N/I: Bom, demorei um pouquinho na tradução porque esse capítulo está um pouco maior que os outros, e eu tinha minhas outras fanfics para atualizar. Espero que gostem e qualquer duvida só perguntar.
Boa leitura!


Sonhos
À terceira noite


Uma vez, durante a conversa das garotas, Ino havia rido dela.

Você ainda sonha com ele? — provocou Ino, um sorriso formado nos lábios. — Não é a toa que você está do jeito que está.

O fato de que eu nunca dormi com ninguém não tem a ver comigo sonhando com ele. — Sakura respondeu, indignada. — E você? Quantas vezes você esteve com o Kiba? — ela podia jurar que sua melhor amiga e Shikamaru teriam ficado juntos, mas ela percebeu que o mundo guardou muitas surpresas.

Ino acenou com a mão, como se descartando o assunto. — Quando se envolve bebidas, não conta. — ela fez uma pausa, e Sakura revirou os olhos. — Mas depois disso fizemos apenas uma vez mais.

Eu, provavelmente, vou ficar solteira por toda a minha vida. — disse a Iryō-nin, embora não estivesse desapontada. — Eu vou morrer virgem.

Ino pôs o braço envolto dos ombros de Sakura. — E é por isso que temos bebidas.

Naquela noite, Ino saiu com Kiba, porque ela com certeza não ia.

X

Por alguma estranha razão, Sakura sentia-se revigorada na manhã seguinte. Quando ela acordou, Neji era o único já desperto. O sol está posicionado acima do horizonte, e até mesmo os pássaros cantavam em perfeita harmonia.

— Bom dia. — ela murmurou em seu habitual tom matutino, fazendo uma careta com o leve ar frio em sua pele exposta quando ela se levantou e se espreguiçou.

— Bom dia.

Ela nem sequer considerou como ela conseguiu voltar para o acampamento quando adormeceu ao lado de Sasuke. Porém, novamente, ele estava tão camuflado como uma serpente, e ainda mais silencioso. Colocar seu corpo de volta no saco de dormir no meio da noite, não deve ter sido difícil já que todos estavam dormindo. A única coisa que a surpreendeu foi o fato de que ele realmente se preocupou em fazer isso.

Ela começou a arrumar seu saco de dormir, preparando-o para retirá-lo. Em momentos como este ela ansiava por um banho, e talvez um lugar para escovar os dentes. — Estamos indo para a cidade hoje, certo?

— Sim. Nós vamos ficar em uma pousada essa noite. Tenten, estava reclamando pela falta de higiene.

Um sorriso de alívio se espalhou por sua face. — Higiene é bom. — disse ela ao Hyuuga. Um "hn" indiferente foi ouvido, mas fora isso, ele não respondeu.

Quando Shikamaru e Tenten acordaram e estavam prontos, eles partiram para a cidade. Sakura, não tinha certeza sobre o rastro que Sasuke havia deixado para eles, mas tinha certeza que seria bastante fácil de encontrar.

A aldeia lembrou um pouco Konoha. Era um lugar agradável; pessoas sorrindo, crianças brincando nas ruas, mercados movimentados. Sakura ficou tentada a rir quando avistou uma barraca de ramen na esquina. Certamente, Naruto ficaria com raiva assim que ela voltasse.

— Como ficaremos divididos agora? — Tenten perguntou a Neji, capitão do time.

Ele pensou por um momento. — Grupo de dois. A vila é pequena. Quatro pessoas coletando informações, teremos terminado antes do almoço. Eu gostaria que tivessem cuidado; em um lugar como este tudo pode acontecer. Duas mentes são sempre melhor que uma. Tenten, você virá comigo. Shikamaru, você vai com a Sakura.

Shikamaru suspirou quando ele enfiou as mãos nos bolsos. — Tsc. Se você quer levar sua namorada num encontro, ao menos, espere voltarmos.

O olhar de Neji fuzilou o Nara. — Cuidado com a boca.

Ele anuiu. — Claro, claro. — não era um fato conhecido que Hyuuga Neji e Tenten estivessem namorando, mas uma vez que você trabalhou com eles na ANBU, você notou as diferenças sutis em que tratavam entre si. Uma vez, Neji havia colhido uma flor dizendo que era venenosa, antes de deixar Tenten pegá-la.

