Feliz Ano Novo queridos! Espero que gostem do novo capítulo. Ele é o menor de todo, mas espero que gostem.
Então,voltemos para a perspectiva de Lily.
Shall the story begin.
- Lily, não é possível que não tenha acontecido nada. – Lene recomeça.
- Por Merlin, vocês estão me irritando. – digo colocando os dedos entre os olhos.
Amanhã seria o último dia de aula, o que significava que eu teria de passar dois meses na casa de Lene. Perto dos marotos, de todos eles. Era por um bem maior e eu não tinha mais uma casa realmente. Não queria ter que convencer meus pais das mentiras de Petúnia. Ir para casa de Lene veio como uma salvação. Continuei arrumando minhas malas e pensando em todas as roupas que eu teria que buscar em casa antes de ir para Lene. Alice prometera me pegar um dia depois, sem atraso. Suspirei e olhei para minhas três amigas. Eu não queria comentar nada, principalmente porque elas eram até a favor de James. Okay, eu desisti de chama-lo de Potter em meus pensamentos. É... complicado.
- Olha só, não aconteceu nada além do que eu contei pra vocês, sério. – eu disse, colocando o cabelo atrás da orelha.
- Lily, você só nos disse que conversaram sobre você ficar na casa de Lene. – comentou Dory. Lene e Alice se entreolharam. Sim, eu tinha contado o plano de James para as duas, obviamente Dory não poderia saber.
- Mas basicamente foi isso. – eu argumentei.
- Lily, você chegou bêbada no dormitório. – disse Dory sabiamente.
- Tudo bem, a gente bebeu um pouco, eu não tinha comido direito e acabei deixando o álcool subir a cabeça. Mas fora isso, não aconteceu nada. – bem, pelo menos eu acho. Quer dizer, o beijo pareceu um sonho, porque se tivesse acontecido aposto que James teria comentado, não é?
- E de repente vocês decidem ficar de papo pelos corredores? Sem gritos e detenções? – pergunta Alice, arqueando uma sobrancelha.
- Tudo bem. – eu suspiro. – Veja bem, ele me pediu uma chance, só uma chance, uma última, pra eu ver que ele não era um trasgo por completo. Concordamos em ser amigos, só isso. Vocês viviam reclamando que eu o tratava pior que um elfo doméstico e agora reclamam porque eu o trato decentemente. Decidam-se! – eu digo por fim, já irritada.
- Okay, Lily. – diz Lene estreitando os olhos.
- Sério? Que bom. Não aguentava mais vocês no meu ouvido toda santa hora. – digo feliz.
Estava tão feliz que não tinha percebido a troca de olhares entre Dory, Alice e Lene. Descemos ao salão principal para a última ceia, sentando perto dos marotos e de Frank. Dumbledore como sempre nos alertou sobre os perigos fora do castelo, pedindo que fôssemos extremamente cuidadosos e que aproveitássemos o máximo o tempo que tínhamos com nossas famílias. Desejou ótimas férias a todos e uma volta segura àqueles que retornariam. Senti meu coração apertar. Meu último ano em Hogwarts. Não parecia ter passado tanto tempo desde que recebi a carta de aceitação. Eu era uma garotinha com grandes expectativas e sede de conhecimento. É eu sempre fui estranha, foi o que eu pensei, eu realmente devo ser uma bruxa, Severo estava certo. Seis anos se passaram, as coisas estavam sombrias no mundo mágico, era aterrorizante. A cada semana um parente de alguém morria, ou em combate ou assassinado por comensais. Eu queria fazer algo em relação a isso. Parece idiota, eu, Lilian Evans, uma nascida trouxa lutar contra as forças do mal. Ficaria ainda mais estranho se eu dissesse em voz alta. No entanto, eu tinha a leve impressão de que esse era o caminho que eu deveria trilhar.
