Room 201
Capítulo 3 "Primeiro caso: A floresta do suicídio"
Parte III – Lullaby
Já se passavam das cinco da tarde.
Jiraya olhou para o relógio irritado. Respirou fundo para não explodir ali mesmo, desabafando palavrões e maldições contra certo loiro. Naruto provavelmente se esquecera do compromisso cerimonial na casa dos Uchikawa. Típico do rapaz. Jiraya já estava cansado daquela atitude irresponsável e despreocupada do afilhado. Ele era um adulto agora e não podia mais agir como uma criança. Pelo visto, Naruto só tinha crescido em tamanho e se esqueceu de que o cérebro também tem que acompanhar o ritmo.
Mas Jiraya não podia ficar ali parado, fazendo nada. Ele então se aproximou do anfitrião e pediu desculpas pelo atraso. A partir daquele momento, ele iria encaminhar a cerimônia. Mesmo ali em frente a todos, em vez de estar concentrado no ritual, apenas um pensamento pairava em sua mente: o sermão que o seu afilhado iria ouvir quando o encontrasse.
Onde você se meteu, Naruto?
ATCHIM!
Naruto fungou. Talvez estivesse ficando com resfriado, o que era estranho, já que estavam no verão. Com certeza era alergia daqueles mosquitos. Malditos! Seu sangue por acaso era feito de açúcar?
- Mas que droga de mosquitos! – o loiro abanava os braços freneticamente na esperança de se livrar daqueles insetos irritantes.
Ninguém dera atenção ao que ele dizia.
A sua frente se encontravam outras duas figuras. Eles andavam em silêncio por uma pequena trilha ao encontro do restante do grupo de voluntários. Logo, eles podiam avistar um pequeno amontoado de pessoas que estavam em círculo, tão concentrados que nem perceberam os três rapazes se aproximarem.
- Ei, chegamos. – Kiba disse com as mãos nos bolsos. – Alguma novidade?
- Nada. – respondeu uma voz feminina.
Sasuke ao chegar mais perto pôde ver uma cabeleira rosada no meio do círculo de pessoas, onde trabalhava em um corpo estirado no chão. Se Kiba antes não tivesse dito que aquilo que tinham encontrado era um cadáver quando trocaram algumas palavras na curta caminhada até aquele lugar, ele juraria que aquele homem estava apenas dormindo. Não parecia em nada com alguém morto.
- Esse cara tá mesmo morto? – Naruto fez o favor de tornar audível a mesma pergunta que pairava na mente do moreno.
- Pode não parecer, mas está. – Sakura desviou sua atenção para olhar para os recém-chegados. – Nós o encontramos enforcado naquela árvore, porém...
Sasuke abriu caminho pelo pequeno grupo e se ajoelhou ao lado da rosada.
- O que há de errado? – perguntou sério.
Sakura suspirou antes de iniciar o seu relato sobre o fato:
- Pelo estado que o achamos, tudo indica que foi suicídio. Apesar de apresentar algumas escoriações no pescoço como ele tivesse tentado remediar a sua própria morte, isso é um tanto irrelevante, já que é possível acontecer, não sendo necessariamente uma luta corporal contra algum agressor. Mas... está vendo aqui? - ela esticou o braço da vítima. – Ele deixou uma mensagem. Parece um caso de assassinato mesmo sem ter nenhuma evidência disso.
Houve uma longa pausa. Todos pareciam segurar a respiração.
- E não é só isso. – Sakura continuou. – Ele não apresenta nenhum sinal que comprove a sua morte além da ausência de pulso e batimento cardíaco. O sangue nem mesmo desceu para as pernas quando ele estava suspenso, nem para as costas. Já estamos aqui a mais de meia hora e não há sinal de hipóstases. Isso é impossível uma vez que o coração parou de bater.
- Ele pode não parecer morto, mas bem que ele fede. – Naruto murmurou, torcendo o nariz.
Isso chamou a atenção do moreno. Ele se voltou para encarar o loiro, uma idéia surgindo em sua mente. Naruto revidou o olhar fixo de Sasuke.
- O que foi? – perguntou o loiro.
Sasuke se levantou, ignorando a atitude agressiva do amigo. Se aproximou e o puxou pelo colarinho, jogando-o para perto do cadáver. Por pouco o loiro não caiu em cima daquele homem.
- O que você pensa que está fazendo, teme? – a expressão de confusão estampada no rosto de Naruto.
- Você não disse que ia ajudar? – o moreno falou casualmente. – Então, já pode começar.
- O quê?! - os olhos dos loiros estavam arregalados. – M-mas na frente de todo mundo?
Todos ali olhavam para os dois rapazes, confusos. Não entendiam nada do que eles estavam se referindo. Provavelmente o loiro havia perdido outra aposta para seu eterno rival.
