- ... As coisas andam agitadas ultimamente...
- Creio eu, depois que meu irmão assumiu o trono...
Em um vasto salão, uma sombra observava a paisagem da imensa janela daquele cômodo.
Em suas mãos... um pires. Bebia café ou chá numa xícara.
- Sabe... Eu tenho a leve impressão que estes anos... serão um tanto... chatos.
- Sabem por quê?
A entidade conversava com outros dois indivíduos, alguns metros atrás dele.
Não ousaram responder, o silêncio já alarmava que não sabiam o motivo.
- Observem o céu... A cada dia ele se torna mais... escuro.
- Um ancestral, meu tataravô, deixou um pequeno trecho em seu livro de magias...
- "O dia em que a condenada fugir de seu exílio, as trevas voltarão a tomar o mundo"
- "Os céus se tornarão obscuros, até se tornarem mais negros que a noite."
- "A Luz desaparecerá e o mundo será contaminado."
- O que... isso significa, meu senhor? – perguntou uma das sombras, entonação feminina.
- Alguma.. Alguma coisa libertou as trevas?
- Sem dúvida, Miya... – respondeu.
- Além desse trecho, meu tataravô deixou de herança um feitiço.
- Todos os herdeiros dele... Podem sentir e ver a aura de todos os seres deste planeta.
- Inclusive a nossa? – Perguntou a outra, um tom mais masculino.
- Inclusive a de monstros de e híbridos, Okami.
- Sinto que a maga foi solta, e ainda mais, alguém abriu a caixa proibida.
- E como o grande mago Hu deixou por escrito em seu livro...
- "Somente aquele quem abriu a caixa pode selar as trevas novamente".
- Então... o que irá fazer, Warlock-sama? – perguntaram as sombras.
O mago, um garoto de cabelos morenos azulados de olhos azuis, vestido com roupas típicas de um bruxo na cor roxo-azulada, fitou-os e respondeu:
- Irei encontrar o responsável por isso tudo.
...
Aconteceu muita coisa no ano seguinte. Os regentes do reino de Kuroboshi desapareceram sem deixar pistas.
Ninguém sabia o que tinha acontecido, se estavam vivos, e onde se encontravam.
O reino não possuía um líder. Não tinha ninguém no trono. Tudo se tornou um caos.
Então os ministros e sarcedotes decidiram... antecipar a sua coroação.
E com onze anos de idade, Yami Kuroboshi se tornou a regente.
Isto é, nem todos acharam que ela estava pronta para assumir o trono.
Entre eles, o recém-nomeado ministro... Saigo.
- Não acham que é muito cedo para que ela assuma o poder? – contestou ele.
- Estamos em crise, Saigo. Eu sei que o rei confiava muito em você e por isso o promoveu, mas aqui as decisões são em grupo. – respondeu um dos ministros mais velhos.
- Mesmo assim... ela é só uma criança! Ela ainda estava sendo preparada para este dia.
- Cale-se, o ministério e o conselho real já decidiram.
- Saigo-san, não... não fique assim... – correu uma voz pela sala, a que não fazia parte do grupo. Vinha da porta, que estava aberta.
- Ei, serviçal, não pode entrar aqui! – vociferou uma mulher do conselho.
- Desculpem... Eu não queria me intrometer. Apenas ouvi por acaso o que estavam conversando... Perdoem-me. – respondeu Lance, retirando-se pelo corredor.
Alguns segundos depois o seu nome é ouvido. O garoto para e vê que o amigo veio atrás dele, deixando os outros daquela discussão mais revoltados ainda.
- S-Saigo-san?
- Lance, eu... Obrigado...
- Disponha. Foi graças a ti que eu vim parar aqui – sorriu.
- Você que passa mais tempo com a Yami, certo?
- Sim, eu sou... o protetor dela. E eu concordo contigo, a Yami-chan não... Não está pronta para isso.
- É o que eu tentei explicar a eles e...
- No entanto foi preciso.
- O-o que?
- Eu passo maior parte do tempo com ela, e sei que ela pode administrar o reino...
- M-mas...
- Eu a entendo perfeitamente, Saigo-san. E no mais... Yami-chan disse que iríamos governar Kuroboshi juntos. Com a minha experiência eu iria auxiliá-la no que deveria ser feito, e desta forma ela resolveria todos os problemas de todos os cidadãos!
Saigo calou-se. Afinal de contas... o seu amigo concordava ou não com ele?
- Lance... O que você está querendo dizer?
- Saigo... eu sou o irmão dela.
- L-Lance... V-você é o... Lance Kuroboshi? Aquele que disseram ter desaparecido e...?
