Shun andava pelos corredores da adega de importados no shopping, procurava um vinho italiano que tinha bebido uma vez na casa de Afrodite.
- Como era mesmo o nome? – pensa ele desesperadamente enquanto passava por mais fileiras de vinhos italianos.
- Posso ajudá-lo? – ouviu alguém peguntar as suas costas.
- ... – virou-se para ver quem lhe oferecia ajuda. Foi ai que viu que quem oferecerá a suposta ajuda era Hyoga. Será que ele já tinha encontrado o presente.
Mas Shun não podia mostrar muita emoção. Vai saber se Hyoga não estava procurando outra maneira de machuca-lo.
- Não obrigado. – e começou a caminhar pra longe de Hyoga, pegando o primeiro vinho que viu.
- È assim que você anda tratando seus amigos agora? – perguntou Hyoga.
- Você é que quiz assim. – pensou um pouco e disse. – Bom eu vou pra casa terminar de fazer o almoço. Se você quiser brigar comigo novamente é melhor procurar outra pessoa. Mas se você quiser conversar pode conversar comigo em casa. – e saiu correndo da loja.
Hyoga tentou correr atras do amigo, mas quando chegou do lado de fora da loja percebeu que Shun tinha usado a velocidade da luz e provavelmente ja estaria em casa.
- Não adianta vou ter que esperar até a noite pra falar com ele.
Nemesis e Ikki
- Então hoje você colocará nosso plano em prática? – perguntou a deusa.
- OK. E falando nisso estou de saida. – virou-se para a porta e ia saindo quando se lembrou de algo. – Quando você sair apague a luz.
- Certo gatão. Boa sorte.
Ikki observava Seiya sair de casa. Tinha certeza do destino do amigo.
- Seiya você vai ver a Mino? – perguntou Ikki saltando na frente do amigo.
- É eu vou ao orfanato. Você quer vir?
- Não, não eu vou com Shiryu fazer compras no novo shopping.
- Que legal. – parou de valar enquanto ponderava as informações recentementes adiqueridas. – Então a nossa visita juntos ao orfanato fica para uma proxima oportunidade.
- É.
Seiya seguiu seu caminho. Ikki o observou até que este desaparecesse no fim da rua.
- Ele não faz ideia do que o espera. – pensou Ikki.
Ikki entrou novamente na mansão e foi até o quarto de Shiryu. Bateu na porta e esperou uma resposta. Mas essa não veio.
- Shi, tudo bem?
- Tudo. Vamos? – perguntou Shiryu, aparecendo na porta ainda penteando os cabelos negros.
- Claro. – disse Ikki deslumbrado com o amigo.
E os dois entram em um carro da fundação com destino as compras de inverno.
Enquanto os amigos iam as compras Seiya continuava seu caminho tranquilamente para o orfanato.
Até que viu uma vam parar na sua frente.
Shun estava ajudando a servir o almoço de domingo com os empregados de Saori.
Estava tudo impecavél. A mesa decorada de vermelho e branco, com talheres de prata pura, as taças de cristal. Afinal de contas essa era a ultima refeição de ferias e também estariam todos juntos.
Uma coisa não lhe saia da cabeça: Hyoga. Será que o loiro havia aceitado seu presente? O que ele queria falar com Shun.
Shun achou melhor esquecer o assunto e ir tomar banho. Se fosse algo importante mesmo, Hyoga teria ido procura-lo.
Ele subiu para o quarto e foi direto para o banheiro, onde ligou a banheira e foi separar sua roupa. Voltou logo depois para o banheiro e despiu-se lentamente.
Entrou na banheira devagar apreciando a sensação da espuma e da água entrando em contato com sua pele. Emergiu completamente na banheira.
Shun ficou um bom tempo na banheira, destraido e absorto em seus pensamentos. Até que se deu conta que já tinha ficado um bom tempo na banheira.
Shun saiu da banheira e se vestiu. Foi para a janela admirar o belissimo inicio de tarde.
- Não adianta eu ficar aqui só adimirando. Eu vou é descer e aproveitar esse dia lindo. Pelo menos até os outros chegarem.
Shun caminhava pela propriedade Kido, quando viu uma fonte com chafaris e muitos bancos em volta. Ele sentou em um dos bancos e começou a admirar as nuvens. Estava tão maravilhado com a beleza daquele dia que nem notou quando alguém sentou ao seu lado.