Dumbledore me trouxe de volta a realidade ao começar com os aplausos para Grifinória. Vencemos a taça das casas pela sétima vez seguida. Ri, aplaudindo também. Meus olhos encontraram os de James e ambos sorrimos. Talvez as férias ao lado daquele maroto não fosse tão ruim assim, afinal, era quase como se fôssemos amigos. Olhei para a mesa que se enchia de pratos e mais pratos. Suspirei. Não tinha fome, ainda não conseguia me livrar daquele enjoo constante. Lene me olhava, pra falar verdade, todos a minha volta pareciam me olhar.
- O que? – perguntei.
- Queremos saber o que você vai comer. – disse Sirius sério.
- Eu virei uma criança agora? – perguntei incomodada.
- Claro que não, bebêzinho. – disse James girando os olhos e se levantando.
Fiquei esperando a próxima jogada, mas nunca ia adivinhar que o moreno simplesmente subiria em cima da mesa para sentar ao meu lado. Claro, James Potter não poderia perder a oportunidade de chamar a atenção. Todos ficamos boquiabertos e ele agiu como se tudo aquilo fosse normal, talvez se esquecendo que qualquer pessoa normal simplesmente daria a volta na mesa ou passaria por baixo. Ele pegou um pedaço de torta de amoras e colocou no meu prato. A essa altura a maior parte do salão olhava para nós dois, esperando mais um show de Lilian Evans e James Potter. Estreitei os olhos quando ele pegou o garfo e mais uma vez fingiu que era um avião em direção a minha boca.
Eu podia sentir a tensão e as pessoas sussurrando que James definitivamente estava ficando maluco ou que não tinha medo de morrer. Sabe, as pessoas sempre esperam que você aja de certa maneira, que fale de um jeito e que faça certas escolhas, mas eu me cansei disso. Por que eu tenho que ser a Maria barraco de Hogwarts? E uma parte de mim queria rir de toda a situação. Qual é, ele simplesmente sobe em cima da mesa e depois vem me alimentar como se eu tivesse 6 meses de idade? Vamos dar algum crédito para ele. Estreitei ainda mais meus olhos enquanto eu podia ver a tensão emanando de James, ele também estaria esperando eu dar um dos meus ataques de fúria. Olhei para o garfo e girei os olhos, abrindo a boca e comendo a torta.
- Gostosa. – eu disse, tomando o garfo de sua mão e comendo um pouco mais.
Eu não estou exagerando quando digo que parecia que todo mundo tinha parado de respirar. Alguns me olhavam com espanto, outros diziam que eu e James deveríamos estar saindo, outros simplesmente voltaram a fazer o que estavam antes e no final das contas não houve nenhum show para presenciarem. Sorri internamente porque eu não estava nem um pouco chateada.
- Você tá bem Lily? – perguntou Remo sério.
- Tô, por quê? – perguntei, descansando o garfo ao lado do pedaço de torta.
- Você não gritou com o pontas, nem o azarou, nem o amaldiçoou nem nada do tipo. Tem definitivamente alguma coisa de errada com você. – Sirius disse me olhando como se eu fosse uma aberração.
- Vocês me ofendem! – eu disse calmamente. – Não posso me tornar um ser humano melhor?
- Claro. – Dory respondeu rapidamente.
- Não. – disse Sirius sem qualquer tato. – Vocês estão se pegando! – ele diz chocado.
- Ah, por favor! – eu digo girando os olhos e parando de comer.
- Aluado, aluado! – diz Sirius desesperado. – É isso! Nosso amigo, ele nunca mais vai sair com nenhuma menina! E ele já não estava saindo. Aluado, eu perdi meu amigo, pra sempre.
Todos riam do desespero de Sirius, exceto Lene que o chamava de galinha e eu que apenas ignorei o seu show pensando no que ele tinha dito. James não saía mais com ninguém? Desde quando? Desde a semana passada? Ou seria antes? Merlin, o que eu estava pensando? Isso não tem nada a ver comigo. Somos apenas amigos, talvez nem isso! E James, por que você não fala nada? Olhei de soslaio para o moreno e ele parecia achar graça de Sirius, mas ao mesmo tempo estava um tanto... constrangido? Fiquei surpresa ao perceber isso. Ele me olhou de lado e perguntou se estava tudo bem. Respondi que sim e voltei a prestar atenção na conversa, que tinha mudado totalmente.
