CAPÍTULO III

Tão logo retomaram à mesa, Isabella apressou-se em chamar Jacob para ir embora e em poucos minutos já estavam no carro, a caminho de casa.

- Onde vocês se meteram?- ele perguntou, meio alarmado.- A srta. Denali estava furiosa!

- Eu precisei de um pouco de ar puro. A srta. Denali tinha razão quando falou que o salão estava muito quente.

- Mas você e Edward Cullen não pareciam estar dançando!

- Ei, você não acredita que eu estava com calor?

- Isabella...

- Por favor, Jacob. Dispenso cenas.

- O que quer dizer com isso?

- Já basta Edward ter ciúme de você. Não me venha também com ciumeiras.

- Está me dizendo que Edward Cullen se apaixonou por você? É isso?

- Sim, é.

A frase saiu sem qualquer entusiasmo. Ela sentia um arrepio percorrer-lhe o corpo, só ao lembrar que havia sido beijada contra sua vontade.

- E a srta. Denali? Como fica nessa história?

- Eu é que sei?

- Isso é complicado demais para mim, sabe?

- Aí é que você se engana, Jacob. É tudo muito simples.

- Edward se declarou? Fez alguma proposta?

- Claro que sim!

- Então por que parecia furioso quando vocês voltaram do jardim?

Isabella suspirou. Realmente, Edward não fizera o menor esforço para esconder a raiva que o dominava. Homens como ele não se conformam quando são rejeitados e agem de maneira infantil. Um comportamento típico de milionários arrogantes, acostumados a ter tudo o que o dinheiro pode comprar. Mas Isabella não estava disposta a se vender. Achara a atitude dele deplorável e tinha a intenção de dar-lhe o troco à altura. Havia sido uma conquista fácil, há sete anos, e não deixaria que isso acontecesse de novo. No momento certo, pretendia levá-lo a sentir a humilhação de ser comprado por uma mulher.

A perspectiva da vingança deixou-a mais tranqüila, e foi num tom descontraído e divertido que ela falou:

- Use a imaginação, Jacob. Por que acha que o sr. Cullen ficou mal-humorado, hein?

- Você o rejeitou? Deus do céu, Isabella, você conseguiu dizer não ao irresistível Edward Cullen?

- Consegui. E isso prova que ele não é tão irresistível assim, não acha?

- Certo, mas... você pensou bem em tudo que ele poderia lhe dar? Dinheiro, vida boa...

- Ah, meu caro amigo, estou realmente chocada com esse seu lado mercenário. E a minha dignidade, onde fica?

- Desculpe-me, querida. Eu só não queria maltratar um cliente tão importante como ele.

- Ora, Jacob! E por acaso eu o maltratei? Apenas lhe disse não!

- Bem... isso é verdade.

- Então não se preocupe tanto. Sei como lidar com o sr. Cullen.

- Espero que sim. Mas não estou muito convencido disso.

Isabella sorriu. Sentia-se muito bem e sabia por que agia assim. Tudo tinha seu tempo, e o dela finalmente começava a chegar.

No dia seguinte, deixou a secretária eletrônica ligada para evitar falar com Edward, caso ele telefonasse. Não telefonou.

Isabella conhecia a força de vontade daquele homem: era muito grande, talvez maior que a dela. No entanto, sabia que ele não gostava de perder. E só por isso voltaria a procurá-la.

A quinta-feira passou sem que ele desse notícias, algo que não a preocupou. Sentia que aquela situação ridícula era um confronto de forças, de vontades conflitantes, e que sairia vitoriosa na batalha. A sede de vingança que sentia há sete anos dava-lhe força suficiente para enfrentar o temível Edward Cullen. Era preciso apenas ter paciência, e isso era algo que Edward certamente não tinha.

Os seis telefonemas dele na sexta-feira a convenceram de que estava certa. Em todas as chamadas Edward lhe pedia para ligar, entrar em contato de alguma forma, mas Isabella o ignorou.

Edward Cullen teria que fazer muito mais que simplesmente estalar os dedos para conseguir levá-la para a cama.

Um pouco antes das sete da noite, a campainha soou insistentemente. Era Edward.

