Olá, meus queridos!
A história ganhou um review, obrigada à leitora! Tomara que estejam curtindo mesmo, vou tentar diminuir o tempo entre as postagens. Este capítulo é um dos meus favoritos!
Hermione fez o caminho para a sala de Minerva sozinha e pensativa, esbarrando sem querer em algumas pessoas no caminho por não estar prestando atenção. O caminho que fazia era automático. Olhando para o chão, acabou dando um encontrão pouco delicado em alguém, o que a fez olhar para cima e pedir desculpas. Seus olhos encontraram os orbes verdes de Córmaco McLaggen e ela corou imediatamente.
– Olá, Hermione – disse ele triste.
– Córmaco, oi! – Ela cumprimentou, mas percebeu que devia pedir desculpas. – Sinto muito, eu estava olhando para baixo e...
– Não tem problema. – Disse o garoto. Ele lançou um sorriso gentil para ela. – Está fugindo do quê?
– De ninguém – ela disse num rompante. – Estava indo para a aula da professora Minerva. Então, até mais!
– Hermione! – Córmaco gritou quando a garota já estava a cinco metros de distância.
– Sim?
– Quer ir pra Hogsmeade comigo no próximo fim de semana? – Ele parecia muito esperançoso.
Hermione titubeou. Seu encontro com o garoto na festa de Natal do Clube do Slugue havia sido um fiasco, mas mesmo assim ele queria vê-la novamente. E, além do mais, não aguentava mais servir de vela para Rony e Lilá, e ver Harry sofrendo calado por Gina, que saía com todos os caras que a convidavam para tentar fazer ciúmes em Harry.
– Tudo bem – ela respondeu, e ele pareceu surpreso.
– Sério? Digo, eu te encontro nos jardins às dez, tudo bem?
– Tudo – ela corou e continuou caminhando.
Algumas pessoas haviam parado para ouvir a conversa, dentre elas um grupo de garotas da Sonserina que incluía Pansy Parkinson, a qual fez questão de gargalhar na maior das alturas. Hermione revirou os olhos e continuou o caminho de antes, mas a garota apressou-se para acompanhar a morena e puxou sua mochila para trás na intenção de parar a Grifinória, fazendo com que o rasgo abrisse de novo e espalhasse todas as suas coisas no chão pela terceira vez em três dias. Hermione abaixou-se com uma calmaria de Jó para arrumar as coisas sob as gargalhadas das Sonserinas enquanto pensava que Hogsmeade seria uma ótima oportunidade para comprar uma mochila nova, quando uma mão muito branca estendeu o último livro para ela.
– Você não cansa de ser desastrada? – Havia escárnio na voz de Malfoy, o qual contrastava com a gentileza que ele fazia. A confusão retornou ao cérebro de Hermione. Ele estava de cócoras, segurando o livro dela: esta era uma cena que ela nunca esperaria ver, a não ser que envolvesse xingamentos muito piores que "desastrada". Ela pegou o livro e o enfiou na mochila, consertando-a pela terceira vez.
– Eu até tento, mas o resto do mundo não colabora. – Ela disse, bufando em seguida. – Obrigada, Malfoy.
Ele continuava com a mão estendida mesmo depois de oferecê-la o livro, e ela, depois de alguns segundos, entendeu que ele queria ajudá-la a se levantar. Olhou ao seu redor. O corredor estava vazio, exceto pela gata de Filch.
– A gentileza tem prazo, Granger. Estamos atrasados para a aula da Minerva. Tenho certeza de que já conseguimos detenções – brincou Malfoy, divertindo-se claramente com a confusão de Hermione.
A garota apavorou-se ao pegar a mão do loiro, mas o toque de sua mão na palma fria da garota era fervente, e ela arregalou os olhos com tanta informação.
– Obrigada.
– Não há de quê.
Hermione baixou os olhos e limpou a parte de trás da calça com as mãos, colocou a varinha no cós da calça e puxou a mochila para os ombros. Balançou o corpo para frente e depois para trás, sem saber o que fazer em seguida – o quão estranho seria caminhar pacificamente na presença de Draco Malfoy?
O garoto tirou a dúvida dela, colocando a mão direita na base de suas costas e empurrando-a para que caminhasse junto a ele.
– Pelo visto a única detenção que recebeu foi aquela do primeiro ano. Vamos logo. – Disse Malfoy, com a voz divertida.
Hermione não conseguia encontrar palavras para pronunciar perto do loiro. A gentileza dele era demasiada, se fosse contar que havia quase seis anos nunca houvera qualquer tipo de tratamento similar àquele por parte do garoto.