- Sim. Mas agora não sou mais regente. Sou apenas o servo da Lady Kuroboshi.
- M-mas como isso...
- Eu te explicarei! T-Tenha calma! É uma longa história... Mas não quero ser mais príncipe. Gosto da vida que levo! E aprendi muito fora do castelo, aprendi o que o povo precisa. Por isso que nós dois, Yami-chan e eu, podemos levar nosso reino a um bom caminho!
- O-ok... S-se você diz, então eu... Eu só posso rezar e esperar que tudo dê certo. – suspirou, um tanto preocupado.
- Não se preocupe, Saigo-san... eu irei ajudá-la.
O deixou continuar andando, desaparecendo pelo corredor.
Saigo apenas esperava que Lance estivesse certo...
Infelizmente...
Não estava.
- O que? A princesa... Ela o que? – disse um dos cidadãos.
- Isso mesmo, ela aumentou os impostos.
- I-impossível!
- Não, foi decreto dela mesma.
A população começara a sentir na pele o erro cometido. Passou meses depois da coroação.
Yami governava a mão de ferro. O povo estava sendo explorado pelos impostos.
E quanto a ela?
Aquela doce e adorável menina?
- Ah! Como é bom admirar este jardim~
- Tão bom sentir o ar puro... Aah, eu adoro esta vida!
Nem se importava com o que acontecia FORA das paredes do seu palácio.
- Princesa! – disse um dos ministros, correndo até ela – Muitas pessoas estão abismadas com os impostos! E a maioria não tem como pagar! Estamos em situação crítica, o que faremos?
- Uh? Bem... Não podem pagar? Mas como assim?
- Quem manda aqui sou eu ou eles? Se temos que levantar este país teremos de aumentar os impostos para sobrevivermos a esta crise econômica!
- M-Mas...
- Dê um jeito nisso, É UMA ORDEM! – berrou ela.
- S-sim senhora! – o rapaz saiu correndo, obedecendo às ordens se sua mestra.
Ao longe, duas pessoas observavam... Sem ao menos ouvir nada do que tinha sido dito.
Pois estavam conversando. Duas pessoas próximas...
- Não acha que ela está exagerando um pouco não, Lance?
- Talvez... – suspirou – Não sei o que deu nela ultimamente...
- Yaku disse que o povo está pior do que antes, quando o rei se casou com aquela mulher...
- Eu... Eu vou conversar com ela mais tarde, Saigo-san...
- Bom, sendo que a única pessoa aqui que possui mais contato com ela é você... Não deve ser tão difícil...
- O jeito que ela trata os outros... Está me preocupando. O que raios aconteceu com minha irmã?
- Deve estar de mal-humor...
- Ela não era assim...
- Eu sei, a jovem Yami era muito mais do que isso. Era melhor.
- *sigh* Será culpa minha?
- Não diga isso, Lance! Claro que não é sua culpa! Deve ter sido aquela sua madrasta... Não deixava a pobrezinha parar um segundo para descansar!
- Aquela mulher... – o servo fecha os punhos, com força.
- Foi ela quem te expulsou de casa, certo?
- Sim... Mas foi graças a ela que eu... pude conhecer você, a Yaku-oneesan, o povo... E pude ver o que não via quando era príncipe. Pude aproveitar melhor, aprendi coisas que não aprenderia aqui, como cozinhar! Bem, ia ser estranho ver um rei cozinhando não? –riu.
- Ah, essa conversa... até que me deu fome.
- Hm... Também. Fiquei com saudade do bolo da Yaku-oneesan...
- Por que não dá um pulinho lá? Acho que não tem mais nada pra você fazer por agora...
- Mas a Yami-chan...
- Não se preocupe, eu cuido dela por enquanto.
- Ok, não irei demorar muito.
...
Saiu do castelo, e andou pela rua. As pessoas o viam, e até falavam com ele.
O menino era, de alguma forma, a esperança daquele povo.
Sorriam, conversavam, etc.
Isso o fazia bem. Ser amado não como regente, mas como uma pessoa normal e comum.
Pelo caminho avistou algumas criaturas. Sim, elas continuavam refugiadas nos becos...
E algumas crianças atiravam pedras em uns filhotes, chamando-os de aberrações.
O Kuroboshi não suportava ver aquilo, então decidiu por si próprio resolver o caso.
- Ei, vocês aí! – começou ele, em um tom sério – Sabem o que estão fazendo?
- Ora, sabemos! – respondeu um garoto, quatro anos mais novo que o servo – Estamos mostrando a estas aberrações o que nós fazemos com quem tem rabos, pelos e asas!