- Lene, somos eu e você contra o mundo. – Sirius dizia, colocando os braços ao redor da morena de olhos azuis.
- Hey, e eu? – perguntou rabicho.
- Desculpe rabicho, meu amigo, mas eu só curto mulheres. – respondeu o maroto piscando para Lene.
- Argh Black, faça um favor ao mundo e nunca procrie. – ela fala, arrancando rizadas de todos nós enquanto se afasta do moreno.
- Não seja fria Lene! – diz Sirius com um biquinho. – Você é a única garota com quem eu sempre sonhei em ter um filho! Imagine só. Ele teria seus belos olhos azuis e meu rosto claro! Seria o maior garanhão, maior até que o paizão. E então teríamos uma menina, exatamente como você! Ela morreria virgem, claro, mas arrasando corações.
- Meu sonho! Tirando a parte em que você é o pai dos meus filhos. – diz Lene enquanto rimos ainda mais da visão de Sirius.
- Desculpe almofadinhas. – diz James pela primeira vez, sério. – Mas seus filhos jamais chegarão aos pés dos meus.
- Ah claro, pontas. Os chifres deles realmente tornaria difícil a comparação. – diz Sirius que olha para mim. – Perdão da palavra Lily, aposto que se só os seus genes prevalecessem eles com certeza poderiam até ser comparados aos nossos. – e aponta para ele e Lene, que se limita a girar os olhos.
- Não se preocupe Sirius, - comecei séria. James me olhou apreensivo. – nossos filhos serão maravilhosos.
- AHÁ. – grita Sirius se levantando, muitas pessoas olham, mas Lene puxa o moreno de volta e manda todo mundo caçar o que fazer. – Isso foi praticamente uma confissão.
- Pense como quiser. – eu digo sorrindo e tomando meu suco de abóbora, consciente de que eu estava pisando em um território perigoso. Nem mesmo eu sabia o que estava fazendo.
Dory sorria para Remo enquanto ele cochichava algo em seu ouvido. Alice e Frank conversavam sobre o tempo que passariam longe um do outro, prometendo mandarem cartas e tudo o mais. Lene ainda discutia com Sirius, que insistia em colocar o nome de seus filhos de Sirius Jr e Serena, um tipo de mistura de Sirius com Marlene. Rabicho se ocupava em comer o máximo que podia. James e eu não conversávamos. Senti que o silêncio começava a ser incômodo. Me ocupei em passar o dedo na taça de vidro gelada. Sentia James me observar, era um hábito que ele adquirira. No começo eu me sentia constrangida, mas agora eu já estava acostumada. Pra falar a verdade começara a observá-lo também. Sabia que ele tinha a mania de morder o lábio inferior quando tentava se lembrar de alguma coisa, puxava o cabelo da nuca sempre que estava entediado, batia o nó dos dedos na poltrona enquanto via o fogo queimar na lareira, sorria de lado quando achava algo ironicamente engraçado e ele quase não piscava os olhos quando falava sobre algo sério ou importante. Talvez eu esteja virando uma obsessiva também.
Suspirei. Estava exausta pela última semana e minha cabeça latejava. Queria dormir. Minha cabeça já estava com pensamentos desnecessários. Tinha certeza que era o sono. Falei que iria subir porque queria dormir cedo. Todos deram tchau e James disse que me acompanharia. Agradeci e fomos juntos caminhando, sendo acompanhados por olhos curiosos. Não sabia sobre o que conversar. Não que eu me importasse de ter sua companhia comigo, mas é, eu estava tão cansada que não conseguia pensar direito.
- Lily, você tá bem? – podia ouvir a voz de James ao longe.
- Hum. – consegui dizer antes de sentir seus braços me pegarem.
Tive um sonho engraçado em que eu e James éramos casados. Morávamos em uma casa aconchegante, em um vilarejo trouxa, mas que muitos bruxos escolhiam por ser protegido. Tínhamos um filho, seus olhos eram extremamente verdes e cabelos negros, rebeldes. James tentava segurá-lo em uma pequena vassoura. Eu alternava minhas emoções, não sabia se ria ou se ficava preocupada que o pequeno protótipo de James se acidentasse. Era um dia fresco, mas eu sentia meu corpo quente.
