Capítulo 3: Myristica bicuhyba Schott.
Algumas pessoas no mundo acordam alegres, de bem com a vida, e ficam completamente extasiados com a perspectiva de que têm um dia inteiro pela frente; Elas abrem a cortina com fervor, deixando a casa completa e totalmente iluminada, para que o frescor da manhã entre em suas habitações e as mostrem como o dia está uma maravilha. Essas pessoas levantam dando bom dia para Deus e o mundo, com um sorriso rasgado na cara tão grande que mostra até os canais de sua traquéia - essas pessoas tem um fogo no cú nas primeiras horas do período matutino realmente impressionante, fazendo questão de jogar na cara dos seres humanos normais sua incômoda felicidade.
Na minha opinião, esses indivíduos são muito ricos. Tipo, ricos de verdade. Ao ponto de se dar ao luxo de nunca precisar trabalhar e/ou estudar, se estressar ou de pagar contas e afins. Essas pessoas com certeza não conhecem o Naruto, dormem até três horas da tarde e não têm um maldito despertador que apita tão alto que parece que as torres gêmeas se reconstruíram só pra cair de novo, só que dentro do seu ouvido.
Mas, bem, eu não faço parte desse feliz grupo seleto. Se bem que se eu somente não conhecesse o Naruto, já seria motivo o suficiente para eu andar por aí rodopiando vestido de fada, arremessando flores contidas numa cesta para todos os lados.
Mas eu realmente, infelizmente, tristemente, desoladamente e inconsolavelmente não faço parte desse feliz grupo seleto.
Respiro fundo pelo que parece ser a enésima vez seguida. Ah meu Deus, eu realmente não merecia isso. Quero dizer, eu não era uma pessoa propriamente ruim. Jogo a minha cabeça para trás e aperto minhas têmporas à medida que uma dor aguda se faz presente dentro do meu crânio, e eu posso jurar que sinto meu coração bater alto e forte dentro do meu cérebro.
Eu até poderia falar que nunca mais ia beber, mas isso ia ser uma frase cretina demais - até pra mim.
Depois de me dar só mais cinco minutos pelo menos oito vezes, me levantei ainda com os olhos fechados - ignorando o fato de se ter passado quase quarenta minutos, afinal, todo mundo precisa de mais cinco minutos quando acaba de acordar. É tipo a primeira coisa que se passa na cabeça de quem acorda. Super normal. Pff! -, dando dois passos moles e sonolentos pelo quarto, até meu pé pisar em cima de algo fofo, meio... peludo.
E, oh, droga, não é como se eu tivesse um tapete de urso persa jogado no meio do meu quarto. E eu com certeza não tenho. O que me faz lembrar que...
Ofego.
Ah meu Deus, não.
Por favor, não!
Depois de ouvir um rosnado de protesto, abro os olhos lentamente, só para me deparar com aquele pug cretino, que me olhava como se fosse me morder. Ele estava mostrando suas presas, pronto pra enfiar aqueles dentes na minha canela porque... ah, bem, eu estava pisando no rabo dele. Pisando mesmo.
Certo, se ele me morder juro que vou chutá-lo. Ninguém mandou ser burro, aquela coisa idiota não viu que foi sem querer?
Tiro o pé devagar e delicadamente, e o pug ainda me olhava com uma cara esquisita. Depois de dar o dedo do meio pra ele – convenhamos, ele mereceu – eu me arrastei até o banheiro, fechando a porta branca com um baque surdo. Escovei os dentes demoradamente, molhando o rosto assim que eu acabei. Depois de perceber que somente aquela água não me acordaria, foi com um muxoxo que eu comecei a me despir, abrindo a água do chuveiro e me enfiando dentro do box. A água estava quente, o que fazia meus músculos relaxarem. Encostei minha testa no vidro azulado, sentindo minha sonolência voltar com força total.
