- Hagrid! - exclamou ao descer do vagão do trem.
- Bella! Estava esperando por você - sorriu o gigante vindo em sua direção - Onde está Albus? Jurei a sua tia que não o deixaria se meter em confusão.
- Como se isso fosse possível. Ele já sumiu.
- Mas já?
- Você conhece - Bella deu os ombros despreocupada. O primo era um íma para problemas, assim como ela era para desastres. Coisa de família.
- Bom, acharemos ele depois, certo? Ele precisa pegar um dos barcos de todo jeito.
- Certo - sorriu a garota. Era bom estar com alguém conhecido.
- Vá para o porto ou não vai chegar no castelo a tempo para o jantar - disse o gigante a empurrando sem dificuldade com uma das mãos. Isabella riu e seguiu seus colegas - Te vejo mais tarde!
- Claro! - respondeu divertida pela falta de esforço de Hagrid. Ás vezes era difícil se lembrar que o amigo era tão grande e forte.
Seguiu em direção ao porto sem pressa, observando a maior parte de detalhes para retratar nas próximas cartas que enviaria aos seus pais. Seus olhos, assim como o de todos os outros novatos, tinham um brilho mágico, algo parecido com uma criança abrindo seu presente na manhã de Natal. Eram coisas demais para se acreditar.
No porto, haviam barcos com pequenas, mas potentes, lamparinas acessas. Eram capazes de iluminar todo o compartimento e ainda os professores, estes por sua vez esperando os novos alunos para dar-lhes boas-vindas. Mesmo com toda a confusão de pessoas, Bella reconheceu Neville e Luna ajudando algumas garotas a entrarem no barco. Ela riu quando uma das garotas quase atirou o desastrado do Neville no lago, soltando um grito agudo quando percebera o que fizera. Bella percebeu que aquilo era só o começo. Ou seja, melhor procurar um barco menos cheio de escandalosas.
Estava quase entrando no barco da pequena e doce professora Sprout, quando ouviu um grito inconfundível.
- Bella!
Virou-se com muita calma, mas sua vontade era arrancar a cabeça daqueles dois imprestáveis. E lá estavam, Ted e Albus sentados no mais afastado e único barco vazio da frota. Ela caminhou com pressa até eles, pronta para dar-lhes uma bronca daquelas quando lembrou-se de uma coisa. Que diabos Ted estava fazendo ali?! Ele não era novato!
- Você não é novato, Ted - ela sussurrou para que ninguém, além deles, ouvisse.
- O que? - Ted colocou a mão no ouvido fingindo não conseguir escutá-la.
- O que você está fazendo aqui?! Vamos arranjar problemas!
- Não priminha, não se preocupe - ele sorriu, seu costumeiro sorriso de zombaria estampado em seu rosto - Eu vou levá-los até o castelo em segurança.
- Nada disso - disse se virando e caminhando em direção aos outros barcos.
Não iria arranjar problemas no primeiro dia! Talvez depois de um mês ela pudesse sair pelos corredores a noite, mas ir com o Ted até o castelo? Quem garante que o garoto não erraria o caminho e parar em Hogsmeade? Ia voltar e pegar o barco da professorinha simpática. Era melhor, e menos arriscado, do que ir com os dois aventureiros de plantão.
Estava na metade do caminho de volta, quando sentiu uma mão puxando a sua com delicadeza. Mesmo com todo o cuidado tomado pelo estranho, a Weasley se virou surpresa pelo toque inesperado. Era quente.
- Está procurando por um barco? - ele perguntou sorrindo.
Precisou piscar duas vezes para acreditar no que estava vendo. O garoto tinha os olhos negros, provavelmente castanho escuros ao sol, cabelos no mesmo tom, curtos e bem cortados. As duas coisas em harmonia com sua pele. Era mesclada, num tom único e lindo, algo muito pouco comum para Bella. Balançou a cabeça algumas vezes antes de formular sua resposta.
- Estou - ela disse com dificuldade.
Bella não costumava ser assim, mas resolveu aceitar o convite. Havia algo naquele sorriso que a obrigava a aceitar.
- O nosso falta um lugar - ele respondeu sem se importar com o nervosismo da Weasley. Estava se sentindo mais sem prática do que ela - Gostaria de..?
- Claro - ela sorriu quando percebeu aliviada que não era a única com dificuldades naquela conversa.
Os dois ficaram se olhando em silêncio por alguns instantes quando Bella percebeu que o garoto ainda segurava sua mão. Seu primeiro impulso foi soltá-la imediatamente, mas se arrependeu logo em seguida. A ausência do calor fez o vento frio parecer congelante.
- Desculpe - ele disse, seu rosto avermelhando-se um pouco. Por que ela não corava desse jeito? Discretamente? De um jeito que quase ninguém via?