Abri os olhos. Pisquei várias vezes sem saber onde eu estava. Parecia um quarto. O teto era muito alto e a cama era tão grande que caberia dois Hagrids deitados. Vi que estava coberta, talvez eu estivesse sonhando ainda ou quem sabe no meu quarto de monitora. Senti um movimento em minha cintura e vi que um braço me segurava. Olhei para o lado e vi James, dormindo. Arregalei os olhos. Merlin, Merlin, por favor, Merlin. O que estava acontecendo?
Tive um ataque de pânico. Que horas seriam? Onde eu estava? Por que James dormia ao meu lado? Olhei para meu corpo e vi que eu estava com roupas. Suspirei aliviada. Nada de mais urgente tinha acontecido. O que eu estava fazendo em uma cama com James então? Vamos Lily, qual é a última coisa que você se lembra? Tudo bem, eu estava indo para o dormitório com James quando eu apaguei. Okay, provavelmente James ficou sem saber o que fazer e me trouxe para esse quarto, seria o mais esperado vindo dele. James seu idiota, por que não me levou pra enfermaria? Tentei levantar, mas seu braço continua apertado contra meu corpo. Malditos músculos. Virei meu corpo, ficando de frente para ele.
Aspirei o ar e senti o mesmo cheiro que ele sempre tinha, algo entre o frescor de menta e um doce suave. Olhei em volta, havia roupas masculinas e uma vassoura. Ele era o capitão de quadribol, esse deveria ser seu quarto particular. Olhei de volta para seu rosto, me perguntando se ele não ia acordar. Cutuquei sua testa e nada. Cutuquei com mais força. Nada. Além de folgado ele ainda parecia uma pedra dormindo. Girei os olhos. Bati de leve em sua bochecha, chamando por seu nome. Bati com um pouco mais de força e nada. Estava ficando desesperada. Ele estaria morto? Tinha certeza que não, podia sentir sua respiração leve contra minha boca. Boca. Olhei para seus lábios levemente entreabertos e por impulso os toquei com a ponta dos dedos. Eram macios e na proporção ideal, pensei. Rezei para que ele não acordasse com aquele toque. Ele parecia tão calmo enquanto dormia, tão... inocente. Sem que eu percebesse, a distância entre nossos rostos diminuía e meus lábios tocavam levemente os dele. Abri os olhos. Tive certeza que aquele era o mesmo toque do daquele suposto sonho que tivera com James. Verifiquei se ele ainda dormia e chamei mais uma vez por seu nome.
- James. – sussurrei em seu ouvido.
Senti seu corpo estremecer e então aquele belo par de olhos âmbar me fitava ao mesmo tempo assustado e aflito. Pareceu notar nossas posições e moveu seu braço.
- Lily. – ele começou rapidamente. – Eu posso explicar. Você desmaiou e eu não sabia o que fazer. Meu quarto estava perto e então eu te trouxe... – prosseguiu me olhando apreensivo, como se esperasse que a qualquer momento eu o interrompesse. Apenas o olhava sem expressão. – Eu te coloquei na cama e você não acordava. Fiquei te olhando e acabei dormindo. Desculpa. – disse por fim.
- Você poderia ter me levado para a enfermaria. – comentei séria.
- Eu... não pensei nisso. – respondeu lentamente.
- É, deu pra perceber. – eu disse me levantando.
- Aonde você vai? – perguntou enquanto se levantava também.
- Dormitório. – respondi sem olhá-lo nos olhos.
- Você deveria ir até a enfermaria. – sua voz soou preocupada e percebi que queria se aproximar, mas parecia ter medo.
- É apenas o cansaço Potter, não dormi mais que quatro horas por esses últimos dias. Vou ficar bem, eu só preciso dormir. – minhas palavras saiam sem qualquer emoção. Talvez parecesse estranho ouvi-las de mim, mas eu não saberia o que expressar. Era melhor assim.