Isabella não esperava que ele aparecesse tão cedo, mas não se alterou com a visita e tentou manter uma aparência fria e controlada.

- Por que não respondeu aos meus telefonemas? - ele foi perguntando antes mesmo de cumprimentá-la, e sem pedir licença entrou no apartamento.

- Telefonemas? - disse ela, fingindo inocência e reparando em como ele estava elegante naquele terno marrom e na camisa creme.

- Sim, telefonemas! Liguei para você umas seis vezes hoje.

- Ainda não tive tempo de ouvir as mensagens da secretária eletrônica.

- Isso não se faz! E se alguém quisesse lhe falar com urgência?

- A maior parte das pessoas liga de novo - retrucou ela com ar despreocupado, sentindo-se gratificada por vê-lo tão perturbado.

- Mas eu liguei! Cinco vezes!

- Como já falei, ainda não...

- ... Ouviu as mensagens da secretária eletrônica.

- Isso mesmo. Mas por que você ligou? Tem instruções novas sobre o retrato?

Os olhos de Edward faiscaram de raiva. Ele percebeu que Isabella não estava disposta a entrar no terreno pessoal e isso o deixou mais furioso ainda.

- Que se dane o retrato! E deixe de bancar a inocente, por favor. Você sabe por que quero vê-la.

- Não, não sei. Por quê?

- Não brinque comigo, Isabella. Não gosto desse tipo de jogo.

- Eu também não. Ouça, sr. Cullen, pensei que tivéssemos entrado num acordo, mas vejo que me enganei. Então vou ser bem clara: a menos que tenha algo a dizer sobre o meu trabalho, não tenho o menor desejo de vê-lo ou ouvi-lo.

Com um punho cerrado, ele acertou a palma da outra mão, num gesto exasperado.

- Pare de me provocar, Isabella!

- Provocá-lo? - repetiu ela, sem acreditar no que ouvira.- Você é quem está me provocando. E me aborrecendo!

- Eu só quero ver você, ficar com você...

- Ir para a cama comigo...

- Isso também, se tudo der certo entre nós.

- É mesmo? Pobre sr. Cullen... tão bonzinho! - O tom era irônico e indignado ao mesmo tempo. - Quem pensa que sou? Alguma adolescente ingênua? Sei muito bem que o seu único objetivo é a cama!

- E há algo errado nisso?

- Nada, a não ser que eu não tenho a menor vontade de fazer amor com você.

- Por quê? Tem medo de mim? Ou medo do sexo?

- Ora, não me venha com essa psicologia barata, sim?

- Você está me deixando louco, Isabella. Não sei mais o que fazer. Penso o tempo todo em abraçá-la, beijá-la, em...

- Fale com a srta. Denali sobre isso, não comigo - ela o interrompeu, sem demonstrar o quanto se sentia gratificada com aquela revelação.

- Meu relacionamento com Tania a perturba?

- Não. Eu sinto pena dela, só isso.

- Você o quê?

Isabella percebeu que Edward estava furioso mais uma vez e começou a ficar preocupada. Não se sentia segura na companhia daquele homem, pois sabia muito bem do que ele era capaz.

Mas isso não a impediria de falar o que bem entendesse:

- Você não a ama, Edward. Apenas a usa, até que apareça outra mulher em sua vida.

- Tania também não me ama. Mantemos uma situação conveniente para os dois.

- Pois muito bem; estou tentando dizer que esse tipo de relacionamento não me interessa. Entendeu agora?

- Mas você não me dá uma chance!

Ele havia tido sua chance há sete anos. E não teria outra, nem agora nem nunca.

- Sei que não daria certo. Agora, se me permite, vou sair.

- Com Jacob?

- Não.

Isabella enfrentou o olhar dele com frieza, desafiando-o a fazer outras perguntas.

- Com outro homem?

- Sim.

Ah, se ele soubesse que o "outro homem" era o pai dela.

- Muito bem. Se é assim que quer...

- É assim mesmo.

- Não a importunarei mais, então.

- Ótimo.