- O que ele pode fazer, Sasuke? – fora Neji que falara. – Um exorcismo? Pelo que eu saiba o Naruto nem o Sutra consegue fazer direito.
- É, e isso não é um caso de assassinato? Não de possessão. – Kiba disse, sendo acompanhado de um latido de apoio de seu cão.
O moreno não se deu o trabalho de responder. Se ajoelhou novamente, porém agora de frente com o Naruto, que se encontrava sentado no chão devido ao empurrão. Sasuke se aproximou do loiro de modo que apenas os dois pudessem se ouvir.
- Eu pensei que você quisesse mostrar seu valor. Sempre reclamando como todos te tratam como alguém sem talento. – o moreno sorriu desdenhosamente, fazendo o loiro querer arrancar aquilo do rosto dele da forma mais dolorosa possível. – Além disso, a sua Sakura-chan está aqui. Não é um momento perfeito para provar que todos estão errados, hein, Naruto?
Eles ficaram se encarando por um tempo. O ódio queimava nos olhos do loiro e este tentava de alguma forma transformar aquele sentimento em algo que realmente pudesse ser usado contra aquele teme. Como queria ter o poder de fritar alguém só com o olhar.
Com o orgulho ferido, Naruto se viu no dever de rebater e fazer o moreno engolir aquelas palavras. Corajoso? Nem tanto...
- Você venceu, teme. – ele disse, cedendo. – Mas eu vou ter mesmo que encostar nessa coisa?
- Isso já é problema seu. - com isso, Sasuke se afastou.
Naruto suspirou e se virou para dar uma olhada no cadáver ao seu lado. Se acomodou antes de fechar os olhos com uma visível expressão de nojo. Com uma das mãos estendidas, o tocou.
- O que ele está fazendo, Sasuke-kun? – Sakura observava aquela cena, confusa.
- Fique quieta e você vai saber. – sua voz era ríspida, o que fez a rosada se calar.
Alguns segundos se seguiram sem que ninguém ousasse fazer qualquer barulho. Logo, aquele silêncio foi cortado por uma voz grave e estranha a todos ali presente. E aquela voz vinha de Naruto.
- Eu... não quero... morrer...
Esta pequena demonstração arrancou sons diversos de seus espectadores, algo variando entre surpresa e confusão. Além de caretas de irritação e ceticismo de alguns.
- Que merda é essa? – Kiba foi o primeiro a se manifestar, seguido de outros murmúrios. – Ele tá chapado por acaso?
- K-Kiba-kun... – Hinata disse em censura, mas sendo ignorada.
- Itako. – Shikamaru respondeu calmo, calando o restante, enquanto acendia mais um cigarro. Finalmente o último do maço, o que fez se xingar por ter se esquecido de comprar mais um na hora do almoço.
- Itako? – Neji contestou. – Mas itako não são geralmente meninas cegas que falam com espíritos (1)?
- É. – o gênio deu mais uma tragada. – Mas também serve para pessoas com as mesmas habilidades de um xamã. Além do mais, seria estranho chamá-lo de Kamisama (1).
- Obrigado por suas explicações, Shikamaru. – Sasuke o cortou e sustentava uma voz levemente grave. – Mas temos um trabalho a fazer.
Ao dizer isso, ele se pôs de pé ao lado de Naruto com as mãos em ambos os bolsos. Posição que sempre tomava quando se concentrava em algo. Era hora de esclarecer aquela situação toda. Estava aberto o interrogatório.
- Pode me ouvir? Se sim, nome, idade e profissão. – o moreno disse com autoritarismo, se dirigindo ao loiro.
O silêncio imperou por um tempo sem que houvesse uma resposta. Era como se estivesse falando com uma parede. Naruto se mantinha imóvel e na mesma posição. O grupo o olhava um tanto esperançoso por algum acontecimento, mas nada ocorrera. O som dominante era o da brisa de fim de tarde, que trazia um pouco de alívio para aquele dia quente. Logo depois de muita espera se podia ouvir um pequeno 'tsc', seguido de um riso que mais parecia um rosnado.
- Como se ele fosse te responder. – debochou Kiba. – Ele tá morto! Vocês são mesmo um bando de gente estranha.
- Olha quem fala? – rebateu Neji impassível. – O homem cachorro. Isso é muito normal.
- Ora, seu-
- Querem calar a boca! – Sasuke interrompera a discussão. Aquilo tudo estava lhe dando dor de cabeça.
Quando os ânimos se acalmaram, o moreno voltou a encarar o garoto loiro. Nada de diferente por mais alguns segundos, até que os lábios de Naruto começaram a se mover, e como momentos antes, uma voz estranha soou:
- Taniguchi... Noda... 34...
Sasuke sorriu. Era exatamente como aquela vez há sete anos, no velório de sua mãe. Talvez apenas demorasse um pouco para que a mensagem fosse processada pela entidade interrogada.