- Lily, você não tá bem. – ouvi-o dizer enquanto eu analisava a porta de mármore em minha frente. – Lily, olha pra mim. – seus passos se dirigiam a minha direção, ele parecia impaciente.
- O que foi agora? – perguntei. Senti sua mão me puxar e olhei em seus olhos. Era exatamente aquilo que eu estava tentando evitar, aquele sentimento confuso que eu não sabia identificar ou sequer explicar. Eu tinha medo, não queria sentir aquilo. Eu estava assustada.
- O que tem de errado com você? – suas palavras tinham uma suavidade estranha e aquele olhar preocupado aguçavam minhas apreensões.
- Nada. Eu estou cansada. – respondi, contemplando sua expressão duvidosa. Respirei fundo e recomecei. – Olha, eu só preciso dormir um pouco mais. Amanhã terei que encarar Petúnia e meus pais, fiquei preocupada e acabei me descuidando. Prometo me alimentar melhor.
- Tudo bem Lily, - disse James, derrotado. – mas eu te acompanho.
- Obrigada.
James abriu a porta e ambos rumamos para a torre. No caminho passamos por Sir Nicholas que pareceu se sentir desprezado com a minha falta de atenção e logo nos deixou. James tentava iniciar uma conversa, mas minha impassividade não o deixava prosseguir. Logo chegamos em frente ao quadro da mulher gorda que nos olhava com censura. Murmurei a senha, impaciente. Dory e Remo ainda estavam no salão comunal, juntos de mais dois alunos do sétimo ano. Assim que nos viram, vieram ao nosso encontro.
- Lily, onde vocês estavam? Ficamos preocupados. – iniciou Dory.
- Eu não me senti bem e o Potter me ajudou a descansar. – depois que falei, me dei conta de que ajudar não era a melhor palavra para se dizer.
- Te ajudou a descansar? – perguntou Remo, levantando uma sobrancelha.
- É, eu dormi um pouco e ele ficou me vigiando. – menti, esperando que ele pelo menos encobrisse a história. Não estava a fim de ter que ouvir mais sermões sobre como me cuidar.
- Ah, bem, as meninas foram dormir. Eu e Remo ficamos conversando, esperando que vocês aparecessem. – disse Dory mais despreocupada.
- Obrigada. – sorri e olhei para as escadas. – Bem, vou voltar a dormir. Tô exausta.
- Eu vou com você. – Dory deu um beijo em Remos e ambas nos despedimos dos dois marotos.
- Boa noite Lily. – pude ouvir James dizer antes de subir as escadas com Dory ao meu lado.
Dory ainda perguntou se eu estava bem. Respondi que sim e fomos dormir. Minha cabeça parecia uma fábrica de informações, não conseguia parar de pensar. Fechei os olhos na esperança de que o sono chegasse. A lembrança da noite em que saí com James rodava constantemente. Eu o beijei. Por que ele não comentou nada? Por que não se vangloriou? Por que se interessava tanto a meu respeito? Nada disso fazia sentido a menos que eu considerasse que ele realmente gostava de mim, mas isso era algo inadmissível. Ele tinha boa parte da população feminina de Hogwarts a seus pés, por que se interessaria logo por aquela que não queria saber dele?
Esses pensamentos continuaram surgindo e depois do que pareceu uma eternidade, o dia amanheceu. Fingi dormir quando Alice acordou. Ouvi o barulho da ducha e logo Lene e Dory também acordaram. Senti a morena sentar ao meu lado e tirar uma mecha de cabelo que cobria meu rosto. Pisquei os olhos, fingindo que tinha acabado de acordar.
- Bom dia. – disse Lene.
- Bom dia. – respondi, sentando na cama.
- Ficamos preocupadas, onde você estava? – perguntou Lene.
- Ah. – fingi bocejar. – Eu estava muito cansada e acabei dormindo no colo do Potter.
- No colo do Jay? – repetiu Lene.
- É... a gente tava conversando no jardim e aí eu acabei dormindo. – disse com naturalidade.
- Sei. – a morena arqueou a sobrancelha.
