Disclaimer: Essa história pertence a I'heure bleue, que autorizou eu e a LeiliPattz a traduzir, e os personagens pertencem a Stephenie Meyer.

This history belongs to I'heure bleue, who allowed me and LeiliPattz to translate, and the characters belongs to Stephenie Meyer.


Tradutora: Leili Patzz

POV Bella

Sábado, 2 de Fevereiro de 2008 – 21:46h

"Qual o seu nome? Por favor, me conte," ele implorou, e eu não poderia ter impedido a minha resposta, mesmo se quisesse.

"Bella," eu sussurrei, e ele sorriu.

"Bella," ele repetiu, sua voz pensativa enquanto falava. Ele não disse nada depois disso. E então ouvi os seus passos, caminhando muito lentamente para longe de mim, e um vazio inexplicável encheu-me.

Quando ele sussurrou meu nome, meu coração bateu tão rápido, tão firme, tão forte. Nunca me senti mais viva do que como naquele momento. E embora eu nunca tenha sentido o sol na minha pele, sentia o calor que todos descreviam. Meu corpo inteiro parecia que estava pegando fogo.

Sorri tristemente, e desejei que ele não tivesse que ir. Porque nesse momento, me senti tão livre. Livre da doença que me atormentava. Livre das preocupações que me assombravam a cada momento de cada dia. Livre do peso da responsabilidade que estava sobre meus ombros a cada segundo desde sempre.

Mas o meu coração disparou quando eu me lembrei de suas palavras.

"Posso vê-la novamente em breve?"

Será que ele, possivelmente também sentiu a… a energia inexplicável, a atração, que fluiu entre nós? Ele poderia ter se sentido tão completo naquele momento, como eu senti? Como um todo? Tão livre?

Balancei minha cabeça negativamente.

Não, ele não poderia ter sentido. Eu estava sendo idiota. Eu não fui capaz de vê-lo, isso era verdade, mas a partir de sua voz e suas palavras, eu sabia uma coisa: ele era muito bondoso e gentil, e tão dolorosamente bonito que ele estava provavelmente aliviado porque eu era cega — porque ele foi muito bom em me fazer ver enquanto ele se afastou de mim e não voltou.

"Bella."

Mas do jeito que ele tinha sussurrado meu nome, tão cheio de emoção...

Eu balancei minha cabeça, e sufoquei as lágrimas quando comecei a andar no familiar caminho desgastado que me levava para casa. Era longo e difícil, mas eu tinha há muito tempo memorizado cada raiz, e toco, e buracos, que a estrada oferecia. Eu me movi em torno deles, deixando meus dedos dançarem através das árvores que ladeavam fora da minha trilha e me guiavam em meu caminho.

Mas hoje, eu tropecei e cai muito, pois não conseguia me concentrar por um segundo sequer. Eu não podia ouvir ou sentir nada, exceto ele. Eu não conseguia ouvir nada, a não ser sua voz, ecoando em minha mente.

Eu sabia que era errado. Eu sabia que não deveria querer tanto ser sua amiga, por que que tipo de amiga eu poderia ser? Eu vivia na escuridão, com medo da luz do sol que aquecia sua pele.

Quando tropecei na porta em frente da minha casa - grata pela a primeira vez que meu pai tinha adormecido enquanto esperava que eu voltasse para casa - chorei baixinho.

E eu silenciosamente jurei que não iria voltar, que não iria vê-lo novamente.

Porque ele não sabia a verdade, e quando ele descobrisse, eu tinha certeza que iria fugir de mim, como tantos outros fizeram. Como minha mãe tinha feito. Eu tinha certeza que ele também iria quebrar meu coração quando suas palavras, embora eu não pudesse ver sua expressão, carregassem todos os sentimentos que sempre acreditavam que poderiam esconder, simplesmente porque eu não podia ver.

Mas o que eles não imaginavam era que, embora eu fosse cega, eles eram os que não podiam ver.

Porque não podiam ver a dor que quebrava meu coração, uma e outra vez, toda vez que eu ouvia as suas palavras cuidadosamente sussurradas.

"Tão diferente."

"Estranha."

"Aberração."

Fechando a porta atrás de mim, eu desmoronei contra ela e respirei fundo, estremecendo enquanto tentava não chorar. Minha mente estava cheia de visões do garoto que eu conheci apenas alguns minutos atrás.

Edward.

Eu queria mais do que qualquer coisa que ele pudesse ser a minha rocha, a única pessoa que me entendia. Ele aceitou a minha cegueira tão facilmente — ele foi o único que tinha aceitado fácil assim — então por que ele não aceitaria tudo sobre mim? Mas eu estava com tanto medo da rejeição, tão endurecida contra o mundo, que não estava mesmo disposta a lhe dar uma chance.

Sinto muito, Edward.

POV Edward

3 de Fevereiro - 09:20h

"Onde você estava na noite passada?"