- Isso é errado! Esqueceram dos ensinamentos de vosso rei? Não devemos ferir quem é diferente de nós! Podemos ter formas diferentes, sermos de outras raças... Mas por dentro nós somos iguais, em alma e coração!
- Alma desses bichos esquisitos aí? – os três garotos começaram a rir.
- Na boa, serviçal, vai trabalhar que tu ganha mais. – respondeu outro, o mais velho do trio.
- Isso, ao invés de ficar pregando lições bobas que o rei trouxa nos dava! – completou o mais novo.
- Desculpem, mas se vocês não pararem... Eu terei de apelar para um segredinho... – respondeu Lance, já com uma idéia pronta em sua cabeça.
- É? – perguntou o do meio.
- Apelar? – disse o mais novo.
- Que segredo? – perguntou o mais velho.
- Sabem o filho do rei?
- Sim... Aquele que sumiu dois anos atrás e deram-no como morto? – responderam.
- É... Eu sou ele. – deu um pequeno sorriso cínico – Eu vago pela cidade pregando o que meu pai ensinou.
- Espera... v-você... É um fantasma?
- Exatamente. E eu levo comigo as almas malvadas para o seu confinamento. – encarou-os, fingindo ser uma alma penada.
- A-Ah! N-nós só... Só... AAAAAAAAAAH, MAMÃEEEEEEEEEE! – os três deram no pé.
O garoto riu daquilo, mal podia acreditar que as crianças levadas caíram no seu truque.
Porém os monstrinhos também ficavam com medo, até que ele deu um sorriso sincero e os explicou:
- Não tenham medo... Não sou um fantasma!
- Fiz aquilo para que eles parassem de machucá-los...
- Desculpem se eu os assustei.
- O-obrigado... – agradeceu um monstro amarelo, que lembrava uma raposinha (Pokomon)
- Se... se não fosse por você nós ainda estaríamos com problemas – disse um monstro gosma rosa (Motimon)
- isso mesmo, muito obrigado! – disse outros, um que era uma gosma marrom com três chifres (Chocomon), um que parecia uma ave alaranjada (Pinamon), um que era laranja e possuía a forma de um sol (Sunmon), e o último assemelhava-se a um dragão bebê azul (Chibimon).
- Ora, disponham... – respondeu.
- Não pude deixar que aqueles garotos os maltratassem por serem diferentes.
- Ah! Nossos nomes são... Pokomon, Motimon, Chocomon, Pinamon, Sunmon, Chibimon... E eu me chamo Pukamon! – falou um golfinho cinza com uma espécie de crista na testa.
- Prazer em conhece-los – reverenciou-os.
- Me chamo Lance Kuroboshi. Porém peço que não contem isto a ninguém.
- Minha madrasta... me expulsou de casa a dois anos atrás, por achar que eu era incapaz de administrar o reino.
- Por um lado... estou feliz em ser um simples garoto... – sorriu.
- Bem, eu vou indo... Até algum dia, amigos. – despediu-se e continuou andando.
- Até, garoto – acenaram, devolvendo o sorriso ao servo.
Chegou ao seu destino. Aproximou-se da porta e bateu-a. Após ouvir alguém permitir que entrasse, o jovem abriu-a e voltou-se a uma dama, que abria um sorriso a ele.
- Lance-kun!
- Oneesan! – entrou, e foi até ela – A quanto tempo! Como andas?
- Bem, e você? E o Saigo? Agora que ele virou ministro, eu... Eu mal os encontro...
- Estou bem e ele também! E como o pessoal está?
- Pessoal... fala do povo?
- Sim.
- Os impostos estão consumindo tudo, quase estamos à falência... Não temos dinheiro suficiente para pagar! Sei que algumas famílias foram despejadas por isso...
- Eu percebi...
- No entanto, meu caro serviçal, a princesa está extorquindo os cidadãos. – respondeu um jovem loiro, de olhos azuis. Seu cabelo era curto e a franja tampava seu rosto. Trajava roupas simples nas cores azul e preto.
- Uh? Quem é... – perguntou o jovem Lance.
- Ah, Hariki, este é o Lance. – apresentou Yaku ao rapaz.
- Lance... aquele menino que você e o Saigo abrigaram por dois anos?
- Sim, ele mesmo.
- Bem, ele me parece um pouco diferente.
- Ah, eu cresci. – respondeu simpaticamente – Agora tenho onze anos e... sirvo a princesa.
- A princesa... Não sei como vocês conseguem servi-la. Uma megera como ela...