– Suas pernas curtas têm que trabalhar um pouco mais, baixinha. Ande logo – ele riu, porque Hermione costumava andar devagar quando pensava demais. Ela correu para acompanhá-lo, murmurando a palavra "baixinha" com a face toda trabalhada na confusão. Adicionou-a ao dicionário de xingamentos do Malfoy.
Quando ambos chegaram à porta da sala da professora McGonagall, todos os alunos viraram-se para trás para ver o que viria a seguir.
– Menos cinco pontos para a Grifinória e Sonserina. Detenção para ambos em minha sala hoje à noite, senhorita Granger e senhor Malfoy. Que sirva de lição para o restante. – Disse Minerva sem alterar o tom de voz, voltando à lição do dia.
Para completar, Harry e Rony, que a olhavam confusos e sem ter a menor noção do que havia acontecido, já haviam se sentado juntos, e aparentemente todos os amigos de Malfoy também já tinham seus lugares, sobrando uma mesa para os dois dividirem. O garoto empurrou-a novamente e o lugar onde ele tocava pegou fogo, fazendo com que um arrepio subisse por suas costas e todos os pelos de seu braço eriçassem. Ele não deixou aquilo passar, dando um sorriso de lado. Hermione corou e sentou-se na mesa junto a ele.
Minerva prosseguiu a aula de onde estava. Hermione olhou para o pergaminho da dupla do lado e já havia vinte centímetros de anotações, o que a fez concluir que seria muito difícil entender a aula a partir daquele ponto. Enquanto pensava em quem poderia socorrê-la (estava em dúvida entre as piores anotações, se eram as de Harry ou de Rony), Malfoy já estava com três linhas escritas. Hermione confirmou a caligrafia do loiro, ficando hipnotizada pela maneira que ele parecia desenhar as letras.
– Não vai escrever nada? Suas anotações são bem melhores que as minhas – sussurrou o loiro numa altura que somente ela pudesse escutar.
– Eu não ouvi o começo da explicação... Depois pego com alguém.
– Pode pegar as minhas, se quiser.
Hermione olhou para ele, mas ele não devolveu o olhar. Não tirava as mãos ou os olhos do pergaminho. Ela então decidiu que não o atrapalharia. Baixou a cabeça na mesa e, para sua surpresa, ouviu a voz dele bem perto de seu ouvido:
– Está tudo bem? Não está passando mal, está? – Malfoy perguntou, com sérios sinais de aflição.
Ela levantou a cabeça de imediato para tentar disfarçar o arrepio que seu sussurro no pé do ouvido causara. Não adiantou. Malfoy deu outro sorriso divertido.
– Isso tudo é tesão? Está precisando se aliviar, Granger?
Hermione corou tanto que sentiu uma gota de suor se formar em sua têmpora.
– E então? Não vai responder? – Malfoy parecia nunca ter se divertido tanto na vida.
Hermione não respondeu. A expressão no rosto de Malfoy era tão bonita que ela mal conseguia parar de olhar. As olheiras ainda estavam lá, e ela tinha certeza de que conseguiria distinguir a tristeza no fundo de seus olhos, mas seu sorriso era muito brilhante, com os dentes certinhos, caninos pontudos e lábios volumosos; os olhos cinza eram divertidos, com os cílios cheios; as covinhas que se formaram nas bochechas do garoto faziam as borboletas baterem as asas tentando escapar de seu estômago. Ela decidiu entrar em seu jogo.
– E se eu...
"... estiver, o que pode fazer por mim? " Era o que Hermione ia dizer, mas a professor Minerva a interrompeu.
– Os senhores terão de escrever meio metro de pergaminho sobre os cinco feitiços que aprenderam hoje. Na próxima aula, faremos uma revisão muito útil para os N.I.E.M.s, então eu sugiro – neste momento, ela encarou Hermione e Malfoy por cima dos óculos – que ninguém se atrase. Senhores Malfoy e Granger, quero os dois na minha sala às oito em ponto.
Hermione olhou para baixo e pensou no que estava prestes a dizer para o cara ao seu lado, também conhecido como galinha, filho de comensal, inimigo de seus amigos, e por aí vai. Será que ela realmente teria dito aquilo?
Gostava de pensar que não, mas o cheiro do garoto estava inebriando seus pensamentos, e ela nem percebeu quando a professora liberou os alunos e Harry e Rony a cutucavam. Eram os últimos da sala. Malfoy nem sequer se despedira.
Aliás... por que ele deveria? Hermione sacudiu a cabeça para tentar se concentrar nos amigos, mas, pelo resto do dia, não conseguiu. Só o que conseguia pensar era na detenção das oito horas da noite.