Certo, Sasuke, concentre-se. Você não pode chegar atrasado de novo! Não pode! Então eis aqui o que você vai fazer: você vai sair desse banho agora, se vestir, passar na Starbucks, engolir qualquer coisa no caminho e chegar lindo, gostoso e cheiroso na Uchiha Project bem em cima da hora. Impecável.
É! Isso aí! Não, espera, melhor: vou chegar lá cinco minutos adiantado e Itachi vai ter que admitir que hoje meu comportamento exemplar é digno de orgulho. Nossa, rota traçada com maestria!
Com um sorriso convencido eu saio do box, me enxugando rapidamente e amarrando a toalha na cintura. Saio correndo – me lembrando de desviar do cachorro dessa vez, que só me olhava com aquela cara torta -, entrando no closet e pegando qualquer roupa. Boxer, jeans, tênis, camisa de botões branca levantada até o cotovelo.
Falando sério, eu devia ganhar uma estátua de metal com pelo menos trezentos metros por, não sei, ser considerado um ícone de beleza extrema ou qualquer coisa assim. Já sugeri pro meu irmão colocar uma na entrada da Uchiha Project, mas ele só me olhou com uma cara de cú e me mandou pra casa do caralho em seguida.
Hn. Quero dizer, tudo bem. Quem ia sair perdendo era ele mesmo.
Depois de mais alguns segundos me olhando no espelho, eu saio do closet com um sorriso maroto puramente feliz. Quero dizer, ia ser ótimo ver meu querido irmão mais velho ter que morder sua língua ácida pra fazer um elogio quanto ao meu comportamento. Itachi sempre reconhecia que eu era um ótimo arquiteto, mas todo esse reconhecimento era completamente esmagado por eu ser, como meu irmão mesmo diria, "porra louca" – e, merda, ele fazia questão de me lembrar disso toda maldita vez que ele me via.
Mas eu não sou assim. Não sou. Eu só... eu não... bem, digamos que eu usufruo melhor do significado da expressão Carpe Diem.
E é só isso.
- Olha aqui, vou explicar como isso funciona. – digo parado no meio do quarto olhando pro cachorro, que, além de ter me seguido em quase toda a minha trajetória, estava sentado na minha frente e abanava o rabo animado. O pug ainda me encara com sua cara deformada, e eu acabo de perceber que estou falando com um cachorro. Meu Deus. – Eu vou tomar café agora e depois vou trabalhar, e é bom que você não faça nada. Nada mesmo. Não me inventa de roer as coisas, ou rasgar o sofá ou... ou mijar na cama ou, sei lá, por fogo na cozinha! Me entendeu? – cruzo os braços, e o cachorro só entorta a cabeça. – Ótimo. Então nós temos um trato aqui. E não ouse quebrá-lo, ou eu vendo seus órgãos pro tráfico de animais. – coloco ambas as mãos na cintura, e mexo a mandíbula desconfortavelmente quando o cachorro continua na mesma posição e com o mesmo olhar de morte.
É filho biológico do Kakashi. Só pode ser.
Reviro os olhos, mas meu corpo inteiro se congela quando eu aleatoriamente prego minha visão no relógio ao lado da minha cama – e eu faço uma nota mental de que eu preciso jogá-lo fora, porque toda vez que eu olho pra ele eu percebo que inconvenientemente eu estou atrasado e, sério, é muita experiência ruim pra apenas dois dias.
Dez pras oito? Dez pras oito? Que bosta, não pode ser dez pras oito! E a parte de chegar cinco minutos antes na empresa, como fica? Se são dez pras oito eu vou chegar lá uns vinte minutos atrasado se eu tiver uma escolta especial ou se todo mundo resolver que hoje é o dia contra o sedentarismo e resolver andar a pé!
Olho pro relógio de novo, só para ter certeza de que, não sei, foi uma ilusão de ótica. Mas não é. Porra. Merda. Não. Droga, droga, droga.
São dez pras oito. Não vinte, nem quinze, nem onze. Só dez pras oito.
Mesmo.