- Por favor, não fale assim da Yami-chan!
- Ela está destruindo nosso povo! Como pode defendê-la?
- Porque eu... Eu prometi a ela que ficaria ao seu lado! Eu sou o seu protetor!
- E pelo que sei, o povo acredita em você, garoto!
- Eu sei disso... Eles sabem que sou o mais próximo da Yami-chan naquele castelo! E eu irei continuar dando apóio a vocês!
- Então não nos decepcione! Pare de ficar ao lado da Kuroboshi!
- Querem parar com isso? – gritou Yaku, calando os dois – Não vamos chegar a nada com esta discussão!
Pararam. Apenas a luta entre olhares continuou. Lance decidiu por si mesmo sair da casa, despedindo-se de Yaku.
A porta se fechou, enquanto a "irmã" acompanhava os movimentos. Logo Hariki a abraçou, pedindo perdão por ter perdido a paciência com o garoto. Yaku não o disse nada, só lhe deu um beijo e foi para seu quarto, tentando esquecer aquilo.
Ela ainda não compreendia. Por que o Lance, que viveu com ela antes, pode defender a princesa?
Será que ele não sabe mais o que se passa nas ruas? Mas ele havia dito que havia percebido.
As dúvidas giravam e giravam em torno de sua cabeça. Então ela lembrou, do dia em que ele foi embora. A felicidade dele, e as palavras que tinha dito:
"Ela é importante para mim."
"Como assim? Ela é uma monarca e você um simples menino."
"É difícil explicar... Mas um dia você entenderá, oneesan..."
"Do que... Do que está falando, Lance-kun?"
Olhou para o teto e suspirou:
- Por que, Lance-kun?
...
O tempo muda, ameaça chover. O jantar está na mesa, e todos os empregados do castelo estão a comer.
Mas em várias salas diferentes. Os ministros comiam em uma sala especial, junto do conselho real. Os serviçais jantavam numa sala de tamanho médio aos fundos da cozinha.
E quanto à princesa?
- Licença, Yami-chan... – saia uma voz de trás da porta do corredor.
- Oh? Lance-oniichan? Entre, favor!
- Claro, minha princesa... – abriu a porta e entrou com uma bandeja em mãos.
Ela comia no seu quarto. E nunca sozinha.
- Como está a comida, oniichan? – perguntava-o alguns minutos depois, quando ele já tinha servido.
- Hm... boa... – respondeu, olhando para o prato, dando a entender que algo o incomodava.
- Lance... tem alguma coisa te aborrecendo?
- Yami... Yami-chan... Eu gostaria de... De te fazer uma pergunta.
- Então perguntes, oras! Não precisa se sentir intimidado assim!
- É sobre nós, o povo de Kuroboshi...
- Huh?
- Hoje eu fui visitar uma antiga amiga minha, e eu vi com meus próprios olhos a situação em que nós nos encontramos. E ouvi também dela, dessa minha amiga... – olhou-a.
- Hm... prossiga.
- Os impostos, minha irmã... Os impostos estão destruindo todos. *sigh* Não acha que isso foi uma medida precipitada?
- Como? Nós temos que pagar pelo que importamos dos demais países. Se não pagarmos como iremos sobreviver? Dessa forma iremos...
- Já estamos, Yami. Temos de arranjar um outro jeito para sobrevivermos.
- E o que me aconselha a fazer?
- Investir mais nos produtos locais? Na agricultura e pecuária do nosso país?
- Talvez seja uma boa solução... Obrigada, irmãozinho.
- Não, não agradeça. Apenas estou cumprindo com a nossa promessa.
Passou 2 anos. Nestes 2 anos aconteceram muitas coisas.
E com o passar do tempo...
Foi-se perdendo aquela bondade. E aquele que era considerado a esperança para o povo...
Se tornou o nome mais temido por todos.
...
Ficou sentada em uma cadeira branca, debruçando seus braços em uma mesa redonda, da mesma cor, observando seu quarto. Logo a porta se abre e surge alguém:
- Minha princesa, aqui está seu chá. – disse ele, entrando no quarto.
- Oh! É hora do lanche! – disse ela, virando-se ao sujeito – Que bom! Você vai ficar aqui como sempre, né? – sorriu, tirando os ombros de cima da mesa e colocando suas mãos em seu vestido rosado desbotado, com alguns detalhes em preto.
- Claro, minha dama. – colocou a bandeja em cima da mesa. Em seguida fechou a porta e sentou-se na outra cadeira.
- Ótimo, sua companhia me faz tão bem.