Quando o casal se afastou, Sakura e Shikamaru permaneceram ali por mais alguns momentos. — Então, para onde vamos? — perguntou ela.

Ele deu de ombros. — Um lugar onde eu possa descansar, enquanto coletamos informações. — ela lembrou-se como Jiraya se infiltrava para coletar informações nas pequenas aldeias, e sorriu levemente com a lembrança.

— Quem sabe um bar, o que acha? — ela sugeriu. — Contanto que não bebamos demais, tenho certeza que ficaremos bem. — ela não gostava da ideia de estar num ambiente repleto de bêbados, e ela nunca teria feito isso se estivesse sozinha, porém enquanto estivesse com Shikamaru sabia que ficariam bem.

Entraram no primeiro bar que viram. Ela logo percebeu que Neji e Tenten tiveram a mesma ideia; os dois estavam sentados de frente para o balcão, em suas identidades ocultas. O Hyuuga tinha o braço em volta dos ombros de sua namorada, e ele observava-os com cautela.

— Então foi por isso que ele nos dividiu dessa maneira. — ela ouviu Shikamaru murmurar enquanto saíam do bar. — Menos notável. Sakura, vamos nos transformar também.

Depois de encontrar um local deserto, ambos disseram em uníssono. — Henge no Jutsu. — e transformaram-se no que eles julgavam pessoas normais. Sendo uma kunoichi sem precisar fingir ser uma civil em Konoha, Sakura não estava confiante em seu jutsu, mas, novamente, ela tinha certeza que Shikamari também não estava excelente. Nunca houve moda entre sua geração; cada pessoa tinha seu próprio gosto para roupas. Naruto era um bom exemplo.

Eles entraram no próximo bar, de mãos dadas. Ela não gostou da forma como sua franja em sua visão periférica não era da cor rosa, e sim marrom. Shikamaru e ela se sentaram de frente para o balcão, e o bartender, um homem de meia-idade, perguntou seus pedidos.

— Um saquê. — seu parceiro pediu. — Dois copos.

Neste momento de manhã, não havia muitas pessoas ocupando o bar. No canto, ela viu alguns homens de meia-idade, desmaiados em suas mesas e babando. Ela estremeceu levemente quando a mão do Nara soltou a dela e o braço repousou sobre seus ombros.

Ela sentou-se entre Shikamaru e outro homem mais jovem. Ele parecia relativamente sóbrio, com um copo pequeno indolentemente entre dois dedos. Tomando um gole de sua bebida, ele a olhou pelos cantos dos olhos, e para sua surpresa, seu olhar se encontrou com o dele, firme e estranhamente familiar.

— Senhor — ele chamou pelo bartender. Sakura tomou um gole cauteloso do saquê, franzindo o nariz para o sabor amargo e a forma como ele queimou em sua garganta quando ela engoliu.

— Em que eu posso ajudá-lo?

Shikamaru parecia estar tendo um bom momento. Quando ela olhou para ele, seus olhos já estavam meio fechados e ele continuou tomando o copo de uma vez. Ela cutucou-o suavemente com o cotovelo. — Não exagere.

— Sim, com certeza.

— Outra rodada, por favor. — sua atenção voltou para o outro homem sentado ao seu lado. Sua voz era baixa, porém suave. Quase como se ele fosse enganar a todos. Quando o bartender lhe entregou uma garrafa, ele iniciou uma conversa. — Diga, Ojii-san, você já ouviu falar em shinobi?

Apenas pela forma de como o braço em volta de seu pescoço tremeu, ela tinha certeza que chamou a atenção de seu parceiro. O bartender tirou o copo e começou a limpar o balcão. — Sim, mas eu realmente nunca vi um. O que têm eles?

— Você sabe o que eles fazem para viver? — a atmosfera no bar baixou imediatamente, e Sakura ficou tensa instintivamente. Existia, certamente, algo com esse homem. Um subordinado de Sasuke, talvez? Eles com certeza estavam tentando colocar seus rastros fáceis para que os encontrassem.

