EPÍLOGO

No bar do hotel, John espera por Sherlock, bebericando uma cerveja belga e conversando com Lestrade.

-Sim, chegamos bem na Bélgica. Vocês vão surfar? Você é louco, Greg. Sei que era seu sonho de adolescente, surfar no Havaí, mas não. Definitivamente, tô velho pra isso. Prefiro conhecer a Europa mesmo. Boa sorte. A gente se fala. Tchau.

Assim que ele desligou, um homem se sentou no banquinho ao lado dele:

-Com licença, você é inglês, não é?

-Sou.

-Oh, céus, obrigado. Alguém que fala minha língua, nem que seja por alguns minutos. Eu estava escutando seu sotaque e... você não pode imaginar a falta que eu sinto desse sotaque britânico, amigo. Dois meses trabalhando aqui na Bélgica, só ouvindo flamengo e francês. Brian O'Connor. - e estendeu a mão.

-John Watson. - o médico apertou a mão estendida, agradecendo silenciosamente que o nome não foi reconhecido logo de primeira.

-Viagem a passeio?

-Sim, mais uma etapa em minha lua-de-mel.

-Opa, parceiro, meus parabéns! Que você e sua esposa sejam muito felizes. Eu trabalho com jóias, eis meu cartão. Se vocês quiserem nos fazer uma visita, eu vim para cá justamente para firmar uma parceria com uma joalheria, já é a segunda coleção minha que está na vitrine.

-Iremos, durante nossa visita à cidade. Solteiro, senhor O'Connor?

-Por favor, me chame de Brian. Sou. Ainda não achei ninguém para assumir tanto compromisso. E olha que eu tenho buscado em toda a parte, de todos os lados da cerca, se é que você me entende.

John levantou uma sobrancelha, depois sorriu:

-Entendo perfeitamente.

-E não é preconceituoso, hoje é realmente meu dia de sorte. As pessoas acham que os bissexuais são uns tarados, que pegam quem quiser e nunca ficam sozinhos, mas a verdade é que essa moeda tem dois lados: você pode ser chutado duplamente.

John riu e levantou o copo de cerveja:

-Sim, pode.

-Oh, olha só aquele pedaço de perdição moldado em quase 1,90m de homem perfeito, com cachos negros e olhos de águia. Que rosto, que corpo. Como ele anda com confiança. Hetero até a medula, com certeza.

-Você acha?

-Pode apostar. Deve pegar mulher só estalando os dedos.

Qual não foi a surpresa do senhor O'Connor quando o "pedaço de perdição" veio diretamente para o banquinho do Watson, se debruçando para beijá-lo e depois olhar o que ele estava bebendo.

-Ligou para Nina?

-Liguei. Acredita que o Junior está se dando muitíssimo bem com Hide, nem chorou nem chamou nossos nomes até agora? Quero essa cerveja na nossa mesa de jantar, parece boa.

-Sherlock, esse é Brian O'Connor, designer de joias. Senhor O'Connor, meu marido, Sherlock Holmes.

-Oh, mas é uma tremenda surpresa. Você é AQUELE John Watson! Nossa, mas é um enorme prazer conhecê-los, o famoso detetive e seu blogger. Encontrar vocês na lua-de-mel mais sigilosa do planeta é realmente uma grande sorte minha!

-Não é exatamente segredo, mas ninguém precisava saber o roteiro de nossa viagem. Nem tudo vai para o blog, óbvio! - Sherlock rolou os olhos, mas John pulou do banquinho e abraçou sua cintura:

-Vamos jantar. É uma bênção que o Junior não esteja sentindo nossa falta, veja por esse lado. Senhor O'Connor, foi um prazer. Faremos sim, uma visita à joalheria. Agora, se nos der licença...

-Com certeza. Aproveitem bem sua estada em Antuérpia, e parabéns pelo casamento.

Quando eles já estavam longe de Brian, Sherlock resmungou:

-Céus, John, não posso te deixar um minuto sozinho, que o povo vem te paquerar? E eu achando que seus dias de Watson-Três-Continentes tinham acabado...

-Você só está mau humorado porque acha que nosso filho não está sentindo nossa falta. Mas não, ele apenas está gostando de ter a mãe e o primo-irmão por perto. Nina também não ia te contar que ele está chorando e estragar nossa lua-de-mel. Quanto ao povo me paquerar, na verdade, o senhor O'Connor elogiou VOCÊ. Te chamou de "pedaço de perdição distribuído em 1,90m".

-Ridículo, eu nem tenho 1,90m. E esta perdição aqui já foi encontrada. Agora ela só quer se perder nos SEUS braços, senhor meu marido.

-Bom saber. Enquanto você não vinha, liguei para o Greg. Ele e Mycroft chegaram bem no Havaí. Lestrade vai surfar. Acredita nisso?

-Por que não? Minha surpresa é o bolo fofo sedentário do meu irmão ter escolhido uma lua-de-mel num lugar cheio de sol, que ele ODEIA, com várias opções de esportes ao ar livre, que ele abomina mais ainda.

-Isso é amor. - brincou Watson

-É um perigo. - riu Sherlock. Mas daí ele ficou olhando para o marido e começou a fazer umas buscas no Google e sorriu.

-Descobriu o quê?

-Os tipos de doces que se fazem no Havaí. Viu, não é amor, é gula.

Enquanto isso, no paraíso havaiano, Greg estava nas suas aulas de surf, enquanto Mycroft, bem instalado na porta da varanda do quarto, aproveitando o ar condicionado e conseguindo ver o marido ao longe, trabalhava com Anthea ao telefone.