- Digo o mesmo, princesa Yami. – sorriu, enquanto servia o chá em duas xícaras que se encontrava na bandeja. Tirou depois um prato com uma fatia de doce e a entregou.
- Obrigada. Mas não precisava, eu mesma poderia-
- Eu insisto, Yami-chan. Afinal você é a minha princesa e eu sou o seu servo. – sorriu para ela.
Os dois sorriram um para o outro e começaram a comer.
Naquele mesmo dia, naquele mesmo castelo...
Os guardas adentraram com um rapaz loiro, imobilizado pelos braços. Pararam em frente ao trono, onde estava a princesinha. E ao lado seu fiel súdito – seu irmão.
- Yami-sama... Este individuo foi flagrado numa tentativa de causar uma rebelião. – disse um dos guardas.
- E então... o que vão fazer? – dizia o homem – Vão deixar que ela continue no poder? Vão continuar obedecendo a ela?
- Cale-se, seu infiel! – vociferou Yami – Como ousa...
- Como? O SEU POVO ESTÁ PASSANDO FOME, ESTÁ POBRE! TUDO PARA AGRAÇAR VOSSA MAJESTADE!
- Eu odeio pessoas que só reclamam. Odeio. Sabe... acho que você merece... pena máxima.
- Pena máxima? – exclamaram os guardas.
- Isso mesmo. Por traição a princesa. E por tentar causar uma revolução.
- Yami-chan... – pensou o servo, olhando para sua realeza.
- Tem certeza disso, Yami-sama?
- Sim. – envenenou o detido, com um olhar sombrio e cheio de ódio – Levem-no.
- Sim, vossa majestade. – responderam os guardas, levando o prisioneiro.
E este, continuava se manifestando:
- ACHA QUE SE MATAR ESTARÁ LIVRE, SUA TIRANA?
- UM DIA, UM DIA VOCÊ IRÁ CAIR!
- KUROBOSHI ESTARÁ LIVRE DE SUAS MÃOS!
- UM DIA!
- Veremos, garoto... Veremos... – disse ela.
- Oh, vamos dar uma volta no jardim? – convidou o menino que estava ao seu lado.
- Sua... – o loiro olha diretamente para o servo.
- L-LANCE! COMO VOCÊ PODE CONTINUAR AO LADO DELA?
- COMO PODE... DEIXAR TUDO DESTA FORMA?
- COMO PODE NOS ABANDONAR?
E o servo... só deu um simples olhar a ele. Sim, aquele cara era familiar. Era Hariki.
Logo voltou-se a sua irmã e a pegou pela mão, enquanto retiravam-se do cômodo.
Hariki, que pensou por um instante que Lance faria algo por ele... Perdeu todas as suas esperanças.
E no dia seguinte...
Estavam todos reunidos na praça. Olhando para a guilhotina. Todos.
Inclusive Yaku, Yami, Lance, Saigo...
Todos.
- Hariki Aonuma. Acusado de traição à vossa majestade, princesa Yami Kuroboshi, e flagrado numa tentativa de causar uma revolução. – proferiu o guarda.
- A sentença decretada pela princesa foi...
- Pena máxima, morte na guilhotina.
Colocaram a cabeça de Hariki na guilhotina, que olhou para sua amada, Yaku, alguns metros perto dali.
Um dos guardas posicionou ao seu lado:
- Quais são suas últimas palavras?
- ... LIBERDADE AO POVO DE KUROBOSHI! – berrou, fechando os olhos com força.
- Yaku... obrigado por tudo... E eu... eu sempre te amarei... – sussurrou em seguida, correndo lágrimas em seus olhos.
E a lâmina foi solta.
A cena congelou a alma de todos. Menos a dela.
Yami abria um sorriso, não parecia nem triste... Nem nada.
Seu irmão não demonstrava nenhuma reação, estava neutro. Ou em uma confusão mental... Ou distraído com alguma coisa e não prestou atenção alguma no que acabou de acontecer.
Encerrada a execução, a vida no reino, que havia parado por causa disto, voltou ao seu rumo. Inclusive a da princesa tirana.
No entanto, uma jovem por volta do fim da tarde parou em diante do majestoso palácio, onde vivia a assassina do seu amor.
Olhos sedentos por vingança. Olhos carregados de tristeza.
Yaku sentia-se traída. Traída pela pessoa quem ela acolheu em sua casa, e lhe deu amor.
A moça virou-se e voltou para casa, mas durante o caminho deixou suas palavras:
- Kuroboshi, você irá cair. Pagará por tudo que nos fez, inclusive ao Lance-kun.