- E agora você teria um tempo pra ouvir as desculpas de um amigo bobo? – perguntou Hyoga olhando nos olhos de Shun.
- Sempre tenho tempo para os meus amigos. – disse Shun desviando o olhar. – Diferente de outras pessoas.
- Shun eu admito que errei feio com você. – disse Hyoga pegando o queixo de Shun e fazendo-o olha-lo nos olhos. – Eu acho que não há perdão por ter feito um amigo sofrer e ainda mais este sendo você. – viu a tristeza nos olhos de Shun e sentiu como se uma dezena de agulhas perfuracem o seu coração. – Mas eu queria que você soubesse. Te magoar foi a coisa mais cruel que já fiz. E de longe o que mais me feriu.
Shun olhava absmado para Hyoga. Não podia acreditar no que ouvia, Hyoga na sua frente e não estava ignorando-o. Mas sim pedindo-lhe desculpas.
- Para tudo existe um perdão Hyoga. – dizia Shun docemente. – E se é isso que você realmente quer eu lhe dou o perdão.
- É verdade Shun. Você teria coragem de me perdoar, mesmo depois de tudo o que eu fiz. – dizia Hyoga esperançoso.
- Claro Oga. È isso que você quer?
- É o meu maior desejo neste momento.
- Eu te perdou mas nunca mais faça isso. Promete?
- É claro Shun.
E os dois se abraçaram ternamente por alguns minutos. E no final Shun beijo o rosto do amigo. E eles se dirigiram para dentro da mansão.
Hyoga e Shun seguiram juntos para dentro do casarão. Mesmo que Shun queira o tempo não pararia para que pudessem aproveitar a reconciliação.
Entraram na sala de vídeo da ala norte da mansão e encontraram Shiryu e Ikki com expressões bem assustadas.
- O que houve Shi? – perguntou Shun já sendo tomado pelo desespero dos amigos.
- O Seiya ainda não voltou. E então eu resolvi ligar para a Mino e ver o porque da demora. – Shiryu parou um momento recordando da fala da menina. – E ela me disse que Seiya não foi ao orfanato hoje. – terminou com os olhos chorosos.
- Shiryu se acalme eu tenho certeza de que o Seiya está bem. – disse Ikki abraçando o dragão e o sentando no sofá. – Daqui a pouco ele vai entrar aqui rindo e dizer que só se esqueceu dos compromissos.
- Eu espero realmente que sim. –disse Shiryu ressentido.
- O Ikki está certo. É melhor você ir se arrumar por que daqui a pouco a Saori vai chegar. – disse Hyoga pensando no Bem Maior.
- Eu vou verificar as coisas na cozinha. – disse Shun e saiu apressado.
Shiryu subiu para seu quarto acompanhado de Hyoga. Eles iriam se trocar para o almoço. Afinal de contas esse almoço seria inicio de grandes decisões.
O relógio marcava três horas e trinta minutos.
Um furacão de alta densidade passava pela mansão. Todos corriam apavorados para a sala de entrada para receber Saori.
- Olá meninos. – disse a deusa.
- Oi Saori. – responderam todos juntos.
- E então, vamos pro almoço? – perguntou Saori rindo.
- Claro.
E lá foram os amigos, para a mesa do almoço, que por sinal estava mais farta do que o normal. Já que Shun preparou também os pratos preferidos de Ikki e Hyoga.
- Vejo que temos um novo chefe de cozinha na mansão? – disse Saori, elogiando Shun que ficou vermelho de vergonha.
- Não imagina só, eu um chefe. – disse Shun – Eu só fiz umas coisas pro meu irmão e pro Hyoga. Para comemorar alguns acontecimentos recentes.
- Pra mim Shun obrigado. – disse Hyoga surpreso.
- Olha só Shiryu, o pato falou. E não foi pra dar coice. – disse Ikki sarcasticamente.
- Ikki não seja sínico, pelo menos não agora na frente de Atena. – disse Shiryu pensando na cena desagradável que Atena presenciava.
- Não se incomodem por mim. Está sendo profundamente divertido presenciar as discussões de meus novos irmãos. – disse Saori. – E pra vocês eu sou Saori Kido. Certo?
- Ok. – responderam todos perante o olhar questionador de Saori.
- Então continuemos nosso almoço e aproveitaremos depois as sobremesas que Shun preparou. – Shun voltou a corar com o novo comentário de Saori. – A propósito. Já decidiram onde querem estudar. – nessa hora todos engasgaram.