Isabella sabia que Edward não manteria a palavra, mas entrou no jogo dele. Quanto mais o humilhasse, mais completa seria sua vingança.

- Eu não costumo obrigar as mulheres a gostarem de mim. Nem a fazerem o que quero.

Isabella quase riu. Tinha certeza de que ele falava a verdade, pois sempre tivera todas as mulheres que desejara. Inclusive ela.

- Há uma coisa em você que me fascina, que me encanta... Mas não consigo saber o que é.

Ela gelou. Talvez Edward Cullen a tivesse reconhecido. Mas devia ser um reconhecimento distante, guardado bem no fundo da memória, no lugar que as pessoas reservam para coisas absolutamente sem importância. E ela não passara disso na vida daquele homem: de uma coisa insignificante. Ah, como doía! Como doeram esses anos todos! E como continuavam ferindo, magoando...

Ainda bem que o dia da vingança se aproximava. Isabella não via a hora, de pôr um ponto final naquela história infeliz.

Foi com , satisfação que o ouviu confessar:

- Não consigo tirar da cabeça a imagem de seus cabelos cor de mel, de seus olhos verdes. Você está me destruindo.

Mentira. Ela apenas começara a destruir. Por enquanto, tinha que se contentar em despertar-lhe a raiva, que alimentaria o interesse e manteria viva a chama do desejo. Isabella queria atingi-lo no coração! Queria vê-lo apaixonado para fazê-lo conhecer a dor da humilhação, o gosto amargo do desespero, da impotência, da derrota.

- Você não se importa comigo, não é?

- Tenho certeza de que você vai superar isso. Basta surgir outra mulher bonita.

Ele deu um suspiro desanimado.

- É melhor eu ir, então.

- Vai ver a srta. Denali hoje à noite?

- Não é da sua conta.

- Poderia lembrá-la de nosso compromisso amanhã, às duas.

- Ela virá.

- Muito obrigada. - E inclinou a cabeça, cumprimentando-o com ironia.

- Não me agradeça. O retrato faz parte do trabalho de Tania. Adeus e... passe bem.

No dia seguinte, a atriz chegou com uma hora de atraso e seu humor não estava dos melhores.

- Só posso ficar no máximo meia hora - falou, de modo afetado. - Tenho cabeleireiro marcado para as quatro.

Isabella a ouviu com indiferença, pois não pretendia desgastar-se com discussões fúteis e sem sentido.

- Isso significa que precisaremos de mais uma sessão para preparar o quadro. Quer ir se vestir agora?

A atriz demorou para trocar de roupa, de modo que, da meia hora proposta, restaram apenas vinte minutos. Isabella não se preocupou com isso. Quanto menos tivesse que ficar com ela, melhor.

- Tem visto Edward? - Tania não perdia tempo!

- Ele me telefonou ontem. - Isabella respondeu, sem demonstrar qualquer entusiasmo pelo assunto.

- Pensei que não estivesse interessada nele! - Tania explodiu, com os olhos brilhando de raiva.

- E não estou.

- Então... então...

- Quer por favor ficar quieta, srta. Denali? - solicitou, com um suspiro de impaciência. - Sabe que não temos muito tempo.

Tania levantou-se e começou a andar pela sala.

- Acho que está pensando que é muito inteligente!

Isabella sentou-se, desanimada.

- Por que vocês dois não me deixam em paz, hein?

- Sei que você tem encontrado Edward desde terça à noite.

- É mesmo? - O tom irônico tinha uma ponta de cansaço - E como chegou a essa brilhante conclusão?

- Eu sei que vocês têm se visto.

- Então sabe mais que eu, srta. Tania.

- Sei que fizeram mais que conversar naquele jardim do restaurante. Conheço quando Edward fica excitado.

- É o mínimo que poderia saber, não acha? Afinal, ele é seu... – Isabella se calou, aborrecida. O comentário malicioso havia saído sem querer. Tinha que manter o controle; não era possível que aquela mulher a fizesse sair do sério!

- O quê?

- Desculpe-me, srta. Tania. Não há sentido em ficarmos trocando insultos. Se não viu Edward desde terça não foi por minha causa. Ele esteve aqui durante uns quinze minutos ontem à noite e você deve admitir que ninguém faz nada num espaço de tempo tão pequeno. Em resumo: não fomos para a cama.