-É só isso mesmo, minha querida? Ainda temos meia hora até a aula de surf do Gregory terminar.

-Não, senhor Holmes. O que nós não poderíamos resolver era só isso. Por hoje, por favor, aproveite sua lua-de-mel.

-Bobagem essa necessidade de estarmos o tempo todo grudados, fazendo tudo juntos. Ele está se divertindo muito lá, naquele sol.

-Posso imaginar. O senhor Lestrade-Holmes é uma pessoa muito solar e ativa. Mas é Natal e eu já atrapalhei o seu feriado no ano passado.

-É mesmo. Vá descansar também, Anthea. Obrigado por hoje. Ligarei amanhã no mesmo horário. Se houver alguma emergência, me avise. Eu retornarei o contato logo que eu puder.

Quando Greg voltou para o quarto, Mycroft estava em outra poltrona, os pés estendidos num banquinho, vendo TV.

-Hummm… meu maridinho bem recostado, descansando. Que cor maravilhosa tem essa torta! O que você está comendo?

-É cheesecake de goiaba.

-O que é goiaba?

-É uma fruta, comum nas Américas. - Mycroft estendeu o celular, com os resultados da pesquisa.

Greg olhou rapidamente e se debruçou, abrindo a boca. O marido cortou um pedaço da fatia que estava comendo e deu a ele. Lestrade fechou os olhos e mastigou, investigativo.

-Diferente. Não é ruim, mas muito suave. Você gostou? Quer que eu aprenda a fazer, se eu achar goiaba em Londres?

-Se você não achar, eu dou um jeito de arrumar. Eu sempre consigo o que eu quero.

-Uuuh, gosto disso, desse seu jeito de "eu domino o mundo". - Greg riu – Mas agora quem vai ser o mandão aqui sou eu! Vai tirando a roupa e se preparando para perder todas as calorias da torta, que o seu marido gostoso mas salgado vai tirar o excesso de sal do corpo.

Mycroft engoliu o último pedaço da torta, lambeu a colher e enquanto se despia, lembrava de uma vez em que tinha discutido com a mãe sobre romantismo e cara-metades.

"-Eu nunca mais vou achar alguém que combine comigo feito a Caroline. Era um casamento de acordo com minhas ideias de romance.

-Bobagem, um dia você vai encontrar uma pessoa que combina tanto com você, de uma maneira tão completa, que você vai achar até ridículo.

-Romantismo, querida mamãe? Não combina com suas equações e fórmulas...

-Myke querido, às vezes o amor parece uma equação sem solução, mas é só delimitar o verdadeiro valor do x..."

-Toda a sabedoria das mães com anos de casada... - riu o Holmes, se ajeitando no travesseiro. - E aqui estou eu, casado com alguém que não só não liga que meu corpo seja grande, como é tarado nele, nas malditas sardas e ainda tem prazer em cozinhar para me agradar, mesmo que isso signifique que eu vá engordar mais. Oh, Greggy...

-Mas já está suspirando? Cheguei, Mycroft, calma. Você não vai morrer... ainda.

Ao ver o corpo mais bronzeado ainda do outro, Mycroft ponderou que sim, ia morrer de tesão. Sua boca ficou cheia d'água e ele engatinhou pela cama para chegar perto daquele Adônis de cabelo grisalho que ainda estava meio molhado da ducha para lamber as gotas que rolavam pelo peito, abdômen e coxas.

Greg suspirou ao sentir a língua do marido. Afagando os cabelos ruivos, ele só se inclinou um pouco, expondo-se mais. Mycroft aproveitou para pegar na extensão do pênis, lambendo a volta da cabeça e seu buraquinho. O gemido de Lestrade foi tão profundo que reverberou em seu próprio pênis.

-Mike, meu lindo, chega de banho de língua, eu quero esse corpo enorme esparramado nessa cama agora! Quero encher minhas mãos com esse seu bundão e me enterrar nele até o talo. Deus, como eu sou tarado nesse seu traseiro.

-Ah, o contraste do seu corpo bronzeado com o meu...

-Já notei isso também. E me acende muito mais.

Mycroft abriu bem as pernas, exposto à língua e dentes do marido, que ia deixando uma trilha de chupadas e mordidas em sua pele clara. Ele apenas se rendeu à habilidade do outro de transformá-lo numa criatura trêmula e expectante. Mas a recompensa valia a pena. Ser empalado por aquele pau, sentir as mãos grandes e firmes de Gregory apertando sua bunda, as coxas morenas batendo nas suas. Ouvir seus grunhidos e gemidos, os palavrões e os elogios ao seu corpo e sardas. Mais do que sexo selvagem e perfeito, era um momento a ser saboreado por inteiro.

Depois do orgasmo duplo, o descanso.

-Banho depois?

-Por favor...

-Feliz Natal, amor.

-Feliz Natal, senhor Lestrade-Holmes. Sem querer cair no cliché, mas já se espojando nele, você é o melhor presente que eu já ganhei.

-Ahn – Greg fez beicinho – essa era a minha fala. O romântico da casa sou eu.

-Você está me contaminando... - Mycroft beijou a testa do marido, fechando os olhos. Mas já deduzindo, sem precisar ver, que seu marido resvalava para o sono sorrindo.

N/A: Pronto. Todo mundo casado, em lua-de-mel, prontos para a próxima batalha. 17/07/2016.