Capítulo 3: Não é coincidência

Acordei assustado e com falta de ar.

— Está tudo bem?

"It started out as the worst day,

but now you got me feeling like its my birthday..."

Peguei o celular. Era o Itachi. Levantei em um pulo e comecei a me vestir.

— Espero não ter...

— Me acordado? – completei. – Você não me acordou.

— Ok.

Ela começou a se vestir.

— Seu nome é Sakura? – perguntei.

— Sim. – ela respondeu.

— E nós nunca tínhamos nos visto antes?

— Não. Até ontem a noite.

— Ai que merda. Isso é um pesadelo. – eu estava enlouquecendo.

— Olha só. Foi você que quis vir para cá comigo.

Assim que eu vesti por completo, sai correndo daquele quarto.

— Não acredito que você saiu cedo da festa, testuda.

Eu quase me choquei de frente com a Ino, mas ia ser hoje que eu iria perder tempo com ela.

— Aquele não era o Sasuke Uchiha?

Quando pus os meus pés para fora do prédio dos dormitórios, estava tudo igual.

O grupo de líderes de torcida sorrindo para mim.

O casal que estudava no jardim que logo seriam mijados pelo Akamaru. Tido e feito.

A voz da Tenten no megafone.

Mas a frente os dois carros se chocando.

— OLHA A BOLA!

E Tenten ser atingida pela bola.

Eu estava ficando doido. Eu estava ficando muito doido.

Eu só corri para a república. Deixei todo mundo falando sozinho e subi para o meu quarto. Me sentei na minha cama.

Porque isso está acontecendo?

Abri o armário.

— Como você sabia que eu estava aqui? – disse Naruto segurando o bolinho. - Sasuke? Você está bem?

Não. Eu não estava bem.

— Aconteceu alguma coisa? Sasuke, fala por favor.

Eu olhei para o Naruto e ele parecia preocupado.

— E-eu acho que estou enlouquecendo. Minha cabeça está dando voltas.

Naruto se sentou ao meu lado e falou:

— Você está chapado?

— NÃO! Não! – me desesperei.

— Tudo bem, ok? Eu acredito em você. – e pôs a mão no meu ombro. – Me diz o que aconteceu?

Me virei para o Naruto atordoado e olhei bem no fundo dos olhos dele.

— Eu sei que você vai achar loucura o que eu vou falar, mas eu já vive o dia de hoje. Duas vezes.

O dobe ficou me olhando de boca aberta. Parecia pensar em algo para me falar, mas pela cara que ele fazia, Naruto devia estar achando que eu era um pirado.

— Sasuke, eu...

— Por favor Naruto, acredita em mim. Você é a única pessoa que eu confio. Você precisa acreditar em mim. – eu estava me desesperando. – Eu juro que isso está acontecendo comigo.

— Sasuke, eu sei que esse é um dia difícil para você...

— A Tsunade que fez esse quiche de tomate para o meu aniversário. E mais tarde, de noite, o Neji preparou uma festa surpresa na casa da mãe do Kiba.

Naruto ficou surpreso com o que eu disse.

— Quem te contou? Aposto que foi o Choji. - ele deu um soco na perna.

— Não, não. Ninguém me contou. Eu passei o por esse dia. Eu sei o que vai acontecer.

— Sasuke calma.

— Não me pede para eu me acalmar... Naruto, alguém vai me matar!

Naruto olhou fixo para mim, depois olhou em volta do quarto e em baixo da cama.

— Isso é uma pegadinha. Foi o Kiba que pediu para você falar isso.

— Não, Naruto é sério. Essa droga não é uma pegadinha. Tem alguém tentando me matar e eu não faço ideia de quem seja.

O desespero percorria pelo meu corpo todo. Não sabia mais o que falar para Naruto começar a acreditar em mim.

— Sasuke, você está me assustando.

— É mesmo. Imagima como eu estou. – eu me levantei da cama e comecei a andar de um lado para o outro. – Alguém vai me matar hoje. Eu sei.

— Olha para mim. - Naruto se levantou e me segurou pelos ombros. – Você está estressado e eu te entendo. Eu também perdi os meus pais e passar meu aniversario sem eles não é fácil.

Ele não estava entendendo.

— Liga para o Itachi, passa a tarde com ele. Você ainda tem seu irmão que te ama muito e se preocupa com você. – Naruto estendeu o celular dele. – Eu te garanto que amanhã vai ser melhor.

Naruto não entendia.

Depois que passei no prédio de Biologia, e peguei o laptop com Kabuto para o lançamento das notas da turma dele, fui na loja de construção. Comprei várias trancas de porta e uns pedaços de madeira. Passei o dia inteiro protegendo aquele quarto.