- Como disse Saori-chan. – disse Ikki.
- Hora, hora, vejo que a resposta é não. Então hoje mesmo vou ligar para o senhor Hiuko, para avisar-lhe de que vocês vão estudar nas unidades que escolhi. – disse Saori fingindo não ver a cara de espanto de todos.
- E quais são? – perguntou Shiryu.
- Isso será uma surpresa. – disse Saori.
- Adoro surpresas. – disse Shun descontraído.
Saori parou de falar tomando coragem para perguntar sobre o que lhe afligia uma dor no peito desde que chegara a mansão.
- E o Seiya onde está?
- Ele saiu hoje cedo dizendo que ia ao orfanato visitar a Mino e as crianças. – respondeu Ikki.
- E por que não veio ao nosso almoço? – perguntou Saori pensando que a resposta viria. Ele preferiu a Mino a ficar com você. Mas não foi isso que ouviu.
- Por que ninguém sabe onde ele está. – respondeu Hyoga.
- Como assim. A Mino tem de saber. – disse Saori
- Mas ela disse que ele não foi lá hoje. – disse Shiryu – Vocês me dão licença para ir ao toalete?
- Claro Shiryu pode ir. – disse Saori. – E vocês acham que possa ter acontecido alguma coisa? – nessa hora Shiryu começou a subir mais rapido as escadas. Não iria ficar ali vendo o hipócrita do Ikki dizer novamente que Seiya só estava desatento ao almoço.
- Não na certa ele esqueceu. –disse Ikki.
- Espero mesmo Ikki. – disse Shun encerrando o assunto.
- Bom, mudando os tópicos estou vindo para ficar por aqui. – disse Saori. – Mas estou planejando umas viagem nas ferias.
- Qual Saori? – perguntou Hyoga.
- Ao santuário três meses inteiros. – disse ela – O que vocês acham?
- Espero que você se divirta muito. – disse Ikki.
- Você quer dizer nós. – corrigiu Saori
- Oba adoro viagens. – disse Shun.
Eles terminaram o almoço sem mais conversas e Shun recebeu muitos elogios por suas sobremesas.
O relógio marcava seis horas.
Os meninos estavam sentados na sala de video e Saori tinha ido resolver problemas de negocio.
- O Seiya ainda não chegou. – comentou Shun aflito.
"Droga ele está preocupado. As coisas estão fora de controle". Pensava Ikki.
- Também estou preocupado, Shun – disse Shiryu.
- Se ele não chegar em uma hora eu vou procurá-lo. – avisou Shun.
- Você esta muito preocupado com esse seu "irmãozinho", não? – perguntou Ikki venenoso.
- Claro, ele é meu amigo. – disse Shun.
- Então eu também vou com vocês. – pronunciou-se Hyoga.
- Até tu pato refrigerado. – disse Ikki. – Pois eu vou ficar aqui e não vou me preocupar com aquele desmiolado.
- É uma opção sua, mas quero que você saiba que me decepciona muito. – disse Shun.
Dito e feito uma hora depois e nada de Seiya.
- Eu vou pegar meu casaco e encontro vocês no Hall. – disse Shun pulando do sofá.
Ikki assistia a cena perplexo. Seiya tinha realmente feito alguma coisa com seu irmãozinho. Era hora de ir em frente com seu plano.
Ele subiu as escadas correndo mais sem fazer barulho. Foi até seu quarto e trancou a porta que dava acesso a escada do quarto de Shun.
- Agora eu quero ver como ele vai se jogar nos braços daquele Mané. – resmungou para si mesmo. – Tadinho do Seiya, mas meu irmão não é pra ele.
Ikki saiu de seu quarto fechando a porta. Ele ia para os chafariz quando topou com Hyoga.
- Onde você vai? – perguntou Ikki.
- Vou avisar o Shun que só falta ele.
- Mas eu acho que o Shun já desceu. – disse Ikki "espero que Shun me perdoe" – avise os outros.
- Obrigado Ikki. – disse Hyoga e desceu correndo.
Ikki saiu pela lateral da mansão, não queria encontrar com os defensores do inescrupuloso Seiya cavaleiro de pegasus.
- Nêmeses, cadê você? – gritou Ikki invocando a deusa da vingança.
