.
Por que saber disso lhe provocava uma ponta de arrependimento? Não era como se o ato de trocar os votos houvesse mudado algo entre eles. Apesar de um gostinho dos lábios dela ter servido para deixá-lo querendo mais.
- Bella, espere.
Ele entrelaçou os dedos com os dela. Edward sabia que não deveria deixar que a mulher se afastasse dele, pois tinha a nítida sensação de que ela sairia correndo na primeira oportunidade que tivesse.
Após a rainha Eleanor concordar com a sua exigência, Bella havia fugido dele. Apesar de não poder ter certeza, ele suspeitava que ela fora atrás de Eleanor para convencer a rainha a mudar de idéia. Obviamente, suas tentativas não haviam sido bem sucedidas.
Bella tentou libertar a mão, mas, antes que pudesse falar alguma coisa, uma mulher que Edward reconheceu como sendo outra das damas da rainha se aproximou.
- Lady Bella, isto vem da rainha.
A mulher entregou uma pequena bolsa a Bella.
Sua esposa abriu a bolsinha adornada de jóias e espiou o seu interior. Seus olhos se arregalaram antes de enfiar a mão dentro da bolsa e retirar de lá de dentro o que parecia ser ouro o suficiente para sustentá-los por um bom tempo.
Quando Bella tentou devolver a bolsinha, a mulher sacudiu a cabeça e se recusou a aceitar.
- Não, é tudo seu. A rainha Eleanor lhes deseja uma viajem segura. – Timidamente, ela olhou para Edward e Bella. – E eu também lhes desejo tudo de bom.
Os olhos expressivos da esposa se arregalaram por menos de uma fração de segundos, mas ela sorriu e disse:
- Obrigada. – Bella hesitou, e depois acrescentou: - Também lhe desejamos tudo de bom, lady Ângela. Que sua estadia aqui seja agradável e breve.
Ângela riu. Ao virar-se para ir embora, aconselhou:
- A luz do dia chegará em menos de uma hora. É melhor se apressarem.
Edward assentiu diante do aviso e fez menção de seguir para a câmara que dividia com o conde. Mas Bella o puxou pelo braço em outra direção.
- Por aqui é mais rápido.
Ela conhecia muito melhor o castelo, e como sua liberdade também estava em jogo, ele decidiu confiar nela.
- Mostre o caminho.
Bella os conduziu rapidamente por um corredor semi-iluminado que terminava em um patamar, que se estendia por todo o Grande Salão.
Por sobre o corrimão, Edward espiou o salão quase deserto, lá embaixo. Chegou a prender a respiração de surpresa.
Laurent Langsford e James Arnyll estavam envolvidos em um conversa ao se aproximarem da escadaria que levava ao patamar.
Sem pensar, Edward agarrou Bella. Ele ignorou a sua exclamação de surpresa e a arrastou até uma pequena recâmara escura.
A visão de Langsford não o incomodou. O homem não passava de um valentão e um tolo beberrão, um peão inútil da rainha em suas incessantes tentativas de deter o conde.
Mas Arnyll era outra história. O que aquele desalmado filho do diabo estava fazendo ali?
Como Edward, Arnyll também havia sido capturado e vendido como escravo. Quando Jasper conquistara a liberdade dele e a vida de três outros homens, Edward solicitara a inclusão de Arnyll apenas por ele ser um compatriota.
Desde o primeiro instante que Arnyll fora jogado nas masmorras de Aro, Edward se sensibilizara com a situação difícil do homem menor. Edward havia ensinado Arnyll a usar de velocidade e agilidade para derrotar os oponentes. Os dois freqüentemente foram colocados para lutar juntos, em dupla, literalmente lutando lado a lado, como um só.
Contudo, Arnyll logo revelara seu verdadeiro caráter. O homem se mostrara tão ruim quanto, senão pior que, o senhor dos escravos Caius.
A lembrança do cão magricela que Edward e alguns dos outros haviam salvado da panela do cozinheiro lhe veio à cabeça. Ele esforçou-se para não tremer como um tolo covarde ante a lembrança. Eles haviam escondido o vira-lata faminto por meses a fio, até Arnyll, em uma demonstração de ressentimento por uma porção extra de vinho amargo que fora dado a outro, contou sobre o animal para Caius. Na manhã seguinte, todos haviam aprendido como tinham sido fúteis suas tentativas de preservar a vida do cão.
As passadas dos homens se aproximavam. Estavam tão envolvidos na conversa que nenhum dos dois notou Edward e Bella no patamar.
Edward largou-se sobre um banco de pedra dos fundos da recâmara escura e puxou Bella para o seu colo. Na maioria das vezes, era quase impossível esconder suas dimensões. Com sorte, aparentar serem amantes em um encontro particular poderia funcionar. Também poderia oferecer a oportunidade perfeita de escutar a conversa dos homens.
Quando ela empurrou o seu peito, em uma tentativa inútil de escapar, ele passou um dos braços ao redor da esposa para mantê-la no lugar. Certo de que ela não permaneceria em silêncio por muito mais tempo, Edward passou os dedos pelos cabelos dela e abaixou a boca sobre a dela.
Ela arquejou de encontro a seus lábios, e ele sussurrou:
- Não se mexa. Não lhe farei mal, mas Arnyll poderá fazê-lo.
Bella franziu a testa. Arnyll? Após alguns instantes se deu conta de que ele estava falando de James. Avistara o desprezível Laurent com James no salão, e, tomada de confusão, testemunhara a reação de Edward.
Se aqueles homens eram capazes de deixar um bruto como ele tão agitado, talvez fosse melhor obedecer.
Abaixando o tom de voz, ela avisou:
- Isto é apenas para manter as aparências, não é de verdade.