Involuntariamente, me pego correndo pelo meu apartamento, chutando, pulando e me esquivando de tudo o que estivesse no meu caminho – situações de desespero pedem medidas desesperadas, e eu fiz outra nota mental de me lembrar dessa observação quando eu for contabilizar a quantidade de coisas quebradas quando eu voltar do trabalho.
Ah meu Deus. Ah meu Deus! Quero dizer, o que eu vou fazer? Eu estou atrasado. Muito atrasado! E todo o meu momento de louvor e glória vai virar uma enxurrada de resmungos e palavrões (talvez não seja assim tão ruim, mas Itachi com certeza vai me olhar com aquela cara de tédio e aquele irritante sorrisinho superior que dizia claramente "Atrasado mais uma vez, né, fracassado?" e, sério, vou esmurrá-lo. Aí sim vai ser ruim). Tudo bem, calma. É só ficar calmo. Vamos reorganizar os pensamentos. Com ordem. Ótimo, então... não vai dar tempo de passar na Starbucks, o que vai me economizar uns minutos. Isso! Então, hm... menos alguns minutos atrasado, mas em compensação eu ia ficar sem café da manhã.
Estaquei onde estava. Sem cupcakes e cappuccino de chocolate?
Ah, analisando melhor, alguns poucos minutos nem fariam essa diferença gritante. Eu já estava fudido mesmo, não é?
Não!, uma voz grita na minha cabeça, farão diferença sim! Pense no Itachi e no deboche dele! Foco! Itachi é irritante, Itachi é irritante, Itachi é muito irritante mesmo!
Com um suspiro quase choroso, eu segui rapidamente até a cozinha, abrindo a imensa geladeira com um supetão, rezando mentalmente para que não saísse nenhum rato de lá. Mas o que eu encontrei foram produtos coloridos – embora levemente escassos – organizados de forma displicente, e uma pontada de orgulho e um sentimento amoroso brotou no meu peito.
Chiyo é simplesmente a empregada mais linda do mundo inteiro eu juro que eu posso oferecer um dos meus rins como tributo pra ela bem agora.
E tenho um espasmo de felicidade ao encarar um bolo médio com uma grossa cobertura de chocolate bem na segunda prateleira, e eu rapidamente o tiro de lá, colocando-o em cima da bancada. Pego um prato, uma colher e encho um copo enorme e colorido de refrigerante. Parando para uma análise rápida, percebo que o Chiyo também decorara o bolo com côco ralado, alguns pedaços de bombom picado e glacê. Estava realmente bonito, mas sem dó nem piedade eu cortei um pedaço generoso, colocando-o no prato – e, sério, o bolo parecia ainda mais delicioso ao reparar a grossa camada de cobertura amarela-amarronzada. Ouço um choro estranho, e, ao olhar para o chão vejo o pug passando uma de suas patas dianteiras pela minha perna, me olhando com uma cara meio... chorosa?
Você só pode estar de brincadeira com a minha cara.
Mordo o lábio inferior decidido a ignorá-lo, e quando ele solta mais um choro eu me viro pronto pra mandá-lo calar a boca, mas tudo o que eu ia dizer simplesmente some. Porque de repente ele começa a entortar a cabeça, e seus olhos ficam maiores, brilhantes e úmidos como se estivessem retendo lágrimas, e seu focinho deixa lufadas de ar irregulares passar por eles, quase como suspiros tristes e...
Maldito cachorro!
- Você quer comer também, não é? – resmungo inconformado pela minha baixa resistência àquela cara de chantagem, o que definitivamente era um golpe baixo. Vasculho minha memória tentando lembrar se Kakashi deixou alguma bolsa com ração ou algum saco de comida. – Hum... sinto muito, mas seu pai desnaturado não deixou nada pra você comer. Vai ter que me esperar voltar do trabalho. – digo num falso tom de pesar, pegando um generoso pedaço de bolo e colocando na boca.