- Vejo que afinal de contas precisa do meu apoio. – disse Nêmeses materializando-se na frente de Ikki.
- Deixa de conversa furada. Vá fazer sua parte. – disse Ikki – Tranquei Shun no quarto. Ele não tem como sair.
- Olha só entregando o cordeirinho pro lobo mau. – disse Nêmeses – Quem te viu, quem te vê. – ironizou.
- Não me interessa o que você pensa – disse Ikki irritado. – Eu só quero que aquele idiota não possa aproveitar do meu irmão. – disse ele. – E você está mais pra uma madrasta má do que um lobo, não é?
- Pra mim já deu vou fazer a minha parte. Fui! – disse Nêmeses quando desapareceu.
- Não sei se estou fazendo o certo, mas eu não sei o que poderia fazer. – pensava Ikki.
Ikki ficou refletindo no jardim.
Shun's room.
- Oh Zeus, estou trancado. – dizia Shun enquanto tentava em vão abrir a porta. – Será que a porta emperrou.
Shun subiu novamente pro quarto e sentou-se na cama lamentando por não ter comprado um celular.
- Shiryu tem um celular, eu podia avisar ele. Ikki também tem um celular. – dizia ele – Será que Ikki foi também?
- Quem sabe? – disse Nêmeses aparecendo atrás de Shun.
- Quem é você? Como entrou aqui? O que você faz aqui? Você estava me espionando? Você ouviu o que eu estava falando? – disse Shun pulando palavras.
- Muitas perguntas para um garotinho, como você. Não acha? – disse Nêmeses. – Escolha uma e veremos o que acontece.
- Quem é você? – diz Shun atendendo ao pedido da moça.
- Melhorou. Meu nome é Nêmeses e antes que você pergunte. É sou a deusa da vingança. – disse ela.
Shun se assustou e levantou da cama derrubando o travesseiro no chão perto da deusa.
- Cuidado garoto, não quer sujar isso aqui. – disse ela colocando o travesseiro na cama de volta e sentando-se na beirada da cama.
- Ok. Obrigado. – disse Shun olhando a moça. – Mas o que você faz aqui?
- Vamos colocar assim. Um passarinho me disse que você estava necessitado de ajuda. Me parece que para um amigo. – disse ela sugestiva. – E pelo o que vejo pra você também.
- Sim, meu amigo sumiu e eu queria que ele estivesse bem. – disse Shun recordando-se de Seiya.
- Mas é só um amigo? – questionou-lhe a deusa. Afinal era isso que Ikki queria saber.
Shun corou com a pergunta.
- Sim é só amigo. – disse Shun incerto.
- Mas não a nada de especial?
- Sim, ele é meu melhor amigo, mas em que isso lhe importa? – disse Shun – Eu sou cavalheiro de Atena e não combatente seu.
- Ora, eu sei disso. – afirma Nêmeses – Mas creio que sua grande deusa, que a propósito é filha de meu antigo caso de amor, não pode resolver esse seu problema. Porem eu posso.
- E o que você ganha em troca afinal de contas você é irmã da Justiça e tudo tem que haver um equilíbrio, não é? – diz Shun.
- Digamos que eu não ganho nada mas faremos um acordo onde você ganha algo e perde algo. – diz ela.
- E qual seria?
- Seu amigo vai ser encontrado a salvo, mas você não poderá mais ter-lo como melhor amigo, como você diz que é. – conclui ela.
- O que é exatamente não considerá-lo mais como melhor amigo? – perguntou ele.
- Não dar intimidade, cortar relações, ser mais frio com ele, etc. – disse ela.
Shun sentiu um cubo de gelo descer rasgando pela garganta. Ficaria sem seu melhor amigo. Mas velo bem valia apena.
- Digamos que eu aceite, como garantir que depois de eu velo você não vai faltar com sua palavra.
- Pensei que diria isso então montei outro plano. – disse ela.
- Qual seria seu novo plano? –pergunta Shun.
- Passaríamos algum tempo fingindo namorar e depois eu iria embora e você ficaria livre. – diz ela. – O que acha?
- Quanto tempo?
- Depene do seu desempenho. É pegar ou largar. – diz ela.
- Ok.
Nêmeses desapareceu com um sorriso nos lábios.
- Seiya. – Shun murmurou antes de adormecer em sua cama no silencio daquele quarto.
Enquanto isso o grupo de busca varria a cidade.