- Não foi nada - disse tentando amenizar o clima pesado - Não estava ruim.
- Claro - sorriu, seu rosto se iluminando.
Bella se arrependeu do que dissera. Fora entendida errado, não estava falando daquele sentido. Ela se referia ao calor!
- Bem, vamos ficar aqui ou você vai me mostrar qual é o barco? - ela perguntou tentando mudar o assunto.
O moreno nada disse, mas pareceu entender o recado. Talvez um pouco rápido demais, ele passou entre o grupo de alunos e foi em direção ao barco onde Luna cuidava dos novatos. Bella o teria perdido de vista caso não fosse tão alto, mas ainda assim precisou correr um pouco para o alcançar, fazendo com que o vento frio da noite batesse com força contra o seu rosto.
Quando chegou ao barco, seus dentes batiam de leve.
- Está com frio, Bella? - a voz doce e fina da professora perguntou quando a garota se sentou.
- Não muito, Luna - seu rosto se tornou avermelhado pela atenção que agora recebia dos outros três alunos sentados a sua volta. Não era comum uma novata ser chamado por um professor pelo nome, na verdade, era estranho qualquer aluno não ser chamado pelo sobrenome por um superioro á ele. Ela abaixou o olhar tentando evitar que percebessem seu embaraço - Eu estou bem.
- Está tudo bem - um dos garotos do barco sorriu, tentando fazê-la se sentir confortável. Bella não levantou o olhar, estava respirando pausadamente tentando diminuir a pulsação. - Não precisa se envergonhar.
E com muito cuidado, Adam levantou o rosto de Bella com uma das mãos, de modo que pudesse ver seus olhos. Imediatamente seus amigos pararam de conversar, incrédulos pelo que acabara de acontecer. Mas pouco se importou, estava preso nos olhos chocolate que eram o da garota Weasley. E ela aos dele.
- Sou Adam - disse ele, mostrando seus brilhantes dentes brancos num sorriso de tirar o fôlego - Adam Chace.
- Bella Weasley - ela sorriu de volta, perdida em seus olhos azuis piscina.
- Tem certeza de que está bem? - ele perguntou, esquecendo-se completamente que a garota já respondera essa pergunta a professora.
- Sim. Não tem porque se preocupar - mas mesmo assim, Bella não se importou em respondê-lo novamente.
A poucos barcos de distância, os Cullen esperavam por Emmett e Rosalie para poderem ir. Edward, preso na mente de Adam, pouco se importava com o atraso dos irmãos. Mesmo odiando estar vivendo e sentindo as emoções do garoto - mas isso era a sua explicação - ele não conseguia impedir que se perdesse nas respostas e detalhes que a garota Weasley revelava sobre sua personalidade. Ela era de fato fascinante. Não por ser filha de bruxos conhecidos, e não por ter sua mente silenciosa. Mas pelo jeito que ela se portava sobre tudo isso. Era óbvio que tinha grande admiração pelos pais, sua voz ao contar as histórias e lendas no trem entregava sua devoção e orgulho. Porém, a cada instante ficava mais claro que Bella não gostava de receber atenção por isso, que não gostava de receber nenhum tipo atenção. Coisa não muito normal para garota de dezesseis anos como ela. Era tímida, se atrapalhava ao conversar com estranhos, mas também era corajosa ao enfrentar os amigos e seguir o que achava certo.
Sabia que estava começando a ficar curioso demais, mas creditava o silêncio de Bella como o motivo principal. Qual seria o outro? Interesse? "Claro que não", riu consigo mesmo. Apesar da narradora achar que o vampiro está começando a se fingir de cego, não se pode negar que não conseguir entrar na mente da Weasley estava o matando por dentro. Tinha esperança que o pai conseguisse explicar o porquê. Carlisle sempre tinha as respostas para os mais complicados problemas, e dessa vez não seria diferente. Ligaria para casa no instante em que pudesse ficar sozinho e tudo estaria resolvido. Aquela curiosidade passaria e poderia parar de segui-la pela mente dos outros. Estaria acabado e pronto.
O que Edward não sabia, e ficava mais claro para Jasper pelas mudanças de humor, era que suas conclusões sobre o "compartilhando dos sentimentos" estavam cada vez mais erradas. Não sentia a ciúme e nervosismo porque Adam sentia isso. Estava vivendo aquelas emoções porque ele mesmo estava as proporcionando.
Talvez, bem no fundo, o ruivo soubesse disso, mas era orgulhoso e fraco demais para aceitar que estava caindo de encantos tão rapidamente.
