Katniss
A garota ainda não havia parado de correr, era como se tivesse energia de sobra e não precisasse de sua respiração. Katniss passou por entre tantas árvores que seu pé acabou enroscando diversas vezes nas raízes, até que por fim caiu pela primeira vez. Ela não demorou a se levantar, fingiu que nada tivesse acontecido e seguiu caminho, ainda correndo.
Suas pernas falharam por um momento e ela caiu no chão, exausta. Sua respiração mais acelerada que o normal, a pele quente como se acabasse de sair de uma sauna. Sentiu o suor escorrer por seu pescoço, Katniss estava sedenta, seus lábios começando a rachar. Ela não sabia em que distância estava da Cornucópia, mas a julgar pelo o tempo em que correu, estava longe o bastante para não precisar se preocupar por algum tempo.
Minutos depois notou a alça da mochila esmagando seus ombros, ela a tirou das costas e abriu o zíper. Dentro da mochila estava uma garrafa vazia, um metro e meio de corda, uma faca e um saco de dormir. Ela voltou a colocar as coisas dentro da mochila e passou a alça da mesma pelos ombros, certificou os galhos da árvore em que estava parada e começou a escalar.
Quando chegou até a altura desejável, sentou num dos galhos e tirou da mochila a corda e o saco de dormir, prendeu a cintura com a corda e a amarrou no galho para que se caísse, ficasse dependurada sem riscos de quebrar uma parte do corpo.
A noite havia chego, e com ela o medo e sensação de estar só. Não havia Gale, muito menos Prim, era apenas ela e sua luta pela sobrevivência. O céu mudou de cor para um azul elétrico, trazendo o logo da Capital seguido pelas fotos dos tributos mortos naquele dia, nove no total. Katniss havia ouvido o som do canhão, mas estava com tanta pressa correndo que não se lembrou de contar quantos tiros ouvira. Agora sabia quantos e quem havia perdido o jogo no primeiro dia.
BUM! Mais um tiro de canhão. Katniss imaginou se seria Peeta, mas em instantes a foto de uma garota aparecera no céu. Ela respirou fundo e se encolheu no tronco, em instantes pegara no sono.
Quando abriu os olhos foi surpreendida por um estrondo enorme e, quando notou seu redor a mata estava pegando fogo. Em menos de um minuto ela já havia guardado tudo e estava em pé, no chão, pronta para correr. E foi o que fez. Desviou de galhos caindo, de bolas de fogo tentando a acertar, talvez estivesse correndo mais do que no dia anterior após o banho de sangue.
Adentrou ainda mais aquela mata e... bateu de cara com uma garota. Uma garota de cabelos castanhos e cacheados, que segurava uma varinha e estava pronta para atacá-la. Mas a garota hesitou, não a atacou. Sua expressão era de medo e pressa, e realmente não sabia o que fazer. Katniss sabia que não era uma inimiga, era Hermione Granger.
– Ó, Deus! – Exclamou Hermione, e baixou a varinha, ainda encarando Katniss. Ela estava em dúvida. Katniss não pegou uma flecha, não fez nada, sabia que a garota não iria fazer mais nada, acabara de ter sua chance e falhara.
– Está tudo bem. Se acalme. – Pediu Katniss.
Hermione tentou respirar fundo, sem tirar os olhos da garota de arco e flecha que poderia ser sua inimiga, mas Katniss sabia que ela sabia que não faria mal aglum.
– Aliada?
– Sim...
– Você não precisa ter medo de mim. Hermione, certo?
– Certo. Tudo bem.