- Você está mentindo!

- Não, não estou.-Pelo tom de Tania, Isabella pôde concluir que Edward não a procurava desde a noite do jantar e ficou feliz por isso. Será que ele a desejava tanto que não sentia mais nada pela bela atriz ? Essa idéia a encheu de um sentimento de triunfo. Se assim fosse, era chegada a hora de sua vingança. Finalmente o arrogante Edward Cullen ia sentir a humilhação que merecia!

Logo que Tania saiu, Isabella ligou para a mãe e as duas foram fazer compras.

Uma hora mais tarde estavam de volta ao apartamento, tomando chá.

- Nós temos estado preocupados com você, querida.

- Estou bem, mamãe, e você sabe disso.

- Você anda um pouco pálida, meu amor.

Isabella sorriu, colocando mais chá nas xícaras.

- É que tenho trabalhado demais nestes últimos dias.

- Não venha com desculpas, Bella. Você também estava pálida na semana passada. -Acariciou o rosto da filha com ternura e acrescentou: - Algum problema? Algo em que eu possa ajudar?

- Não há problema algum, mamãe. Fique tranqüila.

- Não está trabalhando muito?

- Talvez. Mas vou tirar férias, assim que acabar esse trabalho.

- Posso ver o quadro? - perguntou a mãe, com curiosidade.

Ela e o pai sempre se interessaram muito pelo trabalho de Isabella.

- Claro, querida. Venha. - Levou-a ao ateliê, que não era mais que um quarto de dormir adaptado para local de trabalho.

- Está maravilhoso! Ela, é uma mulher muito bonita, não?

- Sim, é.

Isabella tinha conseguido retratar a beleza de Tania, suavizando os traços duros e o olhar maldoso, desconfiado. O resultado fora um rosto marcante, agressivo. Felino, mas nada cruel.

- Ela sai com aquele grego atraentíssimo, não é? - a mãe perguntou, enquanto voltavam à sala. - Como é mesmo o nome dele?

Isabella ficou um pouco tensa com a observação. Seus pais não sabiam do antigo envolvimento com Edward e ela pretendia que nunca ficassem sabendo.

Por isso, controlou-se ao máximo para esconder o nervosismo e procurou falar com naturalidade:

- Edward Cullen. É mais americano que grego.

- Você o conheceu, querida?

- Rapidamente. Como você mesma disse, é amigo da srta. Denali.

- Segundo os boatos, eles são mais que simples amigos...

- Mamãe! Não sabia que gostava de fofocas!

- E não gosto, Bella. Mas o homem é famoso pelos casos amorosos que mantém.

- É verdade.

- Você se sente atraída por ele, querida?

A mãe pareceu preocupada com essa possibilidade e Isabella a compreendeu. Afinal, ninguém gostaria de ver a própria filha nas mãos de um conquistador. Além disso, embora seus pais não soubessem de seu envolvimento com Edward, haviam acompanhado seu sofrimento e não queriam vê-la magoada outra vez.

- Mãezinha, fique sossegada. Eu sei me cuidar, e nunca cairia nas garras de um dom-juan como o sr. Cullen – disse ela, sentando-se e segurando as mãos enrugadas da boa senhora.

- Sabe que nos preocupamos com você,Bella. E Edward não é homem para você. Mas... e Jacob?

Isabella conteve uma risada. Não é que a mãe não se cansava de bancar a casamenteira? Mas o fato era que sua família gostava muito de Jacob e mal escondia o desejo de vê-los juntos.

- Ele me ligou hoje de manhã, mamãe, e me convidou para uma festa.

- E você aceitou?

- Aceitei.

Ela riu ao notar que a mãe tentava, em vão, não parecer muito entusiasmada com a notícia.

- Ótimo,querida!

- Ótimo? Como assim?

- Jacob é uma excelente pessoa. Estável e confiável.

- É... ele é muito bom.

- Mas cansativo... - a mãe gracejou. - Eu sei. No entanto a festa será uma boa pedida, não?

