Capítulo 2 – Uma vida normal

O relógio despertou. Tocou, tocou, tocou por vários instantes. O rapaz com a cabeça afundada nos travesseiros levantou vagarosamente o braço tentando alcançar o despertador. Não conseguiu. Levantou a cabeça e se arrastou pela cama tentando alcançar o despertador. Pegou-o na mão de cima da cômoda. Olhou-o e piscou. Olhou-o mais uma vez e desta vez arregalou os olhos. Pulou da cama e começou a correr de um lado para o outro procurando suas roupas.

- Que droga! Não acredito! – Seiya reclamava, calçando os sapatos. – Por que isso tinha que acontecer?

Seiya vestiu o casaco do uniforme escolar, pôs a mochila nos ombros e correu para fora do quarto.

- Seika, você já fez o meu lanche?

- Não acredito que você está saindo agora Seiya. – disse Seika que estava lavando louça na pia.

Seiya agarrou o sanduíche na mesa e saiu correndo pela porta.

- Tchau Seika!

Seiya corria pela calçada quando viu um carro preto se aproximar. O vidro de trás se abaixou e pode ver Saori através da janela.

- Seiya, entra aqui, eu te dou uma carona. – disse gentilmente.

- Não precisa não Saori! – gritou

- Seiya, são dez quadras até lá, você não vai chegar a tempo!

- Ai, droga! Está bem! – o carro parou e ele entrou. – Mas essa vai ser a última vez.


- Obrigado mais uma vez pela carona. – disse Seiya enquanto guardava suas coisas no armário.

- De nada. Se você quiser eu posso passar na sua casa para te pegar.

- Ah, que isso. Eu posso muito bem ir sozinho, obrigado.

- Se você não saísse atrasado de casa todo dia, não teria que correr daquele jeito.

- Ah, mas não é todo dia! E... olha lá o Shun!

Shun também estava vestindo o uniforme da escola, mas parecia confuso como quem não soubesse onde estava.

- Shun, vem cá! – gritou Seiya

- Ahn? Seiya! – exclamou Shun surpreso em reencontrá-lo tão rápido

- Shun, vamos logo, a gente vai se atrasar. O professor Saga odeia quando alguém se atrasa. – puxou ele pelo braço.


Na sala de aula Shun olhava atônito, mal podendo acreditar que estava diante de Saga, com os cabelos presos, vestindo um terno cinza escrevendo na lousa com um livro na outra mão.

- Seiya... a gente precisa conversar. – tentou falar o mais baixo possível, mas diante do silêncio da sala era impossível não ouvir.

- O que foi Shun? – sussurrou Seiya um pouco mais alto.

Saga parou o que estava escrevendo e olhou para os dois, sério. Eles na mesma hora ficaram quietos e se encolheram de frente para o caderno, continuando a escrever. Shun observou-o rapidamente, e baixo os olhos. Sabia que aquela não era uma boa hora.


- Dessa vez foi por pouco. – disse Seiya enquanto devorava um sanduíche debaixo de uma árvore. Era hora do intervalo e Shun estava sentado ao seu lado saboreando seu bento.

- Ele olhou para a gente com uma cara tão feia. – respondeu Shun. Então ele piscou, percebendo que estava esquecendo-se de algo importante. – Espera... não. Seiya, nós temos que sair daqui.

- Como? Sair daqui? Mas não podemos Shun, estamos em horário de aula.

- Não estou falando da escola. Você não se lembra que lutou contra o Apolo? Você é o cavaleiro de Pegasus!

- Cavaleiro de Pegasus? Apolo? Mas... Como? Espera... – um flash de memória passou por sua cabeça, mas logo desapareceu. – Não sei do que está falando Shun. Você está muito esquisito hoje. Por acaso aconteceu alguma coisa?

- Então você não se lembra. É estranho, às vezes eu sinto como se fosse esquecer também. – disse enquanto saboreava um pedaço de peixe frito que estava bastante saboroso.

- Me deixa pegar um pedaço desse peixe? – E sem esperar resposta tirou um pedaço e colocou na boca.