O restante, principalmente Kiba, os olhavam com espanto. Aquilo era impossível de estar acontecendo, afinal, mortos não falam. Pelo menos era o acreditavam... até aquele dia.
- Policial... – continuou a voz estranha.
- Policial? – isso o surpreendeu. – Qual divisão?
- Homicídios... sob comando... de Hatake Kakashi.
A expressão estampada no rosto do moreno se tornara séria. Um subordinado do Kakashi?
- Me conte o que aconteceu, desde o começo.
Mais alguns segundos antes da voz continuar a falar.
- Os suicídios... aumentaram de forma... anormal... nossa divisão... foi encarregado... para investigar a área... porém todos... da equipe que... fizeram parte... acabaram se... suicidando... no local... ou dias depois...
Aquilo era uma nova e importante informação. Então era isso que Kakashi queria dizer quando disse que estava tendo prejuízos. Não era algo financeiro, mas estava relacionada à perda de seu próprio pessoal. Mas por que ele não lhe contara quando conversaram? Os pensamentos de Sasuke iam a mil, tentando encontrar uma solução para tudo aquilo. Impossível... aquilo estava ficando ainda mais complicado.
- Você esteve aqui antes de morrer?
- Sim... fiz parte... da última equipe... enviada para... recolher os corpos... uma semana... atrás... estou aqui...
Sakura engoliu em seco. O que aquela voz dizia não podia ser verdade. Uma semana e em perfeito estado de conservação que só podia ser encontrado em um corpo vivo ou recém-falecido, era algo além da lógica. Porém não iria contestar, provavelmente Sasuke não gostaria disso.
- Por você se matou? – o moreno fora direto ao ponto.
- Eu... não sei... eu não... queria... não quero... morrer... minha esposa... e filha...
- Você deixou uma mensagem gravada no braço, então sabia o que estava acontecendo.
- Quando... me dei conta... já estava... com a corda... me sufocando... não consegui me soltar... não queria que... pensassem que... eu tinha... cometido... suicídio... por vontade própria...
- O que quer dizer com isso? Você foi forçado a se enforcar? – Sasuke falara rápido demais, sua ansiedade transparecendo diante os fatos.
- Uma voz... na minha cabeça... dizia que... eu precisava morrer... uma promessa... meu corpo não... obedecia... uma morte dolorosa... não quero... morrer... não quero...
Sasuke suspirou. Aquele homem apenas se mantinha em afirmar que não queria morrer e não dava mais nenhuma informação que ajudasse a explicar o que estava acontecendo naquela floresta. Era hora de acabar com aquele interrogatório.
- Você está morto. Não podemos fazer nada contra isso.
- Mas... eu...
- Uma vez morto, é impossível voltar à vida, entende? – Sasuke o interrompeu.
Houve um momento de silêncio mais longo do que os anteriores, porém a voz voltou a se manifestar.
- Para... minha esposa... minha filha... eu quero... voltar... um último... desejo...
- Não se preocupe, você será entregue a elas.
- Isso... é bom...
Com isso, a voz parou de dizer qualquer palavra. Aquele corpo diante deles, então começou a entrar em um estado de putrefação evidente, algo que não era visto antes. A alma se fora. Em conseqüência disso, o contato espiritual entre Naruto e o cadáver se desfez juntamente com o contato físico. A cabeça do loiro pendeu, sendo seu rosto coberto pelos fios claros. Em seguida, os olhos azuis que estavam semi-cerrados logo entraram em foco. Naruto tirou o seu peso de sobre os joelhos, voltando a se sentar de forma preguiçosa e esfregando os olhos como se tivesse acabado de acordar, quando estes se arregalaram ao perceber onde estava.
- O que aconteceu?! - o loiro encarou o corpo já com uma aparência nada agradável diante de si e depois para sua mão. – Ai, que nojo! Eu toquei nessa coisa! Preciso de um desinfetante!
- Pare de fazer escândalo, dobe. – Sasuke chamara a atenção no loiro, antes que ele entrasse em estado de choque e saísse correndo para a farmácia mais próxima à procura de um anti-bactericida. – Seu trabalho já acabou. E foi bem útil, mesmo que isso me custe admitir.
- Ahn? – Naruto pareceu confuso no início até se lembrar de toda a situação. – Ah, então o que aconteceu? Descobriu alguma coisa, não foi? Eu sou mesmo demais! Se não fosse por mim...
E assim o Naruto continuou com seu pequeno discurso sobre suas habilidades extrassensoriais, enquanto todos o olhavam atentamente não acreditando no que ele dizia. Além de não se lembrar de nada, ainda se achava. Vai entender.
- Ele não se lembra? – Neji perguntou com uma sobrancelha erguida.