Fecho os olhos – ignorando o cachorro que ainda estava soltando aqueles sons estranhos - ao sentir o gosto levemente doce que vem da cobertura, a textura macia da massa e posso jurar que até soltei um gemido de felicidade. Nossa, sério, é a melhor coisa que eu já provei na vida. Oh, espera, tirando o cupcake de brigadeiro da semana passada. E as panquecas de chocolate da minha mãe, o muffin da lanchonete e o dunnut rosa que Naruto comprou pra mim na semana passada. Certo, talvez seja apenas uma das melhores coisas que eu já provei na vida. Mas é realmente muito bom e tem um gosto gostoso, sem ser enjoativo e estava tão gelado que...
Ah meu Deus, e essa porcaria de cachorro que não para de chorar?
- Sério, não dá pra você só ficar quieto? – direciono minha melhor cara inexpressiva pra ele, que apenas abana o rabo. Senhor, quando foi que esse bicho comeu pela última vez? O Hatake do jeito que é não deve dar comida pra ele há pelo menos uma semana, e por um ínfimo segundo e senti pena do cachorro. Olho em dúvida do bolo pro animal e hesitantemente corto mais um pedaço, colocando-o em outro prato e botando ele no chão. O pug saiu correndo mexendo sua bunda torta de um lado pro outro, praticamente caindo de boca em cima da fatia.
Solto um riso baixo, comendo meu pedaço o mais depressa possível, e depois levanto, colocando os recipientes sujos dentro da pia. Vou até meu quarto em passos rápidos, e escovo os dentes de novo. E quando eu estou saindo feliz – ao comprovar que eu sou uma pessoa realmente bondosa, afinal, grande parcela da população deixaria aquela coisa horrenda morrer por inanição -, meus olhos incisivamente voam para o relógio ao lado da minha cama.
Acho que no final das contas eu também sou um pouco masoquista.
- Oito e três? – berro histérico como uma cheerleder, meu corpo completamente petrificado.
Como se tudo voltasse a funcionar com um supetão, todos os meus músculos receberam uma descarga de adrenalina.
Tudo bem, eu precisava da chave. Onde foi que eu botei mesmo? Na mesinha de centro! Isso! Corri o mais rápido que eu pude, e um pânico momentâneo me faz arregalar os olhos ao ver a mesinha vazia. PORRA! Não, espera, estava lá, onde diabos...!
Oh, espera, estava atrás do controle. Isso. Sou o melhor! Olhos de águia! Hurra!
Saio trotando, correndo o mais rápido que eu podia e praticamente tropeçando nos meus próprios pés. Lembro vagamente de ter fechado a porta – implorando para minha sorte que sim, afinal era só o que me faltava ser assaltado em plenas oito-e-alguma-coisa da manhã -, esmurrado o botão do elevador e depois ficar andando de um lado para o outro dentro daquela caixa metálica que descia lentamente. Lentamente demais. Mas depois de alguns minutos ela finalmente abriu, e depois de passar que nem um foguete pelo porteiro (acho que ele falou algo relacionado a "bom dia", mas eu não me importei em prestar muita atenção), abro a porta do meu Porsche e eu tenho um momento genuíno de pura alegria.
Um momento que perdurou ínfimo meio segundo.
- Meu pager. – lembro num estalo, e se eu não estivesse tão atrasado podia jurar que desabaria em lágrimas. Meu Deus, preciso de um psicólogo. Ou, não sei, um manual "como encarar as dificuldades da vida em quatro passos." – Meu pager! – explodo num berro histérico, e pela visão periférica vejo que as pessoas estão me olhando estranho. Bem, danem-se todos. Não ligo para o que as pessoas pensam.
Como foi que Sheakspeare disse? Algo sobre não dar valor às criticas da massa populacional, pois quem faz isso tem falta de conceitos próprios. Não, espera, não foi Sheakspeare. Acho que foi Pitágoras. Ou Aristóteles.
Certo, não importa. Não importa. Puxa, alguém já deve ter dito isso na vida. Alguém sábio.
Enfim.
