Disclaimer: A Mediadora (The Mediator) é uma obra ficcional da autoria de Meg Cabot.Todos os direitos são exclusivamente dela, mas quem sabe ela possa me dar o Paul um dia? Sabe... Quando ela enjoar.

N/A: Essa fic está classificada como K. Mas a qualquer momento ela pode virar M. Então, por favor, se você achou alguma coisa de abusivo, me informe por review ou me mande um e-mail que tentarei solucionar, não precisa, de maneira alguma, enviar uma notificação para o FF .net sobre sua insatisfação pessoal à classificação dada pela autora. Okay? smiles

Voltando a Viver

Por Priscila Marvolo

Capítulo 03

Caminhada no gramado

Deve ter demorado uns três minutos para eu sair da reitoria e chegar no prédio onde eu iria ficar. Era o segundo de três prédios cinzentos e simples, cada um com três andares e várias janelas. Havia um pequeno gramado a frente, mas a maior parte era acimentada, deixando tudo menos vistoso do que o resto do campus.

Mas pelo menos era limpo E arejado.

Estacionei o meu BMW na área para os residentes e sai andando com minhas 2 malas. Havia conseguido um quarto individual e com um frigobar. O que era bem difícil, pelo que eu soube, mas ter pais influentes ajuda muito nessas situações.

Então chequei o pedaço de papel e fui para meu prédio. Um lance de escadas e um corredor comprido e eu estava na porta do 212. A chave emperrou um pouco, mas depois de um empurrãozinho, ela cedeu.

Não era uma maravilha. Não mesmo.

As paredes pareciam recentemente pintadas de branco, um armário de duas portas de metal, um sofá pequeno, uma mesa com cadeira, uma cama baixa, mas, pelo menos, não tão estreita como eu imaginei.

Ah! E o frigobar.

Balancei minha cabeça e larguei as malas no meio do lugar. Andei até o banheiro, e ele também era ofuscantemente branco, mas era até bem fresquinho. O problema era que era meio pequeno. Bem, aquilo não era um hotel cinco estrelas, no final das contas. Mas daria para o gasto.

Pensando de forma otimista, até demais no meu caso. Eu me livrei das roupas e entrei debaixo do chuveiro. A ducha não era potente, mas pelo menos eu poderia escolher entre frio e quente. Fiquei uns bons 15 minutos ali, só recebendo a água na minha cara, ou pelo menos tive essa sensação.

Quando estava saindo do banheiro, enrolado com uma toalha na cintura e outra enxugando os cabelos foi que eu notei a vista da janela. Dava para ver a distância os fundos da reitoria, e aqueles dois prédios de tijolos vermelho. Instantaneamente eu corri meu olhar até o lugar no qual eu havia visto a garotinha, mas agora ele estava vazio.

Sacudi minha cabeça até ter esquecido completamente qualquer tipo de assunto paranormal e acabei molhando o quarto todo. Mas quem se importava, com aquela (falta de) umidade no ar já já estaria tudo seco.

Troquei-me sem pressa, e mal tinha acabado de me pentear uma batida soou forte na porta.

- Hey! Senhor residente novo! Todas nós queremos te conhecer, porque você não sai da toca? - uma voz feminina falou como se estivesse sorrindo. Dava para ouvir uns risinhos divertidos, do outro lado da porta.

Abri a porta e vi três garotas paradas com roupas de tênis. As três estavam igualmente úmidas de suor e tinham o mesmíssimo sorriso de quem recebeu uma surpresa agradável.

- A que devo a honra? - sorri marotamente enquanto encostava-me à porta, de certa forma tentando esconder a bagunça instalada no recinto.

- Sim! - a morena falou. - Sou Christie Trevor do 207, - ela tinha cor de canela, cabelos curtos e lisos de um castanho acobreado - aquele apartamento ali - e ela apontou um outro apartamento do outro lado da parede.

- Eu sou Stacy Valentine. Divido o quarto com a Chris. - um pouco baixinha, de um cabelo loiro platinado comprido e peitos tão grandes quanto seus olhos azuis, que me olhavam de uma forma que chegava a ser criminosa.

- Valerie Bell. Sua literalmente vizinha de quarto. - ela que havia batido na porta e agora apontava para o 213. Também era a mais alta das três, loira, olhos castanhos e compleição atlética.

- Paul Slater. Prazer, garotas. - elas trocaram olhares interessados entre si, coisa bem desconcertante, mas não deixei que elas notassem.