— Não. — o homem mais velho nem parecia interessado no assunto, mas ele tinha que manter seus clientes satisfeitos. — O que eles fazem?

O homem mais novo ao seu lado se inclinou sobre o balcão, como se fosse contar um segredo. Por sua vez, o bartender se inclinou para frente também. As palavras formadas em seus lábios a aterrorizaram, mesmo que ela já soubesse a resposta. — Eles matam pessoas.

A tensão no ar era quase evidente, e ela se apoiou um pouco mais em Shikamaru. — Você acha que isso é intencional? — ela sussurrou para ele. Sentiu-o encolher os ombros.

— Quem sabe.

— Um shinobi deve ser capaz de enganar — o homem ao lado dela continuou. — Ele deve ser capaz de enganar o inimigo, e manter seus planos ocultos até o fim.

Engraçado, ela pensou. Ela tinha certeza de ter ouvido isso antes... Virando a cabeça para olhá-lo novamente, ela reparou em todas as suas características.

Uma boa aparência. Ele tinha cabelo escuro como breu, crescidos até a altura dos ombros. A maneira como ele estava sentado, indicando o quão descontraído ele era, e seus olhos se estreitaram quando ele tomou outro gole de saquê. Aquele olhar firme que ele havia lhe dado apenas um minuto atrás...

Ela bebeu todo o conteúdo de seu copo, franzindo o cenho quando sua garganta pegou fogo. Sasuke. Obviamente era Sasuke. Como se ela não fosse estúpida o suficiente. Sasuke estava sentado ao lado dela, basicamente, gritando em seu rosto onde ele estava indo e quando ele ia ir. Ela assentiu com a cabeça, em agradecimento, quando Shikamaru encheu seu copo novamente.

— Você não é boa com bebidas — lembrou-a. — Não se empolgue demais.

Ela acenou com a mão, imitando-o. — Sim, certo.

— Deve ser difícil então, né? — depois de arrumar as taças, o bartender jogou o pano que estava usando na pia, e apoiou-se com os cotovelos sobre o balcão na frente de Sasuke. — Você precisa de uma mente sagaz e um corpo treinado.

— Sim — Sasuke assentiu. — É uma coisa realmente complicada. Há até mesmo uma organização que vai contra todas as aldeias onde residem os shinobis. Você já ouviu alguns dos rumores?

— Conte-me.

— A organização se chama Akatsuki. — sua voz caiu, consideravelmente, quase num sussurro, e Sakura teve que se esforçar para ouvir. — E um dos membros matou todo o seu clã para salvar seu irmão mais novo. — parecia que finalmente o bartender estava ficando interessado na história que estava sendo contada.

— Nossa, e agora? O que aconteceu com o irmão mais novo?

O sorriso sádico do Uchiha se formou nos lábios, e Sakura se perguntou como seu parceiro não reconheceu quem ele era. — Ele sobreviveu até os dias de hoje, e está à procura do assassino. Há rumores de que ele está indo em direção a Konoha, a vila shinobi do País do Fogo.

— Eles estão apenas empurrando as respostas em nossos rostos, como se fossemos burros o suficiente para procurá-los nós mesmos. — Shikamaru sussurrou em seu ouvido. — É meio irritante.

Ela sorriu, provocando-o. — Mas não problemático, certo?

Um suspiro cansado chegou a seus ouvidos. — Não problemático. — ele concordou.

— Você parece saber muito sobre essas coisas. — disse o homem mais velho. — Você é um shinobi? Ou se passando por um, talvez?

Sasuke, tremeu, a risada silenciosa, e ela tinha certeza que era fingido. Tinha certeza que uma expressão tão feliz como essa nunca teria sentido em suas feições usuais. Isso só não era possível. Ela suspirou em ligeira decepção quando Shikamaru esvaziou sua garrafa de saquê em seu próprio copo.

— Não, mas eu acho essas coisas interessantes.

Foi então que os homens de meia idade no canto começaram a gemer levantando-se de suas cadeiras. Palavras desconexas foram escutadas e Sasuke e o barman ficaram em silêncio.

