Capitulo Três.
Será que isto é um erro? Não sei o que fazer! Por que me precipitei? Sara tenho tanto o que contar, mas não sei se estou preparado. Não sei se hoje... durante o jantar... não sei por que estou fazendo isso. Ajuda-me, que não sou bom em... encontros. Isto é um encontro? Oh não Sara! Agora entendi! Não, não é um encontro! Não é! È sim! Não, não, não!
Dizer que Grissom estava estarrecido era para minimizar a situação... Estava apavorado! Apesar de que já havia imaginado muitas vezes em uma situação como esta, agora que se apresentava em sua vida real, não tinha idéia como seguir adiante. Literalmente estava paralisado. Não sabia o que dizer e nem o que fazer. Menos mal que Sara estava tão entusiasmada que falava pelos dois - como sempre acontecia ao redor de Grissom.
- Em que anda moras? – Disse a Grissom quando ele apertava o botão do elevador, ela adicionou. – Ah! No quarto andar. Você deve ter uma ótima vista, porque é o único edifício por aqui. Está um pouco longe do laboratório, mas pelos horários, não creio que você tem problemas com o tráfico. Além que há vários atalhos que se pode tomar por aqui...
Grissom não a escutava, somente se limitava a olhar o chão esperando despertar deste sonho ou pesadelo? Sentia-se muito nervoso, mas gostava que sua melódica voz levava ao um incomodo silencio. Era quase como uma das estações de Vivaldi. Sim, a primavera. Definitivamente, não era um pesadelo. Acalmou-se um pouco.
Era estranho, como um simples feito que Sara estivesse falando, fazia-o sentir mais tranqüilo, como quando tagarelava no laboratório e ele podia escutá-la no seu escritório. E quando a escutava, a via. Durante os primeiros dias, pensava em Sara falando com sigo mesma, mas se deu conta, quando transitava pelos corredores e passava por ela, que na realidade estava cantando. E aquilo o animava e mostrava um sorriso um pouco estúpido na sua cara, que teve que aprender a disfarçar quando uma vez Catherine pegou-o e perguntou por que ultimamente andava tão feliz ao começo do turno. Havia guardado seu canto como uma secreta culpa.
-... Grissom! - Exclamou Sara divertindo-se. As portas do elevador estavam fechadas no quarto andar. Ela passou a mão sobre o sensor e voltou a abrir. Todavia olhando para o chão, mas essa hora para esconder sua vergonha, Grissom saio rapidamente e falou:
- Vamos!
Para Sara parecia gracioso, mas reprimiu um sorriso, sabendo que seu chefe não tinha tanto sentido de humor. O seguiu para a porta do apartamento.
Aqui
é o refugio do ermitão
(Aquele que vive a ermo por penitência).
Pergunto-me se já houve mais alguém que cruzou essa
port? Mas no que estou pensando?! O que isso me importa?
Grissom
abriu a porta, mas não entrou. A empurrou e fez um gesto a
Sara indicando que entrasse.
- Adiante, bem-vinda. – Ela
sorriu de volta, ligeramente tímida. Cuidadosamente entrou no
desconhecido. È
mais espaçoso que pensava! Que pensei? Quando pensei...?
Isto
está sendo mais complicado a cada segundo. E
agora como vou lhe exigir uma explicação? Estou
brincando de visita. Ao menos posso ir se quiser. Já estou
pensando em fugir. Não desta vez! Não vou sem antes
deixar as coisas claras.
Agora era Sara que estava nervosa. Grissom já havia fechado a porta atrás dela que a fez sentir presa por um segundo, mas logo o levíssimo toque do dedo de Grissom ao seu lado fez se esquecer da claustrofobia.
- Bem, este é o meu humilde lar. – Disse indicando com a mão tudo ao redor.
- Muito aconchegante. – Diz ela desabotoando a jaqueta. Grissom a ajudou a remover e colocou no cabide.
- Obrigada.
- De nada. – Adicionou. – Sinta-se como em sua casa, por favor. Se quiser, pode colocar um pouco de música ou ler enquanto eu preparo a janta. – Indicou uma das estantes repletas de livros. – Tenho entomologia, história forense, criminosos famosos...
- Creio que vou ver a música primeiro. – Se apressou a contestar.
- Muito bem, como quiser. – Grissom se dirigiu à cozinha.
