Nenhum dos personagens da Saga me pertence.
AVISO: O Robert e a Kate não são os personagens principais, como dei a entender. Eles estão aí apenas para dar início à história da Bella com o Edward e depois para finalizarem com uma pequena chave de ouro, assim espero. \o/
Respostas das Reviews lá embaixo *-*
Boa leitura! ;D
Proposta Desnecessária
- Uma carta do meu vô. – ele respondeu também surpreso - Uma carta para Isabella Swan. Uma carta de Edward Cullen.
[R_POV]
O que aquela carta estava fazendo com aquela garota? Aliás, quem era aquela garota? Estatura um pouco alta para a maioria das garotas, corpo esguio (e que estava escondido em suas roupas largas), cabelos de um castanho claro e olhos tão verdes quanto os meus. Eu tive certeza que ela não me era totalmente estranha.
Eu me lembrava vagamente de vê-la andando pelos corredores do colégio, cabisbaixa e sem atrativo algum. Lembro de Julie Evans esbarrando na garota de propósito, apenas para derrubar os livros de suas mãos e, junto com as amiguinhas líderes de torcida, rir da mais tímida. Lembro de tê-la visto no estacionamento com um carro de modelo não muito novo e de meu amigo comentando o quanto ela era bonita. Realmente, de longe eu não vira nada demais naquela estranha.
- Por que essa carta está com você? - perguntei calmamente, não queria que ela voltasse a chorar como estava fazendo há segundos atrás, apenas deixava os dois mais nervosos e eu não tinha ideia do que fazer para acalmá-la, caso o choro infantil ficasse mais evidente.
- E-eu, eu não sei... Não... Sei... - seus olhos, também verdes, estavam perdidos e era tudo o que ela murmurava, enquanto lágrimas silenciosas ainda rolavam soltas.
- Eu preciso que me responda algo melhor que isso. - revirei os olhos enquanto tentava não ser grosso. Mas era tudo o que eu sabia fazer nos últimos tempos.
- Esse livro foi um presente. - ela engoliu em seco e criou coragem para me olhar. Assim que nossos olhares se cruzaram, ela ruborizou e chacoalhou a cabeça como se tentasse espantar algum pensamento, sorri - Um presente do seu pai, o Sr. Black.
Legal, agora eu estava ainda mais confuso. Por que, diabos, meu pai daria à uma desconhecida a carta que pertenceu aos meus avós? O que ele tinha em mente? Bufei ao pensar que era exatamente isso: ele não tinha nada em mente quando fez isso. Mas... Argh!
- Eu sou Robert Cullen. - estendi-lhe a mão: se era para fazer algo certo, então vamos lá! Geralmente me apresentava com ambos meus sobrenomes, mas estava muito chateado com meu pai para colocar o sobrenome dele em mim naquele momento.
Ela me olhou espantada, seus olhos corriam da minha mão estendida, para o parque quase vazio àquela hora e para minha mão novamente, como se quisesse ter certeza de que eu estava mesmo falando com ela. Estou esperando, ironizei mentalmente.
- Kate Wellington. - oh, a Sra. Wellington era uma das empregadas de papai. Sua pequena mão encaixou na minha e percebi que ela suava frio. Ri sozinho.
- Então está certo, Kate. - continuei comportando-me como um diplomata estúpido. - Por que meu pai lhe daria essa carta?
- Ele não me deu a carta em si... - ela murmurou - Ele me deu esse livro porque minha mãe comentou com ele que eu gostava da história. Ele apenas me entregou dizendo que ninguém na sua casa se interessava pelo livro e simplesmente... Me entregou...
Ela soltou tudo numa frase só, sem respirar e se atropelando nas palavras. Respirou fundo depois de terminar e encarou o chão, sorri: uma simples garotinha tímida.
- Eu posso ficar com a carta? - era mais uma ordem do que um pedido - Por favor? - emendei, mais educado dessa vez.
Kate me olhou por uma fração de segundo e voltou a corar. Ela já estava no papo, iria me entregar de uma vez e correr para as amiguinhas provavelmente para contar que conversou comigo e que eu fui simpático com ela. A maioria das pessoas talvez não acreditassem, porque normalmente, eu não me aproximaria de uma garota como essa Wellington.
- Não. - ela encarou a pista de caminhada e eu me perguntei se estava ouvindo corretamente.
- O quê...? - nenhuma garota dizia não para mim.
- Você me ouviu: foi um presente de seu pai para mim e não vou entregá-lo a você.
Oh, merda...
[K_POV]
Ele não era todo educado assim com as outras garotas!
Era o que meu coração e minha imaginação fértil gritaram para mim no momento que nos encaramos, mas a razão gritava outra coisa, claro.
É só para ter a carta, sua idiota. Assim que conseguí-la, vai dizer adeus e vocês vão continuar como estranhos!
E, sim, eu sempre ouço minha razão, não importa o que ela diga. Eu sempre sigo o que ela grita em urgência. Eu não era uma garota que agia com o coração e não queria ser.