Isabella sorriu, resignada. Após o desastre do jantar de terça-feira sentia-se na obrigação de sair com Jacob e fazê-lo divertir-se um pouco. Além disso, a vida andava muito complicada ultimamente e a companhia serena do velho amigo seria um descanso em meio a tanta loucura.

Foi pensando nisso que ela se despediu da mãe, comeu uma salada leve e resolveu tomar um bom banho.

Quando entrou no quarto para se arrumar, notou que havia algo estranho em relação à caixinha de jóias de ônix verde. Parecia que alguém havia mexido nela. Nervosa e pálida, Isabella dirigiu-se ao toucador e com mãos trêmulas tirou a tampa.

As duzentas libras estavam ali, no mesmo lugar. Mas não era aquilo que a preocupava encontrava numa posição diferente da habitual.

Isso provava que alguém realmente mexera ali, e que esse alguém só podia ser Tania Denali.

Isabella sentiu, o coração apertado. Observou de novo a pintura que fizera há exatamente sete anos, e gelou. Ali, naqueles traços perfeitos, estava o desenho do filho de Edwar Cullen e Agora Tania conhecia seu segredo. Restava saber o que faria com ele.

Preocupada, tensa, Isabella resolveu arrumar-se com esmero. Assim se ocupava com alguma coisa, ficava bonita e relaxava um pouco.

Quando Jacob chegou, na hora marcada, não escondeu a admiração pela beleza, e elegância dela. Não era exagero. Isabella caprichara ao máximo e estava linda em seu vestido branco decotado, preso ao pescoço por uma larga tira. O coque lhe dava um ar sofisticado e as mechas que caíam na nuca e nas orelhas deixavam-na muito sensual.

- Você está tão bonita, Isabella...

- Você também, Jacob. - E sorriu, apreciando-lhe o terno azul-marinho e camisa azul-clara.

Ele ficou um pouco sem graça, pois não estava acostumado àquele tipo de elogio.

- Já está pronta? .

- Já. Quer tomar um drinque, antes de sairmos?

- Não, obrigado. .

- Então vamos, cavalheiro! - brincou ela, seguindo na direção do carro e tentando se convencer de que não deveria se preocupar com nada que não fosse a festa.

Mas... como? Ainda se sentia chocada por ter descoberto que Tania mexera em suas coisas, invadira sua privacidade, desvendara seus segredos. Mesmo assim, tinha que relaxar ou acabaria enlouquecendo. Á companhia de Jacob a ajudaria, claro, a menos que ele resolvesse falar em Edward, em Tania, no trabalho.

Para evitar isso, Isabella decidiu fazer um pacto com o amigo.

- Jacob...

- Sim?

- Vamos fazer um acordo?

- Depende. Que tipo de acordo?

- Bem, você não deve falar nada sobre...

- Assim não vale!- ele a interrompeu. - Sabe que gosto muito de você e que vou falar nisso todas as vezes em que tiver oportunidade. Em resumo, mocinha, vou paquerá-la, sim!

Isabella começou a rir; Que homem apressado!

- Ora, Jacob, pare de tirar conclusões precipitadas! Não era a isso que eu me referia.

- Não? Não mesmo?- Ele a olhou com ar de menino travesso. - Então se prepare, senhorita, para suportar as declarações de amor de um eterno apaixonado! - brincou divertido.- Que tal? Gostou?

Isabella não conseguia parar de rir.

- Jacob, você é ótimo! Mas agora, voltando ao acordo...

- Pode pedir o que quiser, princesa.

- É simples: não quero falar de trabalho.

- Nem eu. Acordo acertado.- Olhou para ela com curiosidade. - Mais alguma coisa?

- Sim. Não quero falar sobre Edward Cullen ou qualquer coisa relacionada a ele. Concorda?

- Bem...

- Jacob!

- Isso vai ser difícil, querida.

- E por que, posso saber?

- Bem... entenda, eu...

Ele não precisou explicar nada. Afinal, haviam chegado ao local da festa e Isabella reconheceu na hora a mansão no bairro luxuoso de Londres, embora a tivesse visto apenas uma vez. Era a residência dos Cullen.

