Danças & Espelhos

"Mary: Eu acho que ele gostou de você.

Tori: Quem?

Mary: Você sabe quem.

Tori: Ele gostou dos meus peitos. Todos eles gostam dos meus peitos."

Ela não podia mais resistir... Os braços de Draco estavam firmes em torno de sua cintura e os dois se apoiavam no batente da porta, perdidos entre beijos. Havia quase um mês que era assim: três vezes por semana eles saíam juntos. Às vezes iam dançar, outras jantavam juntos, duas ou três vezes tinham ido ao cinema trouxa, embora ela não conseguisse se recordar nada do filme, tão entretida que ficara com os beijos dele.

Vez ou outra acabavam assim: encostados na porta do quarto dele do hotel, aos beijos. E alguma vezes ela entrava e dependendo do humor continuavam os beijos e os carinhos no sofá ou mesmo na cama dele. Mas ela não tinha cedido. Era cedo demais, ele estava muito acostumado a tudo rápido, tudo fácil.

Mas não com ela. Ficava lutando com a vontade, com o calor que subia conforme os beijos desciam, era cada vez mais complicado voltar a si e afastá-lo. Sabia que aquilo o mantinha na sua mão mas ao, mesmo tempo, aquilo a incomodava. Era um jogo, que ela vinha tentando jogar com maestria.

"Dear momma's boy I know you've had your butt licked by your mother

(Caro menininho da mamãe eu sei que sua mãe puxava seu saco)

I know you've enjoyed all that attention from her

(Eu sei que você adorava toda a atenção dela)

And every woman graced with your presence after

(E toda mulher era agraciada com a sua companhia)

Dear narcissus boy I know you've never really apologized for anything

(Caro menino narciso, eu sei que você nunca realmente pediu desculpas por algo)

I know you've never really taken responsibility

(Eu sei que você nunca teve nenhuma responsabilidade)

I know you've never really listened to a woman

(Eu sei que você nunca realmente ouviu uma mulher)"

- Vamos lá, Virgínia... Vamos lá... Entre...

Gina sorriu duplamente, primeiro pelo convite, depois por lembrar o quanto tinha brigado na justiça para se chamar Virgínia. Ela sempre odiara o nome que sua mãe lhe dera, Ginevra. Todo mundo assumira simplesmente que ela só podia se chamar Virgínia. E agora era assim que ela se chamava e que os outros a chamavam.

- Draco... Eu acho... Melhor...

Sua expressão era inocente mas ela era tudo menos inocente naquele momento. Aquilo era tudo uma encenação, uma coisa que se repetia sempre, com o mesmo sentido. Só que ela estava cansada de jogar e de fazer os mesmo movimentos. Puxou-o para si e o beijou, os lábios roçando os dele de maneira sensual, os braços mantendo o rosto dele firmemente contra o seu enquanto ele parecia querer sorrir.

Quando finalmente o soltou, caminhou para dentro do apartamento, na cobertura luxuosa do hotel. Estava tarde da noite e agradeceu mentalmente à sua mãe por ter voltado à Toca. Não suportaria aquele monte de perguntas sobre onde estivera até tão tarde. Hermione não perguntava. Não tinha idéia. Era um segredo completo.

Tirando, claro, Phineas Nigellus Black. Mas um quadro não conta bem como uma pessoa sabendo... Conta?

- Venha aqui... – ele falou assim que fechou a porta e a abraçou, beijando-a enquanto suas mãos esfregavam e massageavam as costas nuas da garota. – Quer ficar aqui ou lá dentro?

Sua mente gritava firmemente que deveria continuar na sala, onde seria mais fácil controlar seus instintos, seus desejos, mas pra sua própria surpresa sua voz soou preguiçosa quando respondeu:

- No quarto...

Ele andou com ela em direção ao quarto enquanto beijava seu pescoço, o queixo roçando na alça de sua blusa, fazendo com que cada vez mais escorregasse em direção ao ombro, aumentando o decote já grande do modelito. Sentia o calor do corpo dele contra o seu enquanto andava de costas, deixando que a guiasse até tombarem na cama, o corpo dele pesando sobre o dela de uma forma deliciosa.