E, era exatamente por isso, que eu disse não à Robert Black Cullen! Oh, eu devo ter pirado de vez! Afinal de contas, a carta era da família dele, não dizia respeito à mim! Mas eu podia imaginar a dor que seria entregar-lhe aquele pedaço de papel e vê-lo partir em seguida. Eu simplesmente não poderia aguentar esse tipo de sofrimento! E eu sabia que era um pensamento muito ruim.
- Você me ouviu: foi um presente de seu pai para mim e não vou entregá-lo a você. - falei com a voz mais decidida que consegui, sem gaguejar.
Ver seus lindos olhos verdes arregalarem de supresa para depois se misturarem à raiva que ele me direcionou e isso também doeu, mas o que eu poderia fazer? Não podia voltar atrás agora...
- Essa carta pertence aos Cullen... - ele chiou e eu peguei o envelope quando ele menos esperava. - Devolva-me, Wellington!
Depois de tanta cordialidade, foi deprimente ouví-lo pronunciar meu sobrenome com desprezo e um misto de aborrecimento. Mas eu já estava sendo infantil antes, continuar com meu teatrinho não tão impensado era minha única saída.
Com passos largos, cruzei o parque e não olhei para trás para, provavelmente, encontrar um Robert furioso vindo em minha direção. Atravessei a rua sem olhar para os lados - afinal, que trânsito havia nesse ovo de cidade?
Me tranquei no quarto, juntei os restos do livro e a carta e os apertei contra meu peito enquanto estava escorada na porta. Fechei os olhos e suspirei profundamente. Por que eu fiz aquilo? Por que, meu Deus, por quê?
Ouvi Barry arranhando a porta e resolvi deixá-lo entrar: um cão labrador amarelo clarinho que tinha por hobby mastigar todas as coisas que eram importantes e caras - como o celular de Johnny, que me custou a mesada de seis longos meses. Barry entrou quietinho, às vezes eu achava que ele podia entender meu humor, e deitou ao lado a poltrona. Sorri para sua carinha que sempre me derretia por inteira e tirei o laço vermelho que envolvia seu pescoço (ele odiava que prendessem qualquer coisa nele).
Durante o restante da tarde, me debati internamente em abrir a carta e ler tudo o que havia alí. Seria bom porque sanaria minha infeliz curiosidade, mas seria péssimo porque eu violaria a história ou até mesmo os segredos de uma família que eu sequer conhecia de verdade! Eu seria uma total imbecil se fizesse isso, mas a curiosidade era tanta...! E eu resistia tão pouco à essas coisas...
Por duas vezes, apanhei a carta, decidida a abrí-la. Mas não o fiz. Eu era uma grande covarde e dessa vez agradeci por toda a covardia que carregava em mim.
Eu ia devolvê-la ao verdadeiro dono mesmo que, depois disso, ele me ignorasse pelo resto da minha existência. Isso doeria, mas esse era o preço mínimo a pagar pela minha estupidez.
Vesti um moletom qualquer e saí andar pelas ruas desertas da cidade, precisava pensar em como abordar o garoto mais popular da escola - e da cidade - no dia seguinte. Mas é claro que não pensei em nada, porque minha imaginação correu para aqueles olhos, para seus braços estendidos em minha direção, para sua voz suave...
- Olá, Kate.
É, eu já estava começando a ouvir ele me chamar a essa altura e meu nome ficava tão bonito quando ele o dizia... Era normal?
- Kate? - ainda mais uma segunda vez?
Por mais bobo que podia parecer, resolvi olhar a minha volta e me certificar de que ele não estava ali, apenas pela minha sanidade. Mas... Por ironia, ele estava.
[R_POV]
Quando ela me negou o que era meu por direito, precisei reunir todas as minhas forças para não gritar com aquela garota louca ou grudar em seu pescoço fino e chacoalhá-la forte. E quando me distrai, a carta não estava mais em minhas mãos e Kate corria para longe de mim.
Pensei em gritar: "Pega ladrão!", mas isso chamaria muita atenção para nós dois. Quando decidi alcançá-la e pegar o maldito envelope, vi a blusa de frio que ela esquecera no chão. Hahá, eu devia jogar no meio da lama e depois devolver na frente de toda a escola! Mas, idiota como sou, resolvi apenas guardar e entregar à ela, afinal, eu não tomava para mim nada que realmente me pertencesse.
Sentei embaixo daquela árvore e encostei-me em seu tronco. Perto de mim ainda tinha duas páginas soltas do livro, alcancei-as e resolvi ler apenas por falta do que fazer, alguns trechos tinham letras apagadas, mas eu pude ler algumas partes grandes:
¹"Minhas grandes tristezas neste mundo têm sido as tristezas de Heathcliff,
e eu enxerguei e senti cada uma delas desde o início, pois ele é a suprema razão do meu viver.
Se tudo o mais perecesse, e só restasse ele, eu continuaria a existir,
ao passo que, se tudo permanecesse e ele fosse destruído,
todo o universo se transformaria num lugar completamente estranho para mim, de que eu não faria parte. [...]"
Bufei para a página em minhas mãos, não era o tipo de coisa que eu queria ler no momento e procurei ler a outra página desgarrada.