- É o que parece. – Shikamaru disse lamentando o fim de seu último cigarro. – Tem cigarro aí?
- Cigarro mata, você sabia? – o rapaz de olhos perolados o repreendeu. – O que adianta ser um gênio quando é burro o bastante para se matar com essa coisa? Você devia parar.
- Tsc. – Shikamaru jogou fora o toco de cigarro fora, fazendo uma expressão pouco preocupada. – Isso é problemático.
- Viver no passado também faz mal. – Neji continuou indiferente.
- Eu sei, mas certas coisas são difíceis de esquecer. – Shikamaru retrucou pensativo, mas encerrou o assunto por ali, enquanto desviava sua atenção para uma cabeleira rosa que se aproximava do cadáver juntamente com o especialista em entomologia forense.
Sakura olhava aquele corpo com descrença em seus olhos. Aquilo tudo que presenciara deveria ser impossível de acontecer. Era mais como um filme de terror com super efeitos especiais, mas lá no fundo de sua mente algo lhe dizia que aquela situação era mais que real. Ajoelhando- se ao lado da carne apodrecida, ela pode constatar que realmente ele se encontrava morto há uma semana como a voz afirmara. E Shino estava ali para confirmar com sua análise das larvas de insetos que agora se encontravam entre a carne já corroída, que saíam pelos orifícios do rosto. Agora definitivamente ela podia dizer que ele estava morto.
- E-então, Sakura-san? – Hinata perguntou um pouco apreensiva. Tudo que presenciara ali ainda era difícil de ser digerido rapidamente.
- É como aquela voz disse. – a voz da rosada se fez ouvida. – Ele está morto há uma semana. Mas por que ele não apresentava essa aparência antes?
- Ele não queria morrer. – Sasuke disse quando se recostava a uma árvore. – Seu desejo era tão forte que provavelmente sua alma o manteve nesse estado de conservação, mas agora que sua alma se foi, também se foi junto o seu desejo de viver.
O silêncio que se seguiu foi apenas interrompido pelo barulho de flashes que certo rapaz usando uma roupa colante fora de moda fazia com sua máquina fotográfica.
- E o que fazemos agora? – Lee questionou, mudando sua posição mais uma vez para pegar um ângulo melhor. – Isso que ele nos disse é um tanto confuso. Uchiha-san, você sabe de alguma coisa que nós não sabemos?
Sasuke suspirou. Teria que explicar toda a situação como fizera com Naruto, mas com a vantagem de não ter que se repetir. Ledo engano, pois quando começara sua explicação, o loiro a cada minuto fazia uma pergunta com as mesmas dúvidas de quando os dois haviam conversado sozinhos. Além de tapado, tinha memória fraca. É, esse cara ainda ia se ferrar muito na vida por causa desse problema aparentemente irreversível. Por fim, Sasuke respirou fundo recuperando o fôlego depois de uma longa explicação.
- Então o que você está nos dizendo é que algo aqui na floresta está provando o suicídio dessas pessoas, certo? – Neji seguia o raciocínio do Uchiha, que concordou com a cabeça.
- Sim, e parece que isso inclui muitos dos oficiais responsáveis em patrulhar a área e recolher os corpos. – Sasuke continuou. – Não sei por que Kakashi não me disse nada sobre isso.
- Isso é óbvio. – Shikamaru, que estava com os olhos fechados deitado no chão, disse em meio a fumaça do seu mais novo cigarro, que Sasuke fez a gentileza de lhe dar. – Se ele contasse que a maioria dos homens de que ele é responsável se matou depois de prestar serviços aqui, provavelmente ninguém iria fazer parte desse trabalho voluntário.
- Ele tinha razão. – Naruto disse já se levantando. – Se eu soubesse nem tinha chegado perto daqui. E como não estou a fim de morrer, estou indo embora.
Antes mesmo que o loiro tivesse tido tempo de dar um passo longe do grupo, um estampido alto foi ouvido em direção ao leste. Hinata soltou um grito abafado, sentindo um mal estar, mas foi amparada pelo primo ao seu lado. O restante se levantou em alerta.
- Aquilo foi... – Sakura começou, com a mão próxima ao peito, tentando acalmar seus batimentos cardíacos.
- Um tiro. – Sasuke terminou a frase por ela.
Diante àquelas palavras, Naruto começou a suar frio. Suas mãos se remexiam nervosas, demonstrando sua ansiedade em sair daquele lugar. Suas pernas se moveram na direção oposta, prontas para levá-lo para a saída, mas algo o impediu.
- Onde você pensa que vai? – Sasuke o puxava pelo colarinho.
- Aonde eu vou? – Naruto tentava desesperado se livrar do moreno. – Eu estou dando no pé, isso sim. Eu não fico mais aqui nem que a vaca tussa.