Eu me encolhi. Era a voz de meu pai, logo atrás de mim. Eu tentei fingir que não ouvi. Estendi a mão e aumentei a minha música, mas dentro de segundos, ele suavemente se aproximou e tomou os fones de ouvidos. Recusei-me a olhar nos olhos dele.

"Edward…"

"Pai, eu não quero falar sobre isso, tudo bem?" Rosnei, e agarrei os fones de volta dele antes de enfiá-los de volta nos ouvidos e aumentar o volume tão alto quanto podia.

Eu não queria falar sobre nada, muito menos as minhas escolhas de faculdade. Eu simplesmente queria sentar aqui, e lembrar do rosto dela. Eu queria ver o seu sorriso em minha mente, e sentir sua pele macia sob meus dedos. Porque eu sabia que, se ela saísse da minha cabeça e dos meus pensamentos, o sentimento de vazio se espalhando lentamente, tomaria conta de mim.

Mas então a minha música desligou completamente, e eu olhei para meu pai, que estava com a mão pairando sobre o botão liga/desliga do meu CD player. Ele não estava sorrindo, mas ele não parecia irritado também. Ele simplesmente parecia cansado e desgastado, e de repente eu perguntei quanto ele tinha conseguido dormir na noite anterior, e me senti mal por ter sido a causa de sua preocupação.

"O quê?" Eu resmunguei baixinho resignado, mas não feliz.

"Onde você estava na noite passada?"

Eu não respondi.

"Edward", ele suspirou. "Eu não estou irritado. E eu não quero discutir… só quero falar com você."

"Sobre o quê?"

Eu ainda estava desconfiado, mas deixei meu pai sentar na cama ao meu lado. Ele apertou as mãos, e eu suspirei, mordendo meu lábio e recostando na cabeceira da cama atrás de mim.

"Você está se afastando de nós", disse ele, e sua voz era triste. "Mesmo com Alice, e vocês dois costumavam ser tão próximos. Edward, o que estou fazendo de errado? Isso é minha culpa? Estou te pressionando demais? O que é?"

Eu fiz uma careta, e desejei que meu pai não estivesse se sentindo do jeito que estava. Mas o que eu poderia dizer a ele? Porque, sim, pai, você é exatamente a razão de eu estar me afastando. Você está me pressionando demais. Isso é sua culpa... Mas eu não podia dizer isso. Eu sabia que não podia, porque se ele estava sentindo dor neste momento as minhas palavras só fariam muito pior.

"Por favor, seja honesto comigo", ele disse, e quando eu olhei em seus olhos, percebi que ele nunca tinha falado comigo desta maneira. Antes, ele sempre esteve no controle. Agora, ele estava deixando tudo em aberto para o que eu estava sentindo, tudo o que era, e ele estava à procura de uma resposta honesta.

"Eu não quero ser médico, papai," eu murmurei, e deixei os meus olhos nos dele. "Eu quero estudar música."

Eu sabia que, se fosse qualquer outra coisa, não teria respondido como respondeu.

"Edward, eu… não posso… o deixar ir. Eu não estou disposto a assistir passivamente você jogar sua vida fora."

"Eu não estou jogando minha vida fora," eu resmunguei. "Pai eu tenho dezoito anos. Eu mesmo posso escolher o que quero fazer, e você não pode mudar minha mente, ou me forçar. Vou estudar música. É o que eu quero, e não vou mudar minha opinião."

Silêncio se expandiu, e logo tornou muito desconfortável. Eu estava prestes a voltar para minha música quando ele suspirou e se levantou.

"Tudo bem", ele disse e virou as costas para mim. "Eu não vou forçá-lo. Por enquanto. Mas por favor, me faça uma gentileza."

Olhei para cima, cauteloso.

"Se você vai ficar fora até tarde hoje, me avise. Você preocupou sua mãe terrivelmente na noite passada."

E eu também, eu sabia que ele queria dizer, mas não o falou, e eu estava grato por isso. Eu balancei a cabeça e dei um pequeno sorriso. E quando ele saiu do quarto, sussurrei duas palavras que queria dizer tantas coisas ao mesmo tempo.

"Eu vou."

Eu vou estar fora esta noite, eu adicionei em silêncio. Porque não há nenhuma maneira de que eu possa ficar longe dela.

POV Bella

19:33h

"Você não está animada para sair?" perguntou meu pai, e embora não pudesse ver seu rosto, eu quase pude sentir sua confusão. Eu sorri tristemente, e assenti. Eu estava sempre animada para sair. Mas hoje era diferente.

Porque à noite eu não ia ser capaz de vê-lo.

"Sim", eu disse, e apertei as mãos juntas, como se eu quisesse que o sol se movesse devagar. Eu não podia ir lá fora. Porque se a minha falta de entusiasmo alertasse meu pai de que algo estava errado, minha falta de vontade de sair de casa depois do pôr-do-sol definitivamente faria. "Estou animada", eu menti, e desejei que pudesse me esconder à noite toda.