Draco a beijou, parecendo tão sedento quanto um alcoólatra sem beber há semanas, enquanto suas mãos tentavam se livrar da blusa da moça. Gina respirava cada vez mais depressa, tensa, enquanto sentia que a boca dele percorria seu colo, arrepiando sua pele. Ergueu um pouco o corpo da cama, ajudando-o a acabar de tirar a blusa, e passou as mãos pela cabeça do rapaz um instante antes de ele se abaixar e tocar seus seios com a língua.

Ela ofegou, fechando os olhos enquanto sentia o movimento circular da língua dele por seu corpo, as mãos ainda repousando sobre o pescoço do rapaz. Para sua surpresa ele passou as mãos pela lateral do corpo dela por alguns segundos, indo na direção de seus seios e aproximando-os um do outro. Gina chegou a abrir os olhos para ver o que ele pretendia mas tornou a fechá-los quando sentiu que agora aproximara tanto seus mamilos que quase encostavam e passava a língua pelos dois quase ao mesmo tempo. Tentou conter um gemido enquanto ele passava a sugar seus seios, um e um pouco depois o outro, até que parou e olhou para ela, sorrindo.

"Dear me-show boy I know you're not really into conflict resolution

(Caro garoto, mostre-me, eu sei que você não entende nada sobre resolver conflitos)

Or seeing both sides of every equation

(Ou olhado para os dois lados de cada problema)

Or having an uninterrupted conversation

(Ou conversado ininterruptamente)"

- Eu finalmente ouvi a Srta. Weasley dando sinais de que gostou de alguma coisa? – ele riu.

- Ser silenciosa é um dom – respondeu, rindo também.

Draco a beijou enquanto ela desabotoava a blusa dele rapidamente, já sem pensar no que estava fazendo. Gina passou as mãos pelas costas dele, arranhando de leve para em seguida puxá-lo contra si, sentindo o corpo dele encostando em seu corpo melado. Eles se beijavam, o conhecido gosto de menta nos lábios amenizando a nicotina, as salivas misturando, as línguas se encontrando e se encostando de maneira desesperada.

Draco passou a morder o pescoço da ruiva, chupando com força, em seguida mordendo seus ombros e seu colo, deixando várias marcas avermelhadas enquanto descia em direção aos seios. Apertou a carne macia com seus dentes, mordendo-os com vontade, para em seguida passar a morder os bicos de seus seios, enquanto a ouvia respirar pesado, embora suas mãos não se mexessem.

Começou a morder ainda mais forte, a pele branca dela ficando avermelhada enquanto começava a passar as mãos pelo quadril, ensaiando abrir sua calça, ao mesmo tempo em que começava a morder mais forte. Ela suspirou mais alto e ele parou, olhando para ela.

- Te machuquei?

- Eu estava me perguntando, Draco Malfoy, quando você vai começar a morder – respondeu, rindo da cara dele.

- Você não deveria brincar com fogo, Virginia...

Ele abaixou-se, mordendo-a com mais força, enquanto ela se contorcia, agradada pelo carinho bruto do rapaz. As mãos dele corriam depressa abrindo o zíper de sua calça, despindo-a o mais rápido que conseguia enquanto ela arfava com as mordidas dele.

"And any talk of healthiness

(E nenhuma conversa sobre saúde)

And any talk of connectedness

(E nenhuma conversa sobre compatibilidade)

And any talk of resolving this

(E nenhuma conversa sobre resolver isso)

Leaves you running for the door

(Faz com que você saía pela porta)"

Draco desceu as mordidas pela barriga delgada da garota enquanto suas mãos apertavam-lhe as coxas , passando lentamente por sua virilha, subindo até o quadril enquanto acabava de despi-la. Mordeu seu quadril, passando a arrastar os lábios pela parte interna das coxas, enquanto a respiração dela ficava cada vez mais audível, até que ele abaixasse o rosto, começando a estimulá-la com a língua. Gina agarrou o lençol com as mãos, tentando se controlar para não fazer barulho enquanto ele continuava a beijar-lhe sensualmente, sugando seu clitóris, fazendo-a sentir calor.