- Bom dia, Sr. Hankings. – sorrio amarelo ao passar pelo porteiro novamente, que apenas acena educadamente mais uma vez.
Solto uma lufada de ar frustrada pela boca, e simplesmente mando as favas qualquer intenção de chegar cedo, andando com passos normais até o elevador e esperando bem pacientemente ele chegar ao vigésimo sexto andar de novo. Passo o cartão no identificador, destrancando a porta (que eu tinha lembrado de trancar, obviamente) e sigo com passos arrastados até o meu quarto, revirando algumas coisas até achar o aparelho preto.
Na verdade o pager não era um pager propriamente dito – estava mais para um mini iPad, só que de um formato mais compacto onde quase não tinha aplicativos, sendo que servia em sua maioria para troca de mensagens. Como a Uchiha Project era muito extensa, grande parte dos funcionários da parte superior administrativa tinha um desses, o que facilitava na comunicação quando era preciso reformular projetos ou concertar plantas.
Não me arrisquei a olhar o relógio de novo, concentrando minha visão do outro lado do quarto. Enfio o pager no bolso da calça e sigo até a cozinha para beber água, sentindo minha garganta seca depois da minha inútil maratona de minutos atrás (nunca mais corro por causa de um plano tão estúpido como chegar mais cedo no trabalho. Jamais). Encho um copo e dou uma boa golada, sentindo o líquido transparente arranhar prazerosamente minha garganta. Franzo o cenho ao ouvir um som estranho, que mesclava choro e resmungo, e, ao olhar curiosamente para baixo me deparo com o pug fazendo uma cara estranha, andando cambaleante meio que se escorando na parede. Percebo que suas pernas estão moles e fracas, como se não agüentassem o próprio peso. O cachorro tomba para o lado num baque surdo, caindo de lado e eu fico chocado demais para pensar alguma coisa.
Mas o que...?
Não consigo me mexer. Simplesmente não consigo. Meu Deus. Não consigo pensar! Não consigo! Está faltando oxigênio no meu cérebro, eu não consigo pensar! Caralho! O que eu faço?
O que eu faço?
- Cachorro...? – pergunto em dúvida, correndo para onde ele está, ajoelhando ao seu lado. Percebo que seu focinho está gelado e úmido, sua barriga sobe e desce rapidamente e seu nariz solta bufadas de ar irregulares. – Cachorro? Pug? Coisa feia? – pergunto desesperado, dando tapas desajeitados nas suas costas, como se ele estivesse engasgado e fosse cuspir uma pedra e tudo fosse ficar bem outra vez. Mas ele não cuspiu pedra nenhuma, e, minha nossa, ele está morrendo! – Ei, sua bola de banha hipertrofiada, não faz isso comigo! Acorda! Não morre! Cospe, me morde, começa a babar, sei lá! Mas faça o que fizer, não morre! – berro desesperado, apertando sua barriga, costas, patas, rabos e qualquer outra parte que eu podia enxergar. Mas o cachorro apenas faz movimentos agoniados para a cabeça, como se quisesse vomitar alguma coisa e não tivesse nada dentro de sua garganta. Sinto ele ficar mais mole a cada segundo e no meu cérebro está um grande letreiro luminoso piscando freneticamente "Ele vai morrer, você também vai morrer, vai todo mundo morrer!" – Tá me ouvindo? Hein? – pergunto em puro pânico ao ver o animal revirar os seus olhos e fechá-los lentamente. Percebo minha própria respiração descompassada e minhas mãos tremem tanto que parecem estar vibrando. Sem saber o que mais fazer, enfio o indicador na goela do bicho, tentando ajudá-lo a vomitar o que quer que fosse, mas tiro o dedo de lá ao sentir uma dor aguda e ver minha mão começar a se manchar de vermelho.
Ele me mordeu! Eu tento salvar a vida dele e ele me morde! Quadrúpede ingrato duma figa! Agora morre, diabo!
Suspiro resignado quando ele solta mais um engasgo, ficando completamente mole nos meus braços. Ah meu Deus, ele morreu. Agora ele morreu! Morreu! De verdade!