Porque eu sabia que se saísse de casa, eu não seria capaz de lutar contra a parte de mim que me avisava para ficar longe do menino que, na mesma noite, havia capturado o meu interesse, mas não ainda o meu coração.

Pois, embora eu só tenha escutado a voz dele uma vez, embora eu só tenha tocado sua pele por um tempo tão curto, ele era tão diferente. Ele aceitou a minha cegueira, sem uma palavra negativa sobre isso. Ele era tão amável, tão gentil.

Eu suspirei, e sai do meu lugar à mesa. Coloquei meus pratos cuidadosamente na pia, mantendo a mão sob eles até a minha pele macia bater na fria, porcelana dura.

"Eu vou sair, papai. Eu posso voltar tarde", eu murmurei. "Não espere por mim."

"Está escuro o suficiente?" ele perguntou, e eu tinha certeza que olhou pela janela para ver se o escuro tinha, de fato, caído — era muito tarde para não estar.

"Te amo, pai."

Eu beijei sua bochecha, e depois de puxar meus sapatos, eu alcancei a maçaneta. Tomei o caminho já conhecido pela calçada, e para a floresta. Talvez só… por um momento. De longe. Eu só queria ouvir sua voz. Isso seria o suficiente. Mesmo se eu nunca pudesse ver seu rosto, ouvir sua voz suave seria suficiente.

Eu comecei uma corrida desajeitada, tropeçando e caindo.

Só por um momento, eu prometi a mim mesma, mas eu não percebi o quão difícil seria o deixar no segundo que ele chamasse por mim. Só por um momento.

POV Edward

20:01h

No momento em que terminei o jantar e meus pratos estavam na pia, rapidamente sai pela porta, fechando-a silenciosamente atrás de mim.

E então eu corri.

Eu corri mais rápido do que nunca, ansioso para chegar à pequena clareira que eu tinha encontrado na noite passada. E quando passei a primeira árvore com a pequena marca em forma de cruz, eu estava contente que tinha pensado em deixar um rastro no caminho para casa ontem à noite, pois eu sabia que nunca seria capaz de encontrá-la novamente se eu não pudesse encontrar meu caminho de volta para a clareira.

Eu sorri.

Era como o rastro que cada criança ouviu falar nas histórias de João e Maria. Ele me levaria até onde eu queria ir. Onde eu tinha que ir.

Ele me levaria a Bella.

Eu queria vê-la novamente, ouvir sua voz suave, tocá-la.

E então eu tropecei na clareira, após o final do matagal de árvores que bloqueavam o meu caminho, e estava sem fôlego para respirar enquanto olhava ao redor.

E enquanto olhei, meu coração ficou apertado, e o vazio dentro de mim se aprofundou e mudou de uma maneira que não entendia nem reconhecia.

Ela não estava lá. Ela tinha prometido, mas ela não havia chegado. Gostaria de saber rapidamente se algo estava errado, e então eu percebi o motivo mais provável.

Ela não gostava de mim como eu gostava dela. Ela não queria ser minha amiga, e ela não ansiava — como eu — em me conhecer mais. Para saber mais, ouvir mais, entender mais, sentir mais.

Cerrei os punhos firmemente contra a decepção que inundou-me e então tentei me convencer de que eu estava sendo idiota. Eu conversei com ela por poucos minutos, mas a decepção de ela não estar aqui me perfurou mais profundo do que a perda de amigos que eu tinha conhecido há anos.

Foi estúpido. Mas era tão real.

"Bella?" Eu respirei, agarrando a esperança de que ela estava aqui e estava simplesmente esperando por mim para fazer o primeiro movimento. "Bella, você está… você está aí?"

Mas eu não recebi uma resposta.

Virei, cerrando os punhos apertados, e eu comecei a andar, desesperado para não deixar a decepção tomar conta de mim.

E então ouvi a voz dela, tão suave, tão calma e tão cheia de emoção.

"Edward".

E o buraco que havia lentamente se expandido no meu coração desde que eu tinha deixado ela na noite anterior, de repente desapareceu. Não foi como se tivesse cicatrizado, mas era como se nunca tivesse estado lá.

Eu sorri, e fechei meus olhos enquanto me virei.

"Bella", eu respirei, e minha visão de repente se encheu com sua beleza.


N/T: Carlisle ta osso nessa fic hein? Vamos torcer pra ele melhorar!

Agora que coisa mais linda são esses dois? Essa fic é tão diferente, tão linda e me deixa tãoo ... emo kkkk.

Gente eu e a Leili agradecemos MUITO por tantos comentários, é mara ver tanta gente gostando da fic e curtindo nossa tradução. Obrigada mesmo.

Comentem ... até quarta que vem.

Beijos Zah e Leili.