Havia três no total. Eles se arrastaram até a porta, e Sakura estreitou os olhos para eles. Eles eram o tipo de pessoa que ela não gostava. Eles não faziam nada, além de vagabundar o dia inteiro, pensando que tudo ia ser feito para eles... Eram pessoas como eles que a irritavam.

Um dos homens passou a observá-los, e um sorriso brotou nos lábios dele quando caminhou em sua direção. Ela sentiu o aperto de Shikamaru se intensificar, e ela ficou satisfeita por estar segura.

— Nossa, você é muito bonita. — comentou o sujeito quando ele pegou o queixo de Sakura com os dedos pegajosos, ignorando claramente Shikamaru. — Quanto você cobra?

— Ainda está muito cedo. — disse ela amargamente, virando a cabeça e ignorando-o. — E certamente eu sou muito cara para você. — Inner Sakura jogou alguns socos enérgicos, um sorriso perverso brilhando em seus lábios.

— Tsc. Que cadela... — o homem acenou para os amigos. — Que tal roubarmos você por um tempo? Não teríamos que pagar de qualquer modo. — ela franziu a testa enquanto estalava os dedos. — Nós vamos mostrar pra você o quanto é bom sexo de manhã.

— Tenho certeza que mesmo uma prostituta não estaria desesperada o suficiente para transar com porcos. — Inner Sakura comentou, e ela quase riu, até que ela percebeu que havia dito isso em voz alta também. As palavras pairaram no ar, carregadas e apenas esperando para fazerem efeito. Com o canto do olho, ela viu a mandíbula de Shikamaru cair um pouco. Ela não se lembrava de ter dito algo tão vulgar em sua vida.

O primeiro homem rosnou, suas feições enrugando-se para expressões de raiva. — Vadia maldita. — seus músculos tencionaram e ela se preparou para uma breve luta até que uma mão magra pousou no ombro do homem.

Ela virou a cabeça surpresa por ver Sasuke observá-los atentamente. O homem rosnou. — O que você pensa que está fazendo?

— Eu não acredito que um tumulto aqui seria muito conveniente. — ele acenou com a cabeça para o bartender. — Ele lucra com esse bar. Você não quer que ele vá a falência, certo?

— O que faz você pensar que eu ligo pra isso? —apesar das feições rígidas do homem, ele começou a se dissipar, pouco a pouco. Sakura olhou para o Uchiha transformado, e notou a forma como ele olhou os três homens. Não poderia mesmo ser considerado um olhar; mas foi muito mais mortal do que qualquer coisa que ela já tenha visto em sua vida.

Houve um longo silêncio de tensão. — Tudo bem — o homem finalmente murmurou. — Nós vamos sair. — uma vez que eles ruidosamente fizeram o seu caminho para fora do bar, ela soltou um suspiro de alivio. Ela não sabia o que teria acontecido se tivessem causado um tumulto aqui.

O que a desconcertava mais, para ser honesta, foi o fato de Sasuke fazer algo assim por ela. — Obrigada. — ela disse a ele educadamente, um sorriso forçado nos lábios. — Mas tenho certeza que eu mesma poderia ter os manipulado.

Um sorriso fez o seu caminho para o seu rosto, e ela se perguntou vagamente se era realmente o Uchiha cujo clã tinha sido aniquilado. — É um prazer ajudar uma senhorita encantadora.

Shikamaru bateu os pés três vezes; era o sinal para saírem. Após o comando de partida, eles fizeram seus caminhos para fora do bar e esperaram Neji e Tenten no local de encontro. Eles reuniram informações suficientes.

Seu parceiro soltou um suspiro baixo quando eles se sentaram confortável debaixo da árvore. — Isso foi muito tenso lá atrás.

Ela assentiu. — Definitivamente.

Tenso e... intrigante, ela concluiu.

X

É claro que nem todos os sonhos de Sakura foram bons.

Às vezes, ela morreu. Não por alguma razão em particular; ela apenas estava numa missão e foi morta. Seu nome foi cravado na pedra memorial, e lá foi o fim de tudo.