- Não, espera, eu tava brancando! Volta a viver, cachorro! Volta a viver! – sacudo ele freneticamente, implorando quase choroso porque, numa parte distante do meu cérebro, eu podia imaginar Kakashi correndo com uma foice atrás de mim, e depois minha cabeça fincada nela no meio da sala de estar do Hatake como um souvenir. – Cachorro, acorda! Agora! Olha, eu tava brincando, você nem é tão feio assim e... ah meu Deus, estou mentindo para um defunto! Socorro! – grito desesperado, me pondo de pé num quique.
Percebo um papel preso na geladeira, e o abro correndo como se lá estivesse um meio de ressuscitar o pug. Mas quase choro ao perceber a letra de Chiyo falando alguma coisa sobre chegar mais tarde hoje, embora um recado no final tenha chamado minha atenção.
PS: Sasuke, como eu sei que você não zela pela sua educação alimentar eu deixei um bolo pra você – sei que você provavelmente vai se atrasar (de novo) e vai acabar indo trabalhar sem comer, então espero que se alimente. Não morra, querido, você paga meu salário. Eu sei, você me ama pra sempre. Aproveite, é aquele recheio de nozes que eu aprendi com a minha mãe. É, aquele que você adora.
Deixo minha mão cair e a carta escorregar pelos meus dedos, e aquele trecho simplesmente não sai da mina cabeça.
Aquele recheio de nozes.
Aquele recheio de nozes.
Aquele recheio de nozes.
Onde foi que eu ouvi algo parecido?
"Regra número dois: Pakkun é alérgico a nozes."
Oh, porra.
"Ou seja, nada de nozes ou produtos que sejam derivados dela."
Cachorro mais frouxo, que tipo de pug de respeito morre por causa de uma pequena alergia?
Como se uma luz estalasse no meu cérebro, sigo correndo até o quarto pegando uma mochila preta grande. Volto à cozinha em tempo recorde, e me certifico se o cachorro ainda estava mole – segundo o que Naruto me disse uma vez, um animal só morre de fato depois que fica duro, ou seja, enquanto ele está mole ainda pode haver alguma esperança.
Certo, a que ponto da minha vida eu cheguei. Estou dando ouvidos ao Naruto – bem, normalmente eu nunca iria por em prática algo que o loiro me dissesse, mas não me resta muitas escolhas na minha situação atual.
Tentando ser o mais delicado possível – o que não era muito – joguei o pug dentro da mochila, deixando uma abertura no zíper grande o bastante para entrar ar pro cachorro respirar, mas pequena o bastante para ninguém vê-lo.
- Eu acho muito bom você não morrer, entendeu saco de banha? Eu não quero carregar um morto nessa mochila, eu comprei ela semana passada! – sussurro nervoso, passando uma alça pelo ombro na posição mais despojada que consigo. O elevador parece demorar vinte vezes mais que o normal, mas logo ele se abre no térreo e eu me obrigo a colocar uma expressão serena.
Tudo bem, Sasuke. Você tem que aparentar normalidade. Calma.
- Sr. Uchiha, o senhor...?
Normalidade.
- Hankings, tudo bom com você? Dia lindo, não? – digo meio alto demais e dou um tapinha camarada nas suas costas, como quem diz "tudo bom, camarada?". O porteiro apenas franze suas sobrancelhas, e eu olho para baixo, sem saber como agir. Quero me dar um soco! Dia lindo? – Pois é, né, agora eu preciso ir. Tchau, Hankings! – aceno freneticamente a alcanço o carro com duas passadas largas, colocando a mochila com o semi-defunto no banco ao lado.
Enfio o pé no acelerador, andando o mais depressa que a lei – e o transito - de Amsterdã me permitiam. Arrisco uma olhadela incerta para a mochila ao meu lado, mas ela não se mexe. Ela está parada. Sem se mexer. Completamente imóvel. Minha respiração continua acelerada, mas eu não consigo me acalmar pois estou concentrando cada grama da minha força de vontade forçando o carro a ir mais rápido.