- O que? Bom, agora você já pegou mesmo.

Eles observaram que Saga se aproximou deles e ficaram de pé.

- Professor Saga? – exclamou Seiya.

- Seiya, Shun, não precisam se levantar por minha causa. – Ele olhou para Shun com uma expressão séria, mas gentil. – Está tudo bem com você meu rapaz? Nunca o vi conversar nas minhas aulas.

- Ah... Perdoe-me professor, não vai acontecer novamente. – respondeu enquanto se curvava ligeiramente.

- Você é um ótimo aluno, por isso me preocupei. Bom, espero que não se repita novamente.

- Saga, o diretor está nos esperando na sala dele! – disse um rapaz ao fundo. Eles se viraram e viram Aioros usando um agasalho esportivo azul marinho.

- Já estou indo Aioros! Com licença rapazes. – e se dirigiu até ele.

- Ah, professor Aioros! – Seiya correu até ele – Quando começarão os testes para o time?

- Vai ser semana que vem. – respondeu sorrindo – E então Seiya, acha que está preparado?

- Claro que estou! – disse colocando uma mão na nuca – Você vai ver, nosso time vai vencer todos os campeonatos esse ano!

- Você parece bastante confiante Seiya! Está treinando todos os dias?

- Estou sim. Lembra daquela dica que você me deu da outra vez? Então...

Shun observava atento aquela cena. Era algo surreal.

"Aioros e Saga são professores nessa realidade. Eu e Seiya somos apenas alunos. Todos eles parecem muito bem, tranqüilos, felizes. Até eu me sinto bem aqui. Tudo parece..." – olhou para baixo - ... Perfeito. – pronunciou.

- Ahn... Shun? Falou alguma coisa? – perguntou Seiya

- Ahn? Ah, não foi nada.

- Você está mesmo distraído hoje. – disse Seiya se aproximando – Tem certeza de que não tem nenhum problema?

- Não, estou bem.

Eles escutaram o sino da escola indicando o fim do intervalo.

- Vamos lá então amigo. – disse Seiya sorrindo

- Vamos sim. – disse Shun sorrindo ligeiramente triste

Enquanto caminhava ele refletia sobre aquele lugar.

"Ele não se lembra. Preciso fazer alguma coisa para fazê-lo acordar desse sonho, mas o que?"


Hyoga estava adormecido sobre a cama. Uma pessoa ao seu fundo afastou as cortinas da janela silenciosamente e se aproximou dele tocando seu braço.

- Hyoga querido... – falou docemente - ...está na hora de se levantar.

Hyoga abriu os olhos lentamente e sentou-se na cama confuso. Olhou para a pessoa que lhe falava e seus olhos se arregalaram.

- Mamãe? – disse espantado

Ela estava lá diante dele, sorrindo carinhosamente para ele.

- Vamos querido, o café da manhã está pronto.

Hyoga viu Natassia caminhar para fora do quarto. Seus olhos se encheram de lágrimas e sentiu seu coração apertar.

- Controle-se Hyoga... Isso é uma ilusão...

Ele se levantou. Percebeu que estava usando um pijama. Olhou para uma cadeira no canto e viu um uniforme escolar dobrado em cima.

Desceu as escadas e viu sua mãe na cozinha. Sua refeição estava disposta sobre a mesa. Ele se sentou e sem saber como reagir, começou a comer. Viu sua mãe olhar para ele e sorrir.

- Está muito bom. – sorriu de volta para ela

- Que bom que gostou. Assim fico feliz.

Continuou a comer, sempre olhando para ela. Mesmo sabendo que aquilo não era real, sentia-se maravilhado em poder vê-la. Como era bom estar naquele lugar com ela.

Hyoga terminou de comer e juntou seus talheres, copo, prato e os levou até a pia.

Sua mãe os juntou a louça e olhou para ele.

- Vamos logo, não vá se atrasar.

- Está bem, mamãe.

- Não vai ao menos me dar um beijo?

Ele se aproximou dela e lhe deu um beijo na bochecha. Seu coração disparou, a pele dela era macia e delicada, não parecia que aquilo era ilusão.