Mas mesmo com seus protestos audíveis até na China, Naruto acabou sendo arrastado com o restante do grupo em direção da onde o som do tiro havia vindo. Sasuke somente o soltou quando chegaram ao local. Com a cena a qual se depararam certamente indicava que estavam no lugar certo.
Ali se encontravam duas pessoas. Um homem que provavelmente foi encontrado morto por ali, pois este já estava sobre a maca com seu corpo semi-coberto. E outro, largado a poucos metros dali, usando o uniforme dos oficiais responsáveis pela limpeza da área naquele dia. Seu corpo estava caído de lado com sangue ainda fresco ao redor da cabeça que manchava o solo, encharcando-o. Entre os dedos ainda não enrijecidos se encontrava uma arma de fogo, que pelo calibre indicava ser aquela utilizada pela polícia. Aquele homem dera um tiro na têmpora com sua própria arma.
Sakura se aproximou e conferiu a pulsação daquele corpo, mesmo sabendo que não havia nenhuma chance de sobrevivência devido ao ângulo em que o projétil fora atirado. Ele estava morto.
Enquanto isso, Sasuke trouxe um relutante Naruto para perto do corpo, dizendo para que ele começasse logo seu trabalho. Mesmo contrariado, o loiro se aproximou e o tocou.
Todos se concentraram na cena, mas ainda os olhavam um tanto descrentes, principalmente para Naruto, já que mesmo que tenham testemunhado a manifestação da habilidade do loiro, ainda era muito surreal.
- Esse teme fica mandando aí, só porque não é ele que tem que tocar nessas coisas. – Naruto murmurava quase inaudível, indicando o início de seu transe. Logo, apenas outra voz pôde ser ouvida:
- Uma... promessa... eu preciso... cumprir... uma promessa...
Uma promessa? Fora a mesma coisa que o outro corpo dissera. Pensativo, Sasuke mantinha aquela palavra solta em sua mente, tentando uma conexão. Algo que os levassem pelo menos a algum rascunho que os ajudassem a resolver aquele mistério todo. Porém, sua atenção fora totalmente desviada ao sentir um calafrio percorrer sua espinha, eriçando os pêlos de seu corpo. Ele voltou a olhar para Naruto, mas ali já não se encontrava somente o loiro e o cadáver daquele oficial, mas também havia um esvoaçar de um vestido de verão. Suas mãos delicadas e translúcidas apoiadas sobre os ombros do loiro como se estivesse a lhe sussurrar ao pé do ouvido. Era uma jovem mulher.
O moreno olhou ao redor, percebendo que ninguém se dera conta da presença daquela pessoa. Então aquilo não deveria estar entre os vivos. Era um espírito. Mas antes que Sasuke pudesse concluir algo mais, seus olhos que perambulavam pela clareira se encontraram com os de Hinata. Seus olhos tão exóticos sustentavam uma expressão indecifrável que lhe lembrava terror. Seus lábios tremiam, sendo pressionados contra os dedos que os cobriam.
- N-Naruto-kun... – um fio de voz que dizia que algo estava errado.
O som de uma arma sendo destravada fez que Sasuke se virasse de súbito para finalmente entender o que acontecia. Ao lado do corpo se encontrava Naruto já de pé. Mesmo que o contato físico não mais existisse, a expressão do loiro se mantinha impassível com seus olhos ainda semi-cerrados. Em suas mãos, a arma ensangüentada usada pelo suicida.
- Dobe, larga isso agora! – Sasuke gritou autoritário, se aproximando.
A voz grave do moreno chamou a atenção de todos para aquela cena. Os rapazes se levantaram em alerta ao perceber que o loiro direcionava a arma contra a própria cabeça, enquanto Sakura observava tudo assustada.
- Ei, Naruto, isso não tem graça! – Kiba disse sério. – Solta isso ou eu juro que arrebento você!
- Naruto-san, é melhor obedecer. – a voz de Lee tinha um tom ameaçador nunca visto.
Porém, o loiro não os ouvia. Apenas ergueu mais a arma. O frio do cano metálico agora pressionado contra a têmpora. Era só puxar o gatilho.
Merda!
Sasuke começou a acelerar os passos, correndo na direção do loiro. Os demais fizeram o mesmo. Um dos dedos do loiro se mexeu sendo seguido por um pequeno estalo. Não chegariam a tempo...
BANG!
- Naruto!
Sakura fechou os olhos com todas as forças. Suas pernas se tornaram bambas, e antes que percebesse, estava sentada no chão, tremendo. Logo após o disparo, ela ouviu um zunido próximo ao ouvido em alta velocidade e juntamente sentiu algo ardente passar rente a sua pele, seguido de algo úmido. Não pôde evitar em abrir os olhos ao som metálico contra a madeira da árvore a suas costas. Ali se encontrava uma perfuração. Suas mãos involuntariamente se dirigiram à ardência em sua bochecha esquerda.