²"Sou feliz até demais e, no entanto, não sou o suficiente. A felicidade que me salva a alma mata-me o corpo, mas não satistaz a si própria [...]"
Emily Brontë era um pouco pessimista demais para meu gosto. Seu romance tinha sentimentos intesos, mas alí havia também a duplicidade. Eu, embora não acreditasse em amor eterno, prefiria pensar que era um sentimento puro e não doentio, como ela escreveu. (N/A: O Robert tem a mesma visão que eu do livro, mas quando eu li, simplesmente amei todo esse 'amor ácido', então, não levem em conta achando que o livro é basicamente isso ^^).
Dobrei as folhas de modo que o trecho que havia lido, ficasse evidente e os guardei no bolso da blusa de frio da garota, por falta de bolsos em meu próprio vestuário. Já era muito tarde e eu precisava voltar para casa antes que minha mãe alertasse a polícia (sim, às vezes, ela era muito exagerada nas atitudes com relação a mim).
Andando sem prestar atenção às coisas ao meu redor, pensei que eu poderia fazer um trato com a garota: ela podia dividir a leitura da carta comigo, eu apenas queria saber de seu conteúdo e nada mais; me sobressaltei ao ver uma figura pequena e esguia, metida em um conjunto de moletom um pouco largo demais. Apertei os olhos e vi que se tratava da pequena ladra.
- Olá, Kate... - tentei parecer educado ou não conseguiria o que queria. Ela continuou andando, alheia a tudo. - ...Kate?
Ela virou para olhar entendiada à sua volta e enrijeceu ao me ver. Bom, ela sabia que tinha feito uma coisa muito errada e eu devolvi um sorriso petulante.
- E-eu... - gaguejou.
- Tenho uma proposta. - Ladra de documentos, me xinguei em pensamentos, isso não ajudava em nada na minha situação.
Seus olhos brilharam de curiosidade da maneira que eu queria, mas era um brilho tão bonito e... Enfim, me olhou desconfiada um segundo depois.
- Você quer ficar com a carta... - assim que percebi que ela pretendia me interromper, continuei rapidamente: - Então vá em minha casa amanhã e nós a abriremos juntos e sanaremos essa louca curiosidade. Eu não quero a carta, quero apenas lê-la, e não me interessa o destino que ela terá depois.
Kate arregalou os olhos e quando um sorriso ameaçou entregar-lhe, ela deu de ombros, fingindo se conformar com a proposta.
- Tudo bem, eu ia entregá-la à você no colégio de qualquer jeito, mas já que insiste...
Suspirei derrotado: eu não precisava ter proposto nada e teria recebido a carta do mesmo jeito. Idiota!
- Certo, te espero lá às três da tarde, pode ser? - tentei um sorriso amarelo para esconder o que sentia no momento e ela pareceu notar, mas nada disse.
- Pode.
Acenei com a cabeça, ainda pesaroso. Dei-lhe as costas e fiz o caminho até em casa. Quem me olhava podia pensar que eu sofria de depressão, o que era mesmo um exagero, mas eu não coseguia evitar não sentir esse desconforto em levá-la até minha casa.
Amanhã seria um dia de cão: meu pai riria por eu estar levando uma garota lá, minha mãe vibraria por ser a "primeira candidata" e meu avô, Billy, iria querer escanear a alma de Kate como se tentasse procurar por qualquer defeito ou segredo ali escondido. E eu? Bom, eu estaria dividido entre a carta misteriosa e a garota ladra que só me fez de idiota nas últimas horas...
Eu recebi tudo isso de reviews? Mesmo! *-*
Que felicidade! Achava que ganharia menos que isso ao longo da fic toda! Rs.
- Bom, primeiramente, é minha primeira fic com mais de um capítulo, então me perdoem se houver algum erro ou, sei lá, qualquer coisa que vocês não gostem...
Ok, vamos lá: respondendo reviews pela primeira vez *-*...
Lyka: Na verdade, a história dos dois será parecida com a de Bella e Edward apenas nas 'poucas' partes românticas. Mas no geral, não muito. E muito obrigada!
nani: Obrigada, mesmo! :D
Fanytah: Eu ouvi algo parecido com essa frase em algum filme por aí.. rs E meu avô disse o mesmo uns dias antes de falecer, então, me marcou, sabe? Eu sou capaz de chorar imaginando o Edward dizendo isso! E, claro, muito obrigada pelo apoio! Espero não decepcionar ;)
Ana Krol: Sim, é bem confusa no começo porque certas coisas só vão sendo reveladas conforme o Rob e a Kate forem conhecendo melhor o passado...
danimelo: Obrigada *-*
swan's: Vou tentar postar entre um e dois capítulos por semana, mas com a faculdade esse ritmo ainda é meio duvidoso.
Tartalita: Pois é, eu vou postar o máximo que eu puder, pois a vida tá uma correria só! Bom, bem vinda e espero que realmente goste \o/
Bom, é isso, bem vindas todas as que quiserem deixar reviews e também todas as que apenas quiserem ler! E obrigada pelo apoio e pelos elogios! Até terça feira que vem...