- Você está melhor Lily? – perguntou Dory.
- Tô sim, só precisava de uma boa noite de sono. – sorri.
- Se você diz. – Lene me olhava desconfiada.
Alice saiu do banho e expliquei novamente a história que tinha inventado. Elas não pareceram engolir, mas não me fizeram mais perguntas. Disse que tomaria um banho e que elas poderiam descer sem mim. Lene estava relutante, mas acabou descendo com as duas. Demorei na ducha. Meu corpo estava tenso e eu tinha marcas roxas pela pele. Sempre ficava assim quando estava anêmica ou nervosa. Passei o óleo que ganhara de Alice, ajudava a amenizar as dores no corpo e ainda hidratava a pele. Sai do banho e me sequei. Vesti o uniforme e peguei minha capa. Agitei a varinha, colocando meu último livro dentro da mala.
Desci as escadas e não encontrei nenhum conhecido, exceto Sirius que conversava com um jogador setimanista. Quando me viu, despediu-se do ruivo e veio ao me encontro. Sorri, dando bom dia. Ele parecia sério.
- Como você está Lily? – perguntou.
- Tô ótima. – disse sorrindo. Minha boca tremia.
- Você não precisa mentir pra mim. – ele disse e me puxou para um abraço.
Meus olhos ardiam. Sirius me abraçava com força e eu não me importei com os olhares voltados para nós. Queria chorar, estava tão cansada de ter que aguentar tantas dúvidas e problemas e ter que ser a boa aluna, a garota decida e forte. Segurei o choro que queria vir. Respirei fundo, sentindo o peso do meu corpo. Sirius murmurava palavras de consolação e finalmente me senti segura para conversar.
- E então? – mantinha a voz baixa para que não nos ouvissem. Suas mãos apalpavam minha cabeça, como se eu fosse um bichinho de estimação. Sorri com esse pensamento.
- Ah... – comecei. – Eu enviei Marrie com uma carta avisando que eu chegaria hoje em casa e que passaria as férias na casa da Lene, mas não tenho certeza se eles a receberam e se irão me buscar. – sorri sem graça. – Tenho medo do que possa acontecer, Sirius. Eu não quero ter outra briga com meus pais, principalmente porque passarei tanto tempo sem vê-los. E eu tenho tanto medo do que possa acontecer com eles nesses tempos perigosos.
- Eu entendo Lily. – seus olhos azuis me fitavam com compaixão. – Mas você precisa dar um tempo a eles. Pais são complicados. Tivemos essa conversa diversas vezes. Você precisa parar de se culpar. Não foi culpa sua, você não teve intenção de machucar a sua irmã.
- Por mais que todos digam que não foi, eu me sinto culpada. Só de lembrar a expressão que minha mãe fez... – parei de falar, controlando o choro.
- Lily, você não tem controle sobre seus poderes quando está fora de si! – Sirius segurou meus ombros enquanto falava. – Entenda de uma vez por todas.
- Almofadinhas? – James apareceu atrás de Sirius.
- Oi pontas. – Sirius endireitou a postura se afastando de mim e virou-se para o amigo.
- O que tá acontecendo? – perguntou enquanto se aproximava de nós.
- Caiu um cisco no meu olho. – consegui dizer. – Sirius estava tentando soprar, mas não adiantou muito.
- É... – concordou Sirius com um meio sorriso.
- Ahm. – James não pareceu acreditar, arqueou a sobrancelha e então olhou para mim. – Você já tomou café?
- Não, estava indo pra lá quando encontrei Sirius. – respondi.
- Eu vou com vocês então.
- Tudo bem, vamos logo. Tô morrendo de fome. – Sirius me pegou pelo braço e fomos os três ao salão principal.