- Então sr. Slater - Valerie falou enquanto me puxava para fora do quarto. Stacy fechou a porta, enquanto Chris me pegava pelo outro braço.

- Vamos dar uma caminhada. - Stacy falou sorrindo.

- Somos veteranas de Direito, soubemos por Morgan que você tinha chegado, e é realmente bom ver que os calouros que chegaram são tão... - Chris falava enquanto encostava-se ao meu braço de forma bastante... sinuosa.

- Interessantes. - Valerie completou rindo.

- Joga tênis também, Paul? - Chris falou enquanto descíamos as escadas. - Você tem um perfil assim.

- É, jogo. Era o presidente do clube no colégio.

As garotas deram gritinhos, e eu vi que elas não eram muito deferentes de Kelly e suas amigas. Só que tinha um pouco mais de peito. E pelo jeito como falavam e me tocavam, mais experiências em outras áreas. Se é que você me entende.

Elas continuaram fazendo perguntas bobas, enquanto andávamos pela alameda arborizada. Então, o celular de Stacy tocou e ela o pegou do bolso da saia e já foi tagarelando;

- É?! Já chegou? Valeu, Morgan, depois te entregamos os biscoitos. - e rapidamente desligou.

- Foi um prazer te conhecermos, Paul. Mas agora temos que continuar nossa tarefa de reconhecimento. - Valerie falou piscando. E foi andando. Stacy deu um tchauzinho e a seguiu.

- Ah! E sexta vai ter uma festa na casa de um cara de Jornalismo. E você vai, totalmente, com a gente. - Chris falou sorrindo e acenando enquanto corria para alcançar as outras duas que já estavam bem na frente. - Não aceitamos não como resposta!

- Não pretendia negar. - Mas creio que elas não ouviram, já iam longe, entre risinhos. Mas quem se importa mesmo com isso?

Rindo um pouco da situação que havia me encontrado a poucos instantes, segui de volta para o meu quarto. Umas nuvens apareceram no céu, e uma brisa gostosa passou pelo lugar. Mas não era uma brisa salgada como a que eu me acostumara nesses últimos tempos, era uma brisa fresca, cm cheiro de grama recém cortada.

Estava tão distraído em pensamentos que fui pego de surpresa quando uma mão pousou no meu ombro.

- Hey! Vejo que já foi assediado pelas Power Puff Girls! Meu nome é Charles Thomas, sou da sala delas. Um terror, não? - Um rapaz que parecia ter seus 20 anos, cabelo bem curto e magro falou.

- É. Elas não perdem tempo. E, aliás, acho que o apelido combina bem. - disse enquanto analisava um pouco a situação e continuava a andar.

- Com certeza. Até elas concordam um pouco. - Charles riu alto - vai ficar no alojamento também?

- Sim. - falei displicentemente. - No segundo prédio, 212.

- Uh! Também sou de lá, 203. - e depois falou uma coisa totalmente inesperada - Espero que você não tenha medo de fantasmas...

Ahn? Fantasmas? Ele falou fantasmas? Ah meu Deus! Só era o que me faltava.

Mas pelo jeito, minha cara perplexa o fez pensar que eu tinha realmente medo, o que o fez cair na gargalhada. E não vou dizer que gostei disso. Porque não gostei. Nem um pouco.

Ninguém. Ninguém ri da cara de Paul Slater.

- Ah cara! Você não acredita mesmo nisso, acredita? – ele falou antes de mim, ainda fazendo força para não continuar rindo.

- Óbvio que não. Só fiquei meio surpreso, porque você falar uma coisa tão estúpida quanto fantasmas. – acho que eu fiquei com uma cara muito feia, que rapidamente Charles se refez.

- É o que falam, sabe? De um fantasma que fica pelo campus, se lamuriando. Algo como um assassinato que teve aqui na década de 20, ou 30. Sei lá.

Engraçado, como minha cara de mau às vezes assusta. Por que agora o cara estava falando claramente como se quisesse se desculpar. Que mane.

- Hum. Super interessante. – falei bem irônico. Porque normalmente as histórias de fantasma têm fundamento, e se não bastasse aquela menina, ainda tinha outro. Afinal, aquela menininha não podia assombrar o lugar. Não mesmo.

- Mas voltando ao que interessa, elas te chamaram para a festa de Bruce? – por elas, entendesse as PPG.

- Sim. Você acha que vale a pena? – perguntei um pouco curioso.