Sangue.
A movimentação e o barulho de respirações ofegantes fizeram que Sakura voltasse sua cabeça pra onde Naruto antes estava. Em vez de haver apenas um corpo estirado ao chão, havia um amontoado de pernas e braços em cima do loiro. Provavelmente Lee dera uma rasteira em Naruto, permitindo que os demais se aproveitassem do desequilíbrio do loiro e assim o dominasse. Os braços de Naruto estavam estirados e presos contra o solo, sendo seu braço direto segurado por Shikamaru, que a olhava com os olhos arregalados e como se pedissem por desculpas.
Perto daquela mão direita, a arma estava apontada na direção da rosada.
Por centímetros, Sakura não fora atingida no meio do rosto. Aquilo poderia tê-la matado, mas mesmo com o coração acelerado pela adrenalina, Sakura se sentia aliviada por aquele projétil não ter sido destinado a se alojar na massa cinzenta de Naruto.
- Idiota...
Mesmo que tivesse sido quase que um sussurro, a voz de Sasuke foi ouvida por todos. Isso devido ao silêncio e à tensão que se tornaram uma densa cortina que os envolvia, sendo quase impossível respirar normalmente. Todos apenas esperavam uma reação do loiro, que não demorou a vir.
- Ei! – Naruto começou a se debater. – O que vocês pensam que estão fazendo? Saiam de cima de mim!
Por mais que se odiasse por isso, Sasuke não pôde evitar em sorrir ao ver o loiro agindo como sempre agira. Aquele dobe podia ser um idiota completo e às vezes realmente desejava que estivesse morto, mas mesmo assim... ele ainda era seu melhor amigo.
Sasuke soltou o colarinho de Naruto que mantivera muito bem preso entre as suas mãos e se levantou, saindo de cima do loiro. Os demais também fizeram o mesmo.
- Se você fazer isso de novo... – Sasuke disse em tom de aviso, pegando a arma que se encontrava jogada no chão ao lado do Naruto, que pareceu percebê-la quando o moreno lhe apontou.
- Ei, teme, abaixa isso aí! – o loiro se afastou meio assustado.
- É, Sasuke. – se manifestou Kiba. – Já chega o susto que levamos.
Nenhuma resposta foi dada, mas Sasuke abaixou a arma, colocando-a novamente no chão ao lado do corpo do oficial suicida.
- Se você fazer isso de novo... – repetiu. – Eu mesmo atiro em você.
- Hã? – Naruto olhou ao redor, recebendo os olhares fixos dos rapazes. Aquilo lhe deu uma sensação ruim. – O que aconteceu afinal?
- Nada de mais. – o moreno disse sarcástico. – Você só tentou se matar com um tiro na cabeça.
- O quê?! Eu tenho amor à vida. Nunca, jamais faria isso. E... – uma pausa. Seus olhos em Sakura, somente percebendo agora o sangue escorrendo pela face da rosada. – Sakura? Por que ela está sangrando? Eu...?
Sakura desviou os olhos, pegando um lenço em seu bolso para estancar o sangue que saia do corte. Ela voltou sua atenção ao loiro com um sorriso, dizendo que não fora nada, apenas um corte feito por um galho. Naruto a olhou desconfiado, observando a cena ao seu redor: seus amigos um tanto pálidos e agindo na defensiva com ele, além de Hinata a um canto sendo ajudada por Neji a ficar em pé, trêmula.
- Desculpa, Naruto. – Shikamaru disse, pegando outro cigarro de Sasuke. – Culpa minha. Fiquei preocupado em tirar a arma da sua mão, mas acabei apontando pro lado errado.
Aquilo custava a entrar na mente do loiro. Como era possível ele tentar se matar e ter quase atingido Sakura? Ele conversava com os mortos e não era possuído por eles. Bem, talvez um pouco, mas nada como aquela situação havia acontecido antes. Aquilo só podia ser piada, repetia como se fosse um mantra em sua mente, mas mesmo assim uma angústia apenas continuava a crescer no peito de Naruto. Ele sabia que não estavam mentindo.
Ele de certo fora capaz de quase matar.
- Isso é brincadeira, não é? – Naruto coçava a nuca, nervoso. – Eu nunca peguei numa arma antes. Eu... na Sakura-chan... eu...
- Tudo bem, Naruto. – Sakura se aproximara do loiro. – Não aconteceu nada de mais. É só um arranhão.
- Mas, Sakura-chan...
- Não me conteste, Uzumaki Naruto. – a rosada disse com falsa autoridade. – Se eu digo que estou bem, então estou. Além do mais, fico mais aliviada em saber que você está bem. O que seria de nossas vidas sem o retardado da turma, né, Sasuke-kun?
- Não me incluía nisso. É você que está falando. – o moreno retrucou.