Outras vezes, Sasuke a abandonou para ficar com Ino. Mesmo sendo irritante, Ino era sua rival, depois de tudo; ela teve a capacidade de se opor a ela. Havia muitas meninas que eram mais bonitas que as duas, mas desde que Ino era a única garota que sua vida girava em torno, ela seria a pessoa que tomou o Sasuke-Kun.

Os sonhos que ela achava agridoce sempre a faziam despertar com os olhos úmidos.

Eles eram diferentes. Os mais comuns era onde Sasuke e ela se casavam e tiveram dois filhos: um menino e uma menina, ambos adoráveis. Em seguida, a notícia sobre Itachi chegaria, e ele iria embora sem hesitação ou dizer adeus, ou qualquer outra coisa, e, nesse tempo, ele morreria.

Ela não gostava disso. Esses sonhos não eram considerados pesadelos, mas estavam bem perto.

X

Na terceira noite, Sakura foi ingênua.

Olhando da janela do seu quarto, ela viu a silhueta de Tenten dormindo, o movimento para cima e para baixo de sua respiração sob o lençol. Passava da meia noite agora; talvez ela devesse ir para a cama também.

Após a conclusão e resumindo suas informações, ficou acertado que eles iriam voltar para Konoha no dia seguinte. Dependendo do quão óbvio o rastro for, eles podem ser capazes de voltar em um dia, talvez um dia e meio. Depois disso, Tenten iria notificar a Hokage imediatamente, e criar defesas do lado de fora.

Entretanto, enquanto isso, eles foram autorizados a descansar. Sakura, gostava da sensação de poder tomar banho e se sentir limpa. Acampar na mata certamente não era nada saudável.

"Se eu só quisesse te ver e falar com você... Eu seria permitida?"

"Você é uma companhia melhor que Karin."

Ela sabia que era tolice de sua parte considerar ver o Uchiha novamente, especialmente quando ela já tinha conversado com ele no início do dia. Porém ela sabia que não era o suficiente; não era realmente com Sasuke-Kun que ela estava falando, e sim um homem no bar ao qual ela esbarrou.

Sem dúvidas, ela poderia ficar um ou dois dias sem vê-lo. Afinal, ela já havia ficado três anos sem ver um vislumbre dele, e da última vez que o tinha visto, era apenas isso: um vislumbre.

Você é estupida — Inner Sakura riu. — Você realmente acha que poderia ficar longe dele?

Obviamente que podia. Ela nem ao menos suspeitou onde ele estava, de qualquer forma. Ela era Haruno Sakura de Konoha, um membro da ANBU atribuída em uma missão. E, no entanto, ela tinha dois anos-cronometrando com esta missão.

Tão silenciosamente quanto podia, ela saiu do quarto e fechou a porta atrás dela. Tenten parecia muito cansada, esperançosamente, ela não iria acordar.

Estava mais quente na aldeia do que na mata. Ela respirou o ar, apreciando os aromas culinários das barracas próximas. Ela não podia acreditar que estava realmente fazendo isso. Deveria estar dormindo, recuperando-se enquanto podia... Não tentando se encontrar com um nukenin.

— Sasuke-Kun? — ela perguntou timidamente, para ninguém em particular. Ela segurou as mãos no peito, como se esperasse, rezando para que ele fosse aparecer.

Ele o fez.

— Chamando por mim, Sakura? — sua voz ainda era diferente, mas isso não significava que ainda não estava presente um pequeno tom zombeteiro.

Ela sorriu hesitante para o homem de cabelos negros. — Sem você, hoje, nosso disfarce poderia ter sido descoberto. — ela estava com seu jutsu ativo. Bem, supôs não se arriscar enquanto estivesse com ele.

Ele virou-se, mantendo um ar de indiferença. — Você poderia tê-los manipulado facilmente. — era raro, ele jamais reconheceu o seu poder, mesmo se pensasse nos velhos tempos, mas, novamente, ela não tinha qualquer poder para ser reconhecido antes.

Ela riu levemente. — Você não perde a chance em exibir-se.

— Eu pensei que fosse apenas o Naruto.

Ela ficou surpresa com a atitude negligente que ele teve com ela esta noite. Ele até mesmo fez comentários sarcásticos que ela ao menos pensou que ele tivesse tal humor para, mas lá estava ele, sorrindo e tudo. Ela pensou ser uma coisa boa. — Sim, ele também.