As mãos dele a puxavam firmemente para mais perto e ela sentia o queixo dele esfregando em seu sexo, as mãos apertando seu quadril, cada vez mais tonta de prazer. As sensações eram cada vez mais fortes a cada toque dele e sequer percebeu quando começou a gemer, não conseguiu impedir suas mãos de irem até a cabeça dele, prendendo-o entre suas pernas, seus olhos semi-cerrados, sem que ela o visse. Quando ela estava quase se entregando ao orgasmo ele parou e deitou sobre ela, apoiando-se nos cotovelos enquanto se posicionava para penetrá-la.

Mesmo que quisesse não teria conseguido interromper então. Sentiu-se quase aliviada quando ele começou a forçar a entrada, deliciada pela dor suave de seu corpo abrindo espaço para ele, conforme ele a penetrava delicadamente, até estarem quase completamente encaixados. Seguiu o ritmo dele, alucinada de desejo, cada vez mais depressa, suas mãos arranhando-lhe as costas, puxando-o para si. Viu o suor começar a grudar seus cabelos na testa, sentiu que seu corpo estava molhado enquanto encostava no dele, sentiu a saliva de Draco enquanto se beijavam.

Gina o puxava cada vez mais pra si, gemendo baixinho, ainda se sentindo incrivelmente estimulada, sentindo a tensão crescendo em si conforme os dois se mexiam, de uma forma que logo não conseguia mais se segurar e se permitiu gemer baixinho no ouvido do loiro. Sentiu seu corpo se contrair, apertando Draco dentro de si, e ouviu os gemidos dele aumentarem, assim como seu ritmo. Ela ofegava, desesperada, começando a sentir o relaxamento que todo aquele prazer tinha trazido, mas o rapaz não parecia querer parar.

Deixou-se conduzir pela vontade dele por mais alguns segundos até que finalmente ele não conseguia se segurar e ela lhe pôde ver a expressão contraída enquanto fechava os olhos e tentava dar vazão o que sentia. Draco deitou, respirando muito rápido, enquanto ela o abraçava, apertando-o contra si, tonta pelo que tinha acabado de deixar acontecer.

E o pior: não se arrependia.

"(why why do I try to love you

Try to love you when you really don't want me to)

(Por quê, por que eu tento te amar

Tento te amar quando você realmente não quer que eu te ame)"

Quando ela acabou de se vestir e juntar suas coisas espalhadas ele saiu finalmente do banho, encarando-a.

- Com pressa de ir embora?

- Eu trabalho amanhã, Draco, se você não sabe.

- Quem se importa? – ele a puxou pra si e a beijou. – Não precisa sair assim.

- São quase duas horas da manhã, vão perceber que eu passei a noite fora e acabar descobrindo quem é que...

- Tudo bem – ele a soltou. – Segredo, não é?

- Não devemos deixar que percebam nada.

- Definitivamente, você está certa – ele se afastou, acendendo mais um de seus cigarros de menta. – Então, está na hora, Weasley.

Não quis acreditar no que tinha acabado de ouvir. Ele não poderia estar fazendo isso. Não a poderia ter chamado assim logo depois de levá-la pra cama.

- Do que você me chamou? – perguntou enquanto o via bater o cigarro na ponta do cinzeiro de vidro encima da mesa onde costumeiramente deixava os cigarros e o isqueiro.

- Weasley – ele repetiu. – Algum problema? - ela fez um barulho de irritação com a garganta e pegou sua capa de cima do sofá.

- Esqueça - ele riu e ela parou no meio do movimento de se endireitar. - O que é tão engraçado?

- Você. Fazendo cena, como se eu estivesse te chamando assim porque simplesmente consegui tudo que queria.

- Eu não deveria pensar isso? – perguntou. ácida, encarando-o. – Tudo pra você é assim! Você olha uma mulher e diz "te quero e vou te ter", depois disso simplesmente consegue e depois... Depois ela volta a ser uma estranha, não é? Não existe envolvimento pra você!