Certo, deve ter um veterinário aqui perto. Claro que sim. Quero dizer, ter animal de estimação era uma coisa bem comum, então deviam ter vários veterinários por aí e... droga, porque ainda não surgiu nenhuma clínica?
Merda, o sinal acaba de fechar. Tem um carro velho na minha frente, e parece que ele vai desmontar a qualquer segundo. Por favor, por favor, não desmonte! Não agora! Oh, o sinal abriu. Espera, porque aquele carro não se mexeu? O sinal abriu! Vai! Vai! Anda, coisa velha!
Oh Deus, tudo bem, calma. Calma. Mantenha a ordem. Ordem.
Fico realmente emocionado quando, no final da rua, uma placa indicando uma clínica veterinária aparece tímida no meu campo de visão. Finalmente! Quase chegando, falta pouco...
Enfio o pé no freio, e os pneus cantam no asfalto, e eu posso ver uma leve fumaça levantar (ótimo, esse pulguento ainda me devia trezentos e setenta e nove euros!) pela visão periférica. Abro a mochila e tiro o cachorro de lá – porque eu não queria ser confundido com o chefe do tráfico de animais -, andando o mais calmamente que eu podia.
Vulgo: saí correndo com aquele bicho morto todo mole na minha mão, e minha cara devia denunciar puro pavor.
Abro a porta do lugar com um pé, e aqueles sininhos irritantes soam com a minha chegada – e acabo de perceber que eu deixei meu carro super caro aberto, apto a qualquer tipo de furto (mas, bem, as pessoas certamente gritariam se alguém tentasse roubar o meu carro, não é? Alguém deveria gritar, então eu sairia correndo e que se foda o cachorro. Era o meu carro, oras. Ele é blindado e tudo mais).
O local estava calmo, era parcialmente branco, sendo que uma das paredes era lotada de patinhas de animais. Prateleiras com todos os tipos de produtos eram dispostas em paralelo com as paredes laterais, e no canto esquerdo eu podia ver uns sacos enormes que eu supus ser ração. Dei alguns passos incertos, reparando que eu respirava cada vez mais irregularmente, e eu estava tremendo de um jeito violento; o cachorro tremia nas minhas mãos sujas com o meu próprio sangue e eu podia sentir meus braços perdendo a força de puro nervoso. À minha frente estava um tipo um balcão, e eu andei mais um pouco disposto a procurar ajuda.
No entanto, vinda completamente do além, uma mão pequena tocou o meu ombro, e eu me virei assustado quando ouvi um tom de voz reconfortante me perguntar:
- Com licença, o senhor precisa de ajuda?
Eu enxerguei rosa. Literalmente.
E com o susto eu senti meus braços amolecerem até que o cachorro – gordo e obeso como só ele – simplesmente escapava pelos meus dedos como se fosse água, e tanto eu como a estranha encaramos chocados o pug cair no chão como se fosse um tijolo.
Ah, cacete.
N/A:TCHUCHUUUUUUUUUUUUUUUUUUUCAS DA MINHA VIDA! *O*
APOSPOAPOSOAPOSPOASK', okay, fail!, mas, own, como estão? Espero que bem.
Bem, como eu postei os dois primeiros capítulos faz pouco tempo, eu não tenho muito o que falar – a não ser pedir desculpa, afinal não foi a TÃO pouco tempo assim; bem, eu estive bem sobrecarregada nesses últimos tempos e eu estou prestes a encarar um trabalho de literatura sobre "O Bom Crioulo", seu autor, contexto histórico e etc (meu grupo é muito chique, sério. Nem começamos a fazer e já tá dando bafão); vou fazer meu simulado semana que vem – pelo menos eu não vou ter que estudar pra tudo, já que contando esse e o outro eu vou ficar com a melhor nota dos dois, e eu fui bem um boa parte no simulado passado; e, bem, é minha última bateria de provas que valem quase metade da minha nota, então eu tenho que estudar (sem contar o sarau que tá chegando, yeah! o/)
Whatever, deixando escola de lado.