Ela o sentiu sorrir de encontro aos seus lábios quando ergueu os braços e entrelaçou os braços e entrelaçou as mãos atrás da nuca dele.
Bella estreitou os olhos, desejando poder enxergar o rosto dele na escuridão. Por uma razão que não sabia explicar, teve uma sensação de que aquele sorriso seria arrogante e que seus olhos brilhariam de modo travesso.
Infelizmente, estava se tornando evidente que ela não se casara com um homem desprovido de sagacidade. Isso poderia representar um obstáculo para sua tarefa... E talvez um perigo para ela.
Acima de tudo, precisava se certificar de que Edward não descobriria que ela ainda estava sob as ordens da rainha. Ele jamais compreenderia. Nenhum homem aceitaria de bom grado saber que, apesar dos votos trocados, a esposa ainda obedecia a outra pessoa.
A conversa de Laurent e James foi ficando mais alta à medida que se aproximavam da recâmara. Bella quase podia entender algumas palavras, e o pouco que escutou a deixou sem saber o que pensar. Havia uma conversa confusa sobre uma tarefa ter sido bem sucedida.
Apenas uma pessoa envolvida nas intrigas da corte poderia ser capaz de tirar algum sentido dos trechos da conversa que estava ouvindo. Eles falavam da rainha e dela, mas era pouco provável que Edward fosse capaz de juntar as peças aleatórias.
Ela torcia para que a audição dele não fosse tão sensível aos tons sussurrados usados na corte quanto a dela. Porque a tarefa que os dois homens estavam discutindo era a mesma que ela recentemente falhara em completar.
Eles haviam feito a sua parte. Os dois raptaram Alice, impedindo que ela procurasse Wihlock. Embora, na ocasião, ninguém houvesse sabido do casamento dos dois, todos notaram que o casal estava sempre junto. De modo que o rapto fora considerado necessário para permitir que Bella fosse encontrada na cama do conde.
Mas algum pensamento insistente fizera com que Bella buscasse a libertação de Alice. Foi então que descobriu a respeito do casamento.
Bella não tinha certeza se Laurent ou James sabiam que havia sido ela a libertar Alice. Também não tinha certeza se estavam cientes de seu casamento com Cullen. Não estava ansiosa para descobrir o que sabiam ou deixavam de saber.
Ela gemeu baixinho, de modo que apenas o marido pudesse escutar, e se apertou com mais força de encontro ao peito dele. Quase não foi capaz de conter o suspiro de alivio quando Edward relaxou os braços e gentilmente lhe acariciou as costas em círculos.
Talvez a rainha Eleanor tivesse razão. Afinal, Edward era apenas um homem. E, talvez, como os outros homens da corte, pudesse ser facilmente persuadido.
Desde cedo aprendera que um sorriso suave, um olhar provocante ou um breve toque no peito ou no braço era muito útil para convencer um homem a enxergar as coisas do seu modo. Raramente se vira forçada a recorrer a promessas que jamais seriam cumpridas.
Quando Laurent e James passaram diante da recâmara, seu coração bateu tão forte que ela pensou que iria explodir. Silenciosamente, rezou para que não dissessem nada que poderia entregá-la. Bella temia a possibilidade de Edward descobrir que ela ainda era espiã da rainha mais do que receava ser descoberta por aqueles homens.
Edward pressionou a ponta dos dedos de encontro à sua nuca e lhe cobriu a boca com os lábios. O coração de Bella disparou. Não havia nada de gentil no modo como ele a puxava para si, ou como lhe provocava os lábios até estes se entreabrirem como se possuíssem vontade própria. Ele a beijou com vontade, apagando de sua mente qualquer pensamento envolvendo a rainha e os homens. Ela conseguia pensar apenas no ardor que lhe percorria as veias, derretendo a sua determinação de se manter distante do homem com quem se casara.
A única coisa que lhe preenchia os pensamentos, a única coisa na qual conseguia se concentrar, era a magia concreta e certeira de sua boca movimentando-se sobre a dela. E o calor inebriante que lhe percorria os lábios.
Quando ele interrompeu os beijos, Bella rapidamente percebeu que ele não a puxava mais para si. Em vez disso, ela se apoiava nele, seus seios lhe pressionando o peito, suas mãos lhe agarrando os ombros.
Ela rapidamente tratou de se afastar. Juntando as mãos sobre o colo, inspirou profundamente buscando um pouco de calma contra a tempestade que ainda castigava o seu intimo. Jamais havia se sentido tão afetada pelos beijos de um homem.
Corrigiu sua avaliação anterior sobre como ele poderia ser facilmente persuadido. A rainha estava enganada... Edward Cullen não era apenas um outro homem.
- Acho que foram embora. – A respiração dele era quente de encontro à sua orelha. Ele se inclinou mais para perto e perguntou em um sussurro ofegante. – Tem certeza de que não havia nada de verdadeiro nesse beijo?
Bella quase saltou para o chão, subitamente se perguntando se havia desposado um velhaco.
Ele se levantou do banco e passou por ela, tomando a sua mão ao passar.
- Venha. Precisamos nos juntar a Jasper e a lady Alice, e, depois, deixarmos a corte.
Ainda sem saber muito bem como ele fora capaz de desconcertá-la tanto, Bella o conduziu até a câmara sem dizer uma palavra.
N/A: Bom... nada como umas intriguinhas para apimentar uma relação, não?!
Eu que queria um beijo desses... tem mais alguém ai querendo mais???
Uma explicação: é costume na Europa chamar pessoas que não fazem parte do seu círculo de amizades pelo sobrenome. Por isso, eu tive que inventar sobrenomes para o Laurent e o James...
agatha: huahuahua concordo plenamente com vc ^^ q bom q vc gostou do beijo deles... tem muito mais por ai... continue lendo *-*