"Dear egotist boy you've never really had to suffer any consequence

(Caro garoto egoísta, você nunca realmente teve que sofrer as conseqüências)

You've never stayed with anyone longer than ten minutes

(Você nunca ficou com alguém por mais de dez minutos)

You'd never understand anyone showing resistance

(Você nunca entenderia alguém demonstrando resistência)

Dear popular boy I know you're used to getting everything so easily

(Caro garoto popular, eu sei que você está acostumado a ganhar tudo tão facilmente)

A stranger to the concept of reciprocity

(Um estranho ao conceito de reciprocidade)

People honor boys like you in this society

(As pessoas admiram homens como você nessa sociedade)"

- Virgínia, eu devo dizer que fico totalmente impressionado com como você tem pré-conceitos em relação a mim.

- Vai dizer que estou mentindo?

- E você acha que um mês ou quase isso é um marco de resistência? – alfinetou.

- Apenas me enganei, Malfoy, achei que estivéssemos realmente nos entendendo.

- E estávamos, não? Eu não te forcei a nada!

- Você realmente não entende nada – ela respondeu, irritada, e deu às costas, indo em direção à porta.

- Espere – ele segurou o braço dela, fazendo-a se virar para ele. – Ainda tenho uma coisa pra falar.

- Diga – falou, ríspida.

- Quinta-feira eu tenho uma festa. São negócios, você sabe... Preciso de uma acompanhante, a maior parte dos presentes serão aqueles velhos cheios de dinheiro e suas esposas cheias de cirurgias que as fazem parecer mais jovens. Os mais novos sempre aparecem ou com suas namoradas da alta sociedade londrina ou com suas acompanhantes profissionais, se você entende o que eu quero dizer.

- O que eu tenho com isso?

- Eu quero que você vá comigo - só faltou a ruiva bufar ao ouvir o convite.

- Agora, além de tudo, sou algum tipo de troféu que você exibe por aí?

- O quê...?

- Contrate uma das acompanhantes profissionais, Draco. Se você pagar direitinho, quem sabe elas fiquem depois da festa.

- Na verdade, Virgínia – ele respondeu, ríspido –, eu as pagaria para irem embora.

- ARGHT! – respondeu, ainda mais irritada.

A grifinória saiu, batendo a porta atrás de si e chamando o elevador. Ele sacudiu a cabeça, irritado mas também obstinado, e pegou o telefone.

"And any talk of selflessness

(E qualquer conversa sobre altruísmo)

And any talk of working at this

(E qualquer conversa sobre trabalhar isto)

And any talk of being of service

(E qualquer conversa sobre ser trabalhador)

Leaves you running for the door

(Faz com que você saía pela porta)

(why why do I try to help you try to help you

When you really don't want me to)

(Por quê, por que eu tento te ajudar

Quando você realmente não quer que eu te ajude)"

Já era a terceira vez que Gina apertava o botão sem sucesso. Ouviu a porta do apartamento abrindo atrás de si mas não se virou para ver.

- Quer um cigarro?

- Não, obrigada.

- Eu aceitaria se fosse você, não sei se o elevador vai chegar tão cedo.

- Não tem problema, eu aparato – respondeu, irritada.

- Eu protegi o hotel com um feitiço anti-aparatação, afinal eu não ia querer nenhum bruxo dando uma de espertinho aqui - ela se virou e o encarou com os olhos tão fechados que pareciam frestas. - Quer um cigarro? – ele repetiu.

Ao invés de responder ela abriu a própria bolsa e acendeu um cigarro, tornando a se virar de costas pra ele. Ouviu o som dos pés dele no piso do hall, aproximando-se, mas não se mexeu. O loiro abaixou, beijando seu pescoço de leve.

- Pare, Malfoy...

- Me dê um bom motivo – falou, tornando a beijá-la.

- Eu lhe falei para parar... - ele continuou beijando o pescoço da moça, que ia se encolhendo, arrepiada, até que ela virou de frente, irritada. - Eu já disse...

Mas ele a cortou, beijando-a na boca, puxando o corpo da garota pra si com força enquanto ela desistia de tentar resistir ao beijo. Quando ele a soltou ela tornou a virar de costas mas seus olhos encontraram os dele pelo espelho do hall.

- Venha comigo à festa... Por favor.