- Tchau mamãe.

- Tchau meu querido.

Hyoga saiu da casa e se dirigiu até a calçada. Viu que Shiryu estava na esquina, também vestido com um uniforme escolar.

Shiryu se virou para ele e o chamou.

- Ah, Hyoga!

- Shiryu! – Correu até ele

- Que lugar é este em que estamos?

- Esta deve ser a Dimensão dos Sonhos que as moiras falaram.

- Mas parece tão real. – olhou ao redor – Se eu não lembrasse do que aconteceu certamente acreditaria que isso tudo é real.

- Sim... – Hyoga olhou para trás para a casa de onde tinha saído.

Shiryu também olhou na direção e ambos distinguiram a mulher de cabelos loiros, a mãe de Hyoga, que varria a frente da porta. Em seguida ela entrou.

- Hyoga... aquela é... – Shiryu tentou perguntar

- Sim.

- Hyoga, você sabe que não é real.

- Eu sei. Isso é o que mais me dói. É como se tudo tivesse sido um sonho que acabou e esta fosse a realidade.

- Mas esta não é a realidade. Se não tomarmos cuidado vamos acabar nos perdendo.

- Eu sei. – fechou os olhos e voltou-se para Shiryu – Temos que encontrar o Seiya. Onde será que está o Shun? – olhou para os dois lados

- Ele veio com a gente, deve ter ido parar em outro lugar.

- Shiryuuuuu! – os dois ouviram uma voz e em seguida viram Shunrei com um uniforme escolar correndo até eles.

- Shiryu. Você ficou me esperando? – disse Shunrei ofegante pela corrida.

-Ah, Shunrei. – olhou para ela preocupado. – Sim, bom... estou aqui.

- Você é realmente um cavalheiro Shiryu. – disse outra voz ao fundo. Era Dohko que se aproximava, vestindo uma camisa, suéter e calça social.

- Ah... mestre Dohko? – Shiryu exclamou atônito.

- Mestre? Ora, obrigado. – sorriu – Mas acho que você pode me chamar de professor.

- Ah, sim claro.

Dohko se virou para Hyoga.

- Bom dia Hyoga. Como está a sua mãe?

- Ahn, bom dia... professor. Ela está muito bem, obrigado.

- Vamos andando, não queremos chegar atrasados.

Eles caminharam em silêncio. Hyoga e Shiryu iam atrás de Dohko. Shunrey estava pendurada no braço de Shiryu sorridente.

Passaram em frente a um templo enorme e suntuoso. Viram um rapaz de cabelos longos usando também um uniforme escolar que varria as folhas na calçada. Era Mu.

- Bom dia Mu.- disse Dohko ao se aproximar

- Bom dia professor. – Mu respondeu sorrindo para eles.

Shiryu e Hyoga se entreolharam e voltaram-se para eles.

- Você não devia estar indo para o colégio agora? Você está no último ano, não vá começar a se atrasar.

- Não se preocupe, já terminei por aqui.

- Você não aparece há bastante tempo Dohko. – disse uma voz ao fundo. Shion apareceu na entrada do templo, vestido com a roupa sacerdotal. Ao lado dele estava Shaka, mas vestindo uma indumentária budista.

- Há quanto tempo Dohko. – sorriu Shaka. – Bom dia rapazes.

- Ah... bom dia Shaka. – respondeu Hyoga.

- Dohko, aquela encomenda que você me pediu já chegou faz uma semana. – Disse Shion se aproximando deles. – Bom dia rapazes.

- Bom dia. – responderam

- Que boa notícia. – Sorriu Dohko – Shunrey, Shiryu, Hyoga, vão na frente. Eu vou me demorar aqui mais algum tempo.

- Professor, tem certeza de que não vai se atrasar? – perguntou Shunrey

- Não se preocupe Shunrey. – sorriu e dirigiu-se ao interior do templo

- Mu, você também deve ir. Deixe isso para outra hora. – disse Shion.

- Sim.

Depois de alguns minutos de caminhada todos chegaram à entrada do colégio.