Sakura apenas sorriu, se voltando novamente para Naruto. Era melhor explicar o que acontecera ali, talvez o loiro se lembrasse de algo. Porém, tudo que restara nas memórias de Naruto fora um vazio. Era como uma página do meio de um caderno que fora arrancada e se perdera, sendo improvável que fosse recuperada.
Enquanto isso, Sasuke observava o grupo conversar e revisar o acontecido, porém ele estava com apenas uma imagem em sua mente: o rosto daquela mulher. Será que ela tinha algo haver com aquilo tudo?
- Hinata! – a voz de Neji soara preocupada, fazendo que todos olhassem para o local onde ele e sua prima estavam.
Nos braços de Neji, se encontrava Hinata um tanto desfalecida, porém ainda conseguia manter-se em pé. Seus olhos estavam direcionados em direção ao pôr-do-sol que quase se finalizava, indicando o início da noite. Uma das mãos trêmulas da morena se ergueu, apontando para o interior da floresta.
- Ali. – sua voz era suave e firme, um contraste com sua aparência frágil de agora. – Tem um corpo ali.
Um momento de silêncio. Hinata continuava a olhar aquele vazio a sua frente. Seus lábios se moveram em um sussurro:
– Você prometeu...
Se livrando dos braços de seu primo e com passos vacilantes, Hinata começou a caminhar naquela direção.
Promessa...
Música: The Cure – Lullaby
1 – Itako geralmente se refere a jovens garotas cegas que são médiuns espirituais muito conhecidas no norte de Tohoku. Elas são reconhecidas por sua capacidade de falar com os mortos através de um ritual chamado 'kuchiyose'. O mais conhecido encontro de itakos é em Osorezan na península de Shimokita e em Kawakura Sainokawara no Nakasato-Kanagi. Durante esses festivais anuais, milhares de visitantes têm breves consultas com as itakos. Várias itakos têm filiações formais com outros templos budistas e estabelecimentos da região. Na região de Tsugaru, itakos são freqüentemente diferenciadas das médiuns espirituais 'kamisama', que têm duradouras associações com a montanha Akakura e podem também falar com os mortos ou ancestrais. A maioria das itakos passa por um treinamento espiritual desde muito cedo, enquanto muitas kamisamas não adquirem os poderes mediúnicos até a terceira idade, geralmente passando por uma doença ou crise familiar. Diferentes das kamisama, as itakos não participam de rituais de cura, apesar de haver exceções significantes. Na prática, há uma boa semelhança entre a mediunidade 'itako' e 'kamisama', e às vezes praticantes mudam de um status para outro.
Fonte: algum site que encontrei no Google. Traduzido e adaptado por mim.
Nota da autora: Eu devia estar estudando para minhas provas, mas não resisti... na verdade eu iria postá-lo semana passada, mas o capítulo terminaria na cena em que Naruto tenta se matar. Mas pensando melhor e ciente de que eu não sei ainda como vou terminar este caso, então resolvi adiantar um pouco, assim fico mais livre no próximo capítulo para escrever o quanto quiser, já que finalmente será a última parte desse caso (espero). Ainda tem muita coisa... E desculpe se ficou meio rápido os acontecimentos, não consegui esticar algumas partes. E como sempre, acho que falta alguma coisa. Minhas cenas cinematográficas vão pro espaço quando escrevo... é tão difícil escrever colocando algo mais dinâmico na estória. E também me desculpem se a qualidade está decaindo com o passar dos capítulos... meu tempo vem diminuindo, assim como minha criatividade. Sempre fico pensando demais nos capítulos futuros e acabo esquecendo dos que estou escrevendo. Por causa disso, eu já tenho idéias para dois extras que serão alguns flashbacks... o primeiro vai ser depois da conclusão desse caso e vai ser sobre uma lembrança do Naruto e Sasuke. E o outro extra será sobre Garra e Temari durante a infância e um pouco depois disso, porém este vai ser depois do fim do segundo caso. Então, quem gosta do Gaara, prepare-se! Em breve, a próxima parte da fic será dedicada totalmente a ele. Aguardem!
E obrigada pelas reviews! Realmente fico muito feliz quando as leio e sempre me dá mais vontade de continuar com este projeto. Aqui estão as respostas a elas:
Anjo Setsuna – É, eu sei que tá vendendo, mas não tenho grana. Além do mais, lendo em inglês acabo praticando o idioma e estou precisando muito. E que bom que gostou do capítulo e do início do enredo... espero que este novo capítulo também tenha lhe agradado. E sobre o Sai... tenho uma má notícia: ele vai demorar um pouco pra aparecer, já que ele não estuda com Naruto e companhia. Mas estou vendo um jeito de encaixá-lo junto com a estória do Gaara, fazendo duas linhas de narração paralelas. Eu tenho que treinar esse tipo de escrita, pois sempre acabo apenas me concentrando em apenas em uma situação ou personagem, mas vou me esforçar para colocar Sai no enredo o mais rápido possível. Então, aguarde!