"You go back to the women who will dance the dance

(Você, volte para a mulher que vai dançar a dança)

You go back to your friends who will lick your ass

(Você, volte para seus amigos puxando seu saco)

You go back to ignoring all the rest of us

(Você, volte a ignorar o resto de nós)

You go back to the center of your universe

(Você volte para o centro do seu universo)"

Se alguém a pedisse para explicar o que porquê de ter cedido aos pedidos do loiro ela não saberia dizer. Talvez fosse porque estava contente que ele estivesse, de certa forma a assumindo, ou talvez fosse simplesmente porque ela queria estar com ele o máximo possível. Mas as duas alternativas não lhe agradavam muito: significava que ela se importava demais.

Andava ao lado dele, de braço dado com o rapaz loiro, parecendo muito elegante em seu smoking preto, tão diferente de suas roupas de bruxo. Seguia-o, os cabelos presos em um nó elegante que deixava nu seu pescoço, totalmente livre de marcas por habilidosos feitiços de cura. Imaginou se estava combinando com o ambiente, o vestido dourado que Draco lhe mandara para ir à festa e a falta de jóias para que não pesasse no estilo. Parecia que metade das pessoas estava esperando pela chegada dos dois e seguiam para os cumprimentar, o rapaz e ela, sentiu-se cansada de tanto ser apresentada.

- Me diga, jovem Malfoy – falou um senhor baixinho, muito acima do peso e com uma careca lustrosa. – Quem é essa adorável jovem que te acompanha?

- Virgínia Weasley, esse é Laurence Bourdons – falou com a voz grave.

- Encantado em conhecê-la, senhorita – respondeu, pegando-lhe na mão.

- O prazer é todo meu – disse automaticamente.

- Você deveria nos dizer onde consegue encontrar uma jóia como essa – falou um outro senhor, que tinha ares de ser muito galanteador. Gina quis revirar os olhos mas se controlou.

- Eu e Virgínia nos conhecemos – ela o encarou, perguntando-se como pretendia explicar aquilo – em uma livraria.

A ruiva olhou para o rapaz tão surpresa que a expressão foi notada pelos demais presentes. Ele se virou para ela, perguntando em um tom educado que não combinava nada com seus modos.

- Não se recorda, Virgínia? Nossos pais até tiveram uma pequena desavença, então, se não me engano por causa dos livros que ele comprou para você.

Imediatamente veio à sua mente a imagem de seu pai e Lúcio Malfoy se batendo na Floreios e Borrões e ela se recordou de quando Draco a chamara de namorada do Harry. Aquilo era realmente absurdamente irônico. Como pudera esquecer? Fora justamente naquele fatídico dia que Lúcio Malfoy tinha posto o diário em seu caldeirão e...

- Na verdade eu havia me esquecido desse pequeno... Incidente. Mas me lembro de você na escola, me atormentando por ser uma Weasley.

- As coisas mudam – ele se limitou a responder.

- Com licença – ela disse e saiu da roda, pegando uma finíssima taça de vinho tinto e se aproximando da varanda do local. Era absolutamente incrível como ele conseguia destruir as coisas quando estava tudo indo tão bem.

Gina terminou de beber rapidamente e acendeu um cigarro. Talvez fosse ainda mais incrível como ela não conseguia mais se afastar dele.

"Dear self centered boy I don't know why I still feel affected by you

(Caro garoto egocêntrico, eu não sei por que eu continuo me sentindo afetada por você)

I've never lasted very long with someone like you

(Eu nunca durei muito tempo com alguém como você)

I never did although I have to admit I wanted to

(Eu nunca durei, embora eu tenha que admitir que eu queria)

Dear magnetic boy you've never been with anyone who doesn't take your shit

(Caro garoto atraente, você nunca esteve com alguém que não concorda com suas bobagens)

You've never been with anyone who's dared to call you on it

(Você nunca esteve com alguém que ousasse chamar sua atenção)

I wonder how you'd be if someone were to call you on it

(Eu me pergunto como você ficaria se alguém te chamasse a atenção)"

- O que você veio fazer aqui fora? - Gina se limitou a mostrar o cigarro enquanto continuava a fumar. - Eles te adoraram.