- Shiryu você conhece o Seiya melhor que eu. – dizia Hyoga – Onde ele pode estar?
- Eu não faço a menor idéia, mas vamos começar procurando em todos os clubes e boates da cidade. – respondeu o chinês.
- OK, mas seria melhor se nos separássemos e procurássemos o Seiya na velocidade da luz? – pergunta Hyoga.
- Certo engraçadinho, porque não lembrou-me antes? – perguntou Shiryu – Podíamos já ter-lo encontrado.
- É que você estava tão atordoado que eu pensei que você não queria usar a velocidade da luz.
- Então nos encontramos aqui dentro de uma hora. – diz Shiryu saindo na velocidade da luz.
- Acho que Shiryu sente-se um pouco como pai de Seiya. – conclui Hyoga.
Ikki aguardava no banco do chafariz o retorno de Nêmeses.
- Pronto, está feito. – disse Nêmeses aparecendo para Ikki.
- Tudo?
- Tudinho. – responde ela. – E a propósito. Qual nome você quer para namorada de seu irmão?
- Pode escolher.
- OK. Então eu já vou indo. – disse ela. – Preciso do meu sono de beleza.
- Vá com Deus.
- Não, não, não. – reclamou ela. – Eu não acredito no seu deus. Não me ofenda assim.
- Certo. Vá com Zeus. – disse ele. – Se você sente-se melhor assim.
Nêmeses sumiu e deixou Ikki sozinho no jardim.
Ikki voltou para o seu quarto e reabriu a porta do quarto de Shun.
- Me desculpe, irmãozinho. – sussurrou Ikki.
Ele correu de volta pra sala de vídeo para apanhar seu cartão de credito e depois saiu da mansão sendo guiado pelo vento.
Enquanto isso Shiryu varria o lado leste do país. Procurava em todos os lugares, lojas, hotéis, tudo mesmo ate de baixo de pedras na rua.
Ele estava nessa a alguns minutos quando entrou em uma boate de Streep. Ele começou a procurar nas mesas e viu Seiya sentado em uma cadeira no meio do palco com os olhos vendados e duas dançarinas provocando-o.
Shiryu correu para o palco na velocidade da luz e sussurrou furioso ao ouvido de Seiya:
- Se divertindo?
- Shiryu? – perguntou Seiya alegre.
- Na verdade sou um medico e vim curar um bêbado, com uma injeção de glicose. – disse Shiryu nervoso.
- Não Shi, não é nada disso. Eles me confundiram eles acham que sou um noivo.
- E se eu acreditar vou pro céu. Certo? – pergunta Shiryu, chamando Hyoga com seu cosmo.
- É verdade Shi, olha o meu estado.
- Me parece uma tortura realmente. – disse Shiryu sarcástico.
- Mas o que é isto? – disse Hyoga aparecendo na frente dos amigos.
- Parece que estávamos preocupados com Seiya a toa. Ele estava divertindo-se. – diz Shiryu.
- Hyoga você também está aqui. Me ajuda eles me seqüestraram. – grita Seiya.
- Então Hyoga vamos embora. – diz Shiryu piscando o olho.
Ele e Hyoga foram para um canto da boate e sentaram-se numa mesa para assistir o show. E Seiya continuou chamando-os.
Lógico que o tempo não para, assim que eles voltaram para a velocidade normal as pessoas voltaram a se mexer.
As bailarinas dançavam e se esfregavam em Seiya, até sentavam em seu colo. Uma delas resolveu ser mais safadinha e começou a mordiscar a orelha dele. Descendo por seu pescoço e rasgando sua camisa.
Os amigos assistiram tudo calados e atentos.
A dançarina arranhava seu peito e gemia em seu ouvido. Até que resolveu apimentar mais as coisas se isso era possível. Ela abriu suas calças de uma vez e sentou-se em seu colo.
Shiryu levantou.
- Agora já basta! – gritou ele e todos que estavam na boate viraram-se para ele.
- O que significa isso? – questionou o gerente da boate indo até Shiryu, mas foi impedido por Hyoga.
- Esse garoto é menor de idade. – Shiryu disse. – E se vocês não querem a policia aqui é melhor solta-lo.
Houve uma bagunça generalizada na boate e todos gritavam.
- Mas você não é o Hajime?
- Não eu avisei a vocês que eu não sou o Hajime. – dizia Seiya enquanto era desamarrado.