- Claro que vale. Sabe, quando se é calouro fazer uma boa impressão nessas festas, ou mesmo com elas, te poupa do trote, sabe? Principalmente se você faz moral com elas, por que, acredite – e daí o tom dele passou para um sério enigmático – elas são as piores veteranas que se pode existir, quando elas não gostam de você.

- Sem problemas. Acho que elas gostaram de mim. – falei lembrando dos olhares que eu recebi. Por um segundo eu tinha pensado que elas iriam me atacar ali na porta mesmo.

- É! Elas têm disso.

Nessa altura já estávamos dentro do prédio, subindo as escadas. A conversa continuou mais simples, com ele me perguntando sobre a escola da qual vim, e eu perguntando sobre como as pessoas se divertem ali. Despedimos-nos e cada uma seguiu para os eu quarto.

Nossa. O quarto estava mesmo uma bagunça. E o que era uma pena, eu não agüentava viver numa bagunça, o que me obrigava a arrumar tudo.

Em pouco mais de uma hora, o quarto estava bastante aceitável, e eu notei, depois de um longo e sonoro ronco, que eu estava morrendo de fome. Céus! Já era 3 da tarde, e a ultima vez que eu comi eram 8 da manhã.

Sai do carro com carteira e chaves, bati na porta de Charles, que atendeu prontamente.

- Já vai me explorar, calouro? – ele parecia divertido por ter quem pirraçar.

- Não, mas estou com fome. E onde diabos se come algo que preste nessa cidade minúscula? – falei no mesmo tom dele. O que pareceu divertir ainda mais ele.

- Venha comigo, calouro. Te ensinarei a arte de comer bem em Sunny Village! – depois disso ele voltou para dentro e eu pude ter uma visão do quarto. Parecia que era dele a algum tempo, haviam muitos livros espalhados, alguns restos de comida e sacos de batatas fritas pelo chão, e fotos de possíveis parentes e alguns pôsteres de times.

Em dois minutos já estávamos dentro do meu BMW, já que Charles não queria dirigir, e seguimos para, o que segundo ele, era a melhor lanchonete da região. Por Deus, eu só queria um restaurante onde pudesse comer de verdade. Era pedir demais?

E foi quando estava manobrando para sair do campus que eu a vi novamente.

Estava à sombra de uma árvore, sentada delicadamente, e o chapéu ao seu lado. Cabelos castanhos compridos e ondulados que balançavam sobre o vento fraco, a pele um pouco morena, brilhando fracamente.

Então, eu fiz uma coisa, que se me perguntarem, eu não saberei responder o porquê. Simplesmente desviei o carro para passar bem ao lado dela, enquanto levantava os óculos, para deixar que ela notasse que eu podia vê-la tão bem quando ela poderia me ver.

Charles reclamou algo sobre estar pelo caminho errado, mas não liguei, voltaria para o caminho depois de olhar a menina bem de perto.

Quando carro estava quase se encostando ao passeio eu diminui a velocidade e encarei-a nos olhos. Eram de um mel escuro sob a luz do sol, provavelmente seria de um castanho médio no escuro, e estavam completamente apavorados ante a perspectiva de ser vista. Tentei sorrir encorajadoramente para ela e tudo o que ela fez foi segurar o chapéu e sumir. Sem uma palavra.

Não vou negar que fiquei surpreso, não tanto pela reação, mas por ver que ela não era uma criança de uns 11 anos como eu imaginei, ela devia ter uns 14 ou 15 anos. As roupas antiquadas que fizeram eu me confundir.

Mas antes que tivesse completado o meu pensamento, Charles, enfurecido, apertou a buzina com força e me xingou alto.

- Ce ta louco, imbecil! Estou aqui há 3 horas gritando que é para o outro lado e você ai, fingindo que não estava escutando, é louco ou o que? – falou balançando a cabeça, como que se perguntando se falava em outra língua.

Em outra ocasião eu talvez tivesse respondido bem mal-educadamente, mas a visão da menina, digo, garota me deixou meio estupefado. E tudo o que eu disse foi:

- Desculpe, acho que estava meio distraído. Para que lado mesmo?

Charles girou os olhos e falou, agora voltando ao seu tom divertido.

- À direita, calouro das nuvens. À direita.

E estranhamente eu não discordei da forma que ele me chamou. Porque eu realmente estava meio que nas nuvens, meu pensamento não estava naquele carro, estava naqueles olhos assustados.

N/A: Se gostou, por que não deixar uma review? Me deixaria tão completamente feliz, você não tem idéia shine eyes