Enquanto Edward se perdia em seus devaneios, os outros dois Cullen esperavam impacientes por Rosalie e Emmett. Onde estavam aqueles folgados? Os fazendo compania, estava o professor Flitwick, o único de Hogwarts que sabia com detalhes o segredo da família. Uma vez que os Cullen precisariam de ajuda extra com feitiços complicados, como o de desilusão, não fazia sentido manter segredo para a pessoa que mais os ajudariam naquele semestre. Além do mais, o anão não faria nada senão facilitar a vida dos irmãos com suas aulas extras e paciência infinita. Achava fascinante poder ensinar magia para vampiros.
- Srta. Cullen? - chamou o professor tímido.
- Sim? - respondeu, sempre educada, a vidente.
- Pode mesmo ver o futuro?
- Claro - sorriu Alice diante da curiosidade do professor.
- Imagino que já saiba qual é a sua casa então - ele tentava manter a faixa de indiferença para não fazer papel de ridículo aos outros, mas não podia esconder sua animação. Com alguém que controla emoções e um telepata no mesmo barco, era complicado esconder qualquer coisa.
- Foi a primeira visão que tive ao receber a carta do professor Dumbledore - a primeira visão definida de Hogwarts e talvez a mais difícil de esconder de Edward.
- Que pergunta a minha! Você já deve ter dito isso a todos - ele riu sem graça. Jasper tentou acalmar o professor para deixá-lo mais à vontade, não gostava de ver as pessoas se sentindo embaraçadas. Quer dizer, ao menos que essa pessoa fosse Edward ou Emmett.
- Na verdade, professor - disse Edward, acordando para a conversa e tentando fazer o mesmo que Jasper - ela anda escondendo isso de todos nós. Até de mim.
- Você não lia mentes? Como faz isso, Srta.? - ela sorriu maliciosa e fez sinal com o dedo para a sua cabeça.
- Anos de prática - Edward virou os olhos. "Você quis dizer séculos.." Riu consigo mesmo.
"Encontraram alguém menor do que Alice?! Não acredito!" exclamou Emmett em seus pensamentos.
Nesse instante, os dois últimos entraram com graciosidade no barco, fazendo o professor anão quase se jogar na água. Ao perceber o assombro de Flitwick, Jasper não pode deixar de rir, fazendo com que todos, exeto Edward, o olhassem curiosos. Por que a primeira reação de um estranho à Emmett era ficar com medo? Não estava escrito em sua testa ''sou um bobão''? Edward deu os ombros as perguntas do irmão, e este riu mais uma vez.
Se o brilho nos olhos dos novatos era comparado às manhãs de Natal, o do garoto urso estava mais para Disneyland. Cada novidade, detalhe, cheiro, som, imagem, lhe provavam que Hogwarts podia ser de fato o seu novo lar. Truques de mágica na nossa sala de estar? Não! O velho de barba branca estava certo. A magia realmente existia.
- Rosalie Hale - apresentou-se a loira, não tão simpática quanto a vidente, ao apertar a mão do professor.
- É um prazer, Srta. Hale. Saiba que sou o seu professor de feitiço, por isso, qualquer dificuldade com a desilusão e estarei na minha sala.
- Obrigada - respondeu num tom de desinteresse. Tinha certeza de que o tal feitiço não lhe seria problema.
O esnobismo de Rosalie era a forma dela mostrar o quanto estava admirada. Ao contrário de seu parceiro, não era a grande quantidade de brilho em seus olhos que entregava seus sentimentos, e sim a ausência deles.
- Professor, o senhor vai estar sempre nos ajudadando, certo? - Emmett perguntou aflito. Não queria aparecer brilhando como porpurina por aí.
- Sim, Sr. Cullen - o professor riu, finalmente entendo o que Jasper acreditava ser óbvio - Não queremos nenhum problema.
- Mas você sabe.. Bem, na verdade não sabe.. Mas eu nunca fui um bom aluno, sabe professor? Eu sempre tive problemas e, bem, e se-
- Shiu! - o anão o interrompeu - Olhem a esquerda, garotos.
Os cinco vampiros prenderam a respiração ao verem o grande castelo acima do lago.
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- É com um enorme prazer que iniciamos mais um ano letivo aqui em Hogwarts - dizia o diretor de cima de uma espécie de pedestal - Esse ano, espero que vocês consigam abrir seus horizontes, enxergar os outros sem rótulos ou pré-conclusões. Sigam esse conselho e terão a oportunidade de conhecer algo que nunca lhes imaginou ser possível.
"Como se isso fosse acontecer algum dia" pensou Alice ao imaginar a reação dos colegas se lhe contassem que era uma vampira.
- Agora, sem mais delongas, vamos a escolha das casas - concluiu o diretor dando a cena a professora McGonagol que segurava um chapéu velho e surrado nas mãos.