Oh, e quem não entendeu o nome do capítulo, Myristica bicuhyba Schott é o nome cientifico da noz moscada! (:
Meninas, eu não quero ser chata com essas coisas de cobrança de reviews, até porque eu não gosto daquela parada "só-depois-de-tantas-reviews-eu-posto-um-novo-capítulo", mas, sério, as reviews despencaram! De umas dezoito pra, tipo, três. Gente, eu preciso de opinião – até porque é a minha primeira fic reescrita, e como essa fic provavelmente vai virar um livro (não é o que eu estou escrevendo separado, mas Doctor's Dog provavelmente também vai virar um livro, porque eu sou completamente apaixonada pela história), entoa eu realmente queria pedir a opinião de vocês.
(eu não sei, se, por eu estar apenas substituindo capítulos o site não enviou o aviso e ninguém viu. Talvez seja isso /: )
Enfim, respondendo às reviews fofas (e escassas, adeus -q) que eu recebi no cap anterior:
Ally-chaan – ISSO, SOME MESMO E ME DEIXA COM SAUDADES. MUITO BEM, DONA ALICE. U.U OAPOSOAOSPOPAOPSOPOAPOSPOAOSK', okay, você é A FOFA MASTER DAS MASTERS, okay? Owwwwwn, muito obrigada por acompanhar essa também! Haha, está gostando? (; AH. QUE. LINDO, sério? Owwn, amor, muito obrigada pelas capas! Sério, você é uma linda! (estou ficando repetitiva, é) Menina, você nem imagina no que o nossa Uchiha-baby vai passar, RUUUUM! . Muito obrigada por tudo, espero que você goste desse também! Beeeeijos! :*
Pisck – PIIIIIIIIIIIIIIIIIIISCK! *-* APOSPOAOPSOOAOSOPASK', obrigada por comentar, sua review foi linda! Haha, sério que você gostou tanto assim? QUE. LINDA, VOCÊ. (: Obrigada, obrigada, obrigada! Fico MUITO feliz que você tenha gostado, espero que goste do terceiro também! Ah, que isso, obrigada você. Na verdade eu estava desmotivada para essa fic, mas graças à sua PM eu me inspirei de novo e cá estamos nós. –q Haha, espero que goste desse também, gatinha! Beeeeijitos! ;*
Anônimo1/Anôny/BiiiaUchiha – BIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIA! *-* (É a Bia, né? –q) Tuuudo bom? Own, muito obrigada por todos os seus comentários fofos, você é uma linda! Ah, que isso, você é simplesmente maravilhosa! Né? Haha, Kakashi, nosso grisalho favorito –q Siiim, Uchiha-baby, sempre o amado rabugento! PAOPOSPOAPSOPAOPSOPOAPOSK', Sakura teve uma MÍNIMA aparição nesse capítulo, mas ela vai aparecer MUITO mais nos próximos! :3 Ah, espero que você goste. Own, muito obrigada mesmo! Eu fico quicando de felicidade aqui sempre que eu leio uma coisa dessas, espero que você goste desse capítulo também! Você também é show, e desculpe pela demora, gatinha! Beeeeijos, linda! ;*
VOCÊS. SÃO. LINDAS. DEMAIS. FATO. s2
Enfim, obrigado mesmo, meninas, pelos reviews. Me motivaram a continuar escrevendo, e eu espero receber mais nos caps posteriores! (:
E aí, o que vocês acham de um Sasuke quase serial killer? (cuidado com bolos, eles podem ser fatais! KKKKKKKKKKKKKKKKKKK') Pobre Pakkun, ainda vai sofrer muito nessa vida dele. –Q
Okay, a próxima a ser atualizada é FakeBoyfriend,embora eu não tenha uma data definida.
BeiJONES pra todas(os), amores! ;*
Keiko Haruno Uchiha.