- Você está bastante calado hoje Shiryu. Aconteceu alguma coisa? – perguntou Shunrey

- Eu estou bem. – respondeu Shiryu com um sorriso

- Bom, então nos vemos depois da aula. – Shunrey se afastou ainda um pouco intrigada.

- Até mais Shunrey. – Sorriu

- Que lugar estranho. – disse Hyoga

- É verdade. Aqui é uma espécie de realidade paralela. Mesmo os cavaleiros de ouro tem vidas diferentes por aqui.

- Então será que Kamus e os outros também estão por aqui?

- Não podemos nos preocupar com eles agora. Temos que encontrar o Seiya, a Saori e o Shun. É provável que eles estejam por aqui.

- Atenção estudantes. – ouviram os auto falantes – Dirijam-se ao auditório imediatamente para o pronunciamento do diretor.

Hyoga e Shiryu seguiram para a direção onde os demais estudantes se dirigiam.

Todos se acomodaram nos assentos do auditório. Shiryu e Hyoga se sentaram na penúltima fileira onde poderiam ter uma vista melhor do local. Alguns estudantes ainda estavam de pé conversando ao fundo do auditório.

Olhando para trás Hyoga conseguiu reconhecer duas pessoas que estavam do lado de fora.

- Shiryu, olhe!

Shiryu voltou-se para trás e viu que eram Kamus e Shura. Shura usava uma calça social preta e uma camisa branca, enquanto Kamus usava uma calça cinza e uma camisa preta.

- Aquele não é o Kamus, aquele cara que se formou no ano passado? – perguntou um estudante que estava próximo deles.

- Sim, é ele mesmo. - Respondeu o colega ao lado – Mal entrou pra faculdade e já está trabalhando como assistente de um advogado importante do diretor.

- Tem gente que tem muita sorte mesmo. – respondeu o primeiro

- Fiquem todos quietos! O diretor vai entrar em alguns instantes! – Todos viraram e viram Tatsumi que dava ordens aos alunos.

- Hahaha! Até mesmo aqui o Tatsumi tem uma vida diferente. – riu Hyoga

- É verdade. – Shiryu sorriu – Ele continua o mesmo.

Todos os estudantes se sentaram e eles viram um homem de cabelo grisalho se dirigir ao púlpito para se pronunciar.

- Aquele é o Mitsumasa Kido. – murmurou Shiryu

- Sim. Até mesmo ele está aqui. – respondeu Hyoga – Vamos ficar de olho nele, talvez a Saori possa estar junto com ele.

- Sim. – Shiryu ficou em silêncio por alguns instantes – Você reparou que parece que todas as pessoas que morreram no mundo real estão vivas neste lugar?

- Sim. Nossos mestres, os cavaleiros de ouro, minha mãe, é como se fosse uma versão da história onde não houvessem batalhas ou cavaleiros.

- Mas não só pessoas que morreram como outras que estão vivas no nosso mundo tem uma versão diferente aqui.

- É mesmo um mundo perfeito, uma utopia onde todos vivem e tem uma vida feliz.

- Só que é uma ilusão. Nada disso é real, não podemos nos esquecer disso.

- Sim.

Eles permaneceram em silêncio até o fim do pronunciamento.


- Ah que alívio! – Seiya esticou os braços enquanto caminhava pelo corredor – Achei que essa aula nunca iria acabar!

- Não exagere Seiya. – disse Shun

- Olá Shun. Como vai? – Saori se aproximou deles

- Ah, oi Saori! Que bom que encontrei vocês dois. – disse Shun

- E veja só quem está vindo lá. Shiryuuuu! – Seiya chamou o amigo

- Seiya? – Shiryu escutou e correu até ele, acompanhado de Hyoga

- Que bom que vocês estão bem. – disse Hyoga

- Fiquei preocupado por não ver vocês. – disse Shun

- Puxa, estão todos reunidos aqui. O que acha de sairmos pra tomar alguma coisa? – disse Shunrey se aproximando.

- Isso seria uma ótima idéia. – respondeu Saori.