Houve um pequeno, mas confortável, silêncio. — Você pareceu ter gostado do saquê. Que tal irmos para outro bar essa noite?

Ela levantou as sobrancelhas em surpresa. — Eu não tenho muito dinheiro para gastar. Pensei que soubesse disso.

— Por minha conta, então.

Embora ela não tivesse ideia de onde ele arranjou o dinheiro, ela não teve coragem de recusar. Isso pode ser considerado quase um encontro; algo que ela teria feito qualquer coisa para conseguir. Isso não é um encontro, ela se lembrou. Todavia, descartou o pensamento quase tão rapidamente como veio.

Ela encolheu os ombros. — Claro.

Embora fosse tarde, esse bar, em particular, parecia ter muitos clientes. Havia até mesmo uma suave melodia tocando, notório, e um pequeno lugar de dança vazio. Sasuke a levou para uma mesa no canto de trás, e eles pediram suas bebidas.

— Quem está na sua equipe? — ele perguntou diretamente, enquanto rodou o álcool em seu copo. — Eu não reconheci o homem que estava com você hoje.

— Oh — ela tomou um gole de seu coquetel, apreciando o sabor doce sobre o amargo. — Era Shikamaru. Ele se transformou também. Tenten e Neji estavam em outro lugar.

Ele anuiu com a cabeça. — Você deve ter cuidado, então. Com uma mente como a de Shikamaru, e olhos como os de Neji, não seria uma surpresa se eles a descobrirem.

Sakura franziu a testa. — Hei, não é como se eu não pudesse mentir, ok?

— Você não é boa nisso.

Revirando os olhos, eles ficaram em um silêncio confortável. Ela aproveitou esse tempo para olhar em seu redor. O bar não era tão pobre como o que ela tinha ido hoje cedo, e as pessoas aqui certamente pareciam mais elegantes.

O que Sasuke fazia durante o dia? Dormia, talvez? Treinava? Arquitetava planos? Foi então que ela percebeu, ela não sabia muito sobre ele atualmente, não que ela soubesse antes.

— Ei, Sasuke-Kun, o que você faz quando não está procurando seu irmão? Você tem algum hobby? — a melodia que tocava no piano era tão suave quanto a água, fluindo para dentro e para fora da multidão e agradando seus ouvidos, quase como se estivesse determinada a acalmar o seu humor excessivamente cauteloso. Ela não tinha certeza se estava com medo de ser pega com ele, ou dele.

— Não há momento em que eu não esteja perseguindo-o. — sua resposta final foi firme.

Ela decidiu investigar um pouco mais. Ela não gostava de ficar no escuro quando o assunto era Uchiha Sasuke, nunca gostou para começar. — Você mencionou uma garota chamada Karin. O que ela gosta? Você tem outras pessoas em sua equipe, certo?

Ele recostou-se na cadeira, olhando sem rumo para o teto. — Karin é uma kunoichi sensorial irritante. Tudo que ela faz é brigar com Suigetsu ou me incomodar. — ele olhou para ela como se perguntasse: devo continuar? — Juugo é Juugo, não tem muita coisa sobre ele.

Ela assentiu com a cabeça lentamente. Resumindo três pessoas em três frases; tinha certeza de que nunca seria capaz de fazer isso. — Então, você gosta deles?

— Apenas cale a boca, Sakura. Eu tive um longo dia.

Ela foi pega de surpresa. Inner Sakura gargalhou, sua risada ecoando em sua mente vazia. Apenas cale a boca? Foi ele quem a chamou para vir neste bar, e ele a mandou calar a boca? Ok, ela estava muito calma, considerando que este era Sasuke; mas até mesmo ela tinha sua quota de orgulho.

— Olha, Sasuke-Kun, se você não me quer aqui, eu apenas vou embo-

— Eu não disse que não a quero aqui. Eu só lhe disse para calar a boca. — a voz era a maior vantagem dele, e ele se inclinou em direção a ela. No escuro era difícil dizer se ele tinha ativado o sharingan, porém ela sabia que provavelmente seria muito perigoso se aproximar ainda mais.