Metade do salão estava vazio. Dory e Alice ainda comiam e Lene conversava com Emilly, uma setimanista da sonserina. Emilly deveria ser uma das únicas sonserinas que não possuía o nariz empinado para o resto das casas e era bastante divertida, ou seja, uma raridade entre as cobras. Frank estava ao lado de Alice e Remo estava de frente para Dory. Peter comia ao lado de Emilly. Cumprimentei a sonserina e me sentei ao lado de Frank, que me dera bom dia. Sorri em resposta. Meu estômago embrulhou com o cheiro de comida e senti vontade de vomitar mesmo sem ter comido. Respirei fundo. Precisava comer ou então desmaiaria novamente.
Procurei algo salgado para aumentar minha pressão. Peguei um pouco de ovos mexidos e panquecas. Eu sabia que meus amigos me observavam, estava virando rotina nessas horas. Ignorei. Comi lentamente, sentindo meu estômago doer. Fiquei com medo de acabar colocando tudo para fora. Peguei um pouco de suco de abóbora e tomei. Vendo que eu comia, Dory voltou a conversar com Remo e Alice com Frank. James que sentara ao lado de Sirius e de frente para mim, me fitava com interesse.
Hora ou outra eu trocava ideia com Frank e Alice. Depois de alguns minutos resolvemos ir até as carruagens que nos levaria ao trem de volta para Londres. Alice e Frank pegaram uma carruagem separada, Dory e Remo acompanharam Lene e Sirius, seguidos de Peter. Eu e James pegamos a última carruagem. Chovia lá fora e senti o cansaço me atingir. Precisava de um bom descanso. James comentava sobre coisas triviais e eu apenas concordava, sem prestar atenção.
Chegamos à estação e logo pude ver a silhueta de Hagrid na multidão. Acenei para o gigante que me desejava boas férias. Encontramos Dory, Remo, Lene, Sirius e Peter em uma cabine no final do trem. Alice e Frank preferiram passar os últimos momentos sozinhos. Chamei Remo para irmos ao carro dos monitores e saímos. Enquanto rumava para o próximo vagão vi Severo acompanhado de Lúcio Malfoy e Bellatrix Black. Fixei meus olhos em Severo que se desviou de mim, senti meu coração apertar. Vi Bellatrix torcer o nariz assim que passei por ela e Lúcio murmurou "sangue ruim". Segurei a mão de Remo antes que ele pudesse sacar a varinha e vi o sorriso nojento de Black. Não valia a pena e eu estava cansada demais para mais uma briga infantil.
Tivemos uma curta reunião. Minha mente não conseguia assimilar as informações e nem me lembro sobre o conteúdo da mesma. Todos saíram, exceto Remo que continuou sentado ao meu lado.
- Você tá pior que eu em dia de lua cheia. – Remo disse sorrindo bondosamente.
- Eu estou tão ruim assim? – perguntei tentando rir.
- Sim Lily. – agora ele estava sério.
- Não consegui dormir. – comentei repousando minha cabeça em seu ombro.
- E por quê? – perguntou interessado, enquanto passava a mão em meu cabelo.
- Tava ocupada demais pensando. – respondi sorrindo e fechando os olhos.
- Pensando em que? – a voz de Remo era baixa e rouca. Senti um arrepio na pele, me lembrando da época em que eu era apaixonada pelo maroto.
- Muitas coisas. Casa, Petúnia, mamãe, James. – minha voz saia mecanicamente, sem que eu pensasse no que dizia, e o sono finalmente chegou.
- James? – ouvi sua voz distante.
- É...
Aninhei-me melhor em seu braço. Remo disse algo, mas eu não lembro o que. O movimento do vagão nos trilhos me embalava e finalmente dormi. Não lembro se sonhei. Lembro-me apenas de me sentir confortável com o cheiro do shampoo de Remo e com seus dedos deslizando por meus cabelos.
Ouvi o apito do trem. Abri os olhos. Já estava escurecendo. Endireitei meu corpo e olhei para o lado. Remo me olhava sorrindo.
- Já chegamos? - perguntei assustada.
- Sim, senhora monitora.
- Ah, desculpa, eu dormi em cima de você. – disse colocando a mão na boca.
- Tudo bem, você precisava mesmo dormir. – ele disse divertido.
- Obrigada, eu realmente precisava. – agradeci suspirando. – As meninas devem estar preocupadas. – levantei rápido.