- Então vamos na lanchonete. Todo mundo tá indo pra lá depois da aula. – disse Seiya

- Seiya, nós temos que conversar. – Shiryu tentou falar com ele, mas quando viu já estavam todos se dirigindo para o mesmo lugar


Shunrey, Saori, Seiya, Hyoga e Shun estavam sentados numa mesa enquanto tomavam refrigerantes e comiam hambúrgueres. Shunrey e Saori falavam sem parar sobre assuntos de escola e Seiya apenas comentava uma coisa ou outra. Os outros três apenas observavam em silêncio, tentando encontrar uma maneira de lhes falar.

Shun olhou para trás e notou mais gente conhecida.

- Aquele ali não é o Aioria?

Os demais voltaram-se para direção dele e viram Aioria usando um uniforme escolar. De frente para ele e de costas para os demais estava uma garota de cabelos ruivos conversando com ele. Viram também se aproximar deles Miro e Shina, acompanhados de Mu, todos vestidos como estudantes colegiais.

- O Aioria e a Marin fazem um par muito bonito. Na certa eles vão ser o rei e a rainha do baile este ano. – disse Shunrey.

- Será mesmo? – perguntou Saori. – O Miro e a Shina também são bem populares, não ficaria surpresa se fossem escolhidos.

- Você já tem par para o baile Shiryu? – perguntou Shunrey

Shiryu foi pego desprevenido desta vez. Shunrey olhava para ele com uma certa expectativa. Mesmo sabendo que aquilo não era real, ele não seria capaz de lhe tratar de maneira indiferente.

- Ora Shunrey, você é a única pessoa que eu tenho em mente. – sorriu

- É mesmo Shiryu? – disse emocionada. Seus olhos brilhavam e seu sorriso estava repleto de alegria.

- Se você aceitar, é claro. – sorriu

- É claro que eu aceito! – Shunrey passou seu braço pelo de Shiryu e encostou a cabeça no ombro dele. Shiryu sorriu com o carinho, praticamente esquecido de todo o resto.

- Vocês, por favor, arrumem um local privado. – brincou Seiya.

- O que acham de irmos todos juntos ao baile? – perguntou Saori

- É uma grande idéia, Saori. – disse Seiya. – O que acham amigos?

- Parece ser uma boa. – respondeu Hyoga sorrindo.

- Hyoga! – exclamou Shun preocupado, uma vez que estavam se desviando mais uma vez do assunto que precisavam tratar.

- Vamos lá Shun, você também vai com a gente. Bem, eu vou andando, minha irmã deve estar esperando.

Todos se levantaram e depois de pagar a conta foram cada um para suas casas.

Shiryu agora conversava animadamente com Shunrey e Dohko enquanto voltavam para suas casas.

Hyoga entrou em sua casa e cumprimentou sua mãe.

- Cheguei mamãe.

- Como foi seu dia querido? – ela sorriu

- Foi muito bom. O que temos para o jantar hoje?

- Está com fome?

- Estou sim. Foi um dia agitado.

Seiya entrou em sua casa jogando a mochila no sofá.

- Seika! Cheguei!

Seika se aproximou dele e notou as coisas no sofá.

- Seiya, não deixe tudo como está. Guarde suas coisas ou senão irá perder.

- Pode deixar! – Seiya pegou sua mochila e se dirigiu ao quarto.

Apenas Shun continuava na rua, enquanto via o sol se pôr. O vento frio começou e as luzes das casas iam se acendendo. Ele olhou um documento em seu bolso com um endereço e logo avistou o local, perto dali. Caminhou até o local e abriu o aposento com as chaves que estavam em seu bolso. Estava triste. Olhou para fora da porta, observando o dia se acabar. Suspirou.

- Eles estão tão felizes que praticamente esqueceram-se de quem são.

Olhou para dentro da sala. Lembrava um pouco o seu quarto na mansão Kido. Deixou sua bolsa no chão e deitou-se no sofá, olhando para o alto.

- Deve ser por isso que as moiras disseram que não eram as nossas vidas, mas sim o nosso retorno que estava em jogo. O que devo fazer? – fechou os olhos e adormeceu.