Então, você vai mesmo obedecê-lo? — Inner Sakura bufou. — Você vai ficar aqui sentada como uma boa menina e deixar ele fazer o que quiser com você?

"Esse parece ser o plano", ela pensou sombriamente para si mesma. Ela não se arrependia de tê-lo chamado. Bastava passar um tempo com ele, não importa o que acontecesse, sempre valia a pena. Ela não sabia por que, simplesmente era.

Ela estava prestes a tomar outro gole de seu coquetel, até que sentiu uma mão agarrar seu cabelo, mais ou menos, e virar sua cabeça. Apressadamente pôs a bebida sobre a mesa antes de derrubá-la, ela soltou um som abafado inaudível quando lábios pressionaram com força sobre os seus.

E tudo que ela poderia fazer, tudo que ela queria fazer era beijá-lo de volta.

Haviam tantas coisas que não se podem fazer quando se esta sentado em cadeiras separadas. E, Sakura desejava poder sentir o corpo dele pressionado ao seu. Queria sentir seu calor, queria ter o sabor em seus lábios como uma lembrança depois que ele partir.

Um suspiro de surpresa quase escapou de seus lábios quando uma língua quente suavemente explorou sua boca. Isso era para ser um bom sentimento? Será que os amantes se beijam assim? Ela não sabia, porque ela nunca tinha tido um amante antes, muito menos um namorado. Porém ela decidiu que, se era Sasuke, então era considerado bom.

Podia senti-lo mapeando sua boca, e, de repente, o local parecia muito mais quente. A parte de trás de seu pescoço transpirava, e até mesmo a respiração em seus lábios era quente. Sua cadeira rangeu no chão quando ela a puxou para mais próxima dele, esquecendo completamente de onde estavam. Seus dedos alisando suas bochecha, sua outra mão na parte baixa de suas costas, avançando ainda mais para baixo. Ela jurou a Kami, só ele poderia fazê-la sentir-se dessa maneira.

Eles não estavam pertos o bastante. Seus corpos ainda estavam separados, mesmo que apenas por alguns centímetros, ela queria mais, precisava estar mais perto...

Houve muitas vezes que ela havia sonhado, durante a noite e o dia, com este momento. Beijar Sasuke. Beijando Sasuke! E tê-lo aceitando-a como igual... Apesar de todo esse tempo, ela não havia pensado que fosse possível. Ela estava nervosa, não sabia bem o que fazer, pois era inexperiente nessa área.

Seus cabelos eram tão suaves entre seus dedos, os lábios tão suavemente perfeitos...

Ele se afastou.

Os olhos de Sakura se abriram. Respirações pesadas e cabelos despenteados... e ela olhou para ele. Ela não podia acreditar que essa pessoa, essa pessoa que nem mesmo se parecia com Sasuke, porque eles ainda estavam disfarçados, poderia fazê-la sentir-se assim. Essa pequena chama em seu interior continuava a queimar, entretanto, enquanto os segundos passavam foi se extinguindo apenas para uma brasa.

Ela abriu a boca e viu-se incapaz de dizer qualquer coisa.

— Você deve voltar. — ela sabia que ela própria deveria estar pensando no seu lado, mas ela pensou que ele parecia envergonhado e confuso. — Você tem um longo dia pela frente amanhã — ele completou.

X

Na terceira noite, Sakura foi ingênua. E Inner Sakura nunca deixou de lembrar que ela provavelmente sempre será.


N/T: Dani Dias: As partes em itálico são pensamentos/sonhos/lembranças, o restante é atual. Obrigada pelos comentários, fico feliz em saber que está gostando da tradução! Espero que tbm tenha gostado desse capítulo *-*

Aline: Ficou muuuuito feliz que esteja gostando da tradução. Essa fanfic é muito boa, com uma ótima autora e eu estou traduzindo para todos vocês conhecerem. Espero que tenha gostado desse capítulo ^^.

SasusakuAlways: ooowin, que bom que está gostando da tradução. Realmente a escrita é muito boa, pois a autora é uma diva *-*
Espero que goste desse capítulo tanto quanto os outros!