- Elas estavam aqui um minuto atrás. Falaram que iam pegar as malas e nos encontravam na estação.
- Ah sim. Tenho que pegar a minha. – disse olhando pela janela e vendo uma multidão de alunos.
- Lene foi buscar.
- Hum. – murmurei. – Melhor procurarmos por todos então.
- Sim.
Saímos do vagão e procuramos nossos amigos pela multidão que começava a se dissipar. Encontramos Dory e a morena. James e Sirius conversavam sobre alguma coisa e Frank se despedia de Alice, acompanhada da mãe. Cumprimentei Julliet, mãe de Alice. Ela possuía olheiras profundas e parecia cansada. Perguntei como ia o trabalho no Ministério e ela respondeu que as coisas estavam bastante agitadas. Suspirou e chamou por Alice, precisavam ir. A loira não queria ir embora, mas entendia que a mãe precisava voltar ao Ministério com urgência e se despediu de todos, demorando ao lado de Frank. Julliet me deu um abraço e logo ela e a filha desapareceram pela parede.
- Precisamos ir também. – disse Sirius, olhando para o lado. Segui seus olhos e vi sua mãe acompanhada de Régulo, seu irmão.
- Você vai com a gente Remo? – perguntou James.
- Vou sim. – respondeu e olhou pra mim. – Você vai ficar bem?
- Claro. Qualquer coisa eu pego um taxi. – disse com um sorriso fraco.
- Tem certeza? – perguntou Sirius.
- É, a gente pode te levar em casa. – falou James, se aproximando.
- Tá tudo bem, eu levo a Lily qualquer coisa. – disse Lene.
- Tá né. – Sirius olhou mais uma vez para sua família, agora com cara de nojo. – Vamos nessa então, pontas e aluado.
- Okay. – responderam.
- Tchau Lily, a gente se vê depois. – James me deu um abraço e sussurrou em meu ouvido. – Qualquer coisa mande Marrie.
- Tchau. – sorri e me despedi dos outros dois marotos.
Vimos os três atravessarem a parede, sendo seguidos por um apressado Peter. Dory tinha achado seus pais e não demorou, como Alice. Lene olhava para os lados.
- Sua mãe vai vir? – perguntei pegando minha mala e a gaiola com Marrie, minha coruja branca rajada de cinza.
- Não tenho certeza. Ela disse que talvez mandasse Maurice me buscar, mas não consigo achar nenhum dos dois. – suspirou desistindo. – Vamos atravessar e ver se achamos seus pais.
- Tá... – eu estava apreensiva.
- Vai ficar tudo bem, Lily. – ela me abraçou. – Alice disse que passaria o mais cedo possível amanhã. Se você quiser posso ir com você e você pega o que tiver que pegar e já vamos pra minha casa.
- Não precisa. Eu quero tentar conversar com meus pais. Preciso tentar.
- Se você insiste... – a morena disse preocupada. – Vamos então.
Atravessamos a parede e logo estávamos cercadas por pessoas normais. Ninguém pareceu estranhar nosso súbito aparecimento. Olhei para todos os lados e finalmente encontrei uma cabeleira ruiva. Minha mãe me olhava apreensiva. Meu coração disparou. Ela veio andando em minha direção com lágrimas nos olhos. Senti seu abraço apertado, estava feliz até o momento em que começou a falar.
- Ah, Lily. Seu pai! Não percebemos. O coração não aguentou. – ela balbuciava palavras desconexas entre os soluços. – Ah Lily, ele estava tão preocupado com você, nós dois estávamos. Me desculpe, eu não deveria ter te tratado daquela maneira e agora, seu pai...
- Mamãe, calma. – eu tentei acalmá-la, não tinha entendido. – O que houve com papai? O que aconteceu?
- Seu pai Lily... – ela chorava ainda abraçada em mim. – Seu pai morreu.
O quê?
Oi Gente! Esse capítulo foi curtinho, mas acho que teve muita informação, por isso preferi deixá-lo assim. O próximo capítulo será um pouco deprimente, mas necessário. Bem, mande reviews!
Obrigada.