- Agora vamos pra casa Hajime? – perguntou Hyoga.
- Há ha, muito engraçado, pato. – disse Seiya.
- Vocês vão continuar brigando ou vamos pra casa? – interveio Shiryu.
Eles foram para casa andando devagar. E só chegaram depois de uma hora nos portões da mansão. E em silêncio
- Então Seiya acho que já divertiu-se muito por uma noite. – disse Hyoga. – Espere só até o Ikki e o Shun saberem onde o santo garoto anda. E a Saori então, acho melhor chamar uma ambulância quando formos contar pra ela.
- Não por favor, não contem nada. – dizia Seiya.
- Ora, porque não? – questionou Shiryu.
- Porque ninguém tem que saber, é sobre minha vida e também porque eu não tive culpa do que aconteceu. – dizia ele quase implorando.
- Digamos que por enquanto vamos manter em segredo, mas depois só vendo pra saber. – falou Hyoga calando Shiryu colocando o dedo indicador em seus lábios.
- Isso é chantagem. – reclamou Seiya.
- É pega ou larga. – disse Hyoga.
- Tá bom, não tenho outra escolha.
E eles se despediram perante esse acordo e foram dormir.
Segunda - feira primeiro dia de verdade.
Shun dormia tranquilamente em seu quarto quando ouviu suaves batidas na porta, que aos poucos foram despertando-o.
- Entre. – disse ele sentando se na cama e apoiando as costas na cabeceira.
- Oi, maninho. Dormiu bem? – perguntou Ikki entrando no quarto.
- Ótimo oni-san. – respondeu Shun.
- Bom porque eu trouxe o telefone, parece que é uma tal de Yumi. E ela disse que é urgente. – disse Ikki estendendo o telefone para Shun.
- Yumi? Não conheço.
- Mas é melhor atender, parece que ela te conhece muito bem.
Shun pegou o telefone vencido pelos motivos de Ikki.
- Alô. – resmungou para o aparelho.
- Já esqueceu de mim. – disse a moça.
Shun deixou o telefone cair na cama com o susto. Mas pegou de volta antes que Ikki pudesse processar as ações do mais novo.
- Você. Então não foi um sonho? – disse Shun
- Não, não foi sonho. E é bom me chamar de Yumi daqui pra frente. E se arrume que eu vou passar ai pra conhecer o pessoal e você vai me levar ao cinema. Ok? – disse Nêmeses.
- Certo. – disse Shun tristemente.
- Beijo "amor". – disse Nêmeses. E ficou esperando uma resposta.
- Tchau "amor". – disse Shun contrariado.
Shun devolveu o telefone ao irmão.
- Pode levar. – disse ele triste.
- Você esta namorando, por que não me contou? – disse Ikki.
- É muito recente. – disse Shun com os olhos cheios de lagrimas. – Você pode me deixar sozinho? Eu preciso me arrumar, ela vem aqui depois.
- Claro garanhão. – disse Ikki correndo para deixar o irmão se arrumar.
Assim que Ikki saiu do quarto Shun começou a chorar e chorou muito. Quando não tinha mais lagrimas para chorar, ele levantou-se da cama e foi tomar banho.
Ikki ouvirá tudo do lado de fora do quarto. E sentiu uma faca atravessar o coração, quando percebeu que o irmão parará de chorar só porque não tinha mais lágrimas.
- Me perdoe Shun, mas acho que é o melhor pra você. – pensou ele enquanto saia de seu quarto, para ir tomar café.
Shun desceu as escadas correndo e quase derrubou meia dúzia de vasos pelo caminho até a mesa. Ele tinha que tomar o café rapidamente pois levaria Nêmeses ao cinema e ainda tinha que ir ao escritório do doutor Hiuko.
- Bom dia. – disse Shun com um sorriso nos lábios. Era falso, mas era melhor ter um sorriso falso do que um tribunal lhe acusando de ter problemas sérios de cabeça, já que ninguém ficaria infeliz por levar uma garota ao cinema.
- Pelo que vejo alguém vai ter um ótimo dia. – Ikki apontou o fato enquanto passava manteiga em um pão e tomava um gole de café.
- E por que você diz isso Ikki? – questionou Shiryu. Este estava ao lado de Ikki e comia bacon.
- Não que eu seja dedo duro. Mas acho que alguém aqui. – dizia ele apontando para Shun que comia torradas e tomava chá mate. – Tem outro compromisso antes da reunião no escritório. E se alguém me perguntasse diria que é com uma namorada.