Sara se sentiu mais curiosa que de costume, o que já era o bastante. Que música escutará? Mozart, Beethoven, Bach, Tchaikovsky, Strauss, Vivaldi, Liszt… aaahhh Rachmaninoff, não somente tipos clássicos. È? E isto Frank Sinatra, Count Basie, Ella Fitzgerald... quem um dia pensou, Big Band e Jazz... Hummm este me parece bom. Elegeu um CD de Sarah Vaughn.
- Sara? - Grissom colocou a cabeça fora da porta da cozinha. – Gosta de quiche de verduras?
- Adoro! – Deixou escapar com entusiasmo.
- Ótimo! Regressou a sua tarefa com um sorriso.
Colocou o CD no
equipamento e se dirigiu a estante de livros.
Como não tem nada que não se relacione com o trabalho,
Grissom? Revista americana de medicina legal, Shakespeare... um
minuto. Shakespeare?
Pegou
o livro da estante e o olhou. Havia várias passagens
destacadas.
Nossa não conhecia este lado mais sonhador de Grissom. Pensei
que tinha olhos só para a criminalística. Bem, de algum
lugar tem que vir todo o conhecimento.
Seguiu
olhando. Thoreau.
Havia uma frase destacada: Diga
o que tenhas a dizer e não o que deves dizer. Quando na
verdade é melhor que uma invenção.
E mais uma:
A sinceridade e a transparência perfeita formam uma grande
parte da beleza. Como em as gotas do orvalho, nos lagos e diamantes.
Recordou
de uma frase. Desde
que te conheci.
Sara não pode ao menos que sentir uma felicidade enchendo seu
peito. Sem se dar conta abraçou o livro que segurava.
Sentia-se maravilhada de descobrir um aspecto novo de Grissom. Ela
sabia que ele gostava de ler, mas nunca imaginou que fosse alguém
sensível.
Se parece um robô... o enigma humano...
Às vezes sentia que era tão difícil compreendê-lo. Por isso se surpreendeu com a descoberta. Não esperava. Na verdade, não esperava nada. Foi somente um impulso que a levou a este edifício, mas agradeceu por não ter colocado um pé atrás.
Viu si mesma folheando o livro energicamente e se ruborizou. Deixou com cuidado na estante e foi ver Grissom na cozinha.
- Quer ajuda em algo?
- Não, obrigado! Já terminei. – Disse ele, fechando a porta do forno. – Só que há um problema...
- Qual? – Disse Sara novamente preocupada.
- Vai demorar uma hora. Eu esqueci. Sinto muito, vamos ter que esperar.
- Não importa. Eu lavarei os pratos por enquanto, já que não quer ajuda. – Levantou a manga da blusa.
- Não, lavo depois, não te preocupes.
- Depois vai ter mais pratos sujos. Deixa-me fazer, não me demoro nem cinco minutos. – Grissom ia contestar, mas Sara já estava lavando.
- Vou colocar a mesa. – Disse ele dirigindo a sala. Uma vez fora da cozinha, cerrou os olhos e negou com a cabeça. É tão teimosa essa mulher! Pensou com carinho sem notar.
Decidiu que apesar de tudo,
definitivamente isto não ia ser um encontro, mas poderia ter
velas –
para amenizar
– pensou. Apagou as luzes e decorou a pequena mesa com um par de
velas que nunca havia usado antes. Estava acendendo-as quando escutou
melhor o que Sara havia colocado no aparelho de som.
Sara
Vaughn?
Fez um gesto agradável de surpresa. Recordou algumas palavras
de uma amiga. É
bom levantar a cabeça do microscópio!
Na hora, escutou algo que lhe deixou completamente imóvel.
Esboçou, como nunca antes, um enorme sorriso: Sara estava
cantando na cozinha. Sentia-se completamente feliz. Hoje
vou dizer tudo. Hoje é o dia!
Quando Sara saiu da cozinha, encontrou com as velas e um Grissom
plantado no meio da sala de estar com um sorriso de orelha a orelha.
Estou
sonhando?... Não importa, é o melhor sonho do ano!
Grissom lhe vez um gesto com a mão para que se aproximar.
- Vem, vem. Te escutei cantando na cozinha. – Havia se posicionado de novo. – Gosta da música?
- Sim, de fato, é umas que mais gosto de Sarah Vaughn – Confessou ela.
- Então... - Se inclinou em uma pequena referencia, sem deixar de olhá-la e esticou sua mão para ela. – Me conceda essa dança?
TBC