- Jacob, quem o convidou para a festa?

- Achei que você não se incomodaria. - Ele não conseguia olhá-la nos olhos. - Soube que ele dá festas maravilhosas e achei que você gostaria de vir. Mas, se não gostou, não ficaremos muito tempo. Está bem assim?

- Quando ele o convidou, Jacob?

- Esta manhã. E me pediu para convencê-la a vir.

Isso era bem típico de Edward Cullen. Mas, se ele achava que podia tratá-la como um fantoche, estava muito, enganado. Louca da vida, Isabella respirou fundo e decidiu que iria se divertir. Só assim poderia dar o troco à altura. Edward esperava mau humor? Pois a veria feliz!

- Então vamos entrar, não é? - falou com entusiasmo, saindo do carro.

Jacob correu para alcançá-la nos degraus da entrada da casa.

- Isabella! Espere!

Ela o encarou com o ar mais inocente do mundo.

- O que foi?

Ele não conseguia disfarçar a confusão que sentia. Não entendia por que Isabella havia mudado de opinião tão depressa.

- Você não está com raiva, está?

- Por quê? Deveria estar?

- Bem, não sei...

- Então, não estou. - E deu o braço a ele. - Fomos convidados para uma festa, Jacob. Então vamos entrar e nos divertir um pouco.

Ele sentiu-se um pouco mais aliviado ao ouvir essas palavras. Mulheres! Todas absolutamente imprevisíveis!

Isabella pôs no rosto seu sorriso mais simpático, ao olhar para o salão lotado de gente. Disfarçava a raiva e a tensão cumprimentando um e outro, acenando a cabeça para ilustres desconhecidos e tentando não pensar nos próprios problemas.

E teve sucesso até Edward Cullen aproximar-se, com seu ar arrogante e irônico.

- Olá. Estou contente por terem vindo.

Jacob sorriu.

- Eu não perderia esta festa por nada neste mundo, sr. Cullen.

- Obrigado.

- Não agradeça. É a pura verdade. Suas festas são muito famosas, sabe?

- Verdade? - Ele não se mostrou impressionado com o comentário. - Bem, então aproveitem e se divirtam!

- Obrigado. Vamos pegar um drinque, Isabella? - Jacob convidou, antes que ela pudesse fazer algum comentário mordaz.

- Boa idéia - disse Edward e, sem perda de tempo, virou-se para uma loira bonita que estava perto deles. - Carolyn, faça a gentileza de acompanhar o sr. Jacob ao bar.

- Mas...

- Vá, Jacob.- Isabella tranqüilizou-o, sorrindo.- Encontro você dentro de poucos minutos. .

Edward pousou delicadamente as mãos na cintura dela e guiou-a pelo salão. Embora não gostasse daquela intimidade, Isabella não fez qualquer objeção. .

- Então, minha cara, contrariando todas as expectativas, eis-nos juntos de novo!

- Coisas da vida, sr. Cullen. E devo lhe dar os parabéns. Seu plano funcionou direitinho.

- Eu já lhe disse que sempre consigo o que quero, não disse?

- Se isso quer dizer enganar as pessoas, então a resposta é sim. - Afastou-se dele. - Onde está a srta. Denali?

- Por aí, badalando com o elenco da peça.

A voz soava calma, tranqüila. Isabella o observou e reparou que parecia mais relaxado, mais à vontade. O que não era de estranhar: aquela era sua casa, seu território, seu domínio. Ali era ele quem imperava, soberano como um rei.

O pior era que Isabella tinha que admitir que Edward parecia mesmo um rei. Seu traje de gala, em veludo preto, era digno de um nobre e o deixava incrivelmente atraente. Perigosamente atraente, a ponto de assustar Isabella ao perceber que, se não fugisse logo, sucumbiria aos encantos daquele homem.

- Bem, sr. Cullen, se me dá licença... Fiquei de me encontrar com Jacob.

- Ele nos achará, não se preocupe.

- Prefiro ir.

- Não antes que eu diga uma coisa... Tania e eu não estamos mais nos encontrando.