Srta.Kinomoto – A interação entre Naruto e Sasuke está boa, mesmo? Às vezes eu acho que eu viajo um pouco nas atitudes deles quando estão juntos. Sei lá, mas de certa forma é assim que os vejo... no entanto, fico preocupada com isso, já que não quero que fique ooc. E aqui está mais um capítulo. E não precisa agradecer. Naruto e Sakura não dão certo, não mesmo.
Tsunay Nami – Que bom n.n! E aqui tem mais coisas sobrenaturais... acho que mais do que nos outros capítulos. Espero que tenha gostado.
NathDragonessa – E está bem anotadinha! E obrigada pelo elogio, apesar de eu creditar tudo aos livros de medicina legal da época que meu pai fazia de direito a um tempo atrás. Tem coisas bem interessantes e vou usá-los com certeza, e muito por sinal. Espero que não tenha ficado muito técnico. Obrigada pela review.
di-lua – Você achou curto? Bem, ele ta menor que o anterior, mas também me foquei apenas em duas situações e tem muito diálogo, mas não deu pra evitar. E olha que eu estiquei ele bastante. É, eu sei como é isso de querer escrever uma fic com Naruto e nada se encaixa... depois que comecei a escrever esta fic, vi que muitos personagens só vão fazer uma visita na estória ou nem aparecer. Alguns eu só vou citar, por estarem longe ou mortos. Além daqueles que ficarão talvez um tanto fora da personalidade dos personagens... mas a gente vai acertando, não é mesmo? E que fic é essa que você criou? Foi publicada aqui no ? Quero ler n.n! E o Sasuke pode parecer durão, mas no fundo ele é uma criança mimada e assustada... ao usar isso pra mim fica mais fácil escrevê-lo, apesar de que aqui ele tá muito arrogante... mas ele também tem suas fraquezas e vou explorar isso aqui. E como disse antes, sou pobre. Sem Tv a cabo, sem net rápida, só discada. Meu pai é um mão de vaca ò.ó! Mas, mesmo assim eu amo o youtube... assisti todos os ovas do Ruroni Kenshin (lindo demais TT9 –cadê meu lencinho?-)... Tia?! Assim me sinto velha ç.ç, mas aqui está a continuação... e obrigada pela review!
paula-sama – Ah, não liga, não. E é bom saber que irá continuar a ler. Espero que este capítulo também tenha lhe agradado. Obrigada pela review!
Liih-chan – Os novos personagens irão entrar aos poucos, assim como outros irão sair e parecer pouco... mas já tenho uma mínima idéia de como vou encaixá-los. E sobre o mangá... eu gosto muito dele, já que leio muitos mangás desse tipo... e o legal dele é que não é algo grotesco... é engraçado e bem leve... é o que eu acho. Não sou boa em fazer críticas, mas vale a pena dar uma olhada. E aqui está mais um capítulo! espero que tenha gostado.
Monomate – Obrigada. E, sim, Sasuke está metido. Eu o vejo assim de certa forma, já que ele sempre se mostra superior a todos e isso me dá nos nervos. Mas sempre essa posse de 'eu-sou-melhor-que-você' sempre esconde algo por trás. Ele é orgulhoso demais e acho que ele agiria assim... mas não sei. Talvez eu esteja exagerando, então me desculpe por isso. E aquilo não foi bem um soco, mais um cascudo. Acredito que se eles tivessem sido criados juntos eles ficariam se batendo sempre, principalmente o Sasuke batendo no Naruto como forma de discipliná-lo. Eu faço isso com minha irmã e acho até normal. Além dos socos como o do flashback, que foi de raiva mesmo do Sasuke pelo Naruto, também acho bem possível. Vai ter um extra depois sobre isso. E lutas... bem, sou horrível com cenas de ação como deu pra perceber nesse capítulo... desculpe decepcioná-la, mas não vai ter, serão mais 'batalhas' psicológicas e abusos físicos, mas não lutas como no mundo ninja. E, sim, outros personagens terão habilidades especiais, sobrenaturais ou não. Espero que continue a ler. Qualquer crítica é só falar. Isso me ajuda a ver onde posso melhorar. Obrigada pela review!
Mystica – Desculpe por não colocar sasunaru, mas fico feliz por você continuar a ler. E aqui está a continuação. Espero que goste.
Shii-sensei – Que bom que gostou! Continue a ler. Haverá muita coisa ainda por vir.
Obrigada a todos por suas opiniões. Espero que este capítulo esteja bom e que tenham gostado. Agora é só aguardarem o próximo capítulo... Parte IV - Broken Promise.
Até mais,
Nyuu-neechan