Só faltava a arma de choque que foi presente do Itachi. Ele havia me dado quando começou a passar a maior parte do dia fora, trabalhando e estudando. Eu nunca havia usado, mas aquela parecia uma boa hoje para começar. Abri minha gaveta e comecei a vasculhar.

Encontrei uma caixa azul que eu guardava as coisas para preciosas que eu tinha. Coloquei a caixa em cima da minha cama e empurrei a cômoda para frente da porta.

Me deitei confortavelmente e abri a caixa. Ela estava repleta de fotos dos meus pais e DVDs com filmagens dos nossos momentos. Eram fotos desde que eu e Itachi éramos bem pequenos até um pouco antes deles morrem.

Cada foto inundava a minha cabeça de lembranças. Eu conseguia sentir o color do abraço da minha mãe, o perfume que o meu pai usava para ir ao trabalho.

A porta é forçada e eu me assusto.

— Sasuke, você trancou a porta? – Naruto perguntou enquanto ainda atentava entrar.

— Eu preciso resolver o lance das notas do professor Kabuto ainda hoje. – menti. – Ficar um pouco sozinho me ajuda a consertar melhor.

— Vai que horas para a casa da senhora Inuzuka? - Gaara perguntou.

— Eu não sei. Um pouco mais tarde. – dei a desculpa.

— Pessoal, já passa das 9 horas. – Neji passou pelo corredor avisando a todo mundo.

As luzes picaram algumas vezes e se estabeleceu. Olhei para o relógio no meu criado mudo e vi que eram 9:10.

— Porra! Espero não tenha queimado nada aqui em casa. – Neji berrou.

Pelo menos, dessa vez, eu salvei o secador. E ri.

— Só não demora Sasuke. Hoje é dia de festejar.

E foram embora.

Sinto muito, Naruto, mas hoje não estou a fim de morrer.

Como eu não tinha nada para fazer, liguei a televisão e coloquei em um canal aleatório que estava passando um seriado de investigação criminal qualquer. Só não queria ficar em silêncio. Peguei o laptop do Kabuto e comecei a atualizar o e-mail. Nada ainda.

O teclado estava todo melecado. Será que vasou alguma coisa na minha mochila?, pensei. Só me faltava estragar aquilo.

Peguei a mochila e retirei tudo. Aparentemente ela estava seca. Porém, estranhamente encontrei um envelope azul dentro. O abri e vi um cartão de aniversário.

Estava na cara que aquilo era coisa da Karin. Ela devia ter colocado na minha mochila quando eu fui falar com Kabuto mais cedo.

Eu o abri e a primeira coisa que percebo é a figura da máscara de gato e embaixo escrito: "Aproveite como se fosse o seu ultimo dia."

Ouvi um tiro e me assustei. Era do maldito seriado na tv. Então ela desligou sozinha.

Olhei em volta dela e mexi no cabo. Ouço um grito.

O maldito cabo daquela tv estava com mal contato. Ela ligou e me deu um baita susto.

Eu que não ia ficar me assustando a noite inteira por causa daquele seriado. Comecei a vasculhar o quarto procurando o controle e troquei de canal.

Pus em um telejornal que dava a notícia que tinha um maluco que havia sido pego depois de matar estudantes em uma faculdade de outra cidade. Ele havia tomado um tiro e o encaminharam para o hospital aqui do lado, que pertencia a parte de Medicina da minha faculdade.

Lembrei que Karen me falou que Suigetsu havia passado o plantão tomando conta de um lunático. Pelo que falavam na televisão, o cara fugiu depois de matar um policial e então a televisão desligou e me assustou mais uma vez.

— Porra! – urrei.

Já que ia ficar a noite toda no quarto, pelo menos ia consertar aquela merda. Peguei um alicate, uma fita isolante e comecei a vascular a caixa de ferramentas para encontrar a chave de fenda. Foi então que eu senti um arrepio na espinha.

Olhei para o armário e a porta estava entreaberta. Não lembrava de te-lo deixado aberta.

Peguei o martelo que estava usando para pregar as janelas e caminhei até lá, lentamente. Respirei fundo, tomando coragem e com o martelo preparado. Puxei a porta e não havia ninguém. Graças a Deus! Suspirei aliviado.

Me sentei no chão e comecei a arrumar as ferramentas que ia usar.

A televisão liga mais uma vez.

Percebi a porta do banheiro abrir e o mascado sair do banheiro.

Ele corre para cima de mim, mas eu consigo me levantar a tempo e acerto o martelo nele, que cai no chão.

Tendo correr dali, mas eu havia trancado todas as portas.

— SOCORRO! – grito o mais alto possível. – Alguém me ajuda!

Mas o mascarado se levanta e vai para cima de mim, me acertando uma facada em cheio.