- Mas você acabou de dizer que ela está aqui!

- Com o elenco da peça, não como minha convidada.

Isabella teve a estranha sensação de que ela havia sido a causa da separação. Observara o comportamento da atriz durante a última sessão de pintura e notara que a moça lutava contra o inevitável. O fio tênue que ligava aquele relacionamento finalmente havia se rompido. Mas, se Edward esperava que com isso ela fosse se atirar em seus braços, estava muito enganado.

- Sr. Cullen, esse seu rompimento não muda nada entre nós. Agora vou procurar Jacob. Vim com ele e pretendo voltar com ele.

- Que pena... Eu pretendia persuadi-la a ficar.

- É para cá que você costuma trazer as suas namoradas?

- Não. Elas é que vêm até mim - corrigiu ele, com um sorriso provocante. - Mas você tem razão, a casa de minha família não é o lugar certo para esses encontros. Tenho um apartamento perto do parque.

- Foi o que pensei - disse ela com ironia. Lembrava-se muito bem do apartamento.

- Mas ele não seria bom para você.

- Por quê? Acha que sou diferente das outras?

- Acho - ele retrucou, furioso com a ironia dela. - Quero você para algo mais que...

- Cheguei! - Jacob tinha finalmente conseguido vencer a multidão que tomara a sala e trazia duas taças de champanhe.

- Aqui está, Isabella. Tim-tim!

- Converso com vocês depois - disse Edward, dirigindo-se ao bar, visivelmente irritado pelo fato de Jacob ter aparecido justamente naquela hora. Jacob observou a reação dele e ficou preocupado.

- Fiz alguma coisa errada?

- Não, Jacob.

Isabella acalmou-o com um sorriso, determinada a divertir-se. Deu-lhe o braço e caminhou um pouco com ele pelo salão, observando o movimento. Não tardou a encontrar Tania Denali, que parecia extremamente aborrecida e mal-humorada com a conversa de um jovem conquistador. Sua expressão era de tédio e Isabella chegou a sentir pena dela. Afinal sabia como Tania devia estar se sentindo. Ela própria já havia experimentado o mesmo gosto amargo do abandono... Só que fazia sete anos.

E ainda não se recuperara totalmente.

Quando as duas se encontraram no toalete, horas mais tarde, Isabella não conseguia conter o nervosismo. Estava diante da mulher que descobrira seu segredo mais precioso e não sabia como agir. Mais para se manter ocupada, tirou da bolsa o batom, o pente e foi até o espelho.

- Eu sabia que você viria, Isabella.

- Verdade? - Ela retocou o brilho dos lábios e começou a pentear os cabelos. - Então sabia mais do que eu.

- Por que você fez isso, hein? Por quê?

- Perdão, srta. Denali, mas não estou entendendo. O que foi que eu fiz?

- Não se faça de boba! E, se quer um conselho, saia do meu caminho. Não vou perder Edward.

- Acho que é um pouco tarde para evitar isso.

- Posso reconquistá-lo. É fácil.

Isabella começava a sentir-se tensa com o olhar venenoso da outra.

- Então, faça isso.

- Eu vou fazer. Eu o quero de volta, Isabella. E, se precisar, usarei para isso o que vi hoje à tarde em sua casa. - Observou com satisfação a palidez que tomava o rosto de Isabella.

- Sabe do que estou falando, não sabe?

Isabella baixou o olhar, derrotada.

- Sim, eu sei.

- Então desista de Edward.

- Eu... eu não o quero.

- Pois convença-o disso. E depressa - e, sem mais uma palavra, Tania apanhou a bolsa e saiu.

Isabella respirou fundo. Tinha certeza de que a outra cumpriria a ameaça, se fosse preciso. E se ela fizesse isso... Adeus, vingança!

OoOoO

Capitulo tenso. O que acham do bebe da Bella?

Estou feliz por vocês estarem gostando. Essa Bella é muito diferente da de A Substituta.

Catherine Menezes: Topo o acordo!

Gente, sobre a virgindade da Bella, vc's só vão saber se o Edward percebeu ou não mais pra frente.

REVIEWS, até semana que vem!