- Quando eu chamar os seus nomes, quero que deem um passo a frente e se sentem na cadeira. Colocarei o chapéu em suas cabeças, e ele dirá qual é a casa certa - explicou a professora antes de estender um longo pergaminho a sua frente.
Sem que seu nome fosse chamado, a Cullen já tinha um sorriso maroto estampado na face.
- Alice Mary Brandon Cullen.
Ela se sentou sem delongas já aguardando a fala do chapéu.
"Qual é a necessidade disso se você já sabe?" perguntou irritado o objeto.
- Grifinória! - exclamou em seguida.
- Adam Chace.
Com medo e sem jeito, o garoto se afastou da Weasley que lhe desejou um "boa sorte" quando se sentou na cadeira. Ela tentava parecer tranquila para ajudar o amigo.
- Fácil! - exclamou o chapéu de repente, fazendo com que alguns alunos mais próximos se assustassem - Lufa-lufa!
- Rosalie Hale.
A exuberamte Cullen se levantou com graciosidade e caminhou sem pressa até a cadeira, saboreando com prazer os suspiros masculinos e exclamações femininas.
- Hm.. Sonserina ou Corvinal?
Ela pouco se importava.
- Corvinal! - disse o chapéu após um curto silêncio. - Rowena gostaria de ter uma aluna magnífica como você, Srta. Hale.
"Lar das mais belas" pensava uma garota com ciúmes.
- Jasper Hale.
Sem nenhuma insegurança ou medo, o loiro foi até a cadeira com um sorriso tranquilo no rosto.
- Grifinória - disse o chapéu antes mesmo que lhe tocasse a cabeça.
- Jacob Black.
O moreno levantou-se tristonho por ter que deixar Bella sozinha, uma vez que Adam já tinha ido para sua mesa.
"Sua coragem me diz para colocá-lo em Grifinória, mas a sua personalidade aponta para a Lufa-Lufa. O que faço com você, Sr. Black?" sussurrou o chapéu em sua cabeça. Jake deu os ombros. "Faça o que achar certo" pensou.
- Lufa-Lufa!
- Albus Potter?
O silêncio se fez no salão e todos pararam o que estavam fazendo para prestar sua atenção ao que o chapéu diria ao filho do grande bruxo que derrotou você-sabe-quem.
- Há! - exclamou o chapéu numa alta gargalhada - Assim como o pai com medo da Sonserina. Não se preocupe, você tem sangue dos Weasley. Seu lugar é sem sombra de dúvidas a Grifinória!
- Isabella Weasley.
Mais uma vez o silêncio se fez e a menina desejou que seus pais não fossem os melhores amigos de Harry. Precisava mesmo dessa atenção? Não era como se ela fosse pegar fogo ali ou algo do tipo.
"Tive a mesma dúvida com a sua mãe.. Vocês tem o mesmo gênio, ambas incrivelmente brilhantes. Mas parece que você também puxou sua incrível personalidade, lotada de características marcantes da..."
- Grifinória! - exclamou finalmente.
- Edward Cullen.
Silencioso se fez novamente, mas no caso deste aluno, apenas as palavras ditas não eram ouvidas. Naquele instante, todas as mentes do salão pareciam estar focadas em alguma coisa.
Ele.
"Um coração imenso, uma grande devoção e ainda por cima coragem. Estaria errado se o colocasse em outro lugar Sr. Cullen."
- Grifinória! - repetiu o chapéu.
- Emmett Cullen.
Era possível sentir a volta dos murmurinhos dos alunos mais velhos. Grande parte deles se perguntavam se era possível um garoto de dezesete anos ter músculos tão grandes e (no caso das meninas) perfeitos.
"Engraçado.. Sua cabeça me diz Lufa-Lufa, mas seu coração pede uma chance na Corvinal. Algum motivo especial para isso?"
Emmett mostrou- lhe a imagem da esposa.
"Ela é o meu motivo" completou.
"Acha que consegue seguir a doutrina da casa?"
"Por ela, é claro que sim."
- Corvinal! - exclamou o chapéu.
Own ): Eu amo o Emmett. Acho tão linda a admiração que ele tem pelo Rose!
Bem, acho que eu tenho algumas dúvidas pra responder. Sim, Hogwarts começa aos dezessete anos e termina aos vinte. Precisei mudar as datas, como alguns de vocês mesmo disseram "Pedofilia é feio, Edward!", hehe.
Eu adoro esse capítulo, escrevi em uma sentada. :) Deu para perceber que a Bella vai ser bem disputada, né? Dó do Edward.. Vai precisar se segurar bastante nos próximos dias.
Ahhh, falei demais! Muito obrigada pelas reviews, qualquer crítica, podem falar sem dó e piedade. Eu não estou pedindo a opinião de vocês atoa!
Beijos, Mari :D