- Do you have a girlfriend? – peguntava Seiya entusiasmado.
- Digamos que eu tenha uma. Mas não se desespere vocês todos vão conhecê-la daqui a pouco. – disse ele notando a cara de espanto dos outros. – Ela está vindo pra cá.
Hyoga engasgou com o leite.
- Tudo bem Hyoga? – questionaram Seiya e Shiryu.
- Sim, claro – disse ele se recompondo e levantando-se da mesa. – É que eu me lembrei que tenho um compromisso também. Boa sorte com a garota. – ele disse apertando o ombro de Shun mais do que o necessário. – Tchau gente. E Shun peça desculpas a ela por eu não poder conhecê-la. – ele saiu pelo portal e Shun viu a ultima mexa de cabelo sumir por trás da parede.
Cinco minutos depois Tatsume entrou pelo mesmo portal por onde Hyoga tinha saído e dirigiu-se a Shun.
- Senhor Shun, creio que uma jovem senhorita chamada Yumi deseja velo. O que devo fazer? – disse ele incrédulo.
- Mande-a entrar.
Todos estavam ansiosos olhando para o portal depois que Tatsume foi buscar a moça. Eles não tiveram que esperar muito, para desagrado de Shun, logo a moça entrou acompanhada de Tatsume. Ela estava radiante, os cabelos ruivos presos em um rabo de cavalo, uma calça jeans azul escura e uma blusinha preta.
- A senhorita Yumi. – anunciou o mordomo.
- Hello Yumi. – disse Shun dirigindo-se a ela sem muita vontade.
Ele a guiou até uma cadeira vazia a seu lado, o que diga-se de passagem, a deixou surpresa.
- Irmãos essa é Yumi. – ele a apresentava. – Yumi esses são meus irmãos, Ikki, Shiryu e Seiya. – ele dizia enquanto apontava a cada um deles e esses por sua vez lhe dirigiam sorrisos.
Ela retribuía a todos com sorrisos tímidos, até que encontrar o irmão que Shun nomeou de Seiya. Agora sim ela tinha um alvo a impressionar. Lançou a ele um sorriso mais quente. A essa altura Seiya estava vermelho e Shun já tinha se sentado.
- Quer tomar café Yumi. – perguntou Shun com um sorriso simpático. Mas somente por pura obrigação. Ele já estava rezando para chegar o fim deste acordo. Apesar de ter valido a pena, pois Seiya estava de volta são e salvo.
- Não sua presença já é o suficiente para nutrir meu dia. – ela disse olhando para Shun apaixonada. Se ele não soubesse que era tudo parte do plano da deusa, teria acreditado que ela realmente estava interessada nele.
Ele ficou triste quando pegou-se nesses devaneios. Realmente ele não tinha nascido para ser feliz. Primeiro perdeu os pais que ele mau se lembra, logo depois teve que treinar para ser um cavaleiro e seu irmão sempre punido pelos seus erros. Foi forçado a lutar, viu seus amigos sofrerem seu irmão morrer, Hyoga definhando em seus braços ele sentia-se tão impotente sem saber se conseguiria salva-lo e depois disso tudo ainda descobriu que seu corpo tinha sido escolhido pelo imperador Hades para tornar-se dele. E agora ele tinha que namorar com essa deusa para salvar Seiya.
Ele recuperou-se rapidamente quando viu que Yumi estava encarando-o como se estive-se acompanhando seus pensamentos.
Ela se aproximou mais um pouco e sussurrou em seu ouvido:
- Me convide agora. Diga que tem um novo romance estreando.
- Yumi por acaso você tem algo pra fazer agora? – ele perguntou e ela balançou a cabeça negativamente o incentivando a continuar. – Eu pensei que talvez nós pudéssemos ir ao cinema tem um novo romance que estreou a pouco tempo. O que você acha?
- Pra mim tudo bem. Que horas?
- Se sairmos agora ainda pegamos o cine pipoca. – ele disse sem coragem de encarar os irmãos.
- Então vamos.
Shun levantou-se e pegou Yumi pela mão saindo como um furacão da mesa e murmurando algo como um "tchau" antes de sair pelo portal em direção ao hall quase derrubando Tatsume que estava espanando um vaso grego que Atena trouxe de lembrança da batalha no santuário.