- Eles adoram mulheres que se comportam bem, são bonitas e aparentam ter dinheiro e saúde. Só que eu não sou nenhum modelo de comportamento, beleza ou de condição financeira. É tudo absolutamente falso – ela o encarou pela primeira vez desde que ele aparecera. – E seu.

- A sociedade vive de aparências, querida – respondeu, erguendo um copo com martíni. Mais uma vez martíni. – E nós devemos aprender a viver nela.

- Talvez nós devêssemos tentar mudá-la.

- Eu não criei o mundo, Virgínia, apenas vivo nele. E sigo suas regras, sem esse monte de sonhos que não levam a nada. Esse é o problema de vocês, grifinórios, esses sonhos imensos e descabidos, uma fé nas pessoas...

- Talvez o seu problema, Draco Malfoy, seja que você não sabe sonhar.

- Talvez – confirmou, tocando o ombro dela com a ponta dos dedos. – Mas ainda sim, você está aqui, e comigo.

Os dois se encararam por um instante e ela apagou o resto do cigarro contra o mármore branco do parapeito.

- Talvez eu não devesse estar aqui.

- Certamente você não deveria estar nem aqui, nem comigo. Mas... – ele estreitou os olhos, olhando-a como um felino prestes a atacar. – Você quer estar aqui.

Ela suspirou, desviando o olhar. De que adiantaria negar? Aquele olhar dele parecia transformá-la em vidro, desnudando seus pensamentos sem esforço algum.

- Não devemos fazer tudo que queremos, não é? Devemos resistir a certas tentações...

- O problema de se resistir a tentação, Virgínnia, é que pode não haver uma segunda chance.

"And any talk of willingness

(E qualquer conversa sobre voluntariado)

And any talk of both feet in

(E qualquer conversa sobre entrar nessa)

And any talk of commitment

(E qualquer conversa sobre compromisso)

Leaves you running for the door

(Faz com que você saia pela porta)

(why why do I try to change you try to

Try to change you when you really don't Want me to)

(Por quê, por que tento mudar você, eu tento

Tento mudar você quando você realmente não quer que eu te mude)"

Porque ele sempre acabava dando a última palavra no assunto? A ruiva tentou se irritar com o rapaz mas era impossível. Tudo que via era o sorriso sedutor dele, próximo a ela, a aspereza dos dedos contra suas costas, o olhar desejoso, ansioso. Pouco antes de fechar os olhos, à espera do beijo, teve certeza de ver um sorriso vitorioso entrar no lugar do anterior.

E ele a estava beijando. E tudo parecia absurdamente perfeito, embora não fosse nada convencional ou típico. Seu estômago tinha se enchido de borboletas amarelas que não conhecia desde que era adolescente, e não sentia direito o mundo à sua volta se não a respiração dele, o toque dele, o beijo dele, e tudo mais que dizia respeito a Draco Malfoy.

- Você venceu – ela suspirou, encostando o rosto no ombro dele. – Vamos lá pra dentro.

- Como você quiser.

E os dois voltaram de braços dados para a festa enquanto ela se perguntava que raios ele tinha feito com ela para que se tornasse tão maleável. Ela estava nas mãos dele... Mas ele não deveria, sob hipótese alguma, saber.

"You go back to the women who will dance the dance

(Você, volte para a mulher que vai dançar a dança)

You go back to your friends who will lick your ass

(Você, volte para seus amigos puxando seu saco)

You go back to being so oblivious

(Volte a ser tão alienado)

You go back to the center of your universe

(Você, volte para o centro do seu universo)"

Continua...

N/A: A música, "Narcissus", pertence à Alanis Morissete... E a citação... Bah! ¬¬ Quanto a dedicatória, essa song é totalmente do meu irmão Luccas, porque foi ele quem me indicou à musica. Agradecimentos especiais à Pichi, DNA e Rita, por terem dado uma olhada nela antes que fosse ao ar. E MUITOS beijos à: Mademoseille Malfoy, Carpe Diem, Milinha, Anninha Malfoy, Trinity Malfoy, Lillix, PatyAnjinha Malfoy, Tamy Black, Carol Malfoy Potter, Licaweasleymalfoy, Carol, Rute Riddle e Lullaby. (Além, claro do pessoal do 3v!)